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quinta-feira, dezembro 05, 2024

Nova pesquisa desafia modelo evolutivo do ciclo celular eucariótico

A origem da célula eucariótica representa uma das inovações mais significativas na história da vida. As células procariontes e eucariontes apresentam estruturas de divisão celular bastante distintas, tanto nos mecanismos de bifurcação celular e de segregação do DNA, como nos componentes proteicos subjacentes que conduzem esses processos. O estudo realizado pelo Dr. Jonathan McLatchie traz uma série de informações que contrapõem o atual modelo evolutivo sobre as origens do ciclo de divisão celular dos eucariontes. O artigo foi publicado em novembro de 2024 no periódico BIO-Complexity[1] e pode ser acessado aqui. O Dr. Jonathan McLatchie é bacharel em Biologia Forense pela University of Strathclyde, mestre (M.Res) em Biologia Evolutiva pela University of Glasgow, mestre em Biociência Médica e Molecular pela Newcastle University e doutor em Biologia Evolutiva pela Newcastle University. Anteriormente, Jonathan foi professor assistente de biologia no Sattler College, em Boston, Massachusetts. 

O estudo retrata detalhadamente a engenharia e o design requintado presente no ciclo celular eucariótico e em seus sistemas de controle. O artigo argumenta que várias características da divisão celular eucariótica exibem complexidade irredutível. Além disso, quase todos os componentes (que são inferidos por estudos filoestratigráficos anteriores como presentes no último ancestral comum eucariótico) parecem ter surgido após a divisão entre as linhagens arqueana e eucariótica.

 

A pesquisa revelou que a maioria dos componentes mitóticos já estavam presentes no último ancestral comum eucariótico (LECA). Dada a presença de complexidade do ciclo celular semelhante ao moderno no LECA, espera-se que existam homólogos entre procariontes para pelo menos alguns dos componentes envolvidos. Esse estudo usou a Basic Local Alignment Search Tool (BLAST) para pesquisar os proteomas de procariontes (em particular, membros do superfilo Asgard) para potenciais homólogos de componentes do complexo promotor de anáfase/ciclossomo (APC/C) e seus substratos e o complexo de ponto de verificação mitótico (MCC) e rede cinetocoro. Os homólogos dos componentes mitóticos não puderam sequer ser identificados entre as arqueias de Asgard, um superfilo que se acredita representar os ancestrais vivos mais próximos dos eucariotos. 

 

Embora os dados encontrados não tenham demonstrado de forma definitiva a presença de homólogos completos para a maioria das proteínas investigadas, a análise revelou que a maquinaria mitótica está intimamente associada à eucariogênese. Além disso, a cronologia relacionada à origem desses mecanismos não é precisa, e mesmo uma grande janela de tempo (por exemplo, 2-3 mil milhões de anos) não seria suficiente para que mecanismos evolutivos não guiados produzissem sistemas com esse nível de complexidade.

 

FALANDO SOBRE OS RESULTADOS

 

A relevância dos resultados é particularmente interessante, dado que não há essencialmente nenhuma similaridade entre o modo de divisão celular empregado por células eucarióticas e aquele empregado por células procarióticas, seja em termos dos componentes proteicos envolvidos ou da lógica subjacente. Dada a natureza crucial de muitos dos componentes da divisão celular em procariotos e eucariotos, parece improvável a existência de um caminho viável do ciclo de divisão celular procariótica para eucariótica que evite intermediários inviáveis.

 

É valido trazer à memória a maneira como Darwin lidava com a questão da evolução por seleção natural, abordada em em seu livro A Origem das Espécies como: “natura non facit saltus”, expressão latina que significa “a natureza não faz saltos”. Ao contrário do que Darwin acreditava, o que encontramos nos registros fósseis, no que tange à história da vida, é uma imensa diversidade de “saltos” descontínuos.[2, 3] Esse “salto” também pode ser observado na biologia molecular, especialmente referente às origens da vida por meio da transição das células procarióticas para eucarióticas, e as origens da multicelularidade. O artigo em questão pontua que a descoberta de genes e proteínas taxonomicamente restritas, que não têm precursores anotados a partir dos quais possam ter evoluído, também ilustra um padrão de “saltos” na história da vida. Abaixo, abordaremos algumas informações relevantes sobre essa temática.

 

OBSTÁCULOS SIGNIFICATIVOS À ORIGEM DO CICLO CELULAR EUCARIÓTICO POR MEIO DE PROCESSOS EVOLUTIVOS

 

CONDENSINAS


Condensinas são proteínas essenciais para organizar e compactar os cromossomos durante a divisão celular, garantindo que sejam distribuídos corretamente para as células-filhas. Elas atuam em momentos específicos da divisão: a condensina I reforça os cromossomos quando o núcleo já está desmontado, enquanto a condensina II começa a compactação no início do processo.


As moléculas de condensina são compostas de cinco subunidades (como mostrado na figura), incluindo as proteínas SMC (Manutenção Estrutural dos Cromossomos) SMC2 e SMC4, que possuem atividade de produção energética (ATPase). As proteínas SMC possuem domínios coiled-coil (braços longos e flexíveis que se dobram sobre si mesmos, criando uma estrutura em forma de V), um domínio de dobradiça que facilita a dimerização das duas proteínas SMC; e domínios de cabeça contendo sítios de ligação de ATP e ATPase, energizando as atividades das condensinas. Além das subunidades SMC, há também três subunidades não SMC, que se ligam a regiões específicas do DNA e auxiliam na regulação da atividade de condensação.

 

Resumidamente, essas proteínas formam um complexo com cinco partes principais, incluindo duas chamadas SMC (Manutenção Estrutura dos Cromossomos – responsáveis por usar energia para dobrar e estabilizar o DNA em loops) e outras três que ajudam a direcionar as SMC para os pontos certos no DNA. Juntas, elas criam uma estrutura compacta e organizada, indispensável para que os cromossomos fiquem prontos para a divisão. Desse modo, fica evidente que as condensinas são cruciais para o processo de divisão celular. Na ausência delas, a consequência seria a desorganização cromossômica, bem como grande dificuldade em atingir a segregação adequada durante a mitose.

 

CINETOCOROS

 

O cinetocoro é uma estrutura proteica complexa, localizada no centrômero dos cromossomos, essencial para a divisão celular. Ele atua como uma ponte entre os cromossomos e os microtúbulos do fuso mitótico, permitindo a captura e o transporte dos cromossomos durante o processo de divisão, até os polos da célula.

