1 - Pórtico - Procissão dos Navegantes Antônio Madureira 2 - Romance da Nau Catarineta Antônio Madureira 3 - O Reino das Águas Profundas Antônio Madureira 4 - Índios do Nordeste Antônio Madureira 5 - Missa Brasílica Antônio Madureira 6 - Navio Negreiro Antônio Madureira 7 - Zumbi - Saga de um Rei Negro Antônio Madureira 8 - Celebração Antônio Madureira 9 - Miscigenação Antônio Madureira 10 - Reinados do Sertão Antônio Madureira 11 - Profecias Antônio Madureira 12 - O Quinto Império e a onça malhada Antônio Madureira
Músicos Antônio Madureira - Walmir Chagas - Rogério Wanderley - Wilson Pimentel - Flávio Fernandes de Lima - Antúlio Madureira - Coral Canto da Boca - Marie Savine Egan - Adelson - Anthero Madureira - João Carlos Araújo - Ely Alves - Fernando Farias - Nelson Almeida - Adelson
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Após o Quinteto Armorial, Antônio Madureira continuou sua carreira musical marcada pela convergência entre o erudito e o popular. O disco Brasílica - O Romance da Nau Catarineta, lançado em LP originalmente em 1992 como trilha para o Balé Popular do Recife, tem a sua versão em CD disponibilizada em 1999, registra essa confluência, que resulta em uma "miscigenação musical" dada como consequência da travessia do Oceano Atlântico e o encontro de povos distintos em terra brasilis. Aqui reencontramos temas originalmente gravados pelo Quinteto Armorial, faixas instrumentais, a recriação da manifestação de teatro popular como a Nau Catarineta, expressões de fé, além de composições, até então, inéditas.
Esse é o segundo LP do Quinteto Armorial, como toda a discografia do grupo, exuberante exemplar da fusão entre a música nordestina tradicional, a música instrumental brasileira e a erudita medieval.
Romance ibérico do Séc. XVI, recriado por Antônio José Madureir 3 - Mourão
Guerra Peixe 4 - Toada e Desafio
Capiba
5 - Ponteio Acutilado
Antônio Carlos Nóbrega 6 - Repente
Antônio José Madureira 7 - Toré
Antônio José Madureira 8 - Excelência
Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Antônio José Madureira
9 - Bendito
Egildo Vieira do Nascimento 10 - Toada e Dobrado de Cavalhada
Antônio José Madureira 11 - Romance de Minervina
Romance nordestino, provavelmente do Séc. XIX, recriado por Antônio José Madureira 12 - Rasga
Antônio Carlos Nóbrega
Músicos
Antônio José Madureira - Viola caipira Egildo Vieira do Nascimento - Pífano e Flauta Antônio Nóbrega - Rabeca e Violino Edison Eulálio Cabral - Violão Fernando Torres Barbosa - Percussão
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Esse é o primeiro LP do Quinteto Armorial, com esse trabalho belíssimo, que funde a música de câmara com a cultura popular tradicional nordestina, o grupo ganhou o Prêmio APCA como o "Melhor Conjunto Instrumental do Ano".
1 - Romançário Antonio Madureira 2 - Valsa de fim de tarde Antonio Madureira 3 - Valsa de Salão Antonio Madureira 4 - Acalanto Rodolfo Stroeter 5 - Cantiga Rodolfo Stroeter 6 - Estrela Brilhante Antonio Madureira 7 - Ecos Antonio Madureira 8 - Solidão Antonio Madureira 9 - Rugendas Antonio Madureira 10 - Vaga Música Antonio Madureira 11 - Alma Antonio Madureira 12 - Mira Antonio Madureira 13 - Aiuasca Antonio Madureira
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Reproduzo o texto de Agnaldo Farias, presente no encarte desse CD, uma concisa análise dessa obra.
"A economia de meios, o caráter despojado e exato com que as composições de Antonio Madureira saem da tradição, da suave inércia das melodias que estão impregnadas em nossa memória, para se lançarem em direção as fronteiras da linguagem musical, demonstram a transcendência do "movimento armorial", do qual ele foi um dos protagonistas. Embora concisa, não nos enganemos, trata-se de uma poética polifônica, que se plasma em várias vozes. E certo que neste Romançário só duas comparecem: o violão do próprio Madureira e o contrabaixo de Rodolfo Stroeter. Vozes à primeira vista inconciliáveis, dado que em resposta à seiva oferecida pela cultura popular nordestina trazida por Madureira, seiva que o levou ao memorável Quinteto Armorial, Stroeter apresenta o ecletismo voraz paulistano. O interesse disparado sobre as mais variadas culturas musicais do mundo, sempre feito sob as bases de um conhecimento sólido de nossa própria música, como, aliás, bem demonstra seu trabalho junto ao grupo Pau Brasil. Por isso é que é tão fascinante a maneira como se enlaçam, como o som produzido por ambos vão se confrontando no espaço e no tempo, num jogo em que a conjura entre ambos oscila entre a mescla uníssona e a distância irremissível.
