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domingo, 2 de maio de 2021

Bem hajam - na apresentação do livro "Esperança Velha e Outros Poemas"


Intervenção de agradecimento 
na Apresentação do livro

Esperança Velha e Outros Poemas, 

Aníbal C. Pires, poemas, Ana Rita Afonso, ilustrações 

Letras Lavadas, 2020“

Às 18h Açores, 19h Lisboa, de 2 de maio de 2021, 

live streaming no Facebook e no Youtube da Letras Lavadas

Boa tarde!

Não é apenas por cordialidade, ou porque é esperado que os autores enumerem um rol de agradecimentos, Não. Não é por isso que agradeço ao Vamberto de Freitas. Mais do que pela apresentação que fez deste livro de poemas, agradeço ao Vamberto Freitas tudo aquilo que com ele tenho aprendido e todos os momentos em que nos juntamos para conversar. Conversar do que quer que seja. Nem que seja do tempo meteorológico, do tempo que vivemos, de outros tempos, ou do que esperamos do porvir.

Muito obrigado Vamberto!


O meu agradecimento vai, também, para a Ana Rita Afonso que aceita, sem relutância, os desafios que lhe tenho feito. Sejam os desafios para embarcar nestas viagens pela escrita e pela ilustração, sejam outros que ao longo da nossa vida profissional, foram acontecendo.

A Ana Rita Afonso é uma boa amiga. Uma amiga que muito prezo e pela qual tenho uma admiração incomensurável.

Bem hajas Ana Rita!

Não posso deixar de registar uma nota de agradecimento ao poeta e ficcionista Henrique Levy, pela leitura do manuscrito, pelas sugestões que formulou e pelos reflexos que tiveram no produto final.

Obrigado Henrique Levy.

Quero, também, agradecer ao Mário Sousa. E este agradecimento não diz respeito apenas à sua participação com a leitura de alguns poemas durante esta apresentação. Agradeço ao Mário Sousa por tudo o que tenho aprendido com ele, sobre poesia e, sobretudo, como dizê-la.

Obrigado Mário Sousa e conta comigo para continuar a dar corpo e voz a outros projetos.

Ao Rafael Carvalho que, mais uma vez, disponibilizou um dos seus temas originais para a realização do pequeno vídeo promocional que abriu e, julgo, irá encerrar este evento virtual.

O Rafael merece todo o nosso reconhecimento pelo excelente trabalho que tem vindo a desenvolver na promoção da viola da terra e na sua aprendizagem. Obrigado Rafael, também por isso. 

À Patrícia Carreiro uma palavra de reconhecimento e apreço, mas também de agradecimento. Reconhecimento e apreço pelo excelente trabalho que tem vindo a desenvolver na divulgação dos livros, mas também da promoção da leitura. Uma palavra de agradecimento pela disponibilidade e forma como está a conduzir a apresentação do livro Esperança Velha e Outros Poemas, mas também, pela divulgação que tem feito deste livro com a leitura de alguns dos poemas.

Uma palavra de agradecimento ao todos os trabalhadores do grupo Publiçor/Nova Gráfica. Pela disponibilidade, simpatia e profissionalismo. Sem eles nada disto seria possível.

Muito obrigado o senhor José Ernesto Rezendes, o editor que me tem acolhido, mas também o criativo das artes gráficas a quem é reconhecido um valor inestimável no mundo das artes gráficas.

Por fim uma palavra de agradecimento à Madalena Pires, minha mulher, sem a qual não seria possível fazer tudo o que, ao longo da nossa vida em comum, tenho feito. 

Mas também aos meus filhos (Ana Amélia, Ana Catarina e João Miguel), e netas (Maria Margarida, Maria Benedita e Maria Luísa) que me inspiram e me enchem de alegrias.

Obrigado aos amigos e leitores que nos estão a acompanhar.

Obrigado a todos!

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 2 de maio de 2021


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Há um ano. "Um Natal à Viola", de Rafael Carvalho

 



Texto de apresentação do CD

Um Natal à Viola, de Rafael Carvalho

Teatro Micaelense

Ponta Delgada, 27 de Novembro de 2019





E do velho se faz novo

Minhas senhoras e meus senhores, 

Caros amigos,

Se outros motivos não houvesse a vossa presença, que muito agradeço, diz bem da importância e da ligação que diferentes gerações outorgam às nossas raízes culturais. Só por isso, pela Vossa presença, diria que é já motivo de grande satisfação este novo trabalho musical que o Rafael Carvalho partilha connosco. Não fossem a Viola da Terra, o novo disco e o Rafael Carvalho, motivos mais do que suficientes para este serão de encontros e reencontros com a sonoridade única da viola de arame.

