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terça-feira, maio 19, 2020

Ravi Zacharias: morre um gigante da apologética

Muitas vezes achamos que a dor da perda será sentida de verdade apenas quando ocorre com os de perto, familiares ou amigos próximos. Mas há momentos em que sentimos o coração dilacerar quando, mesmo nunca as tendo encontrado, perdemos pessoas que admiramos e temos como inspiração. Hoje esse foi o caso, pois nesta data de 19/5/2020, o grande mensageiro do cristianismo Ravi Zacharias, palestrante, escritor e defensor da fé cristã, descansou no Senhor. Meu coração está esmagado pelo dor. Esse homem sempre foi minha inspiração em sua forma inteligente e amorosa de falar de Jesus. Com sua inteligência sensível – creio ser a melhor expressão para ele -, sempre teve acesso a grandes centros acadêmicos, como Harvard e Oxford, falando do amor e da sabedoria de Deus.
Ravi nasceu na Índia e se converteu ao cristianismo na juventude. Emigrou para o Canadá e construiu uma carreira como mensageiro do cristianismo de uma forma inteligente, racional, mas ainda assim repleta de amor. Foi autor de vários livros, dentre os quais destaco o premiado Pode o Homem Viver ser Deus?, o primeiro que li e já me encantou, porque mescla de forma harmoniosa argumentos racionais a favor da fé cristã, sem perder o apelo à sensibilidade e ao coração. Ravi possuía um programa de rádio chamado “Let My People Think” (“Vamos pensar, meu povo”), transmitido a muitas partes do globo. Foi o fundador do Ministério Internacional Ravi Zacharias, que desenvolve evangelismo em todo o mundo. Mas, infelizmente hoje, aos 74 anos, vitimado por um câncer que fora anunciado apenas dois meses antes, Ravi descansou no Senhor.
É muito estranho sentir tanta dor pelo falecimento de alguém tão distante. Mas os livros e vídeos dele me fizeram sentir como se ele fosse meu mentor. Pois tudo o que eu imaginei ser como pregador do evangelho tinha Ravi Zacharias como referência. Já li C. S Lewis, William Craig, Nancy Pearcey, Francis Schaeffer e outros, mas o Ravi era meu referencial de mensageiro do evangelho. Minha dor é maior, talvez, porque no fundo eu ainda nutria a esperança de encontrá-lo e ter uma longa conversa. Portanto, minha oração a Deus é que eu possa glorificar a Deus e honrar esse grande homem, sendo ao menos uma unha do que foi Ravi Zacharias.
(Rafael Christ Lopes é físico e doutor em Cosmologia)
Entre os livros apologéticos que indico nesta lista, há um do Ravi. [MB]

domingo, abril 22, 2018

Verdade: Isso existe? Isso importa?

Este é o meu post inaugural no blog www.criacionismo.com.br. É uma grande honra e também uma grande alegria contribuir neste projeto com meu amigo, o jornalista Michelson Borges, sem dúvida um dos maiores vultos do criacionismo no Brasil, bem como com tantas figuras que têm feito esforços sobre-humanos para levar uma visão alternativa, sóbria, racional e científica do criacionismo para o público brasileiro. Dedico com carinho o meu melhor a todos esses nobres bastiões da ciência bíblica e também a você, leitor, a quem eu tributo todo o meu respeito e os melhores votos de que você encontre as respostas que procura.

Há cerca de dez anos eu criei um blog chamado Em Defesa da Verdade. Naquela época, ainda muito jovem e idealista, me angustiava e mesmo me irritava a quantidade desmedida de desinformação que circulava nos meios acadêmicos e autointitulados cultos a respeito de criação, Bíblia, religião e mesmo ciência. Como todo apaixonado jovem, decidi que faria o possível para ajudar a criticar as incoerências e falsidades que se espalhavam na velocidade do transístor pela sempre exponencialmente crescente internet. Dez outonos depois, posso dizer que meu objetivo continua sendo o mesmo, todavia com uma visão - espero - mais sóbria e menos iludida a respeito da natureza humana. Concluí, nesse período, que, infelizmente, o erro não se espalha tanto por falta de verdade mas, principalmente, pela indisposição de nós, humanos, desejarmos e aceitarmos uma verdade impopular, e desagradável a um coração corrupto.

"Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar" (Isaías 59:14). 

Em tempos de relativismo moral, pergunto: Faz sentido acreditar em uma Verdade? Se sim, como saber o que é a Verdade ou onde encontrá-la? Não estariam certos os que dizem que não existe verdade absoluta? Que a verdade é mutável e dependente da cultura (contexto)? Que cada sociedade constrói o coNjunto de valores morais que forma a ética de um povo?

É sobre esSe assunto e alguns outros que discutiremos no futuro. Por ora, deixe-me apenas estressar uma máxima que de tão expressa já se tornou um clichê: "Tudo é relativo."

Não vou perguntar se você já ouviu esSa expressão, pois já sei a resposta. Vamos apenas refletir rapidamente na lógica desse axioma. Se tudo é relativo, essa asserção também deve ser relativa; e se essa declaração é relativa, então, ao menos em algum momento, nem tudo é relativo. Ou seja, existiria uma verdade absoluta. É um exercício despretensioso, apenas para pensarmos a respeito do que ouvimos todos os dias.

Qual é o ponto? Bem, minha experiência tem me mostrado que os relativistas geralmente usam o argumento do relativismo moral a seu favor, mas quando seus interesses entram em jogo, as atitudes e as posturas se tornam contrárias ao discurso. Vou dar um exemplo: se você encontrar alguém de um grupo que julgo ser 90% dentro do rol de pessoas cultas de hoje em dia e você disser a ela que segue uma religião, ela vai dizer a você: "Que bom! Faz bem a você? Siga o caminho." Mas quando você diz que ela precisa contar às outras pessoas sobre sua fé, e o que você sabe, e que as pessoas precisam mudar o rumo de suas vidas para terem esperança, essa pessoa vai lhe acusar de fundamentalismo ou fanatismo (que são praticamente a mesma coisa em termos práticos hoje em dia).

Em termos: você pode dizer que tem uma fé. É bonito, politicamente correto aceitar e tolerar a fé das pessoas, desde que esta seja apenas um fenômeno cultural, emocional e social humano. Imagine-se chegando a uma tribo isolada de uma ilha perdida da Oceania e vendo os nativos praticando rituais religiosos peculiares da sua cultura. "Que bonitinho." "Interessante." Pode até sair disso alguma seita para o lado B da nossa sociedade ocidental. Algum amuleto dessa tribo pode aparecer no pescoço de alguma magérrima em alguma catwalk em Paris. Todavia, essa fé, se corajosa o suficiente para crer que deve ser transmitida, precisa se submeter à grande e indiscutível verdade da ausência de verdade, da submissão ao status quo. À verdade de que a sociedade contemporânea, com sua imprensa, seus cientistas, filósofos deve ditar quem você é e como você deve pensar.

