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segunda-feira, setembro 02, 2019

A Amazônia não é um pulmão, é o coração


Amazônia! Nunca se falou tanto sobre o assunto como nos últimos dias. Entre fatos e fake news, todos os canais midiáticos estavam voltados para o assunto do momento: “A Amazônia arde!” Diante de uma enxurrada de informações que deixaram a população mais confusa que informada, dezenas de jornais alarmaram o planeta: “Estão destruindo o pulmão do mundo!” Algumas figuras públicas até falaram com precisão: “A Amazônia, pulmão do nosso planeta que produz 20% do nosso oxigênio, está em chamas.”[1] Alguns pesquisadores contestam essas informações, dentre eles, a bióloga Mutue Toyota Fujii, do Instituto de Botânica de São Paulo, que afirma que são as algas, não a Amazônia, que levariam o título de “pulmões do mundo”. Somente as algas produzem mais de 50% do oxigênio do planeta. “O excesso de gás liberado na água passa para a atmosfera e fica disponível para os outros seres vivos”, afirma a bióloga.[2]

A Floresta Amazônica libera na atmosfera cerca de 1,5 bilhão de toneladas de oxigênio. Só que esse valor é algo muito pequeno: 0,001% do oxigênio do planeta, explica o climatologista Carlos Nobre. “Isso não anula a importância ecológica das florestas. A Amazônia é a grande responsável pelo equilíbrio climático do mundo”, conclui Hugo Huth da Universidade Federal de Minas Gerais.[3] Vale ressaltar, também, que essa exuberante floresta retém dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa. Gostaria, então, de convidar você para conhecer um pouco mais sobre um dos mais ousados e colossais sistemas já elaborado: a Amazônia.

Localizada na porção sul do continente americano, a maior floresta tropical do mundo abriga não somente a maior bacia hidrográfica do planeta – a Bacia Amazônica –, mas o maior reservatório de água doce, de acordo com a Agência Nacional de Águas: o Aquífero Alter do Chão, que chega a ser duas vezes maior que o Aquífero Guarani, mundialmente conhecido.[4] Porém, o mais espantoso é que a colossal floresta tropical além de possuir gigantescos rios debaixo da terra, imensas drenagens em sua superfície, possui um verdadeiro “rio voador”.

Para entendermos o mecanismo desses rios voadores, precisamos partir da maior fonte de água do planeta: o oceano. Os ventos carregados de umidade vindos do oceano despejam chuvas torrenciais sobre o continente. Porém, à medida que essas correntes de ar adentram o continente, era esperado que o ar perdesse a umidade por conta das chuvas e ficasse mais seco. Algum mecanismo precisaria existir para fazer com que esse ar continuasse úmido. Daí, então, entra em ação um grande fator chave: as árvores. Com raízes bastante profundas, as árvores da floresta Amazônica são capazes de captar água dos imensos reservatórios contidos em rochas areníticas, a cerca de 60, 80 metros de profundidades. Suas folhas são estruturas fantásticas de evaporação. Uma árvore com copa de 20 metros de diâmetro pode despejar na atmosfera cerca de mil litros de água em um dia. Em toda a Amazônia, esse valor pode ultrapassar os 20 bilhões de toneladas de massa de ar úmida em um dia.[5] Para você ter ideia, o rio Amazonas despeja algo em torno de 17 bilhões de toneladas de água diariamente nos oceanos. Logo, esse “rio de vapor” que ascende é maior que o próprio rio Amazonas![6]

Os aerossóis que existem na atmosfera sobre a Floresta Amazônica são considerados os núcleos de condensação de nuvem. A floresta é capaz de fabricar sua própria chuva. E mais: essa chuva viaja dezenas de quilômetros de distância, sendo vital para outras regiões do planeta. Esses são os “rios voadores”. Ou, tecnicamente, jatos de baixos níveis.

Ao percorrer toda a América do Sul, esses rios de umidade são barrados pelas gigantescas montanhas da Cordilheira dos Andes, mudam sua rota e voltam a alimentar as nascentes dos rios da Amazônia. É um ciclo perfeito de imensa interação entre os seres vivos e não vivos, árvores e atmosfera, que ultrapassa os limites da evolução e interação biológica. São as maravilhas de um mundo perfeitamente planejado!

Ao colidirem com as cordilheiras, essas imensas colunas de umidade condensam-se em forma de chuva e erodem as rochas por onde passam, carregando consigo toneladas de sedimentos siliciclásticos que, ao chegarem nos rios, “caminham” em direção ao oceano. Os rios levam para os oceanos não somente um aporte gigantesco de sedimentos, mas uma rica fonte de sílica, fundamental para a existência e multiplicação de algas responsáveis pela maior parte da produção de oxigênio no planeta: as diatomáceas.

Completamente dependentes dessa interação orquestrada entre o oceano e a Floresta Amazônica, as diatomáceas compõem um aglomerado de microalgas capazes de realizar fotossíntese, conhecidas como fitoplâncton. Essas algas, que são micro-organismos eucariontes unicelulares, ocorrem nos mais diversos ambientes úmidos e aquáticos, suspensos na coluna d’água ou aderidos a diversos substratos: macrófitas (epifíticas), rochas (epilíticas), animais (epizóicas), grãos de areia (episâmicas), sedimento (epipélicas). São fotossintetizantes, possuindo clorofilas do tipo a e c, mas algumas poucas espécies são capazes de resistir heterotroficamente a condições de pouca luz e de baixa disponibilidade de matéria orgânica.[7]

A principal característica morfológica das diatomáceas é a parede celular impregnada de sílica (SIO2.nH2O), envolvida por uma fina camada de matéria orgânica, conhecida como frústula. É da imensa quantidade de sedimentos despejados nos oceanos que as diatomáceas retiram a sílica necessária para suas carapaças, o que lhes possibilita não somente sobreviver, mas se proliferar.

As diatomáceas fazem parte de um conjunto de algas responsáveis pela grande produção de oxigênio essencial para a manutenção da vida nos oceanos e fora deles.[8] As diatomáceas não sabem que a imensidão da Floresta Amazônica exerce papel fundamental para sua sobrevivência, dando suprimento necessário para que continuem a produzir nosso oxigênio. Mas tudo ocorre de modo incrivelmente perfeito. Se a Amazônia não pode ser considerada o pulmão do mundo, sem dúvida podemos considera-la o coração! Como no corpo o coração bombeia o sangue transportador de gases da ventilação pulmonar, no ecossistema global a Amazônia “bombeia” por meio dos rios sedimentos ricos em sílica indispensáveis para a manutenção orgânica das algas diatomáceas.

Os fatores bióticos e abióticos interagem como que orquestrados por uma mente inteligente, capaz de pensar em cada minucioso detalhe para a manutenção do nosso complexo ecossistema. Tudo é interligado. Tudo foi criteriosamente pensado. Tudo foi perfeitamente projetado – por um Designer inteligente.

Sobre o ser humano repousa a imensa responsabilidade de não somente utilizar, mas garantir que toda a diversidade de sistemas, vivos e não vivos, que interagem perfeitamente, siga seu curso natural: manter a vida.

Hérlon Costa

Referências:
Nobre, A.D., 2014. O Futuro Climático da Amazônia.
Nobre, A.D., 2005. Is the Amazon Forest a Sitting Duck for Climate Change? Models Need yet to Capture the Complex Mutual Conditioning between Vegetation and Rainfall, in: Silva Dias, P.L., Ribeiro, W.C., Nunes, L.H. (Eds.), A Contribution to Understanding the Regional Impacts of Global Change in South América. Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, São Paulo, pp. 107–114.
VIDOTTI, E.C. & ROLLEMBERG, M. do C. Algas: da economia nos ambientes aquáticos à bioremediação e à química analítica. São Paulo, Química Nova, v.27, n.01, Jan/fev, 2004.

quarta-feira, outubro 17, 2018

De onde veio tanta água para um dilúvio?

