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sexta-feira, 6 de maio de 2022

da liberdade de expressão

imagem retirada da internet
Meios de comunicação social censurados, perseguição e prisão de jornalistas, narrativa unilateral de um mundo diversificado, promoção do medo, divulgação de notícias falsas. Estes são alguns dos atributos que podem ser utilizados para caraterizar os países que não respeitam a liberdade de expressão e os direitos humanos.

Os atentados à liberdade de expressão, as perseguições e as prisões por delito de opinião indignam os cidadãos do mundo ocidental. Estranho seria se assim não fosse, afinal é esse mundo que se apresenta em todos os fóruns mundiais como o farol da civilização, como a grande referência da liberdade, da defesa dos Direitos Humanos e da democracia.

A revolta dos cidadãos ocidentais é, contudo, seletiva. A indignação manifesta-se quando esses atentados acontecem fora de portas, ou seja, nos países que não fazem parte dessa comunidade internacional e, ainda assim, é necessário que os visados sejam alinhados com a narrativa ocidental. Dentro das fronteiras do mundo ocidental a indignação é, de igual modo, ancorada em escolhas cuidadas. Apoiam-se os alinhados e perseguem-se ou obliteram-se os desalinhados.

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Julien Assange será o mais paradigmático exemplo do que acabo de dizer. Está preso há vários anos e, de momento, aguarda a sua extradição para os Estados Unidos. Não, não é cidadão estado-unidense, também não é russo, tem nacionalidade australiana e o seu crime foi fazer o que compete a um jornalista: divulgar, sem opinar, um conjunto de documentos que pôs a nu as mentiras utilizadas para justificar algumas das frequentes invasões de estados soberanos pelos Estados Unidos e aliados ocidentais.


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Pablo González, jornalista espanhol preso, na Polónia, desde o final de fevereiro de 2022. Este jornalista, de origem russa, cobria, na fronteira da Polónia com a Ucrânia, o êxodo dos refugiados ucranianos. Foi preso com a espúria acusação de ser um espião pró-russo. Pablo González tem dupla nacionalidade e esse terá sido o indício que levou à sua prisão. Continua preso.



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Anatoly Shariy, blogger ucraniano foi detido em Espanha numa operação da polícia espanhola a pedido da SBU (serviços secretos ucranianos). Anatoly Shariy veio para Espanha por temer pela sua integridade física. Foi fundador e dirigente de um partido político na Ucrânia. A acusação que conduziu à sua prisão é de suspeita de “alta traição” à pátria. Os jornais do ocidente já lhe colocaram o epíteto de pró-russo, coisa que nos tempos que correm é pior que ser “serial-killer”.



Assange está preso em Inglaterra, González está preso na Polónia e Shariy está preso em Espanha e tudo está na “Santa Paz do Senhor”. São presos por delito de opinião e achamos isto normal, ninguém se indigna. O que se passa com os arautos da liberdade.

A normalização da censura, a promoção da russofobia, a aceitação da ingerência de cidadãos e diplomatas ucranianos nos assuntos internos dos países membros da União Europeia, o silêncio sobre o aumento dos gastos públicos com a defesa, o aumento do custo de vida, o branqueamento da história, estas são apenas as questões mais visíveis que afetam os povos do mundo ocidental e, paradoxalmente, aceites sem qualquer sinal de indignação.

Tem tudo para acabar mal.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 5 de maio de 2022 


quarta-feira, 20 de abril de 2022

#freedomforassange

imagem retirada da internet
A justiça inglesa decidiu hoje pela extradição de Julian Assange para os Estados Unidos. A execução fica por conta do ministério do interior inglês.

Todos conhecem Julian Assange e todos têm conhecimento dos “crimes” de que está acusado e pelos quais vai ser extraditado.

Julian Assange é um cidadão australiano e foi o fundador do site WikiLeaks. 

