O que nos deslumbra é a textura, a cor e o sabor. Vi-as ontem, na aldeia de Donas, Fundão, de onde trouxe uma carrada delas. Degustamo-las devagar e de olhos em alvo... e lembrando o trabalho de quem as apanhou, cesta no braço, no chão ou em cima de escadas, ao sol bem quente da Cova da Beira... e de quem as escolheu, encaixotou e carregou para transporte.
Na carne vegetal
cravo os dentes
e deixo escorrer o sangue
que a polpa encerra
Cerejas como as conversas
minha sede amansada
sol transformado
em sumo da terra
Texto e fotos: J Moedas Duarte