"O planeta Terra faz sua própria água a partir do zero no fundo do manto", foi a manchete do artigo de 27 de janeiro de 2017 da New Scientist's Daily News.[1] É irônico que os cientistas secularistas ainda procurem explicar de onde veio a água da Terra. Por muitos anos eles têm se empenhado em preencher as “lacunas” de sua “história” sobre como a nossa terra natal “surgiu” e tornou-se tão habitável para a vida ao longo de sua suposta história de bilhões de anos. Os secularistas acreditam que a Terra se condensou da matéria acumulada da nebulosa solar 4,56 bilhões de anos atrás. Inicialmente era uma bolha quente fundida que esfriava. Eles costumavam sugerir que a maior parte da água vinha de dentro dessa Terra que esfriava lentamente, mas não o suficiente para encher os oceanos que temos hoje na superfície da Terra. Uma teoria outrora popular era a de que os cometas (que são essencialmente grandes e sujas bolas de gelo) colidiam com a Terra e depositavam sua água em nossa superfície. 

Enquanto isso, esses mesmos secularistas e céticos da Bíblia têm exigido que nós, crentes na Bíblia, expliquemos de onde vieram as águas para inundar a Terra durante o cataclísmico dilúvio de Gênesis. Nossa resposta não mudou desde que o livro de Gênesis foi escrito por revelação especial de Deus: “Todas as fontes do grande abismo foram quebradas” (Gênesis 7:11). Em outras palavras, algumas das águas para o dilúvio vieram de dentro da Terra, adicionando às águas que já cobriam a Terra desde o princípio, no “dia um” da Semana da Criação (Gênesis 1:2); no terceiro dia, Deus reuniu as águas em um lugar e as chamou de mares (Gênesis 1:9, 10). Naturalmente, esses mesmos secularistas e céticos da Bíblia dizem, como previsto em 2 Pedro 3:3-6, que nunca houve um dilúvio global na Terra, embora ainda esteja 70% coberta por água. Mas, ironicamente, eles também dizem que, devido às muitas evidências da maciça erosão da água em Marte, houve uma inundação aquosa de proporções bíblicas no planeta no passado, mesmo que a superfície desse planeta esteja seca hoje! 

Então o que é essa nova evidência que os secularistas descobriram que confirma o que a Bíblia sempre disse? O enorme estoque de água da Terra pode ter se originado por meio de reações químicas no manto, ao invés de chegar do espaço graças a colisões com cometas ricos em gelo. Esse é o resultado de uma simulação computacional de reações no manto superior da Terra entre o hidrogênio líquido e o quartzo, a forma mais comum e estável de sílica nessa parte do planeta. A reação simples ocorre a cerca de 1.400 °C e pressões 20 mil vezes mais altas que a pressão atmosférica, uma vez que a sílica, ou dióxido de silício, reage com o hidrogênio líquido para formar água líquida e hidreto de silício.[2] Os resultados dessas simulações de computador acabam de ser relatados por Zdenek Futera na University College Dublin, na Irlanda, e seus colaboradores.[3] Esse último trabalho simula essa reação sob várias temperaturas e pressões típicas do manto superior entre 40 e 400 quilômetros de profundidade. Ele faz o backup de trabalhos anteriores de pesquisadores japoneses que realizaram e relataram a reação em si em 2014.[4] 

Nesse estudo anterior, Ayako Shinozaki da Universidade de Tóquio e seus colaboradores conduziram experimentos com quartzo natural (SiO2) em uma minúscula câmara colocada sob altas pressões em uma célula de bigorna de diamante na qual o hidrogênio puro (H2) foi introduzido como um fluido supercrítico. A câmara foi então também aquecida. Suas investigações da reação química nesses experimentos determinaram que o quartzo se dissolveu no fluido de hidrogênio, e água (H2O) e hidreto de silício (SiH4) se formaram. 
Eles concluíram que o hidrogênio poderia potencialmente ser oxidado para formar água no manto da Terra, quando a sílica (SiO2 componentes de minerais do manto) se dissolve no fluido de hidrogênio, ambos presentes no manto superior. Então, o que há de novo nesse último estudo? 

O membro da equipe John Tse, da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, comentou: “Montamos uma simulação de computador muito próxima de suas condições experimentais e simulamos a trajetória da reação.”[5] Mas, surpreendentemente, eles descobriram que “o fluido de hidrogênio se difunde através da camada de quartzo, formando água não na superfície, mas na maior parte do mineral”. De acordo com Tse: “Analisamos a densidade e a estrutura da água aprisionada e descobrimos que ela é altamente pressurizada.”[6] Os autores também descobriram que a pressão pode chegar a 200.000 atm. 

A equipe de pesquisa, portanto, sugeriu que essa nova água pode estar sob tanta pressão que pode provocar terremotos a centenas de quilômetros abaixo da superfície da Terra, tremores cujas origens até agora permaneceram inexplicadas. “Observamos que a água está sob alta pressão, o que pode levar à possibilidade de terremotos induzidos”, diz Tse.[7] Os terremotos podem ser desencadeados quando a água finalmente escapa dos cristais. A ocorrência de terremotos profundos na litosfera do manto superior sob crátons estáveis (os núcleos fundamentais dos continentes) é conhecida, mas permanece enigmática em sua origem.[8] 

Por exemplo, o terremoto de 2013 no Rio Wind (Wyoming) ocorreu a 7,5 ± 8 quilômetros, bem abaixo da base da crosta, sugerindo que ele representava falhas frágeis em altas temperaturas em rocha próximas ao manto. No entanto, o mecanismo desencadeador de tal falha frágil próxima ao manto estável permaneceu um mistério. Essas novas simulações feitas por computador por essa equipe de pesquisadores mostraram agora que a água pressurizada da reação entre sílica e hidrogênio poderia ser um possível gatilho para iniciar terremotos profundos na litosfera, próximo ao manto, abaixo dos continentes. 

Outros pesquisadores concordam, como John Ludden, diretor executivo da British Geological Survey.[9] Mas, obviamente, mais pesquisas são necessárias para quantificar a quantidade de água liberada que seria necessária para desencadear terremotos tão profundos. 

No entanto, o que é ainda mais significativo é que essa equipe de pesquisa sugere que suas descobertas também podem nos informar sobre como nosso planeta conseguiu sua água no princípio. "Enquanto o fornecimento de hidrogênio puder ser sustentado, pode-se especular que a água formada a partir desse processo poderia ser um contribuinte para a origem da água durante a acreção inicial da Terra", diz Tse. “A água formada no manto pode alcançar a superfície através de múltiplas formas, por exemplo, carregadas pelo magma em atividades vulcânicas.”[10] E também é possível que a água ainda esteja sendo formada no interior da Terra hoje. Esse “estudo destaca como os minerais que compõem o manto da Terra podem incorporar grandes quantidades de água, e como a Terra é provavelmente 'molhada' de certo modo até o seu centro”, diz Lydia Hallis, da Universidade de Glasgow, Reino Unido.[11] 

No entanto, esse último anúncio não é novo, considerando que numerosos estudos publicados ao longo de mais de duas décadas e meia encontraram evidências de vários oceanos de águas confinadas em rochas e minerais do manto. Mesmo recentemente, em novembro de 2016, houve notícias sobre a descoberta de água em uma inclusão dentro de um diamante que teria chegado à superfície da Terra a partir de mil quilômetros de distância no manto.[12] Uma equipe internacional havia estudado um diamante encontrado no sistema do rio São Luís, em Juína, Brasil, e encontrou uma inclusão mineral selada que ficou aprisionada durante a formação do diamante.[13] Quando os pesquisadores examinaram mais de perto essa inclusão com microscopia de infravermelho, viram a presença inconfundível de íons de hidroxila (OH-), que normalmente vêm da água. Eles identificaram o mineral como ferropericlase, que consiste em óxido de ferro e magnésio e também pode absorver outros metais, como cromo, alumínio e titânio, à temperaturas e pressões ultra-altas do manto inferior. 

