Mostrar mensagens com a etiqueta PCP. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PCP. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 6 de março de 2026

um Partido com mais futuro do que história

Hoje assinalam-se 105 anos da fundação do Partido Comunista Português, criado a 6 de março de 1921 no quadro das lutas operárias que atravessavam a Europa após a Revolução de Outubro. Desde a sua origem, o PCP assumiu-se como uma força revolucionária organizada da classe trabalhadora portuguesa, defendendo a transformação profunda da sociedade, o fim da exploração e a construção de uma ordem social fundada na justiça e na igualdade. A sua história está indissociavelmente ligada às lutas dos trabalhadores e das populações que marcaram o século XX em Portugal.

Durante a longa noite da ditadura, o Partido foi a principal organização política de resistência ao regime fascista.

O derrube do regime na Revolução de 25 de Abril de 1974 abriu um novo capítulo dessa trajetória. O PCP teve então um papel destacado na mobilização popular, na organização sindical e na defesa das conquistas revolucionárias que marcaram o processo de transformação vivido em Portugal no período que se seguiu ao 25 de Abril. 

105 anos depois, o Partido continua a afirmar-se como herdeiro dessa tradição de luta e de um projeto político que, mais do que gerir o existente, propõe-se transformá-lo mantendo viva a ideia de que a história pode, e deve, ser construída pelos trabalhadores e pelo povo.

PCP um partido com mais FUTURO do que história.


quinta-feira, 6 de março de 2025

PCP - 104 anos de luta



A 6 de Março de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório, em Lisboa, realizava-se a Assembleia que elegeu a primeira direcção do Partido Comunista Português.

neste dia histórico, nascia o PCP e a classe operária portuguesa encontrou a sua firme e segura vanguarda.

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Celeste Caeiro (1933-2024)

Celeste Caeiro - ilustração de Marta Nunes

Celeste Caeiro.

A sua história é conhecida por todos, mas pouco reconhecida pelos poderes públicos.

Sem Celeste Caeiro a Revolução de Abril não teria cravos, cravos vermelhos de Abril, cravos que esta mulher do povo ofereceu aos soldados naquela madrugada libertadora.

Celeste Caeiro era minha camarada, o nosso Partido emitiu uma nota de condolências que pode ser lida aqui.

Até sempre camarada!

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Amílcar Cabral - centenário




Hoje celebra-se o centenário do nascimento de Amílcar Cabral (Bafatá, 12 de setembro de 1924).










O PCP promoveu, ontem, na Casa do Alentejo, em Lisboa, uma sessão evocativa dos 100 anos de Amílcar Cabral.






sexta-feira, 3 de maio de 2024

Diamantino Gonçalves - (1954-2024)

guardião de memórias


que dizer

neste dia cinzento

de pesar 


faltam as palavras

que dizer!?

como dizer!?

da tua devoção

às terras da Beira Baixa

ao teu povo

que dizer de ti      amigo e camarada


tu que calcorreaste

as veredas da Gardunha

as margens do Zêzere

os sons da transumância

os sabores da Maúnça

e

com o teu olhar arguto

eternizaste a paisagem

e a cultura das gentes


guardião de memórias

habitaste o tempo

deste-lhe substância

Até Sempre!


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 2 de maio de 2024

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Sérgio Ribeiro - (1935-2024)

Até sempre camarada!

Sérgio Ribeiro
, destacado militante comunista, intelectual respeitado, com papel destacado na Revolução de Abril, teve uma vida inteiramente dedicada à luta e intervenção pela emancipação dos povos, pela democracia, o progresso social, a paz e o socialismo.

Este excerto de texto foi retirado do sítio do PCP.

quarta-feira, 6 de março de 2024

pelo 103.º aniversário do PCP

O PCP comemora hoje 103 anos de existência, de resistência e de luta por um país mais justo, independente e desenvolvido.

O PCP é hoje, como foi durante a longa noite fascista, alvo dos mais soezes ataques alimentados pelos seus inimigos de classe.

