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quinta-feira, janeiro 05, 2023

Universidade de Oxford conclui que todos nós somos parentes

Pesquisadores usaram 3.601 genomas modernos e oito genomas antigos como base para provar nossa ancestralidade.

Fazer sua própria árvore genealógica é uma atividade comum nos primeiros anos de escola. A ideia é começar por você e ir listando seus antepassados, os antepassados dos seus antepassados, os antepassados deles e por aí vai. Entretanto, pesquisadores da Universidade de Oxford elevaram o nível dessa tarefa escolar: fizeram a árvore genealógica de toda a humanidade. De acordo com essa pesquisa, todos nós somos parentes. A conclusão vem após o estudo de 3.601 genomas modernos e oito genomas antigos.

“Os seres humanos estão todos relacionados entre si”, diz Gil McVean, da Universidade de Oxford. “O que eu sempre quis fazer é ser capaz de representar a totalidade do que podemos aprender sobre a história humana por meio dessa genealogia”. Para o pesquisador, agora há a possibilidade de construir a genealogia de todos. Dessa forma, segundo ele, as pessoas podem dar descrições mais complexas de si, ao invés de falar simplesmente: “Sou europeu” ou “Sou africano”.

A árvore genealógica feita por Oxford aponta que nossas raízes começam no nordeste da África. Além disso, dá pistas de que as pessoas chegaram à Nova Guiné e às Américas milhares de anos antes do que está nos registros arqueológicos. O mais provável, de acordo com os cientistas, é que os seres humanos se desenvolveram primeiro no continente africano – mais especificamente na região onde hoje é o Sudão. Depois, começaram as suas migrações.

Entretanto, essa teoria é considerada “simplista” por muitos arqueólogos e antropólogos. A maioria deles acredita que havia povos espalhados por toda a África, que, às vezes, eram separados ou cruzados. Dessa forma, a humanidade teria não apenas uma origem, mas várias.

McVean disse que a descoberta da árvore genealógica também é compatível com essa teoria. “Há linhagens muito profundas na África que sugerem a noção de que existem populações de origem múltipla, profundamente divergentes, representando divisões realmente antigas”, completa.

Gil McVean acredita que há três possíveis soluções para esse dilema: a primeira é de que a pesquisa está errada e a segunda é de que as pessoas estiveram em outros lugares antes de estarem na África. Entretanto, a terceira explora um cenário um pouco mais complexo. Segundo o pesquisador, as primeiras pessoas que povoaram as Américas vieram do leste da Ásia. A teoria é de que a população de onde elas vieram tenha morrido por lá. Isso significaria que, na verdade, os genes da população americana sejam variantes de pessoas que vieram da Ásia.

A trajetória completa dos seres humanos ainda está longe de ser completa. Entretanto, já se sabe o bastante para dizer que nossos ancestrais são os mesmos se colocarmos galhos suficientes na árvore. Além disso, à medida que novos genomas são sequenciados e catalogados, a estrutura fica ainda mais abrangente.

(New Scientist, via Escola Educação)


segunda-feira, agosto 02, 2021

Histórias sobre a origem humana são incompatíveis com registro fóssil

Em pesquisa publicada no início de maio de 2021, o pesquisador Sergio Almécija, da Divisão de Antropologia do Museu de História Natural Americano, afirma que há dificuldade em conciliar o registro fóssil e a narrativa da evolução humana defendida pela teoria da evolução. 
A frase “o homem veio do macaco” representa um raciocínio errado, mas é muito popular quando mencionado o paradigma da evolução, especialmente a humana. De acordo com a teoria da evolução popularizada e sistematizada por Darwin no século 19, a vida teria surgiu muito tempo atrás, de forma espontânea e ao longo dos milhões de anos, e pela ação da seleção natural foi se diversificando e produzindo todas as formas de vida que conhecemos hoje.

Darwin ainda no século 19, em seu livro A descendência do homem e seleção em relação ao sexo afirmou, sem base alguma de registro fóssil, que, de acordo com o conceito da ancestralidade comum, teríamos surgido do mesmo ancestral que deu origem aos macacos. Como os símios são encontrados na África, ele afirmou que os seres humanos teriam surgido naquele continente e de lá se espalhado para todos os cantos do mundo.




domingo, junho 28, 2020

Série “Raça e as Escrituras”

A morte de George Floyd, em 25 de maio de 2020, iniciou um movimento mundial de protestos que levou pessoas a se ajoelharem nas ruas de Nova York a São Paulo, removeu estátuas de proprietários de escravos dos Estados Unidos à Inglaterra e evidenciou uma manifestação de solidariedade que transcende as divisões raciais tradicionais. Diferentemente das três grandes ondas de protestos que marcaram os anos 1919, 1943 e 1968 nos Estados Unidos, nas últimas semanas, milhares de manifestações em várias partes do planeta demonstraram ser interraciais. Negros, asiáticos, brancos e pardos foram às ruas e inundaram as redes sociais com postagens indicando que, aparentemente, uma nova fase de oposição ao racismo sistêmico esteja iniciando.

Como cristãos, não podemos fazer de conta que as discussões relacionadas ao tema raça e cor não dizem respeito a nós ou ao dia-a-dia dos nossos irmãos. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que eventos bíblicos como a marca de Caim (Gênesis 4:15) e a maldição de Cam (Gênesis 9:27) têm desempenhado um papel central no processo de moldar atitudes raciais nos últimos quatro séculos e têm sido utilizados para justificar a escravatura e a segregação.