De acordo com o membro da equipe Steve Jacobsen, da Universidade Northwestern, em Evanston, Illinois, o argumento decisivo foi que, uma vez que a inclusão foi aprisionada no diamante durante todo o tempo, a assinatura de água só pode ter vindo do lugar de formação do diamante no manto inferior.[14] “Essa é a mais profunda evidência para a reciclagem de água no planeta”, disse Jacobsen. “A grande mensagem para levar para casa é que o ciclo da água na Terra é maior do que jamais imaginamos, estendendo-se para o manto profundo. A água claramente tem um papel na tectônica de placas, e nós não sabíamos antes qual o efeito dela no processo. Isso tem implicações para a origem da água no planeta.”[15] 

Em 2014, reportamos outro estudo similar.[16] Nesse caso, foi encontrada água em um mineral conhecido como ringwoodita, descoberta como uma inclusão em outro diamante brasileiro.[17] Em uma reportagem, baseada em um estudo relacionado relevante,[18] foi até sugerido que um reservatório de água três vezes o volume de todos os oceanos havia sido descoberto a 700 quilômetros abaixo da superfície da Terra, o que é uma boa evidência de que pelo menos parte da água da Terra veio de dentro.[19] Além disso, todos esses estudos publicados recentemente resultam de uma longa história de investigações de amostras de rochas do manto e minerais trazidos para a superfície da Terra pelo vulcanismo, juntamente com estudos de terremotos profundos.[20] A conclusão coletiva é que existem grandes quantidades de água armazenadas no manto da Terra dentro de seus minerais. E essa água não apenas auxilia na convecção do manto, nos movimentos das placas e no vulcanismo, como também pode ser liberada na superfície da Terra por meio de atividade vulcânica. “Na verdade, a mais de 400 quilômetros dentro da Terra pode haver água suficiente para substituir os oceanos superficiais mais de dez vezes!”[21] 

No entanto, Raymond Jeanloz, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, não consegue entender “um súbito derramamento de água, no modelo de Noé... mesmo que a balança incline para uma saída maior”.[22] Assim, é apenas seu viés evolucionário que o impede de aceitar que uma explosão catastrófica de água sob pressão no manto poderia ter ocorrido como no “modelo de Noé ”, assim como a Bíblia descreve. Portanto, é óbvio que a declaração do relato de Gênesis de que o cataclísmico dilúvio global começou com “as fontes do grande abismo” sendo quebradas (Gênesis 7:11). É uma descrição vívida de uma explosão catastrófica de água na superfície da Terra. 

Também é óbvio que a água foi armazenada sob alta pressão no manto durante a era pré-diluviana. Tal explosão de água teria acompanhado um afloramento de plumas de materiais do manto que se fundiam à medida que subiam para entrar em erupção e produzir um vulcanismo catastrófico. Sob os oceanos, as lavas em erupção produziram um novo fundo oceânico. Nos continentes, as explosões de fluxos de lava e explosões de camadas de cinzas vulcânicas foram depositadas entre camadas sedimentares que rapidamente se acumulavam e enterravam fósseis. A água extra que escorria das fontes aumentava o nível do mar por causa do impulso ascendente do novo e quente leito oceânico, de modo que a água do oceano era capaz de inundar os continentes. Além disso, as explosões de água do manto através de uma vasta rede global de fraturas dividiram o supercontinente pré-diluviano original em “placas tectônicas”.[23] 

A água dentro do manto reduziu a viscosidade do material do manto (tornou o material menos “espesso”) de modo que ajudou a mover as placas tectônicas pela superfície da Terra, produzindo a tectônica de placas de movimento rápido, evento Flood.[24] 

Assim, as águas que vieram de dentro da Terra, combinadas com as águas do original, criaram oceanos para produzir o dilúvio de Gênesis. A descrição da Bíblia desse evento explosivo é meramente confirmada pelas últimas descobertas dos cientistas seculares. 

Podemos sempre confiar totalmente na veracidade do relato do Gênesis sobre o cataclísmico dilúvio global do tempo de Noé e sua história de volta à criação em seu primeiro verso. Assim, a maior parte das águas oceânicas da Terra não veio originalmente do manto, mas foram criadas por Deus já no lugar “no princípio”. 

(Texto original: Dr. Andrew A. Snelling [Answers in Genesis]. Tradução e adaptação: Hérlon S. Costa)

sexta-feira, agosto 10, 2018

Estromatólitos: evidências da hidrologia pré-diluviana (parte 2)

Recentemente, a equipe de pesquisa do ICR apresentou uma interpretação da geografia pré-diluviana baseada em estudos de sedimentos do Dilúvio e suas relativas camadas estratigráficas. Montamos o mapa usando dados de mais de 1.500 colunas estratigráficas de três continentes.[10] Escolhemos uma configuração semelhante à do supercontinente Pangeia, pois se encaixa melhor nos dados empíricos. Usando esse mapa, a equipe plotou a localização de muitos dos locais conhecidos com fósseis de estromatólitos ao redor do mundo (figura ao lado). Nosso estudo estratigráfico cobre apenas áreas da América do Norte, América do Sul e África, até o momento, mas esperamos que as localizações dos estromatólitos sejam semelhantes no restante do globo. Uma análise do mapa mostra que os estromatólitos não parecem seguir nenhum padrão ambiental específico. Suas localizações são encontradas em regiões pré-diluvianas que são interpretadas como mares rasos, terras baixas e terras altas. 

Antes da recente descoberta de estromatólitos em terra, essa interpretação teria se mostrado incoerente. Mas agora, com registros de estromatólitos encontrados vivendo em água doce, água salgada e também em terra, não é nenhuma surpresa pensar que os estromatólitos antes do dilúvio existiam em todos os tipos de ambientes. 

Deus nos revela em Gênesis 2:6 que antes da grande inundação “brotava água da terra e irrigava toda a superfície do solo” (Nova Versão Internacional). Se nossa interpretação baseada nos dados estiver correta, a presença de estromatólitos fósseis confirma a hidrologia pré-diluviana, como descrita no livro de Gênesis. O planeta devia ter grande abundância de nascentes, para permitir o florescimento de estromatólitos em todos os continentes e em todos os ambientes. As nascentes regavam tanto as terras baixas quanto as terras altas, provendo águas ricas em minerais nas quais os estromatólitos prosperavam. 

Deus também criou o ambiente perfeito para o crescimento das bioconstruções, nos mares rasos pré-diluvianos. Estes eram provavelmente alimentados pelas fontes de água que proveram condições hipersalinas semelhantes às encontradas atualmente em Shark Bay, na Austrália. 

