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28.3.10

ANIVERSÁRIO

Foto de 1855. Fotografia trabalhada com pastel. Museu do Chiado. Arquivo Nacional de Fotografia.
in: O Lagar e o "Azeite herculano", Jorge Custódio, ed. Câmara Municipal de Santarém, s/d


Faz hoje 200 anos.

"Alexandre Herculano de Carvalho Araújo, conhecido entre os contemporâneos pela designação de «homem de bronze, retrato do último português velho» devido à integridade de carácter e coerência de atitudes que sempre o caracterizaram, nasceu em Lisboa em 28 deMarço de 1810."

Assim começa o texto de Maria Ema Tarracha Ferreira na introdução à antologia das Lendas e Narrativas, publicada em edição de bolso pela Ulisseia na cuidada e muito acessível colecção Autores Portugueses.
Um autor a rever com prazer e proveito, que marcou como poucos o séc. XIX português.
E depois, para quem queira saber mais, há o belíssimo estudo de Vitorino Nemésio A Mocidade de Herculano, (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 2003).
Herculano será nossa companhia ao longo deste ano.

13.2.08

Homenagem a alguém que muito ama a Idade Média



Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo (1810-1877) nasceu em Lisboa. Devido ao seu envolvimento na «Revolta do 4 de Infantaria», é obrigado a emigrar para Inglaterra. Lê Walter Scott. Inicia a sua colaboração no Repositório Literário. Integra-se no exército liberal de D. Pedro IV, desembarca no Mindelo e participa no cerco do Porto. Ajuda a organizar a Biblioteca Pública do Porto. Em 1839 é nomeado director das bibliotecas reais das Necessidades e da Ajuda. Entretanto vai publicando algumas obras: A Harpa do Crente (1837), Lendas e Narrativas (2 volumes, 1839-1844), Eurico, o Presbítero (1844), o primeiro volume da História de Portugal (1846), O Monge de Cister (1848), etc. As suas obras são de cunho romântico e vão desde a poesia ao drama e ao romance. Foi, além de um dos mais importantes escritores portugueses do século XIX, o renovador do estudo da história de Portugal. (Projecto Vercial, Un. Minho)

Hermengarda, a paixão de Eurico, é capturada por mouros após um tétrico momento, possívelmente a passagem mais perturbadora do romance, numa abadia em que as religiosas preferem a morte ao cativeiro. Eurico oferece-se para a resgatar, e consegue-o, numa operação heróica digna das maiores gestas de cavalaria, que culmina com um exército mouro às portas das serranias asturianas, onde Pelágio, irmão de Hermengarda, lidera a resistência à invasão àrabe (que mais tarde originará a reconquista cristã). Aí, nas profundezas das cavernas da montanha, Eurico revela o seu segredo a Hermengarda, apenas para se deparar com um obstáculo inultrapassável. Qualquer esperança de felicidade é anulada pelo sacerdócio, ao qual Eurico é tão fiel como ao seu amor por Hermengarda e ao seu amor pela pátria. Tolhido, desesperado, Eurico oferece-se à morte num combate desesperado, enquanto Hermengarda enlouquece.
(in: intergalacticrobot.blogspot.com)

- Dez anos! ... Sabes tu, Hermengarda, o que é passar dez anos amarrado ao próprio cadáver? Sabes tu o que são mil e mil noites consumidas a espreitar em horizonte ilimitado a estrela polar da esperança e, quando, no fim, os olhos cansados e gastos se vão cerrar na morte, ver essa estrela reluzir um instante e, depois, desfechar do céu nas profundezas do nada? Sabes o que é caminhar sobre silvados pelo caminho da vida e achar ao cabo, em vez do marco miliário onde o peregrino de tréguas aos pés rasgados e sanguentos, a borda de um despenhadeiro, no qual é força precipitar-se? Sabes o que isto é? É minha triste história! Estrela momentânea que me iluminaste, caíste no abismo! Arbusto que me retiveste um instante, a minha mão desfalecida abandonou-te, e eu despenhei-me! Oh, quanto o meu fado foi negro!
(Eurico, o Presbítero)