Em dezembro de 2020, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) promoveu uma mesa redonda sobre os desafios da comunicação científica para a sociedade. Dentre os três convidados, chamou atenção a presença da pesquisadora alemã, M.A. Viola Van Melis, chefe do departamento que desenvolve estudos na área de religião, política, sociedade e divulgação científica da Universidade de Münster, na Alemanha. Em sua exposição, Viola ressaltou a importância da integração da religião na divulgação científica. Ela levou em consideração o fato de que a Europa cada vez tem se tornado um continente diverso, em relação à religião, possuindo presença muçulmana cada vez maior, além de judeus, cristãos, assim como outras denominações.
Mostrando postagens com marcador religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador religião. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, maio 12, 2021
Religião: Ponte ou barreira ao conhecimento científico?
quarta-feira, maio 12, 2021
Maura Brandão, religião
sábado, março 30, 2019
Anjos têm corpo físico?
sábado, março 30, 2019
Eduardo Lütz, religião
Quando você está em um andar de um prédio, pode até estar exatamente nas mesmas coordenadas geográficas (longitude e latitude) de outra pessoa que se encontra em outro andar do mesmo prédio. Cada um de vocês é invisível para o outro. Nem por isso as pessoas ficam imaginando que seus vizinhos são seres etéreos e regidos por outras leis só porque não podem vê-los. As pessoas estão apenas em andares diferentes. Basta subir ou descer uma escada e todos podem se encontrar de vez em quando. O Universo também parece ter várias camadas (como diferentes andares de um prédio). O fato de anjos ficarem invisíveis para humanos não precisa ter nada a ver com a composição deles ou com as leis que os regem. Mas os humanos estão realmente limitados pelo pecado, de forma que estão presos em sua respectiva camada, no momento.
segunda-feira, março 18, 2019
Crer em Deus e viver com Ele também é uma questão de lógica
segunda-feira, março 18, 2019
Michelson Borges, religião
Lógico que eu não creio em Deus apenas por uma questão de lógica ou porque a aposta de Pascal realmente faz sentido. Deus escreveu o Universo em linguagem matemática, como disse Galileu, mas meu relacionamento com Ele tem mais de intuição, inclinação e atração do que de dedução. Creio nEle e me relaciono com Ele porque vejo a atuação dEle em minha vida e na de outros. Sinto-O em diversas situações. Mas admito que isso é um tanto subjetivo e bem pessoal. Portanto, deixe essas ideias de lado por enquanto e me acompanhe noutra direção.
1. Deus existe. Há várias vias e vários argumentos que evidenciam isso (e não vou tratar deles aqui por falta de tempo e espaço; pesquise). Creio ser muito mais difícil provar o contrário. Talvez justamente por isso cerca de 90% da população mundial creia em algo ou alguém. Tentaram matar Deus durante vários anos, mas não conseguiram enterrá-Lo. Deus e a religião estão firmes na mente e na vida das pessoas. Na verdade, segundo pesquisas recentes, a fé cresce no mundo. Não é possível que tanta gente (nesse caso, quase todo mundo) esteja errada e que o 0,0000 alguma coisa dos descrentes estejam certos.
quarta-feira, novembro 21, 2018
Ateus não são tão racionais quanto pensam
O ateísmo, por via de regra, é
associado à racionalidade. Muitos ateus afirmam que não acreditam em uma
entidade superior, mas sim na ciência, como se isso fosse uma garantia de que
essas pessoas pensam de forma mais racional do que aquelas que têm uma religião.
Porém, a própria ciência mostra que as coisas não são bem assim. Em um artigo
publicado no site The Conversation, a professora Lois Lee, do Departamento de
Estudos Religiosos da Universidade de Kent, na Inglaterra, desconstrói essa
imagem e mostra como a ciência prova que ateus não são mais racionais que
pessoas religiosas. “Muitos ateus pensam que o ateísmo é produto do pensamento
racional. Eles usam argumentos como ‘eu não acredito em Deus, acredito na
ciência’ para explicar que a evidência e a lógica, em vez da crença e do dogma
sobrenatural, sustentam o pensamento deles. Mas só porque você acredita em
pesquisa científica baseada em evidências – que está sujeita a verificações e
procedimentos rigorosos – não significa que sua mente funcione da mesma
maneira”, afirma no texto.
“O problema que qualquer pensador
racional precisa resolver, no entanto, é que a ciência mostra cada vez mais que
os ateus não são mais racionais que os teístas. De fato, os ateus são tão
suscetíveis quanto qualquer pessoa a ‘pensar em grupo’ e outras formas não racionais
de cognição. Por exemplo, pessoas religiosas e não religiosas podem acabar
seguindo indivíduos carismáticos sem questioná-los”, argumenta a pesquisadora.
Ela diz que a própria crença ateísta
não tem a ver com o pensamento racional, mas sim com outros fatores. “Sabemos
agora, por exemplo, que filhos não religiosos de pais religiosos rejeitam suas
crenças por razões que têm pouco a ver com o raciocínio intelectual. A mais
recente pesquisa cognitiva mostra que o fator decisivo é aprender com o que os
pais fazem e não com o que eles dizem. Então, se um pai diz que é cristão, mas perdeu o hábito de fazer as coisas que
dizem que devem importar – como rezar ou ir à igreja – os filhos simplesmente
não acreditam que a religião faz sentido”, aponta.
“Isso é perfeitamente racional em
certo sentido, mas as crianças não estão processando isso em um nível
cognitivo. Ao longo da nossa história evolutiva [sic], os humanos muitas vezes
não tinham tempo para examinar e avaliar as evidências – precisando fazer
avaliações rápidas. Isso significa que as crianças, até certo ponto, apenas
absorvem as informações cruciais, que nesse caso é que a crença religiosa não
parece importar da maneira como os pais estão dizendo”, relaciona no texto.
Lee afirma que mesmo crianças mais
velhas e adolescentes, ainda que reflitam sobre o tema, não possuem um contato
tão independente quanto pensam. “Pesquisas estão demonstrando que os pais ateus
(e outros) transmitem suas crenças aos filhos de maneira semelhante aos pais
religiosos – compartilhando sua cultura tanto quanto seus argumentos”,
afirma a pesquisadora. Ou seja, os filhos de pais que não possuem nenhuma
religião são tão influenciados quanto aqueles que são filhos de religiosos. “Alguns pais entendem que seus filhos devem
escolher suas crenças por si mesmos, mas o que eles fazem é passar (aos filhos)
certas maneiras de pensar sobre religião, como a ideia de que religião é uma
questão de escolha e não de verdade divina. Não é de surpreender que quase
todas essas crianças – 95% – acabem ‘escolhendo’ ser ateias”, acredita ela.
Mas será que ateus não são mais
propensos a aceitar a ciência do que as pessoas religiosas? Lee afirma que a
resposta para essa pergunta depende da crença e que, em alguns casos, ateus
tendem a se afastar do conhecimento científico mais do que pessoas religiosas.
