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16.5.12
O CHAFARIZ ESTÁ A FICAR BONITO
O velho Chafariz dos Canos estará pronto muito em breve, questão de duas ou três semanas.
Andámos por lá, subimos aos andaimes e tirámos alguns bonecos. Ouvimos as explicações de Alexandre Sá Viana, o Técnico Superior de Conservação e Restauro. Atenção: não se trata de restaurar, refazer, substituir. Trata-se de limpar, tirar materiais desadequados (cimentos, por exemplo...) e dar um tratamento para consolidação e conservação.
Por outro lado, deve saber-se que os merlões na parte superior nunca foram em pedra mas sim alvenaria, por isso eram caiados.
* * *
Mesmo em frente do Chafariz abriu uma pequena e simpática loja de gostosuras. Chama-se "DELÍCIAS DO CHAFARIZ" e pertence à Rita Correia, uma jovem corajosa que se debate com a fase terrível em que as obras ali defronte afugentam os fregueses.
Ela merece o nosso apoio. É só lá irmos e trazermos algumas das coisas muito boas que lá tem.
Olhemos e entremos:
Felicidades, Rita! Pode ser que essa loja venha a ser ainda mais qualquer coisa, a bem da divulgação da nossa História...
21.8.10
IMAGENS DO MEU OLHAR - Um velho chafariz...
Luís Filipe Rodrigues, poeta publicado e meu amigo, gosta de olhar e escrever.
Eu, sem pretensões a mais, gosto de olhar, ler e... tentar escrever sobre o que vi e li.
O resultado pode ser engraçado.
Vejamos o que aconteceu com o velho Chafariz dos Canos.
Eu, sem pretensões a mais, gosto de olhar, ler e... tentar escrever sobre o que vi e li.
O resultado pode ser engraçado.
Vejamos o que aconteceu com o velho Chafariz dos Canos.
CHAFARIZ DOS CANOS
O que fora desde o século XIV até cansa imaginar
de manhã à noite a dança dos aguadeiros
e mulheres de cântaro à cinta,
mãos que se matavam por um fio de água.
Quando a luz cedia, sob os arcos ainda se ouviam as bilhas
cantando. De nenhum lado agora a água corre,
só a imaginação tacteante lembra tal salmodia.
Há muito que o mundo daí se despediu.
Dirão que é um vento bravo que nos olha, um tempo
tão veloz que sufoca sem cessar. O certo é que
novo tempo há-de vir,
e nós mais que cegos ao pôr-do-sol.
O que se vê após tanta mudança é o que dura,
a lápide antiga, a pedra enrugada,
os coruchéus e as ameias à espera de nova moldura.
Luís Filipe Rodrigues
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CHAFARIZ DOS CANOS
Um fio de água, um tanque
sede de almocreve
notícias de longe a fazer perto
tantos séculos de ermos e silêncio
Sete mulas e alguns odres
sal, azeite e o sol
tanto caminho andado
à sede à tanta sede
de quem demora a chegar
E agora aqui sentado
alongam-se sombras
arcos de ogiva
minha breve casa
sede saciada
Homens de sete partidas
ó almocreves da vida
bebidos pelo tempo
não voltam já não voltam
ficou a pedra esfarelada areias
rasto de tempo a delir-se
pelo chão
Méon
23.10.08
MONUMENTO NACIONAL AO ABANDONO...
Andei ontem pelas ruas de Torres Vedras a tirar umas fotos "para memória futura". Não gostei de muitas coisas que vi, de outras não digo mal, algumas agradaram-me.
Até que parei junto ao Chafariz dos Canos. E tive vergonha! VERGONHA!
Que dizer de uma família que não limpasse a casa há dez anos sob o pretexto de que tinha que fazer obras de restauro das paredes, numa hipotética data futura?
É isso que se passa com aquele Chafariz. Monumento Nacional, jóia única da arquitectura gótica civil de Portugal, referenciado documentalmente desde o Séc. XIV !
Na Câmara Municipal parece que há um ante-projecto de arranjo daquela zona e obras de conservação do monumento. Pois...
Curiosamente o Luís Filipe Rodrigues enviou-me, também ontem, este poema..
CHAFARIZ DOS CANOS
Imaginar o que fora desde o século XIV até cansa a vista
cada mês de manhã à noite a dança dos aguadeiros
e mulheres de cântaro à cinta,
mãos que se matavam por um fio de água.
Quando a luz cedia, sob os arcos ainda se ouviam as bilhas
cantando. De nenhum lado agora a água corre,
só a imaginação tacteante lembra tal salmodia.
Há muito que o mundo daí se despediu.
Dirão que é um vento bravo que nos olha, um tempo
tão veloz que sufoca sem cessar. O certo é que
nova figura há-de vir,
embora cegos fiquemos antes do sol nascer.
O que se vê após vária mudança é o que dura,
a lápide antiga, a pedra enrugada,
os coruchéus e as ameias à espera de nova lembrança.
Luís Filipe Rodrigues, Out 2008
(Clicar no título deste post para ver ligação...)
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