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quinta-feira, março 10, 2011

Coincidências genéticas e o mito do parentesco evolutivo

“Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como Nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão” (Gênesis 1:26, NTLH).

São frequentes as notícias veiculadas pelos diversos meios de comunicação tratando das semelhanças genéticas entre seres humanos e macacos. À luz do pensamento evolucionista, essas semelhanças genéticas indicam parentesco evolutivo entre ambas as espécies, ou seja, seres humanos e macacos descenderiam de um mesmo ancestral comum. Essa ideia amplamente divulgada depois do lançamento do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin, contrasta com a afirmação bíblica de que os ser humano foi criado originalmente à imagem e semelhança de Deus.

O pensamento evolucionista, dentro de certo limite, tem contribuído significativamente com o desenvolvimento de novas tecnologias e processos. A necessidade de desenvolvimento de vacinas, novos antibióticos, a possibilidade de se efetuar o melhoramento genético de uma planta ou um animal são alguns exemplos, os quais, aliás, estão também em acordo com os ensinamentos bíblicos. Mas essas contribuições advêm das afirmações que podem ser testadas em laboratório ou observadas nos diferentes fenômenos que ocorrem na natureza. Quando as afirmações estão situadas no campo das conjecturas, isto é, constituem opiniões fundadas em aparências, em possibilidades, hipóteses ou presunção (segundo os dicionaristas), elas causam grandes prejuízos não só ao desenvolvimento científico, mas à sociedade de forma geral. As argumentações evolucionistas que conflitam com o pensamento criacionista, e consequentemente com a Revelação Bíblica, situam-se no campo das conjecturas.

A ideia de um parentesco evolutivo entre diferentes espécies em função das semelhanças genéticas existentes entre elas é uma dessas afirmações. É importante que se tenha em mente que não se questiona o método analítico empregado, ou os valores numéricos obtidos. Questiona-se, na verdade, o real significado desses números e o valor deles para se mensurar a “distancia evolutiva” entre duas espécies.

Uma das noticias veiculadas no dia 26 de janeiro no site da Folha, intitulada “DNA de orangotango tem 97% de coincidência com o humano”, serve de ilustração para o que será discutido neste texto. Na notícia em questão, pode-se ler o seguinte: “Os genomas de humanos e orangotangos se justapõem em 97%, enquanto que o de humanos e chimpanzés, em 99%.” Em seguida, faz-se uma explanação no sentido de convencer o leitor de que esses números, expressos em forma de porcentagem, constituem uma forma de “evidência” inquestionável de que seres humanos e macacos tiveram um ancestral comum.

O biólogo evolucionista Allan Wilson, juntamente com sua então estudante de graduação Mary-Claire King, em 1975, focalizando seus estudos nos chamados “genes de regulação”, publicaram na revista Science uma convincente argumentação de que seres humanos e chimpanzés difeririam em apenas 1% em seu material genético, o que, de acordo com o pensamento evolucionista, “evidenciava” o parentesco evolutivo entre as espécies. Desde então, esse tipo de raciocínio têm enchido páginas e mais páginas dos livros mais utilizados nas escolas e universidades, além de ser tema constante em programas, revistas e páginas eletrônicas de divulgação científica.

Apesar das supostas coincidências genéticas entre seres humanos e macacos, essas duas espécies apresentam diferenças tão marcantes que somente nos últimos anos, em função das informações advindas do sequenciamento genético de várias espécies, têm sido mais bem compreendidas. Entre essas diferenças podem-se citar, por exemplo, os fatos de que macacos são imunes ao HIV e suas fêmeas raramente abortam, enquanto que os seres humanos podem caminhar perfeitamente em posição vertical.