A direita liberal, base de todos os fascismos, reergueu-se pela mão dos oligopólios apátridas que dominam a política nacional, da União Europeia e dos Estados Unidos.

As corporações mediáticas dão voz aos populistas liberais e alimentam o anticomunismo primário. Cumprem o seu papel enquanto parte dos conglomerados empresariais que ditam as agendas “informativas”.

O PCP mantém-se fiel aos princípios e, por isso, não morreu, nem morre, como amiúde têm vaticinado os acólitos do mercado, do liberalismo e do fascismo.

Viva o PCP!






Ao meu Partido - poema de Pablo Neruda


Deste-me a fraternidade para com o que não conheço
Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem
Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo
Deste-me a liberdade que o solitário não tem
Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo
Deste-me a rectidão de que a árvore necessita
Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens
Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos
Fizeste-me edificar sobre a realidade como sobre uma rocha.
Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético
Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria
Tornaste-me indestrutível, porque, graças a ti, não termino em mim mesmo


quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Odete Santos 1941-2023


Odete Santos

"Mulher de Abril, destacada deputada e dirigente comunista, Odete Santos foi uma figura marcante na construção do Portugal de Abril e na afirmação dos direitos que a Constituição da República Portuguesa consagra, em particular sobre os direitos dos trabalhadores, sobre a igualdade e a emancipação da mulher,  uma presença constante na acção de solidariedade com os povos de todo o mundo, uma incansável participante na concretização do ideal e projecto do Partido Comunista Português."

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Manuel Gusmão - (1945-2023)

Manuel Gusmão - imagem retirada da internet
Excertos da nota do PCP sobre o falecimento de Manuel Gusmão: 

"(...) Manuel Gusmão foi um criador no campo da arte e da intervenção social e política. Teve, através desses dois caminhos nele convergentes, toda uma vida dedicada à cultura: à cultura dos que resistem e lutam, dos que sobrevivem e criam, dos explorados e dos humilhados. Homem, intelectual, militante do seu tempo, intervindo sempre, na poesia e na militância, para fazer um tempo novo. Intelectual de uma profunda cultura, construída e alicerçada no estudo e na estreita ligação com os trabalhadores e o povo português. (...)"

"(...) Manuel Gusmão fala-nos da alegria, “contra todas as evidências em contrário”. Sabendo que a procurava sempre, e sempre com os seus camaradas e com os trabalhadores, porque “Nós somos a esperança que não fica à espera (...)”

um poema de Manuel Gusmão

VARIAÇÕES DO BRANCO

Ergues o olhar: surpreendes por instantes essa hora
em que o mundo envelhece: ténues as variações do branco
parecem dissolvê-lo numa longínqua música, anterior à chuva

Ou será então a imagem submersa de um filme a preto e branco

Há próximo um branco vibrante: o da cal ainda recente
mas que a humidade salina já a espaços mordeu,
recortando as feridas cinza na varanda a que vens.

Não há ninguém aqui. Quem te chame, digo.

Há o branco baço na parede que em frente em vão separa
rua e praia. Tendo já transposto essa fronteira incerta
ou erguendo-se para lá dela há o branco pobre da areia:

As dunas plenárias sustentam os corpos deitados de mar e céu.
Aí é agora o grande branco: o clarão velado e difuso
que guarda e distribui a memória embaciada do azul
e do verde, do oiro e da prata — uma lembrança vã.

Tu escreves no visível do mundo essa névoa branca e desolada

que o motor da paisagem produz. As folhas do ar são como
se fossem as levíssimas pétalas, as vagas sílabas de uma neve –
e essa névoa engolfa, atrasa e apaga na travessia os simulacros

das coisas supostas e imaginadas que o mundo te envia
enquanto esperas por alguém que não virá

segunda-feira, 6 de março de 2023

pelo 102º aniversário do PCP


O PCP comemora hoje 102 anos de existência, de resistência e de luta por um país mais justo, independente e desenvolvido.

O PCP é hoje, como foi durante a longa noite fascista, alvo dos mais soezes ataques alimentados pelos seus inimigos de classe.

