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sexta-feira, janeiro 11, 2019

Damares Alves é criticada por defender ensino do criacionismo

Uma nova polêmica foi criada em torno da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves: sua opinião a respeito da teoria da evolução. Nas imagens de uma entrevista concedida por ela em 2013, Damares responde sobre o papel da igreja evangélica na política e observa que os cristãos perderam influência nas escolas. “A igreja evangélica perdeu espaço na história. Nós perdemos o espaço na ciência quando deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência. A igreja evangélica deixou a ciência para lá e ‘vamos deixar a ciência sozinha, caminhando sozinha’. E aí cientistas tomaram conta dessa área”, diz a ministra no vídeo. Em nota, o ministério informou que “a declaração ocorreu no contexto de uma exposição teológica que não tem qualquer relação com as políticas públicas que serão fomentadas” pela pasta.

A teoria da evolução, reconhecida por grande parte da comunidade científica, defende que, a partir de ancestrais comuns, os seres humanos e outros tipos de vida sofrem mudanças evolutivas de uma geração para outra. No entanto, ela ainda é questionada por muitos cientistas, como o físico Adauto Lourenço, mestre em Física pela Clemson University (EUA). Ele apresenta evidências científicas que desmentem a tese defendida pelos evolucionistas.

“O problema é que o que sabemos hoje de seleção natural está ligado à quantidade de informação genética que um organismo tem. Para que a seleção natural ocorra, algo deve se transformar em outra coisa. Mas a informação genética disponível não faz com que ‘isso’ se transforme ‘naquilo’”, disse Lourenço em entrevista ao Guiame.

“Vamos pegar um exemplo prático: a boa pata de um réptil. Vamos imaginar que essa boa pata iria evoluir e, lá na frente, esse animal se tornaria uma ave. Para que essa boa pata se transforme em uma boa asa, no meio [do processo] ela não seria nem uma boa pata, nem uma boa asa. A seleção natural faria com que isso deixasse de existir. A seleção natural é um mecanismo que impede o processo evolutivo; exatamente o contrário daquilo que muitos acreditavam”, esclarece.

Lourenço lembra que o naturalista Charles Darwin, quando escreveu seu livro, disse que o maior problema com sua teoria é que não havia evidências de evolução. “A quantidade de evidências mostrando que a evolução nunca aconteceu, no registro fóssil, na genética, na biologia, nos processos naturais, é esmagadora. Continua sendo ensinado aquele mecanismo de forçar a pessoa a aceitar por intimidação. Hoje um aluno não pode mais dizer que não concorda com isso”, observa. [...]


Nota: Minha posição, assim como a da Sociedade Criacionista Brasileira, continua sendo pelo não ensino do criacionismo nas escolas públicas, não porque ele não merecesse ser ensinado ao lado da hipótese da evolução, mas porque o modelo seria distorcido ou mal explicado por professores que só conhecem (quando conhecem) o evolucionismo. Além disso, em um estado laico, não convém levar para as aulas de ciência e biologia uma estrutura conceitual que integra ciência e religião. Mas isso seria um grande problema? E o evolucionismo seria mesmo ciência pura? E se não, seria conveniente apresentá-lo como fato, verdade absoluta? Em outro post voltarei a essas três perguntas. Agora quero ponderar outro aspecto da celeuma.

O vídeo em que a ministra fala sobre o ensino da teoria da evolução é de cinco anos atrás e foi gravado em um contexto totalmente diferente do atual. É verdade que as palavras de Damares não têm aquele rigor científico nem filosófico, mas expressam uma opinião dela que, em partes, tem lá sua razão. Vejamos.

Ela disse: “Nós perdemos o espaço na ciência quando deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos.” Damares tem razão. A ciência foi descoberta por homens de profunda convicção religiosa e fé na Bíblia Sagrada. Cientistas como Newton, Galileu, Pascal e outros nos legaram o pensamento científico e o harmonizavam bem com a religião. Faziam pesquisa científica para descobrir como Deus criou o Universo e a vida. Quando o darwinismo dominou o ambiente acadêmico, acabou impedindo a discussão ampla a respeito das origens. Os evolucionistas mais honestos e bem informados admitem que a teoria da evolução contém graves insuficiências epistêmicas e falha em responder muitas perguntas, mas procuram evitar esses questionamentos justamente para não dar espaço para a “hipótese concorrente”, o criacionismo. E por quê? Porque querem manter sua posição naturalista, dando as costas para tudo o que não pertença aos domínios do mundo dito natural.

Damares também fala em “questionamento”. E que mal há nisso? Não deveria ser justamente na universidade que o pluralismo de ideias teria que ser aceito e promovido? Não é papel da imprensa questionar e apresentar pelo menos duas faces de uma mesma história? Mas não. Ao tornar hegemônica e inquestionável a teoria da evolução, essas mesmas pessoas blindam esse modelo conceitual e o tornam inquestionável.

A ministra (que na época não era ministra) disse também: “A igreja evangélica deixou a ciência para lá e ‘vamos deixar a ciência sozinha, caminhando sozinha’. E aí cientistas tomaram conta dessa área.’” Bem, os cientistas têm mesmo que “tomar conta” dessa “área”. Mas que os evangélicos se distanciaram da ciência, isso é verdade. Essa atitude inclusive faz com que muitos cristãos abracem crendices, desprezem o estudo profundo das Escrituras Sagradas (deixando de lado, por exemplo, a arqueologia, a hermenêutica e a exegese, por exemplo) e digam verdadeiras asneiras quando o assunto é ciência (terraplanistas e militantes antivacinação que o digam...).

Só mais um detalhe: quando os presidentes anteriores indicavam algum ministro, quase ninguém se interessava pelo assunto, a não ser quando essa pessoa era citada em alguma investigação por corrupção. É interessante e positivo o recente interesse por política e pela vida das pessoas que estão sendo indicadas para cargos públicos, mas chega a ser hipocrisia ficar vasculhando vídeos e declarações antigos para tentar minar a autoridade e o currículo dessas recém-empossadas autoridades.