“Muitos sistemas de crenças podem estar mais ou menos intimamente integrados ao
conhecimento científico. Alguns sistemas de crenças são abertamente críticos em
relação à ciência, enquanto outros estão extremamente preocupados em aprender e
responder ao conhecimento científico. Mas essa diferença não mapeia nitidamente
se você é religioso ou não. Algumas
tradições protestantes, por exemplo, veem a racionalidade ou o pensamento
científico como centrais em suas vidas religiosas. Enquanto isso, uma nova
geração de ateus pós-modernos destaca os limites do conhecimento humano e vê o
conhecimento científico como altamente limitado, problemático até, especialmente
quando se trata de questões existenciais e éticas. Esses ateus podem, por
exemplo, seguir pensadores como Charles Baudelaire na visão de que o
conhecimento verdadeiro é encontrado apenas na expressão artística”,
relaciona no texto. [...]
O papel da ciência para muitos ateus
não é exercido apenas no campo da racionalidade. Lee diz que o conhecimento
científico pode fornecer as realizações filosóficas, éticas, míticas e
estéticas que as crenças religiosas fazem pelos teístas. “A ciência do mundo
biológico, por exemplo, é muito mais do que um tópico de curiosidade
intelectual – para alguns ateus, fornece significado e conforto da mesma
maneira que a crença em Deus pode fazer para os teístas. Os psicólogos mostram
que a crença na ciência aumenta em face do estresse e da ansiedade
existencial, assim como as crenças religiosas se intensificam para os teístas
nessas situações”, compara.
A estudiosa argumenta que não ser
racional, porém, não precisa ser necessariamente algo ruim. “Claramente, a
ideia de que ser ateu depende apenas da racionalidade está começando a parecer
claramente irracional. Mas a boa notícia para todos os envolvidos é que a
racionalidade é superestimada. A engenhosidade humana repousa em muito mais do
que no pensamento racional. [...] A capacidade de tomar decisões rápidas,
seguir nossas paixões e atuar na intuição também são qualidades humanas
importantes e cruciais para o nosso sucesso”, aponta.
Lee finaliza seu texto falando sobre
a importância da ciência, mas argumenta que nós, seres humanos, precisamos de
um pouco de irracionalidade, independentemente do que acreditamos ou não. “É
útil que tenhamos inventado algo que, ao contrário de nossas mentes, é racional
e baseado em evidências: a ciência [aqui há um erro conceitual, já que a
ciência não foi inventada pelo ser humano, foi descoberta por ele]. Quando precisamos de provas adequadas, a ciência pode muitas vezes fornecer
isso – desde que o tópico seja testável. Importante, a evidência científica não tende a apoiar a visão de que o ateísmo é
sobre o pensamento racional e o teísmo é sobre realizações existenciais. A
verdade é que os humanos não são como a ciência – nenhum de nós vive sem ações
irracionais, nem sem fontes de significado e conforto existencial. Felizmente,
porém, ninguém precisa.”
(The Conversation, via Hypescience)
segunda-feira, outubro 29, 2018
A sensação escatológica
segunda-feira, outubro 29, 2018
Frank Mangabeira, religião
Escatologia
é uma palavra de origem grega, peculiar ao vocabulário teológico. Ela diz
respeito ao estudo dos eventos finais relacionados à história da Terra e do
gênero humano. Marcada por forte semântica de sobrenaturalidade, a escatologia,
embora negada e combatida pelo racionalismo, faz-se sentir de forma universal
como aura misteriosa a circundar o mundo.
Pressente-se
um intenso “clima de fim” envolvendo os sentimentos, os pensamentos e os
discursos (políticos, religiosos, científicos, filosóficos, etc.) da sociedade
em geral. Estamos tomados por algo que eu chamo de “sensação escatológica”:
certa intuição de insegurança, instabilidade e incerteza que se apossou de
quase todos. É como se os acontecimentos da vida, na esfera individual e
coletiva, rumassem descontroladamente para o precipício, sendo conduzidos até à
consumação. O que está acontecendo?
Desde
tempos muito remotos, formas de apocalipse sempre se fizeram presentes no
inconsciente coletivo da humanidade. A sensação escatológica perpassou crenças,
sistemas e ideologias, sem nunca nos abandonar. No mundo mítico, por exemplo,
com raras exceções, a consciência era permanentemente lembrada acerca do “fim
do mundo”, do Ragnarök ou juízo final em que o céu e a Terra passariam por
perturbações catastróficas, a fim de darem lugar a uma nova realidade. Sob
eventos cíclicos ou lineares, as coisas, os seres e mesmo os deuses
permaneceriam sujeitos à fatalidade, à vontade do cego e inexorável Destino.
Já no
plano filosófico, inaugurando a era da “morte de Deus”, Nietzsche trouxe para a
imanência o elemento escatológico do niilismo. Com sua parábola do homem louco
no mercado bradando “Deus morreu! Deus permanece morto!”, o filósofo do martelo
– um tipo de profeta secular e fenomenólogo certeiro – ao arremessar seu
martelo esmiuçador até mesmo nos píncaros da transcendência, pretendera
vaticinar o colapso das grandes estruturas da civilização ocidental. Assim, moral
cristã, metafísica, ciência e a própria filosofia, na voz nietzscheana, fitaram
o abismo cara a cara. “Naturalmente”, pondera George Siegmund em O Ateísmo Moderno – História e Psicanálise,
“com o desmoronamento da fé em Deus desaba também todo o chão sobre o qual até
então descansavam os valores; o abismo do niilismo que se abre ameaça tragar
tudo [...]. O homem viajante perde assim toda a meta, todo o caminho; vê-se
cercado pela noite purpúrea da loucura”.
Ainda
em tempos de grande luz no campo do saber, os cientistas descrevem cenários
nada promissores, imagens do fim que lançam sombras sobre o nosso planeta e o Universo.
Livros e revistas populares de divulgação científica estão cheios de
“profecias” acerca da consumação de todas as coisas, a exemplo de O Fim da
Terra e do Céu: O apocalipse na ciência e na religião, obra na qual o
físico brasileiro Marcelo Gleiser expõe, numa linguagem meio romanceada e quase
religiosa, que “o fim está próximo!” e “os céus estão caindo”. Afinal, não foi
o grande cientista Stephen Hawking quem declarou: “Apesar de serem baixas as
possibilidades de um desastre no planeta Terra em um ano qualquer, isso vai se
acumulando com o tempo e se transforma em uma quase certeza para os próximos
mil ou dez mil anos”? Seja na concepção científica materialista ou na crença
hindu do Bhagavad Gita, ecoa a voz
escatológica: “Eu sou o Tempo, o grande destruidor.”
Tratando-se
da cosmovisão cristã, a escatologia assume proporções tão grandes que só pode
ser apresentada por meio de símbolos, metáforas e representações apocalípticas.
Os sinais do Armagedom - “a guerra das guerras” - anunciam o fim de tudo
não por causa de colisões cósmicas, morte térmica do Universo ou algo parecido.
O eskhaton, no
pensamento e profecia bíblicos, acontece em razão da direta interferência
divina na História: imperiosa necessidade e única solução para os dramas
humanos globais, pois “os ecologistas observam a desintegração de nosso
planeta, mas parece que ninguém está disposto a fazer alguma coisa a respeito.
