
Sob
a ótica criacionista, o ato sexual original (conforme apresentado no relato da
criação, em Gênesis) é uma das grandes evidências de design inteligente na natureza. Para os evolucionistas, um mistério
não resolvido, segundo admitiu Richard Leakey, na introdução de uma das edições
do livro A Origem das Espécies; ou
então um “grande paradoxo”, na definição de Richard Dawkins. E não é pra menos,
afinal, quando são formados os gametas (espermatozoides e óvulos), uma divisão
meiótica ocorre e metade dos genes é removida. Então, quando o espermatozoide fecunda
o óvulo, o descendente contém a integralidade dos genes. No cenário darwiniano,
a reprodução assexuada é duplamente mais eficiente e “simples” que a sexuada,
pois todos os genes são transferidos para cada um dos descendentes. Por isso,
evolutivamente falando, é difícil explicar o surgimento da reprodução via ato
sexual, afinal, pra que “inventar” um meio de reprodução tão complexo e
dispendioso do ponto de vista do gasto de energia e dos riscos envolvidos no
processo todo? Por isso os evolucionistas evitam tocar no delicado e difícil
tema da origem da reprodução sexuada e da complexidade envolvida na
interdependência dos órgãos sexuais feminino e masculino, que precisariam ter
evoluído separadamente e, mesmo assim, ser perfeitamente compatíveis – um tipo
de mutação dupla independente, na mesma geração e funcional.
Mas
tem mais; muito mais!
O design
inteligente da vagina
O “surgimento” da
vagina (assim como o de qualquer outro órgão complexo) é um grande problema
para os evolucionistas. Os defensores do darwinismo afirmam que a vagina é uma
estrutura completamente nova na suposta história evolutiva – ela não tem homólogo
em anfíbios nem répteis. Se é completamente nova, foi necessário o acréscimo de
grande quantidade de informação genética para que passasse a existir. De onde
teria vindo essa informação? Além disso, como qualquer outro sistema de
complexidade irredutível, o sistema reprodutor feminino, para funcionar bem,
depende de vários mecanismos interligados que não poderiam “surgir” aos poucos,
já que são interdependentes. O sistema reprodutor feminino não se trata apenas
de um tubo de carne. Ele é de uma complexidade maravilhosa, com seus músculos
especializados, glândulas, terminações nervosas (que presenteiam a mulher com o
prazer do sexo) e a capacidade de abrigar uma (ou mais de uma) nova forma de
vida, suprindo-lhe as necessidades por nove meses.
Alguns anos
atrás, o portal de informações norte-americano sobre saúde Healthline afirmou
que o uso do termo médico/biológico “vagina” não é “linguagem inclusiva de
gênero”, e então usou intercambiavelmente a expressão “orifício frontal”. “É
imperativo que guias sexuais seguros se tornem mais inclusivos para as pessoas
LGBTQIA e não binárias”, afirmou o guia da Healthline. “Para os fins deste
guia, vamos nos referir à vagina como o ‘orifício da frente’, em vez de usar
apenas o termo médico ‘vagina’”, diz o documento. “Essa é uma linguagem
inclusiva de gênero que considera o fato de que algumas pessoas trans não se
identificam com os rótulos [sic] que a comunidade médica atribui aos genitais.”
O guia diz
ainda que algumas pessoas trans e não binárias designadas como femininas ao
nascer podem gostar de ser participantes do “sexo penetrativo”, mas não se
sentem confortáveis quando essa parte de seu corpo é mencionada usando uma
palavra que a sociedade e as comunidades profissionais associam com
feminilidade. “Uma alternativa que está se tornando cada vez mais popular em
comunidades trans e queer é o ‘buraco’ ou ‘orifício’ da frente.” E então,
renomeando-a, a vagina deixa de ser vagina e passa a ser comparada ao “orifício
de trás”.
Embora o site
afirme que não se trata de uma redefinição de palavras, admite usar no guia a expressão “front
hole” (“orifício da frente”) em lugar de vagina, a fim de não ofender
pessoas transgêneros com uma palavra tipicamente feminina.
A vagina,
órgão projetado por Deus para permitir a união abençoada entre um homem e uma
mulher, e o órgão por onde o bebê chega ao mundo, acaba sendo comparada ao
órgão excretor por onde são evacuados os resíduos digestivos.