Em outro post vou analisar outros aspectos dessa polêmica. [MB]

quinta-feira, outubro 18, 2018

General diz que criacionismo deveria ser ensinado nas escolas


[A matéria a seguir foi escrita pelo jornalista Bruno Boghossian para a Folha de S. Paulo, e publicada no dia 16 de outubro:] “As conspirações sobre a ideologia nas escolas atingiram o insuspeito Charles Darwin [sic]. Um general que elabora propostas na campanha de Jair Bolsonaro diz que a teoria da evolução deve ser ensinada ao lado do criacionismo (a ideia de que Deus criou diretamente o homem). ‘Muito da escola está voltado para orientação ideológica […]. Houve Darwin? Houve, temos de conhecê-lo. Não é para concordar, tem de saber que existiu’, afirmou Aléssio Souto ao jornal O Estado de S. Paulo. As duas visões devem ser mantidas em esferas distintas, mas o militar segue uma linha em que a religião disputa espaço com a ciência. Ele diz que um pai ‘não está errado’ se quiser que o professor ensine teoria da criação no lugar do darwinismo.

“A sugestão causa arrepios em especialistas. ‘Esse debate deve ocorrer no campo da religião, nas aulas de filosofia ou sociologia’, afirma Priscila Cruz, do movimento Todos pela Educação. ‘Na ciência e na biologia, o criacionismo deveria ser banido.’ Ao tratar pontos do ensino científico como desvio ideológico, assessores de Bolsonaro aplicam, eles mesmos, um viés político à educação. ‘Quando você iguala ciência e ideologia, você anda para trás, ignora séculos de aprendizado’, diz Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências. ‘A teoria da evolução não é ideológica. É resultado de percepções científicas e foi testada ao longo do tempo.’”

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: “Davidovich cometeu dois erros:  
 
“1. A teoria da evolução é sim ideológica - quem disse foi Darwin em uma de suas cartas que pelo menos ele tinha dado um chega pra lá no criacionismo. 

“2. A teoria da evolução foi testada em nível microevolutivo; macroevolutivo, não! A descendência com modificação ao longo do tempo, por exemplo. Nunca explicaram a Explosão Cambriana. Quais são os mecanismos evolucionários? De A a Z? Qual a origem da informação genética? Por que do upgrade para a Síntese Evolutiva Ampliada/Estendida com aspectos neolamarckistas porque a Síntese Evolutiva Moderna já era em 1980 uma teoria científica falida que posava de ortodoxia científica somente nos livros-texto?

“Sim, a teoria da evolução deve continuar sendo ensinada em nossas escolas, mas deve ser ensinada objetiva e honestamente considerando as evidências a favor e contra. Do jeito que a teoria da evolução é ensinada no Brasil, não é educação, mas doutrinação ideológica do materialismo filosófico que posa como se fosse ciência!”

Leia aqui a posição da Sociedade Criacionista Brasileira quanto ao ensino do criacionismo em escolas públicas.

terça-feira, outubro 02, 2018

Darwin presidente: o evolucionismo na base (de toda) política (parte 1)

Com a corrida eleitoral 2018 no Brasil, incendiaram-se os debates entre os candidatos (e entre a população). No entanto, poucas pessoas sabem que as ideologias de esquerda, direita e terceira posição (extrema-direita) têm algo em comum: adotam na sua base os princípios evolucionistas, não importa se incluem ou não Deus no discurso. E isso traz consequências para você. Esta é a primeira de uma série de três posts nos quais discorreremos sobre como o evolucionismo influencia todas as visões políticas que fundamentam os partidos não apenas do Brasil mas também do mundo.

Quais são as principais correntes ideológicas políticas da atualidade

Antes de partir para a questão do evolucionismo na política e sociologia, precisamos rapidamente entender os pressupostos das grandes correntes políticas que governam o mundo no século 21:

1. Marxismo. O movimento político mais bem delimitado não só no Brasil como no mundo é o Marxismo, origem dos partidos da assim chamada "esquerda". É mais bem delimitado porque, mais do que nos outros movimentos, é fácil identificar os partidos e seus integrantes, não apenas pelo vermelho que seus defensores usam, mas, principalmente, pelas pautas que eles apresentam, que seguem fielmente a cartilha dos pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels em tópicos sobre capital e distribuição de renda, estrutura da família, papel do Estado, direitos das minorias, dos trabalhadores e do "proletariado", frequentemente reivindicados dos "burgueses". O Marxismo prega a distribuição da renda entre todos, a eliminação das classes sociais, a relativização do conceito de propriedade privada, a liberdade total da sexualidade humana e se opõe ao modelo familiar definido na Bíblia como sendo de criação divina, modelo esse que constitui o fundamento das sociedades ocidentais capitalistas. O marxismo influenciou fortemente a política mundial ao longo do século 20, tendo expoentes nomes como os dos ditadores Joseph Stalin, na Rússia, e Mao-Tsé Tung, na China. Houve diversos países que tentaram implantar as premissas marxistas no movimento Socialista, como Rússia, China, Vietnã, Coreia do Norte, a antiga Alemanha Oriental e outros. Na América Latina encontra forte amparo nos movimentos revolucionários que surgiram em países como Cuba e Venezuela, tendo passagens menores mas significativas em vários outros países sul-americanos.

2. Capitalismo liberal. Porém, o Marxismo surge como reação a uma configuração social mais antiga, a do capitalismo que era praticado como derivação da burguesia comercial da Europa no fim da Idade Média. Essa burguesia, por sua vez, tinha se originado da distribuição de recursos e poder nos feudos dos antigos reinos europeus, e substituiu a relação de senhorio e vassalagem que era ubíqua no Velho Continente até então. O Capitalismo não segue uma cartilha tão estreita como a do Marxismo, mas se baseia fortemente na visão  do Estado mínimo, do livre comércio, do direto à propriedade e da garantia dos contratos. Ou seja, o Capitalismo se interessa em condições favoráveis à prosperidade econômica. Ainda apregoa que a oferta e a demanda equilibram a distribuição de riquezas a preços justos, que seriam definidos por um mercado em que todos os agentes tivessem plena liberdade para estabelecer o valor de seus produtos. Estes pressupostos são obtidos na visão da "Mão Invisível" de Adam Smith e outros, e desde então vêm avançando com força até atingir o estado do chamado neoliberalismo, que bebeu fundo no poço do Tatcherismo inglês dos anos 1980. A maioria das sociedades ocidentais segue o modelo capitalista em maior ou menor grau, com destaque aos Estados Unidos que são, notadamente, a maior economia do mundo e considerados os grandes campeões dessa visão. Por ser uma espécie de rebelião contra o Capitalismo, denunciando as explorações e injustiças deste, o Marxismo é considerado "esquerda". Por inferência, então, o capitalismo passou a ser considerado "direita".