É lógico que o conhecimento científico é uma grande bênção, e temos muitas coisas boas em nosso mundo. Meu ponto aqui não é atacar a sociedade, mas desmistificar a ideia de que esta é coerente. De que o paradigma atual de pensamento é uma evolução dos predecessores. De que nós realmente somos livres para pensar o que quisermos no ambiente cultural contemporâneo.

Embarque comigo nessa jornada! Vamos falar de ciência, de razão, de fé e de comportamento. Conto com você nessa caminhada. Grande abraço e lembre-se: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará" (João 8:32).

Alexsander Silva
Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a eqüidade não pode entrar.

Isaías 59:14
Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a eqüidade não pode entrar.

Isaías 59:14

terça-feira, abril 25, 2017

O argumento ontológico (parte 1)

Vamos a mais um argumento estudado na filosofia da religião a fim de dar evidências da existência de Deus. Só relembrando algo que escrevi no post sobre o argumento cosmológico: você terá muita dificuldade em encontrar um filósofo da religião (monoteísta) que creia que um argumento sozinho sirva como evidência suficiente. Existem, de forma bem generalizada, dois grandes grupos: aqueles que acreditam que nenhuma evidência funcione (esses não são apenas ateus; muitos teístas apoiam essa ideia) e aqueles que acreditam que apenas todos os argumentos juntos conseguem formar uma defesa cumulativa para a existência justificada em Deus.

Os argumentos ontológicos são fascinantes, pois são argumentos que dizem ter premissas elaboradas da razão apenas, sem ajuda de qualquer informação do mundo “lá fora”. Diferente, por exemplo, do argumento cosmológico, que observa que tudo o que existe tem um início, o ontológico não precisa de “fatos do mundo” para funcionar. Isso se conhece na filosofia como premissas a priori, ou seja, que vêm antes do nosso contato com o mundo (a posteriori).

Eu vou dividir o argumento ontológico em dois posts porque quero falar para vocês dos argumentos elaborados na era moderna e na era contemporânea. Vamos começar do começo.

O argumento ontológico mais famoso veio de um filósofo cabeção chamado Anselmo, do 11o século. O início da sua obra Proslogion é uma oração em que ele clama a Deus por uma prova racional para a Sua existência. É aí que ele recebe a grande epifania, que podemos resumir em um silogismo mais ou menos semelhante a este:

1. Nós concebemos Deus como um ser sobre o qual nada de melhor poderia ser concebido.
2. Esse ser sobre o qual nada de melhor poderia ser concebido existe apenas na mente ou tanto na mente quanto na realidade. 
3. Vamos presumir que esse ser só possa ser concebido na mente.
     a) Existir tanto na mente quanto na realidade é melhor do que existir apenas na mente.
     b) Esse ser, existindo apenas na mente, também pode ser concebido como existindo na realidade.
     c) Esse ser existindo apenas na mente, então, não é o ser sobre o qual nada de melhor poderia ser concebido.
4. Portanto, esse ser sobre o qual nada de melhor poderia ser concebido existe tanto na realidade quanto na mente.

Parece complexo, né? Enfim, a ideia básica é: O que é melhor, existir só na mente ou existir na realidade e na mente? Existir na realidade e na mente! Se Deus é o ser que podemos conceber como o mais perfeito possível, então Ele existe na realidade.

O argumento de Anselmo foi quase que imediatamente criticado por seu colega de profissão, Gaunilo. Gaunilo disse que ele conseguia conceber uma ilha sobre a qual nada de melhor poderia ser concebido. É muito provável, porém, que essa ilha não exista. E daí, Anselmo? Anselmo respondeu que não existia contradição em dizer que a ilha perfeita não existia, mas existe contradição quando dizemos que Deus não existe, se entendemos Deus como sendo o ser mais perfeito do universo. 

O próximo a tentar elaborar algo parecido foi René Descartes, na quinta meditação, na qual ele diz ter um argumento para a existência de Deus partindo da ideia de que Deus é um ser supremamente perfeito. Um ser supremamente perfeito não poderia falhar em existir, portanto Deus existe!

Gottfried Leibniz, no século 18, não achou o argumento de Descartes completo, pois ele teria que ter provado que é possível existir um ser perfeito, ou que pelo menos a ideia de um ser perfeito é coerente. Leibniz argumentou que perfeições não podem ser analisadas, então é impossível demonstrar que perfeições são incompatíveis. Assim, ele concluiu que todas as perfeições podem existir em um único ser. 

Immanuel Kant, no século 19, trouxe uma avassaladora crítica ao pobre Anselmo e seu argumento: existência não é um atributo, portanto, ela não pode ser usada para provar perfeição, muito menos Deus.

Será que os filósofos pararam por aí, deixando a crítica de Kant vencer o dia? Jamais! Filósofos (muito menos os teístas) não desistem tão rápido.

No próximo post veremos quais foram as reformulações que aparentemente fugiram do problema de Kant.

(Marina Garner Assis, Filosofia da Religião)

sexta-feira, março 17, 2017

A fé no banco dos réus. De quem?

terça-feira, janeiro 17, 2017

Dez evidências de que Deus existe

Do nada poderia vir alguma coisa?
1. O universo não deveria existir

De acordo com alguns estudos, o universo não deveria ter sobrevivido mais do que um segundo. Por exemplo, o Big Bang deveria ter produzido quantidades iguais de matéria e antimatéria, cancelando-se mutuamente. Em vez disso, um pouco mais de matéria foi produzida, criando todo o universo observável. Nós, definitivamente, não podemos explicar por que isso aconteceu. Em outra teoria, o universo está no campo de Higgs, que dá às partículas suas massas. Um grande campo de energia impede que nosso universo caia no “vale”, um campo mais profundo, onde não poderia existir. No entanto, se o modelo padrão da física está correto, uma rápida expansão do universo imediatamente após o Big Bang deveria ter movido o universo para o vale. Isso o teria destruído antes que ele tivesse um segundo de idade.

A impossibilidade da vida na Terra também é absurdamente alta. Galáxias não poderiam existir sem a mistura certa de matéria, matéria escura e energia escura e, mesmo assim, existem. A Terra teria que ter a distância exata do sol que tem para abrigar vida. Se fosse um planeta do tamanho de Júpiter, a Terra atrairia mais asteroides e cometas, ou teria uma superfície muito violenta para sustentar a vida.
Será que a vida realmente superou “sozinha” todas essas probabilidades, ou o universo teve alguma ajuda, de alguma forma?