A WikiLeaks ganhou projeção mundial em 2010 quando divulgou documentos e imagens que colocavam em causa a narrativa oficial do Estados Unidos e dos seus aliados sobre a invasão do Iraque sobre o Afeganistão e ainda sobre o CableGate (divulgação de informação diplomática dos Estados Unidos).

Julian Assange incomodou o poder, incomodou a comunicação social corporativa, incomodou os senhores do mundo e os seus papagaios.

A perseguição não se fez esperar, daí até à sua prisão foi um ápice. Esteve asilado na embaixada do Equador de 2012 a 2019, mas a mudança na presidência daquele país sul-americano retirou-lhe esse estatuto e, desde então, tem estado preso em Inglaterra. Hoje foi dado o veredito final, o pedido de extradição do Estados Unidos teve despacho favorável.

A censura tem várias faces nesta parte do mundo que se apresenta como o paradigma da democracia e da liberdade. Se o caso de Julian Assange é antigo a atualidade trouxe-nos mais alguns elementos sobre o que pensam os líderes ocidentais da liberdade de informação e da capacidade dos seus cidadãos interpretarem a comunicação difundida.

Bruno Carvalho - imagem retirada da internet

A censura instituída, no espaço da União Europeia, a alguns órgãos de comunicação social não alinhados com a narrativa oficial, a prisão sem culpa formada, pelo estado polaco, do jornalista espanhol Pablo Gonzalez, o desaparecimento do cineasta chileno/estado-unidense, Gonzalo Lira, na Ucrânia, a tentativa de desacreditação do jornalista português, Bruno Carvalho, aliás bem sucedida em relação ao jornal “Público”, ou o assassinato, hoje pela manhã, do blogueiro Valery Kuleshov, em Kherson, Ucrânia, são apenas alguns exemplos da ação punitiva da democracia alinhada ao neoliberalismo reinante.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 20 de abril de 2022


quinta-feira, 31 de março de 2022

Censura e sanções

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O bloqueio ou as sanções, como preferirem e melhor se adeque ao ponto de vista de cada um, não estão a cumprir os objetivos de quem sancionou, mas estão a acelerar a criação de um mundo multipolar e profundas alterações na economia e no sistema financeiro internacional, ou seja, a Rússia ao contrário do pretendido não está isolada e a sua moeda (rublo) valorizou-se face ao dólar.

O cerco económico, financeiro e mediático à Rússia está a custar caro, muito caro, aos cidadãos da União Europeia. O aumento generalizado dos preços dos produtos e serviços é uma evidência, não é propaganda russa.

Salvo melhor opinião a União Europeia continua a dar “tiros nos pés” ao seguir a cartilha estado-unidense, mas isso não são contas do meu rosário, não obstante esteja já a pagar por essas opções.

As afirmações anteriores são factuais, não se trata de qualquer fuga ao cerco mediático que a União Europeia e os Estados Unidos impuseram aos seus cidadãos.

A histeria reinante na censura a tudo o que possa parecer apoio à Rússia não tem limites e é diretamente proporcional ao acriticismo no apoio ao regime da Ucrânia, não ao seu povo, mas ao seu governo e tudo aquilo que, infelizmente, representa.

imagem retirada da internet
O cerco mediático aos cidadãos do chamado mundo ocidental tem sido eficaz, mas cada vez mais os cidadãos se interrogam sobre algumas questões que agora, por força das circunstâncias, têm vindo a ser objeto de interesse como seja a questão do Donbass, os acordos de Minsk, o poder dos neonazis no aparelho político e militar ucraniano, os massacres de Odessa em 2014, o “euromaidan”, os laboratórios biológicos patrocinados pelos Estados Unidos e os interesses comerciais diretos da família Biden, por via de Robert Hunter Biden filho do presidente dos EUA, na Ucrânia. Mas não só, alguma comunicação social já refere e publica imagens, não filtradas, sobre a atuação das forças nacionalistas e neonazis ucranianas e as interrogações dos cidadãos aumentam.