Sim. A razão primeira pela qual estamos aqui, o Rafael que me desculpe, não é por ele. Estamos por ele, mas estamos, sobretudo, pela viola que nos toca. Estamos pela sonoridade de um instrumento musical popular com o qual nos identificamos e que faz parte da nossa memória coletiva. Claro que estamos pelo Rafael e, é a ele que dirijo um agradecimento especial pelo convite que me endossou para fazer a apresentação do seu último trabalho discográfico. Um convite que aceitei sem reservas e me honra, mas que me surpreendeu, pois, sendo um melómano, não sei uma nota musical que seja.

O Rafael não devia saber disto, se o soubesse teria procurado quem pudesse, com propriedade, falar da qualidade da execução e dos arranjos que fez para que, só com a viola da terra, percorrer temas tradicionais de Natal com origens populares tão diversas, aos quais acrescentou duas canções de autor e, ainda, um tema original.

Não sei quem corre o maior risco, se eu, se o Rafael. Eu, por vir meter a foice em seara alheia, o Rafael por colocar aqui um leigo a falar da sua música e, de alguma forma, a servir de suporte para a promoção e divulgação do seu trabalho enquanto músico e compositor. Mas vou tentar, lá isso vou.

Ainda antes de uma abordagem ao novo disco do Rafael Carvalho, permitam-me algumas referências ao instrumento musical em que este músico, professor e difusor da viola da terra, de dois corações, ou de arame, se exprime de forma exímia. Para o instrumento adotem a designação que preferirem, importante mesmo é que falamos do único instrumento musical típico dos Açores (A Viola de Arame nos Açores, João Alfredo Ferreira Almeida, Publiçor, 2.ª ed., 2010).

Trata-se de um cordofone que tem a sua origem nas violas de mão ou Vihuelas* e que em Portugal, consoante o gosto, os materiais disponíveis, mas também as técnicas de execução, adotou diferentes formas. As violas de arame serão, pela sua história e pela apropriação popular, até à introdução da guitarra clássica, ou viola, e da vulgarização da guitarra portuguesa** com a sua associação ao fado, os instrumentos musicais da classe dos cordofones, verdadeiramente portugueses. Sendo que, segundo alguns autores, estes instrumentos musicais são uma rara sobrevivência das violas que existiam no continente europeu (A Viola de Arame nos Açores, João Alfredo Ferreira Almeida, Publiçor, 2.ª ed., 2010)

As violas de arame em Portugal são conhecidas pelas seguintes designações: Braguesa, Amarantina, Toeira, (estas do Norte e litoral), a Beiroa e a Campaniça (do centro e Sul), e ainda, na Madeira a Viola Madeirense e o Machete, vulgo Braguinha (assim como uma espécie de cavaquinho, que terá sido o cordofone português mais disseminado pelo Mundo. O mais conhecido será o seu parente ukelele do Hawai. Mas a viola de arame também atravessou o Atlântico e viajou. No Brasil a Viola Caipira ou Sertaneja é, também, uma viola de arame que terá sido levada, quiçá dos Açores, para o sertão brasileiro.

Nos Açores as violas de arame, sim são duas, a Viola de Corações, talvez a mais divulgada e conhecida, e a Viola de Boca Redonda, da ilha Terceira. A Viola de Dois Corações, esta que o Rafael Carvalho maneja com uma mestria admirável, ainda tem algumas variações no tamanho e na afinação. Mas essas questões ficarão para os especialistas.

Estarão, caros amigos, a perguntar-se porque estou a dedicar tanto tempo ao instrumento musical!? Têm razão, mas existe uma justificação, ou várias, para eu dedicar esta parte da apresentação do disco Um Natal à Viola à história das violas de arame. Passo a explicar.

