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quarta-feira, junho 21, 2023

Tiahuanaco: esqueça a ajuda dos extraterrestres

Diga adeus às teorias das supostas ajudas extraterrestres ou gigantes nas antigas civilizações... Cientistas descobriram que monumentos de Tiwanaku (Tiahuanaco), na Bolívia, foram feitos de rochas artificiais criadas há 1.400 anos. As rochas megalíticas de toneladas de peso foram feitas com moldes e cimentante viscoso que endureceu como rocha. Uma equipe internacional de cientistas do Institut Geopolymere (Geopolymer Institute), Saint-Quentín, França, e da Universidade Católica San Pablo, Arequipa, Peru, publicaram os resultados de um estudo realizado em rochas monumentais de Pumapunku, em Tiwanaku, Bolívia. Eles verificam que as rochas são artificiais (com geopolímeros), e que não foram esculpidas com tecnologia desconhecida, nem construídas por extraterrestres. Foi o gênio humano, explorando os recursos de seu ambiente de forma inteligente, que criou essas maravilhas.

Em novembro de 2017, cientistas tiraram amostras das rochas arenito vermelho e andesita do lugar de Pumapunku. Pela primeira vez, essas rochas foram analisadas por microscopia eletrônica; isso nunca tinha sido feito antes. Eles descobriram a natureza artificial das rochas e compararam as rochas dos monumentos com os recursos geológicos do local, encontrando muitas diferenças. Criaram cimento a partir de barro (a mesma argila vermelha que os tiwanakus usaram para cerâmica) e sais de carbonato de sódio da Lagoa Cachi, ao sul do deserto do Altiplano, para formar rocha arenito vermelho.

Para a rocha arenito cinza, inventaram um aglomerante órgão-mineral à base de ácidos orgânicos naturais extraídos de plantas locais e outros reagentes naturais. Esse aglomerante foi então derramado em moldes e endurecido por alguns meses. Sem um conhecimento profundo da química dos geopolímeros, que estuda a formação dessas rochas por geossíntese, é difícil reconhecer a natureza artificial das rochas. Essa química não é uma ciência difícil de dominar. É uma extensão do conhecimento dos tiwanakus em cerâmica, minerais, ligantes, pigmentos e, acima de tudo, um excelente conhecimento do seu ambiente. Sem a seleção de uma boa matéria-prima, esses extraordinários monumentos não poderiam ter sido criados há 1.400 anos.

Finalmente, essa descoberta científica confirma lendas locais que dizem: “As rochas foram feitas com extratos de plantas capazes de amaciá-las.” Essa explicação sempre foi rejeitada pelos arqueólogos porque não fazia sentido. No entanto, as evidências científicas fornecidas pelos cientistas da França e do Peru mostram que a tradição oral estava certa: eles faziam rochas moles que podiam endurecer. As hipóteses da antiga supercivilização perdida ou da intervenção alienígena são falsas. Os tiwanakus eram seres humanos inteligentes. Eles conheciam perfeitamente seu ambiente e sabiam como explorar os recursos que a natureza lhes oferecia.

(Viajeros Perú)

Nota: Por causa da mentalidade evolucionista, que vê nossos antigos ancestrais como seres animalescos, desenvolveu-se a ideia de que grandes construções, como as pirâmides, não poderiam ter sido feitas por seres humanos naquele tempo, sendo necessária, portanto, a ajuda de seres extraterrestres. Trata-se de uma filosofia que subestima as pessoas do passado e não leva em conta que, em muitos sentidos, a humanidade está é involuindo e não evoluindo. [MB]

Leia mais sobre os grandes feitos das pessoas do passado (aqui).

terça-feira, maio 16, 2023

Descobertas sementes citadas na Bíblia

Durante uma escavação no deserto de Neguev, em 4 de maio, arqueólogos da Universidade de Tel-Aviv encontraram sementes de uvas citadas na Bíblia. O achado tem mais de mil anos. A fruta é mencionada em Gênesis 49:11, quando Jacó abençoa seu filho Judá: “Ele amarrará seu jumento a uma videira, seu jumentinho ao ramo mais escolhido; ele lavará suas vestes no vinho, suas vestes no sangue das uvas.” Outra passagem está em Números 13:23, que descreve um cacho de uvas muito grande, trazido pelos homens enviados por Moisés para explorar a “terra prometida”: “Quando chegaram ao Vale de Eshkol (identificado por alguns como Nahal Sorek), eles cortaram um galho com um único cacho de uvas. Dois deles o carregavam numa vara entre si.”