 

As principais funções dos cinetocoros incluem a fixação dos microtúbulos aos cromossomos, a geração de força para movimentar os cromossomos ao longo do fuso mitótico e o controle da separação e do direcionamento dos cromossomos para os polos opostos da célula. Durante a metáfase, os cinetocoros ajudam a alinhar os cromossomos no centro da célula, garantindo que o material genético seja igualmente distribuído entre as células-filhas. Além disso, os cinetocoros detectam a tensão gerada pelos microtúbulos para assegurar uma conexão correta. Se houver qualquer erro nesse processo, como ambos os cinetocoros de um par de cromátides irmãs se conectarem ao mesmo polo, esses problemas podem ser corrigidos pela maquinaria associada aos cinetocoros.

 

Qual seria a consequência da ausência de cinetocoros? Isso resultaria em uma inadequada fixação e tração dos cromossomos ao aparelho do fuso mitótico e o material genético seria distribuído de forma desigual para as células-filhas. Tal fator evidencia a relevância dos cinetocoros para o processo de divisão celular ao ponto de serem encontrados obrigatoriamente em todos os organismos eucarióticos conhecidos.

 

SEPARASE E O COMPLEXO PROMOTOR DA ANÁFASE

 

A transição da metáfase para a anáfase, durante a divisão celular, é controlada por uma “máquina molecular” chamada APC/C, que funciona como um marcador que direciona certas proteínas para serem destruídas. Ela trabalha juntamente com outra proteína, chamada Cdc20, e quando estão conectadas, atuam para eliminar a securina, uma proteína que impede que as cromátides (as duas partes idênticas de um cromossomo duplicado) se separem. Dessa forma, quando ligado ao seu coativador, Cdc20, o APC/C funciona para ubiquitilar (marcar) a securina. A ubiquitilização da securina a direciona para destruição pelo triturador molecular da célula, o proteassoma. Quando a securina é destruída, uma enzima chamada separase é ativada. A separase corta um “anel” chamado coesina, que mantém as cromátides unidas. Isso permite que as cromátides irmãs se separem e sejam tracionadas para lados opostos da célula.

 

Na ausência da separase, as cromátides irmãs não conseguiriam se separar e a célula seria incapaz de separar seus cromossomos na anáfase. Evidência disso foi observada em estudos experimentais de Knockout, os quais indicaram que a ausência da separase resulta em letalidade embrionária.[4,5] A progressão do ciclo celular também seria interrompida na ausência da APC/C, inibindo a progressão da fase de metáfase para a anáfase. Estudos experimentais que eliminaram a APC2 (uma subunidade central da APC/C) em roedores, por exemplo, resultaram em falha letal da medula óssea em apenas sete dias.[6]

 

AURORA QUINASE

 

As aurora quinases são proteínas importantes para garantir que os cromossomos sejam organizados e distribuídos corretamente durante a divisão celular. Uma delas, chamada Aurora quinase A fosforila proteínas envolvidas na organização dos microtúbulos (filamentos que tracionam os cromossomos) e facilita a fixação precisa dos microtúbulos ao cinetócoro. Um estudo mostrou que, quando a aurora quinase A está ausente, embriões de camundongos não sobrevivem além do estágio inicial de desenvolvimento (mórula com aproximadamente 16 células), pois apresentaram problemas na montagem do fuso, culminando em erros na divisão celular.[7] Isso demonstra o papel indispensável dessa proteína no processo de mitose.

 

MICROTÚBULOS

 

Microtúbulos são estruturas finas e tubulares formadas por proteínas chamadas tubulinas. Eles fazem parte do citoesqueleto, que dá suporte e forma à célula. Na divisão celular, os microtúbulos desempenham um papel crucial ao formar o fuso mitótico, uma estrutura que organiza e separa os cromossomos. Eles se conectam aos cromossomos por meio dos cinetocoros e ajudam a puxar as cromátides irmãs para os polos opostos da célula, garantindo que o material genético seja dividido igualmente entre as células-filhas.

 

Os microtúbulos irradiam dos centrossomos e ancoram no complexo cinetocoro, montado ao redor do centrômero de cada cromossomo. Durante a metáfase, os cromossomos são alinhados ao longo do plano equatorial da célula, ligados aos microtúbulos no cinetocoro. Na anáfase, as cromátides irmãs são separadas pelos microtúbulos, impulsionadas pelas forças do fuso polar.

 

Na ausência dos microtúbulos, a montagem do fuso mitótico seria severamente prejudicada, inibindo o alinhamento e a segregação dos cromossomos. Um estudo experimental com embriões de camundongos deficientes em γ-tubulina, (gama-tubulina) proteína essencial para a organização dos microtúbulos na célula, exibem uma parada mitótica que interrompe o desenvolvimento nos estágios de mórula/blastocisto.[8] 

 

O artigo ainda pontua a relevância de proteínas motoras (cinesina e dineína), sobre os pontos de verificação do ciclo celular e o papel das cinases dependentes de ciclina e das moléculas de ciclina na progressão do ciclo celular e conclui ponderando as evidências de complexidade irredutíveis no processo de divisão celular e sua incompatibilidade com o modelo evolucionista. Você pode ler o resumo aqui.

 

Nota: A análise dos componentes essenciais do aparato de divisão celular mitótica realizados pelo Dr. Jonathan McLatchie revela uma intricada rede de dependências mútuas, em que cada peça desempenha um papel indispensável para o funcionamento do sistema como um todo. Microtúbulos, cinetocoros, proteínas reguladoras, e outros elementos interativos precisam trabalhar em perfeita harmonia para garantir a segregação precisa dos cromossomos. Essa característica torna o processo de divisão celular mitótica um exemplo marcante de complexidade irredutível.

 

Na biologia, um sistema é considerado irredutivelmente complexo quando a remoção de qualquer um de seus componentes torna o sistema incapaz de cumprir sua função. Na divisão celular, a ausência de qualquer elemento essencial – como a γ-tubulina para a nucleação dos microtúbulos ou o complexo APC/C para a transição da metáfase para a anáfase – inviabiliza o processo, levando à falha celular e até à morte do organismo em alguns casos. Isso demonstra que a divisão celular não poderia ter surgido de forma incremental por meio de processos cegos, como proposto pelo modelo evolucionário clássico.

 

A existência de sistemas com essa complexidade requer não apenas interação, mas também coordenação e especificidade previamente organizadas. Tal nível de integração aponta para a necessidade de previsão e planejamento, sugerindo que explicações meramente mecanicistas podem ser insuficientes para abordar as origens da divisão celular eucariótica.

 

Por esse e outros motivos outrora abordados, como bióloga, creio no planejamento e nas intencionalidade da criação de todas as formas de vida existentes, especialmente representadas por sua unidade básica que é célula. A vida é a obra prima de um Deus Criador.