3. Terceira posição. Mas não é tão simples. Chamar de direita o que não é esquerda causa um problema de super-simplificação. Existem outras visões que não se alinham totalmente com o capitalismo liberal econômico que vimos acima. Dentre essas visões não marxistas, vamos destacar aquela que causou maior impacto no cenário geopolítico no século 20: a "extrema-direita" ou fascismo. A titulação de fascismo vem do movimento fascista italiano que surge com o general Benito Mussolini no início do século 20, seguido logo após pelo seu espelho alemão, o Nazismo, cujo expoente principal foi o ditador alemão Adolf Hitler. A história do fascismo se confunde com a das duas grandes guerras, e não dá tanta importância às questões econômicas quanto o liberalismo. A extrema direita geralmente arrebanha adeptos em torno da causa da luta contra a ameaça externa à nação, que é reverenciada como valor supremo (nacionalismo). Os Estados, na visão fascista, estariam constantemente em guerra, declarada ou não, e apenas um governo forte, mantido geralmente por um líder visionário, seria capaz de mobilizar a população, os recursos econômicos e a tecnologia para dar combate aos inimigos nacionais. Controle rígido da ordem, poder total do Estado (totalitarismo) e legitimação do uso da violência  são práticas onipresentes nos movimentos fascistas. Geralmente remetem à superioridade do povo (raça, etnia) e  ao culto às armas. Por ter pouca coisa em comum com o capitalismo liberal que vimos no tópico 2, alguns autores chamam esse movimento de "terceira posição", ou seja, o mesmo não se enquadraria totalmente nem nas premissas do capitalismo liberal, nem nas do marxismo, embora as práticas fascistas tenham muito em comum com o encontrado nas ditaduras de esquerda do século 20 e seus idealizadores tenham se posicionado como pertencendo à direita.

A Evolução e o Marxismo

A filosofia marxista é, admitidamente, um racional ateísta no qual a religião não passaria de um estratagema finamente concebido para manter as classes oprimidas (trabalhadores, pobres) debaixo do poder das classes dominantes (capitalistas, os burgueses) através do medo de um inferno e da cobiça de uma vida melhor no pós-morte. Marx chamou então a religião de "ópio do povo".[1] Na verdade, a teoria da Origem das Espécies através da Seleção Natural, do naturalista inglês Charles Darwin, foi fundamental para o desenvolvimento da teoria de Marx.[2] Marx teria enviado um exemplar da segunda edição alemã da obra O Capital ao próprio Darwin com uma nota de agradecimento e reconhecimento da valiosa contribuição da obra do naturalista britânico para a sua teoria. Engels, amigo de Marx, chegou a afirmar que Darwin "descobriu" a Evolução na biologia [sic] e que Marx havia descoberto a evolução na história social [sic].[2]

Seria, de fato, inconcebível que a filosofia marxista fosse, de alguma forma, tolerante a qualquer ideia que pudesse admitir a existência e soberania do Deus cristão, haja vista seus pressupostos. Marx rejeitava qualquer interpretação espiritual da realidade, afirmando que o presente estado de coisas nada mais é do que uma luta de agentes humanos regidos por leis físicas em busca do controle dos recursos da natureza, dando força à visão materialista da existência.[5]

Juntamente com a exclusão de Deus do racional marxista vem o alijamento das estruturas sociais judaico-cristãs tidas como sagradas no cânon bíblico. A família, na visão de Marx, era nada mais do que uma construção social que havia sido artificialmente implantada por grupos dominantes e que servia ao sistema opressor do capitalismo europeu. Marx afirmou que:
"A família moderna contém em germe não apenas a escravidão (servitus), mas também a servidão, [e] desde o princípio esta está relacionada aos serviços agrícolas. Esta contém, em miniatura, todas as contradições que mais tarde se estendem através de toda a sociedade e o seu Estado."[6, tradução livre]
Engels, possivelmente o segundo maior nome no desenvolvimento da filosofia socialista, via a família como um arranjo evolucionário ditado pelas circunstâncias dos grupos primitivos humanos que lutavam pela sobrevivência nas eras remotas. Para Engels, as famílias ocidentais se originaram e se mantêm graças à dominação masculina, que se dá através do exercício do poder econômico. Com a extinção da supremacia masculina, para o filósofo, viria paralelamente a ruína do modelo monogâmico, através da proliferação dos casos de divórcio e da prática de formas mais "livres" de "amor".[7]

A teoria da evolução, no entanto, não deixaria de produzir seus efeitos mais explícitos e funestos no pensamento marxista. Se o ateísmo, que se apropriou indevidamente de uma parte do método científico para tentar "provar" seus pressupostos materialistas e existencialistas, obteve alguns trunfos racionalistas para se estabelecer como uma verdade plausível, também abriu as portas para a miséria da não existência de um código moral universal e atemporal. Esse código seria encontrado apenas no conceito da Divindade monoteísta que tanto foi atacada por esse movimento. Também deu passagem para a consideração da moralidade (ou, ao menos, da racionalidade) do domínio do mais forte sobre o mais fraco, e também para a ideia de que existam diferenças qualitativas entre humanos e suas raças em termos evolutivos.

Curiosamente, Marx se mostrou um racista notável (ou detestável). Em 1862, sua aversão aos judeus e desprezo às raças negras levou-o a declarar a respeito de um de seus inimigos políticos:
"É agora perfeitamente claro para mim, como a forma de sua cabeça e o crescimento dos seus cabelos indicam, que ele é um descendente de negros que se uniram à fuga de Moisés do Egito (a menos que sua mãe ou avó no lado do pai tenha cruzado com um negro). Essa união de judeu e alemão em uma base negra foi de forma a produzir um híbrido extraordinário."[4, tradução livre]
Marx era adepto da frenologia, uma filosofia surgida no século 19 e que examinava a forma do crânio das pessoas para tentar definir características de personalidade e inteligência.[4] Sua declaração esboça um pensamento que dificilmente seria aceito por um indivíduo socialista do século 21.

O marxismo alegadamente defende as minorias e as classes mais baixas da sociedade, razão pela qual encontra tantos adeptos desses grupos. Mas o que não produz é a percepção de que a igualdade inerente dos homens foi destruída ao eliminar a figura do Criador como o originador da vida e das raças humanas. Esse é o aspecto normativo da igualdade do homem: respeitamos (amamos) o próximo porque ele é nosso igual, e porque isto é moral, ou seja, correto à vista do Criador.