A Viola da Terra, mas também a Beiroa, foram caindo em desuso por razões diversas, esta última de forma quase dramática (a Viola Beiroa esteve preste a tornar-se um objeto museológico não fossem alguns músicos e instituições a recuperar-lhe o uso). Com a Viola da Terra também se assistiu ao declínio do seu uso e no final da década de 90, do século passado, o número de violas e de mestres violeiros era quase residual. Em S. Miguel, diz-nos José Alfredo Ferreira Almeida, e cito: “(Não é exagero afirmar-se que, atualmente e pelo menos em S. Miguel – que melhor conhecemos – a viola da terra, como é habitualmente designada, é quase uma raridade, algumas vezes convertida em relíquia de família, com funções meramente decorativas, confinada a museus, coleções particulares, grupos folclóricos e a uns quantos apreciadores, apaixonados pelo seu timbre. (…)”. Fim de citação.

É certo que alguns mestres violeiros dos quais destaco, Carlos Quental e, em particular Miguel Pimentel desenvolveram um ciclópico trabalho, através do seu ensino e consequente difusão das técnicas de execução, para contrariar o declínio do uso da Viola da Terra. O mestre Miguel Pimentel durante parte das décadas de 80 e 90 manteve no Conservatório de Ponta Delgada cursos livres apara aprendizagem deste instrumento musical.

E o Rafael Carvalho a par de outros exímios executantes de viola da terra, como o Ricardo Melo, são exemplos vivos desse legado de Carlos Quental e Miguel Pimentel. 


Sobre Proteção e Valorização do Património Material e Imaterial, afinal também é disso, ou sobretudo disso, que estamos a falar, diria que  não sou um conservacionista apenas pelo valor simbólico do património, seja ele móvel ou imóvel, seja ele material ou imaterial, embora considere que a sua salvaguarda apenas na perspetiva conservacionista assume, em si mesmo, grande relevância e, diria mesmo que relativamente a alguns desses bens a intervenção e salvaguarda, não poderá ir além disso, Preservar e conservar. Defendo uma perspetiva de preservação e conservação do património cultural ligado ao seu uso e fruição pelos cidadãos. E é possível modernizar e adequar aos nossos tempos sem perder a alma. Deixo-vos dois exemplos de preservação, de valorização e até de recuperação de património cultural regional, sem nenhuma adulteração às suas formas originais, conseguidas e julgo que bem conseguidas, por uso diverso do original num dos casos e, no outro caso mantendo o uso que lhe conferiu valor, mas dando-lhe novos palcos.

Depois do declínio da caça à baleia e da sua total proibição, os botes baleeiros, tendo-se-lhe acabado o uso, estavam predestinados a serem meras peças estáticas de museus e núcleos museológicos, a assim foi durante um largo período de tempo. Hoje e, devido à introdução de um novo uso, as regatas e o turismo, damos conta que muitos deles foram totalmente recuperados e é com agrado que os vemos de velas enfunadas a sulcar o mar das nossas baías. A viola da terra, de arame ou de dois corações nunca tendo estado em verdadeiro perigo de desuso pois as festas populares, os ranchos folclóricos e outras manifestações populares assim o garantiriam, todavia verifica-se uma evolução no seu uso, ou seja, continuando a marcar a sua indispensável presença nas festas populares este instrumento musical, sem que tivesse tido nenhuma alteração é hoje ensinado nos conservatórios regionais de música, procura novas sonoridades, novos instrumentos parceiros, atrai novos aprendizes e, por consequência, atrai novos públicos.

E esse tem sido o trabalho inexcedível de Rafael Carvalho. Este rapaz da Ribeira Quente tem dado um valioso contributo, não só para a salvaguarda da Viola da Terra, mas sobretudo para a reafirmação do instrumento musical que melhor traduz a alma açoriana. 

O Rafael para além de ser um exímio executante de viola da terra, tem desenvolvido um trabalho complementar no ensino formal e informal, conseguindo o reconhecimento oficial do ensino de Viola da Terra no Conservatório Regional, promove encontros anuais da Viola da Terra com as violas de arame, do território continental, da Madeira e do Brasil, dinamiza orquestras, concertos, encontros de músicos de Viola da Terra de toda a Região, criou a Associação de Jovens Viola da Terra, e, por fim, embora não seja só, tem promovidos e participado em momentos musicais onde seria impensável a entrada deste instrumento de música popular. Um dos últimos, para não referir outros, foi a sua participação num espetáculo que, como disse Vânia Dilac, mais parecia uma improbabilidade, juntar o Soul com a Viola da Terra. E era uma improbabilidade, até acontecer. Este é apenas um exemplo de que a Viola da Terra, pelas mãos do Rafael, tem vindo a fazer. Ou seja, um percurso de afirmação em palcos que até há alguns anos lhe estavam vedados.