Os economistas não conseguem superar seu pessimismo. O desemprego mundial está
crescendo. Parte da população do mundo enfrenta o perigo real de morrer de
fome. É claro, estamos simplesmente acostumados demais com esses números; eles
já não nos incomodam mais. [...] A situação política repousa em solo instável.
A paz é de fato um objetivo quando os poderes mundiais se reúnem. Mas as armas
continuam debaixo da massa de tratados e organizações. Vivemos à sombra de
nuvens atômicas. Não há país que, de alguma forma, não esteja envolvido em
algum tipo de conflito. Todas as ações políticas têm repercussão no cenário
internacional. Quanto ao estado moral da nossa sociedade, é quase
irreconhecível, tão desfigurado se tornou pelo crime, violência, drogas, álcool
e doenças. Ninguém é poupado, pois essa condição afeta todos os níveis da sociedade.
Simultaneamente, tem surgido uma nova raça de homens e mulheres: os
profissionais de sucesso. Quaisquer que tenham sido os nossos ideais artísticos
e morais, eles foram substituídos pelo ideal da nossa sociedade, o único pelo
qual vale a pena lutar: o dinheiro. A virtude agora é proporcional ao
desempenho. A humanidade contemporânea deseja, com todas as forças, se tornar
cada vez mais eficaz e cada vez menos humana. Nossa civilização incita os
piores desastres, mas ainda assim estamos sãos e salvos. Ainda andamos pelas
ruas de nossas cidades. A televisão ainda sussurra as palavras e imagens
encorajadoras de nossa prosperidade; e se isso não acontece, não haveria
problema, pois seria só um filme mesmo! Nós reciclamos. Fazemos exercícios.
Fechamos os olhos e meditamos, recusando enfrentar a lenta putrefação de nossa
sociedade decadente e preferindo ignorar os slogans de uns poucos
excêntricos. Afinal de contas, todos os nossos líderes falam de uma forma que
tranquiliza , e o povo acaba pegando no sono. E as flores do mal germinam por
todos os lados. [...] Não há terra, não há ilha, não há tribo remota que possa
escapar. É um verdadeiro ‘tempo de angústia’.”
Parece
que nos achamos perante o dobre de finados da história; contudo, para o teólogo
cristão, “a cortina não desce na tragédia”. Embora o próprio Jesus tenha
discursado escatologicamente ao afirmar que “os homens desmaiarão de terror,
apreensivos com o que estará sobrevindo ao mundo”, Ele conclui em tom de
esperança: “Quando começarem a acontecer estas coisas, levantem-se e ergam a
cabeça, porque estará próxima a redenção de vocês” (Lucas 21:26, 28). Em
síntese, arrisco afirmar, sob pena de ser considerado supersticiosamente
religioso, que somos seres com uma fixação pelo fim. Nossa natureza mortal e o
peso da finitude geram e desenvolvem em nós esse sentimento escatológico.
Numa
longa entrevista transformada em livro, respondendo à pergunta que lhe fora
feita, o filósofo alemão Martin Heidegger asseverou: “A filosofia não pode
provocar nenhuma alteração imediata do atual estado do mundo. Isso não é válido
apenas em relação à filosofia, mas também a todas as meditações e anseios
meramente humanos. Já só um deus nos pode ainda salvar.” Otimistas ou
pessimistas, teístas ou não, somos todos escatológicos. Imbuídos de tal
sensação, a perspectiva da esperança apoiada em Deus faz toda a diferença.
Frank de Souza Mangabeira
sexta-feira, abril 13, 2018
A esquerda é o arco, a direita é a flecha
sexta-feira, abril 13, 2018
Michelson Borges, política, religião
Com todas essas mudanças políticas e econômicas que o Brasil e o mundo estão enfrentando, muitos se perguntam aonde a humanidade vai chegar. Será que o caos está próximo mesmo? Será o “fim do mundo”? Os ânimos estão se acirrando e principalmente a polarização política se intensifica cada dia mais. No meio dessa confusão toda, surgem vozes destoantes e antagônicas, e a violência cresce assustadoramente. De um lado estão os adeptos da ideologia política de esquerda, com seu discurso de inclusão e justiça social, defesa de minorias e pautas progressistas como o aborto e a legalização das drogas. De outro lado, estão os adeptos da ideologia política de direita, com sua oratória moralizante e intolerante, de preservação de uma tradição religiosa e de instituições antigas. Em meio a esse fogo cruzado, qual deve ser a postura cristã pautada por princípios bíblicos?
[Clique aqui e continue lendo.]
[Clique aqui e continue lendo.]
segunda-feira, janeiro 22, 2018
Deus, o tempo, temporalidade e atemporalidade
segunda-feira, janeiro 22, 2018
Eduardo Lütz, física, religião
Há
uma discussão teológica sobre se Deus é atemporal ou não. A resposta a essa
questão depende de conceitos como tempo e atemporalidade. E, dependendo de como
definimos essas coisas, severas inconsistências podem ser geradas. Ainda no
âmbito dessa discussão, tem sido dito que um ser atemporal não interage com o
que acontece ao longo do tempo. Além disso, tempo tem sido considerado
meramente como o que permite sequência de acontecimentos (correto), mas sem levar
em conta o que as leis físicas descobertas desde o início do século 20 têm
revelado a respeito da natureza do tempo e do espaço. A forma como esses dois
conceitos têm sido usados é inconsistente e leva a conclusões equivocadas.
Teólogos
cristãos têm chegado à conclusão de que Deus não pode ser atemporal porque Ele
interage com a humanidade e com a criação em geral ao longo do tempo. Dado o
conceito popular de atemporalidade, essa conclusão é válida. Mas o conceito de
atemporalidade usado não é. O conceito de tempo usado nessas discussões também
é simplista e choca-se de quando em quando com o que se sabe sobre o
funcionamento do tempo.
Em
considerações ateístas, encontramos argumentos segundo os quais Deus não pode
existir por ser atemporal.[1] Essa linha é igualmente simplista, mas reforça a
conclusão de que Deus não pode ser atemporal sob pena de não existir. Neste
caso, porém, a situação fica ainda mais delicada ao se introduzir o conceito de
mente sem se levar em conta diferenças entre sistemas finitos e infinitos.
Ao
longo dos últimos séculos, temos visto inúmeros exemplos de ideias milenares
que precisaram ser descartadas diante de descobertas proporcionadas pelo uso de
métodos matemáticos (Ciência) para estudar a natureza. Uma das principais motivações
para essa abordagem foi a notória insuficiência da filosofia humana para
estudar a natureza. Ao tecer linhas filosóficas, frequentemente cometemos erros
grosseiros sem perceber, pois a intuição humana tende a gerar muitas
extrapolações bastante equivocadas em todas as áreas que se afastam
ligeiramente do cotidiano. Métodos matemáticos têm permitido contornar essas
limitações da mente humana e lidar mais diretamente com a realidade.
Discussões
sobre temporalidade/atemporalidade de Deus têm sofrido desse mesmo problema:
longos debates seguidos de conclusões aparentemente razoáveis, porém
equivocadas, os quais poderiam ter sido resolvidos se houvesse um pouco mais de
atenção às leis físicas. É exatamente o que o livro de Jó descreve.
