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terça-feira, abril 27, 2021

Primeiro episódio de “Gênesis” expôs “teoria do intervalo”

Se levar as pessoas a conferir na própria Bíblia aquilo que está sendo exibido na tela, a novela “Gênesis”, da TV Record, terá produzido um efeito colateral positivo. Mas, como a maioria das pessoas não fará isso, infelizmente, em muitas mentes ficará a impressão de que Adão era um troglodita machista agressor e de que os dinossauros teriam sido extintos pela queda de Lúcifer e seus anjos rebeldes, ideia conhecida como “teoria do intervalo”, “teoria do caos e restauração” ou mesmo “teoria do Éden luciferiano”. Obviamente, uma interpretação muito equivocada do relato de Gênesis. 

Segundo Moisés (autor inspirado dos cinco primeiros livros da Bíblia), antes de ser preparada para abrigar vida (terraformada), a Terra era sem forma e vazia. Quando Deus pronunciou as palavras “haja luz”, teve início a semana da criação, com seis dias literais e ininterruptos de 24 horas cada (veja o vídeo abaixo). No sexto dia foram criados os animais terrestres e o primeiro casal humano. Portanto, os dinossauros foram criados nesse dia e não muito tempo antes, numa tentativa de acomodar o relato bíblico com a visão evolucionista. 

Os criacionistas bíblicos, em sua maioria (e essa é também a posição da Sociedade Criacionista Brasileira), acreditam que os dinossauros (ou pelo menos a imensa maioria deles) foram extintos por ocasião do dilúvio, daí a abundância de fósseis deles e de muitas outras espécies de animais e plantas – já que se sabe que o processo de fossilização depende de soterramento rápido sob água e lama (veja o vídeo abaixo). 

Resumindo: a leitura do primeiro capítulo de Gênesis deixa claro que a Terra era sem forma e vazia antes de acolher vida, e não que se tornou sem forma e vazia no tempo dos dinossauros. A “teoria do intervalo” é, na verdade, uma aberração teológica semelhante à ideia da evolução teísta, pois coloca a existência da morte antes do pecado de Adão e Eva. Se a morte já existia, o salário do pecado não é ela, como explica o apóstolo Paulo em Romanos 6:3. Se a morte não é consequência do pecado de nossos primeiros pais, que dívida Jesus veio pagar na cruz? Deus passa a ser o culpado direto pela existência da morte e do violento processo evolutivo, e Jesus é despido de Sua missão messiânica, sendo encarado como mero revolucionário. Isso tudo atenta conta o caráter do Criador.

Conforme escreveu Maurício Stycer no portal UOL, “o impacto visual de efeitos especiais não diminuiu em nada a sensação de que estava assistindo a uma aula sobre criacionismo. […] Driblando a teoria da evolução, a novela ‘ensina’ que foi Lúcifer quem causou a extinção dos dinossauros. […] No segundo capítulo, a punição a Adão e Eva se estendeu à família, que enfrenta uma vida de privações. Sob o olhar atento de Lúcifer, que aprecia o drama, todas as filhas de Adão abandonam o lar em protesto à rispidez e ao machismo do pai. Inflexível, Deus recusa uma oferta de Caim porque ele não ofereceu o melhor que tinha para dar”.

Eis aí os problemas: (1) a falsa impressão de que o que a novela apresenta seria a visão criacionista; (2) o preenchimento com excesso de imaginação das lacunas no relato bíblico e o abuso da licença poética; (3) a descaracterização dos personagens bíblicos ou mesmo a ideologização anacrônica deles; e (4) a imprecisão teológica, afinal, Caim não ofereceu “o melhor que tinha para dar”, ele recusou oferecer o símbolo da única coisa que poderia salvá-los: o cordeiro que apontava para o Cordeiro (João 1:29).

A novela contou com a ajuda de consultores como o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva, mas isso não significa que eles tenham tido acesso ao roteiro dos episódios ou que pudessem interferir no texto. O consultor apenas presta informações técnicas sobre alguns aspectos que deverão constar na obra. E os roteiristas/produtores/diretores decidem o que vão considerar ou não.

Semana que vem a novela vai tratar do dilúvio. Vejamos o que vem por aí… Enquanto isso, que tal abrir e estudar sua Bíblia a fim de conhecer a história verdadeira e original?

Michelson Borges




sexta-feira, fevereiro 21, 2020

Os buldogues tupiniquins de Darwin (partes 1 e 2 de 3)


Parafraseando Marcelo Leite, me perdoe o leitor a imagem violenta do título, mas é por motivo nobilíssimo e tem apenas um sentido figurado – a lâmina afiada deste blogueiro se volta contra os argumentos exarados nos artigos de três buldogues tupiniquins de Darwin publicados na Folha de S. Paulo contra a indicação do Dr. Benedito Aguiar para a presidência da CAPES, e negando a cientificidade e robustez epistêmica da Teoria do Design Inteligente: 

Buldogue tupiniquim de Darwin 1: Diogo Meyer

Diogo Meyer começa seu artigo respondendo à pergunta do que tornaria uma explicação científica – ela deve ser testada contra observações do mundo natural, ser consistente com o conhecimento vigente e ter passado pelo crivo da comunidade científica, e destacou que nos seus congressos, livros e revistas, cientistas examinam, avaliam, endossam ou refutam explicações.

Convenhamos, a resposta de Meyer, segundo a Filosofia da Ciência, é muito demarcacionista, pragmaticamente seletiva e desatualizada, pois há proposições científicas que não podem ser testadas. Por exemplo, as de longo alcance histórico que lidam com a origem e evolução do universo (Big Bang) e da vida, ou a de multiversos, buracos negros que, apesar de não ser possível testá-las, têm sido aceitas quase unanimemente (consenso!) pela comunidade científica. Meyer, na biologia evolucionária a descendência com modificação, entre outras hipóteses, passaria por esse crivo epistemológico rigoroso? Não passa. É reprovada magna cum laude!

Meyer afirmou existir formas não científicas de explicar o mundo, sendo a religião uma delas, mas que a ciência e a religião oferecem explicações profundamente diferentes, porém legítimas, e que refletem aspectos distintos da nossa cultura. Mas, apesar de ter dourado a pílula da legitimidade da explicação religiosa, isso ficou somente nesse parágrafo tipo uma no cravo, outra na ferradura.