Mas se o Rafael Carvalho é tudo isto, é também, um autor de livros didáticos sobre o ensino da viola da terra, tem três livros publicados, uma coleção que tem por título Método para a Viola da Terra, níveis Iniciação, Básico e Avançado.

Como qualquer outro músico instrumentista o Rafael Carvalho é também um compositor. Tem cinco discos disponíveis. Estamos aqui, embora até agora não pareça, para conhecer o seu mais recente disco, Um Natal à Viola. Os trabalhos que antecedem este, são: Origens, 2012, Paralelo 38, 2014, Relheiras, 2017, e, 9 Ilhas 2 Corações, 2018. Com exceção do quarto trabalho discográfico, 9 Ilhas 2 Corações que percorre exclusivamente o cancioneiro tradicional açoriano, todos os outros integram temas originais da autoria do Rafael Carvalho. Com especial destaque para Relheiras que não sendo exclusivamente de originais é-o, na sua essência, dos dez temas de Relheiras, sete são originais da autoria do Rafael Carvalho.

A composição de temas originais faz parte, em minha opinião, da constante procura de novas sonoridades para a viola da terra e resulta da apuradíssima técnica de execução, de domínio e de conhecimento de todas as potencialidades deste instrumento musical. Os originais de Rafael Carvalho são experimentais, exploratórios, revelam todo o seu virtuosismo e contribuem para a criação de um novo e elaborado reportório para a Viola da Terra.

Um Natal à Viola, foi o pretexto para nos juntarmos neste magnífico espaço cultural de Ponta Delgada. São 14 temas executados pelo Rafael Carvalho onde apenas se ouve o som da Viola da Terra, a viola de arame dos Açores da qual se libertam sons que se ouvem no Alentejo, na Beira Baixa, em Trás os Montes, na Madeira e, naturalmente, nos Açores. Todos estes temas são alusivos à quadra natalícia e provêm do cancioneiro popular.  Mas o Rafael que não deixa os seus créditos por mãos alheias, não se fica apenas pelo cancioneiro popular e presenteia-nos com a interpretação de dois temas de autor, Noite Feliz, de Franz Gruber e, Adeste Fideles, de John Wade. E, na minha humilde opinião, isto não acontece por acaso. O Rafael Carvalho, na sua permanente ação de valorização da Viola da Terra, serve-se destes dois temas clássicos e sobejamente conhecidos para nos dizer, a nós e ao Mundo, que a Viola da Terra não está confinada a ser um mero repositório da música tradicional.

Continua a sê-lo, e ainda bem, mas pelas mãos do Rafael e dos seus jovens alunos, a Viola da Terra já caminha por outros territórios musicais e isso só pode ser objeto da nossa satisfação e louvor. Por fim uma breve referência ao original que dá o nome ao quinto CD do Rafael Carvalho, ou seja, música que encerra este trabalho do Rafael Carvalho, Um Natal à Viola. Este original confirma o que tenho vindo a dizer sobre os novos caminhos da Viola da Terra e o trabalho exploratório e experimental que o Rafael tem vindo a desenvolver. Tem o timbre inconfundível da Viola da Terra e uma toada que nos faz viajar pela quadra natalícia, mas esta música está liberta dos sons tradicionais. Mesmo para um ouvido duro como o meu é possível encontrar diferenças substantivas, entre as duas músicas tradicionais do Natal micaelense que integram este disco, e por consequência adaptadas à Viola da Terra, e o original que o Rafael Carvalho compôs para fechar o seu quinto trabalho discográfico. Certamente teremos oportunidade de verificar isso mesmo quando o autor executar esse tema. Não sei se está no alinhamento, mas conto com isso.

Resta-me agradecer, uma vez mais a vossa presença, mas também a atenção que me dispensaram. Obrigado!

* Instrumento de cordas ibérico. A primeira menção a estes cordofones data do Século XV.

