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20.6.13

NO SILÊNCIO DO LABORATÓRIO





Longe do ruído exterior, concentrado na busca do que nunca viu mas pressente, o jovem cientista perscruta os dados incansavelmente. Tem de ser obstinado, rigoroso, paciente. Algo lhe diz que vale a pena continuar mesmo quando lhe parece que chegou a um beco. Pode haver uma brecha, um ponto obscuro onde se esconde a saída. 
E o jovem cientista recorda-se de quando era espeleólogo e mergulhava numa gruta desconhecida. Avançava a medo, progredia em pequenos lances, parava para respirar e apoiar os pés, sentia-se dependente de uma corda e de um mosquetão mas confiava. 
E sabia que nunca estava só: era a equipa, os companheiros de aventura, os outros que muitos anos antes já ali tinham estado e haviam deixado trilhos abertos. No desânimo ouvia os incitamentos. "Vai! Tu consegues!"

O jovem cientista sabe que é longo o tempo entre a formação, o projecto, a execução e os resultados. Tem dados para organizar, indícios para reflectir, informações para comparar,   evidências para concluir.
E tem de escrever, escrever, escrever. Porque sabe que na escrita encontra o seu próprio caminho para entender. 
Repete para si: " Sabes que entendeste quando consegues explicar por escrito e de modo a que outros entendam. "
É um trabalho monótono, árduo, uma luta corpo a corpo. Por vezes está perto da exaustão.
"Que faço aqui? Porque é que faço isto? Vale a pena?"

E um dia, depois de muitos dias, ele chega ao fim daquele percurso. Algo ficou concluído.
Há uma luz intensa que transforma o seu quotidiano. E lembra-se de como era bom ver o sol depois de muitas horas no negrume de um algar em Montejunto.

Olhos que se fixam nele e mãos que acenam louvores. O jovem cientista responde com alegria. Mas sabe que amanhã voltará ao silêncio do seu laboratório, 
à nova gruta que espera a sua coragem. 

*

Ao João Duarte e companheiros de trabalho que dignificam a Ciência e enriquecem o nosso conhecimento do mundo: http://idl.ul.pt/node/409

5.12.10

LUGAR À CIÊNCIA




A Ciência já não o que era! Antigamente prestava-se a paródias. Quem percebia um cientista? Ou era louco ou excêntrico. Não por acaso, Disney inventou o Prof. Pardal, inventor de maquinismos improváveis.
Portugal era o país que menos investia em Ciência e em que menos se falava dela. Raramente os jornais e revistas abordavam temas científicos.  Até há pouco tempo. Hoje podemos dizer que a situação se modificou. Mariano Gago deu o impulso que faltava e os resultados estão à vista. Em muitos domínios científicos Portugal está na linha da frente, António Damásio é o mais conhecido de um conjunto de cientistas com renome mundial.
Os meios de comunicação social passaram a dar mais espaço à Ciência, surgiram revistas mais ou menos especializadas.



(Clicar para aumentar)


Por exemplo, o jornal PÚBLICO de hoje dedica a revista Pública ao tema "Natal de ficção científica". Lá vemos cinco cientistas falando sobre o FUTURO, dizendo o que "gostariam de oferecer ao mundo", numa abordagem criativa e atraente que nada tem a ver com os clichés de antigamente.
Fernando Catarino ( botânico), Mónica Bettencout Dias (bioquímica), Pedro Terrinha (geólogo), Carlos Fiolhais (físico) e Eugénia Carvalho (bioquímica), em pose descontraída, falam de questões centrais do nosso quotidiano e ajudam-nos a perceber por que é tão importante investir na Ciência.

Só esperamos que um futuro Governo não faça marcha à ré e volte a considerar que não vale a pena investir em Ciência...como acontecia não há muito tempo.


20.10.10

ESSA COISA DOS FRACTAIS...



Deixa-me perplexo a incrível complexidade da vida. E sinto que muita gente partilha esta perplexidade. Hoje tudo me parece mais complicado do que antigamente. Estudei rudimentos de muitas coisas no antigo curso dos liceus e pensei que isso me bastaria para entender parte do mundo e da vida. Rapidamente percebi que não. A Físico-Química, a Geometria, a Matemática, a Biologia, a Geologia... desataram a fazer descobertas a ritmos alucinantes e o meu aturado esforço para conseguir o antigo 5º ano com Distinção revela-se insuficiente, hoje praticamente inútil.
Nada sei destes avanços científicos, a não ser as pequenas aproximações que vou lendo aqui e ali, nada de sistemático. Vejo-me a tentar perceber o mundo e a vida com o olhar aflito do meu avô que não sabia ler...

