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quinta-feira, janeiro 23, 2020

Cristão vs. acadêmico: é possível ser os dois?

Conciliar fé e razão tem sido, há décadas, um aparente dilema para grande parte dos cristãos que decide enfrentar e se engajar no ambiente acadêmico. (1) Quais são as lutas que eles encontram nesse meio? (2) É possível manter-se fiel às suas crenças, quando muitos ao redor as estão as questionando e mesmo tentando desconstruí-las? (3) A ciência nos afasta da fé em Deus? (4) Existem cristãos verdadeiros que venceram no meio acadêmico? Qual o segredo deles?

Neste vídeo, Rafael Christ Lopes, doutor em cosmologia pela USP e professor do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), fala sobre sua trajetória em uma das áreas tradicionalmente mais céticas do conhecimento.

Ele dá seu testemunho de fidelidade diante da adversidade e conta como, ao contrário do que muitos esperavam, descobriu evidências sólidas a respeito de Deus na natureza e teve sua fé fortalecida, ao invés de desacreditada.



(Se você gostar, não se esqueça de dar like e compartilhar o conteúdo. Isso ajudará a divulgar o vídeo e alcançar mais pessoas que precisam desse testemunho.)

terça-feira, novembro 05, 2019

Uma pregação desesperada em favor da evolução

Evolução é um fato? É um dos melhores exemplos de boa ciência que temos à nossa disposição? Quando li a reportagem abaixo, tive uma forte reação que mesclou revolta e indignação. Passado algum tempo de digestão, resolvi escrever um comentário crítico sobre algumas das distorções que a mídia pseudocientífica se esforça para apregoar como ciência, mas que é, na verdade, uma cruzada darwinista que tenta impôr com veemência a teoria do naturalista inglês Darwin como um fato científico indiscutível. Vamos a ela [meus comentários estão destacados entre colchetes]:

Como nós sabemos que a evolução está de fato acontecendo?

Fonte: BBCpor Chris Baraunik

A evolução é uma das grandes teorias em toda a ciência [penso ser difícil dizer isso sem alto grau de subjetividade, assim como acho difícil comparar a TE com a gravitação universal ou o modelo atômico de Bohr]. Ela explica a vida: especificamente, como a primeira forma de vida gerou toda a gigantesca diversidade que nós vemos hoje, das bactérias até aos carvalhos e às baleias azuis [na realidade uma das grandes fragilidades da teoria da evolução é a ausência completa de explicação para o surgimento da primeira célula viva, haja vista a complexidade irredutível da mais simples forma de vida concebível e das condições contraditórias e mutuamente excludentes do ambiente para que isso ocorresse de forma espontânea].

Para os cientistas, a evolução é um fato [quais cientistas? todos eles? quais as evidências? essa é uma afirmação baseada em estatística ou apenas uma bravata?]. Nós sabemos que a vida evoluiu com a mesma certeza de que sabemos que a Terra é aproximadamente esférica, que a gravidade nos mantém sobre ela, e que as vespas no piquenique são chatas [simplesmente ignoram as inúmeras evidências em contrário - vide os materiais disponíveis neste site. Um engodo de retórica também].

Não que você não saiba que a mídia, em alguns países, rebaixa-a a “apenas uma teoria”, ou a despacha como uma mentira [sugestivamente os países teocráticos e atrasados, quem sabe].

Por que os biólogos estão tão certos sobre isto [e os bioquímicos, químicos, físicos etc.? agora "todos os cientistas" reduziram-se apenas aos biólogos...]? Qual é a evidência? A resposta mais simples é a que existem tantas coisas que é difícil saber por onde começar [mais outra bravata sem muito fundamento, como veremos adiante]. Mas aqui está um resumo muito apressado da evidência de que a vida, de fato, evoluiu [sic - na verdade, o texto abaixo mostrará a fragilidade das "certezas" até agora declaradas].

Pode ajudar se primeiro se disser o que a teoria da evolução de Darwin diz de fato. A maior parte de nós tem a ideia geral: organismos mudam ao longo do tempo, apenas os aptos sobrevivem, e de alguma forma os macacos se tornaram em seres humanos.

A teoria da evolução de Darwin diz que cada novo organismo é sutilmente diferente dos seus pais, e estas diferenças podem, às vezes, ajudar a procriação ou a impedir. Como os organismos competem por comida e parceiros, os que possuem características avantajadas produzem mais prole, como aqueles com características desvantajosas podem não produzir nenhuma. Então, dentro de uma dada população, características vantajosas se tornam comuns e as desvantajosas desaparecem [estas características observadas por Darwin na reprodução dos tentilhões e dos cães, por exemplo, explicam variações dentro da espécie e, em nenhum momento, a teoria da evolução explica como informação complexa e útil poderia surgir por mutações nos seres vivos].

Dado tempo suficiente, estas mudanças se acumulam e levam ao aparecimento de novas espécies e novos tipos de organismo, uma pequena mudança de cada vez [novamente: como? como um ser simples poderia dar origem a um mais complexo, que possui mais informação genética e cujas mutações intermediárias não seriam úteis para produzir um órgão irredutivelmente complexo, por exemplo? Parece que todas essas dificuldades foram jogadas no chapéu mágico do "dado tempo suficiente"]. 

Passo a passo, vermes se tornaram peixes, peixes vieram para a terra e desenvolveram quatro patas, estes animais quadrúpedes produziram pelos e – eventualmente – alguns deles começaram a andar em duas patas, chamaram-se a si mesmos “humanos” e descobriram a evolução [o registro fóssil é surpreendentemente silente nessas transições imaginárias aqui descritas. Existem, sim, seres intrigantes como o ornitorrinco e os peixes blênios, mas esses animais continuam apresentando questões impeditivas para a sua origem evolutiva e que podem ser encaixadas com facilidade no modelo criacionista].

Isto pode ser difícil de se acreditar [é mesmo! aqui eu estou de completo acordo]. Uma coisa é constatar que você não é idêntico aos seus pais: talvez seu cabelo tenha uma cor diferente, ou você seja mais alto, ou tenha uma natureza mais alegre [e continuo sendo um humano, como eles]. Mas é muito mais difícil de se aceitar que você é descendente, por incontáveis gerações, de um verme.

Muitas pessoas certamente não aceitam isso. Mas esqueça todo o drama por um momento. Ao invés disso, comece onde Charles Darwin começou: na sua porta.

O livro de Darwin, Sobre a Origem das Espécies, publicado em 1859, começa por convidar o leitor a olhar o que lhe é familiar. Não às inexploradas ilhas tropicais ou florestas distantes, mas à fazenda e ao jardim. Lá, você pode facilmente ver que os organismos passam suas características para sua prole, mudando a natureza daquele organismo ao longo do tempo [a mudança de natureza da prole nunca foi observada por Darwin. Cães continuaram sendo cães, plantas continuaram sendo plantas, e aves continuaram sendo aves. Não houve nem mesmo aumento de complexidade dentro da própria espécie. "Mudar a natureza do organismo" é uma licença poética muito descabida aqui].

Darwin destacou o processo de cultivo [de plantas] e criação [de animais]. Por gerações, fazendeiros e jardineiros têm, propositalmente, criado animais para serem maiores ou mais fortes, e plantas para produzirem melhores colheitas [vide comentário anterior].

Criadores [de animais e vegetais - breeders] trabalham exatamente como Darwin imaginou que a evolução trabalha [não, não trabalham. Eles escolhem deliberadamente as características desejadas e imaginadas para o propósito final: melhorar sua economia. Isso não ocorre de maneira cega e desajudada, como na teoria da evolução]. Suponha que você deseja criar galinhas que põem mais ovos. Primeiro, você deve encontrar aquelas que põem mais ovos do que as outras. Então você precisa chocar os ovos delas e assegurar-se de que as galinhas resultantes se reproduzam. Essas galinhas devem também pôr mais ovos [se isso não tiver um benefício imediato, para a TE, as galinhas mais poedeiras são descartadas - justamente o contrário do que ocorre com a atuação dos criadores de raças de animais, porque exaurem mais rapidamente os recursos através da postura. E essa característica da seleção natural é impeditiva na evolução de órgãos complexos].