Meyer destacou existirem duas explicações para a diversidade (e complexidade) dos seres vivos na Terra: uma científica e a outra religiosa. Na explicação científica, a teoria da evolução explicaria que toda a vida na Terra resulta de um processo de descendência comum com modificação, e os seres vivos são conectados uns aos outros por elos de ancestralidade comum. E que a teoria da evolução sobreviveu aos testes contra observações e passou pelo controle de qualidade da comunidade científica. 

Nada mais falso! Eugene Koonin, do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia, afirmou na Trends in Genetics que, devido a falhas nos princípios neodarwinistas centrais, como o “conceito tradicional da árvore da vida” ou a visão de que “a seleção natural é a principal força motriz da evolução” indicam que “a síntese moderna desmoronou, aparentemente, além do reparo”, e “todos os principais princípios da síntese moderna foram, se não totalmente revertidos, substituídos por uma visão nova e incomparavelmente mais complexa dos aspectos principais da evolução”. Koonin concluiu: “Para não medir as palavras, a síntese moderna já era” (E. V. Koonin, “The Origin at 150: Is a New Evolutionary Synthesis in Sight?” Trends in Genetics, 25:473-474 [2009]).

Não quero ser deselegante com Meyer, um cientista respeitado na USP, uma das universidades bem-conceituadas no mundo, mas a afirmação seria desonestidade acadêmica seletiva – ele sabe, mas não quer dar o braço a torcer – ou desconhecimento profundo de literatura científica com revisão paritária questionando algum aspecto sobre toda a vida na Terra ser resultado do processo de descendência comum com modificação. 


Buldogue tupiniquim de Darwin 2: Marcelo Leite

A la Leite, pois o título melhor para esta LONGA réplica seria: Navalhada na NOMA.

O subtítulo do artigo afirma que o design inteligente (DI) não é teoria, mesmo sabendo que não existe A teoria científica, mas VÁRIAS teorias científicas, pois diversas são as áreas científicas com suas características epistemológicas exclusivas, e que, a la Gould, ciência e religião são magistérios que não se sobrepõem, sem contudo considerar os problemas sabidos na aplicação do NOMA: navalha que corta dos dois lados! Mais um café requentado que já rebatemos ad nauseam!

A definição de teoria científica na mente de Leite deve ser esta: “Uma explicação bem fundamentada de algum aspecto do mundo natural que pode incorporar fatos, leis e hipóteses testadas” (National Academy of Sciences, “Science and Creationism: A view from the National Academy of Sciences”, p. 2 [2nd ed., National Academy Press, 1999]).

“Uma explicação abrangente de algum aspecto da natureza que é apoiada por um vasto corpo de evidências” (National Academy of Sciences, “Science, Evolution, and Creationism”, p. 11 [National Academy Press, 2008]).

Leite, jornalista renomado, especializado em ciência, deveria saber que quando os cientistas usam a palavra TEORIA, nem sempre significa uma ideia bem estabelecida, apoiada por uma ampla gama de evidências. Até mesmo nos seus escritos profissionais os cientistas às vezes a usam para se referir a uma conjectura ou hipótese ainda não confirmada pela evidência.

Por exemplo, Bruce G. Charlton, um pesquisador médico, escrevendo em uma revista científica, usou a palavra TEORIA para se referir a uma ideia que ainda pode ou não ser estabelecida na ciência

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

Evolucionistas são nazistas e creem que viemos do macaco?


Você sabia que Adolf Hitler era “fã” de Charles Darwin, e que usou a ideia de seleção natural para levar avante seus planos eugenistas? Quem afirma isso é a secretária pessoal do führer, Traudl Junge, no livro Até o Fim (Ediouro). A obra foi escrita com base nos diários de Traudl, cujo objetivo foi alertar as pessoas para o fato de que jamais pode ser subestimado o poder sedutor de líderes fanáticos. Na página 140, a autora registrou a filosofia de vida do ditador e o que ele pensava sobre religião: “[Hitler] não tinha qualquer ligação religiosa; achava que as religiões cristãs eram mecanismos hipócritas e ardilosos para apanhar incautos. Sua religião eram as leis da natureza. Conseguia subordinar seu violento dogma mais facilmente a elas do que aos ensinamentos cristãos de amor ao próximo e ao inimigo. ‘A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre a raiz que determina a espécie humana. Somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem. Somos um membro da criação e filhos da natureza, e para nós valem as mesmas leis que para todos os seres vivos. Na natureza a lei da guerra vale desde o começo. Todo aquele que não consegue viver, e que é fraco, é exterminado. Só o ser humano e, principalmente, a igreja têm por objetivo manter vivos artificialmente o fraco, o que não tem condições de viver e aquele que não tem valor.”

Assim, fica claro que o conceito de luta e de sobrevivência do mais apto moldou o pensamento do genocida, servindo de justificativa “moral” para suas decisões e ações. Hitler se julgava apto a decidir quem tinha valor e quem não tinha. Ele quis dar uma “mãozinha” para a seleção natural eliminando logo aqueles que ele considerava inferiores, como os judeus, os negros e os homossexuais.

Segundo o ditador, “somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem”. Portanto, podemos concluir que, assim como Hitler, os evolucionistas creem que o homem veio do macaco e, pior: creem que o nazismo está correto, que a religião não presta e que devemos exterminar os fracos.

Antes que você proteste veementemente (e com razão), deixe-me dizer-lhe que obviamente eu não concordo com a conclusão acima. Obviamente entendo que não se pode julgar o todo pela parte, e que não se podem tirar conclusões gerais com base no que um ou outro pense a respeito do assunto – mesmo que esse um ou outro seja uma figura histórica famosa.

Não, evolucionistas não são nazistas, e afirmar isso com base no que um evolucionista pensa seria leviandade e mesmo maldade da minha parte. Nem todos os evolucionistas abominam a religião, e evolucionistas bem informados jamais diriam que o homem veio do macaco. O que eles dizem é que seres humanos e macacos tiveram um ancestral comum (desconhecido, é verdade).

Então por que resolvi escrever este texto? Porque tem gente fazendo com os criacionistas exatamente o que eu poderia ter feito com os evolucionistas, se eu fosse um canalha (para dizer o pior) ou simplesmente mal informado (para dizer o mínimo).

Recentemente, o criacionismo vem ocupando espaço nos noticiários e tendo suas premissas totalmente distorcidas. Há repórteres levianamente associando o criacionismo com a ideia absurda da Terra plana e a defesa assassina da não vacinação. Existem criacionistas mal informados que defendem essas bandeiras? Sim, existem; assim como há evolucionistas que fazem o mesmo (aliás, o fundador da Flat Earth Society é evolucionista). Mas vamos julgar todos os criacionistas por causa daqueles? Se o fizéssemos, estaríamos cometendo o mesmo erro de chamar os evolucionistas de nazistas.