Na série "Raça e as Escrituras", o pastor Silvano Barbosa, PhD, apresenta cinco episódios nos quais aborda o tema “Raça e Cor” à luz da Palavra de Deus. Assista aos vídeos abaixo.
  




terça-feira, agosto 20, 2019

Eu: primata bípede ou ícone de Deus?


Toda pessoa já fez ou fará esta pergunta existencial: “Quem sou eu?” Com a mão no queixo ou coçando a cabeça, somos impulsionados por um imperativo que instiga o pensamento à procura da verdade sobre a natureza humana com suas dimensões biológica, psíquica e espiritual. Mediante a ciência, a filosofia, a religião e outros caminhos epistemológicos – ou até mesmo pela via do senso comum –, o Homo sapiens vasculha suas origens remotas, lançando mão do conhecimento que lhe é possível ter. Ele não se conforma em ignorar o berço ancestral do seu nascimento. “Quem sou eu?” constitui uma indagação das mais desafiadoras e enigmáticas que só pode ser respondida, em sentido último, por meio de metanarrativas apoiadas em algum tipo de metafísica/revelação. Porém, essa pergunta nos coloca diante de outra questão dicotômica ainda mais interessante: “Sou um ser com ascendência animal – entrelaçado em relações filogenéticas evolutivas e pertencente à família hominidae – ou alguém sem o mínimo parentesco com as criaturas irracionais, um filho de Deus?” Sejam quais forem as evidências para sustentar uma tese ou outra, o misterioso aparecimento da humanidade na Terra passa por duas narrativas conflitantes, as quais, por meio dos dados disponíveis, constroem, cada uma, a sua ciência histórica.

Na versão contada pelo conhecido paleoantropólogo Richard E. Leakey, a pergunta “Quem sou eu?” é respondida assim: “A partir de linhas de indícios diferentes – alguns genéticos, alguns fósseis –, sabemos [sic] que a primeira espécie humana evoluiu há cerca de sete milhões de anos. Na época em que o Homo erectus surgiu em cena, há quase dois milhões de anos, a pré-história humana já estava em marcha. Não sabemos ainda como muitas espécies humanas viveram e morreram antes do aparecimento do Homo erectus; houve pelo menos seis, e talvez o dobro desse número. Entretanto, sabemos de fato [sic] que todas as espécies humanas que viveram antes do Homo erectus eram, embora bípedes, marcadamente simiescas em muitos aspectos. Elas tinham cérebros relativamente pequenos, suas maxilas eram prognatas (isto é, projetavam-se para a frente), e a forma de seus corpos era mais simiesca do que humana em aspectos particulares, tais como o peito em forma afunilada, pescoço pequeno e nenhuma cintura.”[1]

Detalhes à parte, na mesma esteira vai o historiador israelense Yuval Noah Harari: “Gostemos ou não, somos membros de uma família grande e particularmente ruidosa chamada grandes primatas. Nossos parentes vivos mais próximos incluem os chimpanzés, os gorilas e os orangotangos. Os chimpanzés são os mais próximos. [...] Os humanos surgiram na África Oriental há cerca de 2,5 milhões de anos, a partir de um gênero anterior de primatas chamados Australopithecus, que significa ‘macaco do Sul’. Por volta de dois milhões de anos atrás, alguns desses homens e mulheres arcaicos deixaram sua terra natal para se aventurar e se assentar em vastas áreas da África do Norte, da Europa e da Ásia.”[2]

Sabe-se, cientificamente, que o nascimento da humanidade ocorreu segundo a maneira contada pelos autores acima, ou tudo não passa de artifício hipotético fundamentado em certa visão de mundo e nas interpretações equivocadas dos resquícios paleoantropológicos encontrados em algumas regiões da Terra? Gostemos ou não, essa forma de encarar a origem do homem possui inúmeros problemas que esbarram na ciência empírica e laboratorial, percebidos por mentes críticas bem informadas, entre as quais encontram-se até mesmo estudiosos crentes no “fato” da evolução. David Pilbeam, paleontólogo norte-americano, por exemplo, honestamente reconheceu: “Praticamente todas as nossas teorias sobre as origens humanas desenvolveram-se relativamente à margem do registro fóssil. Nossas teorias frequentemente têm dito mais sobre suposições sobre o que de fato ocorreu.”[3]

A controvérsia prossegue. Ainda assim, o poder explanatório da teoria da evolução persuadiu – além de grandes cientistas – muitos religiosos, teólogos e igrejas cristãs a se renderem ao discurso que usa áreas da ciência para apoiar especulações baseadas em extrapolações de dados; pois, em tal perspectiva, se estes não forem interpretados “à luz da evolução”, nada fará sentido em biologia, em antropologia ou em qualquer saber que tenha o homem por objeto de estudo. Contudo, embora o pensamento evolucionista domine a comunidade científica, soam representativas vozes discordantes que, com argumentos plausíveis, apresentam o contraponto capaz de fazer frente à quase universal doutrina do transformismo macroevolucionário.