Por exemplo: acabo de saber que morreu há uma semana um dos grandes matemáticos do nosso tempo, o tal que propôs o conceito de "geometria fractal", Benoît B. Mandelbrot (Varsóvia, 20 de Novembro de 1924 — Cambridge, 14 de outubro de 2010), matemático francês de origem judaico-polonesa.
Cá está: este homem foi responsável pela minha ignorância absoluta acerca de tudo o que não cabe na tradicional geometria euclidiana, a que eu estudei.



Bastou ir à wikipédia para me sentir soterrado numa montanha de ignorância da qual jamais conseguirei sair. Sei que todas estas descobertas estão na base dos incríveis avanços tecnológicos de que todos beneficiamos hoje. O que me deixa perplexo e me faz sentir, cada vez mais, próximo do bosquímano que encontrou uma garrafa de coca-cola no filme "Os Deuses Devem Estar Loucos".




Ainda por cima as imagens de fractais ( se é que me posso exprimir assim...) são de uma incrível beleza, como se vê pelos exemplos...

16.1.09


É da História: qualquer religião, quando é maioritária numa sociedade, tende a tornar-se intolerante para com as outras religiões e para os não-crentes.
O próprio marxismo, que punha em causa a irracionalidade da crença religiosa, acabou por se tornar um sucedâneo da religião, quando substituiu a liberdade de pensamento individual pela disciplina da organização política e se transformou no leninismo. [ Daí a "santificar" a figura de Lenine foi um passo, como até há pouco tempo se via no Mausoléu da Praça Vermelha de Moscovo. No mais recente congresso do PCP era bem visível o olhar de Fé dos militantes perante a arrebatada intervenção de Odete Santos. Vi o mesmo tipo de olhar em Fátima... E o que se passa com Fidel de Castro é do mesmo teor da reverência religiosa...]

O que há de comum nestas manifestações é a ausência de capacidade crítica individual. E esta, quando se manifesta, é apenas para o interior da organização, para não dar argumentos aos inimigos, os outros, os que estão fora, que não têm a Fé, a crença, a militância.

É nesta perspectiva que leio as palavras do Patriarca de Lisboa sobre os muçulmanos. Lembrando como em Portugal, ainda há poucas décadas, era impossível alguém numa terra pequena afirmar-se independente da religião católica e querer casar pelo civil. Ou não baptizar os filhos assim que estes nasciam.
E lembrando também que, na terra em que nasci, Alpiarça, onde o PCP tinha 60% de votos nas eleições pós 25 de Abril, alguém que se declarasse apenas "socialista" ou "social-democrata" era considerado perigoso fascista...
Tal como, em Fafe ou Famalicão, ser-se do PS era um perigo, era ser "comunista", como defendia o famoso caceteiro eclesiástico, o Cónego Melo...

Em suma: só a liberdade de pensamento individual e a defesa do primado da Razão podem defender-nos de todos estes desmandos. Voltar ao "Século das Luzes" - sem esquecer os posteriores avanços das Ciências e as limitações do Positivismo estreito...

13.5.08

ESTA TERRA ! TERRA ÚNICA !

- Convento das Maltezas, Estremoz -


- "Estamos aqui! -


Deixo estas duas fotos como pistas para um enigma. A solução é fácil. Basta ir a

http://terraquegira.blogspot.com/

Uma aventura empolgante...

Sim, gosto de literatura em geral, de arte, de viagens, de música, de pessoas, de vida... Mas tudo isso faz parte de um mundo que tem existência estudada e que é de uma riqueza incomensurável.

Talvez nem mereçamos a grandeza do mundo...

22.4.08

CIÊNCIA


Num mundo cercado por crenças e misticismos ocos, é bom saber que existem áreas de credibilidade segura. Uma delas é a CIÊNCIA.
A grande diferença entre a chamada "civilização ocidental" e o "Islamismo radical" está precisamente aqui. O Islão despreza o método científico - embora não despreze a ciência que lhe garante o armamento...
Claro que, dentro da civilização ocidental, há áreas radicais que também desprezam a ciência. Mas estão mais circunscritas e só têm aceitação entre as franjas mais atrasadas da sociedade.

Digo isto hoje, em que vi esta notícia.
A Ciência é o nosso seguro civilizacional contra a barbárie.


Aqui fica mais uma ligação. Por mor da ciência...