Entre outras sementes, os pesquisadores da Tel-Aviv acharam a variedade Syriki, usada até hoje para fazer vinho tinto de alta qualidade na Grécia e no Líbano. O nome da planta, que marca seu local de origem, é derivado de Nahal Sorek, um riacho importante nas colinas da Judeia.

Os cientistas encontraram 16 sementes de uvas no chão de uma sala localizada no sítio arqueológico de Avdat, onde fica uma cidade nabateia (civilização antiga) em ruínas desérticas. Os cientistas fizeram a descoberta por meio de uma técnica de espectroscopia infravermelha.

A partir disso, os pesquisadores extraíram o DNA das sementes e fizeram comparações com bancos de dados de videiras modernas.

(Revista Oeste)

quinta-feira, abril 20, 2023

Descoberta revela conexão entre o rei Salomão e Sabá

O Dr. Daniel Vainstub, epigrafista formado na Universidade Hebraica de Jerusalém e parte da equipe acadêmica da Moriah International Center, decifrou uma antiga escrita árabe, utilizada na região sul da Península Arábica (atual região do Iêmen) durante o domínio do Reino de Sabá. A inscrição estava gravada no pescoço da jarra de cerâmica e foi identificada como a escrita dos cananeus, a qual deu origem à antiga escrita hebraica usada nos dias do Primeiro Templo. A urna de barro continha incenso em seu interior e foi descoberta em escavações realizadas em 2012, a menos de 300 metros do Templo de Jerusalém, no atual parque arqueológico Davidson Center de Jerusalém.

Segundo a nova interpretação, a inscrição na urna é "Shi Ladananum 5", o segundo dos quatro componentes do incenso mencionados na Torá (Êxodo 3:34). Esse componente, referido nas fontes judaicas como "cravo" e mencionado no Talmud de Jerusalém e no Talmud da Babilônia como "unha", era um ingrediente necessário no incenso, que era queimado tanto no Primeiro quanto no Segundo Templo.

"Decifrar a inscrição na urna nos ensina não apenas sobre a presença de falantes da língua de Sabá em Israel durante o tempo de Salomão, mas também sobre a relação geopolítica em nossa região. Principalmente à luz do local onde a urna foi descoberta, uma área conhecida por ser o centro da atividade administrativa do rei Salomão e Jerusalém", observou o Dr. Vainstub. "Esta é mais uma evidência dos extensos laços comerciais e culturais que existiam entre Israel sob o rei Salomão e o Reino de Sabá."

(Moriah Center, Instagram; Times of Israel)

segunda-feira, setembro 13, 2021

A descoberta da cidade de Babilônia

O livro bíblico de Daniel é um dos textos mais importantes do antigo testamento. Suas páginas estão repletas de profecias e histórias que falam sobre o terrível cativeiro do povo de Israel em Babilônia. Durante muito tempo, acadêmicos e arqueólogos diziam que Babilônia era uma lenda criada pela imaginação dos escritores da Bíblia, e que essa cidade nunca tinha existido. No entanto, essa visão cética foi colocada por terra quando, no fim do século 19, Robert Koldewey, arqueólogo e arquiteto alemão, descobriu as ruínas da antiga capital imperial de Nabucodonosor.

É interessante dizer que antes de essa descoberta acontecer, Heródoto, famoso historiador grego da antiguidade, já havia relatado e documentado sua visita à cidade em um passado longínquo. Em sua passagem pela metrópole, Heródoto descreveu as dimensões e características da cidade com detalhes.[1] Mesmo com esses textos extrabíblicos, muitos historiadores ainda insistiam em negar a existência de Babilônia. Uma das lições dessa descoberta arqueológica é que a ausência de evidência não é, necessariamente, evidência de ausência. Nem sempre a falta de comprovações empíricas sobre determinados fatos históricos significa que aqueles objetos não existiram.

