
Peroguarda, 1 de Julho de 2007 / Foto: Luís Filipe Catarino
Foi nesta escolinha que o meu pai e a minha mãe fizeram a primária. Foi nesta escola de aldeia que várias gerações de peroguardenses foram ensinados pela Dona Ideme Candeias, centenária imortalizada numa pequena placa que cá fora a homenageia. A aldeia é Peroguarda, concelho de Ferreira do Alentejo e distrito de Beja. Quando no tempo de Salazar, Monsanto ganhou o epíteto de "aldeia mais portuguesa de Portugal" a singela Peroguarda ficou em segundo. É linda a aldeia dos meus pais. Michel Giacometti deve ter achado o mesmo e é lá que está sepultado, depois de dedicar uma vida a investigar as raízes da nossa música popular. O "Senhor Michéli" como me lembro de o tratarem já depois de morrer, parece que encontrou aqui uma forma distinta de cantar alentejano.
Eu estava com saudades da terra dos meus pais e das minhas primas que resistem fincadas na planície . "Foi aqui que andou toda a gente, até eu" disse-me a prima Carla, de 25 anos, a acabar o curso de multimédia.
Eu andei numa parecida, um bocadinho maior, em frente da qual mora o meu amigo Rodrigo Cabrita, e onde aprendi os ensinamentos da Dona Artemisa (será que é próprio das professoras terem nomes estranhos) com o meu também amigo José Carlos Carvalho.