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terça-feira, agosto 10, 2021

O design inteligente do sexo original

Sob a ótica criacionista, o ato sexual original (conforme apresentado no relato da criação, em Gênesis) é uma das grandes evidências de design inteligente na natureza. Para os evolucionistas, um mistério não resolvido, segundo admitiu Richard Leakey, na introdução de uma das edições do livro A Origem das Espécies; ou então um “grande paradoxo”, na definição de Richard Dawkins. E não é pra menos, afinal, quando são formados os gametas (espermatozoides e óvulos), uma divisão meiótica ocorre e metade dos genes é removida. Então, quando o espermatozoide fecunda o óvulo, o descendente contém a integralidade dos genes. No cenário darwiniano, a reprodução assexuada é duplamente mais eficiente e “simples” que a sexuada, pois todos os genes são transferidos para cada um dos descendentes. Por isso, evolutivamente falando, é difícil explicar o surgimento da reprodução via ato sexual, afinal, pra que “inventar” um meio de reprodução tão complexo e dispendioso do ponto de vista do gasto de energia e dos riscos envolvidos no processo todo? Por isso os evolucionistas evitam tocar no delicado e difícil tema da origem da reprodução sexuada e da complexidade envolvida na interdependência dos órgãos sexuais feminino e masculino, que precisariam ter evoluído separadamente e, mesmo assim, ser perfeitamente compatíveis – um tipo de mutação dupla independente, na mesma geração e funcional.

Mas tem mais; muito mais!

O design inteligente da vagina

O “surgimento” da vagina (assim como o de qualquer outro órgão complexo) é um grande problema para os evolucionistas. Os defensores do darwinismo afirmam que a vagina é uma estrutura completamente nova na suposta história evolutiva – ela não tem homólogo em anfíbios nem répteis. Se é completamente nova, foi necessário o acréscimo de grande quantidade de informação genética para que passasse a existir. De onde teria vindo essa informação? Além disso, como qualquer outro sistema de complexidade irredutível, o sistema reprodutor feminino, para funcionar bem, depende de vários mecanismos interligados que não poderiam “surgir” aos poucos, já que são interdependentes. O sistema reprodutor feminino não se trata apenas de um tubo de carne. Ele é de uma complexidade maravilhosa, com seus músculos especializados, glândulas, terminações nervosas (que presenteiam a mulher com o prazer do sexo) e a capacidade de abrigar uma (ou mais de uma) nova forma de vida, suprindo-lhe as necessidades por nove meses.

Alguns anos atrás, o portal de informações norte-americano sobre saúde Healthline afirmou que o uso do termo médico/biológico “vagina” não é “linguagem inclusiva de gênero”, e então usou intercambiavelmente a expressão “orifício frontal”. “É imperativo que guias sexuais seguros se tornem mais inclusivos para as pessoas LGBTQIA e não binárias”, afirmou o guia da Healthline. “Para os fins deste guia, vamos nos referir à vagina como o ‘orifício da frente’, em vez de usar apenas o termo médico ‘vagina’”, diz o documento. “Essa é uma linguagem inclusiva de gênero que considera o fato de que algumas pessoas trans não se identificam com os rótulos [sic] que a comunidade médica atribui aos genitais.”

 

O guia diz ainda que algumas pessoas trans e não binárias designadas como femininas ao nascer podem gostar de ser participantes do “sexo penetrativo”, mas não se sentem confortáveis quando essa parte de seu corpo é mencionada usando uma palavra que a sociedade e as comunidades profissionais associam com feminilidade. “Uma alternativa que está se tornando cada vez mais popular em comunidades trans e queer é o ‘buraco’ ou ‘orifício’ da frente.” E então, renomeando-a, a vagina deixa de ser vagina e passa a ser comparada ao “orifício de trás”.

 

Embora o site afirme que não se trata de uma redefinição de palavras, admite usar no guia a expressão “front hole” (“orifício da frente”) em lugar de vagina, a fim de não ofender pessoas transgêneros com uma palavra tipicamente feminina.

 

A vagina, órgão projetado por Deus para permitir a união abençoada entre um homem e uma mulher, e o órgão por onde o bebê chega ao mundo, acaba sendo comparada ao órgão excretor por onde são evacuados os resíduos digestivos.

 

Cabe aqui uma boa reflexão sobre o design inteligente da vagina e do ânus e as enormes diferenças que há entre uma e o outro. Pedi ajuda aos amigos médicos Ivan Stabnov e Angela Andrade. Ele é gastroenterologista e endoscopista digestivo e ela é ginecologista e obstetra. Vamos às comparações:

 

Reto e ânus:

 

1. O reto é um local com muitos microrganismos, ou seja, potencialmente infectante.

2. Apesar de ser um local preparado para enfrentar resistência a micro-organismos, a estrutura é mais frágil porque só tem uma camada de células.

3. Como há mais linfócitos na região é mais fácil adquirir a infecção pelo HIV, já que os linfócitos são células-alvo.

4. Como a função do local é de absorção de fluidos, a junção disso com presença de linfócitos e maior risco de fissuras torna bem maior a chance de se adquirir uma doença séria como a Aids.

5. Pela presença de fezes aumenta o risco de infecção urinária no penetrante.

6. O risco de fazer fissuras (pequenas feridas) é maior no reto pela falta de lubrificação e maior atrito.

7. A cobertura de células colunares é mais delgada que na vagina e isso torna maior o risco de fissuras.

8. Em caso de sexo anal e a seguir vaginal, sem a devida higiene, há riscos para a mulher de infecções vaginais e urinárias.

9. Pela manipulação anal há o aumento de transferência de bactérias fecais para a uretra, aumentando também a incidência de infecção do trato urinário.

10. O ânus e o reto são órgãos de excreção, portanto, o caminho natural é para fora.

11. A presença de válvula (ânus) confere maior possibilidade de traumas durante a penetração.

 

Vagina:

 

1. O epitélio vaginal é descamativo, epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Isso significa que há várias camadas de células uma sobre a outra, o que forma uma barreira natural.

2. Por ser o epitélio vaginal mais espesso (tem espessura de 150 a 200 µm) o vírus da Aids, quando chega ali, encontra um ambiente desfavorável; ele não consegue entrar no epitélio vaginal, a não ser que haja lesões nesse epitélio, chegando ao conjuntivo.

3. A vagina é um órgão preparado fisiologicamente para recepção do pênis, adaptada a fricção pela síntese de muco pelas glândulas ali presentes, o que garante lubrificação.

4. As dobras da mucosa vaginal permitem que ela se distenda e fique maior e mais larga no caso de uma penetração, o que diminui a possibilidade de traumas.

5. A vagina não possui válvula, o que facilita a penetração e também diminui traumas.

 

Resumindo: o reto foi projetado para duas funções básicas: a primeira é armazenar fezes para que o ser não necessite evacuar a cada momento; a segunda é absorver água para que as fezes não sejam diarreicas, ou melhor, tenham formato e consistência confortáveis para a realização do ato da evacuação. O ânus é um esfíncter com dupla válvula, uma de controle externo – ou seja, temos o controle dela –, e outra de controle interno, autorregulado pelo organismo. A função do ânus é de regular a saída das fezes. Ambas as estruturas têm seu caminho habitual, seu vetor, no sentido interno para o externo. A introdução de algo pelo ânus até o reto é contrária à fisiologia.