Frequentemente cada composição tem seu início em temas evocativos, com o violão trazendo à tona cantigas vagamente familiares, pertencentes a um fundo atávico, evocações de um tempo em que o Brasil ainda se definia pela sua intensa geografia e por cidades moldadas na cordialidade entre as pessoas. Valsas e modas vão assim se construindo em frases cuja singeleza crispa-se levemente com o timbre metálico do violão. Os fios metálicos vão se entretecendo e enquanto se projetam para o alto, vergam-se sob o peso das notas do contrabaixo. Seja como um tecido inconsútil, enredado pelo atrito entre os fios do arco e as cordas do instrumento, seja como degraus fabricados pelos pizzicatos para que o som desça contaminando-se de silêncio, por esses momentos nada que o contrabaixo produz indica distâncias. Durante esses primeiros momentos a música vai avançando lisa, entoada por vozes enleantes.
Quando então a harmonia se rompe. Do âmago do que já conhecíamos, daquilo cujo andamento já mentalmente adivinhávamos, irrompe, brusco, o inaudito, o surpreendente. As vozes afastam-se em dissonâncias e em superposições onde cada uma não quer mais a mistura, a fusão na outra; espelho que se recusa ao fabrico do igual. Agora é comum o contrabaixo recusar-se a criar o fundo onde o violão finca suas pegadas. Como também assistimos ao deliberado emaranhamento dos fios que o violão vai desenovelando no espaço. Esta, talvez, a lição de Madureira e Stroeter: de como, palmilhando o tranquilo caminho da memória, é possível topar-se de súbito com o impossível. Venha ele sob a forma de uma melodia que ainda não conseguimos apreender, venha ele sob o forma de silêncio."
Sérgio Campelo - Aglia Costa - João Carlos Araújo - Antônio Madureira
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Segundo Ariano Suassuna o repertório e execução do Quarteto Romançal é um passo adiante dos esboços didáticos implementados pelo Movimento Armorial. No texto que compõe o encarte Suassuna afirma: "o objetivo por nós procurado era a criação de uma música erudita baseada nas raízes populares da nossa Cultura. é nesse caminho que o ROMANÇAL continua e aprofunda. Um caminho que se torna mais possível na medida em que o próprio Antônio José Madureira surge agora com um domínio muito maior no campo da criação musical."
De fato, após mais de 20 anos das experiências realizadas com o Quinteto Armorial, esse álbum, registrado no estúdio Oslo-Noruega, demonstra a maturidade das composições de Madureira.
1 - Abertura Cussy de Almeida 2 - Galope Guerra Peixe 3 - Ciranda armorial Jose Tavares de Amorim 4 - Nordestinados Cussy de Almeida 5 - Repentes Antonio Jose Madureira 6 - Terno de pífanos Clóvis Pereira 7 - Aboio Cussy de Almeida 8 - Mourão Guerra Peixe 9 - Pífanos em dobrado Jose Tavares Amorim 10 - Sem lei nem rei - 1º. Movimento Capiba 11 - Kyrie Cussy de Almeida 12 - Abertura Cussy de Ameida
Músicos
Cussy de Almeida Maestro e Arranjador Cussy de Almeida, Brigitta Fassi Fihri, Ricardo Bussi, Benjamin Wolkoff, Cristina Bussi, Samuel Gegna Violinos Frank Musick, Emílio Sobel
violas Marisa Johnson, José Carrion
cellos Silvio Coelho
baixo José Tavares do Amorim, Ivanildo Maciel da Silveira
flautas José Gomes cravo Henrique Annes
violão, viola sertaneja José Xavier da Silva
berinbal José Xavier da Silva, Antônio Revorêdo, Geraldo Fernandes Leite, Edilson Nóbrega da Silva
percussão
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O Movimento Armorial teve entre seus idealizadores, Ariano Suassusa e Cussy de Almeida. Com uma proposta de divulgar a arte nordestina na música, teatro, literatura e artes plásticas, a Arte Armorial Brasileira "é aquela que tem como traço comum principal a relação com o espírito realista e mágico dos folhetos do Romanceiro Popular do Nordeste, Literatura de Cordel, com a música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus cantares e com a xilogravura que ilustra suas capas, assim como o espírito e a forma das artes e espetáculos populares com esse romanceiro relacionados", dizia Suassuna.
A Orquestra Armorial de Câmara iniciada em 1969, estreou em 18 de outubro de 1970 na igreja de São Pedro dos Clérigos em Recife, data também do lançamento oficial do Movimento. Com uma sonoridade que traduz todo um sentimento de brasilidade nordestina, a música armorial se propõe a realizar uma arte brasileira erudita a partir de raízes populares, utilizando instrumentos típicos de nossa tradição musical que remontam o barroco do século XVIII, como a rabeca, a viola, o clavicórdio e a viola de arco.
Para maiores informações sobre o Movimento Armorial, leia o texto assinado por Suassuna, na contra-capa deste LP.