Foi justamente na virada do século 20, mais especificamente a partir de 1899, que o tiro saiu pela culatra. Em uma incessante escavação nas regiões de Bagdá, atual Iraque, Koldewey se deparou com um tesouro milenar que estava coberto havia séculos. A partir desse momento, a arquitetura de Babilônia estava revelada e aberta para pesquisa e estudo – pesquisa essa que foi feita por muitos céticos que antes se referiam à cidade como mitológica.

A descoberta não tinha sido feita antes porque muitas pessoas procuravam escavar à beira do Eufrates, já que os relatos falavam que a cidade fazia divisa com o rio. O problema é que ao longo dos anos o Eufrates foi desviado diversas vezes; sendo assim, uma pesquisa próxima ao rio já não era uma opção interessante. Ao andar pela região, Koldewey percebeu que os beduínos locais sempre visitavam a área montanhosa de Hillah para pegar tijolos e usa-los como matéria-prima de construção.[2] Durante muito tempo, esses habitantes locais utilizaram os tijolos da antiga Babilônia (figura 1) para construir residências e outras estruturas vernaculares. Isso já aconteceu em outras ocasiões na história da arquitetura. Muitos habitantes que viveram em locais em que o Império Romano foi pujante usavam o mármore das construções imperiais para praticar sua arquitetura local – o Coliseu, por exemplo, foi utilizado como “jazida” pelos romanos que viviam em suas proximidades.

 

Figura 1: escavação em Babilônia, Iraque. Fonte: Wikimedia Commons (domínio público)

Durante as escavações, muitos artefatos importantes foram encontradas, tais como manuscritos cuneiformes, objetos religiosos e edificações que testemunhavam de uma civilização rica e próspera. O Portal de Ishtar (figura 2), entrada principal da cidade e que hoje fica no Pergamum Museum de Berlin, é uma das partes mais bem preservadas do complexo. No portal é possível observar tijolos de lápis-lazúli, material raro encontrado apenas na Mesopotâmia e em algumas partes do Chile.[3] A fachada do portal é composta por desenhos de leões alados, dragões e bois em alto-relevo. Todas essas características são uma demonstração clara da glória da antiga Babilônia.

 

Figura 2: Portal de Ishtar, Pergamum Museum, Berlin. Fonte: Wikimedia Commons (domínio público)

O portal também possui uma entrada com um grande arco semicircular. Essa é uma das evidências mais antigas dos arcos na história da arquitetura. Os romanos fizeram uso abundante dos arcos em seus aquedutos,[4] mas graças à incrível descoberta do Portal de Ishtar é possível concluir que essa técnica foi, possivelmente, uma invenção dos povos que habitaram a região do crescente fértil, principalmente os mesopotâmicos.

O interessante é que o livro de Daniel possui diversas passagens que trazem, de maneira simbólica e profética, esses mesmos animais encontrados no Portal de Ishtar. Na profecia, o leão com duas asas representa o próprio reino de Babilônia, cujo rei mais conhecido foi Nabucodonosor. O leão é sempre visto como o rei dos animais e a águia, a rainha das aves. Esse animal é um leão que tem duas asas de águia (figura 3), simbolizando a rapidez avassaladora que o reino de Babilônia teria diante de seus inimigos. Mas esse poder não duraria para sempre, segundo a profecia: suas asas seriam arrancadas, ou seja, seu poder lhe seria retirado. A história mostra que essa glória foi tirada por Ciro, o persa, no ano 539 a.C.

 

Figura 3: leão Alado no Caminho Processional, Pergamum Museum, Berlin. Fonte: Unsplash

Durante o governo de Sadam Hussein, várias edificações foram reconstruídas na busca por fortalecer o nacionalismo do regime ditatorial.[5] O ditador se considerava herdeiro de Nabucodonosor e, para tornar isso ainda mais claro, passou por cima de diversos princípios e práticas de restauro e conservação. Hussein recebeu várias críticas de entidades internacionais por sua maneira de lidar com o patrimônio local.

Com essa descoberta, todos os livros de história da arquitetura publicados nos anos que sucederam a escavação tiveram que trazer Babilônia como um fato histórico. Hoje muitas escavações ainda continuam sendo feitas na região. O objetivo é procurar por fatos que não só demonstrem os costumes e as tradições dos mesopotâmicos, mas que também comprovem ainda mais a veracidade histórica da Bíblia Sagrada.