Se repetir o processo com cada geração, eventualmente você terá galinhas que põem muito mais ovos do que as selvagens põem [mas não terá galinhas amamentando seus pintainhos nem latindo para cuidar da sua casa]. Uma galinha da selva – o parente selvagem mais próximo da galinha doméstica – pode pôr 30 ovos por ano, quando as galinhas da fazenda podem produzir dez vezes esta quantidade. Estas mudanças de geração a geração são chamadas “descendência com modificação”.

Uma galinha jovem pode ser em muitos sentidos similar aos seus progenitores: será reconhecível como uma galinha, e definitivamente não um tamanduá, e provavelmente será mais parecida com os seus pais do que será com outras galinhas [!!!]. Mas não será idêntica [talvez porque o Criador não desejasse um planeta de clones, que seria bastante entendiante].

“É isto que a evolução é”, diz Steve Jones, da University College London, no Reino Unido. “É uma série de erros que se acumulam” [principalmente nas universidades e museus].

Você pode pensar que a reprodução pode apenas fazer umas poucas modificações, mas parece não haver fim para estas ["parece não haver fim para estas" - opa! estamos mais modestos aqui! este tom está infinitamente mais brando do que as bravatas iniciais da reportagem!]. “Não há nenhum caso registrado de um ser mutável cessando de variar sob cultivo”, escreveu Darwin. “Nossas plantas mais antigas cultiváveis, como o trigo, ainda produzem novas variáveis: nossos animais domésticos mais antigos ainda são capazes de rápido desenvolvimento ou modificação” [até aqui nenhuma evidência de variação inter-espécies ou de acréscimo de informação. A variação dentro de uma mesma espécie sendo usada como explicação para a macroevolução parece ser um clássico exemplo do problema da indução].

A criação [breeding], argumentou Darwin, é essencialmente a evolução sob a supervisão humana. Ela nos mostra que as minúsculas mudanças de geração a geração podem se somar. “É inevitável”, diz Jones. “Está fadado a acontecer” [Ler comentários acima. Problema da indução. Eu tomo um exemplo muito modesto e faço uma generalização absurda, com evidências fracas e ambíguas, não explico os problemas inerentes e lanço-os no chapéu mágico do tempo].

Ainda, é um passo sair da criação cuidadosa de galinhas que põem mais ovos para a evolução natural de novas espécies. De acordo com a teoria evolucionária, aquelas galinhas são ultimamente descendentes dos dinossauros, e se você for ainda mais para trás, dos peixes [só me explique como, por favor].

A resposta é simplesmente que a evolução toma muito tempo para fazer grandes mudanças [olha o chapéu mágico aí, gente!]. Para se ter uma evidência disto, você deve olhar para os registros mais antigos. Você deve olhar para os fósseis.

Fósseis são as reminiscências de organismos que morreram há muito, preservados em rocha. Porque as rochas são depositadas em camadas, uma sobre a outra, o registro fóssil é, geralmente, estabelecido em ordem de data: os fósseis mais antigos estão no fundo [a diferença das taxas de flutuabilidade dos cadáveres também é uma explicação para a ordenação do registro fóssil].

Percorrendo o registro fóssil, fica claro que a vida mudou ao longo do tempo [na realidade, a vida era diferente muito tempo atrás. Não há transição clara e inconfundível entre um tipo de organismo e outro, sem que haja ao menos grandes doses de especulação e subjetividade].

Os fósseis mais velhos de todos são reminiscências de organismos simples como bactérias, com coisas mais complicadas como animais e plantas apenas aparecendo muito mais tarde [vide a taxa de flutuabilidade dos corpos]. Entre esses fósseis animais, os peixes aparecem muito antes que os anfíbios, pássaros e mamíferos. Nossos parentes mais próximos, os macacos, são encontrados apenas nas rochas mais rasas e recentes [os corpos de mamíferos flutuam por mais tempo na água, e há também uma teoria sobre zoneamento ecológico que pode explicar esses fósseis].

“Eu sempre penso que o caso mais convincente de evolução está no registro fóssil”, diz Jones. “É notável que uma página em cada seis no livro A Origem das Espécies lida com o registro fóssil. [Darwin] soube que este era um caso irrefutável de que a evolução aconteceu” [o registro fóssil, conforme apregoado pela TE, está completo em apenas dois lugares: os museus e os livros de história. Nenhum sítio fóssil, por mais completo e impressionante que seja, como, por exemplo, o folhelho Burgess, apresenta a cadeia evolutiva como preconizada na teoria. Darwin, na realidade, disse que uma contraprova de sua teoria seria a existência de registros fósseis sem explicação para seu surgimento - do que tivemos plena evidência a posteriori, como na Explosão Cambriana, por exemplo].

Ao estudar cuidadosamente os fósseis, os cientistas têm sido capazes de ligar muitas espécies extintas com aquelas que sobrevivem hoje, às vezes indicando que uma descende da outra [com muita subjetividade e não sem deixar larga margem para questionamento].

Por exemplo, em 2014 pesquisadores descreveram os fósseis de um carnívoro de 55 milhões de anos de idade chamado Dormaalocyon, que pode ser um ancestral comum dos leões, tigres e ursos de hoje. As formas dos dentes do Dormaalocyon evidenciam isto [pela forma dos dentes eu poderia também estabelecer a evolução do Tião Macalé a partir de um furador de papel].

Ainda, você pode não estar convencido. Estes animais podem todos ter dentes similares, mas leões, tigres e Dormaalocyons são ainda espécies distintas. Como nós realmente sabemos que uma espécie evoluiu em outra?

O registro fóssil é de muita ajuda aqui, porque este está incompleto [realmente, um registro fóssil incompleto beneficia muito a TE, pois na incompletude estão os seres imaginários que constituem os fósseis de transição - que nunca serão encontrados, porque nunca existiram de verdade]. “Se olhar para a maioria dos registros fósseis, o que você vê atualmente é uma forma que dura mais ou menos um longo tempo e depois a nova penca de fósseis que você tem é bem diferente do que tinha antes”, diz Jones [surpresa! dura mais ou menos certo tempo com a mesma forma e de repente muda rapidamente! não seria esperado justamente o oposto, conforme axiomas da TE?].

Mas conforme temos escavado mais e mais restos, um tesouro de “fósseis de transição” tem sido descoberto. Estes “elos perdidos” são intermediários entre as espécies familiares [os fósseis "de transição" descobertos são apenas assumidos e classificados como de transição. Em vários casos, alguns deles relatados neste site, ficou claro que a transição imaginada inicialmente não se observou. Um exemplo clássico é o do homem de Neanderthal, tido anteriormente como um precursor do Homo sapiens, mas agora classificado como uma espécie paralela. Mas há ainda muitos outros casos semelhantes]. 

De fato, antes nós dissemos que as galinhas são, em última instância, descendentes dos dinossauros. Em 2000 um time liderado por Xing Xu, da Academia de Ciências Chinesa, descobriu um dinossauro pequeno chamado Microraptor, que possuía penas semelhantes às das aves modernas e pode ter sido capaz de voar [sempre há um alto grau de subjetividade nessa reconstituição fóssil. É importante ao leitor saber que os fósseis por vezes são apenas marcas deixadas em rochas por seres que viveram há muito tempo, sendo, na maioria das vezes, evidências de pequenos fragmentos ou partes de corpos que já não estão presentes. A recomposição desses fósseis é um trabalho duro e que, em diversas ocasiões, apresenta lacunas que são preenchidas por dedução e indução. Já houve caso de uma espécie de dinossauro que nunca existiu de fato - o Brontossauro - que teve a cabeça montada na cauda ao invés do pescoço, e de um Apatossauro que teve a cabeça de outro animal montada em seu corpo. Dúvidas sobre esses dois animais persistiram até 1970, após durarem quase 100 anos. Aí vem a mídia pseudocientífica e adiciona as "certezas" que os próprios cientistas não têm. A paleontologia é um ramo fantástico da ciência, mas está longe de ser cheia de certezas e provas contundentes, como alegado].

