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terça-feira, 3 de maio de 2022

Mano, sua mãe quer você VIVO neste Dia das Mães

 


"Sabe, mano, hoje é o Dia das Mães. De todas, menos da sua. Lembra dela? Que perdeu toda alegria de viver quando perdeu você? Você, que trocou ela por um punhado de amigos, algumas bolinhas, um punhado de erva e algumas picadas. Sabe, cara, hoje, um grande número de mães está chorando. Chorando, porque não podem sorrir de tanta felicidade que elas têm. Com os filhos à sua volta, com alguns presentes abertos. Com seus filhos vivos. Sabe, irmão, a sua está chorando também. Porque não pode sorrir. Porque não tem por que sorrir. Ela está derrotada. Ela ainda não morreu, só porque tem a esperança de fazer você nascer outra vez. Sabe, mano, mãe é assim mesmo. Lembre-se dela hoje. Você não precisa provar que ainda é filho dela. Mas você pode começar a provar a você mesmo que é um homem. O que ela sempre quis. O que ela sempre sonhou. Sabe, bicho, é bacana aquela empolgação de ser homem dentro dos padrões de hombridade que a mente infantil e doente dos seus amigos construiu. É bacana provar sua machice ou sua liberdade fumando o primeiro cigarro de maconha, tomando a primeira bolinha, aplicando a primeira picada. É um sarro para os seus amigos. Mas será que tudo isso é bacana para a sua namorada ou aquela menina de quem você gosta? Será que prova para ela que você é mais homem do que os outros que você acha quadrados, por fora? Será, mano?

Sua mãe, hoje, pensa no menino que você foi. E que ela nunca contestou. Mas que desejou um dia, gerou num momento e amou. Amou toda a vida. Até começar a perdê-lo numa guerra para a qual ela nunca esteve preparada. Infelizmente. Mas não se esqueça de uma coisa muito importante: seus amigos foram covardes quando tiraram você dela. Não foram legais. Eles usaram armas que ela desconhecia. E que desconhece até agora. Foi uma guerra desleal. Desonesta. Por isso hoje ela sente. E sofre. E espera também. Espera que um dia você volte a ser a criança que foi a razão da vida dela. E que um dia vai ser também a razão da sua vida. Você não vai ser pai? Volte, irmão, volte hoje. Dê este presente para ela no Dia das Mães. Volte a ser o filho dela. Ela só quer você. Vivo".


sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Como saí da vida loka e escapei da morte

 


Shara Pennekamp era viciada em drogas, desde os 16 anos. Agora, aos dezenove, ela trabalha como voluntária no combate ao vício, fazendo palestras em escolas, clubes e igrejas, contando como as drogas quase lhe arruinaram a vida. Neste depoimento ela diz por escrito o que costuma contar de viva voz aos jovens, nas conferências que faz.

"Eu só tenho 19 anos, mas dizem-me que pareço muito mais velha. As drogas quase me arruinaram a vida. Levaram-me à tentativa de suicídio, estragaram meus dois casamentos, arruinaram para sempre meu fígado, os rins e a vista. Ainda sou legalmente muito jovem para comprar bebidas alcoólicas, no Estado norte-americano onde nasci, mas, em certa ocasião, eu gastava 300 dólares por dia em drogas.

Só há três possibilidades para uma garota ganhar uma tal quantia: roubando, prostituindo-se ou "passando" drogas para outros infelizes viciados. Eu "passava" drogas. Isso aconteceu em Haight-Ashbu, um distrito de São Francisco, ponto de reunião de "hippies", onde me firmei, depois que fugi de casa, deixando com mamãe meu bebê, Richie, que nasceu não muito depois de eu haver completado 16 anos.

 

SEPARAÇÃO

Os entorpecentes fizeram-me sair de casa. Depois de me separar de meu primeiro marido, encontrei um "cara" que me levou a um local do Louisville chamado "The Chicken Coop". Era uma casa de três andares, onde dez jovens viviam em "comunidade" e fumavam marijuana. A marijuana nunca me interessou ou apeteceu, mas eu a fumava, porque era o que todos os outros faziam. Eu me entreguei à droga metedrina para valer.

A polícia deu uma batida no Chicken Coop e todo mundo, inclusive meu namorado, foi parar atrás das grades. Os rapazes foram acusados de contribuir para minha delinquência, pois eu era menor de idade. Fui levada à delegacia policial e interrogada. Contei tudo à polícia. Depois disso, um amigo do meu "amiguinho" veio me ver e disse-me: “Você é a única testemunha que os tiras da polícia podem conseguir. E se você não der o fora desta cidade imediatamente, vai jogar todos nós na prisão”. Disse-me também que um homem chamado Skip me levaria para fora da cidade. Voei então para Los Angeles com esse tal Skip.

Ele levou-me para uma casa, algo assim como o Chicken Coop, onde uma porção de jovens viviam juntos ali e tomavam entorpecentes de um tipo ou de outro. Até aquela ocasião, eu nunca espetara uma agulha em meu braço. Simplesmente não suportava ver ninguém se drogar daquele jeito. Mas Skip me iniciou na heroína. Ele me deixou dopada durante semanas, mantendo-me drogada por meio de injeções. Receava que eu saísse do torpor, fugisse de volta à minha cidade natal e fosse servir de testemunha para a polícia.

 

VÍCIO

Quando saí daquele estupor, juntei-me a um bando de rapazes que partia para São Francisco. Foi assim que cheguei àquela cidade, onde permaneci por mais de um ano. Mudei-me para um quarto com um viciado em heroína e suponho que eu tenha vivido com aproximadamente vinte homens diferentes, durante o período que passei ali. Eles pagavam o aluguel. Tudo o que me cabia custear era meu vício, que afinal chegou a custar-me de 200 a 300 dólares por dia.