Cabe aqui uma
boa reflexão sobre o design inteligente da vagina e do ânus
e as enormes diferenças que há entre uma e o outro. Pedi ajuda aos amigos
médicos Ivan Stabnov e Angela Andrade. Ele é gastroenterologista e endoscopista
digestivo e ela é ginecologista e obstetra. Vamos às comparações:
Reto e ânus:
1. O reto
é um local com muitos microrganismos, ou seja, potencialmente infectante.
2. Apesar
de ser um local preparado para enfrentar resistência a micro-organismos, a
estrutura é mais frágil porque só tem uma camada de células.
3. Como
há mais linfócitos na região é mais fácil adquirir a infecção pelo HIV, já que
os linfócitos são células-alvo.
4. Como a
função do local é de absorção de fluidos, a junção disso com presença de
linfócitos e maior risco de fissuras torna bem maior a chance de se adquirir
uma doença séria como a Aids.
5. Pela
presença de fezes aumenta o risco de infecção urinária no penetrante.
6. O
risco de fazer fissuras (pequenas feridas) é maior no reto pela falta de
lubrificação e maior atrito.
7. A
cobertura de células colunares é mais delgada que na vagina e isso torna maior
o risco de fissuras.
8. Em
caso de sexo anal e a seguir vaginal, sem a devida higiene, há riscos para a
mulher de infecções vaginais e urinárias.
9. Pela
manipulação anal há o aumento de transferência de bactérias fecais para a
uretra, aumentando também a incidência de infecção do trato urinário.
10. O
ânus e o reto são órgãos de excreção, portanto, o caminho natural é para fora.
11. A
presença de válvula (ânus) confere maior possibilidade de traumas durante a
penetração.
Vagina:
1. O
epitélio vaginal é descamativo, epitélio pavimentoso estratificado não
queratinizado. Isso significa que há várias camadas de células uma sobre a
outra, o que forma uma barreira natural.
2. Por
ser o epitélio vaginal mais espesso (tem espessura de 150 a 200 µm) o vírus da
Aids, quando chega ali, encontra um ambiente desfavorável; ele não consegue
entrar no epitélio vaginal, a não ser que haja lesões nesse epitélio, chegando
ao conjuntivo.
3. A
vagina é um órgão preparado fisiologicamente para recepção do pênis, adaptada a
fricção pela síntese de muco pelas glândulas ali presentes, o que garante
lubrificação.
4. As
dobras da mucosa vaginal permitem que ela se distenda e fique maior e mais
larga no caso de uma penetração, o que diminui a possibilidade de traumas.
5. A
vagina não possui válvula, o que facilita a penetração e também diminui
traumas.
Resumindo: o
reto foi projetado para duas funções básicas: a primeira é armazenar fezes para
que o ser não necessite evacuar a cada momento; a segunda é absorver água para
que as fezes não sejam diarreicas, ou melhor, tenham formato e consistência
confortáveis para a realização do ato da evacuação. O ânus é um esfíncter com
dupla válvula, uma de controle externo – ou seja, temos o controle dela –, e
outra de controle interno, autorregulado pelo organismo. A função do ânus é de
regular a saída das fezes. Ambas as estruturas têm seu caminho habitual, seu
vetor, no sentido interno para o externo. A introdução de algo pelo ânus até o
reto é contrária à fisiologia.
A vagina tem
mais funções. Serve como conduto para a saída do feto após a gestação. É o
local utilizado pelo organismo para expulsar o conteúdo menstrual após a
maturação do endométrio, sem que haja gravidez. Também é o órgão sexual
feminino que recebe o órgão sexual masculino, portanto, tem fisiologia normal
tanto para entrada quanto para saída de algo.
Podem
redefinir as palavras e os conceitos o quanto quiserem, mas vagina continuará
sendo vagina e ânus continuará sendo ânus, com suas funções especificamente
projetadas por Deus. Nenhuma ideologia do mundo mudará isso.
O design
inteligente do pênis
Estudo
desenvolvido na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendou os
processos químicos que levam o homem a manter uma ereção. A pesquisa foi
publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)
e confirmou que a liberação de óxido nítrico, neurotransmissor produzido no tecido nervoso, provoca a ereção,
pois relaxa os músculos, permitindo que o sangue chegue ao pênis. “Sabíamos que
esse era apenas um estímulo inicial. Por isso, queríamos descobrir o que
permite que a ereção se mantenha”, disse o coordenador do estudo, Arthur
Burnett.
