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4.2.21

"CREIO NOS ANJOS QUE ANDAM PELO MUNDO"

                              

Os cometas irrompem dos confins do universo, iluminam a noite e seguem em direcção ao infinito.



Teu nome, teu disfarce, tua ausência


do círculo familiar, a tua viagem,


tua febre, tua recusa e anuência,


teu estar connosco e, entanto, à nossa margem.




Teu corpo, teu sentido, tua luta,


teus olhos fundos, teu perfil estranho,


teu quarto, teu refúgio, cela, gruta,


teu gado fugidio, teu amanho.




Teu riso inesperado, teu mistério,

teu sereno dormir, tua lembrança,


teu não acreditar no Quinto Império,




teu vivo exemplo, tua confiança,


teu sílex interior, teu rosto sério,


teu modo de ensinar-nos a esperança.


 

Daniel Filipe


12.10.12

Ó PÁTRIA, SENTE-SE A VOZ...









Nas constantes releituras do que tenho aqui, volto a abrir este livro.
Estranhamente, a velha canção parece escrita hoje...









4ª CANÇÃO

Roga por nós, ó pátria, ó sonho sem fronteira!,
por nós a quem recusam a alegria,
a liberdade, o pão de cada dia,
a vida verdadeira!
 
Ó pátria, canta! Do teu presepe imaginário
ergue a voz dulcíssima, magoada,
e estilhaça de esperança as paredes do aquário,
ó pacifica pomba engaiolada!

Contigo iremos pela noite fora,
cantando «Erguendo rútilas bandeiras
por sobre aldeias, campos, sementeiras, 
como os arcanjos portadores da aurora».

26.4.08

MINHA LUZ


Falemos, pois, de amor: serenamente.

A esfinge, que nós somos, adormece cansada

e a criança de um dia olha-nos, frente a frente.

( Daniel Filipe )