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quinta-feira, 14 de maio de 2026

ENTREI PARA O TRÁFICO AOS DEZESSEIS ANOS

 


ENTREI PARA O TRÁFICO AOS DEZESSEIS ANOS

 

Uma agonia dilacera minha mente. Sou uma estatística, um número frio. Quando cheguei aqui, me sentia muito sozinho. Estava tomado pela tristeza e esperava encontrar algum conforto.

Não encontrei. O que vi foram diversas outras pessoas com os corpos tão estraçalhados quanto o meu. Recebi um número e fui colocado em uma categoria. A categoria se chamava “Autos de resistência”.

O dia em que morri era um dia normal no morro. Como queria ter ficado em casa! Mas eu achava que era esperto demais para ficar em casa. Agora me lembro de como entrei para o tráfico achando que ia virar alguém.

— Brota lá na boca — me disseram. — Todo mundo aqui faz isso.

Tinha dezesseis anos quando peguei o primeiro rádio e fui pro vapor. A adrenalina parecia liberdade. Parecia poder. Parecia dinheiro no bolso e respeito na rua. Ninguém me ensinara que aquilo tudo não durava. Ou eu não acreditei.

Não importa como aconteceu o confronto, eu estava no lugar errado — fazendo um trabalho que não devia, e em meio a uma grande operação policial. Mas estava vivendo o que achava que era minha vida, minha escolha. A última coisa de que me lembro foi o barulho do helicóptero sobrevoando o morro, gritos de “Lombrou, lombrou! A casa caiu!”, e então o beco virou um inferno de tiros. Ouvi estampidos. Senti um ardor violento no peito, outro na perna. Tudo ficou torto. Ouvi meu próprio grito.

De repente, acordei. Tudo estava em silêncio. Um policial estava de pé ao meu lado. Vi um socorrista da ambulância. Meu corpo estava estraçalhado. Estava coberto de sangue, misturado com a lama da viela. Havia cartuchos de bala espalhados por todo lado. Achava estranho não sentir nada. “Ei, não ponham esse lençol em cima da minha cabeça. Não posso estar morto. Tenho só dezesseis anos. Tinha planejado sair do tráfico. Tinha prometido pra minha mãe. Ainda nem vivi. Não posso estar morto!”

Mais tarde, fui colocado em uma gaveta. Minha mãe veio me identificar. Por que precisava me ver desse jeito? Por que eu precisava olhar nos olhos dela enquanto ela enfrentava o pior calvário da sua vida? Ela veio com o avental de trabalho ainda amarrado na cintura — nem teve tempo de trocar de roupa. Disse ao encarregado com a voz que mal saía:

— É o meu filho. É o meu menino.

O enterro foi estranho. Vi todos os meus parentes e amigos andarem na direção do caixão. Eles olharam para mim com os olhos mais tristes que já vi. Alguns dos meus amigos estavam chorando — os mesmos que me chamaram pra vida que me trouxe até aqui. Algumas meninas tocavam na minha mão e soluçavam enquanto se afastavam.

“Por favor, alguém me acorde! Me tire daqui.” Não posso suportar ver minha mãe sofrendo tanto. Ela trabalhou tanto pra me criar sozinha. Meu irmão mais novo está olhando pro caixão sem entender. Ele tem onze anos. Eu era o espelho dele. Que espelho eu fui. Todo mundo está em transe. Ninguém pode acreditar nisso. Eu também não posso acreditar.

“Por favor, não me enterrem! Não estou morto! Tenho muita vida para viver! Quero rir e correr de novo. Quero ver meu irmão crescer. Quero uma chance de sair do morro por conta própria, com dignidade. Por favor, não me ponham no chão! Prometo que se o Senhor me der só mais uma chance, Deus, vou ser diferente. Vou achar outro caminho. Tudo o que quero é mais uma chance. Por favor, Deus, eu tenho só dezesseis anos.”

 

 

VERSÍCULOS BÍBLICOS PARA SUA REFLEXÃO:


“Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!” – Salmos 1:1

 

“Disse-lhe Jesus: ‘Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão.’” – Mateus 26:52

 

“Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.” – Gálatas 6:7

 

“Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço. Meu filho, se os maus tentarem seduzi-lo, não ceda!” – Provérbios 1:8-10

 

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” – 1 João 1:9

 

“Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte do Senhor [...]” – Atos 3:19,20a

 

“Arrependam-se! Desviem-se de todos os seus males, para que o pecado não cause a queda de vocês. Livrem-se de todos os males que vocês cometeram, e busquem um coração novo e um espírito novo. Por que deveriam morrer, ó nação de Israel? Pois não me agrada a morte de ninguém; palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se e vivam!” – Ezequiel 18:30-32


UM CONVITE À VIDA

Jovem, este relato não precisa ser o seu. O crime faz promessas de poder e dinheiro, mas só entrega duas coisas: a prisão ou o cemitério. Não espere chegar ao ponto onde o arrependimento é apenas um grito no vazio.