 

A vagina tem mais funções. Serve como conduto para a saída do feto após a gestação. É o local utilizado pelo organismo para expulsar o conteúdo menstrual após a maturação do endométrio, sem que haja gravidez. Também é o órgão sexual feminino que recebe o órgão sexual masculino, portanto, tem fisiologia normal tanto para entrada quanto para saída de algo.

 

Podem redefinir as palavras e os conceitos o quanto quiserem, mas vagina continuará sendo vagina e ânus continuará sendo ânus, com suas funções especificamente projetadas por Deus. Nenhuma ideologia do mundo mudará isso.

 


O design inteligente do pênis

Estudo desenvolvido na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendou os processos químicos que levam o homem a manter uma ereção. A pesquisa foi publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e confirmou que a liberação de óxido nítrico, neurotransmissor produzido no tecido nervoso, provoca a ereção, pois relaxa os músculos, permitindo que o sangue chegue ao pênis. “Sabíamos que esse era apenas um estímulo inicial. Por isso, queríamos descobrir o que permite que a ereção se mantenha”, disse o coordenador do estudo, Arthur Burnett.

Burnett e sua equipe descobriram que o sistema nervoso, depois de liberar com estímulos físicos e do cérebro ondas de óxido nítrico, produz uma cascata de substâncias químicas geradas com a ereção. Isso faz com que a liberação do neurotransmissor continue por mais tempo, dentro de um modelo cíclico. 

Vamos à pergunta de sempre: O que “surgiu” primeiro, o pênis ou o neurotransmissor que causa a ereção? Para que serviria tanto um quanto o outro, antes que todo o sistema estivesse pronto, interconectado e funcional? E mais: Para que serviria esse neurotransmissor (e o pênis), se o indivíduo fosse incapaz de manter a ereção graças à tal “cascata de substâncias químicas”? Note que a ereção e a manutenção dela não dependem de apenas uma substância química. A verdade é que cada célula, cada tecido, cada órgão e cada sistema dos seres vivos revelam as digitais, a assinatura de Quem os criou.


O design inteligente dos seios

A revista Veja alguns anos atrás publicou a reportagem “Adeus aos grandes, é a vez dos pequenos!”, sobre um novo padrão estético que predomina nas clínicas de cirurgia plástica: o uso de próteses de silicone em tamanho menor. A matéria segue por aí, mencionando, inclusive, atrizes que retiraram próteses grandes e as substituíram por pequenas. Mas o que chamou minha atenção não foi o assunto da reportagem, em si. Foi seu último parágrafo: “A maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem de atrativo sexual. Na pré-história, antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais. Eles ainda o são e sempre serão – com ou sem silicone. E independentemente do tamanho.

Tem horas, quando leio certas coisas, que tenho vontade de me beliscar para ver se estou acordado. Em primeiro lugar, esse parágrafo final é totalmente dispensável e serve apenas para reforçar a doutrinação evolucionista. Está fora de contexto. Imagine se o repórter terminasse assim sua matéria: “A maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem de atrativo sexual. Deus não criou o homem e a mulher apenas para procriar. Ele os criou para se unir numa relação de amor. E criou o sexo também para dar prazer aos cônjuges. Criou o homem para considerar a mulher esteticamente atraente e a mulher para considerar o homem esteticamente atraente. E é exatamente isso o que ocorre.”

Outra peculiaridade humana é a inexistência do cio, o que evidencia uma vez mais que o sexo, nos humanos, não foi feito simplesmente para procriação, sendo uma resposta a instintos previamente programados. Em nós, o sexo é algo muito mais complexo. Mais belo.

O autor do artigo da semanal afirma que, “na pré-história [sic], antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais”. Não sabemos muita coisa sobre como os seres humanos funcionam hoje em dia, mas alguns se atrevem, com base apenas em especulação, a afirmar coisas sobre supostos comportamentos ancestrais. E a ficção é aceita sem questionamento.


O design inteligente do esperma

Em 2011, foi publicado na revista Scientific American um artigo sobre o estudo que concluiu que o esperma age como um remédio natural para depressão. Segundo o estudo, feito por Gallup e Rebecca Burch, em conjunto com o psicólogo Steven Platek, da Universidade de Liverpool, é possível que o esperma atue sobre as mulheres como um antidepressivo natural. Aparentemente, logo que o esperma é absorvido pela vagina, ele age sobre os hormônios femininos. O sêmen masculino é rico em componentes químicos como neurotransmissores, hormônios, endorfinas e imunossupressores, entre eles a serotonina, um dos mais famosos e conhecidos antidepressivos, e ocitocina, conhecido como o hormônio da confiança e do amor.

Segundo Gallup, as mulheres em relacionamentos estáveis que tinham relações sexuais sem preservativos foram muito mais devastadas e negativamente afetadas depois de um rompimento do que aquelas que faziam uso de preservativos, prova de que a ligação neuroquímica emocional é um fato. Isso faz pensar no conselho do apóstolo Paulo aos casados, em 1 Coríntios 7:5: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.” E poderíamos adicionar: “Para que a esposa não fique deprimida.”

Cada vez as pesquisas surpreendem mais os estudantes da sexualidade humana. A interação perfeita entre os sexos masculino e feminino é algo impressionante e aponta para o design inteligente! Como explicar de outra forma a fina interação química entre o sêmen e os hormônios femininos? Como já vimos, já é difícil (senão impossível) do ponto de vista darwinista explicar a diferenciação anatômica e fisiológica compatível entre macho e fêmea (uma dupla mutação que deveria ter ocorrido numa mesma época e num mesmo espaço geográfico), agora imagine explicar na base da tentativa e erro esses requintes emocionais relacionados com neurotransmissores, hormônios, endorfinas e imunossupressores. Essa pesquisa sugere também que os órgãos sexuais anatômica e bioquimicamente projetados para o sexo são o pênis e a vagina.

O design inteligente da interação óvulo-espermatozoide

Em 16 de fevereiro de 2010, a revista Veja publicou:Os espermatozoides, as células reprodutivas masculinas [produzidas graças à ação de um único gene exclusivo dos machos, o Boule], são depositados pela ejaculação no colo do útero e dali partem numa acirrada corrida pelos 15 centímetros que os separam da trompa de Falópio, onde se encontra o óvulo. Só um deles, mais rápido e forte, conseguirá penetrar no óvulo e dar início a uma nova vida. Pensava-se que os espermatozoides, assim como os aviões e os carros de corrida, dispunham de uma reserva de combustível para ser gasta nessa viagem. Sabe-se agora que não é bem assim. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e publicado na edição [de fevereiro de 2010 da] revista Cell, revelou elementos até agora desconhecidos no processo de fecundação. O trabalho identifica e explica, pela primeira vez, o mecanismo que faz com que os espermatozoides liguem uma espécie de motor turbo na fase final de aproximação do óvulo. Esse motor não só aumenta a velocidade do espermatozoide como lhe dá vigor extra para romper a membrana celular do óvulo. [...]