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) já se manifestou a respeito do terraplanismo por meio de uma nota de repúdio (veja aqui). Por que repórteres e formadores de opinião não mencionam isso? Desconhecem o fato? Preferem convenientemente ignorá-lo? A SCB está há quase 50 anos atuando no Brasil. Tem site e CNPJ. É fácil chegar até ela. Em meus blogs e em minhas redes sociais tenho denunciado a irresponsabilidade dos antivacinas. Não conheço uma entidade criacionista ou divulgador sério do criacionismo que defenda essa insanidade criminosa. Então por que a associação? Para denegrir os criacionistas e blindar Darwin? Para embarcar na onda e lacrar?

Uma das charges mais infelizes sobre esse assunto foi publicada no jornal gaúcho Zero Hora:



De um lado da ilustração há a tal associação de conceitos superficial e tendenciosa por meio de personagens caricatos; do outro está um senhor de jaleco branco (representante da ciência) acompanhado de uma moça e da frase “a burrice é ousada”. Sim, é mesmo ousada, e às vezes injusta.

Evolucionistas não são nazistas, tanto quanto criacionistas não são terraplanistas nem fixistas inimigos do bom conhecimento. Os pioneiros da ciência, como Isaac Newton, Galileu Galilei, Blaise Pascal e outros, criam na literalidade de Gênesis, mas nem por isso deixaram de legar à humanidade um patrimônio científico gigantesco. 

O assunto é mais sério e profundo do que a maioria pensa, e vem sendo tratado de maneira superficial, enviesada e politizada por pessoas que não têm compromisso com a verdade. Por causa disso, estamos assistindo à criação de novos campos de concentração ideológicos para os ditos fundamentalistas retrógrados, e a uma nova matança  de carreiras e reputações.

Michelson Borges 

segunda-feira, fevereiro 10, 2020

O design inteligente é uma teoria científica válida? SIM


Ciência é busca da verdade, que liberta de superstições. É confronto de hipóteses à luz dos dados. A Teoria do Design Inteligente (TDI) é ciência de detecção de design, que distingue efeitos de causas naturais daqueles de causas inteligentes. A TDI argumenta com leis (exemplo: biogênese) e critérios (complexidade irredutível, informação, antevidência e ajuste fino), segue o método científico (observação, hipótese, experimentos e conclusão) e se alicerça só em dados: da física, da bioquímica, da biologia, da cosmologia e de ciências afins.

É falseável, pois detalha suas teses; faz previsões acertadas, como a riqueza genética do “DNA ex-lixo” e a utilidade dos “órgãos vestigiais”, como o apêndice. É defendida por milhares de cientistas, alguns laureados com o Nobel, que publicam artigos e livros, como A Caixa Preta de Darwin, Signature in the Cell, Darwin’s Doubt, Darwin Devolves e Foresight. TDI é ciência, e em sua mais pura essência.

A TDI defende Deus? Falso! Se Ele é Deus, não carece de defesa. Defendemos a ciência. Aponta para um criador? Fato! Mas a evolução não aponta para a inexistência dele? O biólogo evolutivo Richard Dawkins não se declarou intelectualmente realizado como ateu após Darwin? Seria a evolução uma vertente do ateísmo? Cientistas, como Francis Collins, são criacionistas evolutivos. Eu, teísta, assim o fui. Seria a evolução uma vertente do criacionismo? Antony Flew – o maior ateu do século 20 – tornou-se um defensor da TDI. O astrônomo Fred Hoyle era ateu, mas optou pelos ETs como seu designer.

Seria a TDI uma vertente do ateísmo ou da panspermia? O filósofo David Berlinski e o bioquímico Michael Denton são agnósticos e defendem a TDI. Seria a TDI uma vertente do agnosticismo? Sejamos honestos: tanto a evolução quanto a TDI, enquanto ciência, acomodam diferentes posições filosóficas e teológicas: é inevitável! É desonesto invocar essas posições no debate.

Um designer metafísico não pode ser estudado pela ciência? Fato! Mas a TDI não estuda o designer, nem se arrisca; avalia só a obra – o universo e a vida. A TDI é ciência análoga ao programa Seti (Busca por Inteligência Extraterrestre, na sigla em inglês), às ciências forenses e à arqueologia. Aplicaram a metodologia de detecção de design do Setiao DNA, e publicaram o artigo “The ‘Wow! signal’ of the terrestrial genetic code” (Icarus, 2013). Há Design Inteligente (DI) detectável no DNA.

A teoria da evolução é consenso e mais lei do que a gravidade? Falso! Veja os “Dissidentes de Darwin”: mais de mil bravos cientistas. Sociedades de DI se espalham pelo mundo. Quem ousaria desafiar Darwin, se absoluto fosse? Congressos tentam “salvar” a evolução, como o “New Trends in Evolutionary Biology” (Royal Society, 2016). Lá, disseram: “Não sabemos como a Evolução fez, só não foi por DI!”

Adaptações ocorrem? Fato! Mas são frutos de “DI genético” e se limitam às famílias, como experimentos equivalentes a “milhões de anos” demonstraram. Tentilhões continuam tentilhões; vírus, vírus; celacanto, celacanto. Mutações criam máquinas moleculares de novo e sofisticam a vida? Falso! Não há sequer um exemplo disso na literatura.

O registro fóssil confirma Darwin? Falso! A explosão cambriana – o surgimento repentino de diversos e complexos animais no período Cambriano – e a carência de formas transicionais demonstram que não.