Deus oferece a você uma saída agora mesmo. Como diz a Palavra em Atos 3:19-20: "Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte do Senhor".

Busque um novo caminho. Honre o esforço de quem ama você. Escolha viver com dignidade e deixe que Deus transforme a sua história enquanto ainda há vida em seus pulmões.


sábado, 15 de fevereiro de 2025

A terrível genealogia de Jesus – E por que há espaço na família de Cristo para você, seja quem for

 


Por Timothy Keller

Na Bíblia, o primeiro livro do Novo Testamento, o Evangelho de Mateus, inicia sua narrativa com uma genealogia. Sim, e muitos leitores têm a tendência natural de achar tal sucessão de nomes algo enfadonho e, o que é pior, um tanto sem sentido. Mas o que será que realmente Mateus quer dizer com tal texto?

A essa altura, precisamos nos lembrar da cultura em que ele vivia e escrevia. Vivemos em uma cultura individualista em que as pessoas se recomendam umas às outras com uma lista de diplomas, experiências de trabalho e realizações. Não se agia assim em uma sociedade mais comunitária, orientada para a família. Mateus 1 pode parecer uma genealogia, e é, mas também é um currículo. Naquele tempo, era sua família, sua estirpe e seu clã — as pessoas a quem você estava ligado — que constituíam seu currículo. Assim, a genealogia era um modo de dizer ao mundo: "Este sou eu".

É interessante saber que naquela época as pessoas adulteravam o próprio currículo assim como acontece hoje. Temos a tendência de deixar de fora partes do nosso histórico que talvez não nos deixassem tão bem, e as pessoas faziam o mesmo na antiguidade. Sabemos que Herodes, o grande, expurgou diversos nomes de sua genealogia pública por não querer que ninguém soubesse a ligação existente entre eles. O propósito de um currículo genealógico era impressionar quem o visse com a alta qualidade e a respeitabilidade das raízes que ele descrevia.

Mateus, no entanto, faz o oposto com Jesus. Essa genealogia é assustadoramente diferente de outras da antiguidade. Para início de conversa, ela relaciona cinco mulheres, todas mães de Jesus. Isso não parecerá estranho ao leitor moderno, mas nas sociedades patriarcais da época a mulher quase nunca era nomeada nessas listas, muito menos cinco delas. Seria possível chamá-las de "proscritas pelo gênero" nessas culturas. Contudo, figuram na genealogia de Jesus. Além disso, a maior parte das mulheres do currículo de Jesus eram gentias (Tamara, Raabe, Rute). Eram cananeias e moabitas. Para os judeus antigos, essas nações eram impuras; não tinham permissão para entrar no tabernáculo ou no templo para adorar. Poderíamos chamá-las de "proscritas pela raça", todavia fazem parte da genealogia de Jesus.

Existe outro aspecto surpreendente nessa genealogia. Ao nomear essas mulheres em particular, Mateus recorda deliberadamente a seus leitores alguns dos incidentes mais sórdidos, repugnantes e imorais da Bíblia. Por exemplo, ele diz que Judá foi o pai de Farés e Zará, cuja mãe foi Tamar (v. 3). Relembre o que aconteceu. Tamar enganou o sogro, Judá, de modo a induzi-lo a se deitar com ela (embora a história completa deixe claro que Judá a tratara com injustiça). Foi um ato de incesto, contrário em toda a Bíblia à lei de Deus. Embora Jesus descendesse de Farés e não de Zará, Mateus inclui os dois, além de Judá e Tamar, para se certificar de nos trazer à memória toda a história. Foi dessa família conturbada que o Messias veio.

Lembre-se também de quem foi Raabe (v. 5). Ela era não só cananeia como também prostituta. Talvez a personagem e a história mais interessantes em toda a genealogia, no entanto, estejam no versículo 6. Ali se diz que na linhagem de Jesus está o rei Davi. Você logo pensa: "Ora, eis alguém que todo o mundo quer ter na genealogia — da realeza!". Contudo, Mateus acrescenta, em um dos grandes e irônicos eufemismos da Bíblia, que Davi era pai de Salomão, gerado "daquela que havia sido mulher de Urias". Se você não soubesse nada da história bíblica, acharia isso estranho. Por que simplesmente não relacionar o nome dela? Ela se chamava Bate-Seba, mas Mateus está nos convidando a recordar um trágico e terrível capítulo da história de Israel.