(Bruno Perenha é arquiteto [Unicesumar, Maringá] e especialista em História da Arquitetura [Birkbeck, University of London]; conheça mais sobre o trabalho dele no Instagram: @brunoperenha e no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC4jx8wH1THB-0Usc7ryzUHQ)

Referências:

[1]  STRASSLER, Robert B. The Landmark Herodotus. London: Quercus Publishing Plc, 2008.

[2]  LYON, David Gordon. In: Vo. 11 (3). Recent Excavations at Babylon. The Harvard Theological Review: 1918. Pag. 307-321.

[3]  FELSTINER, John & Neruda, Pablo. In: Vol. 32 (No. 4). Lapis Lazuli in Chile. The American Poetry Review. Philadelphia: Old City Publishing, Inc, 2003. Pag. 6.

[4]  GLANCEY, Jonathan. A História da Arquitetura. São Paulo: Edições Loyola, 2001. Pag. 30-32.

[5]  MACFARQUHAR, Neil. Hussein's Babylon: A Beloved Atrocity. The New York Times, Aug. 19, 2003. Section A, Pag 11. Available in: <https://www.nytimes.com/2003/08/19/world/hussein-s-babylon-a-beloved-atrocity.html>. Access: Aug. 20, 2021.

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

Dr. Rodrigo Silva refuta matéria sensacionalista antibíblica

Deu no site da revista Galileu: "Escavações em Tel Motza, à leste de Israel, revelaram a presença de um templo antigo construído no mesmo período em que o Templo de Salomão, também conhecido como Primeiro Templo. Segundo um estudo publicado no Biblical Archaeology Review Professor, a descoberta desafia algumas passagens da Bíblia sobre aquela época. Em 2012, um complexo monumental de templos da Idade do Ferro, datado do final do século 10 e início do século 9 a.C., foi descoberto em Tel Motza, perto de Jerusalém. O local, identificado como a cidade bíblica de Moẓa, está situada dentro dos limites da antiga tribo de Benjamim e serviu como centro administrativo para armazenamento e redistribuição de grãos." Será mesmo que essa descoberta "desafia" passagens da Bíblia? Veja o que o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva disse a esse respeito, diretamente de Israel:


sexta-feira, setembro 20, 2019

Pesquisadores israelenses descobrem o reino bíblico de Edom


Pesquisadores israelenses descobriram evidências que corroboram o relato bíblico do antigo reino de Edom, informou a CBN News. O reino de Edom existiu durante os séculos 12 a 11 a.C. e foi fundado pelo filho mais velho de Isaac, Esaú. Estava localizado na Transjordânia, entre Moabe (a nordeste), Arabah (a oeste), e o vasto deserto da Arábia (ao sul e leste). O capítulo 36 do livro de Gênesis mostra que Edom era uma terra próspera, muito antes de “qualquer rei israelita reinar”. Mas, durante anos, os especialistas não encontraram praticamente nenhum registro arqueológico confirmando quando e onde Edom existiu. Um estudo inovador publicado pelo PLOS One, por uma equipe de cientistas israelenses e americanos, descobriu que Edom realmente existiu na época e no local que a Bíblia descreve.

“Usando a evolução tecnológica, fomos capazes de identificar e caracterizar o surgimento do reino bíblico de Edom. Nossos resultados provam que o reino surgiu antes do que se pensava anteriormente e de acordo com a descrição bíblica”, explicou o professor Ben-Yosef, do Central Timna Valley Project, da Universidade de Tel Aviv.

Ben-Yosef, o professor Tom Levy, da Universidade da Califórnia, em San Diego nos EUA, e sua equipe foram ao deserto de Arava, no atual Israel e na Jordânia, para analisar a fonte da riqueza do reino: o cobre. Especificamente, a equipe analisou o resíduo restante da extração de cobre, para determinar que Edom não só existiu no momento em que a Bíblia descreve, mas também que era um reino poderoso e tecnologicamente avançado.

“Com técnicas avançadas de análise química, análise arqueológica e investigação microscópica, conseguimos entender como as pessoas produziam cobre. Os resultados são surpreendentes e eles nos dizem que algo grande estava acontecendo muito cedo, pelo menos no século 11 a.C.”, disse Ben-Yosef à CBN News.

