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3 de setembro de 2022

Pele de Homem

  

Autores: Hubert, Zanzim
Género: Banda desenhada
Idioma: Português
Páginas: 160
Editora: A Seita
Ano: 2022

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Pele de Homem foi uma prenda, uma bela prenda!

A história passa-se na Itália renascentista: Bianca é uma donzela que pertence a uma família abastada com um casamento arranjado pelos pais. O noivo chama-se Giovanni; os dois nunca se conheceram.

Mas há muitas mais coisas que Bianca desconhece, e isso é motivo de angústia. Tudo muda quando a madrinha lhe revela um segredo de família reservado às mulheres: possuem um tesouro, uma “pele de homem” que lhes permite transformarem-se num... homem.

Com ela e nela, Bianca «irá descobrir o mundo masculino fechado às mulheres da época, e na busca de conhecer aquele que lhe está prometido como marido, irá também descobrir o amor entre homens, bem como o seu desejo como mulher, e todas as alegrias, frustrações e tristezas que esse amor e esse desejo podem trazer». E essas descobertas cimentam um desejo de emancipação que Bianca simplesmente não quer refrear.

«Nós, as mulheres da nossa família, temos um grande segredo. Possuímos uma pele de homem. Chamamos-lhe Lorenzo. Uma vez vestida, ninguém duvidará de que és um rapaz.»

Fonte: google images

Pele de Homem surpreendeu-me. Conseguiu retratar temas como a condição feminina, o fervor religioso, e a sexualidade de uma forma fresca e delicada, mantendo a importância dos valores universais ligados às liberdades (religiosa, expressão, imagem, pensamento).

As 160 páginas não se prestam a uma leitura de enfiada; é preciso degustar a obra. Percebi que assim, a cada serão de leitura, além de me lembrar exactamente do que se tinha passado antes, e segundo a divisão por capítulos, mergulhava com gosto renovado nas aventuras de Bianca/Lorenzo e Giovanni.

Fonte: google images

Pele de Homem é um livro fenonenal, que me encantou, e quando o acabei de ler, comecei a procurar por outros livros dos autores.

Infelizmente, um deles não mais publicará: o escritor, Hubert, suicidou-se uns meses antes da publicação da BD, alegadamente depois de anos a lutar com uma depressão ligada à sua sexualidade e crenças religiosas.

Fonte: google images

A obra venceu o Grande Prémio RTL de BD, o Prémio de BD do jornal Le Point, o Prémio Landerneau 2020, o Grande prémio ACBD da crítica de BD francófona, o Prémio das Livrarias de BD, e o Prémio dos Jovens no Festival de Angoulême.

Pele de Homem é uma pepita visual e uma narrativa com uma mensagem intemporal. Não tenho dúvidas de que se tornará um clássico.

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(fenomenal)

25 de setembro de 2021

Lumberjanes vol.1 : beware the kitten holy


Autores: Noelle Stevenson, Grace Ellis,
Shannon Watters, Brooklyn Allen

Género: Banda desenhada
Idioma: Inglês
Páginas: 128
Editora: Boom! Box (Kindle)
 Ano: 2015

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Este primeiro volume de Lumberjanes está classificado como infanto-juvenil. Eu achei-o delicioso e acredito que será apreciado por várias faixas etárias.

Um grupo de cinco amigas (Jo, April, Mal, Molly e Ripley) quer viver um Verão fantástico e decidem passá-lo num campo de escuteiras, as "lumberjanes". 

Há várias sátiras no livro relativamente ao mundo escutista: retira-se a conotação religiosa e reescreve-se os lemas e valores, mantendo-se a promoção da vida ao ar livre, as actividades em grupo e o conhecimento da Natureza.

Fonte: Google Search Engine

As amigas unem-se para combater as coisas estranhas que estão a acontecer na floresta ao seu redor: um grupo agressivo de raposas com três olhos, uma velhota que se transforma em urso, cavernas subterrâneas e outras criaturas fantásticas. E fazem-no valendo-se dos pontos fortes de cada uma e não deixando ninguém de fora. "Friendship to the Max" é o lema.
 
Fonte: Google Search Engine
 
Adorei as referências a várias figuras femininas, todas elas pioneiras e/ou icónicas, como Joan Jett (uma rock star dos anos 80, considerada por alguns como a Rainha do Rock n' Roll) e Bessie Coleman (a primeira afro-americana a tornar-se piloto nos EUA e a primeira mulher de ascedência africana a conseguir o brevet de piloto internacional).
 
O tom é de empoderamento (feminino) sem ser moralista. Cada personagem é diferente, com uma imagem e voz próprias. É assim que deve ser, e a diversidade deve existir sem ser proclamada, simplesmente porque é normal; Lumberjanes vol.1: beware the kitten holy passa esta mensagem muito bem.

Fonte: Google Search Engine
 
Lumberjanes vol.1: beware the kitten holy é um livro divertido de ler, com várias ilustrações hilariantes. A história saltita em termos de coerência mas é compensada pela acção e pelo humor. Creio ser um excelente livro para oferecer.
 
À data, na nossa língua, apenas está traduzido em Português do Brasil pela Devir.

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(muito bom)

20 de abril de 2021

The Anomaly

 

Autor: Michael Rutger
Género: Thriller

Idioma: Inglês
Páginas: 384
Editora: Zaffre (Kindle)
 Ano: 2018

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Michael Rutger é um pseudónimo do escritor e argumentista Michael Marshall Smith, um bestseller no género do thriller e vencedor de vários prémios literários: International Horror Guild, Philip K Dick Award e British Fantasy Award.

Descobri isto após ter lido The Anomaly; até então, nunca tinha ouvido falar deste autor.

Talvez devido ao facto do autor já escrever há tantos anos, a história arranca com mestria e prende a partir do primeiro capítulo. Nisso, o crédito é devido ao protagonista, Nolan Moore, um arqueólogo pouco respeitado pelos seus pares que recorreu à internet para se manter ligado ao ramo, mantendo um video podcast - "The Anomaly Files" - onde procura «explicar o inexplicável e encontrar artefactos perdidos» com uma equipa mínima e um orçamento modesto. 

Nolan Moore é descrito por várias reviews como um misto de Indiana Jones e Robert Langdon, e compreendo a comparação porque há humor e charme misturados com o saber acumulado e o facto de ser subestimado no seu campo, o que resulta numa personagem erudita que não se leva muito a sério.

A pequena equipa viaja até ao desfiladeiro do Grand Canyon, em busca de uma caverna mítica. Entre algumas peripécias e contra as expectativas, encontram-na mas ficam lá fechados; a partir daqui o tom de aventura passa para um de sobrevivência, um tom que vai continuar até ao final do livro, com várias tentativas de escapar da caverna e do que o seu interior esconde.

Para isso é essencial ter personagens interessantes e esse é um trunfo do livro. A dinâmica da equipa é bem descrita, com diálogos muito engraçados e realistas - desde cedo, tornam-se parte da história e não estão lá para "encher". O humor é certeiro e o ritmo é cinematográfico, com muitos capítulos a acabar em cliffhangers.

A revelação final é o aspecto menos bem conseguido, mas depois de um ritmo narrativo benm conduzido e um grupo de personagens tão bem construído, o resultado final é excelente.

The Anomaly é um dos melhores thrillers que li. É o primeiro de uma série de dois livros mas cada um dos livros é uma história independente - já tenho o segundo e vou ler em breve porque fiquei fã de Nolan Moore.

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(muito bom)