Terceiro álbum do grupo, nesse trabalho se agrupam músicos valorosos ao lado de Gereba e Capenga, mantendo a ideia musical dos discos anteriores. Gereba fala de um rock da caatinga, parente do rock rural de Sá & Guarabira, mas, em nossa opinião, é a música popular brasileira mesmo, com toda a sua graça, crítica e diversidade que se registra aqui naquela época de abertura política.
"O violão de Gereba tem uma das sonoridades mais raras e mais puras que conheço. É um violão feminino, terno, materno, matreiro, brasileiro. Surpreendente doçura dissonante. Capaz de encantar pessoas tão genialmente dessemelhantes como Smetak e Cartola. Ambos, para íntimo deleite e felicidade pessoal, por mim a ele apresentados. Os dois, com palavras diversa, disseram praticamente a mesma coisa: o violão e as canções de Gereba abraçam uma alma brasileira que cada vez mais se oculta, mas que jamais desaparecerá. Muito menos agora, quando, com a cumplicidade de algumas das mais lindas vozes femininas do Brasil, dão um suave abraço no eterno. Dilermando, Zé do Apolônio (nosso menestrel tucanense), Ermita, João Gilberto e as Smetakianas cabaças microtomizadas respingam timbres e achados luminosos. Fico feliz que nosso HAISAMBAKAINIANO "No pé da escada" tenha virado PAR LUI-MÊME. Isso me transporta para um velho casarão baiano, 23 anos atrás, onde esta canção nasceu e tudo parecia estar começando." J. Santana Filho (Patinhas)
"Como o meteoro Bendegó, o menestrel Gereba apareceu aqui no planeta Terra lá pelos confins do sertão da Bahia, onde o diabo perdeu as botas e Deus parou prá descansar no sétimo dia. Pois foi por lá, pagando promessa na escadaria do santuário de Monte Santo e escutando muito samba canção na difusora da praça principal da vila, que o violeiro tomou conhecimento de uma entidade íntima. Essa visita amiga à intimidade poética de Gereba é um passeio pela alma interiorana do Brasil, pela verdadeira natureza deste país." José Nêumanne Pinto, escritor e jornalista.
"Gereba, que bom ouvir você depois de tanto tempo. E ouvir de verdade, em tantas canções bonitas que você compôs, com boa doçura brasileira. Aplaudi, tocando a fita que recebi, jóias como "Três por Acaso" sua com Capinan, na voz de Tetê Espíndola, e "Adoração". Mas a peça que mais me comoveu foi "Gamboa", de uma grande pureza musical. É composição bem sua e, me parece, em caminho novo ao mesmo tempo. Abraço do amigo Callado." Antônio Callado, escritor e jornalista.
As três citações acima fazem parte do "pobre encarte" deste CD, editado pela RGE, com uma produção gráfica muito rebaixada para os padrões de hoje. Mas não falta beleza às composições de Gereba e às participações especiais de tanta gente boa! A maioria das moças são ainda hoje desconhecidas do grande público brasileiro, com exceção da Cássia Eller. Essa, no entanto, em 1993, ainda estava em seu segundo disco, era uma nobre desconhecida...
1 - Dia de mar azul
João Bá - Barbatana - Kapenga
Voz: Barbatana e Titane
2 - Visão da nascente, vivendo os caminhos do rio São Francisco
João Bá - Gereba
Voz: João Bá e Gereba
3 - Benedita lavadeira
João Bá
4 - O menino e o mar
João Bá
Voz: Douglas Moita
5 - Mico leão dourado
João Bá - Hermeto Pascoal
Voz e texto: João Bá
6 - Rede de varanda
João Bá - Gereba
7 - Circo das ilusões
João Bá - Klécius Albuquerque
Voz: Klécius, João Bá e Luanda
8 - Facho de fogo
João Bá - Vidal França
Voz: João Bá e Vidal França
9 - Ladainha de Canudos
João Bá - Gereba
Voz: Roze
10 - Menino da roça
João Bá - Dércio Marques
Voz: João Bá
11 - Cavalo marinho
João Bá, Gereba
Voz: Gereba
12 - Ribeirão das águas claras
João Bá
Voz: Lila e João Bá
13 - Terno do boi janeiro
João Bá - Klécius Albuquerque
Voz: Lila, Kátia Teixeira e Mazé
14 - Tempo de novena
João Bá - Dércio Marques
Voz: João Bá, Dércio Marques, Guru e Vidal França
15 - Beleza das imburanas
João Bá
Voz: João Bá e Lila
16 - Desenho animado
João Bá - Lila
Voz: Lila
17 - Noite de São João
João Bá - Lila
Voz: João Bá e Lila
18 - Lampião no mucambo
João Bá - Dinho Nascimento
Voz: João Bá e Dinho Nascimento
19 - Boi da beira
João Bá - Jordano Mochel
Voz: Dércio Marques, Guru e João Bá
Músicos
Klecius Albuquerque - Capenga - Zé Gomes - Gereba - Fernando Farias - Toninho Carrasqueira - Hermeto Pascoal - Oswaldinho do Acordeon - Dinho Nascimento - Cesar do Acordeon - Vidal França - Manoel Pacífico - Galba - Dércio Marques - Luiz Seleguim - Márcio Pereira