Atemporalidade – A
ideia de que algo que existe independentemente do tempo fica impedido de atuar
ao longo do tempo não tem fundamento. É uma proposição ad hoc que se choca com fatos conhecidos. Vejamos se podemos tornar
isso intuitivo. Imagine uma lei que não depende logicamente do tempo nem de
características em particular deste universo. Essa seria uma entidade
independente do tempo. Seria possível a essa entidade atuar ao longo do tempo?
Sim. De fato, há leis físicas que possuem exatamente esse comportamento:
independem do tempo mas determinam o que acontece ao longo do tempo. Aliás,
mais do que uma lei física em particular, podemos citar a rainha das leis, a
que gera as demais em um nível fundamental: δS=0. Esse princípio tem sido usado
até mesmo para estudar a possibilidade da existência de outros universos, uma
vez que ele não depende sequer de características deste universo e, em
particular, de sua dimensão de tempo. Também não depende de nenhuma outra
dimensão de tempo. Nesse sentido, esse princípio é atemporal. Por outro lado,
ele rege o que acontece também ao longo de qualquer dimensão de tempo.
Resumo:
não faz sentido associar atemporalidade com incapacidade de interferir no que
acontece ao longo do tempo. Em outras palavras, não se pode negar a
atemporalidade de Deus com base no fato de que Ele atua ao longo da história.
Uma coisa nada tem a ver com a outra.
Tempo – O conceito de tempo como sendo o que permite sequência de acontecimentos
é conveniente, mas apenas como ponto de partida. O que aprendemos com estudos
de leis físicas desdobra-se em consequências que desafiam a intuição humana.
Citaremos uns poucos exemplos ao longo da narrativa a seguir.
No
século 19, James Maxwell reuniu resultados coletados por outros pesquisadores e
descobriu que já tinha informações suficientes para formular matematicamente as
leis do eletromagnetismo. As equações resultantes lançaram uma luz inesperada
sobre assuntos dos quais nada se suspeitava. Essas mesmas equações serviram de
base para quase todo o desenvolvimento tecnológico que ocorreu a partir da
segunda metade do século 19. Graças a isso temos aparelhos elétricos e
eletrônicos.[2] É nessa área que existe a maior precisão em termos de medidas e
experimentos alcançada pela humanidade. E as equações do eletromagnetismo funcionam
muito bem.
Mas
sua utilidade não se limita e nos permitir construir esses brinquedos. As
equações do eletromagnetismo também falam muito sobre fenômenos físicos em
geral. Entre outras coisas, falavam da existência de uma velocidade absoluta,
que teria a mesmo medida para todos os observadores. Isso tem consequências
importantes sobre a natureza do tempo e do espaço. Inicialmente, os físicos não
aceitaram isso, imaginando que elas poderiam ser interpretadas de outra
maneira. Se essa velocidade fosse absoluta não em relação a todos os
referenciais, como as equações diziam, mas em relação a um referencial em
particular, que foi chamado de éter luminífero,
e se essas equações fossem válidas apenas nesse referencial, então a intuição
humana não estaria tão errada assim.
Experimentos
subsequentes mostraram que o tal éter luminífero não existe, que as equações
são válidas em todos os referenciais e que o espaço e o tempo realmente possuem
as propriedades previstas pelas equações de Maxwell. A aceitação disso deu-se
por meio da formulação da estrutura matemática que ficou conhecida como
Relatividade Especial. Descobriu-se que o espaço é relativo, o tempo é
relativo, mas o espaço-tempo é absoluto. Essa formulação também nos permitiu
entender a natureza do tempo macroscópico e a identificá-lo quando aparece em
leis físicas.
Mais
tarde, descobriu-se ainda uma conexão entre distribuição de energia e curvatura
do espaço-tempo. A formulação disso ficou conhecida como Relatividade Geral,
que por sua vez abriu as portas ao estudo da Cosmologia.
Ao
longo do século 20 foram realizados literalmente milhões de experimentos,
muitos dos quais tentando invalidar a Relatividade Especial e/ou a Geral. Tudo
o que se descobriu foi que a Relatividade não fala de tudo o que existe para
saber sobre o assunto de espaço-tempo e gravidade, mas o que ela diz está
correto até onde se pode observar.
Mas
o que a Relatividade nos diz a respeito do tempo? Muito. Vamos apenas resumir
alguns aspectos mais simples a fim de lançar alguma luz sobre a questão do
tempo para Deus.
Em
primeiro lugar, o tempo que passa para uma pessoa não é necessariamente igual
ao tempo que passa para outra, a menos que elas estejam em situações muito
parecidas. Quando existe, a diferença pode ser ínfima, imperceptível, ou
gigantesca. A diferença na passagem do tempo para astronautas em órbita da
Terra, por exemplo, é pequena, mas pode ser medida pelos instrumentos atuais e
corresponde exatamente ao previsto pela Relatividade. Essas diferenças são
grandes o suficiente para afetar em muito a precisão de instrumentos como o
GPS. Sem levar em conta as previsões da Relatividade, o erro do GPS é muito
grande. Com as correções impostas pela Relatividade, a margem de erro cai
bruscamente, restando apenas erros intrínsecos aos aparelhos, como precisão do
relógio interno.
Em segundo lugar, o que é tempo para um
observador pode ser espaço para outro e vice-versa. A dimensão que é tempo fora
de um buraco negro é uma direção no espaço em seu interior, e a direção do lado
de fora do buraco negro é a radial, em seu interior é o tempo. Tempo é uma
direção, porém com um sinal diferente na fórmula que define a geometria do
universo. Esse sinal faz com que haja sequência de acontecimentos e também é
responsável por outras propriedades.
Em
terceiro lugar, espaço-tempo é o “material” com que foi “tecido” (katarithmeo, Hebreus 11:3) o universo.
Não existe tempo sem espaço. Não existe universo sem espaço-tempo. Não existe
espaço-tempo sem universo. Tempo é só mais uma das coisas que fazem parte da
criação.
Resumindo:
milhões de experimentos e observações de todos os tipos imagináveis têm
mostrado que a Relatividade está correta, mesmo sendo incompleta, inclusive
quanto à exatidão do que ela diz sobre como funciona o tempo. E ela diz coisas
que chocam a intuição usual, mas tudo o que se observa mostra que a intuição
usual está completamente enganada em certos aspectos e que a Relatividade é que
está com a razão.
Quem
acredita que Deus criou o universo deve também crer que Ele criou o tempo. E se
essa crença incluir a ideia de que Ele depende de alguma dimensão de tempo para
existir, então também implica que Ele vive em um universo (com espaço-tempo)
que Ele não criou.