Pode-se alegar, no entanto, que a teoria da evolução social de Marx leva não ao racismo e à intolerância, à exploração do mais fraco pelo mais forte, pelo fato de que todos os indivíduos de uma sociedade são importantes para o grupo, e podem executar uma função em prol da coletividade. No entanto, mesmo que desconsideremos que essa seja uma interpretação restrita e forçada dos pressupostos da evolução, essa visão define uma moralidade utilitarista, em um aspecto instrumental ou pragmático. Isso significa dizer que, de acordo com a sociologia evolucionista, um indivíduo só terá valor na medida em que for útil para o grupo. Na melhor das hipóteses, a sociedade humana seria um enxame de abelhas, ou talvez um pouco menos do que isso.

No próximo post da série discutiremos sobre o evolucionismo no capitalismo liberal. Não perca!

Alexsander Silva

Referências:

creation.com
The Doctrine of Fascism by Benito Mussolini (1932) (in English
Authorized translation of Mussolini's "The Political and Social Doctrine of Fascism" (1933)
Readings on Fascism and National Socialism by Various – Project Gutenberg
"Eternal Fascism: Fourteen Ways of Looking at a Blackshirt"Umberto E
(1) MARX, Karl. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Marxists Internet Archive
(2) Engels, F., Selected Works, 3 vols., International Publishers, New York, p. 153, 1950.
(3) Kirschke, S., Darwin Today, Geissler, E. and Scheler, W. (Eds.), Akademie-Verlag, Berlin, p. 55, 1983.
(4) Marx and Engels, 41, p. 388-390, in: The making of modern economics: The lives and ideas of the great thinkers, p. 146. 
(5) Kelly, J.M., A Short History of Western Legal Theory, Oxford University Press, Oxford, p. 309, 2007.
(6) Marx, K. in: Engels, F.  Origins of the family. Marxists Internet archive.
(7) Engels, F.  Origins of the family. Marxists Internet archive.

sexta-feira, abril 13, 2018

A esquerda é o arco, a direita é a flecha

Com todas essas mudanças políticas e econômicas que o Brasil e o mundo estão enfrentando, muitos se perguntam aonde a humanidade vai chegar. Será que o caos está próximo mesmo? Será o “fim do mundo”? Os ânimos estão se acirrando e principalmente a polarização política se intensifica cada dia mais. No meio dessa confusão toda, surgem vozes destoantes e antagônicas, e a violência cresce assustadoramente. De um lado estão os adeptos da ideologia política de esquerda, com seu discurso de inclusão e justiça social, defesa de minorias e pautas progressistas como o aborto e a legalização das drogas. De outro lado, estão os adeptos da ideologia política de direita, com sua oratória moralizante e intolerante, de preservação de uma tradição religiosa e de instituições antigas. Em meio a esse fogo cruzado, qual deve ser a postura cristã pautada por princípios bíblicos?

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quarta-feira, janeiro 24, 2018

Se quiser rejeitar a teoria da evolução, faça-o pelo motivo correto

“Ninguém nunca viu um macaco virar homem.” Essa foi a lógica apresentada pelo Ministro da Educação da Índia [foto ao lado], em uma tentativa de “desmascarar” a teoria da evolução de Darwin. A declaração gerou piadas e um pedido de retratação feito pela comunidade indiana. “Ninguém, incluindo nossos antepassados, por escrito ou oral, disse que viu um macaco se transformar em um homem”, disse Satyapal Singh enquanto presidia uma conferência em Aurangabad, cidade no estado de Maharashtra, na sexta-feira. Ele defendeu a retirada da teoria evolucionista – aceita por unanimidade [sic] pela comunidade científica – dos livros didáticos do país. O comediante Vir Das foi um dos primeiros a brincar com o assunto.

O diretor Farhan Akhtar respondeu de forma satírica à declaração do ministro. “Macacos protestam contra a Origem das Espécies de Darwin. Eles negam envolvimento com a existência de certo homo sapiens.” No entanto, apesar da reação severa de todos os lugares, o ministro manteve o posicionamento. “Estou absolutamente de acordo com o meu comentário de que a teoria da evolução de Charles Darwin não é científica. Há poucas evidências para fundamentar a teoria. Grandes cientistas do mundo vieram dizer que não há evidências disponíveis no mundo que possam provar que a teoria da evolução está correta”, disse o ministro em outra conferência, segunda-feira, no IIT-Guwahati, uma das principais instituições técnicas da Índia.

Ele mesmo pediu uma conferência internacional para verificar a veracidade da teoria de Darwin. “Proponho, se o Ministério do Desenvolvimento e Recursos Humanos estiver pronto, patrocinar uma conferência internacional de nível mundial para decidir o que é verdadeiro e factual e que deve ser ensinado em escolas e faculdades”, disse Satyapal Singh.

Enquanto isso, cientistas de toda a Índia começaram a coletar assinaturas contra o ministro Singh e suas observações, vistas como um insulto ao verdadeiro trabalho de pesquisa. A comunidade científica pretende entregar a petição assinada ao Governo para pedir ao ministro que se retrate de sua declaração. Já são mais de 4.000 assinaturas e o texto continua recebendo apoio de cientistas e acadêmicos de mais de 25 das principais instituições educacionais do país.

A teoria evolucionista darwiniana consiste em três suposições: (1) todos os seres vivos descendem de um antepassado comum; (2) os principais mecanismos para as mudanças que dão origem a novas espécies resultam de mutação e seleção natural ou “sobrevivência do mais apto”; (3) estes são processos naturais não orientados.

Embora a pesquisa genética moderna fundamente em grande parte as ideias de Darwin, elas continuam sendo uma fonte de controvérsia, especialmente entre os devotos religiosos. A Turquia removeu todas as menções ao naturalista inglês de seus currículos didáticos em 2017, em grande parte devido à alegada incompatibilidade da teoria com a educação islâmica “baseada em valores” do país.

