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27.1.11

JOÃO MOITA



"A palavra é a substância dúctil do silêncio".
Subitamente João Moita, meu conterrâneo de Alpiarça, irrompe pela minha casa com dois livros de poesia e afirma-se com voz poderosa e inesperada: O VENTO SOPRADO COM SANGUE(2009) e MIASMAS (2010).
Eu já AQUI lhe tinha feito referência em 22 de Agosto de 2009.

A melhor forma de te agradecer a oferta, caro João Moita, é dar pública forma ao meu apreço.
Assim:


É no zimbório que a palavra se insinua e eleva além do sentido.
É do alto que ela zela pelo silêncio
até não se ouvir mais que o cobre soprado pelo vento
e uma cabeça furiosa aspergindo o seu ácido branco.

Aqui não há lugar para gárgulas envenenadas.


In: O Vento Soprado Como Sangue

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Endereço do blogue de João Moita:

22.8.09

MUDEMOS DE REGISTO.

Da Ana Paula e seu PAUL DOS PATUDOS vêm estes poemas de João Moita, um jovem de Alpiarça que merece uma ampliação de voz. Com um abraço conterrâneo!

X

Não é como se a mão hesitasse no gesto fundador.
O movimento espera que um astro se incendeie
em todos os tendões
para que nenhuma palavra seja o frio nexo da loucura
ou o vento soprado como sangue.
Uma pedra sobre a boca pode ser o único sustento
para essa fome.
Mas a mão que escreve avança como faca
arrancando à garganta o seu êxtase carbonizado.
A violência é a religião de Deus.


XVI

De cada vez que um de nós morre
há uma faca apontada às jugulares:
o silêncio como mantimento.

A morte equilibra-se em nossos corações
com o deslumbramento.

Há-de haver um corpo que transite de alma em alma
e em cujos olhos se alumie a força brutal da mesma vida.
Há-de haver uma voz desvairada que se derrame como napalm
sobre a noite que nos envolve.
Por agora não sei como tocar a distância de onde nos falam.

Autor: João Moita
in : " O Vento Soprado como Sangue"