É também possível observar a evolução de novas espécies enquanto ela ocorre. Em 2009, Peter e Rosemary Grant, da Universidade Princeton em New Jersey, descreveram uma nova espécie de tentilhão que veio à existência em uma das ilhas Galápagos: as mesmas ilhas visitadas por Darwin. Em 1981, um único tentilhão-da-terra chegou na ilha chamada Daphne Maior. Este era incomumente grande e entoava um trinado algo diferente do trinado dos pássaros locais. Ele era capaz de se reproduzir, e sua prole herdou suas características diferenciadas. Após algumas gerações, eles estavam isolados em termos reprodutivos: eles pareciam diferentes dos outros pássaros, e cantavam de forma diferente, então podiam apenas reproduzir-se entre si. Este pequeno grupo de pássaros formou uma nova espécie: eles se “especiaram” [e continuou sendo uma espécie de tentilhão, que não acrescentou informação ao seu DNA. Isso é plenamente aceito hoje no criacionismo, sem ferir qualquer princípio bíblico ou admitir a TE].

Essa nova espécie é apenas sutilmente diferente de seus antecessores: seus bicos são diferentes e trinam unusualmente. Mas é possível olhar muito além nas mudanças enquanto elas acontecem.

Richard Lenski, da Universidade Estadual de Michigan, está no cargo do experimento evolucionário mais extenso do mundo. Desde 1988, Lenski tem acompanhado 12 populações de bactérias Escherichia coli em seu laboratório. As bactérias são deixadas à sua própria sorte em containers de armazenamento, com nutrientes para se alimentarem, e a equipe de Lenski regularmente congela pequenas amostras. “Nós tentamos fazer isso todo dia”, ele diz.

As E. coli não são mais as mesmas como elas eram em 1988. “Em todas as 12 populações, as bactérias evoluíram para crescer muito mais rapidamente do que o seu ancestral”, disse Lensky. Elas se adaptaram ao mix específico de [nutrientes] químicos que ele dá a elas.

“É uma demonstração muito direta da ideia de Darwin sobre a adaptação através de seleção natural. Agora, cerca de 20 anos depois no experimento, a linhagem típica cresce 80% mais rápido do que o seu ancestral” [note que agora não se fala de evolução, mas de "adaptação", o que é bem diferente e nada sutil. É esperado que populações de bactérias com abundância de alimento e sem predadores presentes cresçam mais - isso se dá com praticamente todos os animais, até com os humanos].

Em 2008, a equipe de Lenski reportou que as bactérias deram um gigantesco passo adiante [há bastante entusiasmo aqui, como veremos abaixo]. A mistura em que elas vivem incluem um químico chamado citrato, o qual a E. coli não pode digerir [meia-verdade: a E. coli pode, sim, digerir citrato anaerobicamente. Toda a estrutura genética para isso já está presente na bactéria]. Mas 31.500 gerações no experimento, uma das 12 populações começou a se alimentar de citrato. Isto seria como os humanos de repente desenvolverem a capacidade de comer cascas de árvore [nesse caso, os seres humanos deveriam ter desenvolvido uma capacidade totalmente nova de digerir resina, o que não é comparável ao fato de a E.coli ter começado a digerir citrato. Na realidade, de acordo com informações divulgadas pelo site creation.com, a mídia pseudocientífica tenta dar a ideia de que a E. coli de Lenski teria começado a metabolizar o citrato, também conhecido como óxido cítrico ou TCA, mas isso simplesmente não é verdade. A E. coli comum sempre pôde metabolizar o TCA de forma anaeróbica. A mutação que ocorreu no experimento de Lenski apenas alterou uma propriedade do DNA da E. coli que Michael Behe chama de "o limite da evolução": um benefício adaptativo que depende de uma única mutação para acontecer e que, por isso mesmo, seria extremamente improvável de ocorrer para casos mais complexos, onde muitas mutações precisariam ser observadas de forma mais ou menos simultânea e cumulativa para proporcionar uma vantagem competitiva. Destaca-se que o experimento de Lenski equivale a alguns milhões de anos em gerações humanas, só que no mundo das bactérias. Portanto, seria esperado que as mutações da E. coli no experimento de Lenski fossem muito mais expressivas caso a TE de Darwin estivesse assim correta, mas isso não foi observado. Em outras palavras, o experimento de Lenski simplesmente mostrou o contrário: não foi possível observar a evolução significativa que se esperaria caso a teoria darwinista fosse uma verdade, como afirma a reportagem da BBC].

O citrato sempre esteve lá, disse Lenski, “então, todas as populações tiveram a oportunidade de evoluir a habilidade de usá-lo... Mas apenas uma das 12 populações achou uma forma de fazer isso”.

Neste ponto, o hábito de Lenski de regularmente congelar amostras da bactéria se provou crucial. Ele foi capaz de voltar atrás nas amostras mais antigas, e traçar as mudanças que levaram a E. coli a se alimentar de citrato.

Para fazer isso, ele teve que olhar sob o capô. Ele usou uma ferramenta que não estava disponível nos dias de Darwin, mas que revolucionou o nosso entendimento da evolução como um todo: genética.

Todos os seres vivos carregam genes, na forma do DNA.

Genes controlam como um organismo cresce e se desenvolve, e eles são passados dos pais para seus descendentes. Quando uma mamãe galinha põe um monte de ovos, e passa essa característica para sua prole, ela o faz através de seus genes.

Ao longo do último século os cientistas catalogaram os genes de diferentes espécies. Isso resultou em que todas as formas de vida armazenam informação em seu DNA da mesma forma: elas todas usam o mesmo “código genético” [e... ??? como isso poderia validar a TE?].

E mais ainda, organismos podem compartilhar os mesmos genes. Milhares de genes encontrados no DNA humano podem ser encontrados também no DNA de outras criaturas, incluindo plantas e mesmo bactérias [o que é altamente esperado se considerarmos que um único Criador tenha produzido todas as formas de vida conhecidas. Teria Deus de jogar fora todas as fôrmas de cada uma das criaturas e começar cada espécie do zero para ser reconhecido como Criador? Um artista, artesão, engenheiro ou arquiteto não reutiliza elementos de suas obras anteriores para criar as novas? Não seria essa uma evidência favorável a um único Autor da vida?].

Esses dois fatos implicam que toda a vida moderna descendeu de um único ancestral comum, o “último ancestral universal”, que viveu bilhões de anos atrás [sic].

Ao comparar quantos genes os organismos compartilham, nós podemos entender como eles estão relacionados. Assim, os humanos compartilham mais genes com os símios como chimpanzés e gorilas do que com outros animais, a um percentual de 96%. Isso sugere que eles são os nossos parentes mais próximos [essa é uma falácia de um método de classificação de seres vivos chamado de cladístico. Você pode classificar chapéus, carros, obras de arte e qualquer coisa com esse método. A TE usa essa classificação para inferir que há descendência ou ancestralidade comum entre os seres. Mas isso significaria a possibilidade de inferir que um Porsche é descendente de um Fusca que sofreu mutações aleatórias ao longo de milhões de anos, ou que a estátua do Moisés de Michelangelo descende da estátua do Davi do mesmo autor].

“Tente explicar isso de qualquer outra forma do que o fato de que essas relações são baseadas em uma sequência de mudanças ao longo do tempo”, diz Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres. “Nós temos um ancestral comum com os chimpanzés, e nós e eles divergimos desde então, daquele ancestral comum” [problema da indução, mais uma vez].

Nós também podemos usar a genética para traçar os detalhes das mudanças evolucionárias.