“Um dos fatores cruciais para determinar a velocidade dos espermatozoides é o pH do meio onde eles se encontram. Quanto mais ácido o pH, mais lentamente eles se movimentam. Isso explica por que os gametas masculinos permanecem imóveis dentro do trato reprodutivo masculino, que é ácido, começam a mover-se quando estão no líquido seminal, que é alcalino, e se tornam agitados em contato com o aparelho reprodutor feminino, onde o pH é mais alcalino. Os pesquisadores foram além dessa constatação e descobriram que a aproximação do óvulo ativa estruturas localizadas na cauda do espermatozoide, as Hv1. Uma vez abertas, elas funcionam como comportas, pelas quais são expulsos íons de hidrogênio do interior do gameta masculino. Esse curso aumenta imediatamente o pH interno do espermatozoide, facilitando sua mobilidade. ‘O mecanismo que descobrimos é como uma mudança de marcha para que o carro ultrapasse uma barreira. Ele fornece o impulso extra que permite romper a proteção externa do óvulo’, disse a Veja a pesquisadora Polina Lishko, coautora do estudo.

“O gatilho que põe a corrente de íons em funcionamento fica nos arredores do óvulo. Nessa região, há dois fatores extremamente favoráveis à mobilidade das células masculinas. O primeiro é a baixa oferta de zinco, que em quantidade mais alta inibe a movimentação dos espermatozoides. A outra é a alta concentração de moléculas de anandamida, substância secretada pelos neurônios e presente também nas células de proteção dos óvulos.”

Se pela inibição de apenas uma chave bioquímica se impede a fecundação; se problemas com a mobilidade dos espermatozoides (mecanismo que depende de uma conjunção de fatores) impedem a fecundação; se alterações de pH no homem e na mulher atrapalham o processo; a questão é: Até que todos esses mecanismos que dependem de uma série de fatores interligados e interdependentes tivesse evoluído aos poucos, como os seres sexuados teriam se reproduzido? Estaríamos aqui hoje para estudar este assunto?

Mas tem mais...

Em 2010, cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, descreveram pela primeira vez a estrutura 3D de um receptor completo do óvulo que se liga ao espermatozoide no início da fecundação. A pesquisa foi publicada na revista científica Cell. No início da concepção, os espermatozoides se ligam a proteínas no revestimento extracelular do óvulo, chamado zona pelúcida (ZP). Mas os detalhes moleculares desse evento biológico fundamental permaneciam obscuros.

Luca Jovine e sua equipe conseguiram determinar a estrutura tridimensional do receptor molecular que se liga ao espermatozoide, chamado ZP3. As informações estruturais detalhadas, baseadas em dados coletados no European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), tornaram possível começar a explorar em nível molecular como o óvulo interage com os espermatozoides no processo de fecundação.

Os resultados têm implicações importantes para a medicina reprodutiva humana, uma vez que podem explicar como mutações no gene do receptor de esperma podem causar a infertilidade. “Os resultados dão uma imagem notável do lado feminino da fecundação”, disse Jovine. “Mas esta é, naturalmente, apenas metade da história. O próximo passo será descobrir as moléculas correspondentes no espermatozoide que lhe permitem se ligar ao óvulo.”

Puro design inteligente de dois seres que foram criados um para o outro!

O design inteligente da concepção e do nascimento

No mês de outubro de 2008, numa das edições do programa de TV dominical “Fantástico”, o Dr. Dráuzio Varela abordou o tema atração sexual e gravidez. A reportagem começou informando que a atração sexual também depende do nariz, pois ele detecta a “compatibilidade genética” por meio dos feromônios. Segundo a matéria, essa substância carrega informações detalhadas sobre genes, saúde e capacidade de resistir a doenças. Depois, Varela descreveu a “química da paixão”, explicando que uma descarga de adrenalina ocorre quando vemos a pessoa amada, e isso faz o coração bater acelerado e dilata a pupila. Em seguida, a dopamina, neurotransmissor que causa o bem-estar, leva à euforia. A dependência desse coquetel químico nos faz querer ficar mais tempo perto da pessoa amada.

Com o tempo, o casal deseja algo mais duradouro: o casamento. Segundo o médico, um bom relacionamento existirá apenas se a química (entre outros fatores) for favorável. O sexo causa encantamento e reforça a relação. Durante a relação sexual é liberado o hormônio ocitocina, que aumenta a afetividade e os laços entre o casal. Ele é importante também para a sobrevivência do feto e na produção do leite materno (alimento perfeitamente projetado para atender exatamente às necessidades do bebê).

Com imagens do interior do corpo humano e recursos 3D, a reportagem prosseguiu descrevendo a maravilha da concepção. Explicou que o óvulo é a maior célula humana, ao passo que o espermatozóide é a menor. Cerca de 300 milhões deles são expelidos em cada ejaculação. Na vagina, a missão deles não é fácil, pois têm que sobreviver às condições hostis do ambiente. Milhões de espermatozóides são destruídos ali. Os mais fortes que sobrevivem e chegam ao colo do útero são beneficiados por suaves contrações musculares. Apenas uns poucos milhões chegam perto do óvulo e um único espermatozóide o fertiliza: o mais preparado e saudável. Um verdadeiro controle de qualidade!

Por fora a gravidez é inicialmente imperceptível. Em 40 semanas, uma única célula se especializa em diferentes tipos de células, tecidos, órgãos... e se transforma em um bebê.

Através de uma membrana, a mãe passa os nutrientes para o bebê. Ele ganha mais de 850g em 10 semanas. O útero aumenta muito para poder abrigar o feto. O corpo materno tem que se reorganizar para poder abrigar o bebê em crescimento. Os órgãos são rearranjados: eles ficam apertados nas costas ou pressionados contra o tórax. Eles também têm que trabalhar em dobro, como os pulmões e o coração.

Os músculos das costas relaxam e se curvam. O estômago gira e é “esmagado”. A mãe consegue comer pouco a cada vez, mesmo que o bebê esteja exigindo dela muito mais nutrientes do que antes.

Depois de nove meses (em média) um bebê com cerca de três quilos vai ser expulso. A musculatura pélvica relaxa e o corpo do bebê gira para passar pelos ossos da bacia da mãe (mesmo que eventualmente um homem pudesse abrigar um bebê na barriga, ele não conseguiria passar pela pelve masculina, que é diferente da da mulher). Aliás, a criança nem teria por onde nascer...

A reportagem deixou claro que a concepção, gestação e nascimento de uma nova vida depende de uma série de fatores que deveriam funcionar corretamente desde o início ou, do contrário, o primeiro bebê jamais teria vindo ao mundo. É um processo que precisou ser inteligentemente planejado para funcionar corretamente já na primeira vez. Já é difícil explicar o surgimento simultâneo de dois sexos totalmente compatíveis. Agora imagine explicar pela ótica darwinista a origem casual e por etapas sucessivas do complexo processo da concepção e da gravidez...

