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terça-feira, 15 de março de 2016

É possível conhecer Deus?


É POSSÍVEL CONHECER DEUS?
Todo o ser humano tem dentro de si a noção clara da existência do Deus pessoal, criador de todas as coisas e que nos fez à Sua imagem e semelhança. As evidências suficientes encontram-se à sua volta, desde o infinitamente grande do firmamento e do universo com os seus milhões de galáxias, de estrelas, de sóis, de luas, de planetas; até ao infinitamente pequeno da célula e do átomo. O próprio homem, o seu corpo, os órgãos que o compõem, o seu pensamento, a sua consciência e vontade, os seus afetos e emoções, a sua identidade e procura de significado e sentido, propósito e desígnio. O homem pergunta-se e interroga-se. O homem quer saber quem é. O homem questiona-se acerca das suas origens e do seu fim. O homem fala e comunica. O homem pensa, medita, reflete.
A Bíblia é bem clara a este respeito declarando de forma perentória que o homem é inexcusável diante da revelação natural que o envolve e do qual também faz parte. As consequências são transversais e envolvem a totalidade da vida humana. Nada escapa às suas consequências. Prestem atenção a esta paráfrase de Eugene H. Peterson, em “A Mensagem”, publicada pela Editora Vida, da carta aos Romanos no primeiro capítulo, os versículos de dezoito a trinta e dois:
“Mas o furor divino é despertado pela falta de confiança do ser humano em Deus, pelos erros repetidos, pelas mentiras acumuladas e pela manipulação da verdade. Mas a verdade essencial sobre Deus é muito clara. Abram os olhos e poderão vê-la! Se analisarem com cuidado o que Deus criou, serão capazes de ver o que os olhos deles não enxergam: o poder eterno, por exemplo, e o mistério do ser divino. Portanto, ninguém tem desculpa. Vejam o que aconteceu: a humanidade conhecia Deus perfeitamente, mas deixou de tratá-lo como Deus, recusando-se a adorá-lo, e foi reduzida a um tão terrível estado de insensatez e confusão que a vida humana perdeu o sentido. Eles fingem saber tudo, mas são ignorantes sobre a vida. Trocaram a glória de Deus, que sustenta o mundo, por imagens baratas vendidas na feira.
Então Deus se pronunciou: ‘Se é isso que vocês querem, é o que terão’. Não demorou muito para que fossem viver num chiqueiro, enlameados, sujos por dentro e por fora. Tudo porque trocaram o Deus verdadeiro por um deus falso e passaram a adorar o deus que fizeram no lugar de Deus que os fez – o Deus a quem bendizemos e que nosabençoa. Loucura total!
Então aconteceu o pior. Como se recusaram conhecer Deus, logo perderam a noção do que significa ser humano: mulheres não sabiam mais ser mulheres, homens não sabiam mais ser homens. Sexualmente confusos, abusaram um do outo e se degradaram, mulheres com mulheres, homens com homens – pura libertinagem, pois de modo algum isso pode ser amor. Mas eles pagaram caro por isso, e como pagaram: são vazios de Deus e do amor divino, perversos infelizes e sem amor humano.
Uma vez que eles não se importaram em reconhecer Deus, Deus desistiu deles e os deixou por conta própria. A vida deles agora é uma confusão só, um mal que desce ladeira abaixo. Eles tomam à força o que é alheio, são ambiciosos e caluniadores. Cheios de inveja, violência, brigas e trapaças, fizeram da vida um inferno. Olhem para eles: são maliciosos, venenosos, críticos ferozes de Deus, brigões, arrogantes, gente vazia e insuportável! Mestres em criar meios de destruir vidas e revoltados contra os pais. Não passam de seres tolos, asquerosos, cruéis e intransigentes. Até parece que eles não sabem o que fazem, mas têm plena consciência de que estão cuspindo no rosto de Deus – e não se importam! Pior ainda, premeiam quem faz as piores coisas com eficiência.”
O apóstolo Paulo que escreveu esta carta, quando discursava no areópago ateniense declarou: “O Deus que fez o mundo e tudo que está nele, o Senhor dos céus e da terra, não vive em santuários feitos sob medida, nem precisa que a raça humana se desgaste por causa dele, como se ele não pudesse tomar conta de si mesmo. Ele fez as criaturas! Nenhuma criatura o fez. Começando do nada, ele fez toda a raça humana e criou a terra habitável, com muito espaço e tempo para uma vida em que pudéssemos buscar Deus e que, em vez de ficar tateando na escuridão, pudéssemos de fato encontrá-lo. Ele não brinca de esconde-esconde conosco. Ele não está num lugar remoto: está bem próximo. Vivemos e nos movemos nele, não podemos escapar dele! Tanto é que um dos poetas de vocês disse com razão: ‘Somos criados por Deus’.” (Atos 17:24-29 – paráfrase “A Mensagem”, Eugene H. Peterson, Editora Vida)
Mas considerando que tudo isto ainda era pouco, para lá de toda a revelação escrita e dos vários homens que Deus levantou como Seus mensageiros, no tempo determinado desde a eternidade, o próprio Deus na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história e deu-se a conhecer pessoalmente. Em Jesus temos Deus connosco – entre nós. “Ninguém jamais viu a Deus: o Deus unigénito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”(João 1:18 – JFA revista e atualizada). É possível conhecer Deus. Ele faz parte da nossa História sendo o Senhor dela. Nós podemos fazer parte da Sua História e Ele da nossa. Em Jesus temos a revelação da triunidade divina – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Uma história maravilhosa que também pode ser a nossa. Uma comunhão absoluta à qual também somos chamados. Assim Jesus orou: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:21 – JFA revista e atualizada).
Samuel Pinheiro