Quando Davi estava foragido, fugindo do rei Saul para salvar a própria pele, um grupo de homens o acompanhou até o deserto, ficou em torno dele e pôs a vida em risco para protegê-lo. Foram chamados de guerreiros de Davi. Arriscaram tudo por ele, sendo que Urias era um deles, um amigo a quem Davi devia a vida (2Sm 23.39). No entanto, anos mais tarde, depois de se tornar rei, ele viu a mulher de Urias, Bate-Seba, e a desejou. Dormiu com ela. Então providenciou para que Urias fosse morto a fim de se casar com ela. Assim o fez, e um dos filhos dos dois foi Salomão, de quem Jesus descendia. Você sabe por que Mateus deixou de fora o nome de Bate-Seba? Não por desrespeito a Bate-Seba — mas por uma crítica a Davi. Foi dessa família conturbada e desse homem tão falho que veio o Messias.

Portanto, temos aqui forasteiros morais — adúlteros, gente envolvida em relacionamentos incestuosos, prostitutas. De fato, somos lembrados de que até os ancestrais de Jesus mais proeminentes e do sexo masculino — Judá e Davi — foram fracassos morais. Temos também forasteiros culturais, de raça e de gênero. A Lei mosaica excluía essas pessoas da presença de Deus e, no entanto, elas são todas publicamente reconhecidas como ancestrais de Jesus.

O que isso significa? Primeiro, mostra que as pessoas excluídas por questões culturais, excluídas pela sociedade respeitável e excluídas até pela Lei de Deus podem ser introduzidas na família de Jesus. Não importa sua estirpe, não importa o que você fez, não importa se você matou alguém. Se você se arrepender e crer nele, a graça de Jesus Cristo é suficiente para cobrir seu pecado e uni-lo a ele. Na antiguidade, havia o conceito de "impureza cerimoniar. Se quisesse permanecer santo, ou respeitável, ou bom, você precisava evitar o contato com o profano.

Considerava-se que ser profano era "contagioso", por assim dizer, de modo que você tinha de se manter separado. Mas Jesus subverte isso. Sua santidade e bondade não podem ser contaminadas pelo contato conosco. Em vez disso, sua santidade nos contamina por nosso contato com ele. Achegue-se a ele, independentemente de quem você é e do que fez, não importa o quanto esteja moralmente maculado, e ele pode deixá-lo puro como a neve (Is 1.18).

No entanto, veja o caso do rei Davi. Ele tinha todas as credenciais de poder do mundo — era um homem, não uma mulher; era judeu, não um gentio; era da realeza, não da classe pobre. Contudo, como Mateus nos mostra, ele também só pode participar da família de Jesus pela graça. Seus feitos perversos eram piores do que qualquer coisa praticada pelas mulheres dessa história. No entanto, ali está ele. Não foram incluídas as pessoas boas e deixadas as pessoas más de fora. Todas estão incluídas só pela graça de Jesus Cristo. Só o que Jesus fez por você pode lhe conferir uma posição diante de Deus.

Não há ninguém, então, nem mesmo o ser humano mais maravilhoso, que não necessite da graça de Jesus Cristo. E não há ninguém, nem O pior ser humano, que possa deixar de receber a graça de Jesus Cristo se houver arrependimento e fé.

Em Jesus Cristo, prostituta e rei, homem e mulher, judeu e gentio, uma raça e a outra raça também, os moralmente corretos e os imorais — todos ocupam lugar idêntico. São igualmente pecadores e perdidos, aceitos e amados. Na versão bíblica Almeida Século 21, o capítulo 1 de Mateus está repleto do tradicional verbo "gerar"— "Fulano gerou sicrano que gerou beltrano e assim por diante". Enfadonho? Não. A graça de Deus é de tal modo incisiva que até o "gerou" da Bíblia está impregnado da misericórdia divina.

Deus não se envergonha de nós, aqueles que nele crermos e em Seu filho, Jesus Cristo. Somos todos da sua família. Hebreus 2.11 diz: "... não se envergonha de chamá-los de irmãos".

Há outro aspecto nisso tudo. Todas as culturas incentivam seus integrantes a menosprezar determinados indivíduos, a fim de se autoafirmarem pela própria superioridade. Podem ser pessoas de outra raça ou classe. Talvez você menospreze os esnobes tão bem-educados ou os ignorantes sem educação alguma. Talvez despreze as pessoas cuja visão política você acredita estar destruindo o país. Em todos esses exemplos, ensinaram-no a ver algumas pessoas como impuras, inaceitáveis, profanas — ao mesmo tempo em que você é ótimo. Os valores de Jesus Cristo são radicalmente diferentes. O mundo valoriza estirpe, dinheiro, raça e classe. Jesus vira tudo isso de cabeça para baixo. Esse tipo de coisa, tão importante fora da igreja de Cristo, não deve ser levada para dentro dela. Em certo sentido, ele declara: "Na minha família, essas coisas tão valorizadas no mundo lá fora não devem ter tanta importância".


