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sexta-feira, dezembro 24, 2021

Tempestade!

  - Nº 2508 (2021/12/23)


Tempestade

Opinião

Inebriados pela vitória de há 30 anos, a superpotência imperialista e seus vassalos da NATO, UE e Israel, lançaram-se numa orgia de guerras, ferozes ofensivas contra trabalhadores e povos e acumulação de obscenas riquezas. Foi uma espécie de outing do capitalismo, que despiu a roupa «social» e «democrática» que a luta dos povos e as revoluções socialistas e de libertação nacional lhe haviam imposto e assumiu a sua verdadeira natureza. Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Venezuela, Bolívia, Ucrânia e tantos outros países simbolizam o mundo em que a «nação excepcional» esmaga quem não se submete.

Mas a roda da História não pára. A resistência dos povos agredidos fez diminuir o apetite dos EUA pelas ocupações militares directas. A crise de 2008, os apoios gigantescos ao grande capital a par da austeridade para os povos, a pandemia e as medidas tomadas (ou não) para a enfrentar, também revelaram a verdadeira natureza do capitalismo. Trump e Biden espelham a decadência dos EUA e o seu cada vez mais empobrecido povo revolta-se de forma crescente, embora ainda confusa, contra as gritantes desigualdades.

Entretidas a destruir países e acumular fortunas pilhando tudo em seu redor, as grandes potências imperialistas tardaram em ganhar consciência de que se operavam profundas alterações da correlação de forças mundial. A China, dirigida por um Partido Comunista que proclama o socialismo como objectivo, tornou-se um gigante económico. O seu crescimento já não assenta nos investimentos estrangeiros à procura de baixos salários, mas cada vez mais nas suas forças próprias, na melhoria das condições de vida do seu povo e numa posição de destaque em sectores tecnológicos de ponta. Simultaneamente, a Rússia – assumidamente capitalista – não aceita o papel de escravo, nem a destruição da sua existência nacional, que a actual ordem imperialista lhe quer reservar. Assim se explica a histeria agressiva e belicista anti-russa e anti-chinesa dos EUA/NATO/UE, que é hoje o maior perigo para a Humanidade e que sucessivos governos do PS, PSD e CDS acompanham servilmente. O avanço imparável da máquina de guerra imperialista para junto das fronteiras russas e chinesas é acompanhado pela destruição do que restava dos tratados de desarmamento e por provocações cada vez mais perigosas.

Os EUA e seus vassalos criam a ameaça real duma catástrofe. A rápida sucessão de acontecimentos dos últimos dias e as posições cada vez mais firmes de Rússia e China, que não aceitam a escalada de agressão de que são vítimas e exigem o respeito pela Carta da ONU que o imperialismo quer rasgar, são sinais de que algo de profundo está a mudar.

Os perigos duma confrontação aberta são grandes. Aos trabalhadores e povos cabe o papel decisivo de impedir que o imperialismo arraste a Humanidade para o abismo e de impor, com a sua luta, uma profunda mudança no mundo.

Jorge Cadima
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... e não é num copo de água!

quinta-feira, junho 24, 2021

Crónica internacional

  - Nº 2482 (2021/06/24)


Sullivando

Opinião

Dias após a cimeira entre Biden e Putin, o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, anuncia novas sanções contra a Rússia. Os pretextos são as já estafadas mentiras anti-russas: alegados ciberataques, alegadas interferências em eleições, o alegado envenenamento de Navalny. Salivando, Sullivan anuncia já novas aldrabices belicistas: «quando tivermos imposto [estas sanções], vamos impôr novas sanções em relação a armas químicas» (CNN, 20.6.21). O único país que usou armas nucleares, com um longo historial de uso de armas químicas e biológicas, guerras de agressão, subversões, golpes de Estado (na mira está agora o Peru), ingerências e actos de terrorismo; o país que mente todos os dias e impõe a prisão de Assange e Manning, o exílio de Snowden, «culpados» de revelar ao mundo essas mentiras – esse país só conhece uma «regra»: os EUA mandam e os outros obedecem.

É legítima a dúvida: para que serviu então a Cimeira de Genebra, proposta por Biden? Para quê a Declaração Conjunta sobre Estabilidade Estratégica e o regresso dos embaixadores? O Financial Times esclarece: «A América está de volta – e quer que toda a gente se centre na China» (18.6.21). O jornal fala numa tentativa de – mudando os actores – fazer como Kissinger no início dos anos 70, quando ganhou a China para uma aliança contra a União Soviética: «a América deve deixar de empurrar a Rússia para os braços da China. Mas isso levará mais de um mandato presidencial a alcançar» sonha um analista, daqueles que pensa que somos todos parvos e que ninguém percebeu que as «alianças» e «acordos» dos EUA duram apenas o tempo necessário para que estejam em posição de desferir golpes mortais contra quem neles acreditou.