Burnett e sua
equipe descobriram que o sistema nervoso, depois de liberar com estímulos
físicos e do cérebro ondas de óxido nítrico, produz uma cascata de substâncias químicas geradas com a
ereção. Isso faz com que a liberação do neurotransmissor continue por
mais tempo, dentro de um modelo cíclico.
Vamos à pergunta
de sempre: O que “surgiu” primeiro, o pênis ou o neurotransmissor que causa a
ereção? Para que serviria tanto um quanto o outro, antes que todo o sistema
estivesse pronto, interconectado e funcional? E mais: Para que serviria esse
neurotransmissor (e o pênis), se o indivíduo fosse incapaz de manter a ereção
graças à tal “cascata de substâncias químicas”? Note que a ereção e a
manutenção dela não dependem de apenas uma substância química.
A verdade é que cada célula, cada tecido, cada órgão e cada sistema dos seres
vivos revelam as digitais, a assinatura de Quem os criou.
O design inteligente dos seios
A revista Veja alguns anos atrás publicou a
reportagem “Adeus aos grandes, é a vez dos pequenos!”, sobre um novo padrão
estético que predomina nas clínicas de cirurgia plástica: o uso de próteses de
silicone em tamanho menor. A matéria segue por aí, mencionando, inclusive,
atrizes que retiraram próteses grandes e as substituíram por pequenas. Mas o
que chamou minha atenção não foi o assunto da reportagem, em si. Foi seu último
parágrafo: “A
maioria dos mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes.
Os humanos são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das
explicações mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os
seios servirem de atrativo sexual. Na pré-história, antes da descoberta do
fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para escolher uma parceira dentro
das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam primordiais. Eles ainda o são
e sempre serão – com ou sem silicone. E independentemente do tamanho.”
Tem horas, quando leio certas coisas, que tenho vontade de me beliscar para ver
se estou acordado. Em primeiro lugar, esse parágrafo final é totalmente
dispensável e serve apenas para reforçar a doutrinação evolucionista. Está fora
de contexto. Imagine se o repórter terminasse assim sua matéria: “A maioria dos
mamíferos só desenvolve seios durante o aleitamento dos filhotes. Os humanos
são a exceção, com peitos salientes desde a adolescência. Uma das explicações
mais aceitas para essa fascinante particularidade é o fato de os seios servirem
de atrativo sexual. Deus não criou o homem e a mulher apenas para procriar. Ele
os criou para se unir numa relação de amor. E criou o sexo também para dar
prazer aos cônjuges. Criou o homem para considerar a mulher esteticamente
atraente e a mulher para considerar o homem esteticamente atraente. E é
exatamente isso o que ocorre.”
Outra peculiaridade humana é a inexistência do cio, o que
evidencia uma vez mais que o sexo, nos humanos, não foi feito simplesmente para
procriação, sendo uma resposta a instintos previamente programados. Em nós, o sexo
é algo muito mais complexo. Mais belo.
O autor do artigo da semanal afirma que, “na pré-história
[sic], antes da descoberta do fogo, o homem muitas vezes dependia do tato para
escolher uma parceira dentro das cavernas escuras. Os seios, portanto, seriam
primordiais”. Não sabemos muita coisa sobre como os seres humanos funcionam
hoje em dia, mas alguns se atrevem, com base apenas em especulação, a afirmar
coisas sobre supostos comportamentos ancestrais. E a ficção é aceita sem
questionamento.
O design
inteligente do esperma
Em 2011, foi publicado
na revista Scientific American um artigo sobre o estudo que
concluiu que o esperma age como um remédio natural para depressão. Segundo o
estudo, feito por Gallup e Rebecca Burch, em conjunto com o psicólogo Steven
Platek, da Universidade de Liverpool, é possível que o esperma atue sobre as
mulheres como um antidepressivo natural. Aparentemente, logo que o esperma é
absorvido pela vagina, ele age sobre os hormônios femininos. O sêmen masculino
é rico em componentes químicos como neurotransmissores, hormônios, endorfinas e
imunossupressores, entre eles a serotonina, um dos mais famosos e conhecidos
antidepressivos, e ocitocina, conhecido como o hormônio da confiança e do amor.