Não se iluda com “discursos”. Ninguém desqualifica adversários como “hereges religiosos” se fosse possível refutar suas teses. A TDI é a maior novidade científica sobre nossas origens. Revigora a ciência; a resgata do dogma materialista. Cresce no mundo todo, pois é ciência pura. O filósofo Thomas Kuhn previu o “pânico acadêmico” de quebras de paradigmas, como esse que o Design Inteligente causa, e a dificuldade de desviar o “Titanic darwinista”. Mas estamos virando o leme! A verdade vencerá – quem viver, verá

(Marcos Eberlin é presidente da Sociedade Brasileira de Design Inteligente (TDI Brasil), doutor em química pela Unicamp e tem pós-doutorado pela Universidade de Purdue, EUA; texto publicado na Folha de S. Paulo)

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

Fundador da Sociedade Criacionista Brasileira foi diretor da Fapesp


Com a indicação do criacionista e defensor da Teoria do Design Inteligente Benedito Guimarães de Aguiar Neto para a direção da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), grande polêmica foi criada nos meios de comunicação brasileiros e até do exterior. Benedito é engenheiro eletricista (1977) e mestre em engenharia (1982) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Cursou o doutorado (1987) na Technische Universität Berlin, na Alemanha, e o pós-doutorado (2008) na University of Washington, nos Estados Unidos; além disso, foi reitor da prestigiada Universidade Mackenzie, de São Paulo. Mesmo com esse currículo respeitável e com uma carteira de grandes contribuições para o avanço do conhecimento e da cultura, ele está sendo alvo de críticas injustas e precipitadas. Por quê? Porque em lugar de pensar que a vida teria contrariado os fatos e surgido por acaso, Benedito acredita que vida proveio de vida, ou seja, um Criador a trouxe à existência. E isso foi suficiente para a “geração espontânea” de várias notas de repúdio.

Neste momento de ânimos alterados, é bom lembrar que alguns anos atrás outro criacionista dirigiu uma agência de fomento à pesquisa, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Veja o que diz o site da instituição:

“Natural de São Carlos, interior paulista, Ruy Carlos de Camargo Vieira (1930-) é engenheiro mecânico e eletricista formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em 1953. Trabalhou dois anos no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) antes de ingressar como professor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. Participou da criação do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada da EESC. Em 1972, Vieira mudou-se para Brasília para integrar a Comissão de Especialistas em Ensino de Engenharia do Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que acompanha e avalia as escolas de engenharia. Durante sua gestão como diretor científico na Fapesp, avançaram os projetos especiais como o RADARSP II e a implantação de biotérios nas universidades públicas. Foi também a época da implantação da Emenda Leça [que assegurou a regularidade do repasse dos recursos para a Fapesp e para os pesquisadores e estudantes com projetos ou bolsas aprovados]. Autor de livros e artigos sobre ciência e religiosidade, Vieira foi um dos fundadores da Sociedade Criacionista Brasileira, em 1972.”

Note que o site até menciona o fato de o Dr. Ruy ter sido um dos fundadores da SCB, o que de forma alguma desmerece todas as conquistas dele à frente da instituição.

O Dr. Ruy Vieira também representou o MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira e foi membro do Conselho Federal de Educação, entre outras muitas atribuições. Ou seja, um homem competente, culto, dedicado, humilde (e posso atestar tudo isso, pois tenho o privilégio de conhecê-lo pessoalmente) e que deixou um rastro de boas realizações por onde passou. É o que se espera do Dr. Benedito, independentemente de suas crenças e idiossincrasias.

Num Estado laico, qualquer pessoa, independentemente de sua fé ou da falta dela, tem direito de exercer sua cidadania e servir ao País, desde que tenha competência para ocupar o cargo específico para a qual foi chamada. Que o tempo e as realizações falem por si mesmos.

Michelson Borges




quarta-feira, janeiro 29, 2020

Conteúdos úteis na atual discussão sobre criacionismo acirrada pelo Jornal Nacional

Com a nomeação do Dr. Benedito Guimarães Aguiar Neto para a presidência da Capes, a grande imprensa tem promovido uma verdadeira inquisição sem fogueiras, distorcendo informações e fazendo acusações injustas contra criacionistas e defensores da Teoria do Design Inteligente (exemplo da matéria de ontem no Jornal Nacional). A distorção (ou má intenção) é tanta, que chegam a associar criacionismo com terraplanismo, embora a Sociedade Criacionista Brasileira (que em nenhum momento foi consultada nem citada) tenha emitido meses atrás uma nota repudiando a ideia da Terra plana (confira). Em meu canal, inclusive, mantenho uma playlist com dezenas de vídeos contra essa sandice anticientífica (confira). Faltou apuração. Faltou boa vontade. Faltou jornalismo. E isso que a SCB se trata de uma entidade com CNPJ e atua no Brasil há quase meio século, tendo sido fundada por um grande pesquisador acadêmico e engenheiro brasileiro, o Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira, e atualmente presidida pelo doutor em Geologia Marcos Natal.

O biólogo e doutor em genética Wellington Santos expressou bem a indignação dos criacionistas: "Em primeiro lugar, a reportagem menciona a indicação do Dr. Benedito Aguiar para a presidência da Capes, órgão responsável pela pesquisa e a pós-graduação no Brasil. Em seguida, a reportagem mostra uma declaração do Dr. Benedito em um congresso sobre design inteligente na universidade presbiteriana Mackenzie, em 2019. E aí vai o nosso primeiro questionamento: O que tem a ver uma declaração dele colocando-se favorável ao criacionismo com o trabalho que irá desenvolver à frente da Capes? Por acaso ele disse que irá apoiar pesquisa sobre criacionismo usando dinheiro público? Não. Então por que tanta preocupação? Percebe-se que o criacionismo é usado por uma emissora que procura criticar o governo quando toma alguma decisão favorecendo um profissional que defende o criacionismo, mas está muito longe de querer impor isso à sociedade. Em segundo lugar, a reportagem mostra um professor da UFRN associando o criacionismo ao terraplanismo. Quanta distorção! Basta olhar no site da Sociedade Criacionista Brasileira uma declaração oficial da instituição rejeitando o terraplanismo. Por último, vejo uma intenção clara de colocar a controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo na sala de aula como o desdobramento de um longo debate entre ciência e religião. Para aqueles que se entregam a esse debate de maneira exageradamente apaixonada, recomendo um pouco de filosofia da ciência, que faria bem para ambos os lados. Toda teoria científica, seja ela criacionista ou evolucionista, traz ideias metafísicas embutidas em seus postulados. O que precisamos realmente é ensinar de maneira crítica e fazer com que nossos alunos não sejam apenas meros refletores do pensamento de outros, mas que eles tenham condições de avaliar os argumentos apresentados à luz das evidências. Para concluir, existem muitos cientistas na academia com a cosmovisão criacionista e que fazem ciência com excelência." 