 

(Liziane Nunes Conrad é formada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestre em Biociências e Saúde [UNIOESTE]. É diretora-presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB])

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Acesse outros conteúdos sobre complexidade celular AQUI, AQUI e AQUI

 

Referências:

1.                  McLatchie J (2024) Phylogenetic Challenges to the Evolutionary Origin of the Eukaryotic Cell Cycle. BIO-Complexity 2024 (4):1–19 doi:10.5048/BIO-C.2024.4.

2.                  Erwin D, Valentine J (2013) The Cambrian Explosion: The Construction of Animal Biodiversity. Roberts and Company (Greenwood Village, CO).

3.                   Meyer SC (2013) Darwin’s Doubt: The Explosive Origin Of Animal Life And the Case For Intelligent Design. HarperOne (New York).

4.                  Kumada K, Yao R, Kawaguchi T, Karasawa M, Hoshikawa Y, et al (2006) The selective continued linkage of centromeres from mitosis to interphase in the absence of mammalian separase. J Cell Biol. 172(6): 835-46.

 

5.                  Wirth KG, Wutz G, Kudo NR, Desdouets C, Zetterberg A, et al (2006) Separase: a universal trigger for sister chromatid disjunction but not chromosome cycle progression. J Cell Biol. 172(6): 847-60.

 

6.                  Wang J, Yin MZ, Zhao KW, Ke F, Jin WJ, et al (2017) APC/C is essential for hematopoiesis and impaired in aplastic anemia. Oncotarget. 8(38): 63360-63369.

 

7.                  Lu LY, Wood JL, Ye L, Minter-Dykhouse K, Saunders TL, Yu X, Chen J (2008) Aurora A is essential for early embryonic development and tumor suppression. J Biol Chem. 283(46): 31785-90. doi:10.1074/jbc.M805880200

8.                  Yuba-Kubo A, Kubo A, Hata M, Tsukita S (2005) Análise de nocaute genético de duas isoformas de gama-tubulina em camundongos.  Dev Biol. 282(2): 361-73.

terça-feira, outubro 24, 2023

Seca extrema na Amazônia revela gravuras rupestres

A seca extrema na Amazônia voltou a revelar, nas últimas semanas, dezenas de gravuras pré-coloniais esculpidas em pedras há cerca de 2.000 anos e desconhecidas da maioria, em uma área da capital do Amazonas conhecida como praia das Lajes. Lívia Ribeiro quis comprovar se era verdade o que conhecidos de Manaus estavam comentado: uma aparição inesperada de dezenas de gravuras rupestres com formas humanas às margens de um rio amazônico. “Achava que fosse mentira. Nunca havia presenciado isso, vivo em Manaus há 27 anos”, disse a administradora, logo após se deslumbrar com as gravuras, que a fizeram pensar em seus antepassados.

O registro arqueológico costuma ficar coberto pelas águas do rio Negro, cujo caudal registrou na última terça-feira (17) o nível mais baixo em 121 anos. A aparição das gravuras, que encanta tanto cientistas quanto o público em geral, contrasta com a emergência que enfrentam centenas de milhares de pessoas na região. “A gente pode vir, olhar, achar bonito, mas muitas pessoas passam necessidade neste momento, e a gente pensa nelas. Também imagino se daqui a 50, 100 anos esse rio vai existir”, diz Lívia.

A seca na Amazônia reduziu drasticamente o nível dos rios nas últimas semanas, afetando sensivelmente uma região que depende de um labirinto de vias fluviais para o seu transporte e abastecimento. O governo enviou ajuda de emergência à região, onde as margens dos rios, normalmente movimentadas, tornaram-se terras acidentadas, pontilhadas de barcos parados. 

Segundo especialistas, a estação seca na Amazônia se agravou neste ano devido à ação do El Niño, somada ao efeito das mudanças climáticas.

As gravuras da praia das Lajes, um sítio arqueológico de grande relevância, segundo Jaime Oliveira, arqueólogo do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), foram descobertas em 2010, durante outro período de seca, não tão severo quanto o atual.

O conjunto de rochas onde aparecem os registros é cercado por uma floresta densa, de um lado, e pelas águas baixas do rio Negro, do outro. Em sua maioria, as gravuras remetem a rostos humanos, alguns de formato retangular e outros ovais, com sorrisos ou gestos mais sérios. “O sítio expressa emoções, sentimentos. É um registro rupestre, mas tem algo em comum com as obras de arte atuais”, descreveu Oliveira. 

Para Beatriz Carneiro, historiadora e membro do Iphan, a praia das Lajes tem um “valor inestimável” para que a ciência compreenda os primeiros povos que habitaram a região, um campo ainda pouco explorado.

“Infelizmente, a gente está tratando da pior estiagem do Amazonas nesses últimos 121 anos”, ponderou Beatriz. “O que ajuda a preservar as gravuras é a gente poder ter de volta nossos rios e manter esse processo submerso na natureza. Ela cuida dessa preservação mais do que a nossa incidência na área.”

 

(R7 Notícias)

 

Nota: “É o nível mais baixo em 121 anos.” Fora o tempo em que o nível da água estava baixo a ponto de poderem fazer gravuras rupestres nas rochas do leito do rio. Há 121 anos não havia mudanças climáticas causadas pelo ser humano El Niño, provavelmente, sim, pois é cíclico. Outra coisa: constataram o design inteligente dos desenhos nas rochas...

terça-feira, julho 18, 2023

Quem “surgiu” primeiro: o ovo ou a galinha?

 

A dúvida que serve de inspiração para comerciais e brincadeiras está perto de ser esclarecida. Pelo menos é o que dizem os cientistas da Universidade de Sheffield e Warwich

Conclusões passadas davam conta de que seria o ovo, graças à evolução em que dois animais semelhantes (sem serem galinhas) teriam cruzado e originado um ovo que se tornaria a primeira galinha. No entanto, uma nova descoberta aponta que a galinha veio primeiro. Segundo os cientistas, a formação da casca do ovo depende de uma proteína que só é encontrada nos ovários deste tipo de ave. Portanto, o ovo só existiu depois que surgiu a primeira galinha. A proteína, chamada ovocledidin-17 (OC-17), atua como um catalisador para acelerar o desenvolvimento da casca. Sua estrutura rígida é necessária para abrigar a gema e seus fluidos de proteção enquanto o filhote se desenvolve lá dentro.

 

A descoberta foi revelada no documento “Structural Control of Crystak Nucleo by Eggshell Protein”, que em tradução livre quer dizer: “Controle Estrutural de Núcleo de Cristais pela Proteína da Casca do Ovo.”

 

Na pesquisa, foi utilizado um supercomputador para visualizar de forma ampliada a formação de um ovo. A máquina, chamada de HECToR, revelou que a OC-17 é fundamental no início da formação da casca. Essa proteína é que transforma o carbonato de cálcio em cristais de calcita [os mesmos dos olhos dos trilobitas], que compõe a casa do ovo.