A censura a fontes de informação que não adotem a narrativa do chamado mundo ocidental ainda domina, contudo há quem rompa o cerco e permita aos cidadãos ter alguma informação e opinião sobre o que verdadeiramente se está a passar, não só na Ucrânia e na Rússia, mas sobretudo no Mundo.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 31 de março de 2022


terça-feira, 1 de março de 2022

informação e outras liberdades

Não vejo televisão. Não é novo, já o disse, já o escrevi e quem me é próximo pode testemunhar que assim é, mas não significa que não veja conteúdos televisivos nas plataformas digitais. Passo pela DW, pela BBC, pela Al Jazeera e, por vezes, os canais portugueses, mas também a RT e canal Ahí les Va do Youtube. É claro que não me fico por aqui na busca de informação, existem muitos sítios na internet que vale a pena visitar se queremos fugir ao mainstream corporativo e avaliar a forma como diferentes órgãos de comunicação social “olham para realidade” e, claro, tentando sempre confirmar a veracidade da informação. Só assim é possível estar informado e, sobretudo, formar a minha opinião, não em função do que me impingem, mas do que consigo apurar e que se aproxima mais da realidade observada.

O Youtube,  o Facebook e o Instagram seguindo a onda, da União Europeia de proibir a distribuição do sinal das televisões russas RT e Sputnik, decidiram retirar das suas plataformas os canais russos e por arrasto o canal Ahí les Va, ligado à RT.

Esta decisão só tem um nome: CENSURA. 

Se a RT e Sputnik são instrumentos de propaganda como dizem os decisores europeus apoiados, veja-se, por alguns jornalistas com elevadas responsabilidades, o mesmo se poderá dizer da generalidade das televisões dos Estados Unidos e da União Europeia, pouca informação e muita propaganda. 

Privar os cidadãos da União Europeia de acederem a conteúdos dos canais agora banidos é privar-nos de liberdade, nem que seja a liberdade de escolher o lixo mediático que queremos consumir.

Sendo a União Europeia apresentada aos seus habitantes como um espaço de liberdade, esta medida contraria claramente esse princípio.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 1 de março de 2022


sábado, 31 de janeiro de 2015

Ainda sobre a censura no Info Açores e no Açores Global


Ontem fui injusto ao generalizar, Hoje corrijo o erro e refiro em título quais os grupos que me censuraram. As minhas desculpas aos administradores de outros grupos onde a minha publicação se manteve e não foi alvo de remoção (censura)