“Você pode comparar diferentes tipos de bactérias e encontrar os genes que eles compartilham”, diz Nancy Moran da Universidade do Texas em Austin. “Uma vez que você reconhece estes genes... você pode olhar para como eles evoluíram em diferentes tipos de populações” [mais uma inferência, que é fruto de ambiguidade causal. Há outra explicação para essa semelhança, conforme comentário acima].

Quando Lenski voltou através das suas amostras de E. coli, ele descobriu que as bactérias comedoras de citrato tiveram várias mudanças no seu DNA que as outras bactérias não apresentaram. Estas mudanças são chamadas mutações.

Algumas delas aconteceram muito antes de as bactérias desenvolverem sua nova habilidade. “Em si mesmas, [estas mutações] não conferiram a habilidade de crescer no citrato, mas criaram o ambiente para mutações subsequentes que então conferiram aquela habilidade”, disse Lensky [os dados do experimento de Lensky não foram publicados com nível de detalhe suficiente para entender o que realmente aconteceu no genoma da população da E. coli no experimento. De acordo com o site creation.com, o que pode ter ocorrido foi uma mutação que equivaleria, a título de comparação, a uma quebra em uma fotocélula que acende a luz da casa apenas quando o sol vai embora, mantendo a partir desse defeito a luz da casa acesa em todo o tempo, dia ou noite. Isso se referindo ao fato de que a E. coli pode transportar o citrato em condições anaeróbicas, mas agora o transporta em qualquer situação - aeróbica ou anaeróbica. Outra possibilidade seria uma mutação em um gene que controla o transporte de tartrato. Esse gene poderia ter "pifado" e permitido que outras substâncias fossem transportadas para dentro da célula, diminuindo a especificidade no processo de transporte. Seria como o caminhão do lixo agora passar na sua rua e pegar, além do seu lixo, seu jornal, suas rosas e seu gato. Em ambos os casos aventados, teria havido uma degeneração da capacidade de transporte celular da bactéria, e não uma melhoria. Isso é esperado em mutações aleatórias que têm, via de regra, o efeito de aumentar a entropia - ou a desordem, e não organizar ou acrescentar novas informações úteis ao genoma. Exatamente o contrário do que se quer dar a entender na reportagem].

Essa complexa cadeia de eventos ajudou a explicar por que apenas uma população evoluiu essa habilidade [só que a reportagem não fala que a E. coli não precisa e nunca precisou de citrato para sobreviver, mesmo no experimento, pois havia glicose à disposição, e que a bactéria reduziu sua capacidade de digerir glicose em 20%, o que é contraproducente pensando na sobrevivência da E. coli em longo termo].

Isso também ilustra um ponto importante a respeito da evolução. Um passo evolucionário particular pode ser extremamente improvável, mas se houver organismos suficientes sendo empurrados a dá-lo, um deles provavelmente irá fazer – e só precisa de um.

A E. coli de Lenski nos mostra que a evolução pode dar aos organismos novas habilidades radicais. Mas a evolução não faz as coisas ficarem melhores sempre. Seus efeitos são, ao contrário, ao menos aos nossos olhos, aleatórios [o experimento de Lenski na realidade mostra, sim, que a mídia apologética do evolucionismo pode ter habilidades radicais de contar metade da verdade e fazer um tremendo marketing favorável com algo que é justamente uma complicação para os darwinistas].

As mutações que levam a mudanças nos organismos são raramente para melhor, diz Moran. De fato, a maioria das mutações não têm impacto ou têm impacto negativo na forma como um organismo funciona [incluindo o experimento de Lenski, ao que tudo indica].

Nota: Mais uma vez vemos a infeliz tendência de distorcer a realidade para apregoar uma doutrina estranha que demanda tanta fé quanto precisa ter o mais singelo religioso. O tom ácido e desafiador do início do artigo da BBC foi abrandado ao longo do caminho, e as "provas" apresentadas em favor da evolução se mostraram, na melhor das hipóteses, dúbias e perfeitamente possíveis de conciliação com a ideia de um Criador que projetou com cuidado todas as coisas. 

É óbvio que existe, sim, adaptação dos seres vivos. O problema é generalizar essa adaptação, que foi observada por Darwin e tantos outros, aplicando-a ao surgimento de seres extremamente complexos e dotados de gigantescas quantidades de informações genéticas específicas e úteis. Ainda mais, sem explicar satisfatoriamente como isso teria acontecido, jogando tudo no chapéu mágico do tempo. E o pior de tudo: tentando desafiar e ridicularizar quem não engole esse sapo.

De acordo com o Dr. Ariel Roth, 40% dos cientistas acreditam em um Deus que responde às suas orações, e esse percentual se manteve praticamente inalterado em pesquisas realizadas por cerca de uma década, mostrando que a teoria da evolução não está conseguindo converter mesmo os mais céticos de nós ao ateísmo. Longe de ser uma unanimidade entre indivíduos cerebrados, como alguns evolucionistas querem nos fazer acreditar, homens e mulheres de conhecimento reconhecem que há Alguém maior por trás do Universo maravilhoso que nos cerca. 

Embora os criacionistas não tenham todas as respostas para as perguntas do tipo como que nos cercam, temos, sim, plena evidência científica de que podemos racionalmente crer em um Criador que é representado com muita clareza na Bíblia Sagrada. 

"Diz o tolo em seu coração: 'Deus não existe'" (Salmo 14:1).

Referências:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_da_indu%C3%A7%C3%A3o
Roth, A. (2001) Origens: relacionando a ciência com a Bíblia. Casa Publicadora Brasileira.
Darwin, C. (2018). A origem das espécies. Edipro.
https://www.npr.org/2012/12/09/166665795/forget-extinct-the-brontosaurus-never-even-existed
https://creation.com/bacteria-evolving-in-the-lab-lenski-citrate-digesting-e-coli

quarta-feira, outubro 09, 2019

Terra foi "martelada" por impacto duplo de asteroides

Todos nós já vimos filmes nos quais um asteroide vem até o nosso planeta, ameaçando a civilização. O que é menos conhecido é que, às vezes, esses pedregulhos espaciais vêm em pares. Pesquisadores encontraram algumas das melhores evidências disponíveis para um impacto espacial duplo, quando um asteroide e sua lua aparentemente atingiram a Terra um após o outro. Usando fósseis minúsculos semelhantes aos dos plânctons, eles concluíram que crateras vizinhas na Suécia têm a mesma idade: 458 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista). Detalhes desse trabalho foram apresentados no 45º Congresso de Ciências Planetárias e Lunares em The Woodlands, Texas (EUA), e os achados devem ser publicados no periódico científico Meteorics and Planetary Science Journal.

Porém, os cientistas chamaram a atenção para o fato de que crateras aparentemente contemporâneas podem ter sido criadas com semanas, meses ou mesmo anos de diferença entre umas e outras. Um punhado de possíveis impactos duplos ("doublets") são já conhecidos na Terra, mas o Dr. Jens Ormo diz que não existe consenso sobre a precisão das datas atribuídas a essas crateras. "Crateras de impactos duplos precisam ser da mesma idade, do contrário, elas podem ser apenas duas crateras próximas uma da outra", disse o pesquisador do Centro de Astrobiologia em Madrid (Espanha) à BBC News.

O Dr. Ormo e seus colegas estudaram duas crateras chamadas Lockne e Malingen, que repousam a cerca de 16 km de distância uma da outra no norte da Suécia. Medindo cerca de 7,5 km de diâmetro, Lockne é a maior das duas estruturas; Malingen, que está à sudoeste, é cerca de 10 vezes menor.

Considera-se que asteroides binários são formados quando um tipo de asteroide chamado "pilha de detritos" começa a girar tão rápido sob a influência da luz do Sol que alguma rocha solta é atirada do equador do objeto para formar uma lua pequena. Observações de telescópio sugerem que 15% dos asteroides próximos à Terra são binários, mas a porcentagem [desse tipo] de crateras de impacto na Terra provavelmente seja menor.