A direita liberal, base de todos os fascismos, reergueu-se pela mão dos oligopólios apátridas que dominam a política nacional, da União Europeia e dos Estados Unidos.

As corporações mediáticas dão voz aos populistas liberais e alimentam o anticomunismo primário. Cumprem o seu papel enquanto parte dos conglomerados empresariais que ditam as agendas “informativas”.

O PCP mantém-se fiel aos princípios e, por isso, não morreu, nem morre, como amiúde têm vaticinado os acólitos do mercado, do liberalismo e do fascismo.

Viva o PCP!


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

não há festa como esta


Ao contrário do que tem vindo a ser habitual este ano optei por não fazer a divulgação exaustiva da programação da Festa do Avante.

Os neofascistas, os liberais, o milhazes, o rogeiro, e outros que tais, perdoem-me as redundâncias, fizeram a devida propaganda à FESTA. Claro que o seu objetivo não era o da promoção do maior evento político e cultural que se realiza em Portugal, quiçá na Europa, mas foi isso que conseguiram.

 

Tenho conhecimento que muitos cidadãos decidiram ir este ano à FESTA em virtude dos vómitos de ódio que foram regurgitados na comunicação social e nas redes sociais e na tentativa de chantagem feitas sobre os artistas da FESTA. Os esforços para denegrir a FESTA foram, como costumam ser, em vão.

Para quem não conhece o programa (Música, Teatro, Cinema, Feira do Livro, Gastronomia, Debates, Desporto, Festa da Criança) pode encontrá-lo aqui.


domingo, 6 de março de 2022

101 anos de luta pela liberdade, pela democracia e pelo socialismo


Pelo 101.º aniversário do PCP 


AO MEU PARTIDO

Deste-me a fraternidade com os desconhecidos.

Juntaste a mim a força de todos os que vivem.

Voltaste a dar-me a pátria como num nascimento.

Deste-me a liberdade que não tem quem está só.

Ensinaste-me a acender a bondade como o lume.

Deste-me a retidão de que precisava a árvore.

Ensinaste-me a ver a unidade e a diferença dos irmãos.

Mostraste-me como a dor de um ser morreu na vitória de todos.

Ensinaste-me a dormir na cama dura dos que são meus irmãos.

Fizeste-me construir sobre a realidade como sobre a rocha.

Fizeste-me inimigo do malvado e muro do colérico.

Fizeste-me ver a claridade do mundo e como é possível a alegria.

Fizeste-me indestrutível pois contigo não termino em mim próprio.


Pablo Neruda

sexta-feira, 6 de março de 2020

99 anos do PCP - o futuro tem Partido

A bandeira comunista

Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.

José Carlos Ary dos Santos

quarta-feira, 6 de março de 2019

98 anos de luta

imagem retirada da internet









Na celebração no 98.º aniversário da fundação do Partido Comunista Português, um poema de José Carlos Ary dos Santos













A bandeira comunista

Foi como se não bastasse 
tudo quanto nos fizeram 
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam 
como se o ódio fartasse 
apenas os que sofreram 
como se a luta de classe 
não fosse dos que a moveram. 
Foi como se as mãos partidas 
ou as unhas arrancadas 
fossem outras tantas vidas 
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista 
o patrão surgiu de novo 
e com a miséria à vista 
tentou dividir o povo. 
E falou à multidão 
tal como estava previsto 
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão 
também luta a nosso lado 
nós repartimos o pão 
não temos o pão guardado. 
Por isso quando os burgueses 
nos quiserem destruir 
encontram os portugueses 
que souberam resistir.

E a cada novo assalto 
cada escalada fascista 
subirá sempre mais alto 
a bandeira comunista.