A análise do cobre data o reino de Edom cerca de 300 anos antes do que se pensava – exatamente na época em que a Bíblia diz e antes de qualquer rei governar os filhos de Israel. “Isso apoia a noção de que de fato não só havia pessoas na região naquele período, mas um reino forte. Que foi responsável por realizar uma indústria de larga escala na produção de cobre. Você não pode exagerar na importância do cobre naquela época”, disse Ben-Yosef.

O cobre era um material precioso, usado nos tempos antigos para criar armas, escudos de defesa, ferramentas agrícolas e muito mais. “Se você quisesse ser forte, precisava ter cobre”, disse Ben-Yosef.

A equipe também encontrou evidências ligando Edom a outro grande evento bíblico: a invasão da Terra Santa pelo faraó Sheshonk I – o bíblico rei Sisaque, citado em 2 Crônicas 12:2 –, que invadiu Jerusalém no século 10 a.C.


Ben-Yosef disse que o faraó não estava interessado em destruir os edomitas, mas os apresentou à tecnologia de cobre que transformou completamente a região. “Como consumidor de cobre importado, o Egito tinha um grande interesse em agilizar a indústria. Parece que, através de seus laços de longa distância, eles foram um catalisador de inovações tecnológicas em toda a região. Por exemplo, o camelo apareceu pela primeira vez na região imediatamente após a chegada de Sheshonk I”, disse Ben-Yosef.

O professor Ben-Yosef explicou que suas novas descobertas comprovam fortemente a veracidade da Bíblia, mesmo quando as evidências arqueológicas originais não pareciam somar. “Nossas novas descobertas contradizem a visão de muitos arqueólogos de que o Arava foi povoado por uma aliança frouxa de tribos, e elas são consistentes com a história bíblica de que havia um reino edomita aqui”, concluiu Ben-Yosef.

terça-feira, setembro 10, 2019

Arqueólogos encontram selo de Adonias, filho de Davi


Arqueólogos encontraram o que seria o selo de um dos filhos do rei Davi, Adonias, durante escavações no Muro das Lamentações, em Israel. O objeto tem cerca de 2.600 anos e era usado para selar cartas. O selo tem a escrita “pertence a Adonias, o mordomo real”, e seu comprimento é de apenas um centímetro. A relíquia foi encontrada durante escavações feitas nas fundações do Muro das Lamentações, ponto importante para os judeus por se tratar da única parte ainda em pé do chamado Terceiro Templo, ou mais conhecido como Templo de Herodes. O selo seria de Adonias. Acredita-se que este seria o mesmo Adonias descrito no livro bíblico de 1 Crônicas, onde ele é referido como filho do rei Davi, o mais proeminente monarca judeu na Bíblia. De acordo com a Fundação Cidade de Davi, existem três pessoas com o nome Adonias na Bíblia, sendo o mais famoso um dos filhos do rei Davi.

No selo, Adonias é descrito como um mordomo real, em hebraico “asher al habayit”. Esse posto seria de extrema importância nos assuntos reais. É com essa mesma designação que José, filho de Jacó, foi referido ao se tornar governador do Egito, conforme o livro bíblico de Gêneses descreve.

O achado surpreendeu os pesquisadores israelenses. Eli Shukron, um dos arqueólogos da equipe, falou da importância do selo em entrevista ao The Times of Israel. “Depois de 2.600 anos, você pega este selo que era usado para selar cartas escritas há 2.600 anos pelo maior ministro do reino. Isso é uma coisa incrível. [...] Isso faz meu coração parar de tanta emoção”, disse Shukron.

Segundo Shukron, o selo poderá resolver outros mistérios da história de Israel. Em 1870, uma sepultura com os dizeres “mordomo real” foi achada no país. Arqueólogos querem agora saber se essa seria a sepultura de Adonias.

segunda-feira, setembro 02, 2019

Arqueólogos descobrem evidências de acontecimento narrado na Bíblia


Um grupo de arqueólogos descobriu no Monte Sião (Israel), novas evidências da conquista de Jerusalém pela Babilônia entre 587 e 586 a.C., um acontecimento narrado na Bíblia. Em meados de agosto de 2019, a Universidade da Carolina do Norte (UNC), em Charlotte, Estados Unidos, anunciou que sua equipe de pesquisa descobriu uma série de objetos que provariam a riqueza das elites de Jerusalém antes da conquista babilônica. O local da escavação está dentro do parque Sovev Homot, administrado pela Autoridade de Natureza e Parques de Israel. A descoberta inclui um depósito com cinzas, pontas de flecha, vasos, lamparinas e uma importante peça de joalheria da época: um brinco ou pingente feito de ouro e prata. Também há sinais de uma estrutura significativa da Idade do Ferro.

