Uma característica da arte de ser português: passar alegremente do oito ao oitenta.
Um tipo nasce num casebre, emigra e anos depois manda construir uma maison com dez divisões. Mas vive num anexo, nas traseiras.
Durante décadas, Portugal não tem uma boa sala de espectáculos musicais. Até que constrói a Casa da Música, uma pipa de massa, um exagero, mas é das melhores do mundo!
Os estádios de futebol estavam ultrapassados. Agora temos dez dos mais espectaculares do planeta, com uma ocupação média de cinco por cento ao ano.
Para além da Linha do Norte e da Beira Baixa, os nossos caminhos de ferro são uma vergonha. Mas vamos ter um TGV última geração, que toda a gente sabe que vai dar prejuízo mas se teima em construir.
Com a avaliação dos professores é o mesmo. Durante décadas os sucessivos Governos não regulamentaram a avaliação que já estava decretada. De repente vem um e tira da cartola o mais sofisticado método de avaliação, nunca visto e que ninguém na Europa pratica. A quase totalidade dos directamente interessados ( sim, os professores têm interesse em serem avaliados!) não concorda com esta enormidade mas os responsáveis marram no vermelho e continuam a investir no "oitenta".
Veja-se este extracto do Telejornal de hoje na RTP 1:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=373264&tema=27