A outra narrativa, também alicerçada nos fatos da ciência e ancorada na concepção teísta de mundo, conta-nos algo exclusivo e extraordinário, mas digno de apreciação: “E disse Deus: Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança [...]. E criou Deus o homem à Sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:26, 27). Nessa versão, os primeiros humanos, representados pelo casal Adão e Eva, tiveram origem diferenciada e especial, à parte dos demais seres vivos. Tal pressuposição advinda da Bíblia, circunscrita à estrutura conceitual criacionista, é vista por muitos como um conto mágico e indigno de consideração científica. Todavia, apesar do preconceito, das distorções e da incompreensão acerca desse modelo, não se pode deixar de se encantar e de se atrair pela beleza e lógica da exposição teísta: “Depois que a Terra com sua abundante vida animal e vegetal fora suscitada à existência, o homem, a obra coroadora do Criador, e aquele para quem a linda Terra fora preparada, foi trazido em cena. A ele foi dado domínio sobre tudo que seus olhos poderiam contemplar; pois ‘disse Deus: Façamos o homem a Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança’ [...]. Aqui está claramente estabelecida a origem da raça humana; e o relato divino refere tão compreensivelmente que não há lugar para conclusões errôneas. Deus criou o homem à Sua própria imagem. Não há aqui mistério. Não há lugar para a suposição de que o homem evoluiu, por meio de morosos graus de desenvolvimento, das formas inferiores da vida animal ou vegetal. Tal ensino rebaixa a grande obra do Criador ao nível das concepções estreitas e terrenas do homem. [...] A genealogia de nossa raça, conforme é dada pela inspiração, remonta sua origem não a uma linhagem de micróbios, moluscos e quadrúpedes a se desenvolverem, mas ao grande Criador. Posto que formado do pó, Adão era filho ‘de Deus’ (Lucas 3:38).”[4] Guiados pela inspiração bíblica, reflitamos um pouco sobre esse relato incomum mas passível de credibilidade.

Trazendo a humanidade à existência, ao invés de usar a palavra (num ato de solitária ordem: “Haja!”, “ajuntem-se!”, “produza!”, “povoem-se!”), as pessoas da Divindade dialogam entre Si e compartilham a alegria de formar um ser peculiar. Em ação sublime e irrepetível, repleta de carinho, cuidado, perícia, propósito e amor, surgem homem e mulher envolvidos em glória e perfeição. Não criaturas bestiais, descendentes de uma linhagem de seres inferiores, e sim o ápice do fiat divino. Portanto, “embora partilhe com animais determinados aspectos físicos, o que é razoável visto dever, como eles, viver no mesmo mundo, respirando o mesmo ar e participando dos mesmos ciclos vitais, o homem emerge da natureza qual autêntica obra-prima da Criação. Do ponto de vista da classificação científica, todos os seres vivos, incluindo o homem, são colocados em um dos dois grupos. Ou são plantas ou são animais [...]. Por mais que o homem se pareça com os animais, estritamente do ponto de vista dos anatomistas e fisiologistas, mesmo assim as diferenças não são imaginárias [...]. Um macaco pode olhar um céu estrelado, mas unicamente o homem pode ponderar a sua significação [...]. É esta considerável diferença entre a mente humana e a mente dos animais que eleva o homem acima de qualquer classificação com os brutos [...]. Quando consideramos a anatomia e os processos biológicos do homem, em verdade, ‘a vantagem do homem sobre os animais não é nenhuma’ [...]. Os animais se sobrepõem ao homem em todos os sentidos que ele possui, e mesmo assim o homem estabeleceu seu domínio sobre a terra através do maravilhoso mecanismo da sua incomparável mente”.[5]

Formado do pó da terra e com o fôlego de vida a animá-lo, o homem reúne em si, numa inter-relação harmoniosa e indivisível, as dimensões física, mental e espiritual. Sua origem superior aponta para um destino excelente: o de usufruir a presença de Deus, experimentando-O no corpo por meio dos sentidos, alargando seu horizonte mental e adorando-O em espírito. Sendo “tridimensional”, o homem equilibra-se sobre a forte base de sua natureza marcada pelo divino.

O “pó da terra” é o elemento que nos mantém ligados ao restante da criação, a lembrança de que somos seres físicos, dependentes, finitos; o “fôlego de vida” simboliza o elo afetivo-espiritual entre criatura e Criador, apontando-nos a eternidade como alvo. Pessoa alguma alcança plenitude de vida exagerando a importância da matéria, dos sentidos, da imanência - elementos promotores do hedonismo e existencialismo humanista. Do contrário, esquecer e desprezar os deveres relacionados ao mundo material e social para se dedicar a uma existência de ascetismo, desconsiderando o mundo sensível, constitui convite à alienação que empurra o indivíduo para um abismo de abstração e incompletude, derivado de vaga e fluida metafísica. Na criação, matéria e fôlego combinaram-se fazendo do homem ser vivente pleno.       

Colocados num patamar de superioridade, homem e mulher erguem-se como rei e rainha do planeta. Coube-lhes a responsabilidade de serem tutores da Terra, administrando os variados ambientes do mundo - céus atmosféricos, águas e terra. Nesse domínio veio embutido o dom da ciência, podendo haver interferência e controle em cada espaço do planeta. De algum modo, fazendo uso do conhecimento e habilidades concedidos pelo Criador, o homem seria capaz de viajar às profundidades aquáticas, elevar-se a grandes altitudes e percorrer a largura e o comprimento do mundo. Eis o poder com o qual a raça foi dotada no princípio, porquanto a Terra deveria ser conhecida da forma mais abarcante possível. Afinal, era a sua morada cósmica, devendo cada compartimento da “casa” tornar-se familiar ao morador. Encerra-se a obra divina no sexto dia, sob feliz avaliação: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1:31).