2. A semente da vida?

Segundo a teoria da panspermia, de Francis Crick, a vida se originou em outro lugar e foi enviada à Terra por seres avançados. Uma teoria anterior da panspermia sugeria que a vida chegou aqui em um asteroide ou um cometa. Em julho de 2013, o astrobiologista Milton Wainwright afirmou que encontrou uma verdadeira “semente da vida”. Depois de lançar um balão meteorológico sobre a Inglaterra, ele capturou uma bola metálica da largura de um fio de cabelo. Dentro de sua concha de titânio e vanádio, a bola continha um líquido biológico pegajoso. Muitos cientistas são céticos a respeito dessa reivindicação.

3. Busca alienígena biológica

Os seres humanos são constituídos por cerca de 22.000 genes, o que é 3% do genoma humano. Os outros 97% são “sobras de DNA”, que poderiam conter uma mensagem codificada ou um sinal de que a vida se originou em outro lugar ou foi criada por um ser superior. Em 2013, dois pesquisadores do Cazaquistão alegaram ter encontrado uma sequência ordenada de uma linguagem simbólica em nossas sobras de DNA que não teria acontecido naturalmente. No entanto, muitos criticaram essa busca por sinais biológicos. Alternativamente, o geneticista Francis Collins argumentou em seu livro A Linguagem de Deus que o DNA seria o “alfabeto de Deus”, o que faria de nós o livro da vida.

4. Raios cósmicos

Em 2003, o filósofo Nick Bostrom postulou que o universo é uma simulação de computador, uma teoria aceita por Elon Musk e Neil de Grasse Tyson. Se isso for verdade, um ser superior – ou seres – teve que construir a simulação. O Universo seria também finito, porque todos os computadores têm limites. Alguns pesquisadores acreditam que poderíamos detectar essa simulação de computador se pudermos encontrar os limites do universo. Para testar isso, pesquisadores alemães construíram simuladores em rede em um computador quântico. Eles se concentraram em raios cósmicos, que são fragmentos de átomos que vêm de fora do sistema solar. Os raios cósmicos têm uma quantidade finita de energia e deterioram ao longo do tempo. Quando chegam à Terra, todos eles têm quantidades semelhantes de energia, que é um máximo de 10 elétron-volts. Isso sugere que todos os raios cósmicos têm pontos de partida semelhantes, como a borda da rede de simulação de um computador quântico.

5. A propagação da vida

Em 2015, um estudo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica sugeriu que a vida poderia ter se espalhado via panspermia, se movendo de estrela em estrela em aglomerações e “sobrepondo-se como bolhas em uma panela de água fervente”. Essa simulação também sugere que a vida poderia ter se espalhado como uma epidemia. Os cientistas testaram duas possibilidades para trazer vida para a Terra: por asteroides e por seres inteligentes. O resultado foi que ambas eram possíveis e teriam seguido o mesmo padrão. Se estiver correto, esse estudo também indica que existe vida em outras partes da galáxia.

6. Constantes físicas

De acordo com o físico teórico John D. Barrow, podemos dizer se o universo é uma simulação procurando por erros ou falhas nele. Barrow acredita que até mesmo civilizações avançadas não teriam conhecimento completo das leis da natureza. Haveria falhas notáveis na Matrix, tais como alterações nas constantes físicas. Essas são propriedades físicas, como a velocidade da luz, que são as mesmas em todos os lugares ao longo do tempo.

Em 2001, pesquisadores australianos encontraram evidências de que a velocidade da luz tem diminuído ao longo dos últimos bilhões de anos, mesmo que isso contradiga a relatividade geral. O astrônomo John Webb descobriu que a luz de um quasar tinha absorvido o tipo errado de fótons em sua jornada de 12 bilhões de anos até a Terra. Isso só pode acontecer se houve uma mudança na velocidade da luz ou na carga de um elétron, ambas constantes físicas. Pesquisadores mais céticos discordam dessa teoria. Independentemente disso, ninguém tem certeza por que as constantes físicas são constantes. Mas elas são fundamentais para a existência do nosso universo. Alguns cientistas especulam que as constantes físicas são evidências de que o Universo foi “afinado” para que a vida existisse.

7. A Prova Ontológica de Godel

Na década de 1940, o físico Kurt Godel tentou provar a existência de Deus. Ela é baseada neste argumento do Santo Anselmo de Canterbury:

Há um grande ser chamado de Deus, e nada maior que Deus pode ser imaginado.
Deus existe como uma ideia na mente.
Com todas as outras coisas sendo iguais, um ser que existe tanto na mente quanto na realidade é melhor do que um ser que só existe na mente.
Portanto, se Deus só existe na mente, então é possível que podemos imaginar um ser mais poderoso do que Deus.
No entanto, isso contradiz a argumentação número 1, porque nada maior do que Deus pode ser imaginado.
Portanto, Deus existe.

Usando a lógica modal e universos paralelos, Godel argumentou que um ser todo-poderoso existe, se ele existe em pelo menos um universo paralelo. Como há um número infinito de universos com um número infinito de possibilidades, um universo tem um ser tão poderoso que seria considerado um Deus onipotente. Portanto, Deus existe.

Em 2013, dois matemáticos realizaram equações de Godel em um MacBook e descobriram que elas estavam corretas. No entanto, o teorema não prova que Deus existe – prova simplesmente que é possível que um ser todo-poderoso poderia existir de acordo com a lógica.

8. A realidade não existe a menos que estejamos olhando para ela

Um videogame se desenvolve quando você está olhando para uma área particular. Caso contrário, ele não existe. A realidade é semelhante, porque só existem certos aspectos se estamos olhando para eles. Esse misterioso fenômeno é baseado na mecânica quântica. Objetos subatômicos são geralmente ondas ou objetos sólidos de partículas semelhantes. Raramente, eles podem ser ambos. Alguns exemplos incluem luz e objetos que têm uma massa semelhante à de elétrons.

Quando não estão sendo observados, esses objetos ficam em um estado duplo. Mas quando eles são medidos, eles “decidem” tornar-se uma onda ou um objeto sólido. Estes fundamentos da nossa realidade permanecem latentes até que olhamos para eles, o que não é muito diferente do mundo simulado em um videogame.

9. Princípio holográfico

Em 1997, o físico teórico Juan Maldacena propôs que o nosso universo é um holograma bidimensional completamente plano que percebemos em três dimensões. Cordas minúsculas chamadas grávitons vibrariam para criar este universo holográfico. Se estiver correta, essa teoria ajudaria a resolver algumas diferenças entre a mecânica quântica e a teoria da gravidade de Einstein.

Alguns estudos mostram que um universo 2D é possível. Pesquisadores japoneses calcularam a energia interna de um buraco negro, a posição do horizonte de eventos e outras propriedades em um mundo 3D e, em seguida, calcularam as mesmas coisas em um mundo 2D sem gravidade. Os cálculos bateram. Outro modelo mostrou que o universo é 2D se o espaço-tempo for plano.