Ary dos Santos

sábado, 27 de maio de 2017

Miguel Urbano Rodrigues - (1925-2017)

Miguel Urbano Rodrigues







O Miguel partiu hoje à tarde para a memória da gente. Da gente que não cala, da gente que não desiste, da gente que luta.
Deixa-nos um enorme legado de luta pela dignidade e libertação dos povos.
Até sempre camarada Miguel.

domingo, 6 de março de 2016

95.º aniversário do PCP



Para assinalar o 95.º aniversário do PCP fica este poema de Pablo Neruda

AO MEU PARTIDO

Deste-me a fraternidade com os desconhecidos.
Juntaste a mim a força de todos os que vivem.
Voltaste a dar-me a pátria como num nascimento.
Deste-me a liberdade que não tem quem está só.
Ensinaste-me a acender a bondade como o lume.
Deste-me a retidão de que precisava a árvore.
Ensinaste-me a ver a unidade e a diferença dos irmãos.
Mostraste-me como a dor de um ser morreu na vitória de todos.
Ensinaste-me a dormir na cama dura dos que são meus irmãos.
Fizeste-me construir sobre a realidade como sobre a rocha.
Fizeste-me inimigo do malvado e muro do colérico.
Fizeste-me ver a claridade do mundo e como é possível a alegria.
Fizeste-me indestrutível pois contigo não termino em mim próprio.

Pablo Neruda

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Uma pérola do PS no Corvo, ou os incómodos da democracia

Foto - Aníbal C. Pires

O PS Açores, pela mão do seu Secretariado na Ilha do Corvo, produziu hoje um daquelas pérolas “políticas” que merece ficar registada, ou pelo menos referenciada e da qual destaco a seguinte frase: (…) as declarações do deputado Aníbal Pires como sendo próprias de quem só se lembra do Corvo quando efetua uma visita à ilha. (…)
Eu diria que é necessário que o Deputado e Coordenador do PCP Açores faça uma visita ao Corvo para que o PS local dê sinais de vida e se ouça a voz do Deputado do PS eleito pelo círculo eleitoral da ilha do Corvo.
Ainda nem sequer foi produzido o comunicado de imprensa ou uma proposta de iniciativa política e/ou parlamentar em resultado da visita mas, pelo incómodo causado, já se poderá dizer, com propriedade, ainda bem que o Deputado do PCP Açores foi ao Corvo para o PS local ter oportunidade de dizer que existe e enumerar, uma vez mais, o rol de promessas eleitorais e de obras programadas, que como se sabe não é sinónimo de obras executadas.

Foto - Aníbal C. Pires
Mas deixemos as obras de lado, designadamente a obra marítima de ampliação do Porto da Casa, que como se sabe aguarda por melhores dias, mas não deixa de ser urgente, e passemos ao prometório do PS no Corvo, em 2012.

"Promover a colocação na Escola Básica e Secundária de um professor de ensino especial"

Com tantos professores no desemprego, designadamente professores qualificados para o Ensino Especial, não se percebe muito bem porque ainda não está cumprida esta promessa do PS no Corvo.
Este é apenas um dos muitos exemplos que, julgo eu que só vou de visita ao Corvo, será cumprida muito brevemente.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Intervenção sobre: A estratégia para o Grupo SATA no novo paradigma de transportes da RAA

Intervenção Inicial na Interpelação promovida pela Representação Parlamentar do PCP que se realizou hoje na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores

Senhora Presidente, 
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhor Presidente do Governo Regional,
Senhora e Senhores Membros do Governo,

