Vou ter de dar corpo a uma campanha de higienização para evitar os dislates de supostos especialistas que mais não fazem do que regurgitar o discurso dominante que, como se sabe, é o da ideologia dominante da qual quero distância, ou seja, distância de Trump, Macron, Le Pen, Kallas, Ursulla, Costa, Biden, Starmer, Montenegro, Rui Tavares, de entre e outros (muitos) quejandos que surfam a onda da cretinice, mas sobretudo dos imbecis que papagueiam até ao vómito as mais insólitas imbecilidades.
segunda-feira, 31 de março de 2025
da cretinice reinante
sábado, 1 de março de 2025
mulher - a abrir março
No mês de março assinalam-se várias datas, desde logo os 17 anos (2) deste blogue que se mantém ativo e interventivo. Mas essa é uma data que pouca dimensão tem com o aniversário do PCP (6), o Dia Internacional da Mulher (8) ou ainda com o Dia da Árvore (21), o Dia Mundial da Poesia (21), o Dia do Livro Português (26), de entre outros dias que, por outras e diversas razões merecerão ser assinalados.
terça-feira, 14 de janeiro de 2025
"Viagem pela Arte" - Ugolina Batista
A jornada foi prazerosa para o olhar, pela diversidade de materiais, suportes e técnicas que a Ugolina utiliza para expressar a sua criatividade e sensibilidade artística. As suas obras circulam pela pintura em porcelana, instalações com base de areia, ou com recurso a objetos que perderam o uso, mas que a Ugolina recria e lhes dá um novo uso estético, ou ainda o detalhe da pintura sobre tela, e algumas abordagens mais contemporâneas que traduzem um percurso dinâmico e de permanente atualização.
sexta-feira, 8 de novembro de 2024
da poesia
A propósito do VII Encontro Internacional de Poesia da Macaronésia.
a poesia é o lugar das palavras que mudam o mundo
Aníbal C. Pires
Ponta Delgada, 08 de novembro de 2024
domingo, 3 de novembro de 2024
agradecer
A minha gratidão estende-se à Câmara Municipal, na pessoa da sua Presidente e da Vereadora da Cultura que me honraram com a sua presença no lançamento, mas também ao vereador Ricky Batista que me apresentou ao público presente.
Endosso à Dra. Tânia Santos uma palavra de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido na estruturação e realização deste festival das artes que, sendo da Praia da Vitória, há muito galgou as fronteiras do concelho, da ilha, da região e, este ano, as fronteiras do país.
Uma palavra de amizade para o Carlos Lima que continua a dar o seu contributo na realização da Feira do Livro que é, talvez, a face mais visível do festival.Não posso deixar de referenciar e agradecer aos trabalhadores e voluntários que erguem e apoiam este festival das artes e, sem os quais, não seria possível a sua concretização.
Agradeço a presença dos meus estimados amigos e dos leitores que estiveram presentes pois, sem a sua presença, o momento vivido na tarde do dia 1 de novembro no bar da Associação de Juventude e das Artes da Ilha Terceira não teria grande significado.
Ainda uma referência à editora Letras Lavadas que me acolhe na sua chancela e que se tem vindo a afirmar no panorama regional e nacional como um parceiro das artes literárias e como agente ativo na divulgação e promoção cultural.
Por fim uma palavra de apreço e gratidão à Ana Rita Afonso que continua a ser a minha companheira de viagem nas minhas incursões literárias.
A expressão é do ano passado, mas mantém-se atual e reflete o que desejo para este festival das artes: Que este Outono continue a ser uma imensa Primavera para as artes e para a divulgação cultural!
Bem hajam!
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 3 de novembro de 2024
sábado, 21 de setembro de 2024
agendas
imagem retirada da internet |
A Venezuela terá vários problemas, mas de todos os problemas sobressai um que a catapulta para a agenda de interesses imperialistas.
A Venezuela volta a estar na agenda mediática e a União Europeia e os Estados Unidos, como fizeram no passado com Juan Guaidó, estão a “eleger” o presidente que gostariam que a Venezuela tivesse, mas que a maioria do povo venezuelano democraticamente rejeitou.
quinta-feira, 13 de junho de 2024
1984, de George Orwell
foto de Aníbal C. Pires |
Não pretendo com este texto fazer apreciações literárias apenas e tão-somente deixar algumas impressões sobre a atualidade deste livro que, não o sendo, parece premonitório.