O projeto arqueológico se chama The Mount Zion Archaeological Project e é co-dirigido pelo professor de história da UNC Charlotte, Shimon Gibson, pelo professor titular em Ashkelon Academic College e membro da Universidade de Haifa, Rafi Lewis, e pelo professor de estudos religiosos da UNC Charlotte, James Tabor. Para a sua realização, o projeto contou com a ajuda de voluntários, incluindo estudantes da UNC Charlotte.

O centro de estudos afirma que “a descoberta atual é uma das mais antigas e talvez a mais proeminente em sua importância histórica, pois a conquista babilônica de Jerusalém é um momento importante na história judaica”.

A equipe acredita que o depósito encontrado pode ser datado no acontecimento específico da conquista devido à combinação única de artefatos e materiais encontrados: cerâmica e lâmpadas, juntamente com evidências do cerco babilônico representado por madeira e cinzas, além de várias pontas de flechas de bronze e ferro típicas desse período.

“Para os arqueólogos, uma camada de cinzas pode significar várias coisas diferentes. Poderiam ser depósitos de cinzas retirados dos fornos; ou poderia ser a queima localizada de lixo. Entretanto, neste caso, a combinação de uma camada de cinzas cheia de artefatos, misturada com pontas de flechas e um ornamento muito especial indica algum tipo de devastação e destruição. Ninguém abandona as joias de ouro e ninguém tem pontas de flechas no lixo doméstico”, disse Gibson, um dos diretores do projeto.

Em outro momento, o especialista disse que “gosta de pensar” que está “escavando dentro das ‘casas dos poderosos’ mencionadas no segundo livro de Reis 25:9”. “Este lugar estaria em uma localização ideal, pois fica perto do cume ocidental da cidade, com uma boa vista sobre o Templo de Salomão e o Monte Moriá, a nordeste. Temos grandes expectativas de encontrar muito mais da cidade da Idade do Ferro em futuras temporadas de trabalho”, afirmou o especialista.

O incêndio e a conquista de Jerusalém e o desmantelamento do templo do Rei Salomão teriam sido cometidos há mais de 2.600 anos por um comandante da guarda de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Esse acontecimento é narrado no livro de Jeremias 52:13-34 e em 2 Reis 25:1-9, no Antigo Testamento. A história indica que o então rei de Jerusalém, Zedequias, foi preso e levado para a Babilônia e que os judeus foram deportados.

Também assinala que o comandante da guarda, Nebuzaradã, “incendiou a Casa do Senhor, a casa do rei e todas as casas de Jerusalém, e incendiou todas as casas dos nobres. Depois, o exército dos caldeus, que estava com o comandante da guarda, derrubou todas as muralhas que cercavam Jerusalém”.

O cerco babilônico de Jerusalém durou muito tempo, apesar do fato de muitos habitantes quererem se render.

UNC Charlotte realiza escavações arqueológicas em Jerusalém desde 2006 e muitas informações relevantes são constantemente extraídas das operações de escavação.

domingo, janeiro 20, 2019

Unasp cria pós-graduação em Arqueologia Bíblica

Para complementar as áreas de História, Arqueologia e Teologia para ensino e práticas pastorais, o Centro Universitário Adventista, campus Engenheiro Coelho, criou a pós-graduação História e Arqueologia do Antigo Oriente Próximo. O corpo docente do curso é formado por doutores, mestres e especialistas na área, com experiência profissional e acadêmica. O curso se destina a profissionais graduados de diferentes áreas interessados em estudar o passado do Oriente Médio por meio da arqueologia e de outras fontes históricas escritas. As aulas são projetadas para atender àqueles que estão perto e longe, sendo presencias, mas transmitidas online para os alunos que estão mais distantes, com algumas aulas inteiramente EAD.