Sullivan também aponta baterias à China, afirmando que «enfrenta uma opção dramática: ou permite, de forma responsável, que os investigadores façam um real trabalho de identificar as origens [da COVID-19], ou enfrentarão o isolamento no seio da comunidade internacional» (Bloomberg, 20.6.21). De pouco adianta que «a comunidade internacional» (Organização Mundial de Saúde) já tenha feito uma «real investigação» e concluído que a COVID-19 teve origens naturais. Tal como nos referendos da UE, a conclusão não interessa e terá de ser mudada, nem que seja com ameaças e sanções: os EUA seguirão adiante «até esclarecermos a questão de como este vírus veio ao mundo e quem será responsabilizado [has accountability] por isso». «Responsabilizado»? Um morcego? Um pangolim? A eterna evolução dos vírus? A frase só faz sentido se Sullivan já predeterminou a conclusão da «real investigação».

Os sonhos duma aliança anti-China são a miragem de preservar uma hegemonia mundial dos EUA que já não corresponde à realidade económica e política. Nem todos são como Augusto Santos Silva, disposto a seguir os EUA até ao abismo. Alguns fazem contas à vida. Uma professora escreve no New Statesman (17.6.21) sobre «Porque Joe Biden foi forçado a aceitar a relação energética entre a Rússia e a Alemanha», explicando: «a retirada de sanções relativas ao gasoduto Nord Stream 2 é uma tentativa de empurrar a Alemanha para uma confrontação com a China». Mas duvida que a Alemanha esteja interessada. O mais provável sucessor de Merkel, Armin Laschet, parece corroborar (Financial Times, 21.6.21). Não se trata de boas intenções. É apenas a confirmação de que a parada e os perigos são muito elevados.

Jorge Cadima

domingo, maio 20, 2018

As malhas que o imperialismo tece e a vassalagem

 - Edição Nº2320  -  17-5-2018

Vassalos

A violação das resoluções da ONU sobre Jerusalém pelos EUA/Trump deu luz verde ao bárbaro massacre israelita de muitas dezenas de manifestantes palestinianos. Tornou claro, juntamente com o rasgar do acordo nuclear sobre o Irão, que a classe dirigente dos EUA não tem palavra. Não é uma novidade. Há 70 anos que os EUA dão cobertura aos crimes e infindáveis violações da legalidade internacional pelo Estado sionista de Israel. Todas as guerras dos EUA/NATO no último quarto de século violaram a legalidade internacional. A Resolução da ONU (1244) que pôs fim aos bombardeamentos da Jugoslávia pela NATO (com Clinton) reafirmava «a soberania e integridade territorial da República Federativa da Jugoslávia», que foi de seguida desmembrada. O Iraque e a Líbia assinaram acordos de desarmamento mas foram atacados pelos EUA/NATO, e os seus dirigentes assassinados (com Bush e Obama). Para o imperialismo norte-americano, acordos e o desarmamento de terceiros são meros passos que facilitam futuras agressões.
A pútrida classe dirigente dos EUA só conhece a violência e a arrogância nas suas relações internacionais. O ex-chefe da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), o brasileiro Bustani, contou ao The Intercept (29.3.18) que meses antes da invasão do Iraque John Bolton (hoje Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, na altura um sub-secretário no governo Bush) apareceu na sede da OPAQ e disse-lhe: «Tem 24 horas para abandonar esta organização, e se não o fizer temos formas de retaliar contra si». Acrescentando: «Sabemos onde vivem os seus filhos. Tem dois filhos em Nova Iorque». Talvez assim se explique a súbita demissão, três dias após o rasgar do acordo sobre o Irão, do chefe da equipa de inspecções da Agência Internacional para a Energia Atómica, o finlandês Varjoranta (RT, 12.5.18). A AEIA tem certificado que o Irão cumpre o acordo (Washington Post, 13.11.17). John Kiriakou recorda os seus 15 anos como agente da CIA, aquando da corrida para a invasão do Iraque: «Tudo se baseou numa mentira. Foi tomada uma decisão e depois criou-se ‘factos’ para sustentar a decisão. Creio que o mesmo se está a passar hoje» (globalresearch.ca, 11.5.18). Kiriakou foi quem denunciou as torturas nas prisões da CIA. Passou dois anos na prisão (no tempo de Obama), enquanto a chefe dum desses centros secretos de tortura, Gina Haspel, foi nomeada por Trump para chefe da CIA. São estes os ‘valores democráticos’ dos nossos ‘aliados atlânticos’. Que mandam na NATO, da qual a UE é, oficialmente, o ‘pilar europeu’.
O repúdio do acordo nuclear tirou o tapete aos fiéis súbditos europeus dos EUA. O anúncio de Trump veio acompanhado da ameaça de sanções às empresas que mantenham relações comerciais com o Irão. O ministro das Finanças francês, indignado, pergunta: «queremos ser vassalos dos EUA [...] ou defender os nossos interesses económicos?» (CBS, 11.5.18). Pergunta legítima, que chega com décadas de atraso. Mas a UE colaborou na destruição do edifício do Direito Internacional nos últimos 25 anos – da Jugoslávia às guerras do Médio Oriente, às campanhas anti-russas, à impunidade dos crimes de Israel. Alimentou o monstro e agora queixa-se da sua ingratidão. E Portugal? Vai insistir na sua vassalagem aos EUA, à NATO e à UE?