“1984” de George Orwell, foi escrito em 1948, daí resulta o título. Quando esta obra distópica deu à estampa, em 1949, foi considerada, em razão do contexto histórico e político, uma contundente crítica aos regimes totalitários, e em particular à União Soviética.
Na época, 1948, a chamada guerra fria e o processo de reescrever a história estava nos seus primórdios. À data a obra de Orwell e durante alguns anos serviu como um suporte de propaganda para travar a influência dos ideais marxistas-leninistas nas sociedades ocidentais, ainda que sem sucesso pois, como sabemos o declínio eleitoral dos partidos comunistas, em particular na Europa, só veio a acontecer algumas dezenas de anos depois e por opções próprias que os transformaram em organizações partidárias, direi, sociais-democratas e igual a muitas outras já existentes.
Bem, mas, isso não vem ao caso. Importa hoje constatar que “1984” retrata, não tendo sido a finalidade de Orwell, a sociedade atual, em particular as sociedades do chamado “Norte Global”, vejamos:
- a “novaescrita” – as alterações semânticas como, por exemplo, “colaborador” ao invés de trabalhador:
- o “Grande Irmão” – as redes sociais que tudo vigiam e controlam;
- “2+2=5” – controle sobre a realidade, ou seja, as “fake news”, notícias falsas;
- “buraco da memória” – censura (temos no espaço da União Europeia, vários órgãos de comunicação social proibidos) e todo o processo, em curso, de reescrever a história.
- perseguição e prisão – Julian Assange, Pablo Gonzalez, Pablo Házel, de entre outros. Mas também a perseguição e a repressão sobre, por exemplo, os manifestantes contra o genocídio em Gaza.
"1984", ao contrário do “suposto” objetivo do autor e da propaganda anticomunista, transformou-se numa obra cuja atualidade é pungente, por isso a reli e aconselho a ler.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 13 de junho de 2024
terça-feira, 12 de março de 2024
nota breve
A construção mediática do resultado só foi possível pela elevada iliteracia política e funcional que carateriza os portugueses. Não terá sido só, outras razões se poderão aduzir a estas, mas por agora fica apenas este registo.
Os mais desprendidos ou pragmáticos dirão que é a democracia a funcionar, eu direi que não. O que funcionou foi a moldagem e a manipulação do pensamento que os “donos do mundo” promovem e financiam, ao qual se pode associar a ressuscitação de bolorentos pensamentos salazaristas aos quais os portugueses continuam a aderir.
Vi por aí escrito, algures numa rede social, que os eleitores deram esta dimensão à extrema-direita, mas não professam ideais fascistas. Eu tenho as minhas dúvidas, o voto pode até ter sido de protesto, mas foi também um voto de identificação. Se assim não fosse o protesto teria sido distribuído pela ampla oferta de opções eleitorais para além dos partidos alternantes no poder em Portugal.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 11 de março de 2024
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024
O cantador
imagem retirada da internet |
Há 37 anos morreu o homem. O seu legado poético, musical e político continuou e vai perdurar na memória de todos os que não se submetem às inevitabilidades que provocam injustiça, discriminação, exclusão e pobreza.
José Afonso foi um resistente e, como todos os resistentes, um vencedor, pois, resistir é vencer.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024
o dia D de Assange
imagem retirada da internet |
Amanhã, 20 de fevereiro, terá lugar a apreciação, pelo Tribunal Superior de Justiça de Londres, de um novo recurso do jornalista australiano contra sua extradição para os Estados Unidos.
Mas quem é Julian Assange e quais são os crimes de é acusado!? É um jornalista de nacionalidade australiana e os EUA acusam-no de espionagem e de divulgação de informação classificada obtida de forma ilegal.
É um jornalista e mostrou ao Mundo a verdade que os Estados Unidos escondiam, em particular sobre as intervenções no Iraque e no Afeganistão.
Amanhã, um pouco por todo o Mundo, há mesma hora em que os juízes se reúnem para decidir do recurso de Assange estão previstos vários atos públicos de apoio ao jornalista e a exigência da sua libertação.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2024
“O cheiro da tinta acalma-me,” …
“A Força das Sentenças” retrata uma dura realidade que afeta um número significativo de cidadãos e famílias.