 

Dr. Colin Freeman, do Departamento de Engenharia Material da Universidade de Sheffield, constatou: “Há muito tempo se suspeita de que o ovo veio primeiro, mas agora temos a prova científica de que, na verdade, a galinha foi a percussora.”

 

Para o professor John Harding, o estudo poderá servir como base para outras pesquisas. “Entender como funciona a produção da casca de ovo é interessante, mas também pode ser pista para a concepção de novos materiais e processos”, disse ele. “A cada dia a natureza [sic] nos mostra suas soluções inovadoras para todo tipo de problema que ela encontra. Isso só comprova que podemos aprender muito com ela”, finalizou o professor.

 

(Terra)

 

Nota: Design inteligente, complexidade irredutível, antevidência... E os pesquisadores naturalistas teimosos insistem em dizer que “a natureza é sábia”. Criacionistas já diziam há muito tempo que é óbvio que as aves foram criadas antes dos ovos, que dependem delas para serem formados; e que os ovos são outra maravilha de design inteligente, pois permitem que o oxigênio chegue ao filhote e o gás carbônico saia de lá. Isso para citar apenas uma de suas propriedades. Quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha? Resposta: ambos foram criados por Deus. [MB]

quinta-feira, janeiro 12, 2023

Hidrofólios imitam barbatana de baleia para reduzir cavitação e ruído

Um dos maiores problemas enfrentados pelos projetistas de hélices e turbinas subaquáticas é a cavitação. Na superfície das bordas móveis, grandes quedas de pressão podem resultar em uma vaporização repentina do fluido, o que leva não somente à perda de eficiência, mas também a danos estruturais graves, com as bolhas de ar destruindo hélices de navios e tubulações. A cavitação também é uma das principais causas de poluição sonora subaquática, que prejudica a vida selvagem e danifica os ecossistemas. Os engenheiros já haviam descoberto que a criação de pequenas protuberâncias nas extremidades das estruturas melhora a eficiência dos hidrofólios, o equivalente a um aerofólio, mas projetado para funcionar na água – eles são usados não apenas em embarcações, mas também em técnicas de geração de eletricidade que dispensam represar os rios.

Rafat Simanto e colegas da Universidade Nacional Chungnam, na Coreia do Sul, decidiram então testar se as protuberâncias nos hidrofólios também poderiam ajudar a minimizar a cavitação. Usando um túnel de cavitação, a equipe submeteu uma coleção de hidrofólios com diferentes formas de protuberância a uma variedade de condições e analisaram os resultados.

Eles descobriram que um design de hidrofólio que copia as protuberâncias das barbatanas da baleia jubarte produz efeitos positivos dramáticos. As protuberâncias direcionam o fluxo de água para as calhas que se formam entre as protuberâncias, fazendo com que a cavitação seja reduzida em até 60%.

“Em nosso experimento, modificamos a extremidade dos modelos de hidrofólio com protuberâncias senoidais”, explicou o professor Byoung-Kwon Ahn, coordenador da equipe. “De acordo com as nossas observações, as protuberâncias nos bordos de ataque podem efetivamente suprimir tanto a cavitação quanto o ruído.”

(Inovação Tecnológica)

Leia mais sobre biomimética aqui.

Bibliografia:

Rafat I. A. Simanto, Ji-Woo Hong, Ki-Seong Kim, Byoung-Kwon Ahn, Suyong Shin, “Experimental investigation on cavitation and induced noise of two-dimensional hydrofoils with leading-edge protuberances”, Physics of Fluids, vol. 34, 124115; DOI: 10.1063/5.0127170



quarta-feira, outubro 20, 2021

Cientista de Harvard sugere que o Universo foi criado em laboratório

Um cientista de Harvard publicou uma teoria [melhor seria dizer “ideia”] inusitada sobre como o Universo foi formado. Segundo sua tese, ele teria sido criado em um laboratório por uma “classe superior” de forma de vida. Avi Loeb, autor de best-sellers e ex-presidente do Departamento de Astronomia de Harvard, escreveu um artigo na Scientific American nesta semana postulando que o Universo poderia ter sido formado em um laboratório por uma “civilização tecnologicamente avançada”. Ele disse que, se confirmada, a história da origem do Universo unificaria a ideia religiosa de um criador com a ideia secular da gravidade quântica. “Como nosso Universo tem uma geometria plana com energia líquida zero, uma civilização avançada poderia ter desenvolvido uma tecnologia que criou um universo bebê do nada por meio de um túnel quântico”, escreveu Loeb.

Uma das ideias postas pelo cientista diz respeito ao sistema de classificação de civilização. Loeb explicou que, como uma civilização tecnológica de baixo nível, os humanos pertenceriam à classe C, que, em outras palavras, representa uma civilização dependente de sua estrela hospedeira, o Sol. “Se e quando nossa tecnologia progredir a ponto de nos tornarmos independentes do Sol, estaremos na classe B”, acredita. “Se pudermos criar nossos próprios universos bebês em um laboratório (como nossos criadores teóricos), estaremos na classe A.”

(Tilt UOL)

Nota: Posso concluir pelo menos duas coisas básicas ao ler sobre essa ideia de Loeb: (1) a proposta de que o Universo teria surgido do nada e por acaso parece incomodar mesmo os cientistas não religiosos mais renomados; (2) a teimosia em admitir que o Criador seja o Deus da Bíblia é tanta, que preferem supor que uma “raça superior” teria nos criado, não importando quem tenha criado essa raça, nem o loop infinito que essa ideia gera. Pelo menos a ideia do design inteligente passa a ser considerada uma proposta aceitável. [MB]

Leia também: “Was our Universe created in a laboratory?”


terça-feira, agosto 10, 2021

O design inteligente do sexo original

Sob a ótica criacionista, o ato sexual original (conforme apresentado no relato da criação, em Gênesis) é uma das grandes evidências de design inteligente na natureza. Para os evolucionistas, um mistério não resolvido, segundo admitiu Richard Leakey, na introdução de uma das edições do livro A Origem das Espécies; ou então um “grande paradoxo”, na definição de Richard Dawkins. E não é pra menos, afinal, quando são formados os gametas (espermatozoides e óvulos), uma divisão meiótica ocorre e metade dos genes é removida. Então, quando o espermatozoide fecunda o óvulo, o descendente contém a integralidade dos genes. No cenário darwiniano, a reprodução assexuada é duplamente mais eficiente e “simples” que a sexuada, pois todos os genes são transferidos para cada um dos descendentes. Por isso, evolutivamente falando, é difícil explicar o surgimento da reprodução via ato sexual, afinal, pra que “inventar” um meio de reprodução tão complexo e dispendioso do ponto de vista do gasto de energia e dos riscos envolvidos no processo todo? Por isso os evolucionistas evitam tocar no delicado e difícil tema da origem da reprodução sexuada e da complexidade envolvida na interdependência dos órgãos sexuais feminino e masculino, que precisariam ter evoluído separadamente e, mesmo assim, ser perfeitamente compatíveis – um tipo de mutação dupla independente, na mesma geração e funcional.