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"Nascido na cidade de Crisópolis, sertão baiano, Bá carrega em suas veias o talento artístico de muitos de seus conterrâneos. Poeta, ator, compositor e cantador, dos bons, desde os 12 anos. Tem mais de 200 músicas, sendo que muitas delas foram gravadas por artistas de primeira grandeza no cenário musical do País por exemplo Diana Pequeno, Dércio Marques, Marlui Miranda, Almir Sater e o lendário Hermeto Paschoal. Desde 1966 ele se apresenta em shows e festivais em universidades de todo o Brasil. Pode-se destacar o Festival da TV Tupi com a música "Facho de Fogo" , uma parceria com Vidal França e defendida por Diana Pequeno. Paralelamente a sua carreira musical Bá trabalha como ator treatral e cinema, tendo atuado no épico filme Lampião, como ator e compositor da trilha sonora. Para TV, em 1984 escreveu o especial "Cercanias de Canudos" exibido pela TV Cultura de São Paulo, e foi considerado o melhor seriado do ano. Já em 1985 apresentou "Casa de Cantadores", na mesma TV Cultura, e arrebatou sucesso de crítica e audiência. No ano seguinte, Bá, gravou para um canal de televisão francesa o especial "Casa de farinha"". Fonte
João Bá deveria ser chamado João Bom, haja vista a pessoa boníssima que é, inspirada e inspiradora. Gravou o seu primeiro Carrancas em 1988, um LP, em 1994 junta-o ao Carrancas II já no "moderno" CD. Depois vieram o CD "Ação dos Bacuraus cantantes" e "Pica Pau Amarelo".
Esse Carrancas espanta os maus espíritos com canções maravilhosas e participações especiais cheias de magia. A harmonia é a mesma que já vi acontecendo ao vivo em suas apresentações .
01 - Centenário de Canudos Gereba 02 - Ladainha de Canudos Gereba - João Bá 03 - Estrelas da favela Gereba 04 - Duas pedras Gereba - João Bá 05 - Gamboa Gereba 06 - Manto Azul Gereba 07 - Sinos Gereba 08 - Lamento por Canudos Gereba - Nêumanne Pinto 09 - Paciência Tereza Gereba - Patinhas 10 - Sossego da Vila Gereba 11 - Muié santa de Canudos Gereba - Patinhas 12 - As curvas do Vaza Barris Gereba 13 - A oração e o combate Gereba - Pe. Enóque 14 - O gole Gereba - Patinhas 15 - A história fará sua homenagem Gereba - Ivanildo Vilanova
Músicos Gereba - Bombarda - Ruy Deutsch - Fernando Morais - Nailor Proveta - Adriana Maresca - André Micheletti - Adriano Busko - Toninho Carrasqueira - Jota Gê - Mário Manga - Ana Eliza Colomar - José Ananias - Oswaldinho do Acordeon - Marcos da Silva
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Acabei de assistir a um documentário sobre Canudos e fiquei impressionado com os paralelos possíveis de se estabelecer com os massacres executados pelo Estado burguês nas periferias desse nosso Brasil. É a barbarie! Os morros do Rio que que o digam!
Aí vai o texto do encarte:
"Há 100 anos, Canudos foi destruída. De forma dramática, chegava ao fim um episódio que mexeu com as mais profundas emoções da alma sertaneja, e sem dúvida, uma das mais belas e desconhecidas passagens da aventura humana.
Na célebre comunidade fundada em 1893 por Antônio Conselheiro, o sofrido povo sertanejo buscou construir uma nova experiência de vida, sem polícia e sem impostos, onde não havia patrão nem empregado e com o uso coletivo da terra, materializando assim o desejo ardente de construir com as próprias mãos, o sentido maior de realização na existência humana, que é o de viver não no enfrentamento e sim na comunhão com a vida, na plenitude da liberdade e da justiça social.
Em quatro anos Canudos tornou-se a 2a. maior cidade da Bahia, com mais de 25 mil habitantes (Salvador, na época tinha 200 mil), e esse extraordinário crescimento desagradava as elites fundiárias, a igreja e o Governo, que promoveram uma autêntica guerra civil, envolvendo os canudenses e mais de 12 mil soldados do exército brasileiro oriundos de 17 estados. (O contingente total do exército da época era de 26 mil soldados - Nota do Traça) Após um ano inteiro de violentos combates, finalizados em outubro de 1897, a cidade estava arrasada e 25 mil conselheiristas mortos, mas não houve rendição, Canudos lutou até o fim das últimas forças. Terminava desta forma, o grande sonho de uma comunidade igualitária no sertão baiano. Esses extraordinários acontecimentos se inscreveram definitivamente como um dos capítulos mais importantes da história do Brasil, que 100 anos depois, ainda emociona centenas de milhares de pessoas em todo o mundo" Antônio Olavo - Fotógrafo (Dirigiu o documentário "Paixão e guerra no sertão de Canudos)
Quando assisti o filme "Guerra de Canudos" de Sérgio Rezende, em 1997, não gostei do filme (o pejo global pesou) e, embora goste muito de Edu Lobo, sua trilha não chega aos pés da sensibilidade registrada no disco de Gereba.