O Criador abençoou os primeiros humanos com um lar-jardim, locus de deleite e paz inserido na Terra paradisíaca. Nessa bênção estavam inclusas: as relações sociais representadas nos vários laços que passariam a existir (“sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra”); a administração benigna do planeta envolvendo o cuidado das criaturas e do ambiente, a dádiva do prazer ao experimentarem os suprimentos de Deus e o descanso do sétimo dia. Além disso, uma ordem foi imposta a fim de se lembrarem dos limites de sua natureza e de que não eram seres infinitos nem deuses. “Não comerás do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal” jamais significou uma restrição esdrúxula e arbitrária, mas sábio comando que, se obedecido, garantiria vida e felicidade eternas e revelaria a confiança do homem nas palavras de Deus. Para tristeza do Universo, infelizmente experimentamos o “sabor da morte” ao devorarmos o mal como a uma iguaria. Todavia, para alegria dos caídos deste mundo e dos não caídos seres que observaram o “espetáculo da desgraça humana”, uma porta de escape foi aberta ao inaugurar-se o plano de redenção. 

Em Observações filosóficas, Ludwig Wittgenstein interpela o leitor com a seguinte proposta: “Diga-me como você procura e lhe direi o que você procura”. Mais adiante, o filósofo expande o raciocínio: “O modo como você procura expressa de alguma forma o que você espera [encontrar]”. Por fim, ele arremata: “Uma pergunta denota um método de procura”. Na busca pelas origens humanas, temos muitas perguntas a fazer. A partir delas, construímos nosso método de investigação, talvez marcado por jogos de linguagem. O que esperamos encontrar acerca de nós mesmos? Aristóteles afirmou que “o homem é por natureza um animal político; Schopenhauer, por sua vez, declarou que “é um animal metafísico”. Já o primatólogo Frans de Waal conclui especulativamente: “Se em nossa essência somos grandes primatas, como eu suponho, ou se pelo menos descendemos da mesma linhagem dos outros grandes primatas, como todo biólogo (sic) supõe, nascemos com uma gama de tendências que vão das mais vis às mais nobres. [...] Podemos ser primatas perversos, mas isso é explicável e benéfico para o mundo”6. O fenômeno humano continua um controverso mistério. Quem sou eu? Pelo modo criacionista de enxergar a humanidade, não sou nem animal primata, nem anjo, nem demônio; tampouco divindade. Embora caído, continuo um ser edênico: ícone de Deus.

Frank de Souza Mangabeira

Referências:
1. Leakey, Richard. (1997). A origem da espécie humana; trad. Alexandre Tort. Rio de Janeiro: Editora Rocco Ltda.
2. Harari, Yuval Noah. (2017). Sapiens: uma breve história da humanidade; trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L & PM.
3. Ap. Flori, Jean; Rasolofomasoandro, Henri. Em Busca das Origens: evolução ou criação? Madri: Editorial Safeliz, 2002, p. 281.
4. White, Ellen G. (2003). Patriarcas e ProfetasCasa Publicadora Brasileira: Tatuí, São Paulo.
5. Marsh, Frank Lewis. Estudos sobre criacionismo. Casa Publicadora Brasileira: Santo André, São Paulo.
6. Waal, Frans de. (2007). Eu, primata: por que somos como somos. Companhia das Letras.

quinta-feira, janeiro 11, 2018

Adão tinha umbigo?

Essa questão simples e que parece irrelevante já criou muitos problemas. Na Idade Média e no Renascimento, por exemplo, os pintores e artistas ficavam com dúvidas se deviam retratar Adão com ou sem umbigo. Muitos resolviam o problema pintando uma enorme folha na região pélvica. Além de esconder as partes genitais, escondia-se com isso o umbigo também. O teólogo John MacArthur afirma que Michelangelo, ao pintar seu mais famoso afresco na capela Sistina, “A Criação de Adão”, teria exagerado no umbigo do primeiro pai terrestre, o que lhe valeu observações repressivas por parte de alguns teólogos da época.

O umbigo é uma cicatriz resultante da queda natural do cordão umbilical, e costuma manifestar-se como uma depressão na pele. A partir do modelo criacionista, Adão jamais esteve em um útero e foi criado já adulto e pronto, conforme a Bíblia expõe em Gênesis 2:7: “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.”

A questão surge ao entendermos a seguinte asserção: Adão não nasceu, logo não teve umbigo. No entanto, alguns teólogos defendem que Deus criou um ser perfeito e completo, como um ser adulto. Então Adão teria sido criado com umbigo. Deus fez isso para deixar Adão igual aos demais homens e mulheres que dele seriam descendentes. O que parece confirmar esse argumento é o fato de que sendo criados já adultos, Adão e Eva não tiveram, provavelmente, de enfrentar as mudanças da puberdade, o nascimento de pelos, cabelos e dentes. Estes últimos já estavam lá para eles partilharem da primeira refeição.

Relacionado com esse tema seria interessante perguntar: Adão tinha mamilos? No processo de desenvolvimento do feto, os mamilos aparecem em machos e fêmeas. Mas o homem não apresentará o complexo fisiológico da produção do leite – o qual é mediado pela ação da oxitocina. Nas mulheres, esses complexo hormonal começa a ser fabricado horas depois do parto. O que se percebe é projeto inteligente que determina a diferenciação entre os sexos e suas funções.