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A EXISTÊNCIA DE DEUS TESTEMUNHADA PELA CRIAÇÃO

     
O espetáculo do Universo sempre tem impressionado profundamente o ser humano, na variedade de suas belezas e harmonia de sua complexidade, na grandeza de suas distâncias e indecifrabilidade dos seus mistérios. 
     Após contemplar, maravilhado, a grandiosidade da Criação, o salmista Davi exclamou: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até aos confins do mundo" (Salmo 19.1-4. ARA).
     Toda a natureza não é mais que o desdobramento da glória de Deus, pois foi criada para ser seu reflexo, um testemunho do poder de suas mãos — é o que está maravilhosamente declarado nos 30 primeiros versículos do Salmo 104. 
     Todos os caminhos que o espírito pensante segue, a partir de qualquer ponto no extenso círculo do conhecimento humano, o conduzem para o centro de todas as coisas, para Deus. 
     Tudo — o Céu, a Terra, o dia, a noite, os astros, os átomos, o oceano e a gota de orvalho sobre a relva — tudo anuncia Deus.
     As pegadas do Criador impressas na Criação são por demais luminosas para que não sejam vistas. O escritor francês Montelet Claudius dizia que não era filósofo, mas nunca atravessava um bosque sem pensar naquele que fizera crescer aquelas imensas árvores; vinha-lhe sempre de longe o pressentimento da existência de um Ser supremo e desconhecido. 
     Sim, pois Deus nunca deixou de dar testemunho de Sua existência: toda a Criação é um livro aberto que em linguagem silenciosa, mas bastante clara, torna visível a nós o Invisível. Este foi um dos argumentos usados por Paulo e Barnabé na cidade de Listra, quando, para provar à população politeísta e idólatra que eles não eram deuses, falaram sobre o verdadeiro Deus: 
     "... o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; o qual nos tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos. Contudo, não deixou de dar testemunho de si mesmo. Ele mostrou misericórdia, dando-vos chuvas do céu, e colheita em sua própria estação, enchendo de mantimento e alegria os vossos corações" (Atos 14.15-17).
     Milhões e milhões de globos celestes a rolar pelos espaços do Universo, descrevendo com incrível rapidez suas gigantescas trajetórias, sem nunca se desviarem dos eternos e invisíveis eixos onde foram colocados, proclamam a glória de Deus. A moderna Astronomia já conseguiu identificar algumas centenas de milhares de sóis, entre a 1ª e a 10ª grandeza. 
     Os grandes sistemas estelares são chamados de galáxias. Cada uma delas pode agrupar de um bilhão a um trilhão de estrelas. Ora, os cientistas calculam que o Universo seja composto de, no mínimo, 10 bilhões de galáxias. Tudo isto proclama a glória de Deus!