Jorge Cadima

Comentário de/à Brecht:

a excepção e a regra 
(...)

Estranhem o que não for estranho
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos face ao quotidiano.
Procurem encontrar remédios para o abuso.

Mas não se esqueçam que o abuso é sempre a regra!

sexta-feira, dezembro 29, 2017

VENEZUELA, a falta de pernil e o impéri(alism)o

do quase-diário:

«(...)
(ontem, na madrugada) ainda li o Correia da Fonseca no avante!.

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Com o  gosto e proveito semanais…

 - Edição Nº2300  -  28-12-2017

Uma espécie de sigilo

A televisão portuguesa, dividida nas suas diferentes empresas operadoras como pessoas distintas de uma só realidade verdadeira (o que talvez nos recorde qualquer outra coisa), tem para connosco cuidados que por vezes parecem verdadeiramente maternais: não só nos educa, é claro que segundo critérios seus, como permanentemente está alerta para que nada nos desvie do bom caminho e nenhuns eventuais maus exemplos nos venham perturbar. Um caso concreto deste desvelo aconteceu recentemente e não decerto por força da proximidade do Natal. É que há poucas semanas se realizaram na Venezuela, esse país terrivelmente mal comportado que se atreveu a nacionalizar o seu próprio petróleo, eleições autárquicas para disputa do poder local em 335 municípios e 23 capitais regionais. Parecia, naturalmente, que os venezuelanos se atreveriam a contestar a dura repressão que os mediademocráticos não se cansam de denunciar e, para tanto, acorreriam aos lugares de voto para derrotar os candidatos apoiantes do governo Maduro. Também desta vez terá havido observadores do acto eleitoral, sem o que teriam ocorrido denúncias públicas e veementes. Feitas as contas, porém, os resultados foram desanimadores: os apoiantes de Maduro venceram em 300 dos 335 municípios e em 19 das 23 capitais de distrito! Sejamos sinceros: com tão fragorosas derrotas nem dará gosto ser democrático nem é rentável o generoso e permanente apoio dos Estados Unidos da América. 
Cumprir a norma
Felizmente, a televisão portuguesa vela por todos nós e não gosta de nos afligir com notícias tristes: quanto a amarguras, bem basta o constante regresso aos lugares queimados no nosso País desde 17 de Junho a 15 de Outubro, regresso que não apenas tem o sinal de solidariedade para com as vítimas da desgraça como a vantagem de nele sempre poder ser incluída uma seta envenenada dirigida aos responsáveis supostos ou não. Assim, decerto para não nos entristecer com notícias amargas, a informação acerca dos referidos resultados eleitorais na Venezuela foi reduzida a um mínimo tempo de antena quando não de todo esquecida. Repare-se que nem sequer houve o trabalho de noticiar os resultados havidos, assim se neutralizando antecipadamente uma eventual acusação de eliminação por puros métodos censórios, para logo de seguida se pulverizar a informação com suspeitas de viciação que mesmo sem qualquer prova teriam algum efeito: para sementeiras desse género é que o terreno, que neste caso são as cabeças dos telespectadores, está sempre bem preparado. Mas a opção escolhida foi a de envolver esses resultados eleitorais numa espécie de sigilo. Como em tempos dizia um estribilho publicitário, é fácil, é barato e dá milhões. Neste caso os milhões são duvidosos, não sendo plausível, bem pelo contrário, que tenham um directo carácter financeiro. Mas em verdade continua em vigor o dever, agora já não expresso em letra de forma, de «activo repúdio do comunismo e de todas as ideias subversivas». Cumprir a norma pode continuar a ser obrigatório, a obediência tem muitos caminhos e os diversos poderes estarão atentos.
Correia da Fonseca

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E teria sido útil mostrar esta imagem:
  
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E, hoje, comecei o dia por vir procurar notícias na net, para me actualizar sobre a Venezuela… e o caso do pernil de porco J !