No dia 14 de Maio de 2013, por iniciativa da Representação Parlamentar do PCP, realizou-se um debate de urgência sobre Transportes Aéreos nos Açores. Quase um ano depois desse debate, muitas questões continuam por esclarecer e muitas dúvidas se levantam. 
Se pode parecer que em relação aos transportes aéreos, durante este último ano, pouco ou nada aconteceu, à exceção da apresentação do Plano Integrado de Transportes (PIT), a verdade é que, longe da atenção da opinião pública, muita coisa tem acontecido. Assim, chegamos aqui, um ano depois, e muitas das nossas preocupações concretizaram-se, outras adensaram-se e outras ainda começam agora a descortinar-se.
A interpelação ao Governo Regional que hoje promovemos não é uma interpelação genérica sobre transportes aéreos mas, objetivamente, uma interpelação sobre o futuro da transportadora aérea regional.
Antes de enumerar algumas questões que urgem por clarificação terei de citar algumas afirmações feitas no debate de Maio de 2013, até para enquadramento do debate. Dizia um dos intervenientes: “(…) é para isso que a SATA existe, é para isso que iremos trabalhar para que a SATA continue a desempenhar um papel fundamental em termos de aumentar a mobilidade dos açorianos e dinamizar a economia da Região.(…), Fim de citação. Eu atrevo-me a dizer que sobre isto todas as forças políticas com assento parlamentar estarão, genericamente, de acordo. Dizia mais à frente o Senhor Secretário Regional do Turismo e Transportes sobre o futuro da SATA, sim as palavras são do Senhor Secretário: (…) Aquilo que se pretende é ter uma empresa com capitais públicos que sirva o seu objeto social por um lado, mas que por outro lado garanta a sua sustentabilidade com o objetivo claro de preservar os seus postos de trabalho e de prestar um serviço de qualidade a todos os açorianos. (…), Fim de citação.
Não posso afirmar com segurança que esta posição seja subscrita por todas as bancadas, mas, da parte da RP do PCP, posso dizer que estou genericamente de acordo. Um acordo que é apenas genérico porque o Senhor Secretário, quando declara a SATA como “empresa de capitais públicos”, não deixa claro que seja uma empresa de capitais EXCLUSIVAMENTE públicos, como o PCP Açores defende.
Por outro lado, a divulgação do PIT deixou muitas lacunas e dúvidas sobre qual é afinal o papel dos transportes marítimos na tão propalada “revolução tranquila no modelo de transportes nos Açores”. Do mesmo modo, é pouco clara a forma como se vai concretizar a articulação entre os transportes marítimos e aéreos.
No PIT, os transportes aéreos ficam “pendurados” na revisão das Obrigações de Serviço Público (OST) para o serviço interilhas e para as ligações com o Continente e a Madeira, bem assim como na assumida e urgente necessidade de modernizar a frota de longo curso da SATA Internacional. O que é muito pouco diga-se em abono da verdade.
Mas não é só o “modelo” do transporte aéreo e a sua articulação com o transporte marítimo e terrestre que me levanta interrogações pois, quer se queira quer não, quer se goste quer não goste, a Região é detentora de uma companhia de transportes aéreos. E é sobre o futuro deste importante ativo estratégico dos Açores que se avolumam profundas preocupações.



Senhora Presidente, 
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhor Presidente do Governo Regional,
Senhora e Senhores Membros do Governo,