A história dos estromatólitos se encaixa melhor em uma criação recente e um posterior dilúvio, como descrito na Bíblia. A maioria dos cientistas criacionistas concorda que Deus fez os estromatólitos como parte da criação original, provavelmente no terceiro dia da semana da criação, quando Ele fez as plantas. Os estromatólitos aparentemente se proliferaram em ambientes pré-diluvianos e cresceram extensivamente durante os cerca de 1.650 anos que separaram a criação e o dilúvio. Além disso, os criacionistas propõem que a natureza catastrófica do dilúvio redesenhou a superfície da Terra, e destruiu os ambientes pré-diluvianos onde os estromatólitos anteriormente se proliferavam.[11]

Atualmente, são apenas ambientes específicos que permitem o desenvolvimento e crescimento das esteiras microbianas, seja em terra ou no oceano. O dilúvio também destruiu a maior parte do registro estratigráfico anterior a ele, que continha a maioria dos estromatólitos. Apenas algumas exposições de rochas dessa época são encontradas ao redor do mundo, nas rochas do Arqueano e Proterozóico. É claro que muitas provavelmente permanecem cobertas pelos sedimentos pós-diluvianos, e outras foram, sem dúvida, destruídas pelas altas pressões e temperaturas associadas ao movimento rápido das placas e aos eventos de vulcanismo que ocorreram durante o evento da grande inundação. Mas, mesmo assim, há restos suficientes preservados para indicar sua abundância. 

Essas descobertas recentes ajudam a demonstrar a exatidão e a confiabilidade da Palavra de Deus. Algumas pessoas argumentam que existem erros na Bíblia e que sua representação sobre a história da Terra não deve ser levada a sério, por não se tratar de um livro científico. Mesmo assim, vez após vez a ciência verdadeira vem demonstrando a verdade contida no relato bíblico. Quando a Bíblia trata sobre cência, sempre se mostra correta, até o mínimo detalhe. 

(Texto original: Tim Clarey, PhD. Tradução e adaptação: Hérlon Costa e Thiago Soldani)

Referências:
1) Neuendorf, K. K. E., J. P. Mehl, Jr., and J. A. Jackson, eds. 2005. Glossary of Geology, 5th ed. Alexandria, VA: American Geological Institute, 636. 
2) Proemse, B. C. et al. 2017. Stromatolites on the rise in peat-bound karstic wetlands. Scientific Reports. 7: 15384. 
3) Wicander, R., and J. S. Monroe. 2016. Historical Geology: Evolution of Earth and Life Through Time, 8th ed. Boston, MA: Cengage Learning. 
4) Lowe, D. R. 1994. Abiological origin of described stromatolites older than 3.2 Ga. Geology. 22 (5): 387-390. 
5) Hladil, J. 2005. The formation of stromatactis-type fenestral structures during the sedimentation of experimental slurries—a possible clue to a 120-year-old puzzle about stromatactis. Bulletin of Geosciences. 80 (3): 193-211. 
6) Mueller, P. A., and A. P. Nutman. 2017. The Archean-Hadean Earth: Modern paradigms and ancient processes. In The Web of Geological Sciences: Advances, Impacts, and Interactions II. M. E. Bickford, ed. Boulder, CO: Geological Society of America Special Paper 523, 75-237. 
7) Tomkins, J. P. and T. Clarey. Cellular Evolution Debunked by Evolutionists. Creation Science Update. Posted on ICR.org September 29, 2016, accessed March 10, 2018. 
8) Awramik, S. M. and K. Grey. 2005. Stromatolites: biogenecity, biosignatures, and bioconfusion. Proceedings of the SPIE. 5906: 1-9. 
9) Frazer, J. Stromatolites Defy Odds by A) Living B) on Land. Scientific American. Posted on blogs.scientificamerican.com December 21, 2017, accessed January 4, 2018. 
10) Clarey, T. 2018. Assembling the Pre-Flood World. Acts & Facts. 47 (4): 11-13. 
11) Purdom, G. and A. A. Snelling. 2013. Survey of Microbial Composition and Mechanisms of Living Stromatolites of the Bahamas and Australia: Developing Criteria to Determine the Biogenicity of Fossil Stromatolites. In Proceedings of the Seventh International Conference on Creationism. M. Horstemeyer, ed. Pittsburgh, PA: Creation Science Fellowship. *Dr. Timothy Clarey é pesquisador associado ao Institute for Creation Research e obteve seu Ph.D em Geologia pela Western Michigan University. Para citar este artigo: Tim Clarey, Ph.D. 2018. Stromatolites: Evidence of Pre-Flood Hydrology. Acts & Facts. 47 (5).

terça-feira, julho 17, 2018

Estromatólitos: evidências da hidrologia pré-diluviana (parte 1)

Os estromatólitos representam alguns dos fósseis mais enigmáticos encontrados ao longo do registro geológico da Terra. Eles são bastante comuns nas rochas sedimentares mais antigas, e atualmente são encontrados exemplares vivos apenas em locais específicos do planeta. Algumas condições especiais estão atreladas ao seu “florescimento”, incluindo uma química incomum da água. Cientistas uniformitaristas têm lutado para tentar entender e explicar a abundância deles nas rochas antigas e sua escassez atualmente. O livro Glossary of Geology[1] define estromatólito como “uma estrutura organo-sedimentar produzida pelo aprisionamento, cimentação e/ou precipitação de sedimentos resultantes do crescimento e metabolismo de micro-organismos, principalmente cianobactérias.” O resultado é uma espécie de filme microbiano que aprisiona lama, que ao longo do tempo pode formar uma estrutura rochosa estratificada. Tal estrutura não é composta de bactérias em si, mas se trata de uma fina camada de sedimentos formada por “precipitação mineral induzida biologicamente”.[2]

Estromatólitos foram identificados pela primeira vez no início do século 20 em rochas do Paleoproterozóico, em Ontário, Canadá, por Charles Walcott, ex-diretor do Serviço Geológico dos EUA. Ele inicialmente idealizou que aquelas estruturas amontoadas eram algum tipo de recife antigo formado por algas. Foi na década de 1950 que os paleontólogos determinaram que os estromatólitos se tratavam, de fato, do produto de atividade biológica.[3] Essa conclusão foi confirmada pela descoberta de estromatólitos vivos na Austrália, na mesma década. Apesar disso, autores recentes têm sugerido uma possível origem não biológica para alguns desses fósseis.[4, 5]

Cientistas evolucionistas afirmam que os estromatólitos representam algumas das mais antigas formas de vida que surgiram na Terra, datando-os com cerca de 3,7 bilhões de anos.[6] Os fósseis mais antigos, do Grupo Warrawoona, na Austrália, são datados pelos cientistas evolucionistas em cerca de 3,3 a 3,5 bilhões de anos. Exemplares são encontrados ao redor do mundo em rochas carbonáticas (geralmente dolomitos) do Arqueano e Proterozóico, e, em menor extensão, em rochas do Cambriano e posteriores. Cientistas tentam explicar o rápido declínio de estromatólitos em rochas posteriores ao Cambriano, atribuindo esse fato ao súbito aparecimento de organismos pastadores, que se alimentariam das cianobactérias.[2]