Assim, os hormônios fazem com que os homens tenham mamilos diferenciados das mulheres. Entendemos que homem e mulher foram criados com estruturas anatômicas, genéticas e hormonais prontas “para o uso com sucesso”.

(Alexandre Kretzschmar, Onze de Gênesis)

Clique aqui para ler mais sobre a questão dos mamilos masculinos.

segunda-feira, novembro 27, 2017

Descoberta sugere que humanos conviveram com megafauna

Ferramentas de pedra, fogueiras e adornos recém-encontrados no Mato Grosso e datados de quase 30 mil anos [segundo a cronologia evolucionista] têm dado combustível a uma discussão histórica na arqueologia moderna: a data de chegada dos seres humanos às Américas. Há diferentes teorias, desde as que afirmam que o evento ocorreu há cerca de 12 mil anos até as que apostam em 100 mil anos ou mais [idem]. A descoberta recente foi feita no sítio arqueológico de Santa Elina, a 80 km de Cuiabá. Os arqueólogos responsáveis pelas escavações, Denis Vialou e Águeda Vilhena Vialou, do Museu Nacional de História Natural da França, afirmam que essa região brasileira já era habitada há pelo menos 27 mil anos.

Uma prova é a presença de mais de 300 objetos de pedra lascada, com serrilhados e retoques, que só poderiam ter sido feitos pela mão do homem, afirma Águeda, que realiza escavações na região da Serra das Araras desde 1995.

Outra prova da presença humana, segundo ela, são restos de fogueiras. O material encontrado foi datado por três métodos diferentes, envolvendo desde radiocarbono 14 até luminescência ótica. Segundo Águeda, o sítio de Santa Elina traz uma tripla raridade:“A primeira é que ocupações humanas pleistocênicas (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás) são raras e por enquanto lá é o único local descoberto no centro do continente sul-americano.”

A segunda e a terceira raridades dizem respeito aos adornos encontrados: alguns foram feitos com ossos de preguiças-gigantes do gênero Glossotherium, já extinto. “É o primeiro caso no Brasil de uma perfeita associação do homem com a megafauna extinta”, explica ela. “Há a confecção de objetos simbólicos com ossos da megafauna, transformando-os em adornos.”

A discussão sobre a data de chegada da Humanidade às Américas remete aos tempos de Cristóvão Colombo, quando desembarcou no Caribe em 12 de outubro de 1492. Ele foi recebido pelos tainos, um povo amistoso, que o navegador genovês a serviço da Espanha achou que fossem indianos, pois estava convencido que havia chegado à Índia – e permaneceu com essa convicção até a morte. O descobridor da América não sabia, mas sua chegada ao continente marcou, na verdade, o reencontro de duas linhagens evolutivas do Homo sapiens, que estavam separadas havia pelo menos 50 mil anos [sic]: a sua própria, europeia, e a dos primeiros americanos, mongoloides, aparentados com os povos asiáticos. Desde então, persiste o mistério: Como e quando os povos encontrados por Colombo chegaram às Américas?

Teorias não faltam. A mais antiga e resistente é o modelo conhecido em inglês como Clovis-first (Clóvis-primeiro). Deve seu nome a um sítio arqueológico assim denominado, descoberto em 1939, no Novo México, Estados Unidos.

No local, foram encontrados artefatos de pedra lascada, datados de 11,4 mil anos. Segundo essa teoria, defendida principalmente pela comunidade arqueológica americana, a chegada teria ocorrido há cerca de 12 mil anos. Já o chamado “modelo das três migrações”, sugerido em 1983 por Christy Turner, se baseia num amplo levantamento de diversidade dentária, que concluiu ter havido três levas migratórias da Sibéria para a América.

A primeira, há 11 mil anos, teria dado origem a todos os índios das Américas Central e do Sul e à maioria dos povos nativos norte-americanos. A segunda teria chegado há 9 mil anos e originou os índios ancestrais dos Apaches e Navajos, sobretudo na costa pacífica do Estados Unidos e Canadá. A última seria bem mais recente, há 4 mil anos, e composta pelos ancestrais dos esquimós e povos aleutas (no Círculo Polar Ártico). [...]

Há ainda uma terceira teoria sobre a ocupação da América. Bem mais polêmica, ela foi proposta pela arqueóloga Niéde Guidon, com base em suas descobertas em vários sítios arqueológicos no sul do Piauí. Para ela, o homem chegou à região há nada menos que 100 mil anos[sic], vindo diretamente da África, cruzando o Atlântico, numa época em que o planeta também estava num período glacial, com o mar 120 metros abaixo de seu nível atual. [...]


