Uma breve citação:
«A incapacidade de usar a língua portuguesa de forma correcta é um "mal generalizado" entre os alunos de todos os anos, avisa Manuel Henrique Santana Castilho, docente da Escola Superior de Educação de Santarém. "São raros os que conseguem organizar um pensamento e escrevê-lo sem incorrecções", diz o professor que ensina Gestão Educacional aos futuros candidatos a professores do 3.° ano. Os erros vão muito além da ortografia e da gramática, conta Isabel Ferreira, que dá aulas de Física aos caloiros do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa: "Na generalidade, escreve-se como se fala. Os alunos distorcem as palavras para permitir uma colagem entre a grafia e a fonética."»
Como se chegou aqui?
Há logo quem culpe o Governo. Ou os professores. Ou os pais. Ou todos.
A verdade é que este não é um problema específico de Portugal, passa-se um pouco por todo o mundo.
Sempre que vem a propósito pergunto aos jovens se têm televisão, computador e Playstation no quarto. A esmagadora maioria tem. E ligam-nos assim que chegam a casa.
O pouco que lêem é sincopado, intermitente, nos ecrans do computador. Tudo passa pelas imagens rápidas, sem tempo para a interiorização.
Problema de civilização, parece-me. A família e a escola não têm capacidade para limitarem este caudal tecnológico que tudo submerge.
Os professores defrontam-se diariamente com a incapacidade dos jovens em manterem níveis regulares de concentração. E os pais não sabem como obrigar os filhos a estudarem à maneira antiga: lendo, sublinhando, resumindo, fazendo esquemas, reproduzindo por outras palavras, sintetizando...
E ninguém tem soluções para isto.