Outra manifestação de que gostei foi a da advogada e deputada Janaína Paschoal, que escreveu o seguinte em seu Twitter: "Não sei se o novo presidente da Capes será um bom gestor. Só sei que ele não pode ser discriminado por sua religião! Se, no novo cargo, ele fizer algo incompatível, critiquem! O que estão fazendo com ele (antecipadamente) é inconstitucional e ilegal! Sendo o Estado laico, os cargos não podem ser preenchidos apenas por agnósticos e ateus, como, ao que parece, seria o razoável aos formadores de opinião brasileiros. Estado laico é aquele que dá liberdade a todas as religiões, inclusive ao ateísmo. Falar em Design Inteligente não implica negar a Ciência. Aos menos informados, sugiro a leitura do livro Entre Naturalismo e Religião, de Habermas. E lembro que a Ciência existe, graças a Deus!"

Abaixo segue uma relação de vídeos e um texto que lhe fornecerão subsídios para se posicionar nessa discussão [MB]:













Leia também: "Definições oficiais de conceitos criacionistas"

Manifesto público da Sociedade Brasileira do Design Inteligente (confira)


O “putsch” rasteiro, academicamente desonesto e ideologizado de grupo darwinista xiita da USP contra Benedito Aguiar Neto, novo presidente da Capes (leia)

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Imprensa e academia mais uma vez manifestam preconceito contra o criacionismo e a TDI

Aconteceu de novo, na mídia e na academia. Ano passado, a revista Época, da Globo, levantou suspeitas sobre o advogado Maurício Braga quando de seu convite para chefiar a pasta da secretaria de Direitos Autorais do Governo Federal. Conheço o Maurício pessoalmente. Antes de se mudar para Brasília, foi membro da mesma igreja que eu frequento em Tatuí, SP. Profissional experiente com 30 anos de carreira, honesto e qualificado, foi “condenado” pelo simples fato de ser adventista e guardar o sábado (saiba mais aqui e aqui).

Em 2013, por pressão de grupos anticriacionistas, a reitoria da Unicamp cancelou o que teria sido o primeiro Fórum Unicamp de Filosofia e Ciências das Origens (saiba mais aqui). Sete anos depois, a mesma coisa acontece na mesma universidade: um evento sobre design inteligente foi cancelado, tendo como um dos palestrantes, novamente, o químico Marcos Eberlin.

Em nota publicada em suas redes sociais, o Núcleo Curitibano da Sociedade Criacionista Brasileira (NC-SCB) repudiou a atitude de censura promovida pela Unicamp ao evento de lançamento da 2a Liga Acadêmica da TDI-Brasil. “As universidades, sobretudo as públicas, constituem ambiente de debate científico onde ideologias não devem ser utilizadas como motivo para impedir as discussões acadêmicas. A atitude fere, ainda, o direito constitucional de livre expressão, sendo o evento proposto completamente adequado ao ambiente universitário. A Teoria do Design Inteligente (TDI) é livre de induções filosóficas em seus postulados, os quais são unicamente sustentados e também falseáveis através da aplicação das leis científicas conhecidas aos dados encontrados na natureza”, diz a nota.

O texto informa ainda que o Dr. Eberlin é comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, autor de milhares de artigos científicos publicados e de dezenas de milhares de citações, detentor da medalha Thomson da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas (IMSF) e ex-presidente da IMSF, tendo atuado como vice-diretor do Instituto de Química e professor titular MS-6 da Unicamp, onde fundou e coordenou o Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas durante 25 anos.

Mesmo com esse currículo e com toda essa contribuição prestada à universidade, Eberlin foi desrespeitado, assim como foi o advogado Maurício Braga. Mas as manifestações de preconceito e parcialidade não param aí. O que aconteceu com Braga se repetiu com Benedito Guimarães Aguiar Neto [foto acima]. Anunciado como o novo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Benedito foi reitor da prestigiada Universidade Mackenzie, é graduado e mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), doutor na área pela Technische Universität Berlin, na Alemanha, e pós-doutorado pela University of Washington, nos Estados Unidos (veja a nota no site da Capes).

Em sua página no Facebook, Marcos Eberlin, hoje funcionário da Mackenzie e diretor do Discovery Mackenzie, se manifestou assim: “Homem que honra a calça que veste, ele é um ilustre defensor do ponto x contraponto na Academia. No Mackenzie, instalou com bravura o debate sobre nossas origens criando o Discovery Mackenzie. Lá temos hoje defensores do design inteligente, da evolução e até daquele casamento ‘espúrio’ do evolucionismo teísta. Isso é academia, é universidade! Laica! Mas Benedito inseriu ‘goela abaixo’ o DI na grade? Instalou o DI como politica acadêmica? Todo mundo agora só ensina DI lá? Claro que não! [...] Tranquilizei [o repórter da Globo] sobre se Benedito iria adotar o design inteligente como ‘política de Estado’. Eu disse: ‘Claro que não, ele é um homem sensato, honesto e sábio. Não quererá com certeza impor sua opinião. Mesmo porque nem é atributo da Capes fazer tal discussão, ou diretriz. E até a TDI é contra qualquer imposição, como o ensino de DI nas escolas. Somos todos contra seu ensino enquanto a Academia e os acadêmicos não aceitarem a TDI como digna de se contrapor à evolução. Aí, sim, será justo e correto ensiná-la nas escolas. Mas o que o repórter escreveu? Leia abaixo e veja se devo chamar o homem de repórter ou surdo, disléxico, deturpador, ou somente ‘tendencioso’? Você decide:

“‘O Benedito tem o direito de manifestar a sua opinião, mas o criacionismo não deve ser considerado uma política de Estado. Sabemos que a academia é darwinista e quase totalmente contrária a essa teoria. No dia em que ela for reconhecida como digna, aí sim, podemos debatê-la.

Isso tudo me fez lembrar também da ocasião em que a revista semanal Veja publicou uma reportagem altamente elogiosa sobre a educação adventista. A certa altura do texto, porém, adicionaram um “mas”: são escolas com bons índices acadêmicos, ótimas instalações, bons profissionais, mas... são criacionistas.

Essa academia e essa mídia preconceituosas talvez escrevessem de Newton, Galileu, Copérnico e outros o seguinte: “Sim, eles são os pioneiros da ciência e fizeram avançar tremendamente o conhecimento, mas... criam em Deus e na Bíblia.”

O correto não é “mas”, mas exatamente “por causa de”.