Nota: Deixando de lado as hipóteses para o povoamento das Américas (porque nem os cientistas chegam a um consenso), é interessante notar a evidência não muito considerada de que seres humanos foram contemporâneos da megafauna, um tipo de vida maior, mais forte e exuberante que a atual e que alguns pesquisadores relacionam com o período antediluviano. Por enquanto foram encontrados apenas artefatos humanos. Quem sabe quando chegará o dia em que serão descobertos fósseis provando que o ser humano fazia parte dessa megafauna, sendo mais forte e mais alto que seus descendentes atuais? [MB]

segunda-feira, outubro 23, 2017

Dentes podem reescrever (de novo) a história da humanidade

Uma equipe de arqueólogos alemães descobriu um conjunto intrigante de dentes, de 9,7 milhões de anos de idade [segundo a cronologia evolucionista], num antigo leito do rio Reno, anunciou [na] semana [passada] o Museu de História Natural de Mainz, no oeste da Alemanha. Os dentes não parecem pertencer a nenhuma espécie descoberta na Europa ou na Ásia. Eles se assemelham mais àqueles pertencentes aos esqueletos hominoides de Lucy (Australopithecus afarensis) e Ardi (Ardipithecus ramidus) – descobertos em escavações na Etiópia. No entanto, os dentes encontrados no vilarejo de Eppelsheim, a 40 quilômetros ao sul de Mainz, são pelo menos 4 milhões de anos [sic] mais velhos que os esqueletos africanos. De tão intrigados, os cientistas adiaram a publicação da descoberta por praticamente um ano [se favorecesse claramente o evolucionismo e o mainstream naturalista, seria publicado imediatamente, como já aconteceu muitas vezes]. Uma equipe especializada realizará testes adicionais nos dentes.

“Eles claramente são dentes de primatas”, afirmou o chefe da equipe de arqueólogos, Herbert Lutz, ao diário local Merkurist. “Suas características se assemelham a achados africanos que são de 4 milhões a 5 milhões de anos mais novos que os fósseis escavados em Eppelsheim. Isso é uma tremenda sorte, mas também um grande mistério.”

Na coletiva de imprensa na qual foi anunciada a descoberta, o prefeito de Mainz, Michael Ebling, disse que o achado forçará cientistas a reconsiderar a história dos primórdios da humanidade. “Não quero dramatizar demais, mas gostaria de lançar a hipótese de que depois de hoje devemos começar a reescrever a história da humanidade”, disse.

O arqueólogo alemão Axel von Berg afirmou a meios de comunicação ter certeza de que as descobertas receberiam muita atenção. “Isso irá impressionar especialistas”, garantiu Berg ao jornal local Allgemeine Zeitung.

Os dentes ainda estão sendo examinados em detalhe, mas a partir do fim de outubro eles serão exibidos na exposição vorZEITEN, organizada pelo estado alemão da Renânia-Palatinado. Em seguida, segundo o diário alemão Die Welt, os dentes seguirão para o Museu de História Natural de Mainz.


Nota: Essa história está sempre sendo reescrita, apesar de a versão anterior – propagada em livros, revistas, documentários, filmes, materiais didáticos e salas de aula – ser sempre apresentada como fato. [MB]

quarta-feira, setembro 13, 2017

Pegadas fossilizadas de Creta aprofundam controvérsia sobre as origens

Parece que 2017 poderia se tornar um tipo genuíno de annus horribilis para o estabelecido consenso científico sobre a evolução humana. Tudo começou com cinco descobertas que se tornaram manchetes mundiais no início deste ano:

1. Após anos de acalorado debate, uma nova análise filogenética feita por Argue et al (2017) finalmente revelou que o “Hobbit”, Homo floresiensis da Indonésia, não é um descendente anão do Homo erectus, como se tornara a aceitação geral, mas um descendente de um hominídeo arcaico Africano próximo do Homo habilis, que não deveria nem existir naquele remoto lugar fora da África, nem naquele período tardio, mais de 1,75 milhão de anos após a suposta extinção desse tipo (Australian National University 2017).

2. Um novo estudo feito por Dirks et al (2017) provou que o Homo naledi de uma caverna na África do Sul, que fora considerado o elo perdido entre o gênero símio australopitecíneo e nosso próprio gênero Homo, tem na verdade apenas [sic] 250.000 anos e é contemporâneo de humanos mais modernos. Consequentemente, é jovem demais para ser um elo evolucionário (Barras 2017a), mas por outro lado muito primitivo para sua idade jovem.

3. Como reportado por Gibbons (2017), o Australopithecus sediba, outro “elo perdido” falho, foi refutado como ancestral na linhagem dos Homo pelo paleoantropólogo Bill Kimble, em uma nova análise filogenética, e ao invés disso classificado no ramo dos australopitecíneos sul-africanos de formas mais símias (Evolution News 2017).

4. Em seguida, mais uma parte da história da narrativa padrão sobre as origens humanas se desmantelou: Holen et al (2017) demonstrou na revista Nature que humanos não chegaram à América há apenas 14.000 anos [sic], mas circularam pelo sul da Califórnia por volta de 130.000 anos atrás [sic]. Essa descoberta reescreve a história da humanidade e, como podemos ler no artigo, “irá desencadear tormentas de fogo de controvérsia” (Greshko 2017).

5. Finalmente, em junho, a descoberta de fragmentos do crânio de um Homo sapiens e ferramentas de pedra de 315.000 anos de idade [sic] em Jebel Irhoud no Marrocos (Hublin et al 2017Richter et al 2017) revirou o conhecimento estabelecido de que o Homo sapiens se originou mais de 100.000 anos depois e 3.000 milhas mais ao leste na Etiópia. Essa descoberta de fato “abalou [as] fundações da história humana” (Sample 2017) ao mostrar que “nossa espécie evoluiu muito mais cedo do que pensávamos” (Tarlach 2017a), e por “contestar a noção popular da existência de um ‘Éden’ Leste-Africano ou um berço da humanidade” (Newitz 2017).

