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11.2.10

PRÉMIO DE POESIA RTP / SPA ( 2009 )

Prémio para o melhor livro de Poesia 2009 da RTP/Sociedade Portuguesa de Autores:  atribuído a António Osório, pelo seu livro A Luz Fraterna (Ed Assírio & Alvim)




O CANTO DO CISNE

Nunca o ouvi.
Que seja inextinguível.
Ou então silencioso
por pudor e tremendo
de raiva.
E que dure o bastante
para que nada fique por cantar.



[in A Luz Fraterna - Poesia Reunida,
Assírio & Alvim, 2009





QUEM É ANTÓNIO OSÓRIO 


António Gabriel Maranca Osório de Castro, de seu nome completo, nasceu em 1933 em Setúbal, afirmando-se profissionalmente no exercício da advocacia onde chegou a ocupar o cargo de bastonário da Ordem dos Advogados entre 1984 e 1986. O seu percurso profissional incluiu ainda a participação na administração da Comissão Portuguesa da Fundação Europeia da Cultura e a presidência da Associação Portuguesa para o Direito do Ambiente. Dirigiu a Revista de Direito do Ambiente e do Ordenamento do Território, que fundou, e é director de Foro das Letras, revista da Associação Portuguesa de Escritores-Juristas. Colabora regularmente com crónicas no J.L.- Jornal de Letras, Artes e Ideias.



A sua actividade literária inicia-se em 1954, como colaborador da revista Anteu, mas é apenas na década de 70 que publica o seu primeiro livro de poesia, A Raiz Afectuosa, que “determina em boa parte a tonalidade de uma voz que se assume como vocação primordial, íntima e natural para uma espécie de canto da criação e do mistério da vida e da morte, do animal e do humano”, inflectindo o percurso do que na época se tinha como modernidade (in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. VI, Lx, 1999).


Com mais de vinte títulos publicados, muitos dos quais também traduzidos, revelou a cumplicidade da arte poética com a linguagem da pintura na colaboração com nomes maiores desta área, como Manuel Cargaleiro ou Júlio Pomar, que ilustram obras de sua autoria.

26.11.07


Mi alma es el aire que respiram tus lábios ( Ricardo Molina)

Nem todo o ar chegaria
para exsurgir nos teus lábios
e húmido, solúvel aí fosse,
funda água de séculos.


(António Osório, O Lugar do Amor, 1981)

25.9.07

SENTIDO OU CONDIÇÃO?



Não tenho o direito de sentir angústia. A vida pede apenas que saiba estar vivo, com a dignidade que dá a todas as coisas que vivem.

Só a maldade humana desfeia o mundo, eu sei. Talvez a nossa consciência seja um erro da natureza. Tudo seria mais simples se nos cumpríssemos sem metafísica nem religiões. Com um sentido simples e claro. Como diz António Osório:


Porque há um sentido
no lírio, incensar-se;
e no choupo, erguer-se;
e na urze arboroscente,
ampliar-se;
e no cobre, primeira cura,
que dou à vinha,
procriar-se.


Mas ao homem foram dados outros sentidos. Melhores? A angústia vem da dúvida. Porque para o homem não há sentido, há CONDIÇÃO.


E outro, pressago,
sentido há na memória,
explodir-se.
E outro, imensurável,
no amor, entregar-se.
E outro, definitivo,
na morte, render-se.