Segundo Gallup, as mulheres em relacionamentos estáveis que
tinham relações sexuais sem preservativos foram muito mais devastadas e
negativamente afetadas depois de um rompimento do que aquelas que faziam uso de
preservativos, prova de que a ligação neuroquímica emocional é um fato. Isso
faz pensar no conselho do apóstolo Paulo aos casados, em 1 Coríntios 7:5: “Não
vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo,
para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não
vos tente por causa da incontinência.” E poderíamos adicionar: “Para que a
esposa não fique deprimida.”
Cada vez as
pesquisas surpreendem mais os estudantes da sexualidade humana. A interação
perfeita entre os sexos masculino e feminino é algo impressionante e aponta
para o design inteligente! Como
explicar de outra forma a fina interação química entre o sêmen e os hormônios femininos?
Como já vimos, já é difícil (senão impossível) do ponto de vista darwinista
explicar a diferenciação anatômica e fisiológica compatível entre macho e fêmea
(uma dupla mutação que deveria ter ocorrido numa mesma época e num mesmo espaço
geográfico), agora imagine explicar na base da tentativa e erro esses requintes
emocionais relacionados com neurotransmissores, hormônios, endorfinas e
imunossupressores. Essa pesquisa sugere também que os órgãos sexuais anatômica
e bioquimicamente projetados para o sexo são o pênis e a vagina.
O design inteligente da interação óvulo-espermatozoide
Em
16 de fevereiro de 2010, a revista Veja
publicou: “Os
espermatozoides, as células reprodutivas masculinas [produzidas graças à ação
de um único gene exclusivo dos machos, o Boule], são depositados pela
ejaculação no colo do útero e dali partem numa acirrada corrida pelos 15
centímetros que os separam da trompa de Falópio, onde se encontra o óvulo. Só
um deles, mais rápido e forte, conseguirá penetrar no óvulo e dar início a uma
nova vida. Pensava-se que os espermatozoides, assim como os aviões e os carros
de corrida, dispunham de uma reserva de combustível para ser gasta nessa
viagem. Sabe-se agora que não é bem assim. Um estudo feito por pesquisadores da
Universidade da Califórnia, em São Francisco, e publicado na edição [de
fevereiro de 2010 da] revista Cell, revelou elementos até agora
desconhecidos no processo de fecundação. O trabalho identifica e explica, pela
primeira vez, o mecanismo que faz com que os espermatozoides liguem uma espécie
de motor turbo na fase final de aproximação do óvulo. Esse motor não só aumenta
a velocidade do espermatozoide como lhe dá vigor extra para romper a membrana
celular do óvulo. [...]
“Um dos fatores cruciais para determinar a velocidade dos espermatozoides é o
pH do meio onde eles se encontram. Quanto mais ácido o pH, mais lentamente eles
se movimentam. Isso explica por que os gametas masculinos permanecem imóveis
dentro do trato reprodutivo masculino, que é ácido, começam a mover-se quando
estão no líquido seminal, que é alcalino, e se tornam agitados em contato com o
aparelho reprodutor feminino, onde o pH é mais alcalino. Os pesquisadores foram
além dessa constatação e descobriram que a aproximação do óvulo ativa
estruturas localizadas na cauda do espermatozoide, as Hv1. Uma vez abertas,
elas funcionam como comportas, pelas quais são expulsos íons de hidrogênio do
interior do gameta masculino. Esse curso aumenta imediatamente o pH interno do
espermatozoide, facilitando sua mobilidade. ‘O mecanismo que descobrimos é como
uma mudança de marcha para que o carro ultrapasse uma barreira. Ele fornece o
impulso extra que permite romper a proteção externa do óvulo’, disse a Veja a
pesquisadora Polina Lishko, coautora do estudo.
“O gatilho que põe a corrente de íons em funcionamento fica nos arredores do
óvulo. Nessa região, há dois fatores extremamente favoráveis à mobilidade das
células masculinas. O primeiro é a baixa oferta de zinco, que em quantidade
mais alta inibe a movimentação dos espermatozoides. A outra é a alta
concentração de moléculas de anandamida, substância secretada pelos neurônios e
presente também nas células de proteção dos óvulos.”