Apenas uma fração dos [asteroides] binários que atingem a Terra vão ter a separação necessária entre o objeto e sua lua para produzir crateras separadas (aqueles que estão muito próximos uns aos outros vão produzir estruturas [de impacto no solo] superpostas).

Cálculos sugerem que em torno de 3% das crateras de impacto na Terra devem ser "doublets" - um número que condiz com a quantidade de [asteroides] candidatos já encontrados pelos cientistas.

As características geológicas não usuais, tanto das crateras Lockne quanto Malingen, têm sido reconhecidas desde a primeira metade do século 20. Mas levou até meados dos anos 1990 para que Lockne fosse reconhecida como uma cratera de impacto terrestre.

Em anos recentes, o Dr. Ormo perfurou cerca de 145 m na estrutura da cratera Malingen, através dos sedimentos que a preenchem, até as rochas esmagadas conhecidas como breccias, e ainda mais fundo, alcançando a rocha intacta que está abaixo. Análises de laboratório das rochas breccias revelaram a presença de quartzo de impacto, uma forma do mineral quartzo criada sob a pressão associada com impactos de asteroides.

Essa área era coberta por um mar raso à época do impacto relativo à cratera Lockne, então sedimentos marinhos devem ter começado a preencher quaisquer crateras de impacto imediatamente após elas terem sido criadas. [N.T.: interessantemente... os impactos ocorreram em uma área que hoje é terra, mas que à época era mar. Não é difícil imaginar esse cenário ocorrendo em um contexto de dilúvio global, como descrito na Bíblia.]

A equipe do Dr. Ormo definiu a data para a estrutura Malingen usando fósseis de criaturas marinhas minúsculas chamadas quitinozoários, encontrados em rochas sedimentares naquele local. O método da equipe, conhecido como bioestratigrafia, permite aos geólogos associar datas relativas às rochas associadas ao tipo de criaturas encontradas no meio delas. [N.T.: um método subjetivo e totalmente exposto ao viés evolucionista de interpretação da paleontologia e da geologia.]

Os resultados revelaram que a estrutura da cratera Malingen era da mesma idade que a de Lockne - cerca de 458 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista). Isso parece confirmar que a área foi atingida por um impacto duplo de asteroides durante o Período Ordoviciano (de acordo com a coluna geológica evolucionista).

O Dr. Gareth Collins, que estuda impactos de crateras no Colégio Imperial de Londres, e que não estava envolvido na pesquisa, disse à BBC News: "Como nos faltam testemunhas dos impactos, é impossível provar que duas crateras próximas foram formadas simultaneamente. Mas a evidência, nesse caso, é muito convincente. A proximidade e a consistência nas estimativas de idade fazem com que um impacto duplo seja a causa provável."

Simulações sugerem que o asteroide que criou a cratera Locke tinha cerca de 600 metros de diâmetro, enquanto o que produziu a cratera Malingen tinha cerca de 250 metros. Essas medidas são um pouco maiores do que o que poderia ser sugerido pelas suas crateras devido às mecânicas de impactos em ambientes marinhos.

O Dr. Ormo adicionou que as crateras Malingen e Lockne estavam na distância correta para terem sido criadas por um asteroide binário. Como mencionado, se duas rochas espaciais estão muito próximas, as crateras irão se sobrepor. Mas para serem classificadas como um "doublet", as crateras não devem estar muito longe uma da outra, porque elas excederiam a distância máxima a que um asteroide e sua lua podem estar presos por forças gravitacionais.

"O asteroide que causou o impacto Lockne era grande o suficiente para gerar o que é conhecido como uma explosão atmosférica, em que a atmosfera acima do ponto de impacto é expelida", disse o Dr. Ormo. Isso pode fazer com que o material do impacto do asteroide seja espalhado ao redor do globo, como aconteceu durante o impacto Chicxulub, considerado o que matou os dinossauros há 66 milhões de anos (sic).

O evento do Ordoviciano não foi poderoso o suficiente para que aquele material pudesse ser rastreado, pois possivelmente estava muito diluído na atmosfera. Mas o impacto teria produzido efeitos regionais; por exemplo, todas as criaturas marinhas suficientemente sem sorte para estarem nadando por ali naquele momento devem ter sido vaporizadas instantaneamente.

Outras crateras candidatas a impactos duplos incluem Clearwater Leste e Oeste, em Quebec, Canadá; Kamensk e Gusev, no sul da Rússia; e Ries e Stenheim, no sul da Alemanha.

Nota: Impressiona o fato de que a Terra foi acossada por numerosos impactos de asteroides que causaram profundas transformações no clima e na geologia do planeta, com consequências drásticas à vida em todos os lugares. O modelo criacionista do dilúvio bíblico prevê que uma das principais causas ou "ferramentas" da grande inundação tenha sido o choque de objetos espaciais com o nosso planeta. 

Impactos duplos de asteroides são evidências que fortalecem essa ideia, embora os métodos de datação evolucionistas dificultem ver como essa sequência de eventos pode ter sido produzida em um curto espaço de tempo. 


No entanto, como comentei em meio ao texto da reportagem traduzida, em todos os casos os métodos de datação evolucionista são subjetivos ou inferenciados sobre premissas naturalistas. 


De qualquer forma, o registro geológico da Terra permite concluir que esses impactos celestes foram em número e magnitude suficientes para terem produzido reações geológicas em cadeia, com potencial mais do que suficiente de eliminar a vida em escala global. 


Examinar essas evidências à luz da Bíblia não apenas satisfaz uma curiosidade do estudante das Escrituras sobre a história não contada do nosso lar terrestre, mas, também, e principalmente, fortalece a fé no relato sagrado. Relato esse que pode ser confirmado por elementos reais e que são amplamente estudados pela ciência secular. 


Link para a matéria original: https://www.bbc.com/news/science-environment-26172181

segunda-feira, maio 13, 2019

Ouroboros e o raciocínio circular evolucionista

Dezenas de baleias fossilizadas, na mesma posição de morte, no deserto mais alto do mundo, foram envenenadas por algas ao longo de milhares de anos. Nenhuma alga foi encontrada (confira). 

Raciocínio circular é como um ouroboros, ou uma cobra que come a própria cauda, na mitologia de antigas civilizações. Curiosamente, uma das coisas que o ouroboros representa é a evolução da vida. Um raciocínio circular, de acordo com o método científico, se forma quando uma afirmação explica outra afirmação, que por sua vez é a explicação da primeira. Ficou perdido? não se preocupe, com um exemplo fica mais claro: imagine que alguém diga que "o mar é azul porque reflete o céu, e o céu é azul por causa do mar". Isso se chama tautologia, do grego tautós (mesmo) e logos (assunto), e pode representar um tipo de falácia.[1]

Pois bem, na matéria abaixo, da BBC, podemos ver uma situação em que o raciocínio circular do evolucionismo acontece de maneira não tão sutil. Não estou dizendo aqui que os cientistas envolvidos foram tautológicos nem falaciosos. Fizeram um trabalho formidável, sem dúvida, mas, infelizmente, nossa sociedade está presa a algumas "verdades" que podem estar nos impedindo de enxergar o que parece óbvio (vou explorar isso em outro post).

Em síntese, as baleias fossilizadas foram encontradas em número surpreendente no Chile, mortas e soterradas aparentemente todas em conjunto.

Os cientistas foram pesquisar como isso poderia ter acontecido, afinal, não é todo dia que se acha um cemitério de mais de 40 cetáceos e dezenas de outros espécimes marinhos soterrados em um deserto na cordilheira dos Andes. Para um criacionista bíblico, pouca dúvida restaria sobre a causa desse sepultamento em massa. Mas boa parte dos cientistas infelizmente não considera seriamente o relato bíblico e, portanto, precisa encontrar uma explicação que se encaixe no paradigma atual.