Trecho do livro O Natal Escondido (Vida Nova, 2017).


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Sou a pior pessoa que existe. Há solução para alguém como eu?

 


Uma noite, após uma reunião de pregação em uma cidade grande, um homem de aparência perigosa se aproximou do pregador e perguntou: “Você vem comigo esta noite, por favor? Preciso muito falar com você”.

“Com prazer”, respondeu o pregador.

O homem liderou o caminho por várias ruas laterais até chegar a um beco. Ele destrancou uma porta, conduziu o pregador para dentro e então sacou um revólver: “Eu não vou te machucar. Eu só quero te perguntar se você quis dizer o que disse em seu sermão esta noite, que o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado?”

O pregador respondeu: “Claro que eu quis dizer isso. Deus diz isso em Sua Palavra”.

Então o homem disse: “Eu matei quatro pessoas com este revólver. Há esperança para um homem como eu?”

“Eu vou te dizer novamente que se um homem confessar e abandonar seus pecados, Deus prometeu que Ele o perdoará e o purificará de todo pecado” (1 João 1:7).

O homem continuou: “Do outro lado deste muro está meu bar. Vendemos bebidas para qualquer um. Muitas vezes peguei o último centavo de um homem, deixando sua família passar fome. Ao lado do bar fica meu quartinho de jogo de azar. Não há um jogo honesto no lugar. Um homem cometeu suicídio recentemente depois de perder tudo aqui. Existe alguma esperança para um homem como eu?”

O pregador respondeu: “Deus fala sério quando diz: ‘O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado’.”

“Mais uma pergunta, e você pode ir. Ao sair do beco, você passará pela minha casa. Minha esposa está lá com minha filha de onze anos. Treze anos atrás conheci uma linda garota em Nova York e menti para ela sobre minha vida. Ela se casou comigo; mas quando ela descobriu a verdade, isso partiu seu coração. Desde então, eu tornei a vida um ‘inferno na terra’ para ela. Eu até comecei a bater nela. Recentemente, eu também dei um tapa na minha filha e a joguei contra um fogão quente, queimando seu braço do ombro ao pulso. Ela está desfigurada para o resto da vida. Há esperança para um homem como eu?”

O pregador agarrou o miserável homem, e, sacudindo-o, exclamou: “Ouça-me! Não importa o que você tenha feito, a Palavra de Deus permanece: ‘O sangue de Jesus Cristo NOS purifica de TODO pecado.’ Entende? Purifica o pecado de todos nós. E todos os pecados!

O homem disse: “Muito obrigado. Eu tinha que ter certeza. Eu acredito em você. Estarei na sua reunião novamente amanhã à noite.”

Depois que o pregador saiu, o homem esvaziou o bar e a sala de jogos. Ele então quebrou todas as garrafas, barris e espelhos. Ele também quebrou as mesas de jogo e arrancou das paredes os caça-níqueis eletrônicos. Queimou todos os dados e cartas. Durante toda a noite, ele destruiu todos os seus instrumentos de pecado. Era manhã quando ele subiu as escadas de sua casa e sentou-se, exausto.

Ao ouvi-lo, sua esposa disse à filha para “ir dizer ao papai que o café da manhã está pronto”.

A menina caminhou lentamente em direção ao pai. Meio com medo, ela disse: “Papai, a mamãe disse que o café da manhã está pronto”.

O homem sorriu e disse: “Querida, o papai não quer café da manhã”.

Sua filha se virou e correu para a cozinha gritando “Mamãe! Papai sorriu para mim e me chamou ‘querida’, e não gritou comigo!”

Sua mãe insistiu: “Eu não acredito! Volte e diga ao seu pai que o café da manhã está pronto.” Sua mãe decidiu segui-la.

Ao ouvi-los se aproximar, o homem sorriu e disse: “Cheguem mais perto.”

Tremendo, sua esposa e filha se aproximaram dele.

Ele gentilmente colocou os braços em volta das duas que ele havia abusado tão violentamente antes e, com os olhos cheios de lágrimas assegurou-lhes: “Vocês não precisam mais ter medo de mim. Me perdoem por tudo o que eu fiz. Deus deu a vocês um novo marido e um novo papai hoje.”

Na reunião daquela noite, sua esposa e filha também entregaram seus corações a Cristo. Elas também descobriram que “o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado” (1 João 1:7).

Você entendeu a mensagem? Se você tomar a decisão de confessar e abandonar seus pecados agora mesmo e entregar sua vida a Cristo, Ele perdoará o que você fez, o que quer que tenha feito, e lhe dará uma nova vida, e a segurança de uma vida eterna com Ele. Peça a Deus para perdoá-lo. Há esperança para alguém como você!