Se pela inibição de apenas uma chave bioquímica se impede a fecundação; se
problemas com a mobilidade dos espermatozoides (mecanismo que depende de uma
conjunção de fatores) impedem a fecundação; se alterações de pH no homem e na
mulher atrapalham o processo; a questão é: Até que todos esses mecanismos que
dependem de uma série de fatores interligados e interdependentes tivesse
evoluído aos poucos, como os seres sexuados teriam se reproduzido? Estaríamos
aqui hoje para estudar este assunto?
Mas
tem mais...
Em
2010, cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, descreveram pela primeira
vez a estrutura 3D de um receptor completo do óvulo que se liga ao
espermatozoide no início da fecundação. A pesquisa foi publicada na revista
científica Cell. No início da concepção, os espermatozoides se ligam
a proteínas no revestimento extracelular do óvulo, chamado zona pelúcida (ZP).
Mas os detalhes moleculares desse evento biológico fundamental permaneciam
obscuros.
Luca Jovine e sua equipe conseguiram determinar a estrutura tridimensional do
receptor molecular que se liga ao espermatozoide, chamado ZP3. As informações
estruturais detalhadas, baseadas em dados coletados no European Synchrotron
Radiation Facility (ESRF), tornaram possível começar a explorar em nível
molecular como o óvulo interage com os espermatozoides no processo de
fecundação.
Os resultados têm implicações importantes para a medicina reprodutiva humana,
uma vez que podem explicar como mutações no gene do receptor de esperma podem
causar a infertilidade. “Os resultados dão uma imagem notável do lado feminino
da fecundação”, disse Jovine. “Mas esta é, naturalmente, apenas metade da
história. O próximo passo será descobrir as moléculas correspondentes no
espermatozoide que lhe permitem se ligar ao óvulo.”
Puro
design inteligente de dois seres que
foram criados um para o outro!
O design
inteligente da concepção e do nascimento
No
mês de outubro de 2008, numa das edições do programa de TV dominical “Fantástico”,
o Dr. Dráuzio Varela abordou o tema atração sexual e gravidez. A reportagem
começou informando que a atração sexual também depende do nariz, pois ele
detecta a “compatibilidade genética” por meio dos feromônios. Segundo a
matéria, essa substância carrega informações detalhadas sobre genes, saúde e
capacidade de resistir a doenças. Depois, Varela descreveu a “química da
paixão”, explicando que uma descarga de adrenalina ocorre quando vemos a pessoa
amada, e isso faz o coração bater acelerado e dilata a pupila. Em seguida, a
dopamina, neurotransmissor que causa o bem-estar, leva à euforia. A dependência
desse coquetel químico nos faz querer ficar mais tempo perto da pessoa amada.
Com o tempo, o casal deseja algo mais duradouro: o casamento. Segundo o médico,
um bom relacionamento existirá apenas se a química (entre outros fatores) for
favorável. O sexo causa encantamento e reforça a relação. Durante a relação
sexual é liberado o hormônio ocitocina, que aumenta a afetividade e os laços
entre o casal. Ele é importante também para a sobrevivência do feto e na
produção do leite materno (alimento perfeitamente projetado para atender
exatamente às necessidades do bebê).
Com imagens do interior do corpo humano e recursos 3D, a reportagem prosseguiu
descrevendo a maravilha da concepção. Explicou que o óvulo é a maior célula
humana, ao passo que o espermatozóide é a menor. Cerca de 300 milhões deles são
expelidos em cada ejaculação. Na vagina, a missão deles não é fácil, pois têm
que sobreviver às condições hostis do ambiente. Milhões de espermatozóides são
destruídos ali. Os mais fortes que sobrevivem e chegam ao colo do útero são
beneficiados por suaves contrações musculares. Apenas uns poucos milhões chegam
perto do óvulo e um único espermatozóide o fertiliza: o mais preparado e
saudável. Um verdadeiro controle de qualidade!
Por fora a gravidez é inicialmente imperceptível. Em 40 semanas, uma única
célula se especializa em diferentes tipos de células, tecidos, órgãos... e se
transforma em um bebê.