Mas, naquele tempo, eu tinha um negócio muito bom, fazia muito dinheiro, era dona da “boca” na rua. Meu lucro, às vezes, subia a 300 ou 500 dólares, por dia. Eu recebia as drogas de um dos rapazes da casa. Esses entorpecentes passavam, então, de um traficante para outro e nunca se sabia o que se estava recebendo. Uma manhã, eu recebi uma “carga” muito ruim. Depois que tomei a droga fiquei paralisada e cheia de dores pelo corpo todo. De outra vez, caí com hepatite – pegada de uma agulha mal desinfectada, eu suponho. Nem sequer procurei um médico.

Nesse ínterim, o senhor Talbott, senhorio daquele antro, foi muito bom para mim e passei a gostar dele. Ele se interessou por mim e disse-me: “Eu simplesmente não suporto ver você se arruinar deste jeito”. Isso se deu, depois que eu larguei da heroína e voltei a fazer uso das anfetaminas, fazendo a “viagem” por via injetável, em lugar de tomar pílulas. Algumas vezes, devo ter ficado dopada durante uma semana, e provavelmente não comia nada durante aquele tempo. Perdi peso, meu cabelo ficou sem viço, tornou-se comprido, fino e ralo, e realmente eu tinha um péssimo aspecto. Na verdade parecia uma velha. O senhor Talbott finalmente convenceu-me a sair da Califórnia e voltar para casa.

 

MUDANÇA

Tornei a casar-me e mudei-me para Cincinnati. Mas, minha antiga vida de vício voltava a me perseguir. Eu estava grávida de sete meses, quando tomei conhecimento dos bebês horríveis e deformados de mães que haviam tomado LSD. Vocês podem imaginar como me senti – grávida e tendo feito muito uso de LSD. Isso foi a gota d’água. Descontrolei-me emocionalmente e fui parar num hospital, com colapso nervoso. Os médicos descobriram que eu tinha cirrose hepática – consequência ainda daquela hepatite mal tratada.

Um dia, ao deixar o hospital, passei a sofrer de alucinações que me levaram de volta ao passado, ao tempo em que eu fizera uso do LSD. Decidi suicidar-me. Estava certa de que iria morrer, de qualquer maneira. Ingeri dois vidros cheios de pílulas sedativas e soporíferas, mas quando comecei a me sentir tonta e enjoada, entrei em pânico e telefonei pedindo socorro. O esquadrão de “salvação” ou “salva-vidas” da polícia chegou às pressas à minha casa.

Salvaram-me. Mas, neste meio tempo, meus pulmões entraram em colapso. Ainda tenho uma cicatriz no pescoço da operação de emergência a que me submeteram. Apesar de tudo, meu bebê – um menino – nasceu sadio. Lance está agora com um ano. Seu irmão, Richie, tem 4. Eu dou graças por estar viva e com dois filhos bonitos – embora me esteja divorciando do segundo marido. Estou de volta a casa, em Sallesburg, morando com meus pais e as crianças.

Enquanto eu estava em Cincinnati, uma professora perguntou-me se eu faria uma preleção para sua classe sobre minha experiência com drogas. Concordei com a esperança de que o que eu experimentara com os entorpecentes servisse para afastar outros de tentar fazer uso deles. A esta altura, suponho que já haja relatado minha história cerca de umas cem vezes, em escolas, igrejas e clubes. Nunca mais voltarei a tomar drogas, agora que já me libertei do vício. Eu sei o mal que elas podem fazer – e sei como é horrível. Espero ter deixado isto bem claro para os milhares de pais e de filhos que leram este depoimento. Se minha história convencer os jovens a se manterem afastados das drogas, dar-me-ei por muito feliz.

 

Transcrito do Jornal O Globo, de 25/05/1971


terça-feira, 16 de março de 2021

Combatendo o Estresse em 150 Citações - Livro gratuito

 



Em uma conferência, ao explicar para a plateia a forma de controlar o estresse, o palestrante levantou um copo com água e perguntou: "Qual o peso deste copo d'água?". As respostas variaram de 250g a 700g.

O palestrante, então, disse: "O peso real não importa. Isso depende de por quanto tempo você segura o copo levantado. Se o copo for mantido levantado durante um minuto, isso não é um problema. Se eu o mantenho levantado por uma hora, vou acabar com dor no braço. Mas se eu ficar segurando um dia inteiro, provavelmente eu vou ter cãibras dolorosas e vocês terão de chamar uma ambulância".

E ele continuou: "E isso acontece também com o estresse e a forma como controlamos o estresse. Se você carrega a sua carga por longos períodos, ou o tempo todo, cedo ou tarde a carga vai começar a ficar incrivelmente pesada e, finalmente, você não será mais capaz de carregá-la. Para que o copo de água não fique pesado, você precisa colocá-lo sobre alguma coisa de vez em quando e descansar antes de pegá-lo novamente. Com nossa carga acontece o mesmo. Quando estamos refrescados e descansados nós podemos novamente transportar nossa carga".

Assim acontece com o estresse: Na vida moderna, é natural que ele se manifeste num momento ou noutro, mas o perigo está em seu excesso, sempre pronto a se apresentar, sem que muitas vezes possamos perceber ou, pior ainda, impedir.

Sobre tal problema que afeta a tantas pessoas é que se debruça este pequenino livro. Aqui estão coligidas diversas frases que poderão lhe ajudar a perceber, compreender, conviver, enfrentar e, fundamentalmente, superar o estresse.

Ao fim deste volume, uma breve reflexão (Uma vida resistente ao estresse) lhe ajudará a conseguir o equilíbrio e a paz emocional e existencial de que todos nós tanto necessitamos.

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Só bebo nos fins de semana, ou: A Tática do Avestruz

 


Nas arquibancadas do estádio do Maracanã existem balcões onde se vende cerveja durante os jogos de futebol. Reparem como lá ficam pessoas bebendo o tempo todo, de costas para o campo. Para assistir ao jogo, bastaria virar o corpo – mas não o fazem. Talvez não gostem de futebol? No entanto, afirmam categoricamente ser torcedores ardorosos de um dos times e não perderiam uma partida por nada deste mundo.