O ENIGMA EVOLUCIONÁRIO DOS ESTROMATÓLITOS 

Ao acreditarem que os estromatólitos evoluíram há cerca de 3,7 bilhões de anos, os cientistas evolucionistas criam um problema para si mesmos no que se refere ao processo de origem da vida na Terra. Como as cianobactérias poderiam ter evoluído tão rápido? A vida teria que ter surgido e desenvolvido processos como a fotossíntese e colonização em menos de 1 bilhão de anos, assumindo que o planeta Terra surgiu há 4,55 bilhões de anos. Esses cientistas também acreditam que entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás a Terra foi massivamente bombardeada por meteoritos, evento denominado como Último Grande Bombardeamento.[4] Esse episódio é descrito como uma época em que muitos impactos de meteoritos atingiram a Terra e a Lua. Esses impactos teriam danificado consideravelmente a recém-formada crosta terrestre e destruído quaisquer formas de vida que existissem antes de 3,8 bilhões de anos atrás. Dessa forma, os pesquisadores colocam a si mesmos contra a parede. Como é possível explicar a formação de atmosfera, oceanos, o misterioso processo da abiogênese e a capacidade de realizar fotossíntese em uma “janela” de apenas 100 milhões de anos? A fotossíntese por si só é um processo extremamente complexo. Para a visão evolucionista, esse é um período de tempo extremamente curto para que todo esse conjunto de eventos possa ter ocorrido.[7, 8] 

OS ESTROMATÓLITOS SÃO FÓSSEIS VIVOS 

Embora os cientistas evolucionistas afirmem que eles remontam a bilhões de anos, os estromatólitos mostram pouca ou nenhuma evidência de evolução e também nenhuma indicação de longa idade. Os estromatólitos modernos são considerados fósseis vivos, como o celacanto. Eles mostram ter prosperado sem qualquer mudança evolutiva. Até o ano de 1956, os cientistas consideravam que os estromatólitos fossem formas de vida extintas. Foi quando ocorreu a descoberta de estromatólitos vivos florescendo em Shark Bay, Austrália, em ambientes de águas hipersalinas. Desde então, eles têm sido identificados em ambientes marinhos hipersalinos nas Bahamas e em atois na região do Pacífico Central. Foram também encontrados em lagos e cursos d’água na Espanha, Canadá, Alemanha, França, Austrália, Japão, etc. Embora esses sejam corpos de água doce, todos eles têm uma química da água incomum que permite que os estromatólitos prosperem.[2, 9] Pesquisadores estão encontrando colônias de estromatólitos vivos em ambientes cada vez mais diferenciados. A última descoberta identificou-os florescendo em terra na Austrália, em um ambiente caracterizado como pântanos ligados à turfa.[2]

Bernadette Proemse e seus colegas da Universidade da Tasmânia, Austrália, foram os primeiros a identificar estromatólitos vivendo como “tapetes lisos de estruturas globulares amareladas e esverdeadas crescendo na superfície molhada das barreiras de tufa”.[2] Os estromatólitos não estavam submersos em água, mas se elevavam acima dela, em um ecossistema rico em cálcio e alimentado por nascentes. Essa descoberta demonstra que estromatólitos recentes podem ser mais comuns do que se imaginava anteriormente. Pode ser que os cientistas e pesquisadores não os estejam procurando em terra, perto de nascentes de água doce. Continua...

(Texto original: Tim Clarey, PhD. Tradução e adaptação: Hérlon Costa e Thiago Soldani)

terça-feira, janeiro 16, 2018

Modelos ou “forçação de barra”?

Recentemente li em uma matéria publicada pelo jornal O Globo sobre uma fraude no Museu Nacional da Holanda, envolvendo uma amostra de rocha que, supostamente, seria uma “pedra lunar”. A amostra teria sido doada, na ocasião, pelo embaixador norte-americano na Holanda, Willian Middendorf, ao primeiro-ministro holandês Willem Drees. Segundo o jornal, a doação teria sido feita por ocasião de uma “turnê mundial” dos três astronautas norte-americanos que integraram a missão Apollo 11. O fato curioso teria sido descoberto por um especialista em questões espaciais que afirmou achar “estranho” e até mesmo duvidoso que a Nasa, a agência espacial americana, teria um desprendimento assim tão grande de abrir mão de uma raríssima amostra de material lunar somente para agradar ao primeiro-ministro holandês. Mas foram os geólogos da Universidade de Amsterdã que, mediante análises microscópicas, descobriram que, na verdade, se tratava de uma amostra de madeira petrificada e nem de perto teria procedência lunar. O mais curioso é que, segundo o museu, somente o seguro da tal pedra teria custado 50 mil euros. Hoje, após a descoberta, a amostra poderia ser vendida no máximo por 50 euros.

Esse fato me fez lembrar de uma aula muito interessante que tive durante meu mestrado sobre a formação das grandes províncias magmáticas do mundo. Lembro-me bem de que minha professora relatou sobre uma então recente discussão que estava ocorrendo durante os congressos de geofísica e de geologia a respeito de outra suposta fraude em alguns modelos geológicos que serviram de base para muitos artigos científicos.

Segundo alguns geofísicos, muitos pesquisadores que criaram modelos para a formação de ilhas oceânicas a partir de “hotspot” teriam usado de muita “criatividade” para a explicação dos processos vulcânicos associados. Alguns chegam até mesmo a achar que as tomografias mantélicas, feitas muitos anos atrás para sustentar essas hipóteses, foram manipuladas. Um grande grupo de geólogos simplesmente desacredita nessas informações, deixando essa discussão longe de ter um fim. Em virtude disso, alguns cientistas até propõem outros modelos para a formação de vulcanismo, como o pesquisador Don Anderson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo ele, os tradicionais modelos que mostram estreitos jatos de magma vindo das profundezas da Terra e disparando pelo meio de uma montanha em formato de cone, devem ser banidos dos livros-textos.

“Mas esse quadro está errado”, garante o professor Anderson. Segundo ele e seu colega James Natland (Universidade de Miami), esses estreitos canais de magma que dariam origem aos vulcões não existem nem fazem sentido – não existe, por exemplo, uma explicação da energia necessária para trazer o material até a superfície.

“Plumas vindas do manto nunca tiveram uma boa base física ou lógica”, diz Anderson, referindo-se ao formato de pena frequentemente usado pelos livros-textos para ilustrar os jatos de lava que alimentam os vulcões. Segundo o autor, para tentar detectar as hipotéticas plumas, os geólogos analisam a atividade sísmica medida por várias estações espalhadas por uma grande área. O tipo de material que essas ondas atravessam altera suas propriedades, o que pode ser usado para deduzir o tipo de material atravessado. Mas ninguém detectou os canais estreitos de lava em pesquisas feitas em áreas repletas de vulcões – no Havaí, no Parque de Yellowstone e na Islândia.

Agora, em parte graças a estações sísmicas melhores e mais adensadas, a análise de sismologia do planeta é boa o suficiente para confirmar que não existem “plumas mantélicas” estreitas, garantem Anderson e Natland. Em vez disso, os dados revelam que há grandes pedaços do manto, em movimento ascendente lento, com mais de mil quilômetros de largura, afirma o pesquisador.

O fato é que hipóteses podem ser comprovadas ou não. Modelos podem ser refeitos, abandonados, substituídos... Isso normalmente faz parte das pesquisas científicas. O grande problema reside na má-fé de alguns “pesquisadores” que manipulam imagens e/ou dados para comprovar suas teorias e embasar suas pesquisas. Não será difícil você achar na internet várias outras matérias abordando as fraudes cometidas por esses supostos pesquisadores para sustentar suas teorias. O fato é que precisamos ter os olhos bem abertos! Vejo que, quando falamos de criacionismo, parece que estamos falando de algo extremamente bizarro e sustentado em cima de mentiras. Mas será que tudo o que os cientistas lhe mostram como verdade é, de fato, verdade? O bom senso não serve somente ao estudarmos o planeta segundo a ótica criacionista; o bom senso serve ao usarmos qualquer lente para estudar a criação.