(Sputnik)

Nota: O Ministro da Educação da Índia falou bobagem e a mídia e os evolucionistas não perderam tempo: detonaram o homem. Evolucionistas não creem que o ser humano “veio do macaco”, e criacionistas nunca deveriam dizer que eles creem nisso. Eles pensam que humanos e macacos tiveram um ancestral comum (mas que animal seria esse, um sapo? Bem, deixemos isso pra lá...). Para ser mais preciso, o ministro poderia ter dito que não aceita a macroevolução porque informação genética não pode surgir do nada. Porque elementos inorgânicos não poderiam se agrupar em moléculas, aminoácidos, proteínas, DNA, células... tudo na ordem certa, unido à informação complexa, para então dar origem à vida – nem um cem bilhões de anos! Poderia também ter dito que não aceita a teoria da evolução porque a vida revela muitos mecanismos de complexidade irredutível sem os quais ela nem sequer teria começado a existir. Enfim, poderia dizer que a macroevolução está mais nos domínios da fé que nos da ciência empírica, e que vida só provém de vida, como Pasteur provou há muito tempo. A matéria acima tentou resumir os postulados básicos da teoria da evolução, como o de que todos os seres vivos descendem de um antepassado comum (macroevolução). Isso não está provado. É mera especulação baseada em evidências que apontam meramente para adaptações e diversificação de baixo nível (“microevolução”). O registro fóssil está aí para provar isso, com seres distintos (peixes, anfíbios, répteis, mamíferos, aves) e sem evidência de intermediários entre eles. Quando o assunto são fatos, os evolucionistas apelam para as mutações e a seleção natural, mecanismos aceitos pelos criacionistas, evidentemente. Mas o que esses mecanismos promovem? No caso das mutações, via de regra, perda de informação genética ou modificações limitadas (duvida? Pesquise aqui no blog sobre as drosophilas). No caso da seleção natural, adaptabilidade a determinadas circunstâncias ambientais, permitindo a sobrevivência do mais bem adaptado a essas circunstâncias. Mas tanto as mutações quanto a seleção natural agem sobre organismos já existentes. A seleção pode explicar como o mais “apto” sobrevive, mas nem um nem outro mecanismo é capaz de explicar como esses indivíduos mais “aptos” vieram à existência. Assim, o livro A Origem das Espécies promete, mas não entrega, pois tem a palavra “origem” no título, mas somente explica por que há diversidade na natureza. Pena que o Ministro da Educação da Índia não mencionou fatos como esses, expondo-se ao ridículo com aquele “argumento batido”. Que os criacionistas não sigam seu exemplo. Se for para rejeitar a teoria da evolução, que seja pelos motivos corretos. [MB]

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Crença no fim do mundo pesou na decisão de Trump sobre Jerusalém

Pode parecer pouco usual em termos de decisão histórica de política internacional, mas o fim do mundo contou para a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. O presidente americano pagou uma promessa a seu eleitorado evangélico, que tem razões diversas para defender a existência de Israel, mas no centro de sua teologia está uma crença ligada aos dias finais da humanidade, segundo uma leitura bem literal do texto bíblico. Nada indica que Trump, presbiteriano, compartilhe das ideias, mas o financiamento e apoio desse segmento foi vital em sua campanha. Para várias denominações evangélicas americanas, e também no Brasil e em outros lugares, o Estado judeu precisa estar plenamente estabelecido para dar curso à volta de Jesus Cristo à Terra. A ideia da volta dos judeus, o povo eleito de Deus segundo o Velho Testamento, é central na crença de que o Messias retornará para protagonizar episódios narrados no livro do Apocalipse.

[Clique aqui e continue lendo este importante artigo.]

Leia também: O que a decisão de Trump sobre Jerusalém tem que ver com as profecias?

quinta-feira, maio 04, 2017

Trump visitará o papa e assina decreto que enfraquece separação igreja-Estado

Estratégias sendo costuradas
[Não, o decreto do título acima não é o dominical, ainda.] A Santa Sé confirmou nesta quinta-feira que o papa Francisco receberá no Vaticano, em 24 de maio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que depois se reunirá com o secretário de Estado vaticano, o cardeal Pietro Parolin. A Santa Sé explicou em um comunicado que o encontro entre o papa e Trump está previsto para às 8h30 local (3h30, em Brasília) e acontecerá no Palácio Apostólico vaticano. Após a reunião, o governante norte-americano conversará, como é habitual, com o secretário de Estado vaticano, o cardeal Parolin, e com o secretário vaticano de Relações com os Estados, Paul Gallagher. Trump será recebido pelo papa dois dias antes dos chefes de Estado e de Governo do G7, que se reunirão em uma cúpula entre 26 e 27 de maio na cidade siciliana de Taormina (sul). Em 29 de abril, o papa Francisco afirmou sua disponibilidade para receber Trump, como qualquer outro chefe de Estado que solicitar, durante o voo de volta a Roma procedente do Cairo. (Terra)
A Casa Branca deu detalhes dessa primeira viagem oficial de Trump, que inclui mais do que a sede papal. O presidente norte-americano visitará, nesta ordem: Arábia Saudita (interesses petrolífero$, evidentemente), Israel (afago no parceiro número um) e Vaticano (pedir a bênção do papa). Mais parece uma peregrinação religiosa: Islã, Judaísmo e Catolicismo...

quinta-feira, abril 20, 2017

Rússia proíbe atividades das testemunhas de Jeová

Grupo extremista?
Suprema Corte da Rússia proibiu nesta quinta-feira (20) a atuação da organização Testemunhas de Jeová, de acordo com a agência France Presse. O ministério da Justiça russo havia apresentado uma ação no Supremo Tribunal considerando as Testemunhas de Jeová “uma ameaça para os direitos das pessoas, da ordem pública e da segurança pública”. O juiz Yury Ivanenko afirmou na sentença que a organização “deverá entregar à Federação russa suas propriedades”. Um líder russo das Testemunhas de Jeová, Iaroslav Sivoulski, declarou estar “chocado” com a decisão dos juízes e anunciou que a organização religiosa vai apelar. “Não pensava que algo assim poderia acontecer na Rússia moderna, onde a Constituição garante a liberdade de religião”, disse ele. Em março, o Ministério da Justiça já tinha suspendido as atividades do grupo, acusado de armazenar e difundir literatura religiosa de caráter extremista. Na ocasião, o Centro de Direção das Testemunhas de Jeová na Rússia, que dirige todas as filiais regionais e locais da comunidade religiosa, foi incluído na lista de organizações não governamentais e religiosas que foram suspensas por extremismo.

[Continue lendo e veja as implicações dessa decisão arbitrária.]

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Trump e a separação entre igreja e Estado

Uma união perigosa
O presidente norte-americano prometeu, nesta quinta-feira, destruir uma lei que limita a participação e o apoio a atividades políticas de grupos religiosos, garantindo que vai proteger a liberdade religiosa. “Vou acabar (com ela) e destruirei totalmente a ‘emenda Johnson’ e permitirei que os nossos representantes da fé falem livremente e sem temer represálias”, afirmou Donald Trump, no discurso proferido no National Prayer Breakfast, em Washington. Esse ato mistura política e religião e é realizado tradicionalmente na primeira quinta-feira de fevereiro. A chamada “emenda Johnson”, introduzida pelo então senador Lyndon B. Jonhson em 1954, que foi posteriormente presidente dos Estados Unidos (1963-1969), estabelece que os credos religiosos e outras organizações isentas de impostos não estão autorizados a fazer campanha ou apoiar abertamente candidatos a cargos políticos.