Não estou defendendo que a ciência deva abrir espaço para misticismo e esoterismo - que não é o caso da Bíblia (não há espaço aqui para explicar por que, agora; prometo um post futuro), mas a premissa de excluir ex-ante (de antemão) a possibilidade de o relato bíblico ser verdadeiro tem levado a mais complicações do que explicações.

As baleias "morreram envenenadas por algas, ao longo de milhares de anos". No mesmo lugar. Soterradas, sucessivamente, na mesma posição corporal. Mais ou menos como aquele cidadão que tropeçou e caiu na faca do desafeto dele. Dezessete vezes.

E assim se forma o círculo: a evolução provê um cenário hipotético (imaginário) do passado, e as evidências atuais do nosso ambiente proveem explicação para esse passado. E isso seria altamente esperado, se as evidências contemporâneas não tivessem que ser paulatinamente "ajustadas" (hum... "marretadas") para se encaixarem na cosmovisão evolucionista.


Diz um amigo meu que, nesse processo de marretar evidências para caberem nas teorias, você junta perna de aranha, asa de morcego, pó de giz, tomilho, kichute e, quando menos percebe, está explicando o processo de amamentação dos aracnídeos. Ele é da área de finanças, mas a metáfora é perfeita.

Mas já falei o suficiente. Abaixo está a reportagem, você poderá ler e tirar suas conclusões. Eu retornarei no fim para um fechamento.

O esplêndido cemitério chileno de baleias fossilizadas explicado

É uma das descobertas fósseis mais surpreendentes dos últimos anos - um cemitério de baleias encontradas ao lado da Rodovia Panamericana no Chile. E agora os cientistas acreditam que podem explicar como tantos animais foram preservados em um único local há mais de cinco milhões de anos [sic]. Foi o resultado de não um, mas quatro encalhamentos em massa separados, relatam em um jornal da Royal Society.

A evidência sugere fortemente que todas as baleias ingeriram algas tóxicas. Os mamíferos mortos e moribundos foram então levados para um estuário e para as areias planas onde foram enterrados ao longo do tempo.

Era bem sabido que esta área no Deserto de Atacama do Chile preservava fósseis de baleias. Seus ossos podiam ser vistos saindo das faces das rochas, e o local adquiriu o nome Cerro Ballena ("colina das baleias") como resultado. Mas foi somente quando foi feito um corte para ampliar a Rodovia Pan-Americana que pesquisadores americanos e chilenos tiveram a oportunidade de estudar completamente os leitos fósseis.

Eles receberam apenas duas semanas para concluir seu trabalho de campo antes que a empreiteira voltasse para concluir a construção da nova estrada. A equipe [de cientistas] começou a gravar o máximo de detalhes possível, incluindo a criação de modelos digitais 3D do esqueleto in situ e a remoção de ossos para estudos adicionais no laboratório.

Identificados nos leitos havia mais de 40 rorquais  [N.T.: baleias da família Balaenopteridae] individuais - o tipo de cetáceo grande que inclui as modernas baleias azuis, finas e minke. Entre eles estavam outros importantes predadores marinhos e herbívoros.

"Encontramos criaturas extintas, como as baleias morsas - golfinhos que desenvolveram um rosto parecido com uma morsa. E havia essas bizarras preguiças aquáticas", lembra Nicholas Pyenson, paleontólogo do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian.

"Para mim, é incrível que em 240 metros de estrada cortada nós conseguimos provar todas as superstars do mundo de mamíferos marinhos fósseis na América do Sul no final do Mioceno. Simplesmente uma acumulação incrivelmente densa de espécies", disse ele à BBC News.

A equipe notou imediatamente que os esqueletos estavam quase completos e que suas poses de morte tinham claras semelhanças. Muitos vieram para descansar enfrentando na mesma direção e de cabeça para baixo, por exemplo. Tudo isso apontava para as criaturas sucumbindo à mesma catástrofe súbita; só que os diferentes níveis fósseis indicaram que não foi um evento, mas quatro episódios separados, distribuídos por um período de vários milhares de anos [sic] [N.T.: o Smithsonian se refere a 10 a 16 mil anos[3] (sic)].

A melhor explicação é que esses animais foram todos envenenados pelas toxinas que podem ser geradas em algumas flores de algas. Essas flores são uma das causas prevalentes de repetidos encalhes em massa observados nos animais marinhos de hoje. Se grandes quantidades de presas contaminadas são consumidas, ou as algas são simplesmente inaladas, a morte pode ser rápida.

"Todas as criaturas que encontramos - seja baleias, focas ou peixes - se alimentaram bem alto nas cadeias alimentares marinhas e isso as tornaria muito suscetíveis à proliferação de algas nocivas", disse Pyenson.

Os pesquisadores acreditam que a configuração do litoral em Cerro Ballena, no final da Época Miocena [N.T.: aproximadamente 5,3 a 23 milhões de anos atrás, segundo a cronologia evolucionista], trabalhou para canalizar as carcaças em uma área restrita, onde foram erguidas em planícies de areia logo acima da maré alta, talvez por ondas de tempestade. Isso colocaria os corpos fora do alcance dos catadores marinhos [N.T.: animais necrófagos como os camarões, por exemplo]. E, sendo uma região desértica, também haveria pouquíssimas criaturas terrestres para roubar ossos.

Muitos dos fósseis no Cerro Ballena são perfeitos, senão por alguns cortes causados por caranguejos.

Os pesquisadores não estão em posição de dizer com certeza que as proliferações de algas prejudiciais foram responsáveis pelos encalhes em massa. Não havia fragmentos distintos de células de algas nos sedimentos; tal presença poderia ter sido uma "arma fumegante". O que a equipe encontrou, no entanto, foram vários grãos incrustados em óxidos de ferro que poderiam sugerir atividade de algas no passado.

"Há minúsculas esferas de cerca de 20 mícrons de diâmetro - exatamente o tamanho certo para serem cistos dinoflagelados", disse Pyenson. "Eles são encontrados em esteiras de algas em todo o sítio. Não podemos dizer se essas foram as algas assassinas, mas elas não falsificam o argumento de que a proliferação de algas prejudiciais é a causa na forma como a sedimentologia falsifica o tsunami como uma causa potencial [sic]."

Cerro Ballena é agora considerado como um dos locais fósseis mais densos do mundo - certamente para baleias e outros mamíferos marinhos extintos. Os cientistas calculam que pode haver centenas de espécimes na área ainda esperando para serem descobertos e investigados. A Universidade do Chile em Santiago está atualmente trabalhando para estabelecer uma estação de pesquisa para realizar isso. Para coincidir com a publicação de um artigo acadêmico no Proceedings B da Royal Society [N.T.: seção especial da revista científica], o Smithsonian colocou grande parte de seus dados digitais, incluindo digitalizações em 3D e mapas, online em cerroballena.si.edu.

[Destaques acrescentados.]

Comentário final: Note que a teoria do "tsunami" foi descartada rapidamente pela análise dos sedimentos. Possivelmente porque, se aceito o tsunami, a queda dos dominós em sequência poderia bater sabe-se lá onde. E lembre-se: não é um tsunami. É o tsunami. Esse tsunami global muito provavelmente se comportaria de maneira bastante diferente dos regionais e poderia apresentar padrões complexos de sedimentação, o que inclusive já foi estudado e cujo material está disponível para consulta na Sociedade Criacionista Brasileira.

Tudo o que se tem são uma imensidão de fósseis marinhos soterrados nos andes (o maior sítio fóssil marinho do mundo) e microesferas de 20 mícrons, do tamanho de cistos de dinoflagelados. Mas não se afirmou serem mesmo de dinoflagelados. Por quê?

Embora o Dr. Pyenson tenha dito que essas esferas encontradas são "do tamanho exato" de cistos dinoflagelados, os cistos desse tipo podem ter de 15 a 100 mícrons,[2] deixando uma margem muito grande de erro. E se forem mesmo evidência do dito dinoflagelado, não há evidência maior de que tenham sido esses os reais causadores das mortes. Se fossem réus em um tribunal pela morte das baleias, teriam boas chances de serem inocentados.