Os pesquisadores do Fermilab, nos EUA, estão usando um laser gigante para procurar “ruído holográfico”, que é uma evidência de “buffering” no cosmos. Se um universo holográfico 3D foi construído sobre um sistema 2D de linhas em movimento (como linhas de código), isso indica fortemente que o universo é uma simulação.

10. Codificação no cosmos

De acordo com o físico teórico Sylvester James Gates, evidências convincentes sugerem que estamos vivendo em uma simulação. Enquanto trabalhava em equações de supercordas com adinkras (símbolos usados na álgebra super simétrica), Gates encontrou codificação criada pelo matemático Richard Hamming chamada “códigos de bloco duplamente equilibrados auto-dual lineares binários de correção de erros”. Gates questionou se esta codificação básica é de alguma forma responsável por controlar o universo.

No vídeo acima (em inglês), Gates diz que “[uma] conexão insuspeita sugere que estes códigos podem ser onipresentes na natureza e até mesmo incorporados na essência da realidade. Se isso é verdade, poderíamos ter algo em comum com os filmes de ficção científica Matrix, que retratam um mundo onde a experiência de cada ser humano é o produto de uma rede de computadores geradores de realidade virtual”.


Nota: Embora eu não concorde com todos os argumentos apresentados no texto acima, já é um bom começo o site Hypescience tê-lo publicado em sua página carregada de ceticismo e evolucionismo materialista. A meu pedido, o amigo astrofísico Eduardo Lütz escreveu alguns comentários sobre algumas das tais evidências:

3. A Mecânica Quântica não diz que “a realidade não existe a menos que estejamos olhando para ela”. Apenas mostra de que forma observações afetam o que for observado.

4. A conclusão não está correta. O teorema não prova apenas a possibilidade da existência de uma entidade superior, mas garante que essa entidade é máxima, necessariamente existe e que há um critério para identificar as características e a unicidade dessa entidade.

7. Raios cósmicos com um máximo 10 eV. Não é bem assim. Confira aqui.

8. DNA lixo. Veja aqui e aqui.

10. O Universo deveria ter surgido com porções iguais de matéria e antimatéria. Não se a criação do universo e a criação do tempo clássico são a mesma coisa (e o são no cenário do Big Bang). Porções de matéria e antimatéria iguais são criadas quando excitamos o vácuo e estão em vigor as leis de conservação que conhecemos hoje. Pode-se usar o teorema de Nöther para mostrar que essas leis decorrem de simetrias do Universo. Essas simetrias dependem da existência do espaço-tempo e representam uniformidade nele. Não fazem sentido no momento da criação do espaço-tempo. O próprio fato de que as quantidades de matéria e de antimatéria no universo não são iguais é uma evidência de que o momento inicial do Big Bang teria sido a criação do espaço-tempo.

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Jesus realmente existiu?

sábado, novembro 12, 2016

“Vem para fora!” – o chamado da Transcendência

Quem vai aceitar o convite?
Um homem observa a janela
Seu olhar ali pode repousar;
Ou, se preferir, passar através dela
E daí o céu espiar.
(George Herbert, O Elixir)

Sou naturalmente atraído para a transcendência. Ela me chama, convocando-me para alguma espécie de descoberta além dos sentidos comuns e dos restritos instrumentos da pesquisa humana. Tal qual um grande ímã, puxa-me com força irresistível para o lado de fora da limitada realidade conhecida. Classifico-me como um homem metafísico. Sou atraído para “o céu espiar”.

Nietzsche, crítico por excelência de toda e qualquer metafísica, era um imanentista radical que assumia visceralmente a temporalidade, a finitude e a contingência, sendo o grande defensor do finito, do mundano e do presente. Seu esforço voltou-se para a supressão do mundo transcendente e para a afirmação incondicional do aqui e do agora apregoada por meio do “eterno retorno do mesmo”. Já David Hume, arguto pensador, acreditava ser a metafísica uma “roupagem para a superstição”. Concordando com o filósofo do martelo e com o empirista Hume, o poeta português Fernando Pessoa, nas suas “Ficções do interlúdio”, revela-nos também certo horror à metafísica.

“Há metafísica bastante em não pensar em nada [...] / O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério! / O único mistério é haver quem pense no mistério. [...] / Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? / A de serem verdes e copadas e de terem ramos / E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, / A nós, que não sabemos dar por elas. / Mas que melhor metafísica que a delas, / Que é a de não saber para que vivem / Nem saber que o não sabem? / ‘Constituição íntima das coisas’... / ‘Sentido íntimo do Universo’... / Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. / É incrível que se possa pensar em coisas dessas. / O único sentido íntimo das coisas / É elas não terem sentido íntimo nenhum. / Não acredito em Deus porque nunca o vi. / Se ele quisesse que eu acreditasse nele, / Sem dúvida que viria falar comigo / e entraria pela minha porta dentro / Dizendo-me, Aqui estou!

Todavia, contrariando Nietzsche, Hume e Fernando Pessoa, o apóstolo Paulo recomendava: ‘Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra’ (Cl 3:2). Aparentemente a declaração paulina implica certa oposição entre céu e terra. Só aparentemente. A nosso ver, pensar ‘no alto’ não significa parar de pensar ‘na terra’ ou desprezar as realidades do mundo sensível e contingente. O apóstolo parece sugerir que comecemos a refletir de cima para baixo, do plano mais elevado em direção ao solo da imanência, numa relação equilibrada entre o eterno e o temporal, a fim de que o eterno afete o temporal.”

Qual a importância de se pensar metafisicamente? Que proveito há para o nosso mundo pragmático correr em busca do sentido último das coisas? Vale a pena angustiar as pessoas com a pergunta “por que existe algo ao invés de nada?”, estimulando-as a procurar respostas para um questionamento considerado irrespondível por vários pensadores? Talvez só alguns filósofos, raros psicólogos e os religiosos mais inquisidores trarão essa questão para a centralidade de suas reflexões. Muitos, tais qual o cientista materialista Peter Atkins, não se afligem com indagações desse tipo, pois, no seu entender, “a questão do ‘por que’ é apenas uma questão tola”. Sendo um naturalista radical, Atkins crê que “toda explicação do mundo precisa vir de dentro do mundo, porque o mundo é tudo o que existe”. Isso equivale ao que Gramsci chamou de “a terrestrialização absoluta do pensamento”: a humanidade está retida numa redoma, não podendo conceber nada além da existência factível. Na cosmovisão naturalista, perguntas com “porquês” são indignas de resposta, não fazem sentido. Entretanto, que questão “tola”, mas tão persistente, é essa da qual ainda não desistimos? Fugir dela não seria correr para longe da própria vida? Esquecê-la não é perder-se no tempo e na História? Tratá-la de forma fútil ou superficial não significa a amputação do lado mais nobre e maravilhoso do Real? Desprezá-la ou torná-la secundária não é o indício de uma profunda crise epistêmico-existencial? Por que não retomar a questão para que ela nos desafie e incomode?   