A GRANDEZA DO UNIVERSO

     Chama-se Universo "o conjunto de tudo quanto existe (incluindo-se a Terra, os astros, as galáxias e toda a matéria disseminada no espaço), tomado como um todo", segundo a definição do Dicionário Aurélio. A imensidão do espaço celeste está de tal forma acima da noção de distância usada por nós, seres humanos, que metros, quilômetros e milhas tornam-se medidas quase sem significação ou valor quando aplicadas às gigantescas longitudes existentes entre os astros. 
     Por esse motivo, o sistema criado para se medir essas distâncias chama-se ano-luz. Para o leitor ter uma idéia de como esse sistema funciona, basta saber que, em um segundo (exatamente o tempo que nós levamos para fechar e abrir imediatamente os olhos, o chamado "piscar de olhos"), a luz percorre 300.000 quilômetros.
     É por essa razão que, durante as chuvas com trovões e relâmpagos, vemos primeiramente o raio luminoso riscar o céu, e algum tempo depois é que ouvimos o barulho do trovão. Isto acontece porque o som demora muito mais tempo para chegar até nós do que a luz. Enquanto o som percorre 360 metros em um segundo, a luz percorre, no mesmo tempo, 300.000 quilômetros! Pois bem. Apliquemos agora estas informações à grandeza do Universo.
     A Terra está separada do Sol por uma distância de aproximadamente 150.000.000 (Cento e cinquenta milhões) de quilômetros. O mais veloz de nossos foguetes espaciais levaria mais de 10 anos para chegar lá (Caso isso fosse possível. Não é, porque o foguete se derreteria bem antes de chegar lá). 
     Porém, a luz gasta só oito minutos para percorrer esse imenso espaço que nos separa da estrela solar que nos aquece e ilumina! Denomina-se ano-luz a distância cujo percurso a luz leva um ano inteiro para percorrer, viajando à fantástica velocidade de 300.000 quilômetros por segundo! Isto significa percorrer uma distância 63.000 vezes maior que a que nos separa do Sol.
     Um ano-luz tem 9.450.800.000.000 (nove trilhões, quatrocentos e cinquenta bilhões e oitocentos milhões) de quilômetros. Para que se tenha uma idéia do quanto as distâncias no Universo são imensas, basta saber que Alfa do Centauro, a estrela mais próxima da estrela que nos ilumina, ou seja, o Sol mais próximo do nosso Sol, está distante da Terra em cerca de quatro anos-luz. É o nosso vizinho mais próximo!

QUEM CRIOU TANTAS MARAVILHAS?

     Quem criou e povoou de sóis e planetas esse grandioso Universo, cujo tamanho e distâncias estão infinitamente acima de nosso limitado entendimento? Quem deu movimento a esses gigantescos corpos celestes? Quem lhes dotou de ordem e harmonia tais que palavras humanas não conseguem exprimir? Quem foi que lançou os alicerces invisíveis e inabaláveis dos astros, e quem mantém a Terra suspensa sobre o Nada? Quem somos nós diante dessas imensidões, ou onde estávamos quando tudo isto foi criado?
     "Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?", perguntou o Senhor a Jó, ao longo dos capítulos 38 e 39 do livro que nos relata a história do velho patriarca de Uz. (Leia o artigo "Cientistas norte-americanos tentam responder as perguntas que Deus fez a Jó", publicado neste blog). "Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre o que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?" 
     Sugerimos que o leitor leia diretamente em sua Bíblia esses dois capítulos, cuja beleza e profundidade têm, ao longo dos séculos, conquistado a admiração e a reverência dos maiores estudiosos das grandezas e fenômenos do Universo.

"GENERAL, DEUS EXISTE!"