Pode não parecer, mas já houve tempo em que filósofos e cientistas, ateus e/ou evolucionistas eram mais honestos na defesa das suas visões de mundo. A citação a seguir, traduzida por Eliezer Militão e retirada do livro Darwin’s Century, do antropólogo, educador, filósofo e escritor sobre ciências naturais Loren Eiseley (1907-1977), é um exemplo disso. Conforme Eiseley, essas mesmas ideias também foram expressas por Alfred North Whitehead (1861-1847), matemático e filósofo inglês, membro da Real Sociedade Britânica e da Academia Britânica, e autor do livro Science and the Modern World:

“Embora possamos reconhecer as fragilidades do dogma cristão e deplorar a inquestionável perseguição do pensamento, que é um dos aspectos menos apetitosos da história medieval, também devemos observar que em uma das estranhas permutas em que a história ocasionalmente dá raros exemplos, está o mundo cristão que, afinal, deu à luz, de uma forma clara e articulada, o próprio método da ciência experimental. 

“[A] filosofia da ciência experimental [...] começou suas descobertas e fez uso de seus métodos por meio da fé, não no conhecimento, de que estava lidando com um universo racional controlado por um Criador que não agia por capricho nem interferia nas forças que Ele havia posto em operação. O método experimental foi bem-sucedido além dos sonhos mais loucos dos homens, mas a fé que o criou deve algo à concepção cristã da natureza de Deus. É certamente um dos curiosos paradoxos da história que a ciência, que profissionalmente tem pouco a ver com fé, deve suas origens a um ato de fé em que o Universo possa ser racionalmente interpretado, e que a ciência hoje é sustentada por essa suposição” (1959, p. 62; PDF aqui). 

Muitos historiadores e filósofos da ciência na última década discordariam de Eiseley por terem percebido que a quase totalidade das narrativas que descrevem a perseguição ao pensamento na era medieval trata-se de ficção ou deturpação proposital para denegrir quaisquer elementos relacionados à igreja. Uma bem tramada e executada campanha de propaganda anti-religião. A despeito disso, Eiseley tem toda razão quando fala que o método científico tem essa dívida para com o pensamento judaico-cristão (leia mais sobre isso aqui). 

Ao passo que existem lendas e mitos sobre a perseguição religiosa aos cientistas, infelizmente o contrário é fato: muitos cientistas e acadêmicos têm perseguido a religião. Assim, estão cuspindo no prato em que comem há séculos e do qual dependem para viver. 

Michelson Borges

sexta-feira, maio 17, 2019

Estadão tenta “lacrar” requentando velhos argumentos anticriacionistas


Com o título infame “Fósseis transicionais, evolução biológica e a infâmia do criacionismo”, o jornal O Estado de S. Paulo publicou na editoria de ciência uma matéria que tenta associar os movimentos tectônicos (para os quais há muitas evidências, como os terremotos) com a teoria da evolução, na qual ainda hoje há muitas lacunas, especialmente quando o assunto é a macroevolução. Trata-se de argumentos requentados e reapresentados com o intuito de reforçar o discurso evolucionista e acuar os criacionistas. Para que o discurso se mantenha, é preciso que de quando em quando uma matéria “lacradora” seja publicada em algum jornal ou alguma revista de divulgação popular, de preferência com um título bombástico tipo “a infâmia do criacionismo”. Já que a maioria absoluta das pessoas lê apenas os títulos das matérias, o propósito se cumpre, pois elas seguem para o dia a dia pensando que mais uma vez o criacionismo foi encurralado.

Vamos analisar alguns trechos da matéria:

“A união, no passado distante, dos continentes que hoje conhecemos também é notável, por exemplo, no perfeito encaixe entre a América do Sul e África, bem como nos fósseis encontrados nas rochas de um lado e de outro do Atlântico.”

Eles começam com um fato notório e inquestionável, preparando o terreno para afirmações não tão factuais, como esta: “Para alguns [religiosos], fatos como a evolução biológica e o movimento dos continentes são abomináveis, quando não os próprios cientistas.” 

De quem estão falando exatamente? O título da matéria menciona o “criacionismo”, então por que não perguntaram a um pesquisador criacionista? Um geólogo criacionista, por exemplo, desmontaria essa afirmação leviana ao dizer que, sim, criacionistas acreditam na deriva continental e no trincamento dos continentes causado por uma catástrofe de proporções globais (mas obviamente que o repórter mudaria de assunto para não ter que ouvir a respeito dessa catástrofe). O repórter poderia também descobrir que, em lugar de “abominar” os cientistas, centros de pesquisa como o Geoscience Research Institute e outros mantêm cientistas em seus quadros, realizando pesquisas sérias e publicando seus dados. Mas isso desmontaria a espinha dorsal do artigo. Melhor não perguntar e só afirmar, afinal, o objetivo é “lacrar” e manter o discurso, não conhecer a verdade dos fatos.

Outro parágrafo bombástico: “O criacionismo nasceu da rejeição à ciência, da falta de entendimento dos textos bíblicos e na busca por explicações dos fenômenos naturais. Usando, em especial, os dois primeiros capítulos do livro de Gênesis, e versículos no Velho e Novo Testamentos, criacionistas tentam explicar o que nem mesmo era a intenção de Moisés, de outros profetas e dos apóstolos.”

Evolucionistas sabem de tudo! De geologia e biologia até teologia! Falta aos teólogos criacionistas que se dedicam ao estudo da Bíblia o que sobra nos autores do texto do Estadão: entendimento dos textos bíblicos. Como assim o criacionismo nasceu da rejeição à ciência?! Os precursores da ciência, como se sabe, eram em sua maioria cristãos devotos. Newton, Copérnico, Galileu, Pascal e vários outros criam em Deus e na Bíblia, e nos legaram as bases do pensamento científico que ainda sustenta o emprego dos pesquisadores de hoje.

A matéria do Estadão continua:O fato [Fato?! Cadê os números?] é que a maioria dos cristãos vive apavorada com as promessas de terríveis castigos determinados àqueles que ‘desobedecerem à palavra de Deus’. Como desconhecem o sentido das metáforas, preferem não arriscar, e entendem as escrituras ao pé da letra: ‘Deus criou tudo, incluindo Adão e Eva, nos sete primeiros dias.’” 

Sou criacionista há três décadas e não vivo apavorado com “promessas de terríveis castigos”. Na verdade, vivo animado com a expectativa de viver no mundo que meu Criador vai recriar. Vivo animado com a esperança de que o mesmo Deus que criou o Universo e este planeta tem poder para transformá-lo de novo no Éden perdido. Quando era evolucionista é que eu vivia sem esperança, afinal, havia aprendido que tudo terminaria (1) em um big crunch cósmico, ou (2) na expansão eterna de toda a matéria, ou ainda (3) na calcinação da Terra por um Sol moribundo. De qualquer forma, pela concepção naturalista/evolucionista, a vida está fadada à extinção. Então, não me venham falar em medo do futuro e desesperança!  