Conforme a abordagem do filósofo Kerry Walters, “o mundo apresenta-se diante de nós para ser racionalmente analisado, entendido e manipulado. Entretanto, em outro nível, o mundo revela-se para nós de maneiras que resistem à análise, mas estão mesmo assim carregadas de significado. O filósofo Gabriel Marcel descreveu essa dualidade de sentido como “problemática”, por um lado, e “misteriosa”, por outro.

O mundo traz, assim, dois tipos de categorias com as quais temos de lidar: o “problema” e o “mistério”. Sobre ambos, Kerry Walters esclarece: “Solucionar problemas [...] exige que assediemos o problema proposto até vencer sua perplexidade e transformá-lo em fórmula, operação ou invenção aproveitável. Em um mundo que valoriza cada vez mais técnicas que tragam resultados – em especial as associadas à ciência, tecnologia e negócios -, há o risco de reduzir toda a experiência humana à problemática. A redução é arriscada porque há uma dimensão da experiência humana fundamentalmente diferente da problemática, diz Marcel, e é importante respeitar sua integridade. É o domínio do mistério. [...] Quando confrontado pelo mistério, nem o conteúdo das técnicas nem o espírito competitivo, que funciona bem quando aplicado a problemas, são apropriados. O mistério não é um problema que pode ser atacado e dominado. [...] Um problema pode ser solucionado. Mas um mistério só pode ser experimentado. [...] A imersão no misterioso não gera o tipo de respostas geradas pela solução de problemas.

Feitas as considerações acima, de que forma o homem contemporâneo, muito envolvido com o “problema” da existência, tem encarado a outra face da vida: o “mistério”? Aceitando-o, eliminando-o ou aprisionando-o na teia na imanência?

Percebe-se que existe no pensamento atual a tentativa de se naturalizar o mistério, ou seja, prender a transcendência na imanência. Tal esforço reflete a crença de que para além da natureza não existe mais nada: filosofia muito em voga entre os adeptos da não crença, especialmente entre os assim chamados “ateus suaves”, que reconhecem o valor social e cultural da religião, mas descartam qualquer sentido sobrenatural intrínseco a ela. Para os tais, o sentimento religioso faz parte da natureza humana, porém procede do próprio homem e não de um suposto Deus capaz de Se autorrevelar. Dessa forma, as “experiências de pico” ou a espiritualidade dos “naturalistas religiosos” possuem características diferenciadas das experiências teístas: elas não se dirigem a um “quem”, mas a um “quê” - o mundo em si, o universo que aí está. O mistério seria apenas o senso de admiração e espanto diante da grandiosidade da realidade observável, um maravilhamento causado pela “imanensidão” (termo criado pelo poeta Jules Laforgue, do século 19, tomado emprestado pelo filósofo Andre Comte-Sponville). Nesse sentido, o físico Chet Raymo afirma: “Todo o aspecto do mundo natural [é] a manifestação ‘visível’ de uma ‘essência interior’ que é profunda e misteriosa além da minha compreensão. [...] Continuarei a rezar, se por oração você entende que eu quero dizer atenção para o mundo.”

Essa experiência mística ateia, ou transcendência intramundana, advinda da “magia da realidade”, constitui uma vivência extática sem qualquer elemento teológico ou sobrenatural. Em suma, um expediente que procura transformar o mistério em problema. Logo, não há a negação do mistério, mas existe a tentativa de separá-lo de qualquer transcendência, retendo-o no mundo. Dessa maneira, como resultado da crise metafísica na contemporaneidade, as espiritualidades não religiosas estão na moda, sem compromisso com doutrinas ou teologias tradicionais. O resultado bem peculiar desse tipo de “transcendência” vê-se na negação de qualquer teleologia ou propósito salvífico, individual ou cósmico, como declarou o filósofo britânico John Gray: “Não há salvação da espécie humana, mas nenhuma salvação é necessária.” Em seu pensamento, “a maior fronteira para a humanidade é a ilusão da teleologia, a crença de que haveria um propósito na vida e que este seria descoberto por meio do conhecimento e da revelação. Por causa dessa ‘ilusão’, a humanidade tem se torturado e angustiado e destruído ao longo da história”. A proposta de Gray é a de um “misticismo sem deus” ou “uma atitude contemplativa frente à vida, que nos permita agradecer o que surgisse em nossas histórias”.

Pela linha filosófica de Merleau-Ponty, “consciência metafísica não tem outros objetos que a experiência quotidiana, o mundo, os outros, a história humana, a verdade, a cultura. Todavia, em vez de considerá-los já existentes, consequências sem premissas, e como se procedessem de si mesmos, ela redescobre a sua estranheza, a sua “misteriosidade”, que não deixa de ser o milagre do seu manifestar-se. Assim entendida, a metafísica é a esfera que contraria o sistema. Pois, se um sistema é uma disposição ordenada de conceitos que torna imediatamente conciliáveis, compatíveis entre si, os aspectos da experiência, ele, de modo subjacente, suprime a consciência metafísica.

Pensando bem, é necessário encontrar a chave que abre as celas da prisão do sistema imanentista se se quiser dar o salto do sensível para o suprassensível, do racional em direção ao suprarracional. O primeiro passo, então, seria começar a priorizar o pensamento nas coisas do alto, apresentando uma defesa da metafísica teísta.   

Perdemos altura, largura e profundidade em nosso ser quando nos contentamos somente com a imanência, pois, em si mesma, ela é incompleta, limitada e insatisfatória, impedindo-nos de contemplar o que existe “lá fora”. As pessoas radicalmente imanentes assemelham-se às árvores de Fernando Pessoa – seres errantes neste mundo, que não sabem para que vivem nem sabem que não sabem: meros seres acidentais. Daí, toda rebeldia metafísica é uma prisão existencial. Para o teólogo Clodovis Boff, na gaiola do imanentismo “o mundo é sem fundamento e sem destino. É a concepção do mundo destituído de um absoluto que possa fundá-lo, sustentá-lo e consumá-lo. Tudo seria contingente, relativo, devir puro. Aqui não se percebe a ‘suspensão’ das coisas num Poder transcendente. Não se intui a ‘sustentação’ das coisas sobre um Fundamento originário. Veem-se ‘fatos’, mas não o ‘Fator’, isto é, quem os fez. Observam-se ‘dados’, mas não o ‘Dador’, ou seja, quem os deu. É como quem vê a água, mas não pensa na fonte; contempla a claridade, sem perceber a luz; olha o fruto e não nota a árvore.”