     Porém, conforme comentou um astrônomo, a maior parte dos seres humanos passa toda a sua vida sem voltar um só instante o pensamento para os grandes mistérios da Criação. 
     Sabe-se que o imperador Napoleão Bonaparte gostava muito de conversar sobre a existência de Deus. Certa vez, durante uma dessas conversas com o general Bertrand, este, que confessava-se ateu, perguntou a Napoleão:
     "Quem é Deus? Será que já o viste alguma vez?"
     Fitando-o calmamente, Napoleão respondeu:
     "General, nunca viste minha inteligência, porém, todas as vezes que presenciaste ou tiveste notícia de alguma das minhas vitórias, acreditaste em mim, e me exaltaste. E que são minhas vitórias diante das obras do Onipotente? Que são meus mais brilhantes feitos de armas diante do movimento das estrelas? Se, observando as ações de um homem, tu o consideras alguém dotado de grande inteligência, porque te negas a reconhecer a existência de um Deus Criador, cujas obras admiráveis estão espalhadas por toda a parte, e dão testemunho de Sua grandeza? General, Deus existe!"
     O grande filósofo grego Aristóteles, esforçando-se para deixar bem claro aos seus alunos ser impossível não reconhecer a existência e o domínio de Deus sobre a Natureza, disse certa vez que aquele que, em cima de um alto monte, vendo passar o exército dos gregos, tendo à frente os cavaleiros em seus cavalos, seguidos pelos carros de guerra e os combatentes a pé, será obrigado a pensar que alguém deve estar à frente, comandando aquela multidão de guerreiros. 
     Do mesmo modo, quem vê no mar um navio deslizando sobre as águas, sabe que existe um piloto a bordo, que o conduzirá ao porto de forma segura. Assim também aqueles que erguem os olhos para o céu e veem o Sol seguir seu curso do oriente para o ocidente, e toda a frota das estrelas em perfeita harmonia, certamente procurará saber quem é o Criador desses corpos celestes, pois jamais aceitará que tantas e tão perfeitas maravilhas estejam abandonadas e à deriva no céu, e sejam obra do acaso.
     Esse Criador é Deus. "Quão grande é Deus, quão grande é Deus" — dizia Ampere (1775-1836), o cientista descobridor da eletricidade — "e quão pouco é o que nós sabemos sobre ele!" Alguém já disse sabiamente que o mais alto conhecimento que podemos ter de Deus nesta vida, é saber que ele está sempre acima de tudo o que pensarmos a seu respeito.