Em abril de 2010, a revista Ciência Hoje publicou uma matéria de capa simplesmente impressionante! Título: “Por que a mãe não rejeita o feto.” Assinado por Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies, do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o artigo explica os mecanismos biológicos que impedem que o feto seja identificado pelo organismo da mãe como um corpo estranho e acabe sendo rejeitado. O texto começa com inegável linguagem de design inteligente: “A evolução da gestação, o nascimento do bebê e a produção de leite para alimentá-lo compõem uma sequência natural e bem planejada, com vistas a acolher um novo ser. A interação imunológica entre mãe e filho que acontece ao longo da gestação é mantida até o período de amamentação. O aleitamento transfere anticorpos da mãe para o filho e esses anticorpos permitirão à criança reconhecer agentes causadores de doenças, protegendo-a durante seu desenvolvimento.”

O texto prossegue com explicações técnicas minuciosas e a pergunta que fica no ar e que nem de longe é tratada pela matéria é: Até que esses processos e mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos (ou quaisquer outros seres que se reproduzem sexualmente) sobreviveram? A complexidade irredutível envolvida em cada descrição no texto é tão grande, que em momento algum a palavra “evolução”, no contexto darwinista, é evocada – o que é curiosamente típico em pesquisas científicas que tratam de complexidade nesse nível.

Segundo os autores do artigo, “na gestação, o corpo feminino sofre diversas alterações hormonais e físicas, além de mudanças no perfil imunológico. O sistema imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna, para o organismo da mãe, um ‘estranho’”.

Detalhe: o sistema imune materno “precisa aprender”, mas sabe exatamente o que fazer quando a mulher engravida – e precisa saber. A fim de que o feto não seja rejeitado, a placenta o isola parcialmente, para protegê-lo, atuando como um filtro semipermeável que permite a troca de oxigênio e nutrientes, assim como a comunicação imunológica ao longo da gestação. Bem, se os seres sexuados tivessem evoluído a partir de assexuados, é de se supor que a placenta não estivesse presente logo de início. O que serviria, então, de “filtro” para o feto? Como ele teria sobrevivido sem o devido aporte de oxigênio e nutrientes e sob o ataque do organismo materno?

O texto prossegue: “Para que uma gestação se desenvolva com sucesso, é importante que o sistema imune materno reconheça o feto, sem rejeitá-lo, e induza uma resposta de aceitação, gerando um ambiente adequado para a boa evolução do futuro bebê. A relação harmoniosa entre mãe e filho envolve a interação de aspectos da imunologia celular e humoral (por meio de citocinas [células que auxiliam na comunicação entre as células em um organismo] e anticorpos) e de outros componentes. Vários mecanismos protetores regulam a resposta imune materna ao feto e garantem sua aceitação, entre eles (1) a presença da placenta (tecido de origem embrionária), que isola física e imunologicamente o feto da mãe, e (2) a presença de uma resposta do tipo TH2 [célula auxiliar] na mãe, que evita um ataque do sistema de defesa ao feto.”

O interessante é que não há ligação direta entre vasos sanguíneos maternos e fetais, o que isola o feto, protegendo-o de um possível “ataque” do sistema imunológico materno. Para que a aceitação do feto ocorra, o corpo da mulher apresenta alterações imunológicas ao longo da gestação: mudanças no padrão de produção e liberação de citocinas, inibição localizada da proliferação de certas células do sistema imune (as que atacam corpos estranhos) ou indução da expressão de certas moléculas protetoras na superfície das células. Tudo de forma organizada e no tempo certo. Conforme o artigo, “é necessária uma delicada regulação de todo esse equilíbrio na produção de citocinas e na inibição de respostas celulares ao longo da gestação. Momentos distintos do tempo gestacional exigem perfis diferentes de equilíbrio entre esses vários fatores. O atraso na ativação ou inibição de qualquer uma dessas vias pode resultar em complicações da gestação, ou mesmo em aborto”.

Resumindo: além dos mecanismos certos, especificamente desenhados para funcionar corretamente desde a primeira vez, há também o fator tempo, ou seja, esses mecanismos tinham e têm que funcionar no momento exato em que eram/são necessários.

O feto também participa nesse processo todo, sendo estabelecida uma verdadeira “conversa” química entre ele e a mãe. Se eventualmente alguma célula de defesa da mulher ultrapassar a barreira placentária, o sistema imune do feto será capaz de evitar o “ataque”. “Isso é feito por meio de células T reguladoras fetais, que reagem à presença das células da mãe, liberando citocinas, que podem controlar ou inativar respostas danosas contra as células maternas, induzindo o estado de tolerância”, explicam os autores.

Mais interessante ainda: essas células do feto podem permanecer em circulação por até 17 anos após o nascimento, como memória imunológica, sendo capazes de reconhecer as células maternas. “O estudo inovador mostrou como mãe e feto mantêm um contato muito mais íntimo do que se imaginava anteriormente”, e mostrou também que o sistema imunológico do feto já é bastante ativo antes do nascimento. Eu já sabia que nunca conseguiria ser tão íntimo de meus filhos quanto minha esposa. Agora estou ainda mais conformado...

O artigo conclui falando do perigo da pré-eclâmpsia, aumento da pressão sanguínea que coloca em risco tanto o feto quanto a mãe (na primeira gestação). É a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil, sendo responsável por até 10% das mortes de fetos ou mães durante a gravidez. Essa doença surge quando o organismo da mãe não consegue se modificar para “aceitar” o feto e aumenta a pressão sanguínea para “eliminar” o “corpo estranho”.

Voltamos à pergunta que não quer calar: E antes que esse complexo mecanismo “evoluísse”, como se dava essa modificação dirigida e interrelacionada dos sistemas imunes da mãe e do feto, capaz de evitar a pré-eclâmpsia e outros problemas fatais?

Davi não entendia de embriologia e imunologia, mas conseguiu expressar bem o assombro que nos envolve quando pensamos no maravilhoso processo de concepção e gestação de uma nova vida: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis” (Salmo 139:14).

E Jó, há mais de 3.500 anos, também se maravilhou: “Não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? [concepção?] De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste [desenvolvimento embrionário?]. Vida me concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou” (Jó 10:8-12).

 Só posso concordar com o evolucionista Richard Leakey: do ponto de vista darwinista, a origem dos sexos é um mistério insondável. Mas, do ponto de vista criacionista, um presente do Criador e um tremendo projeto de design inteligente.

(Michelson Borges é jornalista, editor da revista Vida e Saúde e pós-graduado em Biologia Molecular e Celular) 




terça-feira, abril 27, 2021

Seis diferenças físicas entre o homem e a mulher

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] “Dimorfismo sexual” é o termo científico para as diferenças físicas secundárias na reprodução entre os machos e fêmeas de uma espécie. Existem alguns exemplos extremos de dimorfismo, como o macho pavão, que tem caudas coloridas que são ausentes nas fêmeas – que por sua vez são atraídas pelas mais belas plumagens [O que teria evoluído primeiro, a plumagem diferenciada do macho ou a atração da fêmea pela plumagem diferenciada?]. Ao contrário desses animais completamente desiguais de acordo com o sexo, os homens e mulheres são fisicamente mais semelhantes do que diferentes. No entanto, existem algumas distinções fundamentais em nossos corpos. Algumas delas são projetadas [Se há um projeto, há por trás dele um ………….. (complete)] para atender as necessidades de cada sexo no papel que desempenham na reprodução, enquanto outras servem para nos ajudar na atração mútua [Quando teria surgido essa atração mútua, levando-se em conta que todos os seres vivos teriam sido, inicialmente, assexuados?]. Descubra abaixo o motivo das principais diferenças entre o corpo dos homens e das mulheres. 