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pt.euronews.com/tag/venezuela

Venezuela | índice alfabético de todas as notícias 
- internacional, economia, política, ciência e cultura
- que passaram na euronews.

Notícias principais
Diário de Notícias - Lisboa
há 18 horas
RTP
há 1 dia
Diário de Notícias - Lisboa
há 1 dia

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Se isto não fosse tão sério, seria de um ridículo hilariante

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Mas… logo se ultrapassam a si próprios os nossos meios de comunicação social ao serviço do impéri(alism)o, dos USA e seus cúmplices.

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O Público de hoje já me veio notificar que, afinal, o pernil de porco ficara retido na Colômbia!

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«Agora a culpa pela falta de pernil no Natal venezuelano já não é de Portugal. Afinal, o pernil está retido na Colômbia, segundo afirmou o ministro da Agricultura e coordenador dos Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), Freddy Bernal.
"Informo a Venezuela que 2200 toneladas de pernil estão retidas na Colômbia. A sabotagem não é só dos EUA ao congelar as contas dos que vendem comida ao país, agora o governo colombiano retém os pernis há sete dias na fronteira de Paraguachón", escreveu Bernal no Twitter.»

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Isto é insuportável… de riso e de lágrimas!

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Para protesto e indispensável DENÚNCIA. 

Até pela exigência de lembrar o bloqueio a Cuba e o golpe criminoso do Chile, e a tão recente vergonha (para todos nós) do Brasil. 
O impéri(alism)o em todo o seu esplendor (e ridículo!). Que não precisou de Trumps ou outras diversões, de que, agora, se socorre!

terça-feira, janeiro 24, 2017

S.O.S.!

Sinto-nos inundados de trumparia. Por todos os lados nos assalta uma trumpofobia. E incomoda-me. Não que tenha quaisquer resquícios de vontade de defender a criatura, porque partilho a grande maioria das valorações que fundamentam as críticas e os ataques e as preocupações devidas ao personagem. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra.
Trump é Trump. E é um produto exemplar do capitalismo e do que este gera e torna, em toda a legitimidade, presidente dos Estados Unidos da América, cabeça de império e manipuladores de bonecreiros servis.
(e faço, desde logo, uma declaração de interesses: recuso ter preconceitos anti-americanos, admirador que sou de tanto que nos EUA se cria e até nós vem)
O que me incomoda é a demonização que sempre me perturba quaisquer que sejam as razões ou os pretexto para ela, é o apagamento de parecidos pretextos ou razões por práticas de outros “pecadores” ou, até, a simétrica beatificação ou mesmo santificação destes.
Nesta onda, não me apraz falar de Trump, mas não me obriguem a ter de lembrar (por ordem cronológica e não de gravidade de “pecados”) de Kennedy e Baia dos Porcos e crise dos misseis, de Nixon do Watergate e da inconvertibilidade do dólar, de Reagan e sua postura cívica/cultural, de Bush I e II, com Clinton pelo meio e sua postura no que respeita a sexo e da respectiva esposa e sua acção como fautora de guerra, de Obama e do seu protagonismo no arrasar de um Médio Oriente iniciado por Bush pai e filho e de que seria o espírito santo apocalíptico... em nome de direitos humanos.

Esta “guerra” comunicacional é abjecta, como abjectos são o objecto dela e os meios utilizados.
Há que manter níveis de decência e, como dizia uma voz dissonante, há que não nivelar tudo pelo mais rasteiro e fulanizado.