Em seu discurso, Trump alertou que a liberdade religiosa é “um direito sagrado”, que está atualmente “sob ameaça”, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo. “O terrorismo é uma ameaça fundamental à liberdade religiosa”, sublinhou.

Trump disse que sua administração fará “tudo o que é possível” para “proteger a liberdade religiosa” no país e que os Estados Unidos “devem ser sempre uma sociedade tolerante onde todos os credos sejam respeitados”.

Donald Trump defendeu que os norte-americanos têm que se sentir seguros e lembrou que começou a tomar “ações necessárias” para alcançar esse objetivo, numa aparente alusão à ordem para impedir temporariamente a entrada nos Estados Unidos de todos os refugiados e cidadãos de sete países de maioria muçulmana (Iraque, Irã, Líbia, Síria, Somália, Sudão e Iêmen).

“Nossa nação tem o sistema de imigração mais generoso do mundo”, e muitos querem aproveitar-se disso “para minar os valores que tanto queremos” ou com o propósito de “espalhar a violência”, denunciou.

O presidente norte-americano adiantou, sem pormenorizar, que “nos próximos dias, vai ser desenvolvido um sistema para garantir” que as pessoas autorizadas a entrar no país “abracem plenamente os valores de liberdade religiosa e pessoal”.

“Queremos que as pessoas entrem em nossa nação, mas queremos quem nos ama e aos nossos valores, não quem nos odeia”, afirmou.

Nota: O jornal The Independent, do Reino Unido, noticiou com exatidão as palavras do presidente norte-americano: “Donald Trump destruirá uma lei com 60 anos que separa Estado e igreja nos EUA”! Quando essa união se estabelece, as minorias religiosas sempre sofrem. Uma igreja (ou a união das que estão de acordo) passa a dominar o cenário político. A malignidade dessa união pôde ser vista na Idade Média, por exemplo, quando a igreja oficial teve poderes quase sem limites, condenando e punindo os “hereges” e discordantes. Num tempo em que as represálias e o ódio se voltam para os que são considerados “fundamentalistas, a igreja ter o apoio do Estado fará com que esses religiosos personas non gratas sejam cada vez mais hostilizados. O perigo estará nas generalizações insanas...

É interessante notar o movimento pendular da história orquestrada. Ao passo que o governo Obama favoreceu as pretensões da esquerda, em seu apoio a causas como o feminismo, o homossexualismo, o aborto e mesmo ao islamismo, entra agora em cena um governo de orientação direitista, procurando desfazer muita coisa feita pelo governo anterior e contando com o apoio de uma significativa parcela insatisfeita da população. O esquerdismo intenta contra muitos valores caros ao cristianismo, mas o direitismo religioso é duro, inflexível e perseguidor de minorias “não alinhadas”. Para os que querem viver fielmente os princípios bíblicos, será uma questão de fogo ou frigideira. A única esperança virá do Alto.


“No movimento ora em ação nos Estados Unidos a fim de conseguir para as instituições e usos da igreja o apoio do Estado, os protestantes estão a seguir as pegadas dos romanistas. Na verdade, mais que isto, estão abrindo a porta para o papado a fim de adquirir na América protestante a supremacia que perdeu no Velho Mundo” (O Grande Conflito, p. 573). 


“Quando as igrejas protestantes se unirem com o poder secular para amparar uma religião falsa, à qual se opuseram os seus antepassados, sofrendo com isso a mais terrível perseguição, então o dia de repouso papal será tornado obrigatório pela autoridade mancomunada da Igreja e do Estado. Haverá uma apostasia nacional que só terminará em ruína nacional” (Evangelismo, p. 234 e 235). 


“Quando o Estado usar seu poder para impor os decretos e amparar as instituições da Igreja – então a América Protestante terá formado uma imagem do papado e haverá uma apostasia nacional que só terminará em ruína nacional” (SDA Bible Commentary, v. 7, p. 976). 


“Devemos estudar os grandes sinais da estrada que indicam os tempos em que vivemos. [...] Devemos orar agora com o máximo fervor para estarmos preparados para as lutas do grande dia da preparação de Deus” (Carta 97, 1895).
 

quarta-feira, dezembro 14, 2016

Seria Donald Trump o novo Constantino?

O imperador que cristianizou Roma
Este é um artigo de Blaise Joseph que compara Donald Trump ao imperador romano Constantino e foi publicado pela primeira vez em MercatorNet, em 26 de março, muito antes de Trump conquistar a indicação republicana e derrotar Hillary Clinton. Na época, parecia audacioso e improvável. Agora parece profético. Os cristãos são incapazes de falar livremente. A liberdade religiosa está sob ataque. A sociedade é materialista e imoral. A civilização ocidental enfrenta enormes ameaças, de dentro e de fora. E, aparentemente, o poderoso líder emergente não é santo. Você está pensando nos Estados Unidos de 2016? Não, Roma de 312. O líder é Constantino, que está lutando para se tornar o imperador romano. Constantino tinha muitos defeitos: ele tinha múltiplas esposas e até mesmo matou uma delas, era extremamente ambicioso, e era um general e político implacável. Mas a lenda permanece de que ele teve um momento como um “caminho para Damasco”, teve uma “visão”, converteu-se ao cristianismo, triunfou sobre seus adversários, e se tornou um grande imperador de Roma.

Constantino continuaria não apenas a salvar o Império Romano, mas também a dar liberdade ao cristianismo. Ele assinou o Edito de Milão em 313, dando aos cristãos o direito de praticar sua fé e falar livremente. Isso foi o suficiente para permitir que os cristãos se envolvessem na esfera pública com liberdade, permitindo-lhes assim difundir a mensagem cristã até os fins do Império e cristianizar uma cultura pagã.

O próprio Constantino não era um pilar de virtudes, mas criou o ambiente que deu aos cristãos a liberdade de influenciar a sociedade. Os primeiros cristãos eram perfeitamente capazes de ser eles mesmos influência para a sociedade; tudo o que precisavam do imperador era a liberdade de fazê-lo.

Avançando rapidamente para 2016, podemos ver muitas semelhanças óbvias. A sociedade ocidental tem muitos problemas. Os cristãos conservadores têm as soluções para muitos desses problemas, mas não conseguem articulá-las livremente na praça pública devido à correção política endêmica e ao marxismo cultural.