Vejamos outra cena, um dia de verão, na praia: muita gente passa o dia todo bebendo, debaixo de barracas quentíssimas, sem pegar sol ou cair na água. Apesar disso, dizem adorar uma praia, a ponto de frequentá-la todo fim de semana.

Estas situações refletem o mais constante sintoma da doença alcoolismo – a negação – e podem até ter algo de engraçado, mas constituem verdadeira tragédia para o alcoólico, que frequentemente morre negando sua enfermidade.

A experiência mostra só se recuperar aquele que for capaz de ultrapassar esta formidável barreira, ao conseguir admitir-se impotente frente ao álcool.

Ao negar sua perda de controle, o alcoólico não é mentiroso, pelo menos conscientemente, mesmo porque esta perda acontece de forma lenta e progressiva. No inicio, ainda há algum controle, com ele bebendo só nos fins de semana ou após certas horas do dia. Aos poucos, o doente vai, porém, criando um manto de fantasia, que o faz ser o primeiro a acreditar não ter problemas com álcool.

Trata-se de um mecanismo psíquico de proteção, para enfrentar a dura realidade de estar tendo comportamentos irresponsáveis.

Paradoxalmente, não consegue viver sem a bebida, mesmo reconhecendo ser, em certas ocasiões, o consumo exagerado. A explicação, para ele, está nos sérios problemas que vem enfrentando no momento; se os problemas desaparecessem, voltaria a beber controladamente.

Assim, enquanto aguarda o milagre, vai bebendo cada vez mais.

Este mecanismo de negação, que se desenvolve dentro da personalidade do individuo, não se limita apenas à afirmativa, para si e para os outros, de que não é alcoólico. È necessário também inventar uma série de desculpas, para manter uma aparente lógica nas coisas que se anda fazendo.

Este manto de fantasia, fabricado por ele mesmo, fica cada vez mais duro, mais resistente, até isolar o doente do mundo real, como se fosse uma larva do bicho-de-seda envolvida no casulo.

É claro que as coisas continuam existindo como são, o emprego, a família, os amigos, mas tudo isso torna-se a cada dia menos importante. Os mais íntimos questionam: “Por que ele faz isso conosco? Será que não gosta mais da gente?” Ou afirmam: “Se você me amasse, parava de beber!” São questões que incomodam, despertam sentimentos de remorso, culpa e autopiedade, mas não sabe resolver, por julgar impossível separar-se do companheiro álcool. Então ele nega os fatos, inventa justificativas, faz promessas as quais não consegue cumprir, tudo o que for possível para se fechar cada vez mais dentro de um outro mundo, só existente no seu delírio – mas que é só seu, seu mundo de negação.

Para conviver melhor com sua fantasia, o alcoólico passa a só frequentar lugares onde haja bastante bebida e selecionar amizades entre gente que também bebe. Se for convidado para um aniversário de criança, sabendo que só vai encontrar bolo de chocolate e Coca-Cola, recusa, dizendo não ter paciência para aguentar este tipo de festa. Mas é capaz de pegar 3 ônibus para ir a um churrasco na casa de um desconhecido. Pensa em álcool todas as horas do dia: quando será que vou poder tomar a primeira? A que horas o bar do hotel fecha? Não esquecer, os supermercados fecham aos domingos! Lá no sítio vai ter bebida? È melhor garantir, levando uma garrafa na mala!

Para melhor entender o processo, substituamos a palavra “álcool” por “azeitonas”. Quando será que vou comer a primeira azeitona hoje? Será que lá no sitio há azeitonas? É melhor garantir: levo umas latas na mala! Fica bastante estranho: qualquer pessoa que só pensasse em azeitonas seria identificada como portadora de um problema psíquico. Mas o dependente químico do álcool continua afirmando ser normal seu comportamento.

Na tarefa de continuar negando seu alcoolismo, o alcoólico tem também de aprender a ser esperto, desenvolvendo a habilidade de esconder o quanto anda bebendo. Muitas vezes para de beber dentro de casa, mas a toda hora tem de sair para comprar cigarros. Na rua, frequenta muitos botequins, evitando tomar mais que duas ou três doses no mesmo lugar, para não ser identificado como beberrão. Às vezes começa a beber em um bairro, termina em outro. Bebe no bar, antes da festa, para dar a impressão de estar bebendo pouco. Escolhe vodca, porque ouviu dizer que não dá cheiro. Anda sempre com balas e pastilhas de hortelã, para disfarçar o hálito. Enfim, esconder seu alcoolismo dos outros passa a ser procedimento de rotina, a ocupar boa parte da sua atenção.

Já para provar a si mesmo não ser alcoólico, os mecanismos de negação são outros:

• 1. Tenta beber menos quantidade, embora com a mesma frequência.

• 2. Tenta beber com menos frequência, embora a mesma quantidade.

• 3. Tenta não beber durante a semana de trabalho, mas fica contando os dias e horas que faltam para a sexta-feira chegar.

• 4. Tenta usar outras drogas para diminuir a quantidade de bebida, tomando tranquilizantes de manhã, para parar de tremer, ou anfetaminas de noite, para poder dirigir o carro.

• 5. Muda a marca ou tipo de bebida, assumindo que a anterior é que lhe fazia mal. Ilude-se trocando um litro diário de cachaça, por 5 litros de cerveja, achando que assim bebe menos álcool. Sendo rico, substitui uísque nacional, por outro importado.

• 6. Fica temporariamente em abstinência, por exemplo, quando internado, para desintoxicar, quando obrigado a tomar antibióticos ou apenas “para dar um tempo”, depois de uma consulta médica preocupante. Estes períodos de abstinência têm data marcada para acabar e seu fim é ansiosamente esperado. Quando terminam, o alcoólico acha que depois de tanto sacrifício agora ele merece tomar “uma só” e tudo começa de novo, detonado pelas poderosas forças da dependência química.

