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23.4.10

PARA O ANTÓNIO, QUE NUNCA MAIS...



SALMO

A vida
É o bago de uva
Macerado
Nos lagares do mundo
E aqui se diz
Para proveito dos que vivem
Que a dor
É vã
E o vinho
Breve.

Carlos de Oliveira


14.3.08

VERDE !


Vilancete Castelhano de Gil Vicente

Por mais que nos doa a vida
nunca se perca a esperança;
a falta de confiança
só da morte é conhecida.
Se a lágrima for cumprida
a sorte, sentindo-a bem,
vereis que todo o mal vem
achar remédio na vida.
E pois que outro preço tem
depois do mal a bonança,
nunca se perca a esperança
enquanto a morte não vem.

Carlos de Oliveira

Obrigado ao meu amigo Cid Simões, sempre atento, com o seu "serviço de abastecimento de poesia"...

11.3.08

LAVOISIER



Na poesia,
natureza variável
das palavras
nada se perde
ou cria,
tudo se transforma:
cada poema,
no seu perfil
incerto
e caligráfico,
já sonha
outra forma.

(Carlos de Oliveira)

22.10.07




ELEGIA EM CHAMAS


Arde no lar o fogo antigo
do amor irreparável
e de súbito surge-me o teu rosto
entre chamas e pranto, vulnerável:


Como se os sonhos outra vez morressem
no lume da lembrança
e fosse dos teus olhos sem esperança
que as minhas lágrimas corressem.
(Carlos de Oliveira)

POEMAS DE MÃO EM MÃO (IV)



TEMPO




O tempo é um velho corvo
de olhos turvos, cinzentos.
Bebe a luz destes dias só dum sorvo
como as corujas o azeite
dos lampadários bentos.


E nós sorrimos
pássaros mortos
no fundo dum paul
dormimos




Só lá do alto do poleiro azul
o sol doirado e verde,
o fulvo papagaio
(estou bêbedo de luz,
caio ou não caio?)
nos lembra a dor do tempo que se perde.
Carlos de Oliveira (1921 / 1981)