Resumo
geral: a ideia de que Deus é atemporal no sentido de existir além do tempo e
independentemente dele não implica que Ele seja incapaz de agir ao longo da
história. Se Ele é o criador de todas as coisas, então Ele é necessariamente
atemporal. Tempo é só um dos atributos do universo. Se existem muitos universos
independentes, cada um possui sua dimensão de tempo independente das dimensões
de tempo dos demais.[3]
(Eduardo Lütz é físico e
engenheiro de software)
Notas:
[1]
Exemplo: https://carm.org/impossibility-atemporal-mind
[2]
Aparelhos eletrônicos são os que processam informações utilizando fenômenos
eletromagnéticos para isso. Todos os seres vivos podem ser considerados
aparelhos eletrônicos (naturais), pois processam informações e o fazem com base
em fenômenos eletromagnéticos. A Química existe e funciona com base em
fenômenos eletromagnéticos
[3]
Na Teoria das Cordas, chegamos à conclusão de que cordas abertas precisam
existir em um espaço-tempo de 26 dimensões, e cordas fechadas (laços) precisam
existir em um espaço-tempo de 11 dimensões. Há quem entenda isso como
significando que o universo existe em um ambiente multidimensional. Nesse mesmo
ambiente existiria uma infinidade de universos. Mas isso não é necessariamente
verdade. O que parece emergir da Teoria das Cordas é que essas dimensões têm a
ver com graus de liberdade das cordas, e seu efeito coletivo em um mar de
cordas resultaria no espaço-tempo macroscópico com todas as suas
características (incluindo dimensões compactas, simetrias de Lorentz, etc.).
sexta-feira, janeiro 05, 2018
Ciência e religião: duas faces da mesma moeda
Ele estende os céus do norte sobre o espaço vazio; suspende a terra sobre o nada. Jó 26:7, NVI
Muitos cientistas contemporâneos argumentam que é impossível crer em Deus e ser um profissional sério. Entretanto, vários pesquisadores que ajudaram a lançar as bases da ciência moderna eram criacionistas. Um exemplo clássico é Isaac Newton, nascido em Woolsthorpe, Inglaterra, no dia 4 de janeiro de 1643. Considerado por muitos o cientista mais influente de todos os tempos, ele ajudou a desenvolver conceitos sobre física, astronomia, matemática e ciências naturais. Além disso, é extremamente conhecido pela Lei da Gravitação Universal, pelas Três Leis do Movimento e por seus estudos sobre a refração da luz.
Em 1676, Newton confessou: “Se consegui ver além dos outros, é por estar de pé sobre os ombros de gigantes.” Posteriormente, acrescentou: “Não sei como pareço para o mundo; mas, para mim, sou apenas como um menino brincando na praia e me divertindo de vez em quando, ao encontrar uma pedra mais lisa ou uma concha mais bonita do que de costume, enquanto o grande oceano da verdade permanece intocado à minha frente.”
Contrariando pesquisadores modernos que acreditam que a ciência tem a palavra final sobre a origem e a complexidade do Universo, Newton afirmou: “A gravidade consegue explicar o movimento dos planetas, mas não explica o que colocou os planetas em movimento.” E mais: “A gravidade pode colocar os planetas em movimento, mas, sem o poder divino, ela nunca seria capaz de colocá-los em uma órbita tão circular quanto a que têm em volta do Sol. Logo, por esse e outros motivos, sou compelido a atribuir a estrutura desse sistema a um Ser inteligente.”
Ciente das limitações da ciência e da razão humana [humanas], Newton nunca perdeu de vista a confiança em Deus como Criador e “Governante Universal”. Ele inclusive escreveu mais sobre religião do que sobre ciência. Em 1733, sua célebre obra As Profecias de Daniel e o Apocalipse foi publicada postumamente, em Londres.
Para o célebre cientista, “a oposição à fé em Deus é ateísmo em profissão e idolatria na prática”. Em outras palavras, não existe ateísmo de verdade, somente uma transferência de adoração. Aqueles que não adoram a Deus acabam adorando a si mesmos ou criando os próprios deuses preferidos, a despeito de quem ou do que eles sejam.”
(Alberto Timm, Um Dia Inesquecível)
Muitos cientistas contemporâneos argumentam que é impossível crer em Deus e ser um profissional sério. Entretanto, vários pesquisadores que ajudaram a lançar as bases da ciência moderna eram criacionistas. Um exemplo clássico é Isaac Newton, nascido em Woolsthorpe, Inglaterra, no dia 4 de janeiro de 1643. Considerado por muitos o cientista mais influente de todos os tempos, ele ajudou a desenvolver conceitos sobre física, astronomia, matemática e ciências naturais. Além disso, é extremamente conhecido pela Lei da Gravitação Universal, pelas Três Leis do Movimento e por seus estudos sobre a refração da luz.
Em 1676, Newton confessou: “Se consegui ver além dos outros, é por estar de pé sobre os ombros de gigantes.” Posteriormente, acrescentou: “Não sei como pareço para o mundo; mas, para mim, sou apenas como um menino brincando na praia e me divertindo de vez em quando, ao encontrar uma pedra mais lisa ou uma concha mais bonita do que de costume, enquanto o grande oceano da verdade permanece intocado à minha frente.”
Contrariando pesquisadores modernos que acreditam que a ciência tem a palavra final sobre a origem e a complexidade do Universo, Newton afirmou: “A gravidade consegue explicar o movimento dos planetas, mas não explica o que colocou os planetas em movimento.” E mais: “A gravidade pode colocar os planetas em movimento, mas, sem o poder divino, ela nunca seria capaz de colocá-los em uma órbita tão circular quanto a que têm em volta do Sol. Logo, por esse e outros motivos, sou compelido a atribuir a estrutura desse sistema a um Ser inteligente.”
Ciente das limitações da ciência e da razão humana [humanas], Newton nunca perdeu de vista a confiança em Deus como Criador e “Governante Universal”. Ele inclusive escreveu mais sobre religião do que sobre ciência. Em 1733, sua célebre obra As Profecias de Daniel e o Apocalipse foi publicada postumamente, em Londres.
Para o célebre cientista, “a oposição à fé em Deus é ateísmo em profissão e idolatria na prática”. Em outras palavras, não existe ateísmo de verdade, somente uma transferência de adoração. Aqueles que não adoram a Deus acabam adorando a si mesmos ou criando os próprios deuses preferidos, a despeito de quem ou do que eles sejam.”
(Alberto Timm, Um Dia Inesquecível)
sexta-feira, dezembro 22, 2017
A hermenêutica protestante e o surgimento da ciência moderna
sexta-feira, dezembro 22, 2017
ciência, Eduardo Lütz, história, religião
Esse
texto se propõe a estudar a relação entre as mudanças hermenêuticas avançadas
pelo protestantismo durante os séculos 16 e 17 e o surgimento da ciência
moderna. Mediante a rejeição de interpretações místicas e alegóricas da Bíblia
e a adoção de uma leitura literal, simples e racional, a ciência foi
indiretamente influenciada a abandonar propostas filosóficas e indutivas e
adotar uma linguagem mais precisa, técnica, dedutiva e matemática.
