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18.7.11

ARTE DE NAVEGAR



Vê como o verão
subitamente
se faz água no teu peito,

e a noite se faz barco,

e minha mão marinheiro.

(Poema: Eugénio de Andrade)
(Foto Méon - Tejo em Almourol)


6.4.11

SERÃO PALAVRAS

Arredores do Maxial (T.Vedras) - 3ABRIL2011- Méon

Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens.

Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração.

Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.

(Eugénio de Andrade)

15.5.08

EROS DE PASSAGEM

1.
Apelo da manhã perdido em flor:
ave seria se não fosse ardor.

2.
Pelo sabor da água reconheço
a ternura e os flancos do verão.

3.
Um corpo brilha nu para o desejo
dançar na luz a pique das areias.

4.
Nas águas rumorosas da memória
contigo acabo agora de nascer.

5.
O vento inclina as hastes à luz dura:
a terra está próxima e madura.

Eugénio de Andrade in: "Antologia Breve"
Reprodução do quadro de Monet
"Impression, soleil levant" (1872)

3.3.08

OS OLHOS RASOS DE ÁGUA


Cansado de ser homem durante o dia inteiro
chego à noite com os olhos rasos de água.
Posso então deitar-me ao pé do teu retrato,
entrar dentro de ti como num bosque.

(...)

Eugénio de Andrade

22.2.08

ENCONTREI !



Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.
Procura a maravilha.

Eugénio de Andrade

27.11.07