OS HOMENS SERÃO INDESCULPÁVEIS

     Deus existe desde a eternidade, é a origem da Vida; tem a Vida em si mesmo. O Universo e tudo o que nele há foram chamados à existência pela sua onipotência, segundo o supremo modelo de sua sabedoria e bondade.
      "Que é todo esse mundo visível (perguntou o inspiradíssimo teólogo espanhol Luís de Granada) senão um grande e maravilhoso livro que vós, Senhor, escrevestes e oferecestes aos olhos de todas as nações do mundo, tanto de gregos como de bárbaros, tanto de sábios como de ignorantes, para que nele todos estudassem e conhecessem quem vós sois? Que serão, portanto, todas as criaturas do mundo, tão formosas e tão bem formadas, senão como letras divididas e iluminadas, que declaram o primor e a sabedoria do seu Autor?... 
     "E por vossas perfeições serem, Senhor, infinitas, e como não podia haver uma só criatura que as pudesse representar todas, foi necessário criar-se muitas, para que assim, a pedaços, cada uma por sua parte nos declarassem algo de tuas perfeições."
      As Escrituras Sagradas mostram que aqueles que se negam a reconhecer a existência de Deus, mesmo tendo os olhos do entendimento voltados para as suas inumeráveis obras, serão indesculpáveis. 
     É o que argumenta o apóstolo Paulo no primeiro capítulo de sua Carta aos Romanos, cujos versículos 19, 20 e 21 são considerados a base da chamada "Teologia natural" defendida pelo apóstolo: 
     "... visto que o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lhes manifestou. Pois os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas, de modo que eles são inescusáveis. Pois tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes seus raciocínios se tornaram fúteis, e seus corações insensatos se obscureceram."
     Comentando esta passagem de Romanos, o grande pregador grego do século IV, João Crisóstomo, perguntava:
     "Deus então chamou os pagãos à viva voz? Decerto que não. Contudo, ele criou algo capaz de chamar a atenção mais do que as palavras. Ele colocou o mundo criado no centro, e deste modo podem o sábio e o ignorante, o grego e o bárbaro remontar do simples aspecto das coisas visíveis até Deus."
     A verdade é que a capacidade natural que permite ao ser humano reconhecer a existência de Deus a partir do testemunho da Criação atrofia-se pouco a pouco naqueles que se negam a usá-la. 
     O coração endurecido dessas pessoas, cujo maior objetivo na vida é gozar de tudo o que de perecível o mundo lhes oferece, não tem interesse algum em adquirir qualquer conhecimento acerca do Deus soberano que reina sobre todas as coisas.
     Porém, o fato de essas pessoas deixarem que essa capacidade natural de reconhecimento da existência do Criador se atrofie, por falta de uso, não significa que elas, apesar de possuírem um coração endurecido, não tenham sido dotadas dessa capacidade. Todos os seres humanos a possuem, e é por isso que muitos terão de responder diante de Deus por esse desconhecimento, conforme escreveu o apóstolo Paulo.
     Não poderíamos concluir este artigo sem citar uma belíssima oração do grande teólogo protestante francês Fénelon, e um belíssimo poema do nosso grande poeta romântico fluminense, que morreu aos 21 anos, Casimiro de Abreu. Em primeiro lugar, eis o texto sublime de Fénelon:
     "Meu Deus! Se tantos homens não te descobrem nesse belo espetáculo que lhes dás da Natureza inteira, não é que estejas tão longe deles. A tua luz resplandece nas trevas, mas as trevas são tão densas que a não compreendem. Manifesta-te em toda parte, mas em toda parte os homens, por descuidosos, não te veem.
     "Toda a Natureza fala de ti, e tece louvores ao teu santo nome, mas os homens, voluntariamente surdos, nada ouvem. Eles achar-te-iam, ó doce luz, ó eterna beleza sempre antiga e sempre nova, ó fonte de delícias, ó fonte de vida pura e bem-aventurada de todos os que vivem verdadeiramente... eles achar-te-iam, se te procurassem. 
     "Vivem de ti, mas sem pensar em ti. Adormecem no seio paternal e, cheios de sonhos mentirosos que os agitam no dormir, não sentem a mão poderosa que os ampara. A ordem e a beleza que derramas sobre a face das tuas criaturas é para eles como um véu que encobre os seus olhos doentes de incredulidade.
     "Ó miséria, ó noite espantosa que envolve os filhos de Adão! O homem só tem olhos para ver sombras, e a verdade parece-lhe uma miragem! O que nada é, é tudo para ele, e o que tudo é, nada lhe parece!
     "Ai da alma ímpia que longe está de ti, sem esperança, sem eterna consolação. Porém, feliz é aquela que te procura, que suspira, que tem sede de ti; e mais feliz ainda é aquela sobre a qual brilha a luz da tua face, cujas lágrimas a tua mão enxugou, cujos desejos o teu amor já cumpriu. 
     "Quando será, Senhor, o belo dia claro e eterno em que tu hás de ser o Sol, e em que banharás os nossos corações na plenitude de tua presença e glória? Nós, os que te servimos e adoramos, vivemos suspirando por este dia."
     
E para encerrar, eis o encantador poema de Casimiro de Abreu:

NADA É MAIOR QUE DEUS

     Eu me lembro! eu me lembro — Era pequeno 
     E brincava na praia; o mar bramia. 
     E, erguendo o dorso altivo, sacudia

     A branca espuma para o céu sereno.
     E eu disse à minha mãe nesse momento:
     "— Que dura orquestra! Que furor insano!

     Que pode haver maior do que o oceano, 
     Ou que seja mais forte do que o vento?" 
     Minha mãe a sorrir olhou pros céus

     E respondeu: " — Um Ser que nós não vemos 
     É maior do que o mar, que nós tememos, 
     Mais forte que o tufão! Meu filho, é — Deus!"


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