 

Reflita nestes versículos bíblicos:

 

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1.9

 

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3.16

 

‘Eu é que sei que pensamentos tenho a respeito de vocês’”, diz o Senhor. São pensamentos de paz e não de mal, para dar-lhes um futuro e uma esperança’.” Jeremias 29.11

 

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” Lucas 19.10

 

E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Atos 2.21

 

E não há salvação em nenhum outro, porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” Atos 4.12

 

Eles responderam: — Creia no Senhor Jesus e você será salvo — você e toda a sua casa.” Atos 16.31

 

Jesus, olhando para eles, disse: — Para os seres humanos é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.” Marcos 10:27


domingo, 24 de março de 2024

Poemas, Frases e Reflexões sobre o ABORTO - Baixe o e-book gratuito

 


O tema do aborto tem mobilizado mentes, corações e culturas ao longo da história. Nos dias de hoje, tornou-se questão incontornável, transcendendo delimitações sanitárias, sociológicas, políticas e religiosas para inserir-se no centro do debate público.

Temos, ao longo dos anos, editado diversas antologias, dos mais variados escopos e amplitudes. Em sua maioria, antologias poéticas ou de citações. Para execução de tal atividade, é de praxe a aquisição e/ou consulta de livros no gênero, e o leitor deve saber que é relativamente farta a disponibilidade – no caso das citações – de livros de frases em nossas prateleiras. No entanto, transitando, por prazer e a trabalho, por dezenas de antologias e mesmo dicionários de citações, jamais vimos o verbete “aborto” categorizado em obra alguma. Até citações esparsas sobre um tema tão significativo estão curiosamente ausentes deste gênero de literatura. Assim, tomamos para nós a tarefa de, mesmo reféns da brevidade, organizar e disponibilizar a presente obra, de maneira alguma exaustiva, sobre esse assunto vital.

E este pequeno livro é na verdade uma antologia multigêneros: às diversas citações sobre o aborto, unimos uma seleção de poemas e, por fim, uma coleção de pequenos textos de reflexão que ajudarão a iluminar nosso entendimento sobre o assunto.


       Esse é um livro gratuito, que nasce em serviço da sociedade e da melhor das intenções. Convidamos você a ler e também a compartilhar este conteúdo, com quantos achar conveniente.

Para baixar o seu exemplar gratuitamente pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

O SALMO DO VICIADO



O SALMO DO VICIADO 

Um desconhecido viciado em drogas, perdido no mundo do sonho da cocaína, escreveu o seguinte:

A cocaína é o meu pastor; tudo me faltará. Ela me faz repousar nas sarjetas. Leva-me para junto das águas turbulentas. Ela destrói a minha alma. Guia-me pelas veredas da injustiça, pelo seu amor próprio. Sim, eu andarei pelo vale da pobreza, temerei todos os males, porque tu, cocaína, estás comigo. A tua brancura e o teu tubinho procuram consolar-me. Saqueias a mesa de mantimentos da minha família, roubas da minha cabeça o juízo.
O meu cálice de tristezas transborda. Certamente o vício da cocaína me seguirá todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa dos Desgraçados para todo o sempre.

Esta paráfrase terrivelmente destorcida do Salmo 23, que se encontra na Bíblia, foi encontrada datilografada por um policial em uma cabine telefônica. Nas costas do cartão em que isso se encontrava escrito, estava manuscrito este adendo:

“Certamente este é o meu salmo. Sou um jovem de 20 anos de idade, e durante o último ano e meio eu tenho vagueado pelo pesadelo da droga. Quero parar de cheirar pó, tento, mas não consigo. A cadeia não me curou. Nem a hospitalização me ajudou de maneira permanente. O médico disse à minha família que seria melhor, e mais humano, se a pessoa que me encaminhou no vício tivesse pegado um revólver o estourado os meus miolos. Como eu gostaria que ela tivesse feito isso! Meu Deus, como eu gostaria!”