Mas tem mais; muito mais!

O design inteligente da vagina

O “surgimento” da vagina (assim como o de qualquer outro órgão complexo) é um grande problema para os evolucionistas. Os defensores do darwinismo afirmam que a vagina é uma estrutura completamente nova na suposta história evolutiva – ela não tem homólogo em anfíbios nem répteis. Se é completamente nova, foi necessário o acréscimo de grande quantidade de informação genética para que passasse a existir. De onde teria vindo essa informação? Além disso, como qualquer outro sistema de complexidade irredutível, o sistema reprodutor feminino, para funcionar bem, depende de vários mecanismos interligados que não poderiam “surgir” aos poucos, já que são interdependentes. O sistema reprodutor feminino não se trata apenas de um tubo de carne. Ele é de uma complexidade maravilhosa, com seus músculos especializados, glândulas, terminações nervosas (que presenteiam a mulher com o prazer do sexo) e a capacidade de abrigar uma (ou mais de uma) nova forma de vida, suprindo-lhe as necessidades por nove meses.

Alguns anos atrás, o portal de informações norte-americano sobre saúde Healthline afirmou que o uso do termo médico/biológico “vagina” não é “linguagem inclusiva de gênero”, e então usou intercambiavelmente a expressão “orifício frontal”. “É imperativo que guias sexuais seguros se tornem mais inclusivos para as pessoas LGBTQIA e não binárias”, afirmou o guia da Healthline. “Para os fins deste guia, vamos nos referir à vagina como o ‘orifício da frente’, em vez de usar apenas o termo médico ‘vagina’”, diz o documento. “Essa é uma linguagem inclusiva de gênero que considera o fato de que algumas pessoas trans não se identificam com os rótulos [sic] que a comunidade médica atribui aos genitais.”

 

O guia diz ainda que algumas pessoas trans e não binárias designadas como femininas ao nascer podem gostar de ser participantes do “sexo penetrativo”, mas não se sentem confortáveis quando essa parte de seu corpo é mencionada usando uma palavra que a sociedade e as comunidades profissionais associam com feminilidade. “Uma alternativa que está se tornando cada vez mais popular em comunidades trans e queer é o ‘buraco’ ou ‘orifício’ da frente.” E então, renomeando-a, a vagina deixa de ser vagina e passa a ser comparada ao “orifício de trás”.

 

Embora o site afirme que não se trata de uma redefinição de palavras, admite usar no guia a expressão “front hole” (“orifício da frente”) em lugar de vagina, a fim de não ofender pessoas transgêneros com uma palavra tipicamente feminina.

 

A vagina, órgão projetado por Deus para permitir a união abençoada entre um homem e uma mulher, e o órgão por onde o bebê chega ao mundo, acaba sendo comparada ao órgão excretor por onde são evacuados os resíduos digestivos.

 

Cabe aqui uma boa reflexão sobre o design inteligente da vagina e do ânus e as enormes diferenças que há entre uma e o outro. Pedi ajuda aos amigos médicos Ivan Stabnov e Angela Andrade. Ele é gastroenterologista e endoscopista digestivo e ela é ginecologista e obstetra. Vamos às comparações:

 

Reto e ânus:

 

1. O reto é um local com muitos microrganismos, ou seja, potencialmente infectante.

2. Apesar de ser um local preparado para enfrentar resistência a micro-organismos, a estrutura é mais frágil porque só tem uma camada de células.

3. Como há mais linfócitos na região é mais fácil adquirir a infecção pelo HIV, já que os linfócitos são células-alvo.

4. Como a função do local é de absorção de fluidos, a junção disso com presença de linfócitos e maior risco de fissuras torna bem maior a chance de se adquirir uma doença séria como a Aids.

5. Pela presença de fezes aumenta o risco de infecção urinária no penetrante.

6. O risco de fazer fissuras (pequenas feridas) é maior no reto pela falta de lubrificação e maior atrito.

7. A cobertura de células colunares é mais delgada que na vagina e isso torna maior o risco de fissuras.

8. Em caso de sexo anal e a seguir vaginal, sem a devida higiene, há riscos para a mulher de infecções vaginais e urinárias.

9. Pela manipulação anal há o aumento de transferência de bactérias fecais para a uretra, aumentando também a incidência de infecção do trato urinário.

10. O ânus e o reto são órgãos de excreção, portanto, o caminho natural é para fora.

11. A presença de válvula (ânus) confere maior possibilidade de traumas durante a penetração.

 

Vagina:

 

1. O epitélio vaginal é descamativo, epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Isso significa que há várias camadas de células uma sobre a outra, o que forma uma barreira natural.

2. Por ser o epitélio vaginal mais espesso (tem espessura de 150 a 200 µm) o vírus da Aids, quando chega ali, encontra um ambiente desfavorável; ele não consegue entrar no epitélio vaginal, a não ser que haja lesões nesse epitélio, chegando ao conjuntivo.

3. A vagina é um órgão preparado fisiologicamente para recepção do pênis, adaptada a fricção pela síntese de muco pelas glândulas ali presentes, o que garante lubrificação.

4. As dobras da mucosa vaginal permitem que ela se distenda e fique maior e mais larga no caso de uma penetração, o que diminui a possibilidade de traumas.

5. A vagina não possui válvula, o que facilita a penetração e também diminui traumas.

 

Resumindo: o reto foi projetado para duas funções básicas: a primeira é armazenar fezes para que o ser não necessite evacuar a cada momento; a segunda é absorver água para que as fezes não sejam diarreicas, ou melhor, tenham formato e consistência confortáveis para a realização do ato da evacuação. O ânus é um esfíncter com dupla válvula, uma de controle externo – ou seja, temos o controle dela –, e outra de controle interno, autorregulado pelo organismo. A função do ânus é de regular a saída das fezes. Ambas as estruturas têm seu caminho habitual, seu vetor, no sentido interno para o externo. A introdução de algo pelo ânus até o reto é contrária à fisiologia.

 

A vagina tem mais funções. Serve como conduto para a saída do feto após a gestação. É o local utilizado pelo organismo para expulsar o conteúdo menstrual após a maturação do endométrio, sem que haja gravidez. Também é o órgão sexual feminino que recebe o órgão sexual masculino, portanto, tem fisiologia normal tanto para entrada quanto para saída de algo.

