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16.12.12

SILÊNCIOS





Hopper, An excursion into philosophy, 1959



estendo uma toalha de palavras
sobre a mesa do silêncio   as sombras
alongam-se rente ao chão
como se fosse noite ao meio-dia

chegam de longe algumas notícias
doenças e tristezas
o vazio de um tempo onde já não moram
as horas que antigamente tanto prometiam
sebes e musgo  muros carcomidos
a orfandade de um ramo caído

não precisava de saber essas coisas
é inútil o meu cuidado
cresce o tempo
e a distância

um dia virá o grande silêncio
mas a morte é mais antiga

J. Moedas Duarte

10.9.07

POEMAS DE MÃO EM MÃO ( I )

( "Solidão" de Hopper )




Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

Maria do Rosário Pedreira