Existem, no Grupo SATA, indícios claros de uma gestão com critérios opacos, medidas nocivas, que pode ter efeitos ruinosos!
O primeiro desses indícios é o facto de estarmos em meados de Abril e não existir Plano de Exploração para 2014. 
Não existe Plano de Exploração mas, entretanto, as tensões sociais latentes na empresa agudizam-se a cada dia que passa. Por exemplo: em Novembro de 2013, o Conselho de Administração da SATA afirmou, em reunião mantida com a Plataforma Sindical, que pretendia ter o processo negocial para 2014 concluído antes do final de 2013. Mas o que se assistiu, e que tem sido noticiado, são sucessivos adiamentos deixando o processo por concluir e o mal-estar instalar-se na companhia. 
É preciso afirmá-lo claramente: se essas tensões se transformarem em conflito com os trabalhadores, a responsabilidade caberá inteira e exclusivamente ao CA do Grupo SATA, uma vez que a Plataforma Sindical tem vindo a demonstrar sempre toda a abertura para encontrar uma solução negociada.
Não existe Plano de Exploração para 2014 mas o encerramento da base do Funchal já se concretizou, reduzindo a capacidade operacional da SATA Internacional. Um encerramento no mínimo estranho, tendo em conta que era o próprio Conselho de Administração que afirmava que a operação baseada no Funchal era auto sustentável e marginalmente lucrativa. Ficam por perceber quais os motivos de ordem empresarial e/ou política que levaram ao seu encerramento.
Não existe Plano de Exploração para 2014 mas o abandono de rotas consolidadas pela SATA Internacional tem sido prática comum nos últimos meses. Para além das rotas com origem no Funchal tinham-se já perdido outras, como por exemplo as de Cabo Verde.
Por outro lado, todos nos lembramos, que a SATA Air Açores abandonou a linha de serviço público Funchal/Porto Santo alegadamente pela proposta ser financeiramente penalizadora para a SATA. Mas, senhoras e senhores deputados, é sabido que a SATA Air Açores concorreu e até recorreu ao concurso para a operação de serviço público na rota Funchal Porto Santo que se inicia em Junho de 2014. Qual foi o valor proposto pela SATA Air Açores!? Foi mais elevado ou inferior ao anterior!? Interessa ou não interessa aquela operação à SATA Air Açores!?
Todos sabemos, senhoras e senhores Deputados, que para que se possam baixar tarifas aos passageiros, sem o aumento de indemnizações compensatórias ou outros apoios, é fundamental rentabilizar os meios existentes e garantir uma utilização intensiva das aeronaves, de cerca de 3000 horas de voo por ano.
Ora, que infelizmente se constata no grupo SATA é justamente o inverso! Como se explica que existindo aeronaves e tripulações disponíveis, na SATA Air Açores, e um mercado fora da Região, como se explica senhoras e senhores deputados que se mantenham os aviões no chão?
Não existe Plano de Exploração para 2014, mas foi exigido aos contratados para reforço da “época alta” que alterassem a sua residência para Ponta Delgada. Isto pode significar que também a base de Lisboa será para transferir para Ponta Delgada, o que é em si mesmo mais um indicador de diminuição de atividade. 
Mas é uma opção muito difícil de compreender porque mesmo só com os voos para os Estados Unidos e Canadá a partir de Lisboa, a opção de concentrar todos os tripulantes em Ponta Delgada ficará sempre mais dispendiosa, devido à deslocação e alojamento, dos tripulantes e aos custos que lhe estão associados.
Mas o mercado da SATA Internacional não é só esse! E neste contexto, como se justifica as aeronaves da Sata Internacional andarem constantemente cheias de tripulantes desta empresa, a serem posicionados como passageiros das suas bases de origem para outras, onde entretanto foram retirados tripulantes para voos que poderiam ser efectuados pelos primeiros, havendo deste modo além dos custos de transportes, uma duplicação dos custos dos hotéis? Quais são os ganhos desta opção, ou será que representam custos!? Fico à espera da explicação do Senhor Secretário."
Não existe Plano de Exploração para 2014, mas põe-se a circular o boato que existem pilotos em excesso na SATA Internacional. Mas, na “época baixa”, os voos programados com aeronaves A320 são substituídos por aeronaves de outras companhias ou realizados com os A310 da SATA, porque não existem tripulações disponíveis para os A320, ou seja, por insuficiência de pilotos! Situação que também acontece com os A310. Ainda no passado Domingo pude verificar que se encontrava em Ponta Delgada um Boing 767 da Euroatlantic, em regime de ACMI, a fazer o voo Lisboa/PDL/Toronto.
A verdade, senhoras e senhores deputados é que de 2011 até à presente data o número de pilotos da SATA Internacional diminuiu cerca de 20% e estão na calha outras saídas de pilotos, o que coloca em risco a capacidade operacional da SATA Internacional.


Senhora Presidente, 
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhor Presidente do Governo Regional,
Senhora e Senhores Membros do Governo,