“Já os grandes dinossauros e todas as outras criaturas extintas morreram e foram soterrados no dilúvio.” Bem, apresentem-me explicação melhor para a abundância de fósseis bem preservados em todos os continentes... A hipótese não unânime do meteorito de Yucatán explica esse fenômeno? Fossilização depende basicamente de soterramento rápido sob lama.

“Sobre a organização estratigráfica dos fósseis, isto é, seu empilhamento lógico e ordenado nas sucessivas camadas de rochas; e os grandes eventos de explosão de diversidade seguidos à terríveis extinções em massa, preferem não comentar.” 

Pelo contrário, comentamos, sim. Especialmente a pedra no sapato dos evolucionistas chamada “explosão cambriana” (apontada como um grande problema pelos evolucionistas honestos). Como explicar que a vida (os principais filos) surja já complexa lá no período Cambriano? Como explicar que complexidade exista em toda a coluna geológica, de alto a baixo, sem evidências de ancentrais menos complexos antes do “big bang da vida”. Querem mesmo falar sobre isso?

A seguir a reportagem se aventura a falar na suposta história evolutiva do ser humano, mas não menciona as inúmeras revisões e fraudes envolvendo esse conto das cavernas; histórias amplamente documentadas aqui neste blog.

E o texto termina assim: “É impossível rejeitar a evolução, bem como a imensa idade da Terra. [...] O trabalho dos cientistas é brilhante, pois buscam a verdade de forma honesta e aberta. Já os criacionistas se perderam dos propósitos originais de Deus e da Bíblia, tornando-se piores que Tomé, pois cegados pela infâmia em que se meteram, negando a evolução, nem mesmo podem ver para crer.”

É impossível rejeitar qual evolução? Aquela que ensina que bactérias desenvolvem resistência a antibióticos, mas continuam sendo bactérias? Aquela que afirma que iguanas de Galápagos evoluíram porque passaram a comer algas e ficaram mais escuras, mas são idênticas às iguanas do continente? Enfim, aquela que chama de evolução meras adaptações ou diversificações de baixo nível? Ou a teoria da evolução que sustenta a ideia hipotética de que toda a biodiversidade existente no mundo teria provindo de uma suposta protocélula primordial? É preciso antes de mais nada delimitar o termo antes de falar dele. Mas a confusão semântica se presta bem aos propósitos dessa matéria anticriacionista.

Ah, sim, os cientistas buscam a verdade de forma honesta, inclusive os cientistas criacionistas, que não se “perderam dos propósitos de Deus e da Bíblia” (obviamente conhecidos dos autores do texto), que, segundo o apóstolo Paulo em Romanos 1:19 e 20, é também revelar Seu poder criador por meio das coisas criadas. Cientistas criacionistas buscam entender o mundo que os rodeia e encontrar as assinaturas do Designer; cientistas evolucionistas dão as costas para essa possibilidade, porque decidiram a priori que ou Deus não existe ou não criou o mundo como narra a Bíblia.

Finalizo perguntando: Quem é o pior cego, aquele que rejeita enxergar o mundo com as lentes da verdadeira ciência e da boa teologia, ou aquele que, como Newton e outros, aceita seguir as evidências, levem aonde levar, e não procura salvar a hipótese dos fatos, mantendo um discurso a todo o custo?  

Michelson Borges é jornalista, mestre em Teologia e pós-graduando em Biologia Molecular

terça-feira, abril 09, 2019

Mitologia, ufologia e evolucionismo: vêm aí os Eternos da Marvel

Depois de levar às telas dos cinemas e das casas os personagens mais famosos dos quadrinhos, como Capitão América, Hulk, Homem de Ferro, Thor e Homem-Aranha, agora é a vez de a Disney (dona da Marvel) trazer ao conhecimento do grande público figuras antes basicamente só conhecidas pelos fãs de HQs: os Eternos (com Angelina Jolie em um dos papeis principais). Assim começamos a ter mais claro todo o pano de fundo mitológico e evolucionista criado por Stan Lee e, no caso dos Eternos, por Jack Kirby. Basicamente, a ideia é que há um milhão de anos seres extraterrestres megapoderosos chamados Celestiais teriam feito sua primeira visita à Terra e realizado experiências genéticas com a “espécie mais evoluída do planeta”. Como resultado disso, surgiram três novas raças: os humanos comuns, os deviantes (seres agressivos e de genética instável) e os eternos (semelhantes aos humanos, mas superpoderosos e praticamente imortais. Experiências semelhantes foram feitas pelos Celestiais em outros mundos, dando origem às várias raças alienígenas do universo Marvel, como os skrulls e os kree.

terça-feira, dezembro 11, 2018

Drauzio Varella outra vez


[O Dr. Drauzio Varella, a quem respeito como médico e autor, publicou na semana passada o texto “Criacionismo outra vez”, expondo novamente suas ideias equivocadas com respeito ao criacionismo, algo que ele já fez e que eu comentei aqui. No texto abaixo, meus comentários seguem entre colchetes. – MB]

Voltamos a falar no ensino do criacionismo nas escolas. A mania de andar para trás teima em nos perseguir. Até 1859, quando Charles Darwin publicou o livro sobre a origem das espécies, todos acreditavam que Deus os havia criado num único dia. Essa crença começou a ser questionada no século 19, época em que os museus ingleses passaram a exibir plantas e esqueletos de animais já extintos. Como justificar o desaparecimento de tantas espécies tão semelhantes às que ainda povoavam a Terra? A explicação corrente era a de que a ira divina exterminava periodicamente algumas espécies para criar outras, parecidas com as anteriores. [Não, a explicação criacionista sempre foi a de que a Terra sofreu as consequências de uma catástrofe chamada dilúvio, que levou à extinção de toda forma de vida não preservada na arca de Noé, daí por que há tantos fósseis espalhados pelo planeta e hoje seus descendentes mais ou menos limitadamente modificados vivem sobre a Terra.]