Inscrições: 25 de outubro de 2018 até 3 de fevereiro de 2019
Início das aulas: 4 de março de 2019
Para mais informações clique aqui.

Disciplinas
Créditos
CH
Pesquisa Arqueológica
2
30h
Arqueologia e a Bíblia
2
30h
Teoria e Métodos Arqueológicos
2
30h
História e Historiografia de Israel
2
30h
Patrimônio Arqueológico
2
30h
Arqueologia do Antigo Testamento
2
30h
Arqueologia de Novo Testamento
2
30h
Egito e Mesopotamia
2
30h
Grecia e Roma
2
30h

Disciplinas Optativas
(mínimo 60h para número necessário de créditos)
Créditos
CH
Hebraico
2
30h
Grego
2
30h
Egípcio
2
30h
Epigrafia
2
30h
Numismática
2
30h
Antropologia
2
30h

quinta-feira, dezembro 27, 2018

Anel de dois mil anos ajuda a comprovar veracidade dos evangelhos


Pôncio Pilatos é, sem dúvida, um dos oficiais romanos mais conhecidos no mundo, especialmente por ter sido responsável pela sentença de morte de Jesus Cristo. Além dos relatos descritos nos Evangelhos, pouco se sabe sobre ele. A maioria das informações existentes referentes a ele provém do trabalho dos antigos historiadores Flávio Josefo e de Tácito.[1, 3] Nesse sentido, devido à escassez de documentos que comprovassem sua existência, para os céticos esse personagem que “lavou as mãos” não passava de lenda cristã.[1] Entretanto, no fim de novembro, a mídia internacional divulgou uma descoberta inesperada, especialmente no mundo arqueológico:[1] foi decifrada a inscrição de um artefato histórico que pode comprovar a existência desse procurador romano, ligado à morte de Jesus de Nazaré. Um intrigante anel de liga de cobre com dois mil anos de idade, com a inscrição “de Pilatus”, é indicado como o segundo artefato que atesta a historicidade do Pôncio Pilatos mencionado nas Escrituras.[4] Descoberto há 50 anos pelo arqueólogo israelense Gideon Förster, que liderou uma escavação na Colina do Herodion, a leste de Belém, o anel foi negligenciado até recentemente, quando o atual diretor de escavações Roi Porat solicitou que o artefato recebesse uma limpeza adequada e um olhar diferenciado. Através de câmeras especiais, com melhores recursos tecnológicos, o anel revelou seu segredo: além da imagem de um krater (vaso para armazenar vinho), pôde-se perceber a inscrição do nome Πιλᾶτο (Pilato) escrito em grego.[2, 3] A análise científica do anel foi publicada em 29 de novembro, no célebre Israel Exploration Journal.[2]

Existem ainda algumas especulações quanto à ligação do anel de vedação à figura de Pilatos, devido ao fato de o artefato ser de cobre e não de ouro, como era esperado, em virtude da posição hierárquica de Pilatos, mas, mesmo diante desse questionamento, o próprio Porat indica outra perspectiva: “E se, talvez, Pilatos tivesse um anel de ouro para tarefas cerimoniais e um simples anel de cobre para uso diário?” Os especialistas também avaliam a possibilidade de o anel ter sido usado por um membro da corte de Pilatos para assinar documentos em seu nome, como uma espécie de carimbo oficial.[2]

É importante salientar que “Pilatos” não era um nome comum na província da Judeia. “Eu não conheço nenhum outro Pilatos da época, e o anel mostra que ele era uma pessoa de estatura e riqueza”, diz o professor Danny Schwartz, da Universidade Hebraica.[4] Outro ponto importante é que o selo inscrito indica status de cavalaria na sociedade romana, levando os historiadores a acreditar que o anel realmente pertencia ao Pôncio Pilatos bíblico.[1, 2, 4] Na época em que Jesus foi crucificado, Pilatos era o “prefeito” romano da Judeia, o quinto da linha hierárquica, tendo respaldo legal para sentenciar penas de morte, como no caso de Jesus, que foi executado em seu governo.[2, 4]