Esse “sufocamento racionalista de nossa cultura gera espaços e deixa descuidadas carências com o que a religião é substituída por pseudorreligiões, esoterismos e emocionalismos. As atuais explicações científicas do mundo deixam sem a devida atenção as necessidades de ordem e sentido do ser humano que tem de localizar-se no cosmo”, complementa o filósofo Juan Antonio Estrada.

Perder a consciência metafísica, abafando-a debaixo do mundo contingente e seus sistemas, significa: permanecer no interior da caverna platônica, recusar-se a chegar ao topo da montanha, existir em um monótono devir. Porque é sufocante viver sem a beleza daquele mistério que ultrapassa a razão, enlarguecendo-a, e aprofunda a existência. Assim, os desdobramentos radicais da imanência tais quais o ateísmo (na sua versão radical ou na mais recente “espiritualidade ateísta” que celebra o mundo natural e seus mistérios sem se importar com o Criador), o existencialismo, o neoestoicismo e o novo hedonismo, o humanismo, o cientificismo e outras filosofias assemelhadas - caminhos existenciais a ser percorridos pelo antimetafísico - nunca satisfizeram plenamente o intelecto e o coração humanos. Adotá-los na teoria e na prática significa a morte do sentido. Arremata Juan Estrada:

“As religiões potenciam a ânsia de Deus e alentam a buscá-lo, querem manter aberta a pergunta e que esta transcenda as ocupações imanentes. Recusam, portanto, um universo fechado, que se desentende das perguntas pelo todo ou as declara absurdas para concentrar-se no concreto e no imediato. Por isso, a dimensão transcendente, que encontra final na experiência da oração, no culto e na mística constitui um colofão essencial para a religião. Exatamente por recusar o sentido imanente da totalidade e buscar uma fundamentação transcendente, torna-se possível criticar as cosmovisões intra-históricas que afirmam o sentido da história e utopias que oferecem plenitude de significado a partir de meras construções humanas.”

O sistema imanentista causou uma espécie de surdez profunda no mundo, sobretudo nos círculos intelectuais. Apesar disso, o sistema não conseguiu o silenciamento completo da Voz da transcendência. Ela algumas vezes sussurra para nós; noutras, faz-se ouvir com altos brados por meio de nossas experiências. À semelhança do menino Samuel (1Sm 3:2-9), enquanto dormimos como crianças na noite deste mundo, existe a possibilidade de a consciência ser despertada pela “voz do além”. Discerni-la é sinal de sensibilidade. Responder a ela, no entanto, requer do ouvinte uma atitude prática que se traduza em submissão e obediência voluntárias: “Fala, porque o Teu servo ouve!” Nesse diálogo misterioso, a possibilidade da escuta e da fala enriquece a experiência existencial do homem.   

 Quando me refiro à metafísica, não posso olvidar o Deus pessoal do teísmo cristão, o qual Se diferencia nitidamente de uma mera ideia ou pensamento abstrato. NEle a transcendência se corporifica e se pessoaliza, tornando-se histórica e invadindo o tempo. Por toda a Bíblia – o manual da metafísica cristã -, mediante certos imperativos, Deus faz apelos ao ser humano: “Vem!”, “Sai!”, “Marcha!” Tais ordens, traduzidas em conselhos ou convites, constituem o chamado divino a fim de que o homem ultrapasse os limites de sua finita esfera de atuação para uma amplitude de vida superior. Vemos tal realidade concretizada, por exemplo, na saída de Abraão da Mesopotâmia, no episódio sobrenatural do êxodo do povo de Israel, no fim do exílio babilônico com o retorno dos judeus para Jerusalém ou mesmo no convite de Cristo feito a todo ser humano: “Vinde a Mim” (Mt 11:28). Indivíduos ou grupos são chamados para colocar os pés sobre nova e firme plataforma de vida, culminando no encontro com o Divino. São convocados a “atravessar a porta”, a dar o salto metafísico - algo comparado a um novo nascimento ou uma ressurreição. 
  
“Vem para fora!”

Para a humanidade, a morte é impenetrável mistério e forte barreira. Mesmo dispondo de todos os recursos científicos, não conseguimos superá-la nem vencê-la. Continuamos um bando de derrotados aguardando a hora de “entregar os pontos”. O mencionado poeta Fernando Pessoa, na sua perspectiva pessimista, arremata o triste fato: “O homem é um cadáver adiado”; o fim, então, uma questão de tempo.

Por que a morte persegue a vida, colocando-lhe um ponto final? Por que o mal? Não seria o caso de ambos terem sua origem na deliberada ruptura do mundo com o Transcendente? O episódio bíblico da ressurreição de Lázaro, em que Jesus Cristo (Deus encarnado, na fé cristã) adentra o tempo e a história, faz-nos refletir. O relato, exposto no capítulo 11 do Evangelho de João, traz uma tremenda manifestação de transcendência evidenciada de forma notável e pública.

Lázaro havia sido vítima de enfermidade fatal. Sob dolorosíssimo pranto daqueles que o amavam, foi sepultado. O próprio Jesus Cristo, que declarara “Eu sou a ressurreição e a vida”, derramou lágrimas diante da sepultura de um de Seus mais queridos amigos – choro divino que ia além da tristeza humana: “Pesava sobre Ele a dor dos séculos”, expressou sensível escritora. Contudo, em meio à curiosidade de alguns e consternação e acabrunhamento de outros - amigos e inimigos Seus que testemunhariam aquela cena memorável -, pairava a expectativa: O que Ele fará? Afirma o texto escriturístico: “Jesus, pois, movendo-Se outra vez muito em Si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus: Tirai a pedra” (Jo 11:38,39). Tais palavras são significativas nesta era pós-moderna de incredulidade, dúvida, morte, tédio e dissolução de metanarrativas.  

A crise de sentido e fé, gerada pelo afastamento voluntário (emocional e intelectual) da criatura em relação ao Criador, trouxe ao homem contemporâneo grave enfermidade em seu ser, bastante perceptível nos sintomas doentios vistos nas sociedades modernas. Com a transvaloração dos valores, sobreveio uma enxurrada de violência, corrupção, imoralidade e relativismo quase absoluto. Estamos morrendo. Ainda assim, à sua maneira, o homem luta por “um mundo melhor”, apenas para testemunhar o próprio fracasso em estabelecer o progresso sobre a Terra. Nem a ciência nem a técnica, tampouco a ética derivada do racionalismo ou os sistemas políticos mais democráticos e liberais, conseguiram erguer ou transformar a humanidade, a qual se vê num beco sem saída. O homem consciencioso e não anestesiado por ilusões vislumbra agora o seu desaparecimento no horizonte da história. Percebe a extinção dos seus sonhos e esperanças. Prevê a aproximação de seu epílogo existencial quando, à semelhança de Lázaro, será posto num sepulcro selado para se deteriorar e se desfazer completamente no pó. Infelizmente, esta é a certeza de todos nós ilustrada pela declaração do filósofo Schopenhauer, que via na morte a musa da filosofia: “Parecemo-nos com carneiros a brincar na relva, enquanto o açougueiro, com os olhos, está a escolher alguns entre eles; pois nestes bons tempos não sabemos que infelicidade precisamente agora o destino está nos preparando: doença, perseguição, empobrecimento, mutilação, cegueira, loucura, morte, etc.” Noutras palavras, “o homem é uma sombra feita de átomos. O ser humano não passa de mais um recurso mineral”. Para esse triste quadro não haveria uma boa notícia trazida de fora?