[Clique aqui e leia esse
ótimo artigo do meu colega pastor, editor e mestre em Ciências da Religião Glauber Araújo]
Nota do físico Eduardo
Lütz: Como sempre, excelente artigo do pastor Glauber. Descreve
muito bem o cenário no qual a maior parte do entulho intelectual medieval foi
removido para que se abrisse caminho para a descoberta da Ciência, bem como a
adição do princípio positivo de conferir e testar ideias. A questão de
motivação para estudar a natureza literalmente também é fundamental do ponto de
vista humano. Mas há um detalhe fundamental que não foi mencionado no artigo.
Sem esse detalhe, ainda estaríamos andando de charrete, sem eletricidade.
Coisas como o DNA seriam apenas hipóteses impossíveis de testar diretamente. Que
detalhe é esse? O fundamento funcional da Ciência, que são os métodos
matemáticos. Todos os grandes avanços no conhecimento são consequência direta
ou indireta disso. Essa é a chave que realmente abriu as portas ao conhecimento
do mundo natural e revelou maneiras mais profundas e eficientes de estudar a
própria Bíblia.
A
ideia de ler a natureza como um livro, conforme muito bem explicado no artigo,
foi um passo importantíssimo seguido por outro que completou o fundamento: para
ler o livro da natureza, é necessário aprender a linguagem na qual foi escrito,
a qual é composta de elementos matemáticos, como disse Galileu.
Esses elementos podem ser estudados na própria natureza. Foi o que Newton fez ao descobrir o Cálculo Diferencial, sem o
qual não teríamos maneiras de estudar as leis físicas com um mínimo de
profundidade, uma vez que esse estudo depende do conhecimento de equações
diferenciais, que dependem do Cálculo Diferencial e Integral.
Muitíssimas
outras estruturas matemáticas foram descobertas com o tempo, mas nada disso
seria possível sem a descoberta do Cálculo no contexto de ser uma parte
fundamental da “linguagem” com que a realidade está escrita. E a maioria dos
métodos matemáticos da Ciência são dedutivos, não apenas indutivos como os do
experimentalismo.
Lembrando
que Matemática, quando corretamente entendida, é algo transcendental
(transcende o tempo, por exemplo), sobrenatural. São esses elementos
matemáticos que Deus nos revelou por meio da natureza que representam o
fundamento e o corpo da Ciência.
Nota da bioquímica Graça Lütz: Acabei
de ler o livro The God Delusion
[Deus, um Delírio], do Richard Dawkins. Nesse livro ele constrói todo um
raciocínio bem montado para demonstrar como a religião é algo irracional e como
religiosos são impermeáveis a ciência por manterem uma fé sem evidências. Que
quando algo é absurdo, os religiosos não questionam e dizem que é uma questão
de fé e não pode ser investigado porque não está revelado. Ele acredita que
pessoas religiosas são impermeáveis ao raciocínio, atrasam e são um obstáculo
ao progresso e aos bem-estar da humanidade. O livro, do começo ao fim, cita
exemplos de coisas que cristãos dizem e fazem. O mais doloroso é que esses
exemplos são reais e são argumentos e atitudes com que nos defrontamos todos os
dias. O problema do Dawkins é que ele confunde Filosofia e raciocínio
qualitativo, observação, coleta de dados, dados estatísticos e coisas do gênero
com Ciência. Graças a isso, ele faz as perguntas erradas, que não se aplicam, e
tira conclusões equivocadas sobre Deus. Ele também avalia o que lê na Bíblia a
partir da linguagem, cultura e pensamento atuais. Lendo o livro dele, percebi
que ele teceu uma rede bem construída (não apenas por ele, pois aproveitou
ideias que já existiam também) que forma aquele escudo de pensamento que
encontramos entre os acadêmicos e que faz com que eles fiquem impermeáveis a
argumentos criacionistas. E percebi o porquê. Ele aborda praticamente todos os
argumentos criacionistas que são usados, incluindo muito do que é ouvido em
encontros e seminários criacionistas. O que ele não aborda nem entende é
justamente Matemática. E ele não entende nada de origem da vida também. Ele
quase não apresentou um argumento válido nesse sentido.
segunda-feira, dezembro 18, 2017
A dívida da ciência com a religião
Vivemos num mundo estruturado sobre a tecnologia e que,
por isso, é incrivelmente dependente dela. Graças ao avanço científico, somos
capazes de enviar robôs a outros planetas, carregar computadores na palma da
mão ou amarrados ao pulso e até modificar o código genético de espécies. No
entanto, a ciência nem sempre teve essa precisão e status. Os “cientistas” da Idade Média trabalharam em condições bem
precárias, comparadas às atuais. E essa diferença não se explica somente pelo
abismo tecnológico e de conhecimento que separa os dois períodos, mas também
pelo modo com o qual as pessoas interpretavam os fenômenos naturais. Alguns
estudiosos defendem a ideia de que existe uma relação íntima entre a forma com
que a Bíblia (o livro da revelação especial de Deus) era interpretada e como a
natureza (o livro da revelação natural de Deus) era estudada. Este artigo
pretende mostrar como o método de interpretar o texto sagrado redescoberto
pelos protestantes teve impacto no modo de fazer ciência.
sexta-feira, dezembro 15, 2017
Cristãos devem celebrar o Natal? Quem é Papai Noel?
Existe
muita especulação sobre isso. Um astrônomo identificou a conjunção dos planetas
Vênus e Júpiter no ano 2 a.C., que teriam emitido uma forte luz que poderia ter
sido confundida com uma estrela, como sendo a estrela de Belém mencionada nos
evangelhos. Só que a escritora Ellen White afirma que a estrela de Belém, na
verdade, era formada por anjos e não se tratava de uma “estrela” real ou
cadente. Além disso, é dito que essa estrela guiou os sábios do Oriente. Portanto,
por mais que alguns astrônomos se esforcem para identificar que astro era
aquele, não poderão fazê-lo.
Mas,
quanto ao nascimento de Jesus, de certa forma o astrônomo tem razão: Ele não
nasceu a 25 de dezembro. Nessa época, dificilmente os pastores estariam ao ar
livre, à noite, com seus rebanhos, pois faz muito frio naquela região.
Todas
as tentativas sérias de determinar o dia em que Jesus Cristo nasceu passam
longe do dia 25 de dezembro. O astrônomo Colin Humphreys, por exemplo, indicou,
calculando eventos siderais, que Cristo deve ter nascido entre 9 de março e 4
de abril do ano 5 a.C.
domingo, dezembro 03, 2017
O cérebro humano já nasce predisposto a acreditar em Deus
[Veja
como a Superdescrente
Superinteressante descreve esse fenômeno:] O cérebro nasce programado para
acreditar em algum tipo de deus, e a fé não é opção pessoal nem chamado divino:
é uma tendência biológica, que se desenvolveu ao longo de milhares de anos de
evolução. Essa ideia, que desagrada a crentes e ateus e é uma das teorias mais
polêmicas entre os cientistas, parece ter sido finalmente comprovada por
um estudo, realizado por pesquisadores do Instituto de Saúde dos EUA
(NIH). Eles monitoraram o cérebro de pessoas religiosas e descobriram que,
quando elas pensam em deus [sic], ativam os mesmos neurônios que todo mundo
(crente ou não) usa para formar a chamada “teoria da mente” – a capacidade de
entender o que outras pessoas estão sentindo e simpatizar com elas. E essa
habilidade é primordial para as relações humanas: se cada pessoa fosse alheia
aos sentimentos das outras, a sociedade como a conhecemos não existiria, seria
apenas uma multidão de psicopatas. Quando o homem começou a formar sociedades
complexas, quem tinha o cérebro mais crente se dava melhor – pois, além de
acreditar em mitos, também era mais sociável. E isso ajudaria a explicar por
que hoje, mesmo com todos os avanços da ciência, a crença no sobrenatural ainda
é tão forte. Acreditar está no nosso DNA.