Dessa forma, cinco “fatos” previamente “incontestáveis” da evolução humana se tornaram nada mais que reivindicações fictícias neste ano. Mas claro que a narrativa evolucionária é flexível o bastante para acomodar todos esses novos “fatos” em uma história revisada não verificável. Alternativamente, preferiram simplesmente descartar as evidências considerando-as falsas, como no caso dos americanos mais antigos. Mas 2017 não para por aí para a evolução humana.

Em 31 de Agosto, uma notícia da Universidade de Uppsala na Suécia anunciou: “Pegadas fossilizadas desafiam as teorias estabelecidas sobre a evolução humana.” A descoberta de fato é uma bomba que irá criar considerável controvérsia adicional. A publicação técnica por Gierliński et al descreve pegadas fossilizadas em Trachilos, no lado ocidental de Creta, que são confiavelmente datadas como Mioceno tardio de cerca de 5,7 milhões de anos [sic]. Essas pegadas são indubitavelmente de um grande primata bípede com pés semelhantes aos humanos, e é precisamente o formato dos nossos pés “uma das características que definem a inclusão no ramo humano” (Ahlberg & Bennett 2017). Como a revista Discover reportou, “em um ano de grandes abalos na história da evolução humana, um estudo publicado pelo jornal Proceedings of the Geologists’ Association pode ser ainda o mais impactante” (Tarlach 2017b). Isso se dá pelos seguintes enigmas:

1. As pegadas fossilizadas são descabidas porque são muito antigas: apesar de datações radiométricas parecerem estar faltando, a datação bioestratigráfica está muito bem estabelecida por microfósseis marinhos, chamados foraminíferos, como sendo fósseis de idade, nas camadas acima e abaixo do horizonte das pegadas, bem como uma assinatura típica do clímax da Crise de Salinidade Messiniana (há 5,6 milhões de anos [sic]) nos sedimentos diretamente sobre elas (Ahlberg & Bennett 2017). Com uma idade de 5,7 milhões de anos, essas pegadas são 2,5 milhões de anos mais velhas que o fóssil icônico de Lucy e também 1,3 milhão de anos mais velhas que Ardi. Entre os supostos ancestrais hominídeos, apenas os dois casos dúbios, o Sahelanthropus tchadensis do Chade (cerca de 7 milhões de anos de idade [sic]) e o Orrorin tugenensis do Kenia (cerca de 6 milhões de anos de idade), assim como o imprecisamente datado Ardipithecus kadabba da Etiópia (5,8-5,2 milhões de anos de idade) podem ser mais antigos. Entretanto, nenhum deles possui os pés preservados, e dessa forma não sabemos se eles são de forma símia ou humana.

2. As pegadas fossilizadas são descabidas porque elas ocorrem na região geográfica errada: todos os hominídeos primitivos que têm mais de 1,8 milhão de anos foram encontrados apenas na África, o que levou ao batido conhecimento de que humanos se originaram na África e apenas após o advento de nosso próprio gênero Homo migraram para outros continentes, em vários eventos “fora da África”. Um hominídeo Europeu em tal idade precoce simplesmente não se encaixa na narrativa comum e refuta a bonita história “Fora da África”.

3. As pegadas fossilizadas são modernas demais em sua aparência: com sua longa sola, com esfera característica e dedão alinhado com os outros dedos (todos sem garras), essas pegadas diferem de todos os outros animais terrestres, incluindo os mais parecidos com símios (sem esfera e com o dedão saltando para fora lateralmente), e do muito mais jovem Ardipithecus ramidus, que é o mais recente hominídeo com pés bem preservados, descoberto em camadas de 4,4 milhões de anos [sic] na Etiópia. As pegadas de Creta se assemelham às famosas pegadas Laetoli da Tanzânia, datadas de 3,66 milhões de anos [sic] e atribuídas ao Australopithecus afarensis como as mais antigas pegadas humanas conhecidas até agora, mas são também parecidas com as pegadas humanas modernas.

Isso significa que os cenários bem estabelecidos da evolução humana devem ser falsos, não apenas com relação à sua localização geográfica e período, mas também com relação ao modelo da origem da espécie e a suposta linhagem que vai do Ardipithecus através dos australopitecíneos até os humanos. Quando a mais antiga evidência de pés hominídeos antecede os supostos ancestrais africanos como Ardi e Lucy, mas já mostra pegadas humanas relativamente modernas, o que é mais congruente com essa nova evidência quando observada sem distorção: Uma evolução darwiniana gradual, ou uma origem abrupta que requer um design inteligente?  

Outra óbvia e aparentemente difícil questão é como tais animais bípedes, hominídeos ou símios, poderiam ter chegado à ilha de Creta. Entretanto, neste caso pode haver de fato uma solução elegante: exatamente no tempo geológico quando se originaram as pegadas, Creta era conectada ao continente grego, já que o Mar Mediterrâneo havia em grande parte evaporado durante um evento, já mencionado, que é chamado de Crise de Salinidade Messiniana (5,96-5,33 milhões de anos atrás [sic]), causado pelo fechamento do Estreito de Gibraltar.