Há esperança — até para o viciado em drogas. Mas há outras pessoas além dos viciados em drogas que estão amarrados nas cadeias do pecado. Há esperança para você também. Há um que obteve a vitória sobre todo o tipo de escravidão. Esse é o Filho de Deus, que veio em forma humana a esta terra, como Jesus Cristo. Ele deixou-Se ser pregado em uma cruz para sofrer a fim de que Deus fosse capaz de oferecer perdão para você — porque o Seu Filho sofreu pelo pecado, em seu lugar.
E com o perdão há vitória e poder sobre o pecado. De fato, é isso que é conversão — é a submissão da vontade própria à vontade de Deus. Quando você honestamente encontra-se com Deus nestes termos, pedindo perdão pelos seus pecados por causa do sacrifício de Cristo por você, Deus o perdoará. E então você poderá pedir-Lhe forças —as forças dEle — para vencer.
Eu não sei como reagir diante da pessoa que escreveu O SALMO DO VICIADO; eu gostaria de poder dar a ela estas boas notícias. Não obstante fico contente de poder reparti-las com você.
Há um propósito na vida. Deus criou você para ser um dos Seus filhos — para sempre. Todos nos rebelamos. Mas Deus espera para perdoar-nos e restaurar-nos à Sua família real. O futuro é gloriosamente fabuloso através de Cristo, nosso Salvador e Senhor! Assegure-se de que você não vai ficar de fora. Hoje é o dia da salvação. Hoje é o seu dia de vitória por Cristo Jesus.
Peça a Deus o perdão divino, e diga a Jesus que você quer que ele seja o seu Senhor, agora e para sempre. Peça-lhe para ajudá-lo a vencer. Leia a Bíblia para obter forças, sabedoria e conhecimento. Depois, ajude outros que também precisam conhecer o caminho para a vida completa, a vida eterna.

Reflita nestas passagens bíblicas:

Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus.” Romanos 3.23

Pois o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna, que temos em união com Cristo Jesus, o nosso Senhor.” Romanos 6.23

O Pai ama o Filho e pôs tudo nas mãos dele. Por isso quem crê no Filho tem a vida eterna; porém quem desobedece ao Filho nunca terá a vida eterna, mas sofrerá para sempre o castigo de Deus.” João 3.35,36

Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” João 3.16

Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” 1 João 5.12

Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.” 1 João 3.8b

Ele é o libertador, aquele que nos abraça e nos cura.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Como apagar todos os meus erros?


A Sala dos Fichários
Quem subirá ao monte do Senhor? Quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. -Salmo 24:3-4.
     No dia do juízo, você conseguirá comparecer perante Deus com mãos limpas e coração puro?
    Quantos de nós podemos dizer que temos mãos limpas e coração puro? Deus não pode aceitar o homem em seu estado natural. Por isso Deus interveio e apresentou um plano para a nossa purificação: mandou Jesus para nos remir e purificar nossas mãos e nosso coração.
     Você já teve vontade de saber como Deus vê a sua vida? Jesus nos diz: “Mas eu vos digo que de toda palavra frívola que os homens proferirem hão de dar conta no dia do juízo” (Mateus 12:36). Já que vamos prestar contas de toda palavra frívola que tivermos dito, deve haver algum tipo de registro delas. A Bíblia fala a respeito desse registro em Apocalipse 20:12. “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. Abriu-se outro livro, que é o da vida. Os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras”.
     Joshua Harris, um jovem do estado de Maryland [EUA], estava passeando em Porto Rico. Uma noite teve um sonho através do qual sentiu que Deus lhe repreendeu pela sua infidelidade. Esse sonho lhe fez lembrar do sangue de Jesus e de Seu poder para transformar as vidas.
     Gostaríamos de contar este sonho para você:

A Sala
     Estando meio dormindo e meio acordado, me vi numa sala. Nela não havia nada de relevante a não ser uma parede cheia de pequenos fichários. Eram como aqueles das bibliotecas que classificam os livros em ordem alfabética por autor ou assunto. Esses fichários, uma infinidade deles, se estendiam do piso ao teto e para os dois lados, cada um com um nome diferente. Ao me aproximar deles, o primeiro a atrair a minha atenção foi um que dizia: Garotas de que gostei. Abri o fichário e comecei a percorrer as fichas. Logo o fechei, pois fiquei espantado de ver que eu reconhecia os nomes escritos em cada uma das fichas.
     Então, sem ninguém me dizer, entendi exatamente onde eu estava. Esta sala silenciosa, com seus muitos fichários, era o registro de toda a minha vida. Ali estavam anotados todos os meus atos, grandes e pequenos, de toda a minha vida, com uma riqueza de detalhe que a minha memória não conseguiria guardar.
Sentimentos de admiração, de curiosidade e de terror apoderaram-se de mim quando comecei a abrir aleatoriamente os fichários e a examinar o conteúdo das fichas. Algumas me encheram de alegria e doces recordações; outras um sentimento de vergonha e remorso tão intenso que chegava a olhar para trás para ver se alguém estava me observando. Um arquivo chamado Amigos, ficava ao lado de outro intitulado Amigos que traí.
     Os títulos variavam dos mais comuns até outros totalmente esquisitos: Livros que li, Mentiras que contei, Consolo que dei, Piadas que me fizeram rir. Alguns dos títulos chegavam a ser até engraçados: Vezes que ralhei com meus irmãos. De outros não conseguia rir: Vezes que resmunguei de meus pais. Eu não parava de me surpreender com o conteúdo destas fichas. Muitas vezes havia mais do que eu imaginava; outras vezes havia menos do que eu esperava.
     Fiquei abismado de ver o volume de coisas que já tinha feito na minha vida. Seria possível que eu tive tempo nestes meus vinte anos de escrever cada uma destas milhares - talvez milhões - de fichas? Mas cada uma delas confirmava esse fato; cada uma fora escrita por meu próprio punho e tinha a minha assinatura.
    Quando puxei o arquivo chamado Músicas que escutei, vi que o fichário estava abarrotado de músicas. As fichas estavam bem compactadas, mas mesmo assim, após dois ou três metros, eu ainda não tinha achado o fim do arquivo. Fechei-o, envergonhado, nem tanto pela qualidade da música, mas principalmente por causa da quantidade de tempo que eu sabia que aquele arquivo representava.
     Quando cheguei ao arquivo chamado Pensamentos imorais, senti um arrepio no meu corpo inteiro. Só abri a gaveta deste fichário uns dois centímetros, pois não queria saber o seu tamanho. Tirei uma ficha. Tremi ao ver seu conteúdo detalhado. Só de pensar que tal momento tinha sido registrado provocou um mal estar em mim.
     De repente senti quase uma fúria animal. Um pensamento dominava a minha mente: “Ninguém jamais deve ver estas fichas! Tenho que destruí-las!” Num furor louco, arranquei aquele fichário. Seu tamanho não me importava mais. Eu tinha era que esvaziá-lo e queimar suas fichas. Mas quando peguei numa ponta e comecei a sacudi-lo, não consegui despejar nem uma ficha sequer. Desesperado, retirei uma ficha e tentei rasgá-la, só para descobrir que ela era tão resistente quanto o aço.
     Derrotado e sem poder fazer mais nada, pus a ficha de volta e fechei a gaveta. Encostando minha cabeça na parede, suspirei profundamente, sentindo dó de mim mesmo. Então olhei e vi outro fichário, cujo título era: Pessoas com quem eu compartilhei o evangelho. O puxador era mais brilhante, mostrando seu pouco uso. Puxei-o e um fichário bem pequeno caiu nas minhas mãos, no qual havia menos de uma meia dúzia de fichas. Todas as fichas cabiam na minha mão.
     Dos meus olhos lágrimas brotaram e comecei a chorar. Soluçava tanto que meu corpo tremia e meu estômago doía. Caí de joelhos e soltei um grito de desespero. Chorei de vergonha, de uma vergonha tão grande que parecia que meu coração arrebentaria. As longas fileiras de fichários pareciam boiar nos meus olhos cheios de lágrimas. Pensei “Ninguém jamais pode saber desta sala. Nunca! Preciso trancá-la e esconder a chave”.
     Mas enquanto eu limpava as lágrimas, eu O vi… Oh, não! Ele não… Logo Jesus!
     Fiquei olhando, atônito, enquanto Jesus começou a abrir os fichários e a ler as fichas. Eu não queria ver a Sua reação, mas quando criava coragem para olhar em Seu rosto, via uma grande tristeza - uma tristeza muito mais profunda do que a minha. Por algum motivo Ele foi direto aos piores fichários, abriu-os e começou a ler. Por que Ele estava lendo estas fichas…?
     Finalmente Ele se virou e olhou para mim do outro lado da sala. Seus olhos estavam cheios de compaixão, mas era uma compaixão que não me irritava. Abaixei a cabeça, cobri meu rosto com as mãos e comecei a chorar novamente. Ele foi até onde eu estava e me abraçou. Ele poderia ter dito muitas coisas, mas não falou uma palavra; apenas chorou comigo.
     Então, levantou-se e voltou para os fichários. Começando numa ponta da sala, Ele os abria, tirava as fichas e em cada uma assinava Seu nome por cima do meu.
     “Não!” Gritei, correndo para Ele. Só consegui repetir: “Não! Não!”, enquanto tirava da Sua mão a ficha que segurava. O nome sagrado dEle não podia aparecer nestas fichas. Mas estava! Escrito em vermelho, num vermelho escuro e intenso, num vermelho vivo. Então percebi que este vermelho era o Seu sangue e que cobria o meu nome.
     Carinhosamente Ele pegou a ficha de volta. Sorriu, um sorriso triste, e continuou a assinar as fichas. Acho que eu nunca vou entender como fez aquilo tão rápido, mas num instante ouvi quando fechou o último fichário. Então Ele voltou para o meu lado, colocou Sua mão no meu ombro e disse: “Está consumado”.
     Fiquei em pé e Ele me levou para fora da sala. Não havia fechadura na porta. Havia muitas fichas que eu ainda teria que preencher.
Como está seu fichário hoje?
     Se formos honestos conosco mesmos, vamos ter que admitir com tristeza e remorso que erramos em nossos pensamentos e ações. Nós, também, vamos corar de vergonha pelos pensamentos ali­men­tados e as ações cometidas em secreto. A Bíblia diz em Romanos 2:16 que “Deus há de julgar os segredos dos homens, por meio de Jesus Cristo”. O apóstolo Pedro pregou: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vosso pecados, e venham assim os tempos de refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19). Jesus já apagou seus pecados? Ou eles ainda o perseguem hoje?
     Você quer ser liberto? Ou quer continuar carregando um fardo cheio de seus pensamentos e ações do passado? Nossos pecados são um fardo pesado em nosso coração e nossa vida. “Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 João 1:8). “Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23).
     Jesus oferece perdão. Ele veio à terra e derramou Seu sangue por todos os pecadores, abrindo o caminho da salvação para todos. Você gostaria de ser salvo? “Se o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Leia o Salmo 51. Venha a Jesus agora! Arrependa-se e confesse seus pecados. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9). Confie em Jesus e terá o prazer de andar com Ele. Diariamente Ele dirigirá seus passos.
© 1995 - New Attitudes/Joshua Harris