**Resulta da evolução e adaptação do “cistre europeu renascentista”. O cistre, ao contrário da cítara, tem as cordas esticadas para além da sua caixa de ressonância.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Novembro de 2019


quarta-feira, 23 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (10)

Urgência(s)

Um tímido sorriso
Um rubor na face
Um silêncio que fala
Uma palavra ciciada
Um olhar ávido
E acontece
Inesperado
O beijo, o abraço
E as palavras, o sorriso, o olhar e o silêncio
Acatam a vontade
Do corpo, e calam
Perante a urgência
Que desponta
Dos corpos enlaçados
Apressados pelo momento
Desnudam-se, colam-se
Agitados, quentes, suados
Fundem-se ofegantes
Num imenso frenesim
Apelam a Deus
E a urgência chegou ao fim


Aníbal C. Pires, Santa Cruz da Graciosa, 26 de Março de 2015

São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.
Aqui podem ver e ouvir "Urgência(s)"

Da exposição "Tocar o Mundo" (9)

É doce o teu olhar

O teu olhar ausente
Na imensidão do mar
Na infinidade do deserto
Na utopia que persegues
Sem sossego e sem tréguas

O teu olhar ausente
Regressou faiscando
Num perturbador
E provocante azul

O teu olhar pousa em mim
Agora é doce o teu olhar
Doce da cor do mel
Fala de amor e do sonho
Que vive em ti

O teu olhar presente
Afaga a minha alma
Dissipa as sombras
Ilumina o meu caminho


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 23 de Janeiro de 2016

São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.
Aqui podem ver e ouvir "É doce o teu olhar"

segunda-feira, 21 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (8)

A cores

Sou ilha de lava
Nascida do fogo
E do caos telúrico
Que o tempo serenou
A desordem deu lugar à quietude
A escuridão à luz
E despontei verde
Enlaçada de azuis


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 17 de Março de 2015

São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.
Aqui podem ver e ouvir "A cores"

domingo, 20 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (7)

Retalhos da vida

Em constante inquietude
Percorro a existência
Nem sempre linear
Tantas vezes sinuosa
Guardo todos os instantes
Nem sempres a cores
Tantas vezes cendrados
Estes instantes 
São pedaços de mim
Com estes retalhos
Caminho pela vida
Com o passado presente
E o futuro no olhar

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 16 de Março de 2015


São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.
Aqui podem ver e ouvir "Retalhos da vida"

sábado, 19 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (6)

Sombras e cinzentos

Esse temor 
Que te amarra
Essa mordaça
Que te contém
Essa grilheta
Que te priva
Essa máscara
Que te alucina
Não te atormentes
Descobre o teu caminho
Despedaça os medos
Rasga as mordaças 
Quebra as grilhetas
Arranca a máscara
Troca o medo pelo sonho
A mordaça pela palavra
A grilheta pela liberdade
A máscara pela claridade
Habita o teu sonho
Numa fantasia
Sonhada a cores
Com sombras e cinzentos

Aníbal C. Pires, Horta, 23 de Fevereiro de 2015

São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.
Aqui podem ver e ouvir "Sombras e cinzentos"

sexta-feira, 18 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (5)

Perseverança 

Estava entreaberta
Com estrondo
Bateu ao fechar
O ruído sacudiu
A vontade  
O instante doeu
Por momentos
O brilho do teu olhar
Deslustrou-se 
Ferido(a)
Vacilaste sem capitular
A determinação
Regressou 
Faiscante  
Ao teu olhar
Procurando
Outros fados
Outros lugares
Caminhos para andar
Portas por abrir
De par em par

Aníbal C. Pires, Horta, 24 de Novembro de 2014



São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.
Aqui podem ver e ouvir "Perseverança"

quinta-feira, 17 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (4)

Amores fortuitos

Os amantes casuais
Amam 
Sem prazo
Nem tempo
Amam
Com sofreguidão
Fundem-se
Famintos
No deleite
Dum momento
Irrepetível

Os amantes casuais
Amam
Com a avidez
Incontrolada dos sentidos
Amam
Sem ponderar
Desfrutam somente
O prazer de ocasião
Amam
O sôfrego instante
De amores fortuitos
Sem prazo 
Nem tempo  

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 24 de Julho de 2014


São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.
Aqui podem ver e ouvir "Amores Fortuitos"

terça-feira, 15 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (3)

Raízes

Caminho pela vida
Carregando as origens
Não são um fardo
É energia que sorvo das raízes
A seiva onde me alimento
Nas memórias e ausências
Da vida passada, saudade
Das palavras e afetos
Onde me aconchegava
Cresci e aprendi contigo
A ser quem sou
Foste a origem, o alicerce
Somos um só, e tudo
O que foste, o que sou
Uma árvore errando pela vida


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 09 de Fevereiro de 2016


 São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.
Aqui podem ver e ouvir "Raízes"

segunda-feira, 14 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (2)

Tempo Norte

Uma espessa bruma
Cálida e húmida
Envolve a cidade de cinzento
Invade os corpos de enfado
E as razões de melancolia
Uma amena brisa
Vinda do Norte
Afasta as neblinas
E a cidade cinzenta
Ganha cor e sorri
Em gradientes de azul
De mar e céu
A cidade cinzenta
Vestida de mil cores
Ganha alento e sorri
Ao tempo Norte

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Fevereiro de 2016


São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.