As redes sociais (virtuais) constituíram-se com amplos espaços de difusão de opinião e informação. Tenho no entanto consciência que, como qualquer outro espaço destinado a estes e outros objetivos, a tentação de dominar as “redes” e de as manipular é a mesma que o poder, financeiro e político, tem para com todos os outros suportes de divulgação de informação e formação de opinião.
Nos Açores, naturalmente, foram-se criando espaços (grupos) que aglutinam, em alguns casos muitos milhares de membros, como são o “Info Açores” e o “Açores Global” e muitos outros de dimensão diversa consoante a temática e o espaço geográfico (virtual) a que se destinam. O funcionamento desses grupos é em princípio de total liberdade, aliás assim um pouco à semelhança do “Charlie Hedbo”, digo eu como exemplo face a recentes acontecimentos de todos conhecidos, mas não. Os grupos são administrados por pessoas que os promoveram e que estabeleceram um conjunto de regras. Digamos, nada que não seja aceitável pois alguém tem de manter o fórum em funcionamento e as regras são necessárias para o seu bom exercício. Os membros que aderem aos grupos têm ou deveriam ter conhecimento das regras e aceitam-nas quando aderem, ou não concordando optam por não integrar o grupo.
Procedimentos normais e aceitáveis. O que já não é aceitável e diria mesmo pouco democrático é a discricionariedade e arbitrariedade como o grupo de administradores, no seu todo, ou através de decisões individuais ou minoritárias interpretam as regras do funcionamento do grupo e aplicam “sanções” aos membros que, segundo eles, as infringiram.
Os guardiões da moral e dos bons costumes exercem o seu poder administrativo em nome das regras, ou melhor da sua interpretação das regras e fazem-no com já referi discricionária e arbitrariamente. Evocam o seu incumprimento sancionam, removendo publicações e bloqueando ou excluindo os seus membros, sem que estes tenham direito a ser ouvidos e apresentar a sua argumentação.
A discricionariedade é por demais evidente. Removem-se publicações com origem noutros suportes, melhor dizendo será necessário sair da timeline do grupo para aceder ao texto e às imagens, e permitem-se comentários acintosos ou mesmo atentatórios do bom nome de quem ali replica notícias, textos de opinião ou, simples frases inócuas.
Nada disto me surpreende, nem estas práticas são novas. O que é novo é a deslocalização, fruto das novas tecnologias de informação e comunicação, dos ancestrais lugares de maldizer. Apenas isso.
Surpreendente mesmo é que passados tantos anos sobre o fim oficial da censura em Portugal ela, a censura e os censores subsistam por aí em supostos espaços de liberdade de expressão e opinião.
Pelo facto de exercer um cargo público sou alvo do legítimo e desejável escrutínio dos meus concidadãos que, por vezes, se referem a mim ou há minha intervenção pública, nas redes sociais de forma menos correta, aliás não poucas vezes sem qualquer fundamento a não ser o preconceito, preconceito que como dizem os manuais é fruto do desconhecimento.
Mas o facto de exercer um cargo público não pode, nem deve ser inibidor de ter opinião sobre o que quer que seja.
Ontem emiti uma opinião sobre a qualidade do trabalho de um jornalista onde afirmo, “(…) a peça do DA fica muito aquém do que na realidade se passou em 2009. Nada que me surpreenda. (…) ”. Este meu comentário provocou naturalmente outros, desde logo do jornalista visado, bem assim como meus. Quando os comentários passaram para lá do limite do aceitável optei por escrever a minha opinião sobre o assunto e publiquei-a no meu blogue replicando-a em seguida no habitual conjunto de grupos do FB. Não repliquei no grupo onde tudo teve origem porque a temática é específica e, onde eu e o jornalista estamos do mesmo lado da barricada, ou seja, para ali não criar ruído desnecessário desviando assim a atenção do que ali é verdadeiramente importante, a luta contra a barbárie e o retrocesso civilizacional que alguns deputados da ALRAA pretendem introduzir na Região, a “Sorte de Varas”.
O texto que publiquei não é um texto politicamente correto, admito. Mas daí a ser considerado insultuoso ou difamatório vai uma distância como do inferno ao paraíso. Por ser um texto “duro” motivou as mais diversas reações, desde logo corporativas mas também outras que me abstenho de adjetivar. Mas comentários no Facebook são o que são e valem o que valem. Nada que me preocupe.
Preocupante foi o que se seguiu. O “Info Açores” pela mão de um dos guardiões da moral e dos bons costumes, numa decisão unilateral, removeu a publicação e, não satisfeito com esse seu ato censório, excluiu-me do grupo. Tem nome e rosto este censor que brandiu o “lápis azul” do fascismo. Darei conta disso quando considerar oportuno.
No “Açores Global” o procedimento foi mais cuidado, 4 administradores em 11, decidiram remover a publicação e com alguma (pouca) subtileza aconselham-me a abandonar o grupo, não foram tão longe como o “Info Açores” e hoje, é bem possível que aos 4 administradores já se tenham reunido os 7 restantes, dando assim unanimidade à decisão.
Uma triste estória mas que serve para ilustrar a censura e a manipulação existente em espaços onde devia primar a liberdade de opinião e expressão. Mas esta triste estória evidencia a forte pressão que é feita sobre alguns, não todos, os agentes políticos para se manterem afastados e não opinarem sobre a qualidade da informação regional e nacional e sobre os seus protagonistas como se tratasse de um assunto tabu e os jornalistas um grupo de intocáveis cidadãos.
Vou continuar como sempre o fiz a exercer os meus direitos de cidadania e a lutar contra a censura e a manipulação da informação.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 31 de Janeiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Censura nas redes sociais açorianas



O Info Açores não só removeu uma publicação minha como, sem mais explicações, me excluiu/bloqueou.