Os períodos de abstinência servem para afirmar e reforça cada vez mais a negação, embora só sejam conseguidos à custa de intenso sofrimento emocional. O objetivo é provar a si mesmo e aos outros não ser alcoólico, que domina perfeitamente a situação e para de beber quando quer. As frases clássicas são: “Na verdade, eu não preciso beber, acontece que eu realmente gosto de álcool”. Ou então: “Se você tivesse em sua vida os problemas que tenho, iria beber ainda mais do que eu”.

À medida que a doença progride, mais este manto de fantasia impede o doente de ver sua realidade. Ele muda de comportamento e atitudes, perde seus valores, cada vez mais enredado na teia da dependência. Basta ler o Livro Azul de Alcoólicos Anônimos, para ver como duas emoções básicas, orgulho e medo, tão saudáveis quando baseadas em fatos reais, podem tornar-se exasperadas e delirantes, originando as mais variadas turbulências de raiva, inveja, ciúme e ódio.

O alcoólico age ao sabor da primeira emoção descontrolada que lhe vem a cabeça e, quando as coisas não dão certo, bota a culpa nos outros ou nas situações de vida. Expectativas fantasiosas tornam-se regra e, como não se realizam, trazem frustrações, autopiedade e necessidade ainda maior de bebida.

Neste ponto, o manto da fantasia confunde-se com a carapuça da negação, dura, resistente, impenetrável pelo lado de fora, como o casulo. Porém, lá dentro, o bicho-da-seda pode encontrar forças para rompê-lo e, ao livrar-se, sair da escuridão para a luz.

Como o alcoólatra, que, vencendo a negação ao reconhecer sua impotência frente ao álcool, encontra o caminho da recuperação e da vida.

E de repente descobre que não gosta tanto assim de praia, nem de frequentar o estádio do Maracanã…

Dr. Alberto Duringer
Médico no Rio de Janeiro, Conselheiro no Conselho Estadual de Entorpecentes.
Vivência n° 19 – Janeiro/Março 1992

Fonte: Alcóolicos Anônimos

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Qual é o local onde a esperança mora?


O LOCAL ONDE A ESPERANÇA MORA

Onde um miserável se sente um príncipe?
Onde a empregada é tão importante quanto a patroa?
Onde o negro pode ser líder do branco e ninguém achará estranho?
Onde o choro é sempre sinal de esperança?
Onde você entra e parece que os problemas deixam de existir?
Onde o doente é curado sem médico?
Onde o louco é tratado sem remédios?
Onde o deprimido é ouvido sem psicólogo?
Onde o triste sai alegre?
Onde o abatido sai animado?
Onde o derrotado sai se achando um vencedor?
Onde você é membro, com direito a usufruir de tudo sem ser obrigado a pagar por nada?
Onde a família é restaurada?
Onde o bandido se redime, o drogado é liberto e o suicida encontra a vida?
Quantos deixaram de se matar, por que a porta estava aberta?
Quantos tomaram outra decisão, por que a porta estava aberta?
Quantos encontraram resposta, por que a porta estava aberta?

Quantos na hora da dor encontraram Ele, por que a porta estava aberta?


A Igreja está de portas abertas. Nela pessoas falhas ajudam outras pessoas falhas, para que todos juntos possamos caminhar em direção a Cristo, que nos perdoa e nos salva. Não deixe de caminhar, não deixe o convívio de uma igreja. Se você nunca foi a uma, busque alguma perto de você. As orações dos irmãos ali lhe ajudarão, bem como a Palavra de Deus ali pregada.

Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia.” - Hebreus 10:25

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

O SALMO DO VICIADO



O SALMO DO VICIADO 

Um desconhecido viciado em drogas, perdido no mundo do sonho da cocaína, escreveu o seguinte:

A cocaína é o meu pastor; tudo me faltará. Ela me faz repousar nas sarjetas. Leva-me para junto das águas turbulentas. Ela destrói a minha alma. Guia-me pelas veredas da injustiça, pelo seu amor próprio. Sim, eu andarei pelo vale da pobreza, temerei todos os males, porque tu, cocaína, estás comigo. A tua brancura e o teu tubinho procuram consolar-me. Saqueias a mesa de mantimentos da minha família, roubas da minha cabeça o juízo.
O meu cálice de tristezas transborda. Certamente o vício da cocaína me seguirá todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa dos Desgraçados para todo o sempre.

Esta paráfrase terrivelmente destorcida do Salmo 23, que se encontra na Bíblia, foi encontrada datilografada por um policial em uma cabine telefônica. Nas costas do cartão em que isso se encontrava escrito, estava manuscrito este adendo:

“Certamente este é o meu salmo. Sou um jovem de 20 anos de idade, e durante o último ano e meio eu tenho vagueado pelo pesadelo da droga. Quero parar de cheirar pó, tento, mas não consigo. A cadeia não me curou. Nem a hospitalização me ajudou de maneira permanente. O médico disse à minha família que seria melhor, e mais humano, se a pessoa que me encaminhou no vício tivesse pegado um revólver o estourado os meus miolos. Como eu gostaria que ela tivesse feito isso! Meu Deus, como eu gostaria!”