domingo, janeiro 22, 2017

inFormação sobre imperialismo


 - Edição Nº2250  -  12-1-2017

Médio Oriente

Tentar compreender o que se passa no Médio Oriente sem ter em conta a natureza do imperialismo e as suas ambições hegemónicas é condenar-se a não perceber o essencial.
O imperialismo caracteriza-se pela 'necessidade' de dominar o planeta e os seus recursos. A sua relação com o Médio Oriente é uma história de guerra, subversão, ingerência e dominação. Há 100 anos, o Foreign Office inglês mandava o seu agente Lawrence da Arábia instigar a revolta dos árabes, então sob dominação turco-otomana, prometendo apoio para uma independência futura. Com a Declaração de Balfour, prometia também o seu apoio à criação dum Estado judaico na Palestina. Mas ao mesmo tempo que distribuíam promessas na região (e fora dela), as potências imperialistas elaboravam planos secretos de partilha do Médio Oriente, como o acordo Sykes-Picot, revelado ao mundo pela jovem Revolução de Outubro. As promessas e instigação à revolta não visavam a libertação dos povos. Eram apenas mecanismos para alcançar o objectivo central das potências imperialistas: dominar a região.
É também assim nos nossos dias. Após a II Guerra Mundial, o imperialismo manteve o seu controlo sobre alguns países da região: Israel, Turquia, Jordânia e as mais autoritárias e retrógradas ditaduras da região, como a Arábia Saudita, Catar, EAU. Mas muitos outros países viram os seus movimentos de libertação nacional alcançarem o poder, pese embora numerosas contradições e limitações. Afirmaram políticas independentes e nacionalizaram os seus principais recursos, até então sob controlo imperialista, em particular o petróleo e o canal do Suez. Tudo isto num contexto em que a existência da URSS e do campo socialista limitava e condicionava a capacidade intervencionista do imperialismo. Entre estes países encontramos os principais alvos do imperialismo nos anos mais recentes: Síria, Iraque, Irão, Líbia.
Contra-ofensiva imperialista
A contra-revolução na URSS libertou o imperialismo de constrangimentos. Quem achar que isto é «conversa de comunistas», pode atentar na conversa dos imperialistas. O General Wesley Clark, comandante das tropas da NATO na guerra contra a Jugoslávia, conta1 que, em 1991, Paul Wolfowitz, na altura «o número três no Pentágono», lhe confidenciou que a principal lição da Guerra do Golfo foi a de que «aprendemos que podemos usar os nossos militares naquela região do Médio Oriente sem que os soviéticos [então na fase final da perestroika – NA] nos travem. E [...] temos cerca de cinco ou dez anos para limpar todos aqueles regimes clientelares dos soviéticos, Síria, Irão, Iraque, antes que surja uma nova superpotência que nos desafie». Wesley Clark conta ainda que dez anos mais tarde o ministro da Defesa dos EUA deu instruções para invadir sete países nos cinco anos seguintes: Iraque, Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão e Irão.
A contra-ofensiva do imperialismo para impor de novo a sua hegemonia sobre toda a região revestiu muitas formas. Por vezes interveio directamente (com os custos financeiros e políticos respectivos). Outras vezes delegou o trabalho sujo nos seus acólitos na região (Israel, Arábia Saudita, Turquia, Catar). Recorreu a criminosos bandos terroristas fundamentalistas. De novo distribuiu promessas, de estados curdos, sunitas, xiitas, sultanatos ou califados, a quantos participassem nas suas operações de desestabilização e caos. Tal como Saddam Hussein que em 1980 atacou o Irão, fazendo o frete aos EUA e Israel, os incautos que lhes derem ouvidos cedo descobrirão qual o valor das promessas imperialistas. No 'novo mapa do Médio Oriente' do Tenente-Coronel Peters, publicado na revista norte-americana Armed Forces Journal em 2006, não são apenas a Síria, o Iraque ou o Irão que aparecem fragmentados e retalhados. São também a Arábia Saudita e a Turquia.
Mas há razões para um optimismo cauteloso. A resistência do povo sírio e seus aliados, e a derrota dos planos de agressão imperialista na Síria, se consolidada, representa um acontecimento de grande alcance. O poder do velho imperialismo euro-americano revela os seus limites. É também por isso que as mentiras mediáticas são cada vez mais delirantes.
Esconder a ingerência imperialista no Médio Oriente é como tentar explicar a revolução da Terra no Espaço sem falar da existência do Sol. É impossível ser coerente na defesa do direito dos povos a decidir o seu destino, sem ser solidário com os povos que resistem às agressões e ingerências do imperialismo. E não haverá paz e progresso para a Humanidade sem a derrota do imperialismo.

1 Intervenção em 2007, disponível em: library.fora.tv/2007/10/03/Wesley_Clark_A_Time_to_lead


Jorge Cadima

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... há que recusar máscaras e mistificações aliciantes e alienantes! Não haverá uma era D.T(rump)., de cara pálida, feia, bruta e "loura", a suceder a uma descoberta era D.O(bama)., morena, agradável, simpática e elegante!