Através de uma membrana, a mãe passa os nutrientes para o bebê. Ele ganha mais
de 850g em 10 semanas. O útero aumenta muito para poder abrigar o feto. O corpo
materno tem que se reorganizar para poder abrigar o bebê em crescimento. Os
órgãos são rearranjados: eles ficam apertados nas costas ou pressionados contra
o tórax. Eles também têm que trabalhar em dobro, como os pulmões e o coração.
Os músculos das costas relaxam e se curvam. O estômago gira e é “esmagado”. A
mãe consegue comer pouco a cada vez, mesmo que o bebê esteja exigindo dela
muito mais nutrientes do que antes.
Depois de nove meses (em média) um bebê com cerca de três quilos vai ser expulso.
A musculatura pélvica relaxa e o corpo do bebê gira para passar pelos ossos da
bacia da mãe (mesmo que eventualmente um homem pudesse abrigar um bebê na
barriga, ele não conseguiria passar pela pelve masculina, que é diferente da da
mulher). Aliás, a criança nem teria por onde nascer...
A reportagem deixou claro que a concepção, gestação e nascimento de uma nova
vida depende de uma série de fatores que deveriam funcionar corretamente desde
o início ou, do contrário, o primeiro bebê jamais teria vindo ao mundo. É um
processo que precisou ser inteligentemente planejado para funcionar
corretamente já na primeira vez. Já é difícil explicar o surgimento simultâneo
de dois sexos totalmente compatíveis. Agora imagine explicar pela ótica
darwinista a origem casual e por etapas sucessivas do complexo processo da
concepção e da gravidez...
Em abril de 2010, a revista Ciência Hoje
publicou uma matéria de capa simplesmente impressionante! Título: “Por que a
mãe não rejeita o feto.” Assinado por Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies,
do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o
artigo explica os mecanismos biológicos que impedem que o feto seja
identificado pelo organismo da mãe como um corpo estranho e acabe sendo
rejeitado. O texto começa com inegável linguagem de design inteligente:
“A evolução da gestação, o nascimento do bebê e a produção de leite para
alimentá-lo compõem uma sequência natural e bem planejada, com
vistas a acolher um novo ser. A interação imunológica entre mãe e filho que
acontece ao longo da gestação é mantida até o período de amamentação. O
aleitamento transfere anticorpos da mãe para o filho e esses anticorpos
permitirão à criança reconhecer agentes causadores de doenças, protegendo-a
durante seu desenvolvimento.”
O texto prossegue com explicações técnicas minuciosas e a pergunta que fica no
ar e que nem de longe é tratada pela matéria é: Até que esses processos e
mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos (ou quaisquer outros
seres que se reproduzem sexualmente) sobreviveram? A complexidade irredutível
envolvida em cada descrição no texto é tão grande, que em momento algum a
palavra “evolução”, no contexto darwinista, é evocada – o que é curiosamente
típico em pesquisas científicas que tratam de complexidade nesse nível.
Segundo os autores do artigo, “na gestação, o corpo feminino sofre diversas
alterações hormonais e físicas, além de mudanças no perfil imunológico. O sistema
imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a
um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna,
para o organismo da mãe, um ‘estranho’”.
Detalhe: o sistema imune materno “precisa aprender”, mas sabe exatamente o que
fazer quando a mulher engravida – e precisa saber. A fim de que o feto não seja
rejeitado, a placenta o isola parcialmente, para protegê-lo, atuando como um
filtro semipermeável que permite a troca de oxigênio e nutrientes, assim como a
comunicação imunológica ao longo da gestação. Bem, se os seres sexuados
tivessem evoluído a partir de assexuados, é de se supor que a placenta não
estivesse presente logo de início. O que serviria, então, de “filtro” para o
feto? Como ele teria sobrevivido sem o devido aporte de oxigênio e nutrientes e
sob o ataque do organismo materno?
O texto prossegue: “Para que uma gestação se desenvolva com sucesso, é
importante que o sistema imune materno reconheça o feto, sem rejeitá-lo, e
induza uma resposta de aceitação, gerando um ambiente adequado para a boa
evolução do futuro bebê. A relação harmoniosa entre mãe e filho envolve a
interação de aspectos da imunologia celular e humoral (por meio de citocinas
[células que auxiliam na comunicação entre as células em um organismo] e
anticorpos) e de outros componentes. Vários mecanismos protetores regulam a
resposta imune materna ao feto e garantem sua aceitação, entre eles (1) a
presença da placenta (tecido de origem embrionária), que isola física e
imunologicamente o feto da mãe, e (2) a presença de uma resposta do tipo TH2
[célula auxiliar] na mãe, que evita um ataque do sistema de defesa ao feto.”