Os resultados advindos desses estudos surpreenderam os cientistas em pelo menos dois pontos. Em primeiro lugar, ao contrário do que se pensava, duplicações, perdas de genes, conexões alteradas na retransmissão das informações existentes no DNA, entre outras, desempenham papel muito maior na expressão das características de uma espécie do que se pensava antes. Em segundo lugar, como consequência do primeiro ponto, “qualquer tentativa de quantificar as diferenças entre seres humanos e chimpanzés é frustrada, não havendo nenhuma forma de se expressar a distância gênica entre dois organismos viventes”, afirma Jon Cohen, citando o zoólogo Pascal Gagneux, da Universidade da Califórnia, em artigo publicado no volume 316 da revista Science, de 2007, intitulado “Relative Defference: The Myth of 1%” (Diferença Relativa: O Mito do 1%).

Os interessados em conhecer mais sobre a impossibilidade de se expressar, em termos de porcentagem de coincidências genéticas, o parentesco evolutivo entre humanos e macacos, ou entre duas outras espécies quaisquer, além de ler o artigo de Cohen, também devem ler a revista Ciência das Origens, nº 13, disponível gratuitamente no site da Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br), clicando no link “Publicações”, a qual traz o artigo “São os Chimpanzés 99,4% idênticos aos seres humanos?”.

O texto bíblico introdutório desta postagem informa que, assim como as demais formas de vida, os seres humanos foram criados por Deus. Além disso, os seres humanos, antes do pecado, eram “imagem e semelhança de seu Criador”. Essa explicação para o surgimento dos seres humanos faz parte da argumentação de muitos jovens cristãos dedicados e envolvidos com a obra e com sua fé.

Por outro lado, nas aulas de Ciências na maioria das escolas e universidades são apresentadas aos estudantes explicações muito diferentes para o surgimento dos seres vivos. Com base nas ideias propostas por Charles Darwin em seu livro A Origem das Espécies, argumenta-se que sequências de incríveis coincidências, associadas às leis naturais, originaram todas as formas de vida, entre elas o ser humano. Este, por sua vez, seria o resultado de diferenciações que ocorreram há cerca de 4 milhões de anos, quando supostamente teria surgido o chamado “Gênero Homo”, do qual descenderiam os seres humanos modernos (Homo sapiens sapiens).

O que se tem observado, então, é que, diante das ideias apresentadas no parágrafo anterior, ao ingressarem nos cursos de Ciências nas escolas e nas universidades, muitos daqueles jovens cristãos dedicados e envolvidos nos trabalhos de suas igrejas tornam-se ateus convictos e negam a fé que por tanto tempo professaram em um Deus Criador. Diante dessa realidade, ficam evidentes duas grandes verdades. A primeira delas é que os argumentos e as assim chamadas “evidências” apresentados pelos simpatizantes das ideias propostas por Darwin são muito poderosos e convincentes, sendo capazes de em alguns meses abalar ou até mesmo destruir convicções que foram sendo formadas ao longo de alguns anos. A segunda é que a maioria das igrejas e as escolas confessionais, as quais se propõem ofertar a chamada educação cristã, não estão cumprindo seu papel de evidenciar aos seus educandos “os atributos invisíveis de Deus, assim como o Seu eterno poder”, nas “coisas que foram criadas”, conforme se lê em Romanos 1:20.

Assim, as pretensas afirmações evolucionistas, fundamentadas em especulações e interpretações distorcidas da realidade, as quais são veiculadas pela mídia secular sensacionalista, têm sido mais convincentes aos olhos desta geração de que a verdade da Criação revelada na Palavra de Deus. É preciso que professores, pastores e demais envolvidos na chamada educação cristã despertem para a necessidade de oferecer sólidos argumentos aos educandos, os quais lhes proporcionem o desenvolvimento de uma base racional para a fé em um Deus Criador, a qual seja mais convincente que as tradicionais especulações evolucionistas presentes no campo das conjecturas.

(Tarcísio Vieira é biólogo e mestre em química pela UNB; com exclusividade para o blog www.criacionismo.com.br)

segunda-feira, abril 05, 2010

Existe desígnio nas coisas criadas

“Só tu és Senhor; Tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e Tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus Te adora” (Neemias 9:6).

A atividade docente é algo que me fascinou desde a meninice. Desde muito cedo, segundo minha mãe, eu dava indícios de que seguiria a carreira de professor, profissão que exerço com muito entusiasmo e dedicação, ao lado das atividades de pesquisa na instituição em que trabalho.