Jesus moveu-Se e veio ao sepulcro. No pensamento filosófico ocidental, prevalece a ideia da “morte de Deus”. Em A gaia ciência, Nietzsche pretendeu trazer uma trágica convicção aos seres humanos que ainda se apegavam a qualquer tipo de metafísica, sobretudo a cristã: “Deus está morto, mas tal e como é a espécie humana, possivelmente haverá durante milênios grutas em que se mostre sua sombra. E nós... nós devemos ainda vencer sobre sua sombra.” É verdade: a “sombra de Deus” persiste em ficar conosco. Todavia, ela não se acha retida em grutas (igrejas?), mas se move por cima do mundo que procura afugentá-la, querendo propiciar frescor e proteção contra o escaldante calor de nossa árida situação. Encontra-se viva, operando dentro de nossa realidade morta.

Como sentir Deus em um mundo morto? O homem, de si mesmo, não é capaz de ir ao encontro do Transcendente, apesar de tentar com sua lógica ineficiente e suas pesquisas ineficazes. Por meio de caminhos equivocados, tateia na escuridão. É Deus quem Se move na direção do “sepulcro”, Ele é a Luz incidente sobre a entrada da caverna.

 “Tirai a pedra.” O que impede a transcendência de entrar na experiência humana? A “pedra no caminho”. Torna-se necessário, portanto, rolar a pedra para que o salto qualitativo seja dado, sem impedimentos ou obstáculos. Então, e só então, a Voz será ouvida e o homem sairá do sepulcro para nova e ressurreta realidade. Neste primeiro convite de Cristo, há um apelo à vontade humana, não uma coerção ou ordem forçada. O homem, sob a sugestão de Deus, precisa agir. Se a pesada pedra - que bem pode ser uma metáfora da vontade do homem em permanecer preso e morto no seu sistema - não for afastada, a ordem divina (agora, sim, uma manifestação de poder) jamais acontecerá.

O filósofo Gabriel Marcel acentuou: “Toda fé autêntica está enraizada no ser e no mistério. O indivíduo só se realiza quando reafirma a transcendência de Deus e sua própria condição de criatura de Deus. A fé se converte então no ato ontológico mais significativo.” Se é assim, que a pedra posta na entrada da mente e do coração seja afastada! Bem perto, há Alguém olhando para os sepulcros humanos, pronto a dizer com autoridade: “Vem para fora!” Quem sairá do “sepulcro” ao chamado de Deus?

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe)

quinta-feira, outubro 06, 2016

Sete erros fatais do relativismo moral

Não depende do que você vê
“A consciência/percepção de moralidade leva a Deus tanto quanto a consciência/percepção de queda de maçãs leva à gravidade.” Roger Morris

Roger Morris, do site Faithinterface, com base no livro Relativism – Feet Firmly Planted in Mid-Air, de Francis Beckwith e Gregory Koukl, elaborou a lista que segue, com sete erros fatais do Relativismo moral. Francis Beckwith é professor e filósofo, especialista em política, direito, religião e ética aplicada. Gregory Koukl é apologista cristão, fundador da Stand To Reason, organização dedicada à defesa da cosmovisão cristã. O relativismo moral é um tipo de subjetivismo que sustenta que as verdades morais são preferências muito parecidas com os nossos gostos em relação a sorvete, por exemplo. O relativismo moral ensina que quando se trata de moral, do que é eticamente certo ou errado, as pessoas podem e devem fazer o que quer que sintam ser o certo para elas. Verdades éticas dependem de indivíduos, grupos e culturas que as sustentam. Porque acreditam que a verdade ética é subjetiva, as palavras como devem ou deveriam não fazem sentido porque a moral de todo mundo é igual; ninguém tem a pretensão de uma moral objetiva que seja pertinente aos outros. O relativismo não exige um determinado padrão de comportamento para todas as pessoas em situações morais semelhantes. Quando confrontadas com exatamente a mesma situação ética, uma pessoa pode escolher uma resposta, enquanto outra pode escolher o oposto. Não há regras universais de conduta que se apliquem a todos.

O relativismo moral, num sentido prático, é completamente inviável. Que tipo de mundo seria o nosso se o relativismo fosse verdade? Seria um mundo em que nada estaria errado – nada seria considerado mau ou bom, nada digno de louvor ou de acusação. A justiça e a equidade seriam conceitos sem sentido, não haveria responsabilização, não haveria possibilidade de melhoria moral, nem discurso moral. Um mundo em que não haveria tolerância. Este é o tipo de mundo que o relativismo moral produz. Vejamos os sete erros fatais do relativismo:

1. Relativistas morais não podem acusar outras pessoas de má conduta. O relativismo torna impossível criticar o comportamento dos outros, porque, em última análise, nega a existência de algo como “má conduta”. Se alguém acredita que a moralidade é uma questão de definição pessoal, então abre mão da possibilidade de fazer juízos morais  objetivos sobre as ações dos outros, não importa quão ofensivas elas sejam para o seu senso intuitivo de certo ou errado. Isto significa que um relativista não pode racionalmente se opor ao assassinato, ao estupro, ao abuso infantil, ao racismo, ao sexismo ou à destruição ambiental, se essas ações forem consistentes com o entendimento pessoal sobre o que é certo e bom por parte de quem as pratica . Quando o certo e o errado são uma questão de escolha pessoal, nós abdicamos do privilégio de fazer julgamentos morais sobre as ações dos outros. No entanto, se estamos certos de que algumas coisas devem ser erradas e que alguns julgamentos contra a conduta de outros são justificados – então o relativismo é falso.

2. Relativistas não podem reclamar do problema do mal. A realidade do mal no mundo é uma das primeiras objeções levantadas contra a existência de Deus. Toda esta objeção se fundamenta na observação de que existe mal verdadeiro. Mas mal objetivo não pode existir se os valores morais são relativos ao observador. O relativismo é inconsistente com o conceito de que o mal moral verdadeiro existe, porque nega que qualquer coisa possa ser objetivamente errada. Se não existe um padrão moral, então não pode haver desvio do padrão. Assim, os relativistas devem abandonar o conceito de verdadeiro mal e, ironicamente, também abandonar o problema do mal como um argumento contra a existência de Deus.