Darwin entendeu que a ciência devia estudar a grande variabilidade existente entre os indivíduos da mesma espécie, característica que não era levada em consideração pelos naturalistas da época. Suas observações sobre os pássaros das ilhas que visitou a bordo do Beagle, bem como a leitura dos trabalhos de Malthus a respeito da finitude dos recursos naturais, levaram Darwin a concluir que a vida é uma eterna competição pelo acesso a eles, na qual os indivíduos que não se adaptaram às exigências do ambiente foram eliminados por seleção natural. [Também estive em Galápagos e tudo o que vi foi variação limitada. Exemplo: tentilhões variam em plumagem e tamanho de uma ilha para outra, mas continuam sempre sendo tentilhões. Diversificação de baixo nível é algo perfeitamente aceito pelos criacionistas; o que não podemos aceitar é a ideia da macroevolução, para a qual não há comprovação nem evidências. Trata-se de uma premissa filosófica.]

Como consequência, todos os seres vivos deviam ter ancestrais comuns [aí está a extrapolação filosófica macroevolutiva]. O homem, por exemplo, seria descendente do mesmo ancestral que deu origem aos demais primatas [evidências, Dr. Drauzio, por favor].

Imaginem o furor que essa ideia provocou na Inglaterra vitoriana e no mundo religioso. Negar que fôramos criados à imagem e semelhança de Deus era uma blasfêmia inaceitável (ainda hoje considerada como tal por muitos religiosos). [Em uma Inglaterra em ebulição social, com uma igreja hegemônica corrompida e revoluções ocorrendo, qualquer ideias que colocasse em dúvida a religião tradicional acabaria sendo bem aceita. Esse foi o terreno fértil em que a teoria da evolução vicejou.]

Desde então, a teoria que Darwin enunciou naquele tempo foi exaustivamente testada e confirmada [outra declaração de fé, pois nem todas as premissas do darwinismo podem ser “testadas e confirmadas”]. O conceito de mutação gênica, a descrição da molécula de DNA e as descobertas da genética e da biologia molecular nos séculos 20 e 21 demonstraram que a seleção natural está presente até nos mecanismos moleculares das funções fisiológicas das células [vamos lá: (1) mutações não aprimoram, não adicionam informação nem são responsáveis pelo surgimento de novos planos corporais; experimentos científicos têm demonstrado isso (confira); (2) a descrição do DNA e os avanços da genética e da biologia molecular apenas fizeram fortalecer a ideia do design inteligente (confira); (3) criacionistas aceitam a seleção natural, pois ela é fato; mas entendem que a seleção natural apenas explica como o “mais apto” sobrevive, não como ele “apareceu”, já que ela obviamente somente age sobe algo que já existe].

Theodosius Dobzhanski [sic], um dos maiores geneticistas do século passado, afirmou: “Nada em biologia faz sentido senão à luz da evolução.” [Com certeza o Dr. Drauzio não deve saber disto sobre Dobzhansky...]

A seleção natural é um mecanismo universal que explica a evolução da vida na Terra e em qualquer planeta em que venha a ser encontrada [wow! O evolucionismo é uma ideologia tão forte que vale até para planetas aos quais ainda nem chegamos; se aconteceu aqui, aconteceu lá também]. Ao contrário do pensamento científico, o religioso está alicerçado na fé [outra falácia, já que criacionistas se valem da boa ciência e da fé]. Como não preciso de experimentos para provar que Deus existe, que Jesus Cristo foi seu filho e que a vida eterna é o nosso destino, posso crer que a Terra tem dez mil anos e que Eva foi criada a partir de uma costela de Adão. [Quem disse que criacionistas desprezam a boa ciência como auxílio no sentido de validar suas crenças? A biologia, a física e a arqueologia estão aí para provar o contrário do que afirma o Dr. Drauzio.]

Nada contra os crentes, a ciência não é a única forma de entender o mundo, as religiões procuram fazê-lo por outros caminhos. No entanto, assim como os cientistas têm obrigação de respeitar crenças alheias, os religiosos não devem se opor ao conhecimento científico [e não se opõem; opõem-se, sim, ao conhecimento que posa de científico, embora seja filosófico]. O problema não está no ensino do criacionismo como pensamento religioso que ainda influencia muitas pessoas, mas em apresentá-lo como alternativa em pé de igualdade à evolução das espécies por seleção natural [criacionistas bem informados não concordam com o ensino do criacionismo em aulas de ciências ou de biologia nas escolas seculares].

Questionar a veracidade da teoria da origem das espécies enunciada por Darwin e Wallace há mais de 150 anos, desculpem, é ignorância. É o mesmo do que duvidar da gravitação universal de Newton, colocar outra vez a Terra no centro do universo sem levar em conta Copérnico e Galileu, negar a relatividade enunciada por Einstein ou a teoria quântica de Max Planck. [Chega a ser irônico criticar o criacionismo e mencionar no mesmo parágrafo cientistas pioneiros criacionistas como Newton, Copérnico e Galileu! Isso, sim, é ignorância científica e histórica.]

A Terra não tem dez mil anos, mas 4,5 bilhões. A vida surgiu a partir das moléculas primordiais de RNA que se formaram há uns quatro bilhões, assim que o planeta esfriou [leia mais sobre isso aqui, e saiba também que cientistas gabaritados admitiram recentemente que a vida não poderia ter surgido aqui como propõem os evolucionistas (confira)]. Chimpanzés e bonobos compartilham conosco mais de 95% dos genes que herdamos de nosso ancestral comum [ah, é?]. Não fosse um meteorito cair na península de Yucatán, no México, há 65 milhões de anos, os dinossauros ainda dominariam a Terra e, nós, dificilmente estaríamos por aqui [tem certeza, Dr. Drauzio?].

Há os que preferem crer que a mão de Deus deu origem ao homem e a todos os seres vivos. Alguns não negam as evidências da evolução, mas propõem que Ele está por trás de todas as mutações gênicas adaptativas que selecionaram as espécies [esses são os mais contraditórios]. Para eles, admitir que surgimos como resultado dos acasos envolvidos na seleção natural não faz sentido. [E faz sentido crer que a ordem proveio do caos? Que a vida surgiu da não vida, mesmo depois dos experimentos de Pasteur? Que informação complexa e específica teria surgido do nada? Quem é o verdadeiro crente aqui?]

Para mim, imaginar que um ser superior criou tudo num passe de mágica reduz a complexidade da biologia que através de mecanismos seletivos chegou ao único animal que se atreveu a desvendar os mistérios da criação da vida. [O fato é que Drauzio Varella crê na teoria da evolução porque decidiu não crer em Deus. Que opção lhe resta?]