É incrível como que, seja após algum tempo de convivência com uma nova turma, ou mesmo após a leitura de vários trabalhos de um mesmo autor, se adquire prática em reconhecer o perfil característico de cada um, no tocante ao seu estilo particular de escrita. Isso acontece porque, dentre outros fatores, tudo aquilo que é fruto do intelecto carrega em si algum tipo de informação que é peculiar ou característica de quem o produziu. Esse tipo de informação característica é o que possibilita a um arqueólogo associar um fragmento de cerâmica, encontrado numa de suas escavações, a uma determinada civilização; permite ainda que o professor seja rigoroso com determinado aluno por este apresentar uma produção textual como sendo de sua própria autoria, mas que na verdade foi toda copiada de outra fonte (o que se conhece como plágio).

Se a natureza e o universo resultam de um intelecto como o poder e a mente criativa de Deus, espera-se encontrar no estudo das coisas que foram criadas informações peculiares e características dEle, conforme nos atesta o texto de Romanos 1:20.

No artigo “Disturbing implications of a cosmological constant”¹ (Implicações transtornantes de uma constante cosmológica), publicado na revista Journal of High Energy Physics, físicos (ateus!) da Universidade de Stanford e do MIT afirmam: “Um agente desconhecido interveio na história cósmica evolutiva [sic] por suas próprias razões.” Após analisarem cuidadosamente alguns fatos advindos da cosmologia, os cientistas chegaram à afirmação acima. Embora eles não façam nenhuma referência a Deus ou à criação, no referido artigo, é evidente que perceberam claramente que o universo é fruto de uma mente inteligente e encontraram informações características de um “agente desconhecido”, o qual, no Criacionismo Bíblico, trata-se do Deus Criador!

Para os interessados em se aprofundar nessas questões, no acervo da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) há um excelente artigo publicado na Folha Criacionista número 39, de autoria de Russel Arndts: “O Princípio Antrópico e o planejamento do universo.” Nesse artigo, o autor argumenta que o Princípio Antrópico,² evocado com frequência pelos evolucionistas mediante as incontestáveis evidências de propósito advindas do estudo do universo, é uma maneira filosófica de se rejeitar as características que apontam para a existência do Deus Criador. Esse artigo pode ser adquirido acessando-se o site da SCB (www.scb.org.br), ou, ainda, solicitando-o por meio do e-mail institucional (scb@scb.org.br).

(Tarcísio Vieira, biólogo e mestre em Química pela UNB)

1. Artigo disponível em: http://arxiv.org/abs/hep-th/0208013 (acesso em 07/03/2010).

2. Em Física e Cosmologia, o Princípio Antrópico estabelece que qualquer teoria válida sobre o universo tem que ser consistente com a existência do ser humano. Em outras palavras, o único universo que podemos ver é o universo que possui vida. Se existe outro tipo de universo, nós não podemos existir para vê-lo. O Princípio Antrópico se divide em princípio antrópico forte e princípio antrópico fraco. O princípio antrópico forte afirma, em geral, que o universo se comportou de forma a se adaptar ao ser humano. O fraco diz que o universo se comportou de forma a surgir o homem, sem esse pleito pré-definido. Publicado em http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_antr%C3%B3pico. Página acessada em 05/04/2010.

quarta-feira, março 03, 2010

As fontes do grande abismo

“No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo” (Gn 7:11). Na controvérsia existente em relação às origens é comum nos depararmos com argumentações em que se utilizam cenários imaginários, os quais, por estarem no campo das conjecturas,[1] não podem ser reproduzidos experimentalmente e não são corroborados por nenhum tipo de testemunho histórico. Esse fato é verdadeiro tanto para as argumentações utilizadas por muitos simpatizantes do evolucionismo quanto por muitos simpatizantes do criacionismo bíblico.