Aos conservadores não falta vontade, bons argumentos ou defensores articulados. O que lhes falta é a liberdade de falar abertamente sobre questões sociais sem que vingativas multidões do progressismo secular esbravejem por “ofender” determinados grupos de pessoas. Donald Trump é a única pessoa que pode nos dar essa liberdade.

Mas primeiro considere o seguinte:

- Ao afirmar que as crianças deveriam idealmente ter mãe e pai, porque em média elas se sairão melhor nesse ambiente (como apoiado esmagadoramente pelas ciências sociais relevantes), você se torna “homofóbico” (mesmo que a declaração não tenha nada a ver com homossexualidade) e um “odiador” das mães solteiras.

- Explicar que há realmente uma razão biológica e social para que o casamento tenha promovido e protegido, como entre um homem e uma mulher, por milênios (dica: é sobre crianças) o faz “intolerante”.

- Argumentar que a alta taxa de divórcio fere as crianças, e que o divórcio “sem motivos” é responsável por muitos problemas sociais, faz você “viver na década de 1950” e ser um “dinossauro” (mesmo que os dados sociais sobre os efeitos do divórcio sejam indiscutíveis e o próprio presidente Obama o tenha dito).

- Afirmar o fato biológico de que homens e mulheres são inerentemente diferentes faz você “transfóbico” (algo que ninguém sabia que existia apenas alguns anos atrás).

- Apontar que os bebês não simplesmente aparecem magicamente do nada depois de nove meses e podem, de fato, ter direito à vida e à dignidade antes do nascimento faz de você um extremista (porque sim) e um sexista (mesmo que essa afirmação não diga nada sobre as mulheres).

Há muitos outros exemplos. O ponto é que fazer afirmações perfeitamente razoáveis causa tanta indignação que os conservadores desistem ou acabam perdendo credibilidade e tornando-se impotentes em influenciar a opinião pública. Argumentos não são mais considerados em seus méritos, mas antes avaliados com base na medida em que “ofendem” determinados grupos de pessoas. Isso torna a causa cristã conservadora na esfera pública, em última instância, sem esperança. E é aqui que Trump entra.

A América não precisa de um presidente para tecer argumentos para nós. A América só precisa de um presidente para nos dar a liberdade de criarmos nossos próprios argumentos sem medo de ser coagidos pela brigada politicamente correta.

Qualquer outra coisa que você possa dizer sobre Trump, ele é definitivamente politicamente incorreto, e orgulha-se nesse atributo. Ele se recusa a recuar depois de fazer declarações controversas. Ele não se desculpa por ofender os grupos depois de argumentar. Ele se posiciona diante da mídia. Ele é desafiador, apesar de ser difamado por elites políticas, jornalistas e acadêmicos.

Consideremos o exemplo da imigração ilegal. Trump está aproveitando a tendência compreensível dos cidadãos comuns de se tornarem céticos em relação a altos níveis de imigração, especialmente quando há pouca ou nenhuma ordem para o programa de imigração. Durante muitos anos, essa foi uma zona de exclusão, pois aqueles que levantaram a questão foram acusados de “racistas” e ofensores de imigrantes, mexicanos, etc. Trump, no entanto, em menos de um ano, conseguiu dar início a um bom debate sobre o tema, recusando-se a ser diminuído pelos clamores e pedir desculpas a grupos de minorias potencialmente ofendidas. Independentemente das opiniões do leitor sobre a imigração ilegal, é claro que as táticas dos marxistas culturais, usadas no debate sobre imigração, simplesmente não funcionam contra Trump.

Ou tome a questão do terrorismo. Ao contrário de muitos outros líderes cristãos, Trump chama o mal do terrorismo islâmico e do extremismo pelo que é; e procura examinar com sensatez a política de imigração islâmica em massa, a fim de proteger a segurança nacional. Ao fazê-lo, ele novamente superou os slogans da “islamofobia” e do “racismo” para realmente discutir uma questão importante e sensível.

Os conservadores cristãos precisam que exatamente a mesma coisa aconteça com outras questões, como o aborto e o casamento. É assim que Trump poderia ser um grande presidente para cristãos conservadores. Trump é o único candidato presidencial que é capaz de mudar a sociedade para torná-la mais tolerante com discussões robustas sobre questões controversas. Finalmente, com um líder que publicamente mantém as táticas de silêncio da esquerda com total desprezo, seria possível enfrentar os esquerdistas em questões que exaltam os ânimos.

Se Trump se tornar presidente dos EUA [já é] e o líder mais poderoso do Ocidente, ele poderá mudar fundamentalmente a cultura ocidental. Os efeitos de sua presidência iriam muito além das costas e dos muros da América. As pessoas falariam mais livremente sobre uma série de questões. O “politicamente correto”, depois de ser denunciado por Trump uma e outra vez, seria severamente enfraquecido. O marxismo cultural e a política de vitimização ficariam paralisados. Progressistas que buscam fechar o debate perceberão que suas táticas já não funcionam. E após essa transformação fundamental da cena política, os conservadores poderiam finalmente ser livres para expor seu caso no que tange à esfera pública.

Todo o resto seria resultado disso. Nossas universidades se tornariam novamente lugares de aprendizado e de pensamento livre. Melhores juízes, advogados e políticos resultariam disso. A população estaria muito melhor informada porque os debates públicos teriam lugar com menos impedimentos. Isso levaria a sucessos de longo prazo em questões políticas sociais, como aborto e casamento, além, também, de permitir que os cristãos tornem a sociedade ocidental verdadeiramente cristã mais uma vez.

Agora, muitos comentaristas cristãos conservadores e acadêmicos têm falado contra Trump. Por exemplo, um grupo numeroso de acadêmicos católicos e intelectuais públicos, incluindo o professor Robert George, de Princeton, que saiu recentemente com muitas críticas a Trump: todas elas compreensíveis, muitas delas justificáveis e algumas indisputáveis. É perfeitamente legítimo preocupar-se com a súbita mudança de opinião de Trump sobre o aborto, seus comentários anteriores sobre o casamento e a família, sua atitude em relação aos muçulmanos, seu apoio à tortura, e assim por diante.

Pessoas como o professor George são gigantes intelectuais que foram grandes guerreiros em defesa do conservadorismo, mas eles parecem estar perdendo o real cenário desta eleição. Eles querem eleger candidatos que tenham um registro de defender posições conservadoras, como forma de mitigar o controle que os progressistas têm sobre os debates sociais, uma realidade que eles simplesmente aceitam. Mas por que temos apenas que aceitá-lo? Por que não podemos pensar além das linhas e eleger alguém que possa ser capaz de dar um golpe fatal no “politicamente correto” e no marxismo cultural?