 

Podem redefinir as palavras e os conceitos o quanto quiserem, mas vagina continuará sendo vagina e ânus continuará sendo ânus, com suas funções especificamente projetadas por Deus. Nenhuma ideologia do mundo mudará isso.

 


O design inteligente do pênis

Estudo desenvolvido na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendou os processos químicos que levam o homem a manter uma ereção. A pesquisa foi publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e confirmou que a liberação de óxido nítrico, neurotransmissor produzido no tecido nervoso, provoca a ereção, pois relaxa os músculos, permitindo que o sangue chegue ao pênis. “Sabíamos que esse era apenas um estímulo inicial. Por isso, queríamos descobrir o que permite que a ereção se mantenha”, disse o coordenador do estudo, Arthur Burnett.

Burnett e sua equipe descobriram que o sistema nervoso, depois de liberar com estímulos físicos e do cérebro ondas de óxido nítrico, produz uma cascata de substâncias químicas geradas com a ereção. Isso faz com que a liberação do neurotransmissor continue por mais tempo, dentro de um modelo cíclico. 

Vamos à pergunta de sempre: O que “surgiu” primeiro, o pênis ou o neurotransmissor que causa a ereção? Para que serviria tanto um quanto o outro, antes que todo o sistema estivesse pronto, interconectado e funcional? E mais: Para que serviria esse neurotransmissor (e o pênis), se o indivíduo fosse incapaz de manter a ereção graças à tal “cascata de substâncias químicas”? Note que a ereção e a manutenção dela não dependem de apenas uma substância química. A verdade é que cada célula, cada tecido, cada órgão e cada sistema dos seres vivos revelam as digitais, a assinatura de Quem os criou.


O design inteligente dos seios

A revista Veja alguns anos atrás publicou a reportagem “Adeus aos grandes, é a vez dos pequenos!”, sobre um novo padrão estético que predomina nas clínicas de cirurgia plástica: o uso de próteses de silicone em tamanho menor. A matéria segue por aí, mencionando, inclusive, atrizes que retiraram próteses grandes e as substituíram por pequenas. Mas o que chamou minha atenção não foi o assunto da reportagem, em si. Foi seu último parágrafo: “A maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem de atrativo sexual. Na pré-história, antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais. Eles ainda o são e sempre serão – com ou sem silicone. E independentemente do tamanho.

Tem horas, quando leio certas coisas, que tenho vontade de me beliscar para ver se estou acordado. Em primeiro lugar, esse parágrafo final é totalmente dispensável e serve apenas para reforçar a doutrinação evolucionista. Está fora de contexto. Imagine se o repórter terminasse assim sua matéria: “A maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem de atrativo sexual. Deus não criou o homem e a mulher apenas para procriar. Ele os criou para se unir numa relação de amor. E criou o sexo também para dar prazer aos cônjuges. Criou o homem para considerar a mulher esteticamente atraente e a mulher para considerar o homem esteticamente atraente. E é exatamente isso o que ocorre.”

Outra peculiaridade humana é a inexistência do cio, o que evidencia uma vez mais que o sexo, nos humanos, não foi feito simplesmente para procriação, sendo uma resposta a instintos previamente programados. Em nós, o sexo é algo muito mais complexo. Mais belo.

O autor do artigo da semanal afirma que, “na pré-história [sic], antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais”. Não sabemos muita coisa sobre como os seres humanos funcionam hoje em dia, mas alguns se atrevem, com base apenas em especulação, a afirmar coisas sobre supostos comportamentos ancestrais. E a ficção é aceita sem questionamento.


O design inteligente do esperma

Em 2011, foi publicado na revista Scientific American um artigo sobre o estudo que concluiu que o esperma age como um remédio natural para depressão. Segundo o estudo, feito por Gallup e Rebecca Burch, em conjunto com o psicólogo Steven Platek, da Universidade de Liverpool, é possível que o esperma atue sobre as mulheres como um antidepressivo natural. Aparentemente, logo que o esperma é absorvido pela vagina, ele age sobre os hormônios femininos. O sêmen masculino é rico em componentes químicos como neurotransmissores, hormônios, endorfinas e imunossupressores, entre eles a serotonina, um dos mais famosos e conhecidos antidepressivos, e ocitocina, conhecido como o hormônio da confiança e do amor.

Segundo Gallup, as mulheres em relacionamentos estáveis que tinham relações sexuais sem preservativos foram muito mais devastadas e negativamente afetadas depois de um rompimento do que aquelas que faziam uso de preservativos, prova de que a ligação neuroquímica emocional é um fato. Isso faz pensar no conselho do apóstolo Paulo aos casados, em 1 Coríntios 7:5: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.” E poderíamos adicionar: “Para que a esposa não fique deprimida.”

Cada vez as pesquisas surpreendem mais os estudantes da sexualidade humana. A interação perfeita entre os sexos masculino e feminino é algo impressionante e aponta para o design inteligente! Como explicar de outra forma a fina interação química entre o sêmen e os hormônios femininos? Como já vimos, já é difícil (senão impossível) do ponto de vista darwinista explicar a diferenciação anatômica e fisiológica compatível entre macho e fêmea (uma dupla mutação que deveria ter ocorrido numa mesma época e num mesmo espaço geográfico), agora imagine explicar na base da tentativa e erro esses requintes emocionais relacionados com neurotransmissores, hormônios, endorfinas e imunossupressores. Essa pesquisa sugere também que os órgãos sexuais anatômica e bioquimicamente projetados para o sexo são o pênis e a vagina.

O design inteligente da interação óvulo-espermatozoide

Em 16 de fevereiro de 2010, a revista Veja publicou:Os espermatozoides, as células reprodutivas masculinas [produzidas graças à ação de um único gene exclusivo dos machos, o Boule], são depositados pela ejaculação no colo do útero e dali partem numa acirrada corrida pelos 15 centímetros que os separam da trompa de Falópio, onde se encontra o óvulo. Só um deles, mais rápido e forte, conseguirá penetrar no óvulo e dar início a uma nova vida. Pensava-se que os espermatozoides, assim como os aviões e os carros de corrida, dispunham de uma reserva de combustível para ser gasta nessa viagem. Sabe-se agora que não é bem assim. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e publicado na edição [de fevereiro de 2010 da] revista Cell, revelou elementos até agora desconhecidos no processo de fecundação. O trabalho identifica e explica, pela primeira vez, o mecanismo que faz com que os espermatozoides liguem uma espécie de motor turbo na fase final de aproximação do óvulo. Esse motor não só aumenta a velocidade do espermatozoide como lhe dá vigor extra para romper a membrana celular do óvulo. [...]