“Se
um grupo de crianças fosse deixado numa ilha deserta, elas acabariam se
tornando religiosas”, afirma o psicólogo Justin Barrett, da Universidade de
Oxford. Ele é diretor de um projeto ambicioso, que passou os últimos anos
investigando uma dúvida perene: Por que algumas pessoas acreditam em deus [sic]
e outras não? Barrett não antecipa os resultados do estudo, que deve ser
concluído em 2010, mas já tem um palpite. As pessoas não escolhem acreditar ou
não; elas já nascem acreditando. “As crianças são propensas a acreditar na
criação divina. Já a ideia de evolução não é natural para elas”, diz. É como se
você saísse de fábrica com um cérebro crédulo, e só conseguisse transformá-lo em
cético depois de muito tempo. Amém.
Nota: Note o desespero ateu e darwinista para
reconhecer o óbvio: fomos criados para crer e identificar intuitivamente aquilo
que também deveria ser óbvio, ou seja, que se existe informação, existe uma
fonte informante; se existem leis, existe um legislador; se existe vida, existe
um doador da vida (afinal, vida só provém de vida); se existe algo é porque
alguém o fez (afinal, do nada nada provém). Tempo, espaço, matéria e informação
jamais poderiam aparecer do nada. Negar essas obviedades é um esforço que vai
contra a natureza e a lógica e que deve ser reafirmado constantemente, daí
porque muitos ateus dizem não crer em Deus, mas vivem incomodados com a ideia
de Deus, necessitando repetir para si mesmos e para os outros que Deus não
existe. Se não existe, por que se incomodar com isso? A Bíblia e a ciência
respondem: fomos criados para crer; está em nosso DNA; está em nosso íntimo.
Portanto, as evidências estão dentro e fora de nós. A vida só faz realmente
sentido quando se dá atenção a esse componente espiritual da natureza humana.
Como os darwinistas não conseguem negar essa realidade, o jeito é usar o
próprio darwinismo para tentar explicá-la. E o resultado é uma explicação estapafúrdia.
Evoluímos para crer porque a crença nos é vantajosa na sobrevivência. Quem crê
vive mais e melhor. Então, essa característica foi selecionada para nossa
espécie. Dá para acreditar nisso? Nisso não, afinal, mesmo sendo crente, não
deixo de ser cético. [MB]
terça-feira, novembro 28, 2017
Vaticano assume evoteísmo e deve reabilitar padre evolucionista
terça-feira, novembro 28, 2017
evolucionismo, religião, sábado
Em seu blog “Darwin e Deus”, no site do jornal Folha de S. Paulo, o jornalista Reinaldo José Lopes informou recentemente
que será reabilitada a obra de Pierre Teilhard de
Chardin (1881-1955), jesuíta francês que também foi paleontólogo e realizou uma
série de estudos pioneiros sobre evolução humana na China. “Desde os anos 1960,
as obras de Chardin estão marcadas com um ‘monitum’, ou advertência, da
Congregação para a Doutrina da Fé, órgão responsável pela pureza doutrinária do
catolicismo”, explica Reinaldo. “O que acontece é que diversos livros do
religioso, que analisam o fenômeno evolutivo por um prisma teológico e
religioso, fazem uma espécie de fusão ousada do cristianismo com o evolucionismo,
o que deixou parte da Igreja Católica contrariada.”
Acontece que os membros do Conselho Pontifício para a Cultura,
do Vaticano, acabaram de votar em peso em favor do fim do “monitum”, o que
significa que o pensamento e a obra de Chardin realmente poderão ser
reabilitados. “É de se esperar que o papa Francisco siga a recomendação porque
fez uma menção elogiosa ao trabalho de seu colega jesuíta em sua encíclica
ambiental, a Laudato Si”, prevê
Reinaldo.
E
assim vemos revelada claramente a posição ideológica católica evolucionista
teísta segundo a qual Deus teria Se valido de processos evolutivos para trazer
a vida à existência e ao seu estágio atual – sendo Deus, então, o criador da
cruel seleção natural, do conceito de sobrevivência do mais apto e, claro, da
morte como fator de “purificação” e seleção das formas de vida.
Ao
esposar essa ideia, o Vaticano e o papa lançam por terra o relato da criação e,
consequentemente, o santo sábado, memorial dessa criação realizada em seis dias
literais de 24 horas. Isso sem contar que comprometem também a obra redentora
de Jesus, afinal, se a história do pecado igualmente se encontra no relato
alegórico do Gênesis, o que Jesus veio fazer aqui? Por que Ele morreu na cruz
para expiar a culpa por algo que não aconteceu de fato? Por que Ele é
considerado o segundo Adão, se o primeiro nem existiu?
Eu
sua encíclica Laudato Si, o papa
Francisco dedica um capítulo à defesa do descanso dominical como uma das
possíveis soluções para o aquecimento global. Evidentemente que, para defender
um dia que não é verdadeiramente um dia de repouso, o papa precisa tirar para
escanteio o verdadeiro dia de repouso. Assim, nada mais conveniente que a
teoria da evolução para contestar o relato bíblico e relativizá-lo a tal ponto
que qualquer doutrina possa ser relida e redefinida ao bel-prazer dos teólogos
evolucionistas do Conselho Pontifício para a
Cultura.
A polarização se tornará cada vez mais evidente: de um lado
estarão o “fundamentalistas” teimosos em sua defesa da interpretação literal
dos primeiros capítulos da Bíblia e da vigência da lei de Deus (o que inclui o
quarto mandamento); de outro estarão os teólogos liberais que relativizam e
mitologizam o relato da criação, defendendo um dia de descanso criado pelo
homem.
De que lado você estará?
Michelson Borges
Leia também: “Papa defende a evolução e despreza o criacionismo” e “Vaticano defende teoria da evolução”
terça-feira, agosto 01, 2017
Lúcifer nos deu o verdadeiro conhecimento?
terça-feira, agosto 01, 2017
Eduardo Lütz, religião
Recentemente
circulou nas redes sociais a ilustração de um bode representando Lúcifer com um
texto em espanhol no qual se afirma que foi ele quem legou à humanidade o
verdadeiro conhecimento, tendo Deus tentando nos impedir de ter esse
conhecimento (veja a figura abaixo). Trata-se de uma típica distorção. O que
Deus queria evitar era o conhecimento experimental do mal, isto é, queria
evitar que Seus filhos vivenciassem o sofrimento, a injustiça e a morte. Deus
disponibilizou todo conhecimento a eles, menos o conhecimento pessoal do mal (o
teórico lhes foi apresentado). O inimigo gosta de colocar o erro
suficientemente próximo da verdade para que possa aproveitar parte da força
dela. É uma técnica que funciona muito bem com muita gente. Dependendo do
calibre, às vezes engana quase 100% das pessoas.