De maneira interessante, mais cedo neste ano, Fuss et al (2017) publicou um artigo no jornal PLOS ONE que propunha afinidades hominídeas do Graecopithecus (também chamado “El Graeco”) do período Mioceno tardio (cerca de 7,2 milhões de anos atrás [sic]) da Grécia e Bulgária. Existem apenas alguns fragmentos de mandíbulas, mas alega-se que essas permitem a atribuição do El Graeco à linhagem humana. A conclusão se baseia nas pequenas raízes dos dentes caninos, sugerindo semelhança dos tamanhos reduzidos como em hominídeos, assim como a fusão das raízes dos dentes pré-molares, que é típica em hominídeos, mas muito rara em chimpanzés modernos. Se essa atribuição estiver correta, isso faria do Graecopithecus o mais antigo hominídeo conhecido, e o possível ancestral do hominídeo que produziu as pegadas de Trachilos em Creta (Ahlberg & Bennett 2017Gierliński et al 2017). Fuss et al sugere que a separação entre chimpanzés e humanos pode ter ocorrido há cerca de 8 milhões de anos no Sudoeste da Europa ao invés de na África. Ainda que essa hipótese de forma alguma contradiga a ideia de uma evolução darwiniana dos humanos, ela atacou o estimado consenso científico da história “Fora da África”, o que claramente gerou forte criticismo dessas ideias “heréticas” (Barras 2017bCurnoe 2017).

De forma não surpreendente, tal criticismo não se restringiu aos argumentos técnicos, mas se estendeu a ataques ad hominem ao caráter dos pesquisadores. Por exemplo, David Alba, do Instituto de Paleontologia Catalão em Barcelona, disse que o coautor do estudo David Begun tem arguido há vinte anos que os grandes símios primeiro apareceram na Europa, então “não é nem um pouco surpreendente que Begun está agora arguindo que hominídeos também se originaram na Europa” (Barras 2017b). “Sergio Almécija, da Universidade George Washington, afirma que é importante lembrar que primatas são particularmente propensos a evoluir características similares de forma independente. ‘Indivíduos únicos não são confiáveis para se fazer grandes [afirmações] evolucionárias’” (Barras 2017b). É interessante que esse último argumento é raramente utilizado por paleontologistas para se questionar a atribuição dos supostos hominídeos africanos como Lucy à linhagem humana. Aparentemente, evidências questionáveis são aceitas desde que concordem com a preferida narrativa evolucionária.

É revelador que o título do novo artigo seja seguido por um ponto de interrogação, já que os autores não possuem outras razões para serem céticos sobre sua descoberta além da idade e localização geográfica inconvenientes das pegadas fossilizadas. Isso é de fato admitido pelo último autor do estudo, o distinto paleontologista Per Ahlberg, da Universidade Uppsala, que afirma que “o que torna isso controverso é a idade e a localização das pegadas... Essa descoberta desafia a contrária narrativa estabelecida do início da evolução humana e é provável que gere muito debate (Uppsala Universit 2017).

Já está se tornando evidente que muitos evolucionistas tentarão se livrar dessa evidência fortemente conflitante ao considerarem que essas pegadas foram feitas por um símio Europeu do Mioceno, o que convergentemente evoluiu uma locomoção bípede. Isso apesar de as próprias pegadas fossilizadas não sugerirem nenhuma diferença dos rastros humanos que possa suportar a legitimação de tal hipótese (Ahlberg & Bennett 2017). Em qualquer evento, a origem independente (convergente) de estruturas similares é um fenômeno muito comum na história da vida, o que é completamente inesperado se a evolução darwiniana fosse verdade. Dessa forma, tal hipótese de convergência criaria outro problema neste caso particular: existem apenas alguns personagens que possibilitam a atribuição dos mais antigos fósseis hominídeos à linhagem humana, como pequenos dentes caninos e adaptações para locomoção bípede. No entanto, se a locomoção bípede evoluiu diversas vezes entre símios não relacionados, o que também pode ser sugerido pelo Oreopithecus bambolii do Mioceno tardio da Itália (Rook et al 1999; veja Russo & Shapiro 2013), então um dos mais robustos complexos de personagens (ou árvore de indivíduos) perde muito de sua força.

Devido ao fato de que as árvores evolucionárias são construídas com apenas alguns personagens, os quais apresentam fraca sustentação devido à distribuição incongruente (homoplástica), essas árvores não justificam as frequentes afirmações inflamadas a respeito de as supostas linhagens bem estabelecidas dos fósseis hominídeos intermediários estarem fechando o elo entre chimpanzés e humanos modernos. Na melhor das hipóteses, após as dramáticas experiências das descobertas de 2017, os paleontólogos deveriam ser mais humildes e admitir que sabemos muito menos do que pensávamos e que o que sabemos é muito menos preciso do que ainda é ensinado a pupilos e estudantes, bem como apresentado ao público em geral por popularizadores de ciência na mídia. A evolução humana ainda é um campo altamente controverso, e com base no grande número de dados estudados com os mais modernos métodos, isso deve ser suficiente motivo para uma pausa.

Tarlach (2017b) comenta que “em um ano em que aprendemos que nossa espécie é pelo menos duas vezes mais antiga do que pensávamos, e alguns pesquisadores afirmaram que hominídeos estavam nas Américas mais de 100.000 anos antes da data convencionada da chegada, bem, pode-se esperar de tudo”. Bem, “tudo” claramente se refere apenas a qualquer coisa que não questione o paradigma darwiniano das origens humanas como são, mesmo quando mais e mais evidências contrárias a isso se acumulam.

Mas 2017 ainda não acabou. Talvez mais surpresas estejam adiante.

(Günter Bechly, Evolution News and Science Today; tradução de Leonardo Serafim)

Referênciass:
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