De qualquer forma, o Museu Smithsonian afirma que "essa é a única explicação" para a morte das baleias.[3]

Que pena. Olha o raciocínio circular aí...

Ninguém deve acreditar na Bíblia ou em Deus por questões meramente científicas (embora estas sejam um dos caminhos que levam ao Criador, de acordo com Paulo). Não funciona assim, e é completamente inútil se você quer a salvação pelo Cristo da Bíblia.

Deus espera apenas que você escute a história dEle, e não a rejeite. É aqui que entra o papel deste post.

Você não precisa acreditar que está sendo menos racional ou menos honesto consigo mesmo se você duvidar da interpretação evolucionista, e acreditar no que está escrito lá naquele bom Livro. Afinal de contas, lá tem muita ciência. E temos muita evidência.

Alexander Silva

Referências:

1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Tautologia
2. https://en.wikipedia.org/wiki/Dinocyst
3. https://www.si.edu/newsdesk/factsheets/cerro-ballena-fact-sheet

segunda-feira, dezembro 17, 2018

Darwin presidente: liberalismo econômico tem a ver com evolucionismo?

O liberalismo econômico teria algo de evolucionismo em sua origem ou na fundamentação de suas ideias? Ou seria esta uma filosofia política e econômica segura para ser defendida pelos cristãos? Na primeira matéria da série "Darwin Presidente" foi abordado o socialismo e como o darwinismo social influenciou a visão de mundo que embasa os movimentos de esquerda atualmente. Na segunda postagem da série, falou-se sobre a influência da evolução no fascismo, e como a teoria darwinista pode embasar o racional por trás da ideia da supremacia racial com toda a tragédia que essa visão traz consigo. Neste texto será apresentado um assunto pouco conhecido e, talvez para alguns, surpreendente: a influência do darwinismo na filosofia neoliberal.

Como o darwinismo proveu uma justificativa moral para o capitalismo liberal


Em 1851, portanto cerca de oito anos antes da publicação de A Origem das Espécies [...] por Darwin, Herbert Spencer (o mesmo cujas ideias fundamentaram o socialismo e a terceira posição) havia publicado um livro contendo já as ideias de seleção natural do mais apto. Apenas lembre-se de que foi Spencer, e não Darwin, quem cunhou a expressão "survival of the fittest" - a sobrevivência do mais apto. Nesse livro o autor tratou de defender o "capitalismo laissez-faire". Laissez-faire é uma expressão francesa usada frequentemente para representar algo que deve ser deixado por si só, ou "do jeito que quiser", sem interferência. A ideia básica por trás dessa primeira publicação de Spencer, portanto, era a de que os mercados deveriam operar com o mínimo de interferência dos governos.[1] Como racional embasando essa ideia, o autor dizia que toda a história social humana havia sido cunhada por meio da competição entre indivíduos. Pelas vias da competição, os agentes sociais mais aptos se apropriariam dos recursos e os controlariam sem obstáculos. De acordo com Spencer, quanto mais os atores fossem deixados a competir livremente, sem interferências de quem ou do que quer que fosse, mais rápido a sociedade evoluiria. Em termos, os governos e as organizações sociais, e mesmo os demais indivíduos, não deveriam interferir na luta entre competidores e nos resultados da vitória do mais apto sobre o menos apto. Portanto, para Spencer, não se deveria impedir que os mais fracos morressem (ou fossem destruídos em qualquer instância - econômica, social ou emocional), pois isso prejudicaria a "evolução" da sociedade como um todo.[1]

Spencer, posteriormente inspirado em grande medida pelo trabalho de Darwin e com financiamento de amigos, escreveu mais uma dúzia de livros.[1] Nessas obras Spencer reforçou a ideia de que o destino da civilização estava nas mãos dos espécimes mais aptos. Diferentemente de Darwin, Spencer acreditava que características aprendidas pelas pessoas poderiam ser transmitidas para a sua descendência. Assim, os indivíduos "mais aptos" da sociedade nasceriam com uma tendência natural de "industriosidade, frugalidade, o desejo natural de deter propriedades e a habilidade de acumular riqueza".[1] Por outro lado, os "menos aptos" seriam nascidos já com a preguiça, estupidez e imoralidade em suas veias.[1] Assim, pode-se concluir que as pessoas mais evoluídas formariam clãs de indivíduos desenvolvidos, dando-se o oposto com os menos afortunados.

Para Spencer, deixado per se, esse "populacho" de seres "inferiores" seria naturalmente extinto, vencido pelos "melhores" da civilização e, caso o governo e demais instituições interviessem para equilibrar o disparate social, estariam impedindo que a sociedade evoluísse para um melhor estado de coisas. O autor, que era britânico, criticou o parlamento de seu país por entender que havia uma interferência excessiva na sociedade por causa da legislação que protegia os fracos, os pobres e os trabalhadores. Spencer acreditava que o então império estava rumando para se tornar uma sociedade industrial evoluída e que o governo deveria "sair da frente" dos mais aptos para deixar espaço para que os "inferiores" fossem naturalmente eliminados e a plenitude econômica e social se instaurasse. Para o autor, a única regra que o governo deveria se esforçar por garantir seria a de que todos os agentes devem ter igualdade de condições de competir.[1]

Aliás, Spencer acreditava que o governo teria como missão apenas defender o território nacional contra as invasões estrangeiras e atuar combatendo a criminalidade, para que a propriedade privada fosse garantida. O autor via também a ajuda que o Governo provia aos pobres como sendo um estímulo à preguiça. Spencer também se manifestava terminantemente contra a educação pública, pois esta seria uma forma de fazer os contribuintes pagarem pela educação dos filhos dos outros (mais uma vez estimulando a preguiça e perpetuando a classe "inferior"). Essa inimizade contra a legislação em favor do social se estendia ainda a outros assuntos, como salário mínimo, limitação de jornada de trabalho, formação e manutenção de sindicatos, políticas sociais de moradia, saneamento básico e saúde. Essas ações do governo feririam (de alguma forma) os direitos de propriedade dos detentores dos recursos na sociedade. O pensamento do autor ia a extremos de dizer que as doenças eram penalidades naturais que sobrevinham aos imbecis e ignorantes, e que não se deveria impedir que as pestes seguissem o seu curso natural.[1]

Para surpresa geral, porém, Spencer acreditava que mesmo o Império Britânico deveria se retirar de suas intenções colonialistas, muito embora seus escritos tenham sido justamente utilizados por figuras do poder britânico para justificar essa expansão. A explicação é a de que o colonialismo, para o autor, demandava uma expansão da burocracia estatal (por causa da dificuldade de controlar os territórios conquistados), o que faria com que o Estado adquirisse uma estrutura custosa e que tendia a mais interferências indesejadas na economia e no mercado[1].

Darwinismo social nos Estados Unidos
No entanto, as ideias de Spencer não ficaram apenas para dentro das fronteiras do arquipélago de Sua Majestade. Isso apesar de que a ampla aceitação das suas ideias no que seria a grande potência mundial do século 19 seria, por si só, um feito e tanto. O período compreendido entre as décadas de 1870 e 1900 viu o surgimento de um capitalismo fortemente influenciado pelas ideias darwinistas sociais inglesas nos Estados Unidos da América. Grandes nomes do capitalismo no Novo Mundo, como John Rockefeller e Andrew Carnegie eram não apenas seguidores, mas promulgadores das ideias do darwinismo social. Todavia, ao adotarem a filosofia que fora tão eficientemente promovida por Spencer na Inglaterra, o que os EUA viram no período não foi, contraditoriamente, a destruição de monopólios comerciais pela competição, conforme profetizava o autor. O que ocorreu, na realidade, foi a formação de cartéis e o controle dos meios de produção pelas rédeas de poucas famílias industriais e investidoras norte-americanas. As condições dos trabalhadores à época, nos Estados Unidos, eram inimagináveis para a sociedade ocidental capitalista de hoje. Horas diárias de trabalho infindáveis, baixíssimos salários, exploração do trabalho infantil, condições insalubres em minas e fábricas, e péssima segurança no trabalho. No entanto, as cortes judiciais norte-americanas, naquele período, tendiam a dar ganho de causa à visão darwinista social de Spencer. Assim, os movimentos trabalhistas eram reprimidos violentamente pela justiça, por meio da ação policial.