“Um dos fatores cruciais para determinar a velocidade dos espermatozoides é o pH do meio onde eles se encontram. Quanto mais ácido o pH, mais lentamente eles se movimentam. Isso explica por que os gametas masculinos permanecem imóveis dentro do trato reprodutivo masculino, que é ácido, começam a mover-se quando estão no líquido seminal, que é alcalino, e se tornam agitados em contato com o aparelho reprodutor feminino, onde o pH é mais alcalino. Os pesquisadores foram além dessa constatação e descobriram que a aproximação do óvulo ativa estruturas localizadas na cauda do espermatozoide, as Hv1. Uma vez abertas, elas funcionam como comportas, pelas quais são expulsos íons de hidrogênio do interior do gameta masculino. Esse curso aumenta imediatamente o pH interno do espermatozoide, facilitando sua mobilidade. ‘O mecanismo que descobrimos é como uma mudança de marcha para que o carro ultrapasse uma barreira. Ele fornece o impulso extra que permite romper a proteção externa do óvulo’, disse a Veja a pesquisadora Polina Lishko, coautora do estudo.

“O gatilho que põe a corrente de íons em funcionamento fica nos arredores do óvulo. Nessa região, há dois fatores extremamente favoráveis à mobilidade das células masculinas. O primeiro é a baixa oferta de zinco, que em quantidade mais alta inibe a movimentação dos espermatozoides. A outra é a alta concentração de moléculas de anandamida, substância secretada pelos neurônios e presente também nas células de proteção dos óvulos.”

Se pela inibição de apenas uma chave bioquímica se impede a fecundação; se problemas com a mobilidade dos espermatozoides (mecanismo que depende de uma conjunção de fatores) impedem a fecundação; se alterações de pH no homem e na mulher atrapalham o processo; a questão é: Até que todos esses mecanismos que dependem de uma série de fatores interligados e interdependentes tivesse evoluído aos poucos, como os seres sexuados teriam se reproduzido? Estaríamos aqui hoje para estudar este assunto?

Mas tem mais...

Em 2010, cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, descreveram pela primeira vez a estrutura 3D de um receptor completo do óvulo que se liga ao espermatozoide no início da fecundação. A pesquisa foi publicada na revista científica Cell. No início da concepção, os espermatozoides se ligam a proteínas no revestimento extracelular do óvulo, chamado zona pelúcida (ZP). Mas os detalhes moleculares desse evento biológico fundamental permaneciam obscuros.

Luca Jovine e sua equipe conseguiram determinar a estrutura tridimensional do receptor molecular que se liga ao espermatozoide, chamado ZP3. As informações estruturais detalhadas, baseadas em dados coletados no European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), tornaram possível começar a explorar em nível molecular como o óvulo interage com os espermatozoides no processo de fecundação.

Os resultados têm implicações importantes para a medicina reprodutiva humana, uma vez que podem explicar como mutações no gene do receptor de esperma podem causar a infertilidade. “Os resultados dão uma imagem notável do lado feminino da fecundação”, disse Jovine. “Mas esta é, naturalmente, apenas metade da história. O próximo passo será descobrir as moléculas correspondentes no espermatozoide que lhe permitem se ligar ao óvulo.”

Puro design inteligente de dois seres que foram criados um para o outro!

O design inteligente da concepção e do nascimento

No mês de outubro de 2008, numa das edições do programa de TV dominical “Fantástico”, o Dr. Dráuzio Varela abordou o tema atração sexual e gravidez. A reportagem começou informando que a atração sexual também depende do nariz, pois ele detecta a “compatibilidade genética” por meio dos feromônios. Segundo a matéria, essa substância carrega informações detalhadas sobre genes, saúde e capacidade de resistir a doenças. Depois, Varela descreveu a “química da paixão”, explicando que uma descarga de adrenalina ocorre quando vemos a pessoa amada, e isso faz o coração bater acelerado e dilata a pupila. Em seguida, a dopamina, neurotransmissor que causa o bem-estar, leva à euforia. A dependência desse coquetel químico nos faz querer ficar mais tempo perto da pessoa amada.

Com o tempo, o casal deseja algo mais duradouro: o casamento. Segundo o médico, um bom relacionamento existirá apenas se a química (entre outros fatores) for favorável. O sexo causa encantamento e reforça a relação. Durante a relação sexual é liberado o hormônio ocitocina, que aumenta a afetividade e os laços entre o casal. Ele é importante também para a sobrevivência do feto e na produção do leite materno (alimento perfeitamente projetado para atender exatamente às necessidades do bebê).

Com imagens do interior do corpo humano e recursos 3D, a reportagem prosseguiu descrevendo a maravilha da concepção. Explicou que o óvulo é a maior célula humana, ao passo que o espermatozóide é a menor. Cerca de 300 milhões deles são expelidos em cada ejaculação. Na vagina, a missão deles não é fácil, pois têm que sobreviver às condições hostis do ambiente. Milhões de espermatozóides são destruídos ali. Os mais fortes que sobrevivem e chegam ao colo do útero são beneficiados por suaves contrações musculares. Apenas uns poucos milhões chegam perto do óvulo e um único espermatozóide o fertiliza: o mais preparado e saudável. Um verdadeiro controle de qualidade!

Por fora a gravidez é inicialmente imperceptível. Em 40 semanas, uma única célula se especializa em diferentes tipos de células, tecidos, órgãos... e se transforma em um bebê.

Através de uma membrana, a mãe passa os nutrientes para o bebê. Ele ganha mais de 850g em 10 semanas. O útero aumenta muito para poder abrigar o feto. O corpo materno tem que se reorganizar para poder abrigar o bebê em crescimento. Os órgãos são rearranjados: eles ficam apertados nas costas ou pressionados contra o tórax. Eles também têm que trabalhar em dobro, como os pulmões e o coração.

Os músculos das costas relaxam e se curvam. O estômago gira e é “esmagado”. A mãe consegue comer pouco a cada vez, mesmo que o bebê esteja exigindo dela muito mais nutrientes do que antes.

Depois de nove meses (em média) um bebê com cerca de três quilos vai ser expulso. A musculatura pélvica relaxa e o corpo do bebê gira para passar pelos ossos da bacia da mãe (mesmo que eventualmente um homem pudesse abrigar um bebê na barriga, ele não conseguiria passar pela pelve masculina, que é diferente da da mulher). Aliás, a criança nem teria por onde nascer...

A reportagem deixou claro que a concepção, gestação e nascimento de uma nova vida depende de uma série de fatores que deveriam funcionar corretamente desde o início ou, do contrário, o primeiro bebê jamais teria vindo ao mundo. É um processo que precisou ser inteligentemente planejado para funcionar corretamente já na primeira vez. Já é difícil explicar o surgimento simultâneo de dois sexos totalmente compatíveis. Agora imagine explicar pela ótica darwinista a origem casual e por etapas sucessivas do complexo processo da concepção e da gravidez...