06 - Bãobalalão do “Poema Quixote e Sancho de Portinari”
(Carlos Drummond de Andrade)
Coral Infantil
07 - Canção de junto do Berço
(Mario Quintana)
Irene Ravache
08 - Balada do Rei das Sereias
(Manuel Bandeira)
Mirinha
09 - O Menino Poeta
(Henriqueta Lisboa)
Mirinha
10 - Enchente
(Jorge de Lima)
Irene Ravache
11 - Canção da Chuva e do Vento
(Mario Quintana)
Solange Maria e Coral Infantil
12 - Nina-nana de engenho
(Stela Leonardos)
Mirinha
13 - Cantiguinha de Verão
(Mario Quintana)
Irene Ravache
14 - Segredo
(Henriqueta Lisboa )
Solange Maria e Coral Infantil
15 - Historia para Criança
(Cassiano Ricardo)
Irene Ravache
16 - Estrela Polar
(Vinicius de Moraes)
Solange Maria e Coral Infantil
Músicos
Composições: Antonio Madureira
Canto: Solange Maria
Alain Robert André Laour: fagote
Antonio Carrasqueira: flauta
Antonio Madureira: violão
Décio Cascapera: piano
Dirceu S.Medeiros: bateria
Edson José Alves: Viola
Heraldo do Monte: Bandolim – Viola
João Parahyba: percussão
Toninho Ferrgutti: acordeon
Toniquinho: bateria
Walter Ferreira Godinho: sax-baritono
Zygmunt Kubala: cello
Coral infantil
Vivi, Amanda, Érica, Elaine Cristina, Suely, Daniela e Andrezza
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Há discos que, não fosse o esforço de alguns abnegados impulsionadores de blogs, já teriam desaparecido da memória. Esse LP "O Menino Poeta", com poemas e canções de alta qualidade poética e musical, é um belo exemplo deixado pelo Blog Cantos e Encantos (especializado no universo infantil, infelizmente inativo desde 2011).
"Durante a realização dos discos “Brincadeiras de Roda, Estórias e canções de Ninar” e “Brincando de Roda”, produzidos pelo Estúdio Eldorado, tive oportunidade de me aproximar com maior intimidade do universo da música infantil brasileira. Ao mesmo tempo em que procurava um tratamento musical adequado para apresentar as canções, pensava paralelamente em recriar a poética e a música infantil, num trabalho posterior que enfocasse o imaginário ligado a essa mesma temática. Para tanto, vasculhei a obra dos grandes poetas modernos brasileiros em busca de textos que reinventassem o mágico e o lúdico da cultura infantil.
De uma ampla pesquisa resultaram 16 poemas e com estes imaginei um trabalho que, sendo também um disco para a criança, fosse principalmente um belo disco sobre a criança.
Com a minha vivência com a música elementar e minha experiencia de compositor, aventurei-me a musicar alguns destes poemas e criar um comentário sonoro para outros que fossem narrados pela atriz Irena Ravache, em boa hora indicada pelo Estúdio Eldorado.Dai nasceram melodias simples, muitas vezes calcadas nas cantigas do cancioneiro folclórico, tudo dentroda nossa tradição musical. Este LP, “O Menino Poeta”, é uma sintese dos anteriores. É uma reflaxão sobre o mundo de alegria e poesia que está errante no inconsicente do sombrio homem dos nossos tempos.” (Texto extraído da capa do LP, assinado por Antônio Madureira).
Destaco a canção "Estrela Polar", poema de Vinícius de Morais, interpretada por Solange Maria, uma preciosidade recheada com o encanto do coro infantil.
1 - Baque de Luanda Antônio José Madureira 2 - Romance da Nau Catarineta recriação de temas de Chegança - Antônio José Madureira 3 - Toque dos caboclinhos Folclore 4 - Entremeio para rabeca e percussão Antônio Carlos Nóbrega I - Cortejo II - Baiano III - Boi 5 - Ária Cantilenas de Bachianas Brasileiras n° 5 - VilLa Lobos 6 - Toque para marimbau e orquestra Antônio José Madureira I - Galope à beira mar II - Bendito de Romeiros III - Marcha Rural
Antes de ir à falência, a gravadora Marcus Pereira disponibilizou vários discos do seu acervo em CD. Era início da era do CD, muita coisa boa foi reeditada, mas na seqüência a Marcus Pereira fechou as portas. Depois fiquei sabendo que a AOL tinha comprado o acervo, não sei se é verdade, mas pensei que nada mais seria reeditado, para nosso pesar. Recentemente a EMI está recolocando no mercado o primeiro e o último disco num único CD, bem legal essa iniciativa. Legal também é ver que os outros três discos estão postados em blog's de companheiros roedores. Pois bem, aqui vai o terceiro disco da carreira desse povo.
O Quinteto Armorial é uma boa mistura da cultura popular com a erudita, tendo existido por dez anos (1970 - 1980), em seus quatro discos podemos notar os pontos de contato entre a música medieval e a cutura acumulada pelos mestres dos folguedos nordestinos. Vejam como uma bachiana "chorada" fica bem ao lado de um caboclinho e da Nau Catarineta!
Destaco "Toque dos Caboclinhos", um desafio para os percussionistas das grandes orquestras.