(Hérlon Costa é geólogo formado pela UFPA e mestre em Geologia Exploratória pela UFPR)

Fontes:
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1284661-5603,00-PEDRA+LUNAR+DE+MUSEU+HOLANDES+ERA+NA+VERDADE+MADEIRA+PETRIFICADA.html

Mantle updrafts and mechanisms of oceanic volcanism, Don L. Anderson, James H. Natland, Proceedings of the National Academy of Sciences, vol. published online: DOI: 10.1073/pnas.1410229111

terça-feira, agosto 08, 2017

Evolucionistas admitem: houve uma inundação catastrófica

Por um século após Charles Lyell (popularizador do princípio do uniformitarismo), não foi dispensada séria consideração às interpretações catastróficas dos dados geológicos. O acúmulo de dados finalmente forçou uma reconsideração, e a tendência recente no sentido de aceitar mais interpretações catastróficas se movimenta na direção predita por catastrofistas.[1]

Na década de 1920, o geólogo J. Harlan Bretz iniciou seu estudo dos Channeled Scablands, no estado de Washington, o qual culminou no enfraquecimento do rígido uniformitarismo de Lyell.[1] Essa região está situada na parte oriental de Washington e corresponde a um terreno plano elevado profundamente marcado por uma rede de cerca de 150 canais entalhada no Basalto do Rio Colúmbia, atingindo mais de uma centena de metros de profundidade.[2, 3]

O pensamento padrão insistia que a água em movimento no decorrer de longas eras era o único agente conhecido que poderia erodir profundamente uma rocha dura. Mas, respondendo aos dados, Bretz concluiu que a feição em questão era o resultado de uma inundação cataclísmica.[4] A resistência à sua hipótese foi firme por mais de duas décadas. Finalmente se tornou claro que Bretz estava certo – os canais dos Scablands foram escavados pelo escoamento repentino de dois quatrilhões de litros de água do Lago Missoula quando uma represa glacial rompeu.[1, 3] Um paredão de água de mais de uma centena de metros de altura foi formado, o qual levou tudo em seu caminho em uma questão de dias.[3]

O fluxo de água dessa megainundação foi tão grande quanto o fluxo combinado de todos os rios no mundo inteiro vezes dez, tendo atingido um fluxo máximo de aproximadamente 11 milhões de metros cúbicos por segundo. Para comparação, o fluxo do maior rio do mundo, o Amazonas, é de apenas 170 mil metros cúbicos por segundo.[3,5] Geólogos calculam que essa inundação causou seus próprios terremotos enquanto cruzava a paisagem. A evidência mais dramática deixada foram as Dry Falls (Quedas Secas), que correspondem a um penhasco de mais de 5,5 km de largura e 120 m de altura. Em seu pico as águas inundantes possivelmente alcançaram 240 m de profundidade no topo dos penhascos formados, de maneira que o volume de água, icebergs e pedregulhos do tamanho de uma casa colidindo com os penhascos em formação naquele momento deve ter sido inimaginável.[3]

Outra feição marcante desenvolvida por essa inundação são as “marcas onduladas gigantes”, que se formaram em muitos lugares. Elas são em tudo similares às marcas onduladas de centímetros de altura que podem ser observadas em qualquer praia, como resultado da ação das ondas, a não ser pelo tamanho. Cobrindo uma área de mais de 6 km quadrados, elas medem de 6 a 9 m de altura e de 60 a 90 m de largura. Alguns desses cordões ondulados individuais alcançam aproximadamente 3 km de comprimento.[5]

A aceitação da realidade desse evento, a grande inundação de Spokane, abriu o caminho para o reconhecimento de outros eventos catastróficos na história geológica previamente ignorados.[1] Nada como isso acontece hoje. A erosão acontece, mas ela comumente não é observada escavando profundamente as rochas. No entanto, os cientistas descobriram que a água fluindo sobre uma superfície rochosa em um fluxo rápido pode erodir mesmo rocha dura em um curto intervalo de tempo. Moléculas de água movendo-se rapidamente sobre as superfícies rugosas formam bolhas de vácuo que verdadeiramente “implodem” com grande força e fraturam a rocha adjacente, acelerando dessa forma a erosão (um processo chamado cavitação).[4]

Na década de 1960, Bretz ganhou o dia e convenceu os geólogos de que, ao menos nessa ocasião, processos catastróficos ocorreram. Se tanto dano assim resultou de um grande, porém local lago rompido fluindo sobre um canto do continente, qual dano poderia ser esperado do grande dilúvio de Noé?[4]

Para os geólogos evolucionistas os Channeled Scablands foram formados por sucessivas megainundações, como a descrita acima, resultantes do rompimento da mesma represa glacial várias vezes, no decorrer de milhares de anos, ao longo de repetidos ciclos de glaciação e deglaciação.[3, 5] Para os criacionistas, porém, houve uma só era do gelo, que ocorreu após o dilúvio de Noé[6] e, portanto, a feição geológica em questão deve ter se originado a partir de um só evento catastrófico pós-dilúvio. Apesar dessa divergência, é interessante notar o que há em comum nessas hipóteses: uma grande inundação ocorreu. Isso demonstra claramente que muitas feições geológicas atualmente interpretadas a partir da cosmovisão uniformitarista podem, talvez, ser reinterpretadas sob o prisma criacionista diluviano.

(Hérlon Costa é geólogo formado pela UFPA e mestre em Geologia Exploratória pela UFPR)

Referências:
[1] Brand, L. (2009). Faith, reason, and earth history: a paradigm of earth and biological origins by intelligent design. Andrews University Press; p. 245 e 246.
[6] Oard M. The Ice Age and the Genesis Flood. Acts & Facts. 1987; 16(6)

quinta-feira, julho 13, 2017

A Explosão Cambriana ou o “big bang” da vida

Livros-texto descrevem o registro fóssil como a “melhor evidência” para a evolução. Eles clamam que o registro fóssil prova a evolução porque parece haver uma sucessão das formas mais simples de vida para as mais complexas, e uma sucessão das formas marinhas para as terrestres. Charles Darwin sugeriu que toda a vida tem um ancestral comum. “Todos os seres orgânicos que já viveram na Terra podem ter descendido de alguma forma primordial.”[1] Darwin descreveu a história da vida como uma árvore, com o ancestral comum como sua raiz. A dimensão vertical representa tempo, enquanto a dimensão horizontal representa variação morfológica.

Quando Darwin escreveu A Origem das Espécies, os fósseis mais antigos conhecidos eram das camadas do Cambriano (período geológico que se iniciou há cerca de [supostos] 540 milhões de anos, de acordo com a datação radiométrica). Ele percebeu que o padrão fóssil do Cambriano não se adequava à sua teoria. “Para a pergunta por que nós não encontramos ricos depósitos fossilíferos pertencentes a esses períodos assumidos os mais antigos, antes do sistema Cambriano, eu não posso dar uma resposta satisfatória.”[1] Por que o registro fóssil Cambriano foi um problema para Darwin? Porque se a evolução biológica ocorreu de um modo gradual e contínuo, então (1) poucas formas fósseis (baixa diversidade) deveriam ocorrer nas camadas inferiores do registro sedimentar ou coluna geológica, (2) a diversidade deveria crescer em direção ao topo da coluna geológica (assim como o tempo), (3) as formas mais antigas deveriam ser mais generalistas e simples (baixa especialização), não altamente especializadas, (4) maior especialização deveria ocorrer nos organismos das camadas superiores, (5) novas formas deveriam estar substituindo formas ancestrais com sinais de mudança gradual (organismos intermediários ou transicionais) e (6) um ancestral comum deveria ser encontrado.