3. Relativistas não podem condenar alguém ou aceitar elogios. O relativismo torna os conceitos de louvor e condenação sem sentido, porque nenhum padrão externo de medição define o que deve ser aplaudido ou condenado. Sem absolutos, nada é, em última análise, ruim, deplorável, trágico ou digno de condenação. Nem é qualquer coisa, em última análise, boa, honrada, nobre ou digna de louvor. Relativistas são quase sempre inconsistentes nesse ponto, porque eles procuram evitar condenação, mas prontamente aceitam elogios. Se a moralidade é uma ficção, então os relativistas também devem remover as palavras aprovaçãocondenação de seus vocabulários. Mas se as noções de elogio e crítica são válidas, então o relativismo é falso.

4. Relativistas não podem fazer acusações de parcialidade ou injustiça. De acordo com o relativismo, as noções de equidade e justiça são incoerentes, já que ambos os conceitos ditam que as pessoas devem receber igualdade de tratamento com base em alguma norma externa acordada. No entanto o relativismo acaba com qualquer noção de normas vinculativas externas. Justiça implica punir aqueles que são culpados de um delito. Mas, sob o relativismo, a culpa e a condenação não existem – se nada for finalmente imoral, não há acusação e, portanto, nenhuma culpa digna de punição. Se o relativismo é verdadeiro, então não há tal coisa como justiça ou equidade, porque ambos os conceitos dependem de um padrão objetivo do que é certo. Se, porém, as noções de justiça e equidade fazem sentido, então o relativismo é refutado.

5. Relativistas não podem melhorar a sua moralidade. Relativistas podem mudar a sua ética pessoal, mas eles nunca podem se tornar pessoas melhores. De acordo com o relativismo, a ética de uma pessoa nunca pode se tornar mais ‘moral’. A ética e a moral podem mudar, mas nunca podem melhorar, já que não existe um padrão objetivo pelo qual medir esse melhoramento. Se, no entanto, o melhoramento moral parece ser um conceito que faz sentido, então o relativismo é falso.

6. Relativistas não conseguem manter discussões morais significativas. O que há para falar? Se a moral é totalmente relativa e todas as opiniões são iguais, então não há uma maneira de pensar melhor do que outra. Não há uma posição moral  que possa ser considerada como adequada ou deficiente, razoável, aceitável, ou até mesmo bárbara. Se disputas éticas só fazem sentido quando a moral é objetiva, então o relativismo só pode ser vivido de forma consistente se seus defensores ficarem em silêncio. Por esta razão, é raro encontrar um relativista racional e consistente, já que a maioria deles são rápidos para impor suas próprias regras morais, como, por exemplo, “é errado forçar sua própria moralidade nos outros”. Isso coloca os relativistas em uma posição insustentável: se falam sobre questões morais, eles abandonam seu relativismo; se não falam, eles abrem mão de sua humanidade. Se a noção de discurso moral faz sentido intuitivamente, então o relativismo moral é falso.

7. Relativistas não podem promover a obrigação de tolerância. A obrigação moral relativista de ser tolerante é autorrefutante. Ironicamente, o princípio da tolerância é considerado uma das virtudes principais do relativismo. A moral é individual, assim eles dizem, e, portanto, devemos tolerar os pontos de vista dos outros e não julgar seu comportamento e atitudes. No entanto, se não existem regras morais objetivas, não pode haver nenhuma regra que exija a tolerância como um princípio moral que se aplica igualmente a todos. De fato, se não há absolutos morais, por que ser tolerante afinal? Relativistas violam seu próprio princípio de tolerância quando não conseguem tolerar as opiniões daqueles que acreditam em padrões objetivos morais. Eles são, portanto, tão intolerantes quanto frequentemente acusam os que defendem a moral objetiva de ser. O princípio de tolerância é estranho ao relativismo. Se, por outro lado, a tolerância parece ser uma virtude, então o relativismo é falso.

O relativismo moral é falido. Não é um verdadeiro sistema moral. É autorrefutante. E hipócrita. É logicamente inconsistente e irracional. É seriamente abalado com simples exemplos práticos. Torna ininteligível a moralidade. Nem mesmo é tolerante! O princípio de tolerância só faz sentido em um mundo no qual existem absolutos morais, e somente se um desses padrões absolutos de conduta for “Todas as pessoas devem respeitar os direitos dos outros que diferem em conduta ou opinião”. A ética da tolerância pode ser racional somente se a verdade moral for objetiva e absoluta, não subjetiva e relativa. A tolerância é um princípio “em casa” no absolutismo moral, mas é irracional de qualquer perspectiva do relativismo ético.

terça-feira, outubro 04, 2016

Universitário de 9 anos quer provar que Deus existe

Garoto-prodígio
Aos 9 anos, William Maillis já é formado no ensino médio em Penn Towship, na Pensilvânia, Estados Unidos. Atualmente, ele cursa o ensino superior na Community College of Allegheny County, para se acostumar à vida universitária e pleitear uma vaga em uma instituição maior, como a Carnegie Mellon University. Seu objetivo é estudar física e provar que Deus existe. De acordo com o site da revista People, o menino quer atestar que somente uma força externa seria capaz de formar o Universo. Para conseguir avançar em seus estudos, William pretende se aprofundar em física e química, fazer um doutorado e trabalhar como astrofísico. Dessa forma, ele tentaria mostrar que teorias dos físicos Albert Einstein e Stephen Hawking sobre o Universo não estão corretas.

A família da criança afirma à People que, desde bebê, o desempenho de William já se destacava em comparação às pessoas da mesma idade: aos 2 anos, ele fazia contas de multiplicação, lia e escrevia; aos 4, aprendeu grego; aos 5, sabia geometria e, aos 7 anos, dominava conceitos de trigonometria.


Nota: Gödel já escreveu uma prova matemática da existência de Deus no teorema ontológico. Aguarde para breve uma postagem sobre isso. Por hora, quero destacar a motivação do pequeno William: estudar para advogar pelo teísmo. Um grande exemplo para jovens cristãos em geral e adventistas, em específico. Devemos sempre utilizar nossos dons e conhecimentos para o bem das pessoas e empregá-los em causas que valham a pena. O conhecimento regido por Deus é uma bênção e Ele o transforma em sabedoria. Sem Deus, acaba se tornando fútil e, às vezes, uma maldição. Que mais jovens de fé ingressem nos campi universitários para fazer frente ao ateísmo militante e ao secularismo imposto de maneira arbitrária. [MB]