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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

A ver o mar...

 A-Ver-o-Mar

é uma localidade costeira pertencente ao concelho de Póvoa de Varzim, cidade da região Norte de Portugal.


Não é tão bonito, este nome "A Ver o Mar" ? (nome que por sinal pode escrever-se de diversas formas diferentes, e que tão bem reflecte a sua condição de zona litoral).


Moinho Luisa Dacosta


Póvoa de Varzim é uma cidade balnear já com uma tradição de séculos. Possui 12 km ininterruptos de praias de areia dourada, formando enseadas divididas por rochedos, e conhecida por as suas águas serem ricas em iodo.




Póvoa de Varzim

Segundo documentação antiga, já em finais do séc. XVIII, monges beneditinos percorriam grandes distâncias para tomar os "banhos da Póboa", em busca do iodo, considerado vigorante, e cura para problemas de pele e ossos através de banhos de mar e sol.



Póvoa de Varzim é também uma cidade com uma forte tradição literária e cultural. Aqui nasceu o escritor Eça de Queirós.

Praça do Almada


Aqui decorrem frequentemente encontros de escritores e é uma cidade com uma vida cultural muito dinâmica.

E #casascompoesia ? Também existem por aqui, claro! Veja nas fotos, o centro histórico da Póvoa de Varzim está cheio de poesia. 🥰


Pelourinho 


Praça do Almada


Para se manter a par de toda a actividade do município, siga o site da Câmara Municipal e a página na CM da Póvoa de Varzim no Facebook.

🏠🏠🏠🏠🏠

E, caso tenha interesse em se mudar para esta região, mudar de casa, ou adquirir uma casa de férias, fale comigo. 😊



sábado, 23 de janeiro de 2021

Um Reino Maravilhoso - Parte II


E porque este Reino Maravilhoso é de facto de uma riqueza imensa, vamos continuar na mesma região transmontana, desta vez na zona de Peso da Régua, Mesão Frio... onde a poesia e a magia estão nas paisagens, no ar que se respira, e nas casas. 

Terrenos de cultivo de vinha


Que linda na sua simplicidade, a Capela de São Pedro, na localidade de Moura Morta, Peso da Régua. 



Continuamos à boleia de Miguel Torga, o meu poeta de ❤️ 

Partindo da inspiração do seu poema "São Leonardo de Galafura". 
Miradouro com vista privilegiada para o tal reino mágico:  



Miradouro de São Leonardo de Galafura


Miradouro de São Leonardo de Galafura

Sim, é preciso não esquecer a componente de magia que a palavra "maravilhoso" carrega. 
E o que dizer das casas desta região, inseridas nesta paisagem deslumbrante? 




Nem é preciso dizer muito. É só imaginar chegar à janela e deparar-se com estas imensidões de paisagem serrana a perder de vista. 


Quinta do Romezal

Quinta Dona Matilde



Biblioteca Municipal de Peso da Régua

Aldeia em Vila Marim, Mesão Frio

Com também disse Miguel Torga noutro poema, é estar com os pés na terra, mas conseguir tocar o céu! ❤️ 



 São Leonardo de Galafura 

À proa dum navio de penedos, 
A navegar num doce mar de mosto, 
Capitão no seu posto 
De comando, 
S. Leonardo vai sulcando 
As ondas 
Da eternidade, 
Sem pressa de chegar ao seu destino. 
Ancorado e feliz no cais humano, 
É num antecipado desengano 
Que ruma em direcção ao cais divino. 

Lá não terá socalcos 
Nem vinhedos 
Na menina dos olhos deslumbrados; 
Doiros desaguados 
Serão charcos de luz 
Envelhecida; 
Rasos, todos os montes 
Deixarão prolongar os horizontes 
Até onde se extinga a cor da vida. 

Por isso, é devagar que se aproxima 
Da bem-aventurança. 
É lentamente que o rabelo avança 
Debaixo dos seus pés de marinheiro. 
E cada hora a mais que gasta no caminho 
É um sorvo a mais de cheiro 
A terra e a rosmaninho! 

Miguel Torga❤️



🌳🌳🌳🌳🌳


Consultoria Imobiliária 











quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Um Reino Maravilhoso


Este é o mágico Reino Maravilhoso tão bem descrito por Miguel Torga, natural de São Martinho de Anta, Sabrosa, Vila Real (de Trás-os-Montes).

É esse o reino maravilhoso de que ele nos fala com tanta emoção.

A terra de maravilhas como as

Fisgas de Ermelo


a Serra do Marão


o Parque Natural do Alvão


as pequenas aldeias escondidas na serra... sem dúvida, um local mágico.

Aldeia de Varzigueto

Casas com Poesia

Também as casas são mágicas neste local. Desde a icónica Casa de Mateus




até às mais simples casinhas de granito, perdidas na serra, ou aglomeradas em aldeias seculares, todas elas têm uma beleza ímpar.

Aldeia de Bobal 

«Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.

Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:

– Para cá do Marão, mandam os que cá estão!…
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?
Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
– Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.
Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.
A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.
Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:
– Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.
Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.
Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.
Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.
O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.”

«Um Reino Maravilhoso»
MIGUEL TORGA

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Quinta em Mondim de Basto, Vila Real

Mondim de Basto

Decisões e Soluções