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22.9.12

E POR FALAR EM BURROS...






A concorrência é muita. Não de burros mas de gente a falar de burros. De maneira que estou um bocado entupido de assunto. 
E foi quando vi o livro. Eh! 
É isto! Mestre Aquilino já por ali andara a burricar. Prosa deliciosa, ó mestre dos mestres!
O burro do Aquilino vivia lá no Alto Minho - talvez arredores de Romarigães - mas por trilhos e ladrilhos que só a leitura da história explicará, acabou por vir para a Capital, via Viseu, Santarém, Torres (Vedras), Mafra, até chegar ao Lumiar por onde penetrou em Lisboa, indo dormir com o dono numa estalagem ao Arco do Cego. O que o burro tinha de diferente era a sua enorme cauda - a que Aquilino chama "rabo" para não destoar do ambiente plebeu da história. E foi o rabo do burro que acabou por transformar o dono num nababo ricaço, como se descobre no final da história.
Gosto dos burros pela sua inteligência, nais notória pelo modo como incutiram que o vulgo a tomasse por teimosia estúpida. Assim abrem caminho ao que quiserem e lhes faça mais proveito,  bem lhes importando que os asnos humanos lhes chamem burros!!!

De burros estamos conversados. 
Vamos então ao começo da história de Aquilino, primeira edição em 1962, com belas ilustrações de Luís Filipe de Abreu:

19.9.07

O grande AQUILINO RIBEIRO: Escritor e homem de acção



Aquilino é a reserva natural da Língua Portuguesa. Lê-lo é perceber a dimensão dessa língua, hoje reduzida a um linguajar urbanóide de confrangedora pobreza.

Há muita gente que considera um desperdício os milhares de páginas de um bom dicionário. «Para quê tanta palavra, nós só usamos uma pequeníssima parte...». Aquilino usava quase tudo e ria-se dos que se queixavam de não o entenderem.
« Tirem umas pelas outras... No contexto acaba-se por perceber...» - teimava ele.


Para esses - e mesmo para outros que se consideram letrados - Aquilino Ribeiro é um exagerado regionalista, um provinciano que fala à moda beirã, incompreensível como os sertanejos do Brasil. Quando não se percebe e não se faz um esforço para se entender - os outros é que estão mal...
Mas leiam-se "A Casa Grande de Romarigães", "O Malhadinhas", "Andam Faunos pelos Bosques", "Terras do Demo", "Quando os Lobos Uivam" - e tantos outros, do romance à biografia, das memórias à História - e ter-se-á a certeza de que este foi um dos grandes obreiros da nossa Língua.


Colocá-lo no Panteão Nacional é lembrar a este povo, linguisticamente empobrecido por uma civilização de facilidade e comodismo, que afinal somos ricos: temos a quarta Língua mais falada do mundo e Aquilino foi um dos grandes cultores desse património colectivo.