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28.1.08

HOMENAGEM A FERNANDA BOTELHO.





Nasceu em 1926, faleceu em 11 de Dezembro de 2007. Inesquecível, a minha primeira experiência de leitura de um "romance moderno": «A Gata e a Fábula», de Fernanda Botelho, que levantei na biblioteca itinerante da Gulbenkian de Santarém por indicação de António José Forte, que lá trabalhava.
Mais conhecida como romancista - foi Grande Prémio de Romance da APE, com «As Contadoras de Histórias» - F. Botelho iniciou-se nas letras como poeta.
É dela esta poema:

AMNÉSIA

Posso pedir, em vão, a luz de mil estrelas,
apenas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas

estende no meu quarto.

Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é que me prende e oprime).

E peço, em vão, uma palavra exacta,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.

E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!

Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
Esqueci quem era e acordei mortal.