1. Seio x peito. As mulheres são as únicas primatas [sic] que ficam “peitudas” o tempo todo, mesmo quando não estão amamentando. A maioria dos cientistas acredita que os seios são um truque evolucionário [!] para atrair os homens – embora eles estejam cheios de gordura, e não de leite, eles sinalizam a capacidade de uma mulher de alimentar seus filhos. Seios também ajudam os homens a descobrir com quem podem alcançar sucesso na reprodução. Meninas que ainda não passaram pela puberdade não desenvolveram os seios, e os seios das mulheres pós-menopausicas muitas vezes são encolhidos ou caídos. Seios fartos podem, portanto, demonstrar fertilidade. Os homens não precisam tentar enganar as mulheres fazendo com que elas acreditem que eles vão amamentar seus filhos, por isso não têm mamas. Mas, então, por que é que eles têm mamilos? Isso acontece porque os genes que codificam o desenvolvimento dos mamilos no útero fazem isso em um estágio embrionário muito precoce – antes mesmo dos genes que nos transformam em homens ou mulheres entrarem em ação. 

2. Vozes finas x grossas. Homens e mulheres têm cartilagem ao redor da laringe, mas como os homens têm a laringe maior (por isso tem a voz mais grossa), os pedaços de cartilagem se projetam mais. Com isso surge uma saliência no pescoço, conhecida como pomo-de-adão. Mas por que os homens têm a voz mais grossa? O tom de voz de um homem se relaciona com a quantidade do hormônio masculino testosterona que ele tem, e seu nível de testosterona por si só indica a sua qualidade genética e sua aptidão sexual. Como as mulheres evoluíram [sic] para procurar homens com todos os indicadores de aptidão sexual e de saúde, para poder produzir filhos saudáveis, vários estudos demonstram que elas tendem a ser mais atraídas por homens que não têm voz fina. 

3. Rostos de todas as formas. Os hormônios sexuais controlam as divergências de nossas características faciais. Quanto mais testosterona um homem tem, mais robusta é sua testa, maçãs do rosto e o queixo. Enquanto isso, quanto mais estrogênio uma mulher tem, maior é seu rosto, mais cheios são seus lábios e maior sua sobrancelha. Níveis elevados de testosterona também são relacionados com força muscular e agressividade, assim como vigor energético. Talvez por isso estudos mostrem que as mulheres julgam os homens com rostos mais angulares mais dominantes do que os homens com rostos mais redondos e afeminados. Elas também tendem a taxar homens com traços mais brutos como mais atraentes, especialmente quando estão ovulando e (inconscientemente pelo menos) procuram um parceiro sexual que vai produzir bons filhos. Quando elas estão à procura de um parceiro de longo prazo, por outro lado, estudos mostram que as mulheres preferem homens com características mais efeminadas, que têm menos testosterona e são mais susceptíveis a ser parceiros leais e pais dedicados. [Ainda bem que o homem foi projetado para ter os níveis de testosterona reduzidos quando se torna pai. Assim, a mulher não precisa procurar outro homem (efeminado) para cuidar de sua prole. O Criador fez tudo perfeito.] 

4. Questão cabeluda. Enquanto a maioria das mulheres odeia pelos em excesso pelo corpo e faz o máximo para acabar com eles, nos homens esse fator pode atrair parceiras e indicar masculinidade. A partir da puberdade, os pelos começam a aparecer no corpo dos meninos em uma quantidade realmente grande, ainda mais do que nas mulheres. Isso acontece porque o hormônio sexual chamado andrógeno, que estimula o crescimento dos cabelos, está presente em maior quantidade nos homens. Mas quando o assunto é pelo e cabelos pelo corpo, o que mais diferencia os homens sem dúvida é a barba. A maioria dos evolucionistas acredita que a barba se tornou predominante porque, no passado, as mulheres achavam os homens com pelos faciais mais atraentes. Os barbudos tinham mais chances de se acasalar dos que os homens de rosto liso. [Por que essa característica ainda não foi perdida, com tanta valorização do rosto liso e tanto comercial de lâmina de barbear? Se a maior parte das mulheres prefere um homem barbeado (pelo menos imagino que assim seja), por que a seleção natural ainda não eliminou a barba?] Essa atração pode surgir por dois fatores: primeiro porque barbas significam altos níveis de testosterona, e segundo porque elas significam maturidade sexual – da mesma forma que os seios nas mulheres. Barbas encorpadas também podem dar a impressão de que a mandíbula de um homem é maior. Mas nem tudo são flores para os barbudos. A mesma testosterona que faz surgir cabelo e pelos por todo corpo também os leva a ficar careca um dia. [Maldita “evolução”!] 

5. Eles preferem as loiras, elas os negros. Será? Já ouviu a história de que homens bonitos são negros e que o estereótipo de mulher perfeita é aquela loira de pele clara? Parece que esse é o gosto das culturas anglo-europeias, mas esses estereótipos não estão limitados a esses locais. Essas preferências podem refletir do fato que, a partir da puberdade, as mulheres tendem a ter a pele, cabelo e olhos mais claros que os homens. Assim, os ideais que surgem sobre como deveria ser cada gênero podem decorrer das pigmentações mais comuns em cada um deles. A clareza da pele de uma mulher está relacionada também com a quantidade de estrogênio à qual ela foi exposta no útero. Estudos sugerem que esse hormônio também pode clarear o cabelo. [Ficou clara para você essa tentativa de darwinização de uma preferência altamente questionada que parece ser puramente cultural? Curiosidade: Sabia que pouco mais de 15% das mulheres nascem loiras e que há 33% de loiras? Seleção artificial?] 

6. Músculos x curvas. Existem mulheres incrivelmente musculosas, mas, em geral, os homens são mais musculosos que as mulheres. As mulheres costumam ter apenas pouco mais da metade da força dos homens na parte superior do corpo, e cerca de dois terços de força nos membros inferiores. Enquanto o metabolismo masculino queima calorias mais rápido, o metabolismo feminino tende a converter mais alimento em gordura. Elas armazenam a gordura extra em seus seios, coxas, nádegas e na camada inferior da pele – dando à pele feminina uma sensação de maciez. 

Os corpos de homens e mulheres representam bem o papel de cada sexo nas sociedades primitivas [quer dizer que na sociedade “moderna” essas diferenças acabarão desaparecendo? Que tal viver num mundo povoado por homens-mulheres e mulheres-homens? Tô fora!]. Mulheres têm o corpo preparado [Preparado por quem? E antes de estar preparado, como sobreviviam e garantiam a sobrevivência da prole? O que dizer da maravilha do projeto da gestação, que tinha que funcionar bem desde a primeira vez?] para transportar uma criança e para seu nascimento, e têm os quadris mais largos para manter gordura extra para a gravidez. Homens, livres das exigências do parto, têm o benefício de serem tão fortes e ágeis quanto possível, pois precisavam ir em busca de alimento e competir por ele com outros homens. [A teoria da evolução tenta nos explicar o porquê das diferenças, mas nunca consegue explicar adequadamente – sem se valer de hipóteses mirabolantes – o como. Como teria surgido a diferenciação entre os sexos?] 