Apesar da diminuição de atividade, a verdade é que continuam a existir insuficiências e dificuldades em suprir as necessidades da operação da SATA internacional. 
Nas últimas semanas a contratação de aviões e tripulações de outras companhias (ACMIS) terá custado à SATA mais de 200 mil euros e, desde o princípio do ano, a SATA terá perdido mais de 2 milhões de euros em voos ACMI que recusou fazer para outros clientes, por falta de aeronaves e tripulações.
O que o acionista precisa de saber, Senhor Secretário Regional do Turismo e Transportes, o que o Povo Açoriano exige saber, Senhor Secretário Regional do Turismo e Transportes, é o que pensa o Governo Regional sobre esta marcha acelerada para uma previsível falência operacional da SATA Internacional?
O que o Povo Açoriano exige saber, Senhor Secretário Regional, é se estas decisões, em minha opinião danosas do interesse público regional, são decisões do Governo Regional, ou se são decisões tomadas à revelia da tutela? 
O que o Povo Açoriano precisa e quer saber é qual é a estratégia para o Grupo SATA?
O que o Povo Açoriano precisa e quer saber é se as Obrigações de Serviço Público para o transporte aéreo interilhas contemplarão o mesmo número de ligações e tarifas que garantam o direito à mobilidade dos açorianos?
O que o Povo Açoriano precisa e quer saber é qual vai ser a estratégia para a SATA Internacional, pois, já se sabe, o que bom ou mau vier a acontecer à SATA Internacional terá forçosamente repercussões na SATA Air Açores!

Senhora Presidente, 
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhor Presidente do Governo Regional,
Senhora e Senhores Membros do Governo,

As questões que colocamos são ainda mais sérias e graves do que parecem. E deixo duas das mais gritantes, mas também talvez as mais esclarecedoras, para o final desta intervenção:
O que pensa o Governo fazer em relação à renovação da frota de longo curso, que terá forçosamente de acontecer até ao final de 2015? Como está pensada a substituição das aeronaves? Com que custos? Com que financiamento? Que aeronaves?
Ou ainda quem, com que autoridade e porquê é que, no ano transato, colocou ao INAC, ainda que informalmente, a hipótese de acabar com a SATA Internacional e de criar de raiz uma nova companhia aérea? 
Será que é este, afinal, o objectivo do Governo Regional? Acabar com a SATA Internacional, demoli-la, descredibilizá-la, fali-la e, finalmente, substituí-la por outra companhia ao serviço de outros interesses?
O acionista da SATA, o único acionista, o Povo Açoriano, que aqui representamos, exige uma resposta.
Disse!

Horta, 08 de Abril de 2014

Aníbal C. Pires

quinta-feira, 6 de março de 2014

93.º aniversário da fundação do PCP


Nenhum partido em Portugal pagou como o PCP tão elevado preço pela defesa da liberdade, da democracia e dos direitos humanos. Muitos comunistas portugueses pagaram com a própria vida a defesa desses valores.
E, são esses os valores, passados que são 93 anos da sua fundação, que o PCP e os seus militantes continuam a defender para Portugal e para o Mundo.
Porque acreditamos que é possível, Sim é possível, em Portugal e no Mundo, uma vida melhor, mais digna e  mais justa.

sábado, 30 de novembro de 2013

Na Horta, evocação de Álvaro Cunhal

Caros amigos e camaradas, 
Esta exposição integra-se nas comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. O PCP realizou, ao longo deste ano, também nos Açores, um vasto conjunto de iniciativas que visam recordar, o intelectual, o dirigente comunista, o lutador pela liberdade, o homem que, como nós, tinha esperanças e sonhos e lutou para os realizar. 
Mas penso que mais do que recordar, estas iniciativas servem para transportarmos para o presente e para projetarmos no futuro uma importantíssima lição de vida e, mais ainda, uma verdade fundamental da condição humana, que me atrevo a formular desta forma:
– Somos homens porque sonhamos. Somos homens livres porque lutamos para realizar os nossos sonhos.
É este o ensinamento que retiro da vida e obra de Álvaro Cunhal e que reencontro em tantos rostos, em tantas vidas no Partido que era o seu Partido, neste Partido que é o meu Partido, neste Partido que é o nosso Partido.
 E, caros camaradas, neste Partido acima de tudo sonhamos. Somos sonhadores desmedidos que sonham um mundo sem exploradores nem explorados. Um mundo onde a liberdade de sonhar e de trabalhar para realizar os próprios sonhos seja a regra para todos os seres humanos. Um mundo mais equilibrado, mais justo, um mundo mais feliz. 
Este é o sonho que partilhamos com incontáveis gerações que vieram antes de nós. Este é o sonho que partilhamos com milhões de homens e mulheres de todo o mundo e a raiz da fraternidade que nos une, fraternidade que dizemos de maneira tão bonita no calor humano da palavra “camarada”. 
Este é o sonho que partilhamos com Álvaro Cunhal, camarada de sonho e de luta para o realizar. 
Neste Partido, aprendemos com Álvaro Cunhal a ser sonhadores militantes, pois sabemos, aprendemos, que quando a dureza da vida nos rouba a capacidade de sonhar, de ver um futuro diferente do presente que nos impõem, perdemos algo essencial. Um homem sem sonhos, um homem sem nada porque lutar nunca será um homem livre.
É por isso que os que querem manter a humanidade escravizada, amarrada à atafona de gerar lucros para outros, não gostam de homens que sonham e gostariam de ter um mundo sem sonhos, no fundo um mundo de cegos, que aceitassem passivamente e para sempre o seu domínio. Fosse em nome da União Nacional, em tempos idos, seja em nome da troika, neste áspero presente, o que pretendem é roubar aos portugueses a capacidade de sonhar uma vida e um país diferente. 
A esses, aos que querem perpetuar o seu poder sobre uma massa de explorados dóceis, dizemos, como o Álvaro sempre disse: Não! Aqui sonhamos! E lutamos e lutaremos para tornar os nossos sonhos realidade!