O interessante é que não há ligação direta entre vasos sanguíneos maternos e
fetais, o que isola o feto, protegendo-o de um possível “ataque” do sistema
imunológico materno. Para que a aceitação do feto ocorra, o corpo da mulher
apresenta alterações imunológicas ao longo da gestação: mudanças no padrão de
produção e liberação de citocinas, inibição localizada da proliferação de
certas células do sistema imune (as que atacam corpos estranhos) ou indução da
expressão de certas moléculas protetoras na superfície das células. Tudo de
forma organizada e no tempo certo. Conforme o artigo, “é necessária uma
delicada regulação de todo esse equilíbrio na produção de citocinas e na
inibição de respostas celulares ao longo da gestação. Momentos distintos do
tempo gestacional exigem perfis diferentes de equilíbrio entre esses vários
fatores. O atraso na ativação ou inibição de qualquer uma dessas vias pode
resultar em complicações da gestação, ou mesmo em aborto”.
Resumindo: além dos mecanismos certos, especificamente desenhados para
funcionar corretamente desde a primeira vez, há também o fator tempo, ou seja,
esses mecanismos tinham e têm que funcionar no momento exato em que eram/são
necessários.
O feto também participa nesse processo todo, sendo estabelecida uma verdadeira
“conversa” química entre ele e a mãe. Se eventualmente alguma célula de defesa
da mulher ultrapassar a barreira placentária, o sistema imune do feto será
capaz de evitar o “ataque”. “Isso é feito por meio de células T reguladoras
fetais, que reagem à presença das células da mãe, liberando citocinas, que
podem controlar ou inativar respostas danosas contra as células maternas,
induzindo o estado de tolerância”, explicam os autores.
Mais interessante ainda: essas células do feto podem permanecer em circulação
por até 17 anos após o nascimento, como memória imunológica, sendo capazes de
reconhecer as células maternas. “O estudo inovador mostrou como mãe e feto
mantêm um contato muito mais íntimo do que se imaginava anteriormente”, e
mostrou também que o sistema imunológico do feto já é bastante ativo antes do
nascimento. Eu já sabia que nunca conseguiria ser tão íntimo de meus filhos
quanto minha esposa. Agora estou ainda mais conformado...
O artigo conclui falando do perigo da pré-eclâmpsia, aumento da pressão
sanguínea que coloca em risco tanto o feto quanto a mãe (na primeira gestação).
É a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil, sendo
responsável por até 10% das mortes de fetos ou mães durante a gravidez. Essa
doença surge quando o organismo da mãe não consegue se modificar para “aceitar”
o feto e aumenta a pressão sanguínea para “eliminar” o “corpo estranho”.
Voltamos à pergunta que não quer calar: E antes que esse complexo mecanismo
“evoluísse”, como se dava essa modificação dirigida e interrelacionada dos
sistemas imunes da mãe e do feto, capaz de evitar a pré-eclâmpsia e outros problemas
fatais?
Davi não entendia de embriologia e imunologia, mas conseguiu expressar bem o
assombro que nos envolve quando pensamos no maravilhoso processo de concepção e
gestação de uma nova vida: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente
maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis” (Salmo 139:14).
E Jó, há mais de 3.500 anos, também se maravilhou: “Não me derramaste como
leite e não me coalhaste como queijo? [concepção?] De pele e carne me vestiste
e de ossos e tendões me entreteceste [desenvolvimento embrionário?]. Vida me
concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou” (Jó 10:8-12).
Só
posso concordar com o evolucionista Richard Leakey: do ponto de vista
darwinista, a origem dos sexos é um mistério insondável. Mas, do ponto de vista
criacionista, um presente do Criador e um tremendo projeto de design inteligente.
(Michelson Borges é jornalista, editor da revista
Vida e Saúde e pós-graduado em Biologia Molecular e Celular)