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21.3.12
HOJE, 21 MARÇO
«... anjos que somos com a memória de espaços que só o amor imita.»
Agustina Bessa-Luís, Florbela Espanca, a vida e a obra, Arcádia, Lisboa, 1979
21.3.11
PÓ Ê ZIA!
Blá-blá-blá! Por que a poesia blá-blá-blá....
E patati e patata e pi-ró-ró!.... Desta maneirra e daquela... porque frito... e porque cozido... ou grelhado?
A P O E S I A ... porque torna e porque deixa... bu-bu-lá-lá-té--té-pititititi...
Hugh! Rghhhhh!!! Brrrrrrrrrrr.........
"Ó ventos! Ó mares! Ó numes!
Ó Nabais, dá cá os lumes!"
21.3.10
POEMA: "AULA DO KAMASUTRA"
Edmund Dulac
Partilho-o nas duas versões:
Com um copo com embutidos de lazúli
espera por ela
Sobre o lago em volta da tarde e o perfume de flores
espera por ela
Com a paciência do cavalo pronto para descer a montanha
espera por ela
Com o bom gosto do príncipe magnífico
espera por ela
Com sete almofadas cheias de nuvens leves
espera por ela
Com o fogo do incenso mulher enchendo o lugar
espera por ela
Com o cheiro do sândalo homem em redor do dorso dos cavalos
espera por ela
E não tenhas pressa, e se ela chegar depois da hora
então espera por ela
E se ela chegar antes da hora
então espera por ela
E não assustes os pássaros que estão nas suas tranças
e espera por ela
Para que ela se sente descansada como um jardim no cimo da sua beleza
e espera por ela
Para que respire este ar estranho no seu coração
e espera por ela
Para que levante o vestido das suas coxas, nuvem por nuvem
e espera por ela
E trá-la à varanda para ver uma lua afogada em leite
espera por ela
E oferece-lhe água antes do vinho, e não
olhes para as perdizes gémeas a dormir sobre o seu peito
e espera por ela
E toca-lhe a mão devagarinho quando
pousa o copo sobre o mármore
como se lhe levasses orvalho
e espera por ela
Fala com ela como uma flauta
com a corda assustada de um violino
como se fôsseis os dois testemunhas do que o amanhã vos prepara
e espera por ela
Ilumina-lhe a noite anel por anel
e espera por ela
até que a noite te diga:
não ficaram senão vós dois no mundo
Portanto leva-a com cuidado para a tua morte desejada
e espera por ela
Mahmûd Darwîsh
Tradução: André Simões
سوطرا
بكأس الشراب المرصَّع باللازوردِ
انتظرْها ,
على بركة الماء حول المساء وزَهْر الكُولُونيا انتظرْها ,
بذَوْقِ الأمير الرفيع البديع
انتظرْها ,
بسبعِ وسائدَ مَحْشُوَّةٍ بالسحابِ الخفيفِ
انتظْرها ,
بنار البَخُور النسائِّي ملءَ المكانِ
انتظْرها ,
برائحة الصَّنْدَلِ الَّذكَريَّةِ حول ظُهُور الخيولِ
انتظْرها ,
ولا تتعجَّلْ , فإن أقبلَتْ بعد موعدها
فانتظْرها ,
وإن أقبلتْ قبل موعدها
فانتظْرها ,
ولا تُجفِل الطيرَ فوق جدائلها
وانتظْرها ,
لتجلس مرتاحةً كالحديقة في أَوْجِ زِينَتِها
وأَنتظْرها ,
لكي تتنفَّسَ هذا الهواء الغريبَ على قلبها
وانتظْرها ,
لترفع عن ساقها ثَوْبَها غيمةٌ غيمةٌ
وانتظْرها ,
وخُذْها إلى شرفة لترى قمراً غارقاً في الحليبِ
انتظْرها ,
وقَّدمْ لها الماءَ , قبل النبيذِ , ولا
تتطَّلعْ إلى تَوْأَمْي حَجَلٍ نائميْن على صدرها
وانتظْرها ,
ومُسَّ على مَهَل يَدَها عندما
تَضَعُ الكأسَ فوق الرخام
كأنَّكَ تحملُ عنها الندى
وانتظْرها ,
تحَّدثْ إليها كما يتحدَّثُ نايٌ
إلى وَتَرِ خائفٍ في الكمانِ
كأنكما شاهدانِ على ما يُعِدُّ غَدٌ لكما
وانتظْرها ,
ولَمِّع لها لَيْلَها خاتماً خاتماً
وانتظْرها ,
إلى أَن يقولَ لَكَ الليلُ :
لم يَبْقَ غيرُكُما في الوجودِ
فخُذْها , بِرِفْقٍ , إلى موتكَ المُشتْهَى
وانتظْرها ! ...
Publicada por André . أندراوس البرجي
Etiquetas: Mahmud Darwish - 1941-2008 Palestina
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