A Revelação apresentada nos textos bíblicos permite que se transcendam as limitações do conhecimento humano, possibilitando obter informações confiáveis as quais jamais poderiam ser alcançadas mediante apenas a utilização das instrumentações científicas. Contudo, muitos detalhes de eventos de grande importância como o Dilúvio, os quais geralmente são utilizados na argumentação criacionista, não são apresentados nas narrativas desses eventos.

Infelizmente, muitos textos que objetivam contribuir na elaboração e na divulgação do Criacionismo Bíblico, na tentativa de apresentarem argumentações que se restrinjam à esfera naturalista, sem recorrerem a possíveis intervenções miraculosas por parte do Criador, acabam produzindo o efeito contrário, originando criticas e depreciações! Muitos modelos assim apresentados e propostos esbarram em sérias e elementares restrições de leis bem conhecidas e estabelecidas advindas da Física, da Química, da Biologia, dentre outras.

O Ph.D Robert E. Kofahl, em seu excelente artigo “Poderiam as águas do Dilúvio ter provindo de uma camada atmosférica ou de uma fonte extraterrestre?”, o qual está disponível no site da Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br),[2] além de destacar que milagres devem ser admitidos nas argumentações que compõem o criacionismo bíblico, aponta ainda várias restrições inerentes a alguns modelos muito difundidos no âmbito criacionista, a saber:

1. Uma camada de vapor d’água que possivelmente proporcionou uma parcela substancial das águas do dilúvio.

2. Uma cobertura esférica rígida, de gelo em torno da Terra, mantida pela resistência estrutural, e finalmente rompendo-se para produzir o Dilúvio e a glaciação, ou ainda uma cobertura de gelo em rotação, mantida pela força centrífuga e rompendo-se para produzir o Dilúvio e a glaciação.

3. A precipitação de água ou gelo em órbita em torno da Terra, para produzir o Dilúvio e a glaciação.

4. A colisão de vapor d’água ou gelo proveniente do espaço exterior, com a Terra, para produzir o dilúvio e a glaciação.

Como mencionado anteriormente, muitos detalhes importantes para o modelo criacionista não se fazem presentes nos textos bíblicos, pois não é objetivo das Sagradas Escrituras detalhar, com o rigor de uma linguagem muito superior àquela que é utilizada nos textos científicos, peculiaridades relacionadas com os eventos passados. Contudo, à medida que se aprende mais sobre a natureza criada, mais informações podem ser coletadas para se imaginar o que ocorreu no passado.

Em agosto de 2009, a revista Veja (edição 2.127 de 26 de agosto), na matéria “Um mistério no centro da Terra”, divulgou uma pesquisa feita por cientistas da Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos,[3] em que uma das possíveis interpretações para a elevada condutividade elétrica observada no manto terrestre seria uma enorme quantidade de água existente em profundidades ainda inimagináveis!

Pode-se imaginar, dentro das inerentes limitações, que esses reservatórios naturais em profundezas até então inimagináveis, possam ter integrado o Grande Abismo citado em Gênesis.

(Tarcísio Vieira, biólogo e mestre em Química pela UNB)

1. sf (lat conjectura) 1 Juízo ou opinião com fundamento incerto ou com base sobre aparências, indícios ou probabilidades. 2 Suposição, hipótese. Var: conjectura. Fonte: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=conjetura (acesso em 22/02/2010).

2. O artigo encontra-se disponível na data de acesso (01/03/2010). Caso em uma data posterior o referido artigo não esteja mais disponível, pode-se adquirir a Folha Criacionista nº 15, a qual contém o artigo, por meio do e-mail institucional da Sociedade Criacionista Brasileira: scb@scb.org.br

3. Mais informações sobre este trabalho em: http://www.nsf.gov/news/news_summ.jsp?cntn_id=115434&WT.mc_id=USNSF_51 (acesso em 01/03/2010). Os interessados em aprofundar no assunto podem ler um trabalho preliminar, publicado em 2000, no link: http://www.geosystem.net/papers/12_2000_Neal&Mackie_JGR.pdf (acesso em 01/03/2010).