Nota: A despeito do viés darwinista que impregna o texto acima, uma coisa salta das entrelinhas: homem e mulher foram maravilhosamente projetados em suas diferenças plenamente compatíveis e desejadas. Tanto é assim que, uma vez unidos, tornam-se uma só carne, segundo o livro de Gênesis. Deus seja louvado por essas diferenças! [MB]

domingo, novembro 24, 2019

Homossexualidade: não devemos olhar só para os genes

Novas pesquisas sobre homossexualidade e genética precisam ser analisadas a partir de um olhar técnico. O que realmente há de sólido neste assunto?

Sempre que surge um novo estudo sobre o tema da homossexualidade associado à genética, muita especulação e notícias sensacionalistas são veiculadas. Muitas delas adotam, por vezes, um claro viés ideológico. Não foi diferente com o estudo Large-scale GWAS reveals insights into the genetic architecture of same-sex sexual behavior. O material foi publicado no prestigiado periódico Science no dia 29 de agosto desse ano. O estudo foi liderado pela cientista Andrea Ganna, e contou com a colaboração de pesquisadores das principais universidades do mundo (por exemplo Harvard, MIT e Cambridge). É uma pesquisa que demonstra metodologia robusta e um grupo amostral respeitável de quase 500 mil pessoas. É considerado, ainda, o maior estudo já realizado que se propôs a investigar a base genética da sexualidade humana.

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segunda-feira, novembro 18, 2019

Existe um nervo cuja única função é endurecer os mamilos


O corpo humano é cheio de facetas curiosas e divertidas, de certa forma. Em termos de prazer sexual, pode-se dizer que ele foi muito bem desenhado – no caso do clitóris, por exemplo, a única função do dito cujo é dar prazer às mulheres mesmo, diferentemente do pênis, que abriga o canal urinário e libera espermatozoides. Assim como o famigerado e nem sempre encontrado clitóris, há um nervo específico que funciona apenas para deixar os mamilos endurecidos. A descoberta recente foi publicada na revista Nature Neuroscience – e não para por aí: a mesma pesquisa revelou a existência de um neurônio cuja única tarefa é criar arrepios!

Tanto o endurecimento dos mamilos quanto os arrepios são sensações que aparecem de maneira involuntária e em contextos além do sexual, como quando estamos com frio ou medo. No cérebro, quem controla essas manifestações corporais inconscientes é o chamado sistema nervoso simpático.

Esse último estudo constatou que o sistema nervoso simpático é formado por diversos tipos de células neuronais, responsáveis por funções específicas, e essa descoberta só foi possível depois de uma análise minuciosa no perfil genético dos neurônios de ratinhos recém-nascidos.

Acontece que a estrutura que torna os mamilos eretos é desenvolvida já nos primeiros dias de vida, assim como o músculo responsável por deixar os pelos em pé e, consequentemente, provocar arrepios. Assim que esse músculo é formado, os neurônios começam a se dividir, de modo que cada tipo de célula neural se encarregue de realizar determinada tarefa, mais específica.

“Nós mostramos que o sistema nervoso simpático é composto de muitos tipos de neurônios que regulam funções específicas no organismo”, disse um dos autores do estudo, Alessandro Furlan, em declaração publicada no IFL Science. Segundo ele, os mamilos enrijecidos dependem do trabalho de neurônios que se dedicam apenas a isso. Não é incrível?



sexta-feira, outubro 26, 2018

Imprinting genético: até o embrião sabe o papel diferente de pai e mãe


Não costumo escrever sobre assuntos biológicos, mas esse me chamou atenção. Há pouco mais de dez dias, vi um artigo com o seguinte título em um site nacional: “Camundongos do mesmo sexo geram filhotes por meio de edição genética”, baseado no artigo “Generation of bimaternal and bipateral mice from hypomethylated haploid ESCs with imprinting region deletions” (Cell Stem Cell). No artigo, os cientistas contam que conseguiram, graças à manipulação genética, fazer um embrião de camundongo se desenvolver a partir de dois conjuntos genômicos provenientes de indivíduos do mesmo sexo; nesse caso duas fêmeas de camundongo. No entanto, isso não poderia ocorrer a não ser com uma edição genética de ponta.

Para entender melhor, analisemos a fecundação humana. Nela, um conjunto genômico de 23 cromossomos e outro de 23 cromossomos devem se juntar para haver formação de um zigoto e posterior embrião com 46 cromossomos, 46 XX ou 46 XY. Algumas variações são possíveis, naturalmente, e acarretam algumas síndromes de origem genética, como 45,X0 (síndrome de Turner), 47,XXouXY +21 (síndrome de Down), 47, XXY (Kleinefelter), entre outras.

Em relação aos gametas, o espermatozoide carrega 22 cromossomos autossômicos e um sexual podendo ser ele X ou Y. E o óvulo irá carregar 22 cromossomos autossômicos e um sexual, esse sendo sempre X. A combinação de um espermatozoide com um óvulo acarreta na formação de um indivíduo 46 XX ou 46 XY.

Assim, na teoria, poderia se obter o mesmo resultado combinando dois óvulos, tendo uma combinação 46 XX, o que acarretaria em um indivíduo feminino. Ou combinar dentro de um óvulo dois pró-núcleos provenientes de espermatozoides, acarretando indivíduos 46 XX ou 46 XY (46 YY seria inviável).

A questão é: Por que isso não ocorre naturalmente ou em uma fecundação in vitro?

Porque no momento da fecundação em mamíferos placentários, para que o padrão de metilação do DNA seja transmitido aos descendentes, é necessário que ele seja estabelecido nos gametas, durante a gametogênese. Ou seja, o zigoto recém-formado sabe quais conjuntos gênicos foram herdados do pai (sexo masculino) e quais conjuntos gênicos são herdados da mãe, sexo feminino, para assim continuar seu desenvolvimento. É como uma etiqueta ou impressão genômica (imprinting genético). Portanto, o reconhecimento e a manutenção de impressões são muito importantes na reprogramação do genoma. Ao reconhecer que os dois conjuntos genômicos são provenientes do mesmo sexo, o desenvolvimento do embrião é interrompido.

A última etapa do ciclo de vida da impressão é o apagamento das impressões epigenéticas nas células germinativas primordiais, e isso garante o estabelecimento da impressão dependente do sexo em estágios posteriores do desenvolvimento. Ou seja, o embrião descarta as etiquetas de pai e mãe de seus cromossomos e coloca sua etiqueta ou impressão própria. Portanto, os genes “etiquetados” sofrem desmetilação do DNA nas células germinativas primordiais, e o padrão de metilação específico da origem parental volta a ser restabelecido durante a gametogênese, no gameta maduro. Assim funciona a natureza e é como ela foi criada: os sexos sendo determinados biologicamente não somente pela presença dos cromossomos sexuais, mas em todo um conjunto genômico por uma marcação “invisível” reconhecida pelo próprio embrião, no qual também etiquetará seu sexo em seus clusters de genes.