Por causa das condições injustas e mesmo desumanas de trabalho, revoluções sindicais explodiram nos EUA pela década de 1880. Os protestos eram violentos e, frequentemente, deixavam um saldo elevado de mortos e feridos. Muitos políticos e pessoas de influência dos Estados Unidos temeram que uma revolução marxista estivesse em curso em seu país. Então, o governo americano finalmente começou a ceder em favor de leis como as da taxação de grandes fortunas e que favorecessem não apenas o lado do empregador nas disputas entre grandes industriais e os sindicatos de trabalhadores. Mas a década seguinte na América trouxe um recrudescimento da legislação em favor do Estado laissez-faire, que inclusive declarou inconstitucionais as leis trabalhistas estaduais que tinham sido criadas para proteger mulheres e crianças, e que limitavam as horas da jornada semanal para "apenas" 60[1] (comparar com as atuais 44h semanais no Brasil, máximo permitido pela CLT, para pessoas que trabalham de segunda à sábado, oito horas por dia de semana e quatro no sábado).

Ainda assim, políticos como Theodore Roosevelt (não confundir com Franklyn Roosevelt) continuavam a labutar com ideias progressitas para se contraporem aos ensinos de Spencer, que eram tidos como uma espécie de bíblia entre os legisladores americanos. Pouco a pouco as ideias progressistas ganharam espaço entre os homens influentes dos EUA, tendo como resultado o desenvolvimento de condições um pouco mais humanas aos trabalhadores do País.[1]

Spencer morreu em 1903, pessimista e desiludido ao ver os governos cada vez mais atuantes nas sociedades britânica e norte-americana, com o objetivo de proteger os "menos aptos" da extinção preconizada nos seus escritos.

O darwinismo social no século 21

Apesar de a morte de Spencer ter ocorrido há mais de 100 anos, suas ideias continuam presentes na sociedade atual e os efeitos mais funestos do darwinismo social estão longe do seu fim. É difícil delinear precisamente o quanto as ideias darwinistas sociais se entreteceram no comportamento ocidental ao longo das décadas após sua publicação. No entanto, alguns números podem dar um diagnóstico da extensão da desigualdade gerada pelo liberalismo econômico levado ao seu extremo:

De acordo com a rede de comunicação britânica BBC, a distância entre pobres e ricos no mundo só vem aumentando. A previsão era, à época da reportagem, que já em 2016 o 1% mais rico da população mundial detivesse mais capital que todo o resto dos humanos. O fórum econômico de Davos, de acordo com a Oxfam - uma organização internacional que luta pelo fim da pobreza -, deveria ser alertado e instado para atuar no sentido de que a desigualdade social fosse abordada como um tema de primeira importância na pauta política e econômica internacional.[2]

Ainda mais, de acordo com a Oxfam, como reportado pela BBC, as 85 pessoas mais ricas do mundo teriam mais dinheiro do que os 50% mais pobres (parcela esta que representa quase quatro bilhões de pessoas). Mas a conta mais estarrecedora é um pouco difícil de compreender, todavia nem por isso menos alarmante. A Oxfam denuncia que, em 2014, de toda a riqueza que não é detida pelo 1% mais rico do mundo, 52% dela é possuída pelos outros 20% mais acima no topo da pirâmide. Assim, de acordo com a Oxfam, cerca de 80% da população mundial deve sobreviver com cerca de 5,5% da riqueza total produzida na Terra.

Um estudo publicado em 2011 por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Lausane, na Suíça, analisou bases de dados que detêm informações de mais de 73 milhões de empresas ao redor do mundo. Traçando as relações entre as estruturas de capital dessas empresas, os pesquisadores concluíram que 1.318 grandes companhias detêm a maioria das ações das maiores organizações do mundo. Isso significa que essas 1.318 empresas estão no controle de 60% de tudo que é vendido em todos os países. Mas ainda não é o fim: aprofundando a análise dessas 1.318 companhias, os pesquisadores descobriram um núcleo de 147 empresas (a maioria grandes bancos) que controlam 40% do capital do primeiro grupo. Em termos, 147 empresas, cujos sócios representam uma fração ínfima da população mundial, controlam quase a metade de tudo que é vendido no Planeta.[3]

Esse cenário apenas reforça o que já se havia visto no século 19, de concentração de renda e espalhamento não da riqueza, mas da miséria. Como visto, embora os discursos políticos (neo)liberais sejam inflamados e cheios de promessas de prosperidade, justiça e igualdade de oportunidades, baseados em uma retórica muito convincente, o fato é que o mundo - e não apenas o Brasil - está cada vez mais desigual e injusto. A menos que você concorde com Spencer.

Conclusão

A sobrevivência do mais apto no marxismo e no fascismo gerou o totalitarismo. No liberalismo, o totalitarismo não ocorre no governo, mas nos feudos econômicos, onde poucas pessoas controlam a maior parte da produção industrial. O egoísmo da natureza humana culmina com o totalitarismo e o absolutismo, quando os adversários são eliminados. Isso se verificou no comunismo, quando os "opressores do povo" (burguesia) foram esmagados apenas para dar lugar a ditadores como Stálin. O egoísmo foi visto, também, na terceira-posição, quando as "raças inferiores" foram caçadas como animais e mortas de forma ainda pior.

E no liberalismo econômico? Não seria o clamor pelo estado mínimo uma prova de que essa sede de poder irrestrito, visto nas outras ideologias, estaria longe de uma filosofia possivelmente segura para que os cristãos a sigam?

Como visto acima, infelizmente não. Nos fundamentos do liberalismo econômico, o Estado simplesmente é um dos inimigos a serem vencidos para que os ditadores do capital possam seguir "peneirando" as classes "inferiores" rumo a uma estrutura em que poucos estão no topo de uma pirâmide que esmaga cruelmente sua base. Esse topo não estaria no plano político, mas no plano econômico e financeiro, chamado Mercado.

Obviamente tratamos nesses posts dos fundamentos evolucionistas dessas ideologias. Alguns conceitos apresentados por cada uma delas surgem em contextos que até justificariam algumas posturas e ações. Além disso, não se avaliaram aqui as motivações e o caráter de todos os seus seguidores. Existem pessoas honestas e benfazejas defendendo cada uma dessas três vertentes. Todavia, o destaque aqui é para a fonte comum entre todas as três, uma fonte evolucionista e, portanto, reducionista da figura humana. Uma fonte que legitima a competição e a destruição do "menos apto".

Como Jesus disse: "O Meu reino não é desse mundo" (João 18:36). Os cristãos devem, de acordo com a Bíblia, seguir votando com consciência e prudência, trabalhando com e apoiando as autoridades civis em tudo o que não for contrário aos mandamentos de Deus. Mas devem lembrar que "todos estes morreram na fé [...] confessaram-se estrangeiros e peregrinos na Terra [...] claramente mostram que buscam uma pátria [...] mas agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não Se envergonha deles, de Se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade" (Hebreus 11:13-16).

Alexsander Silva
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

Hebreus 11:13-16

Referências:
[1] BRIA (2003). Social darwinism and American laissez-faire capitalism. Disponível em: http://www.crf-usa.org/bill-of-rights-in-action/bria-19-2-b-social-darwinism-and-american-laissez-faire-capitalism.html
[2] BBC (2015, January 19). Richest 1% to own more than the rest of the world, Oxfam says. Disponível em: https://www.bbc.com/news/business-30875633
[3] Inovação Tecnológica (2011). Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo. https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=rede-capitalista-domina-mundo&id=010150111022#.W94Q2SdRfEo