Este premiado romance de Pedro Almeida Maia, tendo como tema uma situação de doença irreversível não é, contudo, uma narrativa misericordiosa, poderá ser esclarecedora e até didática para quem cuida (família ou instituições), mas não assume, em momento algum, um caráter de comiseração nem induz, outros sentimentos, que não sejam de respeito por quem é vítima da doença e por quem cuida.
A narrativa é crua e dura sem ser indiferente ao drama que se abateu sobre um reformado professor e homem de Letras que continua a escrever como terapia para retardar a evolução da doença.
“(…) Não faço a mínima ideia do porquê de estar aqui a sangrar letras, números e símbolos, só sei que ajuda. A mente deixa de mentir e o pânico descruza os braços, à procura da próxima vítima. Deixá-lo ir! (…)”
“(…) O cheiro da tinta acalma-me, o som da esfera a escorregar seduz-me, a imagem desta imensidão da folha vicia-me. E enquanto as linhas deslizam e se cruzam e se tocam e se beijam e se amam e se orgasmam, eu vivo mais um pouco. (…)”
A estrutura e a construção narrativa aliciam e a leitura flui como um rio para a foz.“(…) A nossa mente não sabe o que é a felicidade, nem sequer do que necessitamos para ser felizes. É um estado de graça que só reconhecemos quando o habitamos. (…)”
Pedro Almeida Maia tinha este tesouro guardado, mas em boa hora lhe deu uso público.
Os leitores agradecem.
Aníbal C. Pires, Arranhó, 13 de fevereiro de 2024
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
não foi o PSD, foi a coligação PSD/CDS/PPM
Parece-me claro como água, mas vá-se lá saber em nome de que santinho a comunicação social e alguns comentadores vão dizendo, sem vergonha nenhuma, que o PSD venceu as eleições açorianas.
Isto é mentir descaradamente, não é informar.
Que os dirigentes partidários da coligação PSD/CDS/PPM tentem, como fizeram com o chumbo do orçamento para 2024, responsabilizar o PS pela eventual, crise política que possa acontecer caso a coligação não chegue a acordo, parlamentar ou governativo, com o “basta”, até compreendo.
Que esta posição seja assumida por comentadores da região e do país e por dirigentes políticos do próprio PS no continente, parece-me uma aberração, embora com propósitos claros.
O PS Açores fará o que muito bem entender, mas não me parece politicamente aceitável que seja da sua responsabilidade a viabilização de um governo da coligação PSD/CDS/PPM.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 6 de fevereiro de 2024
domingo, 12 de novembro de 2023
ser ou não ser
imagem retirada da internet |
Apoiar o povo palestiniano e a sua luta pelo cumprimento das resoluções das Nações Unidas não significa que apoio o Hamas, ou outros grupos extremistas. Apoiar a Palestina significa, apenas e só, que defendo o direito dos palestinianos à terra, à vida e à paz.
Sou, antifascista e, por conseguinte, antirracista e antissionista.
sábado, 11 de novembro de 2023
do arquivo
foto de Aníbal C. Pires |
Ao vasculhar no meu arquivo encontrei um texto de 19 de novembro de 2020. Retirei-lhe este fragmento que vale por si só. Digo eu!
(...) Para falar deste arquipélago e deste povo, com alguma propriedade e rigor, não basta conhecer as estatísticas, a geografia, saber do anticiclone e da Base das Lajes, ter por aqui passado férias, ou fazer referências, fica sempre bem, à Vila de Rabo de Peixe. Não! Isso não é suficiente. Não pretendo, nem para isso tenho arte, inibir os jornalistas e comentadores (profissionais ou não) que vivem no continente português a pronunciarem-se sobre o momento político que se está a viver na Região Autónoma dos Açores. Estejam à vontade para opinar, esse vosso exercício, por norma, Diverte-nos. (...)
quinta-feira, 9 de novembro de 2023
a questão das questões
foto de Aníbal C. Pires |
A pergunta foi feita por uma jovem aluna que assistia ao debate, por sinal com uma participação que excedeu a minha expetativa pois, tratava-se de ocupar o serão (ou parte dele) a discutir e refletir sobre a educação, a escola, os alunos, os pais e encarregados de educação, as autarquias, os docentes e não docentes, e todos os que o desejassem, pois, a entrada era livre, como livres foram as diferentes opiniões manifestadas pelos participantes.
A minha expetativa excedeu-se, pois, o tema sendo do interesse de todos é, porém, complexo e as soluções não se prescrevem como uma receita médica, ou seja, corre-se sempre o risco de sair destas iniciativas com um sentimento perda de tempo, mas sobretudo de impotência na procura de respostas para a resolução dos diversos problemas, por vezes conflituais, que as comunidades educativas têm como preocupações.