Leia também: "Oceanos podem estar escondidos dentro da Terra"

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Transcendendo as limitações do conhecimento humano

Quando se pretende adquirir uma câmera fotográfica (ou mesmo um celular), uma das perguntas mais comuns é: Esta câmera é de quantos megapixels? Em outras palavras: Qual o poder de resolução desta máquina? Essa preocupação está relacionada com a qualidade da imagem que se pretende capturar com o equipamento. Uma câmera com 12 megapixels é considerada por muitos como uma boa máquina.

Quando se compara o poder de resolução de uma dessas incríveis tecnologias com o poder de resolução de nossos olhos, pode-se contemplar neles mais uma maravilha de projeto. O olho humano tem um poder de resolução que é equivalente ao de uma câmera de 576 megapixels![1]

Ainda assim a visão é limitada. Frequentemente fazemos uso de telescópios, microscópios e outros instrumentos que possibilitam ampliar nosso campo de observação. Mesmo assim, estruturas muito pequenas, como átomos individuais e seus constituintes, não puderam ainda ser vistos, mesmo com as mais modernas instrumentações. Limitações semelhantes podem ser facilmente racionalizadas para os demais órgãos dos sentidos.

Tendo-se em mente que a aquisição de conhecimento está intimamente relacionada com os órgãos sensoriais que compõem o ser humano, e lembrando-se de que existem limitações quanto à abrangência deles, fica evidente que a capacidade de se aprender sobre a natureza e o Universo está, por consequência, analogamente limitada.

Admitindo-se que câmeras fotográficas necessitam ser projetas e construídas por mentes inteligentes para que possam atender aos consumidores exigentes, deveria parecer óbvio que algo muito superior em tecnologia, como os nossos olhos, também fosse projetado e construído (criado) por uma mente inteligente. Porém, infelizmente, não é assim.

O evolucionismo apresenta a ideia de que a vida seja simplesmente resultado da associação entre as leis físicas e o acaso, negando a existência do Criador. Essa ideia é frequentemente apresentada objetivando se isentar a qualquer espécie de crítica, com o status de uma teoria científica inquestionável, chegando-se ao ponto de afirmar que “nada em biologia faz sentido a não ser à luz da teoria da evolução”.[2]

Contudo, em função do fato de que a teoria da evolução pretende abranger um grande número de acontecimentos, os quais tomaram lugar em diferentes períodos, ela apresenta sérias desvantagens e limitações, as quais geralmente são ignoradas por muitos cientistas, professores e estudantes.

Acontecimentos que se desenvolvam em intervalos de tempo adequado (não sendo muito rápidos e nem muito lentos) podem ser descritos com relativo grau de exatidão. Porém, quando se pretende descrever acontecimentos de longa duração, os quais estejam além dos limites da observação humana (como aqueles que se estendem para além do período de vida do observador), deve-se fazer uso daquilo que se conhece como testemunho histórico, o qual se estende ao passado em no máximo quatro mil anos antes de Cristo, período de que datam os mais antigos documentos escritos da humanidade. Acontece que o testemunho histórico também apresenta suas limitações, uma vez que é comum se deparar com problemas relativos à veracidade desses documentos. Para acontecimentos que tenham se desenvolvido em períodos anteriores a quatro mil anos antes de Cristo, somente podem ser formuladas conjecturas,[3] as quais fornecem ainda maiores incertezas, em função de sua natureza.

Uma vez que é evidente a limitação existente quanto à aquisição de conhecimento, seja em função do período em que determinado evento tenha ocorrido, seja em relação ao seu intervalo de duração, percebe-se que quanto mais abrangente for determinada teoria, maior o cuidado com que ela deve ser utilizada, e maior a necessidade de que ela seja constantemente revista e aprimorada. Infelizmente, esses cuidados não têm sido observados por muitos simpatizantes do evolucionismo.

Eventos como a imaginada origem da vida a partir de reações químicas casuais, a suposta transformação dos répteis em aves, a pretendida modificação de símios para darem origem aos seres humanos e aos atuais macacos, e outros eventos, os quais compõem a teoria da evolução e se propõem a explicar a diversidade das formas de vida, requerendo milhões ou mesmo bilhões de anos para que aconteçam, transcendem tanto o tempo de vida dos observadores quanto os testemunhos históricos, fazendo, assim, parte do campo das conjecturas!