Há esperança — até para o viciado em drogas. Mas há outras pessoas além dos viciados em drogas que estão amarrados nas cadeias do pecado. Há esperança para você também. Há um que obteve a vitória sobre todo o tipo de escravidão. Esse é o Filho de Deus, que veio em forma humana a esta terra, como Jesus Cristo. Ele deixou-Se ser pregado em uma cruz para sofrer a fim de que Deus fosse capaz de oferecer perdão para você — porque o Seu Filho sofreu pelo pecado, em seu lugar.
E com o perdão há vitória e poder sobre o pecado. De fato, é isso que é conversão — é a submissão da vontade própria à vontade de Deus. Quando você honestamente encontra-se com Deus nestes termos, pedindo perdão pelos seus pecados por causa do sacrifício de Cristo por você, Deus o perdoará. E então você poderá pedir-Lhe forças —as forças dEle — para vencer.
Eu não sei como reagir diante da pessoa que escreveu O SALMO DO VICIADO; eu gostaria de poder dar a ela estas boas notícias. Não obstante fico contente de poder reparti-las com você.
Há um propósito na vida. Deus criou você para ser um dos Seus filhos — para sempre. Todos nos rebelamos. Mas Deus espera para perdoar-nos e restaurar-nos à Sua família real. O futuro é gloriosamente fabuloso através de Cristo, nosso Salvador e Senhor! Assegure-se de que você não vai ficar de fora. Hoje é o dia da salvação. Hoje é o seu dia de vitória por Cristo Jesus.
Peça a Deus o perdão divino, e diga a Jesus que você quer que ele seja o seu Senhor, agora e para sempre. Peça-lhe para ajudá-lo a vencer. Leia a Bíblia para obter forças, sabedoria e conhecimento. Depois, ajude outros que também precisam conhecer o caminho para a vida completa, a vida eterna.

Reflita nestas passagens bíblicas:

Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus.” Romanos 3.23

Pois o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna, que temos em união com Cristo Jesus, o nosso Senhor.” Romanos 6.23

O Pai ama o Filho e pôs tudo nas mãos dele. Por isso quem crê no Filho tem a vida eterna; porém quem desobedece ao Filho nunca terá a vida eterna, mas sofrerá para sempre o castigo de Deus.” João 3.35,36

Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” João 3.16

Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” 1 João 5.12

Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.” 1 João 3.8b

Ele é o libertador, aquele que nos abraça e nos cura.


domingo, 10 de maio de 2020

Livro gratuito: VIDA PLENA COM JESUS


Enquanto você ainda não demonstrava o mínimo interesse por Deus em nenhum momento da sua vida, Ele já estava preocupado com você. Nesse volume, os autores trazem informações de como se pode encontrá-lO e de que maneira sua vida pode ser organizada com a presença de Jesus Cristo
Também são apresentadas as bases da fé cristã de maneira clara e de fácil compreensão. Assim, esse livreto é uma ferramenta muito importante para aqueles que estão no início da sua caminhada com Jesus e que querem ter uma vida plena com seu Salvador.
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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Em busca de perdão


Uma boa notícia precisa ser dada aos encurvados. Não aos fisicamente encurvados, por causa de algum problema de coluna. Mas aos emocionalmente encurvados, aqueles que estão carregando sobre os ombros há pouco tempo ou há muito tempo o peso das coisas erradas feitas por querer ou por não querer. Quem precisa dar essa boa notícia são os pais aos seus filhos, os pastores às suas ovelhas, o pároco aos seus paroquianos, os  profissionais de saúde mental aos seus pacientes, os amigos aos seus amigos.

A boa notícia é que o perdão existe. Perdão de toda coisa errada, de todo pecado, de toda transgressão, de todo equívoco, de todo crime, de toda loucura. Esse é o âmago do cristianismo. Essa é a razão pela qual Jesus veio ao mundo. Esse é o motivo pelo qual Jesus foi levado ao matadouro. Essa é a boa notícia que os missionários têm de levar até os confins da terra.

O perdão em sua plenitude é algo eticamente inadmissível. Só existe por causa da graça de Deus. A graça é maravilhosa demais, é alta demais, é larga demais, é comprida demais, é profunda demais. A graça não é prêmio, não é recompensa, não é brinde, não é sorteio, não é mercadoria, não é troco, não é pensamento positivo. A graça não é uma agradável mentira que os pastores, os párocos, os conselheiros e os psicólogos pregam para nós. Nem uma agradável mentira que nós pregamos para nós. Graça é graça e pronto.

O que pouco se sabe, o que pouco se prega, o que ainda não foi plenamente atinado, tanto pelo necessitado do perdão como pelos pregadores do perdão, é que o perdão nunca vem sozinho. Ele está atrelado a outros resultados. Quando o perdão chega, chegam também os seus componentes, os seus acompanhantes, o seu séquito, a sua trupe.

Encurvados, prestem atenção! Pastores, párocos, missionários, psicólogos, pais e mães, avôs e avós -- todos -- prestem atenção. Os que estão internados em alguma clínica, os que estão encarcerados, os que estão no corredor da morte, os que estão no caminho do suicídio, os que estão no confessionário, prestem todos muita atenção! O perdão dado por Deus, o perfeito perdão, o perdão completo, o perdão proporcionado pela graça e tornado possível por causa da Sexta-feira Santa, torna-nos:

Livres da culpa -- a culpa some, a culpa vai embora, a culpa afoga-se no fundo do oceano (Mq 7.19).

Livres do remorso -- aquela dor no íntimo, aquela inquietação da consciência culpada, aquele remordimento constante some, vai embora, afoga-se no fundo do oceano.

Livres da vergonha -- aquele rosto corado de vergonha, aquele rosto ruborizado, aquela marca de Caim some, vai embora, afoga-se no fundo do oceano.

Livres da lembrança -- aquela triste história, aquele capítulo da vida, aquele horrível episódio some, vai embora, afoga-se no fundo do oceano.

A graça de Deus é perfeita, é completa, é curativa. Deus não faz nada pela metade. O perdão cura tudo, não apenas parte, não apenas a metade, não apenas 99% do trauma. Imaginemos se Pedro ficasse livre apenas da culpa, e continuasse por toda a vida com o remorso, a vergonha e a lembrança daquele fracasso da tríplice negação!

Essa pastoral está firmada na promessa de Deus a Jerusalém até então coberta de vileza:
“Não tenha medo, pois não provarás mais vergonha, não te sintas mais ultrajada, pois não precisarás enrubescer, esquecerás a vergonha de tua adolescência, a chacota sobre a tua viuvez, não te lembrarás mais dela!” (Is 54.4, TEB).