Cheguei atrasado, como se isso fosse uma novidade dirão alguns dos presentes no debate, mas a tempo de ouvir as intervenções de abertura que estiveram a cargo da Presidente da Associação de Estudantes, de uma professora da escola e de uma representante da organização promotora do debate.
A minha participação, estava mais ou menos estruturada mentalmente, tinha como objetivo provocar consciências e promover alguma reflexão crítica. Assim fiz, ainda que não tivesse tido grande retorno face a preocupações mais pragmáticas e legítimas da audiência e que urgem por respostas no imediato.
Depois! Bem, depois a Raquel pediu a palavra para perguntar: - Como podemos ter sucesso educativo e ser felizes?
Não vou tentar qualquer abordagem na procura de uma resposta para a Raquel, conquanto, o tenha feito, quiçá de forma atabalhoada, durante o debate. Mas sempre direi que a pergunta revela uma inquietação que deve (deveria) preocupar, desde logo, os pais e encarregados de educação, mas também os professores, a administração educativa, e os teóricos das ciências da educação.
Pode inferir-se da pergunta da Raquel que nem sempre o sucesso (não só o educativo) se enlaça com a felicidade, ou seja, os bons resultados não garantem, de per si, que sejamos felizes.
Obrigado Raquel!
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 9 de novembro de 2023
quarta-feira, 8 de novembro de 2023
(Papelaria 96) não é o livreiro da Praia, mas podia ser
Carlos Lima - imagem retirada da internet |
Como todas as feiras que celebram o livro, os autores e as editoras, também esta tem alguns pilares. O Carlos Lima é uma figura incontornável desta feira do livro
Não o fiz na altura em que estive na edição do “Outono Vivo” 2023, mas faço-o agora deixando neste espaço público uma palavra de reconhecimento e agradecimento ao Carlos Lima que anualmente continua a colaborar com esta excelente e diversificada mostra de livros.
domingo, 15 de outubro de 2023
da Palestina
imagem retirada da internet |
Existem, contudo, alguns aspetos que, desde já, me merecem o mais veemente repúdio como seja: a escalada da violência provocada pelo Hamas e pelo estado sionista de Israel, não confundir com o povo judeu e com muitos outros habitantes de Israel; e as proibições (tentativas), feitas em alguns países da União Europeia, aos apoios populares à causa do povo palestiniano e ao uso de alguns dos seus símbolos (bandeira e o keffiyeh – lenço árabe ligado à causa palestina e popularizado por Yasser Arafat).
*para quem quiser conhecer a Declaração de Balfour e o Mandato Britânico pode, se assim o desejar, encontrar muita informação na internet, ou seja, sem muito esforço.
Ponta Delgada, 15 de outubro de 2023
sexta-feira, 29 de setembro de 2023
artista mulher
foto de Aníbal C. Pires |
Na passada quinta-feira fui, finalmente, visitar a exposição de desenho e pintura (aguarelas e caneta) de Ugolina Batista e gostei.
Ugolina Batista - foto retirada da internet |
Gostei do espaço e da forma simpática e entusiasta com que fui recebido e gostei do que vi.
Conheço a Ugolina Baptista e por ela tenho uma respeitável admiração. A Ugolina é uma mulher surpreendente e possuidora de uma invejável energia, mas é também, e quiçá sobretudo, uma artista multifacetada e criativa.
Embora tardios, ficam os meus parabéns à Ugolina Batista e os votos para que nos continue a brindar com a sua arte, engenho e boa disposição.
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
quarta-feira, 29 de março de 2023
Green God - um poema de Eugénio de Andrade
O público escasseou, mas nem por isso os a sessão deixou de ser útil, interessante e animada para quem se dispôs a passar o fim de tarde numa das acolhedoras salas da BPARPD.
Podia, mas não o vou fazer, elaborar uma síntese das intervenções e da tertúlia que se lhe seguiu, vou apenas referir a (minha) descoberta de um poema de Eugénio Andrade que foi referido pela Professor Eduíno de Jesus e que deixo transcrito para os amantes da poesia de Eugénio de Andrade.
das fontes, quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens, quando desce.
Andava como quem passa,
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia do ar.
Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.
E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
de uma flauta que tocava.