O criacionismo bíblico, por outro lado, apresenta a ideia de que a vida seja o resultado das ações intencionais do Criador, O qual criou a natureza e o Universo com propósitos estabelecidos, conforme relatado nas Sagradas Escrituras. Contudo, para a composição de uma argumentação lógica, frequentemente faz-se referência a eventos e a fenômenos que também transcendem tanto o tempo de vida dos possíveis expectadores quanto o testemunho histórico (embora documentos dessa natureza têm-se feito cada vez mais presentes nas pesquisas advindas da arqueologia bíblica). Eventos como a Semana da Criação ou o episódio catastrófico do Dilúvio estão além de nossos limites de observação. Dessa forma, muitos aspectos que são defendidos pelos simpatizantes do criacionismo bíblico estão aparentemente no campo das conjecturas.

Acontece que o criacionismo bíblico, além de fazer uso das informações advindas da experimentação científica, está fundamentado na Palavra de Deus. A Revelação apresentada nos textos bíblicos é uma forma confiável de se transcender as limitações do conhecimento humano impostas pelas limitações dos órgãos sensoriais e pelo tempo. O cumprimento das profecias bíblicas constitui uma das melhores maneiras de se verificar, ao longo da história, a precisão e a exatidão dos textos que integram as Sagradas Escrituras.

Como será mostrado em ocasião oportuna, a teoria da evolução tem fornecido excelentes resultados e tem feito interessantes previsões dentro do limite em que os fenômenos ali envolvidos podem ser observados, manifestando, contudo, as limitações intrínsecas à aquisição de conhecimento quando se depara com eventos que estariam além da capacidade de observação do ser humano. A Revelação apresentada nas Sagradas Escrituras, a qual constitui a base do criacionismo bíblico, mostra-se como o modo mais inteligente de transcender as limitações do conhecimento humano, possibilitando obter informações que seriam inacessíveis utilizando apenas as ferramentas da investigação científica.

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) tem publicado, ao longo de seus 38 anos e existência, em seus periódicos, temas relacionados com a controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo. Na Folha Criacionista nº 2, pode-se encontrar um artigo muito bem fundamentado e com maiores detalhes sobre “A teoria da evolução e as limitações do conhecimento humano”, de autoria do doutor em Ciências Júlio Garrido. Nesse artigo é apresentado um gráfico que relaciona as fontes de nosso conhecimento e compreensão com os fenômenos e estruturas e a sua relação com o tempo e as dimensões.

Complementando e expandindo as ideias do doutor Júlio Garrido, a Folha Criacionista n° 58 traz um artigo muito interessante de autoria do presidente da SCB, o doutor Ruy Carlos de Camargo Vieira: “As limitações do conhecimento humano”. Nesse artigo é proposto um modelo material para a representação de tais limitações. Por fim, o livro Criação – Criacionismo Bíblico, recentemente traduzido e disponibilizado no Brasil pela SCB, nos capítulos três e quatro, apresenta amplas discussões sobre as limitações de nossos sentidos e da importância da Revelação bíblica como forma de transcender tais limitações.

Os interessados em se aprofundar nessas e em outras questões relacionadas com a controvérsia em questão podem acessar o site da SCB (www.scb.org.br) e adquirir o material de interesse, ou, ainda, solicitar por meio do e-mail institucional (scb@scb.org.br).

(Tarcísio Vieira, biólogo e mestre em Química pela UNB)

[1] http://www.clarkvision.com/imagedetail/eye-resolution.html Acessado em 21/02/2010
[2] Teodosius Dobzhansky, “Nothing in biology makes sense except in the light of evolution”. American Biology Theacher, 35, p. 125-129, 1973.
[3] sf (lat conjectura) 1 Juízo ou opinião com fundamento incerto ou com base sobre aparências, indícios ou probabilidades. 2 Suposição, hipótese. Var: conjectura. Fonte: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=conjetura (acesso em 22/02/2010).