Mas, voltando ao artigo, como os cientistas então conseguiram “ludibriar” o embrião? Os pesquisadores, usando tecnologia de edição genética, excluíram três conjuntos de impressões genéticas de um gameta feminino e juntaram com uma célula-tronco embrionária. Assim, para torná-los compatíveis, os fragmentos de DNA que carregavam os conjuntos gênicos “etiquetados” foram deletados para tornar os filhotes viáveis. No caso de descendentes de ratos fêmeas, dos 210 embriões, 14% sobreviveram e se tornaram adultos normais e até férteis. Já no caso de embriões provenientes exclusivamente de ratos machos, os filhotes nasceram debilitados e toda a ninhada morreu em dois dias.

E assim, mesmo com um resultado longe de ser um sucesso em termos de viabilidade desses indivíduos, com esse artigo são geradas as especulações de testes semelhantes com outras espécies, inclusive a humana. “Mas há uma expectativa grande em torno das possibilidades de levar essas técnicas para outros animais, até um dia chegar aos seres humanos. Essa pesquisa mostra o que é possível”, afirma Wei Li, pesquisador do mesmo instituto.

Outros pesquisadores renomados também falaram sobre essa possibilidade: “O risco de anomalias severas é elevado demais, e levaria anos de pesquisas em vários modelos animais para compreender plenamente como fazê-lo de modo seguro”, afirmou o especialista em células-tronco Dusko Ilic, do King’s College de Londres.

O que se destaca é que, naturalmente, a vida humana é proveniente da junção de um indivíduo masculino e um feminino, sendo que o próprio embrião identifica por meio de mecanismo epigenéticos diferenças funcionais entre os genomas paterno e materno, mas o ser humano não aceita esta condição idealizada há muito tempo: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gênesis 2:24).

(Tiago Moreti é biólogo e mestre em Biotecnologia)

segunda-feira, setembro 10, 2018

Ter filhos transforma o cérebro das mulheres


Mais evidências de que homens e mulheres não são intercambiáveis

Homens e mulheres são tão diferentes assim? A resposta presumida por muitos de nossa cultura é “não”. Mas qualquer mulher que já teve um bebê pensa diferente. A ideia, inserida em nossa cultura por força da revolução sexual, de que homens e mulheres são basicamente iguais, com muito poucas diferenças externas, é agora amplamente considerada correta. O que eu chamo de movimento “revisionista de gênero” está a todo vapor. Alguns pais estão agora tentando até criar seus bebês como “theybies” [termo em inglês que junta o pronome eles/elas, porém sem definir o gênero, ao substantivo bebês], o que significa não “atribuir” um gênero masculino ou feminino a seus filhos até que eles tenham idade suficiente para escolher por si próprios.

O problema com a nova onda de gênero é que a ciência continua nos relembrando de que homens e mulheres são profundamente diferentes. E que devemos ser gratos por isso. Uma recente pesquina no Boston Globe ressaltou o quão visível é essa diferença em nível neurológico. Utilizando moderna tecnologia de imagem, pesquisadores conseguem observar o cérebro de grávidas e mães recentes, e testemunhar as mudanças de vida ímpares que ocorrem.

Essa extraordinária nova “descoberta” não é tida como surpresa por mulheres que experimentaram a gravidez. Chelsea Conaboy, por exemplo, confessou no artigo do Globe que sua tendência de ser preocupada em demasia aumentou muito após ter seu filho. Claro, para algumas mulheres, essas mudanças podem ser extremas e levar à depressão, e requerem tratamento. Mas para a vasta maioria a metamorfose da maternidade é saudável e essencial. Ela ajuda a moldar mulheres, como explica Conaboy, de forma mais “impetuosamente protetora, motivadas”, cuidadoras, “focadas na... sobrevivência do bebê e no bem-estar de longo prazo”.

Estamos agora descobrindo que o que está na origem dessa transformação é uma reestruturação radical do cérebro, que ocorre em praticamente todas as mulheres quando elas se tornam mães. Chamar a maternidade de um “grande evento” para a mãe é usar o termo atenuado do século. Mas a pesquisadora da Universidade de Rennes Jodi Pawluski esclarece que é também um “grande evento” para o cérebro.

Um artigo de 2016 publicado na Nature detalha como imagens do cérebro têm revelado mudanças dramáticas no volume de massa cinzenta em cérebros de mães recentes. Essas mudanças estão concentradas em regiões envolvidas em interação social e “teoria da mente”, que é a habilidade mental de “se colocar no lugar de outras pessoas”. Em outras palavras, o cérebro de mães recentes literalmente se reconfigura no sentido da empatia e da compreensão.

O grande aumento de hormônios associados com a gravidez e o nascimento parece disparar essas mudanças, e pode até equipar as mulheres para suportar melhor a privação do sono e as multitarefas que sempre acompanham o pequeno novo pacote de alegria.

Essa incrível transformação faz mais do que apenas manter o bebê seguro. De acordo com a neurocientista israelense Ruth Feldman, ela molda o cérebro do recém-nascido também. O conjunto de circuitos neurológicos básicos que nosso cérebro desenvolve quando nossas mães nos seguram e beijam pela primeira vez é o mesmo conjunto que posteriormente se “reconfigura” para nos conectar com amigos, esposa, e mesmo com companheiros de times esportivos. Nós literalmente carregamos as marcas do amor de nossas mães conosco por onde quer que andemos, pelo resto da vida.

Homens não experimentam essa renovação cerebral automática, induzida pelo nascimento. Ao invés disso, pesquisas sugerem que o cérebro dos pais é alterado por outra coisa: envolvimento. Quanto mais tempo um pai gasta cuidando do filho, “mais ativa se torna a rede parental em seu cérebro”. Enquanto os cérebros maternos se reconfiguram automaticamente, pais devem escolher moldar a si mesmos como pais protetores e cuidadores.

A neurociência moderna simplesmente não sustenta a ideia de dois sexos intercambiáveis e indistinguíveis que podem ser combinados de qualquer forma que quisermos. Ao invés disso, estamos tendo uma visão mais clara de dois sexos fundamentalmente diferentes, complementares, projetados para atuar em papéis exclusivos.

E agora que vemos o cérebro de mães em ressonâncias magnéticas, a imagem está mais clara do que nunca. Obrigado, mãe!

(The Christian Post, com tradução de Leonardo Serafim)

terça-feira, agosto 28, 2018

Hipóteses pós-modernistas sobre gênero prejudicam mulheres


Até o ano passado mulheres nos EUA estavam inadvertidamente tomando overdoses de pílulas para dormir. Em janeiro de 2013, a American Food and Drug Administration (FDA) ordenou que as companhias farmacêuticas cortassem as doses de Zolpidem (uma droga para insônia chamada Ambien) pela metade. Os efeitos colaterais da overdose de Zolpidem incluem pensamento debilitado, tempo de reação diminuído (na direção de veículos) e problemas alimentares. A FDA ordenou que os fabricantes providenciassem instruções de dosagem diferentes para homens e mulheres. Antes de tal decisão, as instruções para homens e mulheres eram as mesmas. Por quê? Porque ainda não sabemos o suficiente sobre como homens e mulheres metabolizam drogas de maneira diferente. Phyllis Greenberger, CEO da Sociedade para Pesquisa sobre Saúde da Mulher nos EUA, descreveu no mês passado para o Huffington Post: “A realidade é que não sabemos se uma droga vai prejudicar as mulheres até que elas comecem a tomar.”