Ter um presidente conservador consistente dos EUA seria, sem dúvida, algo bem-vindo. Publicamente, defender uma série de causas cristãs e nomear juízes sólidos, por exemplo, seriam bons resultados em si mesmos. No entanto, há uma quantidade muito limitada de bens que isso faria, quando ainda existe uma cultura que restringe severamente o debate público, particularmente sobre uma série de questões sociais vitais. Os políticos conservadores, os comentaristas e os acadêmicos ainda teriam que pisar com cuidado, diluir seus argumentos e pedir desculpas por ofender as pessoas, enquanto os marxistas culturais tivessem controle sobre o debate público. Nenhuma vitória a longo prazo é possível enquanto esse é o caso.

Basta olhar para os benefícios mínimos sustentáveis de oito anos de George W. Bush, um cristão conservador, no poder. Ele era tudo o que um cristão conservador podia pedir. Ele até tinha um congresso republicano por um período de tempo. Mas o que temos para mostrar dos oito anos em que ele foi presidente? A América é, de alguma forma concebível, mais hospitaleira ao cristianismo e aos princípios conservadores do que era em 2000? Mesmo se você culpar Obama por reverter as boas coisas que Bush fez, então você tem que aceitar que as conquistas de Bush eram tão insustentáveis a ponto de serem praticamente inúteis. Então, qual é exatamente o ponto de eleger outro presidente cristão conservador, afinal?

De um pano de fundo de comércio, Trump é a opção de “alto risco/alto retorno”. Ele poderia acabar conseguindo pouco para o conservadorismo e constranger os conservadores no curto prazo. Mas também é possível que ele afaste o marxismo cultural da esfera pública, permitindo que os cristãos se posicionem livremente por muitas gerações vindouras. [...]

Há também questões legítimas sobre o caráter de Trump, seu temperamento e ego. Trump certamente não é santo. Mas nós realmente precisamos de um santo como presidente dos Estados Unidos agora? Ou precisamos apenas de alguém para liberar a esfera pública para permitir que os cristãos ajudem a tornar todos santos?

Em qualquer caso, alguém acredita seriamente que Trump tem um ego maior do que qualquer outro político? Ele simplesmente se recusa a mostrar a falsa humildade que os políticos têm aperfeiçoado e a população passou a desprezar. Aqui há também uma semelhança com Constantino: como imperador, ele era um indivíduo tão egoísta a ponto de nomear a capital do império, Constantinopla, em homenagem a si mesmo (mesmo Trump não iria tão longe, provavelmente).

Como Constantino, Trump é um humano imperfeito e um líder falho. Mas, assim como Constantino é agora amplamente referido como “Constantino o Grande” por suas realizações como imperador romano e dando liberdade aos cristãos, é possível que um dia Trump possa ser lembrado como o homem que “made America great again” (tornou a América grande outra vez) e reverenciado por cristãos como “o Grande”?

Trump poderia ser exatamente o que os cristãos conservadores precisam agora. Estamos atualmente constrangidos por um ambiente marxista cultural e politicamente correto.

(Blaise Joseph é diretor assistente na Warrane College at the University of New South Wales, onde está cursando um mestrado em Ensino. Bacharel em Comércio, ele tem forte interesse em política social, e escreveu para MercatorNet e Online Opinião sobre casamento e questões familiares; Roman Catholic Man; tradução de Daniel Luiz Miranda)

Nota: Só o tempo dirá se, com Trump, os cristãos terão mesmo essa liberdade. Para o avançamento dos ponteiros do relógio profético, seria interessante que o Vaticano convencesse o novo presidente norte-americano a se unir ao papa nos esforços ECOmênicos para “salvar o planeta” (veja aqui). Aí, sim, seria bem interessante... [MB]

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Donald Trump nomeia Ben Carson secretário

Primeiro adventista no cargo
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 5 de dezembro, a nomeação de Ben Carson como secretário da área de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Se for confirmado pelo Senado, Carson se tornará o primeiro adventista do sétimo dia a integrar a equipe de chefes de departamento de um presidente norte-americano, segundo noticiou a Adventist Review. Apesar das duras críticas feitas a Carson durante a disputa das primárias republicanas, Trump declarou que o ex-adversário “tem uma mente brilhante e é apaixonado por fortalecer comunidades e famílias dentro dessas comunidades”. “Conversamos de maneira longa sobre minha agenda de renovação urbana e nossa mensagem de revitalização econômica, que incluem amplamente as cidades do interior”, acrescentou o presidente eleito.

Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, manifestou apoio à indicação de Carson para uma pasta que, de acordo com ele, precisa de reformas para melhor servir a todos os americanos. “Estou confiante que sua carreira de serviço abnegado irá acrescentar ao próximo governo”, ressaltou.

Carson respondeu ao anúncio com uma breve declaração aceitando a nomeação. “Estou honrado e ansioso para trabalhar duro em nome do povo americano”, declarou.

Há algumas semanas, a possível nomeação de Carson para compor a equipe de governo do 45° presidente dos EUA foi um assunto bastante comentado na imprensa e redes sociais. Porém, inicialmente ele se mostrou relutante diante da possibilidade de chefiar uma área distinta de sua formação profissional.

Carson disse que reconsiderou sua posição depois de discutir mais profundamente o assunto com a equipe de transição do governo. “Sinto que posso dar uma contribuição significativa, particularmente fortalecendo comunidades que têm grandes necessidades”, disse em entrevista ao canal de TV Fox News no fim de novembro, ao lembrar que veio de uma região marginalizada e que teve oportunidade de atender muitas pessoas de comunidades carentes ao longo de sua trajetória.

Natural de Detroit, Carson foi criado por uma mãe analfabeta que se casou aos 13 anos e foi abandonada pelo marido. Símbolo do “sonho americano”, ele teve a chance de começar a mudar de vida ao ganhar uma bolsa para estudar na Universidade Yale e cursar medicina na Universidade de Michigan. Com apenas 33 anos, se tornou diretor de Cirurgia Pediátrica da Universidade Johns Hopkins. Em 1987, ganhou fama mundial ao realizar a primeira cirurgia bem-sucedida de separação de siameses unidos pela cabeça.

Em 2008, chegou a receber do então presidente George W. Bush a Medalha da Liberdade, a maior honra civil do país. Carson, que frequenta a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Spencerville, em Silver Spring, Maryland, também é autor de vários livros. Entre suas obras mais conhecidas publicadas em português estão Risco CalculadoSonhe Alto e a autobiografia Ben Carson.