Hoje durante a tarde fui alvo de um ato censório nos grupos Info Açores e Açores Global. Uma publicação, que pode ser lida na publicação anterior, foi removida, a situação é ainda mais grave no caso do Info Açores, onde por decisão da mão que empunhou o “lápis azul” do fascismo fui excluído/bloqueado, sem que me fosse dada nenhuma explicação, ao contrário da remoção da minha publicação para a qual fui previamente avisado, ainda que isso não desculpe o ato censório.
A publicação a que me refiro teve origem num comentário feito a meu respeito num grupo no qual participo, digamos que foi assim como um direito de resposta em defesa da honra e na reposição da verdade. Os censores entenderam que a linguagem era imprópria e feria o visado. Pois bem, não coloco em causa o seu entendimento mas não aceito atos censórios.
Tudo o que escrevi tem fundamento e não retiro uma palavra que seja, aliás tive muito cuidado com a escolha das palavras para evitar ir além do aceitável.
Os jornalistas fazem diariamente juízos sobre tudo e sobre nada mas convenhamos que não podem ser isentados da avaliação dos cidadãos, exerçam eles ou não cargos políticos.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 30 de Janeiro de 2015

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Uma das faces da censura

A rádio e televisão pública dos Açores, como é habitual, cobriram ontem uma reunião da Comissão de Política Geral (CPG).
Para além de assuntos da rotina do funcionamento da CPG realizaram-se duas audições (Vice-presidente do GR e Presidente da Delegação da ANAFRE nos Açores) sobre uma iniciativa do PCP Açores, a saber um Projeto de Resolução que Recomenda ao Governo Regional que reforce o apoio e a cooperação com as Freguesias dos Açores, assunto de todo desconhecido da jornalista da televisão pública, como aliás o demonstrou em conversa comigo, tendo eu optado por não lhe lembrar ao que ela vinha, não me competia a mim. Demonstrou também algum enfado por ter de estar ali e que não estava disposta a aguardar pelo fim dos trabalhos da CPG, mas a sua “má disposição” devia-se, também, segundo a própria ao facto de ter sido “pressionada” por um telefonema de um dos assessores de imprensa da Vice-presidência do Governo. Enfim, nada disto tem relevância e, sobretudo é prática comum.
Tudo isto se passou antes do início dos trabalhos da Comissão, quiçá devido ao enfado, à pressa para partir para outros trabalhos, porventura bem mais importantes do que a CPG que discutia uma proposta que visa melhorar as respostas das freguesias às populações que servem.
Não tendo conseguido ouvir quem queria antes do início dos trabalhos da CPG, alcançou o seu objetivo durante um breve intervalo em que se procedeu à saída do Vice-presidente e à entrada do Presidente da Delegação da ANAFRE, dois dos intervenientes. A jornalista cumprindo, certamente, ordens da redação não ouviu mais ninguém, nem o PSD, nem o CDS/PP, nem o BE, nem o autor da proposta, o PCP. Mas como disse esta é uma prática comum e uma responsabilidade que não posso, sob pena de estar a ser injusto, atribuir à jornalista.
O jornalista da rádio fez o seu trabalho, o trabalho que a redação lhe solicitou em função dos critérios editoriais que foram definidos, pela redação, para a cobertura da reunião da CPG.
Não ouvir os restantes intervenientes é informar de forma parcial. Não ouvir os argumentos do proponente é, censura.
Censura justificada em critérios editoriais. É prática comum mas já aborrece para além de resultar no empobrecimento da democracia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Janeiro de 2015