Darwin reconheceu a existência de uma “anomalia” no registro fóssil que representava um grande problema para sua teoria de evolução gradual a partir de um ancestral comum: o surgimento abrupto de formas de vida altamente complexas nas camadas basais do Cambriano. Seu aparecimento é tão abrupto que foi apelidado de a Explosão Cambriana.

O registro fóssil das camadas inferiores do período Cambriano consiste de variadas formas de animais interpretadas como tendo vivido na base do oceano. Elas são representativas da maior parte dos filos modernos, incluindo equinodermas (estrelas-do-mar, ouriços-do-mar), esponjas, moluscos, artrópodes, etc.

Foi sugerido que todos os ancestrais dos organismos Cambrianos tiveram partes moles e, portanto, não foram fossilizados. Esse argumento não é válido porque há muitos fósseis de organismos de corpo mole no registro sedimentar, incluindo muitos dos fósseis Cambrianos. As águas-do-mar têm muitas partes moles e, no entanto, deixaram muitos fósseis distintos nas rochas do Cambriano. Não é que não existam fósseis nas rochas abaixo das camadas do Cambriano. Eles existem na verdade em várias partes do mundo, e são chamados de fauna Pré-Cambriana Ediacarana. A fauna Ediacarana antecede a explosão Cambriana em 25 milhões de anos na escala do tempo evolucionária. A fauna Cambriana é descendente da fauna Ediacarana? A fauna Ediacarana consiste em animais de corpo mole, enquanto a fauna Cambriana corresponde a criaturas de corpo mole e de corpo duro (com conchas). Os animais Ediacaranos não foram os ancestrais dos animais Cambrianos.

Os cientistas estão intrigados pelas vastas mudanças evolutivas que ocorreram em tão pouco tempo. Muitos paleontólogos acreditam que a fauna Cambriana representa a substituição completa das formas Pré-Cambrianas Ediacaranas (animais de corpo mole, sem esqueleto, que pré-datam a Explosão Cambriana em 25 milhões de anos na escala de tempo evolucionária) após uma extinção em massa, não a mudança gradual simples. Mas não há evidência para essa especulação. E o modelo darwiniano para a origem dos animais requer a existência de ancestrais dos organismos Cambrianos. Mas eles não são encontrados em lugar algum e não parece que pesquisas futuras resolverão o problema. Quais são algumas das especulações para o rápido surgimento dos fósseis Cambrianos? Paul Smith, um paleobiólogo do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, disse em uma entrevista para a livecience.com que “há cerca de 30 hipóteses por aí para a Explosão Cambriana”. Os cientistas têm sugerido tudo, desde variações genéticas a mudanças geoquímicas, e até mesmo um padrão luminoso estrelado na Via Láctea, para explicar a explosão repentina na diversidade.[2]

Foi sugerido que o aumento no conteúdo de oxigênio há cerca de 700 milhões de anos desencadeou a evolução de estruturas corpóreas mais complexas. Mas pesquisas têm demonstrado que o conteúdo de oxigênio nas rochas de alegadamente 2,1 bilhões de anos foi provavelmente o mesmo do período em que a Explosão Cambriana ocorreu.[3] Mesmo se um aumento de oxigênio ocorreu algum tempo antes do Cambriano essa hipótese não explica o porquê de uma ocorrência repentina e não um surgimento gradual.

Alguns tem sugerido que a Explosão Cambriana foi desencadeada por uma subida global do nível do mar com a consequência da inundação das áreas continentais rasas e planas. As áreas inundadas teriam provido um vasto habitat para os organismos aquáticos, mas seriam erodidas, liberando para a água do mar muitos minerais, tais como cálcio e estrôncio. Esses minerais são tóxicos para as células e os organismos teriam que evoluir a habilidade de excretar os minerais tóxicos. Consequentemente, o que eles fizeram foi incorporar esses minerais em seus exoesqueletos, possibilitando planos corpóreos muito mais complexos e alimentando adaptações. O problema para essa hipótese é que ela pressupõe que as superfícies de terra Cambrianas foram erodidas, que os minerais foram liberados para o mar e absorvidos nos esqueletos e que tudo isso desencadeou evolução. Não há evidência conhecida para essa cascata de eventos, e, portanto, eles não podem ser usados para explicar por que a fauna Cambriana surgiu repentinamente.

Outra especulação é que uma extinção ocorreu um pouco antes do Cambriano e abriu nichos ecológicos ou “espaços adaptativos” que as novas formas exploraram.[4] Um grande problema para essa hipótese é que não há evidência para tal extinção Pré-Cambriana, exceto para a extinção da fauna Ediacarana, que, no entanto, não está de nenhuma forma relacionada à fauna Cambriana. Além disso, seria necessário explicar tanto a extinção Pré-Cambriana quanto a origem desses organismos Pré-Cambrianos.

Alguns paleontologistas têm sugerido que fatores genéticos foram cruciais para o rápido surgimento da fauna Cambriana.[2] Eles propõem que a evolução gradual de um “kit” de genes ocorreu antes da Explosão Cambriana. Esses genes controlaram os processos de desenvolvimento. Um período sem precedentes de mudanças genéticas ocorreu, o que desencadeou o aparecimento de muitas novas formas biológicas (diversidade) e o desaparecimento de muitas outras. Apenas os planos corpóreos adaptados vieram a dominar a biosfera. Os problemas com esse modelo são vários. Primeiro, essa ideia é puramente especulativa, não baseada em espécimes Pré-Cambrianas reais. Segundo, o cenário é plausível, mas ainda não explica a surgimento abrupto observado no Cambriano. E terceiro, a última afirmação – de que apenas planos corpóreos que se tornaram mais adaptados vieram a dominar a biosfera – é um raciocínio circular.

Essas hipóteses são apenas uma amostra das muitas já sugeridas. É importante notar que o que elas oferecem é um número de possíveis eventos ambientais, genéticos e geoquímicos associados com a rápida origem da fauna Cambriana, mas não como a fauna Cambriana se originou. Há uma diferença fundamental entre afirmar o que pode ter ocorrido durante o surgimento da fauna Cambriana e como a fauna surgiu em passos graduais a partir de um ancestral comum. O que necessitamos é de um mecanismo para a origem repentina, não uma descrição dos resultados.

A Explosão Cambriana é um problema tremendo para a teoria da evolução. Não há evidência de como os organismos Pré-Cambrianos unicelulares ou multicelulares de corpo mole poderiam ter evoluído para os organismos de carapaça e de corpo mole altamente complexos e diversificados. Os animais complexos do Cambriano aparecem abruptamente no registro fóssil com cada órgão e estrutura completos e prontos para a sua função. Algumas das estruturas biológicas mais complexas já estão presentes nos organismos Cambrianos, tais como o olho da lula, que é muito similar ao olho humano.

Tanto os fósseis Cambrianos quanto os Pré-Cambrianos indicam surgimento repentino de (1) alta complexidade, (2) alta diversidade e (3) ampla distribuição geográfica. Essas feições são um problema para a teoria da evolução porque não são esperadas dentro de um modelo de aparecimento gradual e mudança com o tempo. De acordo com o modelo de evolução darwiniano, os primeiros organismos deveriam ser muito simples (baixa complexidade) e mostrar baixa diversificação (deveria haver poucas formas). As formas iniciais deveriam ser muito similares (baixa disparidade) e se diferenciar progressivamente. Ao invés disso, encontramos alta disparidade desde o começo do registro fóssil animal. Todas essas feições estão em assinalada contradição com as pressuposições e predições darwinianas.