Em abril de 2010, a revista Ciência Hoje publicou uma matéria de capa simplesmente impressionante! Título: “Por que a mãe não rejeita o feto.” Assinado por Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies, do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o artigo explica os mecanismos biológicos que impedem que o feto seja identificado pelo organismo da mãe como um corpo estranho e acabe sendo rejeitado. O texto começa com inegável linguagem de design inteligente: “A evolução da gestação, o nascimento do bebê e a produção de leite para alimentá-lo compõem uma sequência natural e bem planejada, com vistas a acolher um novo ser. A interação imunológica entre mãe e filho que acontece ao longo da gestação é mantida até o período de amamentação. O aleitamento transfere anticorpos da mãe para o filho e esses anticorpos permitirão à criança reconhecer agentes causadores de doenças, protegendo-a durante seu desenvolvimento.”

O texto prossegue com explicações técnicas minuciosas e a pergunta que fica no ar e que nem de longe é tratada pela matéria é: Até que esses processos e mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos (ou quaisquer outros seres que se reproduzem sexualmente) sobreviveram? A complexidade irredutível envolvida em cada descrição no texto é tão grande, que em momento algum a palavra “evolução”, no contexto darwinista, é evocada – o que é curiosamente típico em pesquisas científicas que tratam de complexidade nesse nível.

Segundo os autores do artigo, “na gestação, o corpo feminino sofre diversas alterações hormonais e físicas, além de mudanças no perfil imunológico. O sistema imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna, para o organismo da mãe, um ‘estranho’”.

Detalhe: o sistema imune materno “precisa aprender”, mas sabe exatamente o que fazer quando a mulher engravida – e precisa saber. A fim de que o feto não seja rejeitado, a placenta o isola parcialmente, para protegê-lo, atuando como um filtro semipermeável que permite a troca de oxigênio e nutrientes, assim como a comunicação imunológica ao longo da gestação. Bem, se os seres sexuados tivessem evoluído a partir de assexuados, é de se supor que a placenta não estivesse presente logo de início. O que serviria, então, de “filtro” para o feto? Como ele teria sobrevivido sem o devido aporte de oxigênio e nutrientes e sob o ataque do organismo materno?

O texto prossegue: “Para que uma gestação se desenvolva com sucesso, é importante que o sistema imune materno reconheça o feto, sem rejeitá-lo, e induza uma resposta de aceitação, gerando um ambiente adequado para a boa evolução do futuro bebê. A relação harmoniosa entre mãe e filho envolve a interação de aspectos da imunologia celular e humoral (por meio de citocinas [células que auxiliam na comunicação entre as células em um organismo] e anticorpos) e de outros componentes. Vários mecanismos protetores regulam a resposta imune materna ao feto e garantem sua aceitação, entre eles (1) a presença da placenta (tecido de origem embrionária), que isola física e imunologicamente o feto da mãe, e (2) a presença de uma resposta do tipo TH2 [célula auxiliar] na mãe, que evita um ataque do sistema de defesa ao feto.”

O interessante é que não há ligação direta entre vasos sanguíneos maternos e fetais, o que isola o feto, protegendo-o de um possível “ataque” do sistema imunológico materno. Para que a aceitação do feto ocorra, o corpo da mulher apresenta alterações imunológicas ao longo da gestação: mudanças no padrão de produção e liberação de citocinas, inibição localizada da proliferação de certas células do sistema imune (as que atacam corpos estranhos) ou indução da expressão de certas moléculas protetoras na superfície das células. Tudo de forma organizada e no tempo certo. Conforme o artigo, “é necessária uma delicada regulação de todo esse equilíbrio na produção de citocinas e na inibição de respostas celulares ao longo da gestação. Momentos distintos do tempo gestacional exigem perfis diferentes de equilíbrio entre esses vários fatores. O atraso na ativação ou inibição de qualquer uma dessas vias pode resultar em complicações da gestação, ou mesmo em aborto”.

Resumindo: além dos mecanismos certos, especificamente desenhados para funcionar corretamente desde a primeira vez, há também o fator tempo, ou seja, esses mecanismos tinham e têm que funcionar no momento exato em que eram/são necessários.

O feto também participa nesse processo todo, sendo estabelecida uma verdadeira “conversa” química entre ele e a mãe. Se eventualmente alguma célula de defesa da mulher ultrapassar a barreira placentária, o sistema imune do feto será capaz de evitar o “ataque”. “Isso é feito por meio de células T reguladoras fetais, que reagem à presença das células da mãe, liberando citocinas, que podem controlar ou inativar respostas danosas contra as células maternas, induzindo o estado de tolerância”, explicam os autores.

Mais interessante ainda: essas células do feto podem permanecer em circulação por até 17 anos após o nascimento, como memória imunológica, sendo capazes de reconhecer as células maternas. “O estudo inovador mostrou como mãe e feto mantêm um contato muito mais íntimo do que se imaginava anteriormente”, e mostrou também que o sistema imunológico do feto já é bastante ativo antes do nascimento. Eu já sabia que nunca conseguiria ser tão íntimo de meus filhos quanto minha esposa. Agora estou ainda mais conformado...

O artigo conclui falando do perigo da pré-eclâmpsia, aumento da pressão sanguínea que coloca em risco tanto o feto quanto a mãe (na primeira gestação). É a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil, sendo responsável por até 10% das mortes de fetos ou mães durante a gravidez. Essa doença surge quando o organismo da mãe não consegue se modificar para “aceitar” o feto e aumenta a pressão sanguínea para “eliminar” o “corpo estranho”.

Voltamos à pergunta que não quer calar: E antes que esse complexo mecanismo “evoluísse”, como se dava essa modificação dirigida e interrelacionada dos sistemas imunes da mãe e do feto, capaz de evitar a pré-eclâmpsia e outros problemas fatais?

Davi não entendia de embriologia e imunologia, mas conseguiu expressar bem o assombro que nos envolve quando pensamos no maravilhoso processo de concepção e gestação de uma nova vida: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis” (Salmo 139:14).

E Jó, há mais de 3.500 anos, também se maravilhou: “Não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? [concepção?] De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste [desenvolvimento embrionário?]. Vida me concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou” (Jó 10:8-12).

 Só posso concordar com o evolucionista Richard Leakey: do ponto de vista darwinista, a origem dos sexos é um mistério insondável. Mas, do ponto de vista criacionista, um presente do Criador e um tremendo projeto de design inteligente.

(Michelson Borges é jornalista, editor da revista Vida e Saúde e pós-graduado em Biologia Molecular e Celular)