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Em busca de perdão


Uma boa notícia precisa ser dada aos encurvados. Não aos fisicamente encurvados, por causa de algum problema de coluna. Mas aos emocionalmente encurvados, aqueles que estão carregando sobre os ombros há pouco tempo ou há muito tempo o peso das coisas erradas feitas por querer ou por não querer. Quem precisa dar essa boa notícia são os pais aos seus filhos, os pastores às suas ovelhas, o pároco aos seus paroquianos, os  profissionais de saúde mental aos seus pacientes, os amigos aos seus amigos.

A boa notícia é que o perdão existe. Perdão de toda coisa errada, de todo pecado, de toda transgressão, de todo equívoco, de todo crime, de toda loucura. Esse é o âmago do cristianismo. Essa é a razão pela qual Jesus veio ao mundo. Esse é o motivo pelo qual Jesus foi levado ao matadouro. Essa é a boa notícia que os missionários têm de levar até os confins da terra.

O perdão em sua plenitude é algo eticamente inadmissível. Só existe por causa da graça de Deus. A graça é maravilhosa demais, é alta demais, é larga demais, é comprida demais, é profunda demais. A graça não é prêmio, não é recompensa, não é brinde, não é sorteio, não é mercadoria, não é troco, não é pensamento positivo. A graça não é uma agradável mentira que os pastores, os párocos, os conselheiros e os psicólogos pregam para nós. Nem uma agradável mentira que nós pregamos para nós. Graça é graça e pronto.

O que pouco se sabe, o que pouco se prega, o que ainda não foi plenamente atinado, tanto pelo necessitado do perdão como pelos pregadores do perdão, é que o perdão nunca vem sozinho. Ele está atrelado a outros resultados. Quando o perdão chega, chegam também os seus componentes, os seus acompanhantes, o seu séquito, a sua trupe.

Encurvados, prestem atenção! Pastores, párocos, missionários, psicólogos, pais e mães, avôs e avós -- todos -- prestem atenção. Os que estão internados em alguma clínica, os que estão encarcerados, os que estão no corredor da morte, os que estão no caminho do suicídio, os que estão no confessionário, prestem todos muita atenção! O perdão dado por Deus, o perfeito perdão, o perdão completo, o perdão proporcionado pela graça e tornado possível por causa da Sexta-feira Santa, torna-nos:

Livres da culpa -- a culpa some, a culpa vai embora, a culpa afoga-se no fundo do oceano (Mq 7.19).

Livres do remorso -- aquela dor no íntimo, aquela inquietação da consciência culpada, aquele remordimento constante some, vai embora, afoga-se no fundo do oceano.

Livres da vergonha -- aquele rosto corado de vergonha, aquele rosto ruborizado, aquela marca de Caim some, vai embora, afoga-se no fundo do oceano.

Livres da lembrança -- aquela triste história, aquele capítulo da vida, aquele horrível episódio some, vai embora, afoga-se no fundo do oceano.

A graça de Deus é perfeita, é completa, é curativa. Deus não faz nada pela metade. O perdão cura tudo, não apenas parte, não apenas a metade, não apenas 99% do trauma. Imaginemos se Pedro ficasse livre apenas da culpa, e continuasse por toda a vida com o remorso, a vergonha e a lembrança daquele fracasso da tríplice negação!

Essa pastoral está firmada na promessa de Deus a Jerusalém até então coberta de vileza:
“Não tenha medo, pois não provarás mais vergonha, não te sintas mais ultrajada, pois não precisarás enrubescer, esquecerás a vergonha de tua adolescência, a chacota sobre a tua viuvez, não te lembrarás mais dela!” (Is 54.4, TEB).

Elben César

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