Existe uma alternativa para os modelos evolutivos? Podemos prover uma hipótese razoável dentro de um modelo de dilúvio bíblico de curto tempo? A resposta é sim. O modelo do dilúvio provê uma explicação razoável para a Explosão Cambriana. Primeiro, ele explica por que os ancestrais do Cambriano não foram fossilizados – porque, na realidade, eles não existiram. Segundo, ele provê um cenário para o soterramento e fossilização dos organismos Cambrianos. Provavelmente os fósseis Cambrianos foram espécies que viveram no fundo oceânico pré-diluviano e foram os primeiros soterrados pelo sedimento levado para os oceanos. Ou eles podem ter sido soterrados no começo do dilúvio, quando “todas as fontes do grande abismo se romperam” (Gênesis 7:11). A abertura dessas fontes deve ter sido um evento catastrófico que pode ter causado terremotos subaquáticos, grandes ondas, correntes, e a remoção e transporte de grandes massas de sedimento, que provavelmente foram depositadas cobrindo superfícies excessivamente amplas do fundo marinho, soterrando, dessa forma, seus habitantes – a fauna Cambriana. A fauna Pré-Cambriana teria sido de animais e organismos unicelulares soterrados e fossilizados durante eventos de sedimentação ocorridos após a queda e antes do dilúvio.

(Raúl Esperante, Geoscience Research Institute, Loma Linda, Califórnia; https://grisda.wordpress.com/2015/05/11/the-cambrian-explosion/; tradução de Hérlon Costa e David Pereira)

Referências:
[1] Darwin, C. 1872. The Origin of Species, 6th edition, p. 289.
[2] Levinton, J. S. (2008). The Cambrian Explosion: How do we use the evidence? Bioscience, 58(9), 856-864.
[3] Oxygen is not the cause of the Cambrian explosion. Astrobiology Magazine, October 22, 2013.
[4] Marshall, C. R. (2006). Explaining the Cambrian “Explosion” of animals. Annual Review of Earth and Planetary Sciences, 34(1), 355-384.

sexta-feira, maio 19, 2017

Os desafios de ser geocientista criacionista no Brasil

Que dizem as rochas?
Em entrevista dada à coluna de tecnologia de um jornal local em Minas Gerais, o cientista francês Jérôme Baron, pós-doutor pelo Max Planck Institite (referência mundial em pesquisas do cérebro), afirmou que fazer pesquisa no Brasil “é quase heroico”. Baron mudou-se para o Brasil, abandonando o Instituto Max Planck, na Alemanha, para ficar perto da esposa, brasileira, e da filha. Hoje ele é pesquisador na Universidade Federal de Minas Gerais, onde trabalha estudando a percepção visual de corujas. Se nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil já temos grande falta de investimentos em projetos de pesquisas científicas, o que falar então de regiões como Norte e Nordeste? Mas é de lá que vem o maior número de geocientistas criacionistas, principalmente geólogos, que eu conheço.

Durante minha graduação, não abracei de imediato o criacionismo. Talvez por ter pouco conhecimento a respeito ou achar pouco interessante. Entretanto, ficou claro para mim, no decorrer dos anos, principalmente durante meu mestrado, que não podia conviver com a ciência de um lado e a religião do outro. Era estranha a ideia de que, durante a semana, eu vestia minha “roupa” de pesquisador, e nos fins de semana, a “roupa” de cristão. O conflito de crenças e ideias sempre vem. E você é obrigado a tomar uma posição: ou fé ou razão. Foi aí que descobri que não precisava abrir mão de uma ou de outra. Que, na verdade, há muita fé no que chamamos de “razão” e bastante razão no que embasamos nossa fé, a Palavra de Deus. Foi então que decidi mergulhar fundo no criacionismo, onde descobri que, semelhantemente, outros colegas de diferentes áreas da ciência também estavam na mesma busca – a ciência na religião.

Os desafios vêm. Os questionamentos crescem de maneira exponencial. Porém, como na ciência, são as perguntas que nos motivam a avançar em busca de novas descobertas. E como tenho descoberto! Como tenho visto que novos modelos podem ser propostos e antigos modelos, questionados. Como, aos poucos, Deus nos revela Seus maravilhosos mistérios por meio da ciência. Como consegui enxergar que aquilo que parecia impossível de se harmonizar em minha mente, ciência e religião, na verdade, são áreas que podem caminhar lado a lado. Porque o Deus da religião usou Sua maravilhosa ciência para criar todas as coisas. O problema está na “ciência” que os homens querem enxergar. Não é errado questionar. Não é errado investigar... Sendo assim, por que não questionar antigos modelos e propostas para darmos passos largos em direção às verdadeiras descobertas sobre as origens, ou mesmo coisas ainda não reveladas a respeito?!

Mas quem disse que é fácil? Se para a pesquisa científica secular no Brasil já não se tem muito incentivo, o que falar sobre pesquisas criacionistas, sobretudo na área de geociências? “A falta de conhecimento sólido sobre os argumentos criacionistas por parte da grande maioria dos acadêmicos (professores e alunos) dentro do campo das geociências tem sido uma das maiores dificuldades para os geocientistas criacionistas”, afirma David Pereira, criacionista, mestrando em geologia pela Universidade Federal do Pará. No campo das geociências, ainda temos pouco com o que contar, principalmente no Brasil. Graças a trabalhos como os dos geólogos doutores Nahor Neves, Marcos Natal e outros, a Sociedade Criacionista tem recebido importantes contribuições nessa área nos últimos anos. Mas é preciso mais! É preciso sair da zona de conforto e caminhar com ousadia e confiança. É preciso crer que se está do lado certo. Ainda que o “caminho largo” pareça mais confortável e ninguém olhe para você com receio, como disse o criacionista e estudante de geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Thiago Soldani.

Ao longo desses anos de estudante e pesquisador, tenho visto colegas de fé e profissão ficarem na “sombra”, com receio de serem ridicularizados. Outros, por não haver um aporte de material conciso ou mesmo “convincente” a respeito da geologia criacionista, preferem acreditar em teorias seculares, montando ideias que misturam um pouco daqui e dali, para não desagradar a “gregos e troianos”. Mas, nesse ponto, precisamos olhar para trás e aprender com nossos irmãos evolucionistas. Basta lembrar que, quando a teoria da Tectônica de Placas foi apresentada ao público pela primeira vez pelo geólogo norte-americano Harry Hass (que tomou como base os estudos de Alfred Wegner sobre a Deriva Continental), na década de 1960, foi simplesmente ridicularizada. Mas a persistência dele, a dedicação e, sobretudo, a fé em suas pesquisas o levaram ao progresso. Desde então, inúmeras pesquisas foram e vêm sendo realizadas nessa área. E hoje essa teoria é considerada seminal para a geologia moderna.

Por mais desafiador que seja trabalhar com a geociência e o criacionismo, mesmo sem haver grandes financiamentos ou mesmo um grande número de pesquisadores para “somar” a esse tão “temido” grupo nos estudos criacionistas, sinto que fomos chamados para marcar uma nova geração de pesquisadores que não têm medo de caminhar a segunda milha! Que não medem esforços para ir além dos livros seculares. Que, como Harry Hass, não têm medo de serem ridicularizados.

Saiba que existe um universo de evidências enterradas e registradas nas rochas sobre os grandes mistérios da Criação. Saiba que você, geólogo, geofísico, engenheiro, geólogo ou qualquer outro profissional ligado às áreas da geociência pode e tem o direito de não aceitar esse desafio... Mas só quero que você não esqueça: se você não falar, “as pedras clamarão”! (Lucas 19:40).

(Hérlon Costa é geólogo formado pela UFPA e mestre em Geologia Exploratória pela UFPR)