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Reflexões sobre Mateus 18:3


“E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.”

O que é que as crianças têm de tão especial que os adultos também precisam ter para que também possam entrar no reino celestial? Embora tenha ouvido diversos sermões a esse respeito, essa pergunta sempre permeou minha mente. Em todas as oportunidades que tinha, sempre observava com atenção o comportamento das crianças com as quais tive o privilégio de ter contato, na busca de encontrar algo em sua personalidade além daquilo que é dito tradicionalmente (pureza, inocência, simplicidade, etc.).

Em certa ocasião, ao adquirir um exemplar da revista Mente e Cérebro (Edição Especial n° 20) – O Mundo da Infância, minha atenção foi despertada por um artigo do professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Dr. Yves de La Taille, autor do livro vencedor do prêmio Jabuti de 2007, Moral e Ética: Dimensões intelectuais e afetivas (Artmed, 2006). Em seu artigo, com o título “Despertar do senso moral”, o Dr. Taille afirma que:

“A submissão das crianças aos mandamentos de figuras de autoridade não se explica por cálculos de interesse (evitar punições e usufruir recompensas), embora tais cálculos possam influenciar vez ou outra, e sim porque as referidas figuras despertam nelas uma fusão de medo e amor. O medo decorre do fato de os adultos serem vistos como grandes, fortes e poderosos: trata-se de um sentimentos que quase inevitavelmente o menor e mais fraco experimenta diante do maior e mais forte. [...] Segundo Piaget, é a fusão entre esses dois sentimentos que faz com que a criança pequena se submeta aos ditames dos adultos, não por medo do castigo, mas porque quer cumprir as ordens dessas pessoas que ela considera fortes e boas. Logo, submetem-se não por não ter alternativa, e sim por achar bom fazê-lo.”

Infelizmente, é cada vez maior o número de pessoas que se dizem convertidas ao cristianismo buscando algum tipo de prosperidade material (visando à recompensa) ou mesmo com receio de um sofrimento eterno como consequência do estilo de vida que tiveram durante sua existência (visando a evitar uma punição). Contudo, quando se compara esses motivos que levam muitas pessoas a obedecer a Deus (a figura de autoridade) com os motivos que levam as crianças a obedecer às figuras de autoridade, como aqueles citados pelo Dr. Taille, percebe-se que não se está se tornando como as crianças!

O Senhor Deus, Criador de toda a vida, conhece perfeitamente o funcionamento de nosso corpo e de nossos sentidos. Sendo conhecedor de todas as nossas potencialidades e limitações, Ele nos forneceu várias instruções, as quais visam ao nosso bem estar físico, psíquico e espiritual. Dessa forma, devemos obedecer às Suas instruções não por medo de punições ou visando recompensas, mas porque, assim como as crianças vêm nas figuras de autoridade pessoas fortes e boas, devemos ver em Deus um Ser grande, forte e poderoso, o qual deve despertar em nós reverência e amor.

(Tarcísio Vieira, biólogo e mestre em Química pela UNB)

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Gazeta do Povo dá espaço a biólogo criacionista

Deu no blog Tubo de Ensaio, do Marcio Campos (exemplo raro de bom jornalismo): “Uma das coisas que eu percebi no debate sobre o ensino do criacionismo nas escolas confessionais era que praticamente não se deu espaço aos criacionistas para explicar no que eles realmente acreditam. Por isso, procurei a Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), que intermediou uma entrevista por e-mail com o biólogo Tarcísio da Silva Vieira [já entrevistado por este blog], mestre pela Universidade de Brasília e professor universitário de Química Orgânica. Membro colaborador da SCB, Vieira expõe uma das vertentes do criacionismo, aponta compatibilidades com o evolucionismo e se diz contrário ao ensino do criacionismo nas escolas públicas.” Confira a íntegra da entrevista, que teve trechos publicados no jornal Gazeta do Povo (um dos maiores jornais do Paraná). [Leia mais]