Aqui podem ver e ouvir "Tempo Norte"

domingo, 13 de março de 2016

Da exposição "Tocar o Mundo" (1)

Amores-perfeitos

Chegam do Mundo
Pelos carreiros da vida
Por acaso ou atrás do sonho
Vivem nestes picos 
Despontados das profundezas atlânticas
Adornados de verde
Sob um céu
Nem sempre mas também azul
Como o mar que acaricia
As pedras negras
Enlaçadas por alva espuma
Aqui procuram
Amores-perfeitos
Fundem-se nos matizes de verde 
Atravessam as míticas brumas
Soltam os cabelos ao vento 
Penetram no azul oceânico
E encontram
O seu Eu e o Outro
Alcançam a inigualável serenidade
Que precede a tempestade
E amam estas ilhas
Num amor feito
De amores-perfeitos

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Fevereiro de 2016

São 10 aguarelas, 10 poemas, 10 músicas e uma voz que declama. A exposição está aberta ao público até ao dia 16 de Abril, no Centro Municipal de Cultura em Ponta Delgada.

Aqui podem ver e ouvir "Amores-perfeitos"

quarta-feira, 2 de março de 2016

Tocar o Mundo


No dia 10 de Março pf terá lugar, no Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada, a inauguração da exposição "Tocar o Mundo" - Aguarelas de Ana Rita Afonso.

A exposição vai ficar mas a inauguração da exposição será um momento ir-re-pe-tí-vel.
Poemas do Aníbal, a voz do Nelson e a viola do Rafael, para as aguarelas da Ana Rita. Um texto da Renata Correia Botelho para todos eles e, também, para quem vier assistir a este momento ir-re-pe-tí-vel.

Depois, Bem depois ficam as aguarelas da Ana Rita, na Sala do Forno até meados de Abril, para contemplar, as palavras do Aníbal para ouvir na voz do Nelson Cabral e os sons que o Rafael Carvalho arranca magistralmente da viola da terra.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Viola da terra e uma voz de encantar

Não pude, por me encontrar ausente de S. Miguel, participar no primeiro dia do Congresso - 60 Anos de Emigração Açoriana para o Canadá (1953-2013). E lamento não ter podido estar, desde logo porque me interesso pelas migrações, enquanto objeto de estudo e, depois, bem e depois porque estas iniciativas são espaços de encontros e reencontros, espaços de aprendizagem e de descoberta. 
O programa prolongava-se para o serão de ontem e não pude deixar de dar um salto à Igreja dos Frades, na Ribeira Grande, onde está instalado o Museu Vivo do Franciscanismo. Do programa constava a apresentação de um livro de memórias de um dos pioneiros da emigração açoriana para o Canadá, o Senhor Afonso Maria Tavares. E valeu, valeu pelas estórias contadas ao vivo pelo Senhor Afonso, valeu pelos encontros e reencontros com amigos e conhecidos, com os representantes da comunidade açoriana no Canadá, com os Professores José Carlos Teixeira (da Ribeira Grande) e Irene Blayer (de S. Jorge), os dois professores de Universidades no Canadá, a Sandra Silva, investigadora e doutoranda do IGOT (antigo Departamento de Geografia da Universidade Clássica de Lisboa), quando por lá andei fazia parte do mesmo grupo de investigadores das migrações e, por acaso a Sandra até nasceu em Castelo Branco, Rafael Carvalho, um jovem músico que revolucionou o ensino e a aprendizagem da viola da terra e que para este instrumento, da nossa memória coletiva, propõe novas abordagens projetando-o para o futuro, por fim, uma descoberta. Sei que é uma descoberta tardia mas, como diz o nosso povo na sua imensa sabedoria, “tarde é o que nunca chega”.

Descobri uma voz, uma voz que dá pelo nome de Raquel Dutra e que canta temas do cancioneiro popular açoriano, para além de ser uma excelente fadista. A Raquel canta e toca bandolim e é acompanhada à viola acústica, pelo pai e à viola da terra, por Adílio Soares.

Fotos: Madalena Pires