Quando
dois pontos estão tão próximos que é difícil distingui-los, dizemos que essa distância
está no limite da resolução. E, de fato, usamos essa distância como base para
definir resolução. Quanto menor for essa distância mínima entre pontos para que
possam ser distinguidos, maior é a resolução. Existe também uma resolução
intelectual, que é muito menor para abordagens qualitativas do que para boas
abordagens matemáticas. Quanto menor é a resolução intelectual das pessoas,
mais fácil será o trabalho do inimigo em colocar o erro próximo à verdade para
confundir. Por isso é importantíssimo para ele que as pessoas não tenham acesso
à ciência, seja por não entender o que ela é, seja por usar uma contrafação em
lugar dela, seja por desenvolver barreiras filosóficas ou psicológicas contra
ela.
(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)
quarta-feira, julho 26, 2017
“Por que é aceitável criticar o Cristianismo mas não o Islã?”
Um evento com a presença do cientista Richard Dawkins na
universidade de Berkeley foi cancelado por causa de declarações “ofensivas”
dele contra muçulmanos, o que reacendeu o debate sobre a falta de liberdade de
expressão em uma das mais conceituadas dos Estados Unidos. O evento havia
sido agendado pela rádio KPFA, de Berkeley, para agosto. A ideia era que
Dawkins falasse sobre seu livro de memórias, Brief Candle in the Dark. Mas o evento foi cancelado depois que
alguns tuítes de Dawkins com críticas ao Islã foram enviados aos organizadores
do evento. Dawkins, o mais famoso expoente do chamado neoateísmo e autor do best-seller Deus, um Delírio, tem um
longo histórico de críticas à religião em geral, e ao Cristianismo,
especificamente.
Nos últimos anos, entretanto, com a ascensão de grupos
terroristas muçulmanos, ele tem centrado boa parte de seus ataques no
fundamentalismo islâmico. “Nós não sabíamos que ele tinha ofendido – em seus
tuítes e outros comentários sobre o Islã – tantas pessoas. A KPFA não apoia
discursos ofensivos”, disse a rádio, em um comunicado.
Em um dos tuítes citados pela
KPFA para justificar sua decisão, Dawkins afirma que o Islã é “a
maior força para o mal no mundo de hoje”.
Dawkins, por sua vez, criticou a decisão da rádio, que ele disse
ser sem fundamento. “Eu sou conhecido como um crítico frequente do
Cristianismo e nunca fui desconvidado por causa disso. Por que dar um passe
livre para o Islã? Por que é aceitável criticar o Cristianismo mas não o
Islã?”, disse ele.
O autor também disse que, longe de atacar os praticantes do
Islã, entende que os próprios muçulmanos são as primeiras vítimas da cultura do
Islamismo militante.
O cancelamento do evento com Dawkins provocou outras reações. “A
decisão é intolerante, mal-fundamentada e ignorante”, escreveu Steven Pinker,
autor e professor de Harvard, em carta à radio. V. S. Ramachandran,
conceituado neurocientista da Universidade da Califórnia, também protestou: “Dawkins
é a pessoa mais corajosa e intelectualmente honesta que eu conheço. Concorde ou
não com suas posições, você não pode questionar a integridade dele”,
afirmou.
Nos últimos meses, a tradicional universidade de Berkeley, na
Califórnia, tem ocupado o noticiário por causa de sua restrição a palestrantes
que destoam do discurso politicamente correto predominante na instituição. Em
abril, a universidade cancelou uma palestra da escritora conservadora Ann
Coulter após protestos de estudantes de esquerda. Em fevereiro, o mesmo havia
ocorrido com o jornalista de direita Milo Yiannopoulos, cuja palestra também
acabou cancelada em meio a atos de violência de manifestantes.
A transformação de Berkeley em um espaço hostil a certos tipos
de palestrantes é mais surpreendente porque a universidade californiana esteve
na vanguarda da luta pela liberdade de expressão nos campi americanos na década
de 60.
Nota: Não deveria ser surpresa que uma
universidade de orientação esquerdista beije a mão do Islã enquanto repudia o
cristianismo (e ao dizer isso não estou de forma alguma atacando
seguidores sinceros da religião de Maomé). O objetivo dos militantes esquerdistas
é destruir os pilares judaico-cristãos sobre os quais o mundo ocidental está
edificado. Um mundo em que, por causa do cristianismo, há liberdade de
expressão, liberdade religiosa e separação entre a igreja e o Estado –
condições que, inclusive, permitem aos esquerdistas trombetearem suas ideias e
expor seus absurdos (i)morais. Gostaria de ver essa gente fazendo o mesmo em
países de orientação teocrática islâmica... Não durariam um dia. O que fizeram
com Dawkins apenas revela uma vez mais o preconceito localizado que certas
instituições “laicas” nutrem contra o cristianismo; isso para não falar no
criacionismo. Mas o “devoto de Darwin” não precisa ficar triste. Não faltam tribunas para acolherem seu ateísmo estridente. [MB]
quinta-feira, junho 22, 2017
Isso é o que dá ficar marcando datas para o fim
quinta-feira, junho 22, 2017
religião
Ele
estava no auge da carreira quando decidiu abandonar o futebol. A razão?
Preparar-se para o fim do mundo. A religião sempre teve um papel central na
vida de Carlos Roa, internacional argentino que, aos 29 anos, recusou propostas
milionárias e desapareceu durante alguns meses. O tempo passado em isolamento,
nas montanhas, permitiu ao goleiro “ficar mais próximo da família”. Quando
sentiu falta do futebol, regressou “relaxado e feliz” – mas o tempo dele já
tinha passado, e a carreira não voltaria a ser o que era. Carlos Roa não teve
um início fácil: estreou no campeonato argentino aos 19 anos, pelo Racing
Avellaneda. [...] A aventura europeia começou em 1997-98. [...] Veio o Verão e
Carlos Roa juntou-se à seleção argentina para o Mundial 1998. Titular indiscutível
na equipe de Daniel Passarella, não sofreu qualquer gol na fase de grupos e
voltou a ser decisivo nos pênaltis, perante a Inglaterra, nas oitavas-de-final.
[...]
Roa
era um herói nacional e na época, 1998-99, foi eleito o melhor goleiro do
campeonato espanhol. Havia sobre a mesa uma proposta milionária do Manchester
United, mas o goleiro tinha tomado a decisão de abandonar o futebol para
dedicar-se a “transmitir a palavra de Deus”, como pastor [sic] da Igreja
Adventista do Sétimo Dia. À semelhança de outros crentes, acreditava que a
mudança de milénio traria o fim do mundo. A camiseta 13 do Maiorca (“O 1 é
Deus, a criação, e o 3 porque Cristo ressuscitou ao terceiro dia”) deixou de
ter dono, Roa libertou-se de todos os bens e retirou-se para um lugar incerto.
[Continue lendo, especialmente
a nota sob a notícia.]