Estamos em 2014 e as mulheres estão sob o risco de erros biomédicos preveníveis. Como chegamos até aqui? Primeiro, as drogas são testadas em animais antes que cheguem até testes em humanos. Os testes em animais fêmeas são mais difíceis de ser realizados, devido ao perfil hormonal mais complexo. O neurocientista Larry Cahill afirma que nosso entendimento da neurobiologia da mulher é escasso. Ele afirma que 93% dos animais usados em pesquisa neurocientífica são machos, simplesmente porque é mais fácil de estudá-los. Segundo, pesquisadores de medicina e saúde, incluindo neurocientistas e psicólogos, evitam estudar diferenças sexuais por medo de serem rotulados de “sexistas”. Uma psicóloga consistentemente rotula neurocientistas que publicam trabalhos em diferenças sexuais, rejeitando os trabalhos como “neurosexismo” ou “neurolixo”. Pesquisadores que desejam carreiras livres de controvérsias evitam tais áreas de pesquisa.

No campo da Medicina, doenças cardíacas, o assassino número um de mulheres na Austrália afeta homens e mulheres de maneira diferente. Mais mulheres morrem de ataques cardíacos do que machos, e fêmeas estão sob um risco maior de sangramento depois de uma cirurgia cardíaca. O cérebro das mulheres também é mais sensível à deterioração neuronal. Isso faz com que o Alzheimer seja mais prevalente entre mulheres se comparadas com homens. Segue-se que pesquisas focando nas diferenças sexuais entre homens e mulheres em nível neuronal é um problema da saúde da mulher. Insinuar que é um nicho de interesse de “neurosexistas”, em 2014, é simplesmente repreensível.

A rejeição de pesquisas em diferenças sexuais deriva de uma hipótese falsa profundamente arraigada  - de  que machos e fêmeas são os mesmos quando se trata de biologia. Para entendermos essa hipótese, temos que ir até Rousseau [sic][1] e sua ideia de tabula rasa. A "tabula rasa", em latim, significa "tábua raspada" ou, para nós, que um bebê nasce sem ideias preconcebidas, que sua mente é uma página em branco. De acordo com tal hipótese, a cultura escreve sobre essas páginas em branco, moldando o indivíduo até ele se conformar de acordo com normas sociais. O pensamento da tábua rasa está entre nós há muito tempo, mas alcançou seu zênite entre 1970 e 1980, quando a filosofia pós-moderna se tornou popular. O pós-moderno Michel Foucault encarou a Biologia e a Medicina com suspeição. Ele caracterizou instituições produtoras de conhecimento, como a clínica médica, como potenciais ferramentas de opressão. De acordo com os pós-modernistas, agendas de pesquisas tradicionais eram racistas, classistas, sexistas (às vezes não intencionalmente).

Tais ideias têm sido incrivelmente influentes. Em muitos cursos de graduação de Humanas  –  como estudos de Inglês ou de Gênero  –  estudantes aprendem que o método científico é enviesado para o fato de que “se você fizer certas perguntas você terá certas respostas”. Simplesmente pesquisar sobre diferenças sexuais reforça uma dicotomia cultural opressiva.

Hoje em dia ativistas antivacinação citam argumentos pós-modernistas em suas suspeitas sobre a indústria farmacêutica. A antropóloga Anna Katta escreveu: “Manifestantes antivacinação fazem argumentos pós-modernos que rejeitam fatos científicos e biomédicos em favor de suas próprias interpretações. Esses discursos pós-modernos precisam ser reconhecidos antes que o diálogo comece.”

Ideias pós-modernistas são apresentadas em uma linguagem complicada. Em seu coração, no entanto, está um manifesto implícito questionando "binários", dicotomias até então pensadas como autoevidentes, como masculino versus feminino, normal versus anormal, ou biologia versus cultura. Pós-modernistas nos falam que esses binários são arbitrários, que o gênero é fluído, por exemplo, e ao fazerem isso ajudam muitos homens e mulheres que não se encaixam em ideias estritas de masculinidade e feminilidade a explorar o sexo e o gênero com uma mente aberta.

Infelizmente, no entanto, a filosofia pós-modernista e a bagagem cultural da tábula rasa não ajudaram mulheres nas áreas da Medicina. De fato, as prejudicou. Simplesmente porque há muito mais no sexo biológico do que autonomia reprodutiva. E quando se trata de testes de hipóteses biomédicas ou intervenções, precisamos aplicar binários. Precisamos testar grupos de controle contra grupos experimentais, homens contra mulheres, para eliminar ruídos e vieses, para fazer inferências causais.

Ativistas zelosos podem argumentar que incorporar diferenças sexuais em estudos pode prover munição para aqueles que fazem generalizações sexistas sobre mulheres. No entanto, precisamos estar cientes também da atitude desdenhosa para com as pesquisas sobre as diferenças sexuais como um binário artificial. Se pesquisas sobre diferenças sexuais são automaticamente vistas como vilãs enquanto provas de similaridade são vistas como boas, então estamos falhando no pensamento crítico. (Se Foucault tivesse visto o quão rígido seus seguidores se tornaram, ele se reviraria no túmulo.)

A conclusão é que a saúde da mulher precisa ser vista com seriedade. Enquanto diferenças sexuais devem ser tratadas com ceticismo saudável (como qualquer outra agenda de pesquisa), se nós tivermos medo para fazer perguntas, terminaremos sem respostas.

[1] A tábula rasa foi um método proposto por John Locke, não por Rousseau.

Fonte: Claire Lehmann. Post-modern Assumptions About Gender Harm Women. 2014.


Nota: Gostaria de ter a oportunidade de cumprimentar pessoalmente a psicóloga australiana Claire Lehmann por esse excelente artigo. Infelizmente o mundo científico não está alheio às chafúrdias as quais acometem todo o resto dos mortais. Medo de ser rotulado, comportamento de manada, viés ideológico na pesquisa. A ciência é uma grande dádiva para a humanidade, mas precisa ser considerada como um fenômeno no qual a interferência humana produz resultados seguros no sentido de diminuir sua objetividade.

No caso específico do tópico do artigo, vemos mais uma vez conceitos anteriormente formulados sendo tomados como "verdade" e enviesando a pesquisa. Assim como o que acontece com a teoria da evolução, muitas vezes dados são descartados e moldados para se adaptar a uma "verdade" preconcebida. Curiosamente, é justamente disso que os céticos muitas vezes acusam aqueles que se atrevem ainda hoje a acreditar em Deus e na ciência que não procura destruir a Bíblia. Ironicamente, se a Bíblia fosse estudada com mais seriedade, poderíamos esperar resultados diferentes para essas pesquisas, pois nesse Livro há a compreensão de que homens e mulheres são inerentemente diferentes. Não homem melhor que mulher nem mulher melhor que homem. Apenas diferentes. Enquanto a Bíblia continua sendo ridicularizada, erroneamente considerada um compêndio de histórias sexistas, mais mulheres continuam sofrendo e morrendo. Talvez o maior sexismo seja o de prejudicar as fêmeas da espécie justamente por não reconhecê-las como tal e tratá-las na sua particularidade e complexidade. [AS]