Elben César

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Como libertar-se dos vícios



O vício age como um parasita na vida de uma pessoa. Depois de subjugar sua vontade, a obriga a construir com as próprias mãos o cárcere onde ela mesma se prenderá. Suga-lhe a vida aos poucos, tirando-lhe lentamente as forças. Rouba o bem precioso da saúde! O vício é um inimigo mortal. Ele mata. Não é assim que acontece? As drogas matam. A bebida, mata. O cigarro, mata. 
Você não foi criado para viver assim. Deus o criou para ser livre. Por isso, Ele enviou Jesus para salvá-lo e dar-lhe uma vida plena, livre dos vícios e com propósito.
Em João 8.34 e 36, Jesus disse: "Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado. Se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres." 
Você deseja ser liberto, deseja dar início a uma nova vida agora mesmo? Se deseja, ore assim: "Jesus, torne-se o meu Senhor. Liberta-me. Salve-me. Muda-me. Amém!"
A Bíblia diz em 1João 3.8: "Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo."
Siga a Jesus e você será salvo. Leia a Bíblia e vá a uma igreja evangélica.
Edino Melo

sexta-feira, 31 de maio de 2013

10 Razões porque me embriago


10 Razões porque me embriago

  1. Porque quero destruir a minha saúde;
  2. Porque quero fazer a minha família sofrer privações;
  3. Porque quero ser mau exemplo para os filhos e perder o respeito deles;
  4. Porque quero afastar de mim bons amigos e vizinhos;
  5. Porque quero ficar inconsistente, revolvendo-me na lama e no meu próprio vômito;
  6. Porque quero fomentar corrupção na sociedade, pervertendo seus bons costumes;
  7. Porque quero ajudar a desperdiçar o dinheiro e outros bens que serviriam para o bem-estar comum;
  8. Porque quero promover crimes, enchendo as prisões e os hospitais psiquiátricos;
  9. Porque quero ser culpado de inúmeros desastres de trânsito, de ferimentos, mortes e incontáveis desgraças;
  10. Porque quero afogar as melhores oportunidades da vida, deixando passar a felicidade da vida presente e a salvação eterna.
«Eu, alcoólatra?» Imediatamente você nega. «Eu, nunca!» Mas mesmo assim acontece que você, frequentemente bebe mais do que deveria. Muitas vezes sente um forte desejo para tomar bebidas alcoólicas.
Você pode até apresentar algumas desculpas: «Eu posso fazer o que eu quero.» «Eu bebo menos do que os outros.» «Eu sei quando devo parar.» Porém, no seu intimo, você sabe que está se expondo ao perigo. Mas, reconhecer isto, de maneira alguma, pois significaria reconhecer diante de você e dos outros, que é realmente fraco e escravo do álcool.
Infelizmente, casos como este, existem em quase todas as camadas sociais. Rejeitados e condenados são aqueles que não sabem dominar-se. Mas também, quem rejeita bebida forte é criticado por não ser uma pessoa chique, moderna, independente, inteligente e descontraída. Justamente, as promessas da bebida alcoólica, movidas pelos interesses de impérios por trás dela.
Porém, na contramão desta proposta o que vemos é um inegável prejuízo: Jovens são expulsos da escola ou da universidade por causa do excesso de bebidas.
Trabalhadores e profissionais excelentes são demitidos dos seus empregos por beberem demais. Funcionários públicos são afastados da carreira por terem caído no alcoolismo. Pais, antes devotos provedores do seu lar, depois de frequentar bebedeiras, transformaram-se em indivíduos irresponsáveis, temidos e desprezados por suas próprias famílias. Mães dedicadas ao lar, através do vicio do álcool, transformaram-se em almas viventes, indignas dos seus próprios filhos. Nos hospitais encontramos pessoas que provavelmente, jamais recuperarão a saúde por terem ingerido grandes doses de álcool, contraindo a cirrose no fígado. As prisões estão cheias de homens e mulheres, que ao invés de serem pessoas úteis na sociedade, estão pagando por crimes cometidos sob a influência da embriaguez, por exemplo: acidentes de trânsito, assassinatos, violência, tráfico de drogas, crimes, etc.
O álcool não tem que ser seu destino! Você não pode ignorar os fatos reais. Você não pode resolver o problema do alcoolismo sozinho. Mas por outro lado, a má companhia é uma escolha ainda pior. Aproxime-se de ambientes saudáveis e de cristãos verdadeiros, peça-lhes que o ajudem em oração para você se libertar deste vício escravizador e degradante.
Seja forte, corajoso e deixe de entristecer sua família e a todos que lhe amam. Não jogue fora a sua felicidade! Juntamente com pessoas leais você poderá desfrutar da amizade com Jesus Cristo. Confesse a Ele sua fraqueza, invoque o Seu nome com fé e confie n’Ele. Assim, você
será salvo e liberto, pois Ele mesmo prometeu:
«Pois os bêbados?... se empobrecerão.» (Bíblia, Provérbios, cap. 23, vers. 21)
«Ái dos que se levantam cedo para embebedar-se e para se esquentarem com o vinho até a noite.» (Bíblia, Isaías, cap. 5. vers. 11).
«Portanto, se o Filho (Jesus) os libertar, vocês de fato serão livres.» (Bíblia, Evangelho de João, cap. 8, versículo 36)
«...?nem alcoólatras?... herdarão o Reino de Deus.» (Bíblia, 1 Coríntios, cap. 6, vers. 10).
A Bíblia, a Palavra de Deus adverte:

«Não erreis, Deus não se deixa escarnecer, porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.» (Bíblia, Gálatas, cap. 6, vers. 79).

sexta-feira, 30 de março de 2012

Testemunho de Rodolfo Abrantes, ex-Raimundos

Rodolfo Abrantes dá seu testemunho no Programa Altas Horas da rede Globo, apresentado por Serginho Groizman
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domingo, 20 de novembro de 2011

O Álcool rouba, mata e destrói você e tudo à sua volta









Jesus é a maior força com que você pode contar para a sua libertação. 
Dê o primeiro passo, achegue-se a Jesus!
Ele mesmo diz: "Aquele que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora." João 6.37