Outro fator que também reforça a conexão do anel com a figura do governador romano bíblico está no local onde o anel foi encontrado. Sabe-se que ele usou os antigos palácios de Herodes, como suas próprias residências em Cesareia e em Jerusalém, portanto, há fortes razões para acreditar que o palácio de Herodes em Herodium tenha sido usado como centro administrativo romano.[3] 

A repercussão dessas informações também foi forte no Brasil, tendo destaque no programa “Fantástico” do domingo, dia 23. Mas, afinal, o que torna a descoberta do significado das escritas desse anel tão importante? Esse novo fato corrobora outros dados encontrados anteriormente, como a  Pedra de Pilatos, descoberta em 1961 nas escavações em Cesareia, relatos do historiador Josefo e a própria Bíblia, indicando que havia de fato um governador romano na Judeia, na época de Jesus, chamado Pilatos.[2]

Nota: Apesar das muitas evidências arqueológicas encontradas que relacionam fatos históricos mencionados na Bíblia, a veracidade das Escrituras Sagradas ainda é contestada por muitos céticos. A confirmação da existência de Pilatos é, de fato, extraordinária porque, por meio dessa informação, pode-se constatar a autenticidade dos Evangelhos bíblicos, bem como a existência de seus personagens. Esse simples anel de cobre, outrora esquecido, é responsável por dar credibilidade à existência do personagem principal de toda a Bíblia Sagrada, e autor de toda a vida: nosso Senhor Jesus Cristo. Resta o sentimento de que esse seja somente o primeiro capítulo das muitas descobertas que virão intensificar a concepção de que ciência e fé estão intrinsecamente conectadas, e que por meio das Escrituras podem-se obter não apenas genuínos dados históricos, mas também informações imprescindíveis à compreensão da origem da vida na Terra e da existência do plano de salvação.

(Liziane Nunes Conrad Costa é presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB], bacharel e licenciada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestranda em Biociências e Saúde [UNIOESTE])

Referências:
2.Shua Amorai-Stark, Malka Hershkovitz, Gideon Foerster, Yakov Kalman, Rachel Chachy, and Roi Porat, “An Inscribed Copper-Alloy Finger Ring from Herodium Depicting a Krater,” Israel Exploration Journal 68:2 (2018), p. 217.

Leia mais sobre o assunto em:

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Anel de Pôncio Pilatos é descoberto perto de Jerusalém

Um anel descoberto perto de Jerusalém foi atribuído a Pôncio Pilatos, o governador romano que, segundo textos bíblicos, condenou Jesus a ser crucificado. O objeto descoberto há cinquenta anos em uma escavação traz uma inscrição “de Pilatus” em letras gregas, revelada agora em análises recentes de pesquisadores, de acordo com um artigo publicado no Israel Exploration Journal. Datado com cerca de 2.000 anos, o anel, que servia de selo, pode comportar uma das poucas menções escritas de Pôncio Pilatos de sua época, afirma o Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém. A peça foi descoberta em Herodium, um antigo palácio construído na época do rei Herodes, perto de Jerusalém e de Belém, uma cidade da Cisjordânia ocupada [veja a foto]. O palácio serviu de fortaleza para os insurgentes judeus que se rebelaram contra os romanos.

“Na medida em que a inscrição menciona Pilatos, a primeira ideia que vem à mente é que se trata de Pôncio Pilatos, governador da província romana de Judeia, entre o ano 26 e 36 d.C., na época do imperador Tibério”, afirmam os autores no artigo.

Os pesquisadores consideram que é pouco provável que o anel tenha pertencido pessoalmente a Pôncio Pilatos por seu material, um metal e uma liga de cobre, parecer demasiado comum para uso pessoal de um governador romano. O mais provável é que ele fosse usado por um membro da administração dirigida por Pôncio Pilatos.

A única outra inscrição com o nome de Pôncio Pilatos, que data da época em que era governador da Judeia, é uma pedra descoberta em Cesareia, na costa mediterrânea de Israel. É o que informa em sua página on-line o Museu de Israel em Jerusalém, cuja coleção inclui essa pedra.


Nota: Trata-se de mais uma (entre inúmeras outras) descoberta arqueológica que confirma o pano de fundo histórico da Bíblia, o que faz dela o documento antigo mais respaldado por evidências materiais/documentais. [MB]