Caros amigos e camaradas,
Este sonho que partilhamos com Álvaro Cunhal é importante, mas é sobretudo um sonho útil. É, afinal, a condição dos nossos esforços e trabalhos. É por causa desse sonho que não nos deixamos ficar em casa descansados e vimos aqui e a tantos outros sítios, juntar-nos aos que sonham como nós, para unidos lutar, agir, transformar o mundo e a vida.
E também aqui, neste momento mágico em que o sonho se torna em ação transformadora, o Álvaro teve muito para nos ensinar. Mostrou-nos a determinação, a coerência, a racionalidade e a inteligência, em cada momento, perceber onde estão os interesses do nosso Povo, onde é que está o verdadeiro inimigo que é preciso combater. 
Ensinou-nos que de nada vale uma teoria revolucionária sem um Partido revolucionário que a leve à prática. Soube afastar do nosso Partido a “ferrugem do erro”, fosse o da pressa revolucionária de saltar etapas e querer desesperadamente tudo, já, agora, fosse o erro de abdicarmos de ser quem somos, vendendo a nossa identidade em troca de um assento à mesa do poder. 
Ensinou-nos que, para tornar realidade este nosso grande sonho coletivo, o nosso primeiro trabalho tem de ser o de ajuntar vontades, como Baltazar Sete-Sois e Blimunda Sete-Luas, no romance de Saramago.
O Álvaro ensinou-nos que o nosso trabalho de comunistas é hoje, como o foi durante os tempos negros do fascismo, como o foi sempre, o de levar esperança ao nosso Povo, o de mostrar que é possível um futuro diferente, o de por mais gente a sonhar e a transformar a vida.
Os tempos duríssimos que vivemos, o sofrimento que nos infligem, os muitos milhares de portugueses infelizes, a quem tentam roubar todos os dias a capacidade sonhar, tornam este trabalho ainda mais importante, ainda mais urgente. 
A sombra negra que, uma vez mais desceu, sobre Portugal, tentando abafar toda a esperança, tentando apagar todos os sonhos, humanos, simples, grandiosos por isso mesmo, faz com que precisemos cada vez mais das lições que Álvaro Cunhal nos ensinou.
Esta, camaradas, não é uma exposição sobre o passado, é uma exposição para o presente que queremos transformar, uma exposição para o futuro que, juntos, conquistaremos.
Cidade da Horta, 29 de Novembro de 2013

As fotos foram gentilmente cedidas pelo Jornal "O Breves)

Intervenção proferida na inauguração alusiva ao centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, Horta 29 de Novembro de 2013, 18 horas, antigas instalações da delegação do Banco de Portugal. A exposição estará aberta ao público até ao dia 5 de Dezembro.