Imagens de uso livre - via http://imagenscristas.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Carta aos Derrotados



Aos derrotados de todas as idades, tempos e lugares:
Jesus já venceu por nós

Aos que escrevem poemas de amor
na língua morta
de um país que já não existe:
Continuemos Poesia contra os muros,
Jesus já venceu por nós

Aos mutilados e deixados pra morrer
em Waterloo e Stalingrado,
Roraima e São Paulo, na próxima esquina,
nos porões das (in)direitas ditaduras
ou nas sibérias comunistas,
no miolo efervescente da multidão
ou nos últimos últimos últimos bancos
das Igrejas:
Olhemos para o alto,
Jesus já venceu por nós

Aos apunhalados enquanto dormiam
por um dos cem milhões
de Judas que Satanás
comissionou e infiltrou
nos mais improváveis meios, famílias e lugares:
Perdoemos,
Jesus já venceu por nós

Aos que sempre ou apenas
numa única hora errada
(apenas)
deram as costas:
Ele é o nosso Grande Perdão
pois Filho do único Onibenevolente;
Jesus já venceu por nós

Aos que nas malfadadas todas
as tantas e tantas e tantas vezes
roubaram e estupraram,
mentiram e abusaram,
traíram e assassinaram;
àqueles e àquelas prostituídos e travestidos,
aos viciados em substâncias, jogos ou pessoas,
aos cães de todas as estirpes,
aos extirpados, a todo aquele
que habita e palmeia
o fundo frio do poço:
Arrependamo-nos, arrependamo-nos, arrependamo-nos
e creiamos:

Em Cristo Jesus somos mais que vencedores.

Sammis Reachers
(texto e imagem)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Vazio das Baladas - Um Testemunho



Sábado à Noite

Era sábado à noite...
O único lugar aberto depois das 22 horas, era uma lanchonete, recentemente inaugurada na pequena cidade australiana à beira-mar, onde moravam meus pais. Entrei lá com um amigo e já estava para me sentar à mesa, quando me chamou a atenção uma Bíblia aberta sobre a mesa ocupada pelos proprietários.
"São cristãos", disse meu amigo.
Engolindo rapidamente meu café, eu falei: "Vamos sair daqui", e logo fui em direção à porta.

Filha da Noite
Para mim, cristãos eram desmancha prazeres, tão cheios de retidão e imaculados, sempre dando lições de moral. Eu queria viver! Na escola eu costumava zombar dos cristãos, dizendo que os daria como comida aos leões. Quando vinham os Gideões, que anualmente distribuíam Bíblias, eu as rasgava diante deles e punha fogo nas páginas com o meu isqueiro. Como uma filha da noite, eu me vestia de preto e estava inteiramente envolvida com a vida noturna de Kings Cross, Sydney, na Austrália. Lá me encontrava com outros tipos das ruas, que tornaram-se a minha família depois que saí de casa aos 16 anos de idade. Perambulávamos juntos pelas ruas.
Entretanto, quando tornava a visitar a minha cidade natal, invariavelmente voltava a freqüentar aquela lanchonete, pelo simples fato de estar aberta até altas horas da noite. Para meu aborrecimento, os donos, ex-hippies, costumavam orar.
"Você é maluco", falei ao dono uma noite. "Deus não existe! Somente acreditarei em Deus, se puder vê-lo."
"Bem", disse Perry, "ore e conte isto para Deus."
Encolhi meus ombros com descaso, virei-me e saí.

Sob o Brilho do Cruzeiro do Sul
No quintal da casa dos pais, parei um instante antes de entrar. Era uma dessas noites brilhantes sob o Cruzeiro do Sul, as estrelas grandes e luminosas, e o perfume dos eucaliptos enchendo o ar quente marítimo. Olhando para o céu, lancei o desafio: "O.K., Deus, se você está aí, desça e prove isto para mim." Não sabendo quem era esse Deus, eu só queria saber se existia um, quer fosse Alá, Buda, Krishna ou seja qual for. Evidentemente nada aconteceu e eu fui deitar, sentindo-me justificada.

A Prova Final
Naquela noite não tive um sono tranqüilo. A nossa cachorra agitada, propensa a acessos de latidos durante a noite, manteve-me acordada a maior parte do tempo. Sempre que eu abria a porta para acalmá-la, a fim de não receber queixas dos vizinhos, um medo irracional apoderava-se de mim. E se Deus estivesse ali fora? Cerca de duas horas da madrugada, saí mais uma vez. Tudo ao redor de mim estava inundado de luz, embora fosse no meio da noite. Uma figura de cabelos escuros e com barba, vestido com uma túnica branca estava parado diante de mim. Instintivamente eu sentia que era Jesus! Não era uma alucinação, pois já há alguns dias eu não havia ingerido álcool, nem drogas. Vi-O colocar Sua mão sobre a cachorra, que em vez de rosnar como fazia com estranhos, deitou-se calmamente aos Seus pés.

O Tempo Parecia Ter Parado
Mas foram os Seus olhos, o que eu mais reparei. Pude ver neles a majestade, o poder e a santidade do Todo-Poderoso, o grande Eu Sou, o Criador de todo universo, e Juiz da humanidade, que poderia ter-me matado com um olhar. Ao mesmo tempo, vi nos Seus olhos amor e compaixão infinitos, que O levaram ao Calvário para salvar a mim e a humanidade perdida. Mais tarde, ouvi dizer que se os pregos não O tivessem mantido pendurado na cruz, o Seu amor O teria mantido lá. E este amor foi o que eu senti naquele momento, envolvendo-me toda. Este encontro durou apenas alguns momentos, mas para mim parecia como uma eternidade, como se o tempo tivesse parado. Quanto voltei para meu quarto, o meu medo desapareceu e eu tive uma profunda sensação de paz. Então ouvi uma voz dizer: "Peça e você receberá."

Bizarro
Um incidente bizarro e estranho, que eu preferia esquecer, mas não consegui.Na manhã seguinte, quando entrei na sala, dei de cara com as seguintes palavras na tela da TV: "Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão." Eram as mesmas palavras que eu ouvira na noite anterior. Agarrei os lados da televisão como uma louca.
"Ei! O que você está fazendo?" protestou minha mãe.
"Você assiste televisão demais", respondi, e desliguei o aparelho, saindo com uma atitude desafiadora.
Fiquei apreensiva. E se Deus fosse real? As implicações seriam chocantes. Eu tinha que saber mais a respeito desse Jesus. Encontrando uma Bíblia, abri-a ao acaso e eu li: "Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão" (Mateus 7.7 BLH). Entrei em pânico. Fechei a Bíblia com força e joguei-a sobre o aparador, onde ela estivera num canto.

A Decisão
Um pensamento me perseguia: "Você está perdida. Dessa vez você se meteu em algo profundo demais." Um tipo durão que para nada ligava, que ia em busca de prazer, eu era um tanto difícil de ser convencida, mas o que acontecia não era mera coincidência. Eu O havia visto, eu O havia escutado; lera as Suas Palavras duas vezes, na TV e na Bíblia. Teria que tomar uma decisão. Ou eu escolhia Jesus e tornava-me uma cristã, ou voltava as costas para Ele. Mas, jamais poderia afirmar novamente que Deus não existe.
Escolher Jesus significava dizer adeus à minha liberdade, meus prazeres, à animação da minha vida nas ruas. Será que eu agüentaria isto? Quando eu finalmente me entreguei, foi um puro ato de vontade.

Alguns dias depois, voltei à lanchonete. "Preciso me tornar uma cristã", disse a um Perry estupefato. Ele e a esposa Sandi logo me levaram para a minúscula cozinha, onde, espremida entre o fogão quente e a janela de grades, falei a Oração do Pecador, frase por frase, repetindo o que eles diziam. Foi um dos momentos mais sem emoção da minha vida.
"E o que acontece agora?" perguntei.
"Leia a Bíblia e Deus lhe mostrará."
E Ele o fez.

O Número 666
Comecei com o Apocalipse, o último livro da Bíblia, mantendo o meu padrão de leitura, ou seja: descobrir como termina a história. Queria simplesmente ter a certeza de que eu estaria do lado do vencedor. Havia tantos deuses no mercado. Eu jamais duvidara da existência de Satanás. Através de amigos satanistas, eu sabia que ele era para ser temido e respeitado, mas, no meu entender, ele era mais como um "padrinho" da Máfia, do que como o mais alto deus, porque nem sempre as suas artimanhas eram eficazes. O cristianismo era novo para mim, portanto, eu queria só testar Jesus.
O meu espanto cresceu à medida em que lia no Livro do Apocalipse as Suas palavras e as Suas promessas, inclusive a profecia sobre o futuro. Então tive outro choque: o número da Besta. O número 666 há muito me era conhecido, como a canção de uma banda de rock favorita, a "Iron Maiden". Mas nunca soubera que estava na Bíblia. Havia mais coisas nas Escrituras Sagradas do que eu imaginava. O mais importante de tudo é que elas provavam que Jesus é o Vencedor final. Ele destruiria a Besta. Ele voltaria para fazer tudo ficar novo.

O Último Elo
Aos poucos, Ele convenceu-me dos pecados da minha antiga maneira de viver. Gradualmente fui deixando os maus hábitos e as más companhias e, pela primeira vez em minha vida, comecei a freqüentar a igreja. Para proteger-me, eu sempre levava uma navalha comigo. Quando entreguei esta arma ilegal a polícia, e penhorei a minha jaqueta preta, quebrei o último elo com a minha antiga vida. Finalmente, a mudança em minha vida foi tão visível, que até meus pais notaram. Já com quase 18 anos quando conheci Jesus, comecei a descobrir as coisas das quais Deus me havia poupado. Aquilo que para mim fora o mais difícil de deixar - minha liberdade, meu anseio por diversão e agitação - teria me destruído, se eu os tivesse deixado me dominar como antes. Trajicamente, quase todos os meus companheiros das ruas, desde então, já morreram de overdoses. Certa vez, aconteceu de encontrar-me com alguns velhos conhecidos, e perguntei: "Oi! Vocês se lembram de mim?" Olhando-me cuidadosamente, eles responderam devagar: "Andávamos nos perguntando o que teria acontecido com você. Pensamos que você tivesse morrido há anos atrás."

É Preciso Ter Coragem
Sempre pensei que os cristãos fossem molengas, mas vejo que é preciso ter coragem para ser cristão. Tive muitas lutas, e algumas vezes pensei que tivesse que largar tudo. Mas, quanto mais eu lia a Bíblia, mais eu conhecia Jesus como pessoa, e foi isto o que me manteve na caminhada. Descobri que Ele era um Deus de amor, e não uma escultura em pedra. Ele não estava ali me espreitando, à espera de que eu fizesse algo errado. Ele estava do meu lado e queria o que havia de melhor para mim.

Fugindo?
Hoje, quando encontro jovens vestidos de preto perambulando no centro da cidade, ou andando à toda velocidade em suas motos, meu coração fica apertado, pois posso ver-me na maneira em que agem. Quando a gente começa a falar com eles, percebe-se que bem lá no fundo eles estão magoados e sofrendo, mesmo que eles jamais admitam ser isto verdade.A minha maneira de reagir à dor em meu interior, foi a de ser agressiva e rebelde. Alguns tomam drogas. Outros buscam a bebida; enquanto outros se envolvem com sexo. Cada um tem uma maneira diferente para entorpecer a dor. Mas somente Jesus pode curar a dor da sua alma, de tal maneira que você não sofra mais. Bernette.

Esta é uma história verdadeira. Para ler mais, escreva-nos para um exemplar grátis de Tudo Começou Numa Discoteca, de M. Basilea Schlink

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