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sexta-feira, março 27, 2020

Deus criou o coronavírus?

Neste tempo em que o mundo parou com a pandemia de coronavírus, muitas perguntas têm chegado até a nossa redação. O que é um vírus? Se Deus criou todas as coisas perfeitas, como explicar os vírus e as bactérias? A "evolução" da Covid-19 refuta o criacionismo? Bem, em poucas palavras, gostaria de trazer alguma luz a essa questão. E quero acrescentar algumas outras questões que nos ajudarão a atender o assunto.

O que são vírus?

Todos os vírus são definidos como tendo um ácido nucleico, DNA ou RNA, cercado por uma "camada" de proteína. Alguns vírus têm uma membrana lipídica externa adicional chamada envelope lipídico. Em muitos casos, o envelope parece ser "roubado" das células que invadem. 

Vírus não são células. As células possuem bioquímica interna ativa e podem coletar energia e se reproduzir; os vírus não podem obter energia e não podem se reproduzir sozinhos. Os vírus usam a máquina da célula a seu favor. 

Existe grande discussão na biologia. Vírus são seres vivos ou não? Depende da definição de ser vivo que usarmos. Se considerarmos que todos os seres vivos devem possuir apenas uma célula, automaticamente excluiremos os vírus, que são acelulares. No entanto, se considerarmos que os seres vivos devem possuir DNA ou RNA, aí eles se esquadrariam na descrição. 

Essa discussão não vem ao caso agora, e deixemos que os especialistas continuem esse debate.

O que os vírus fazem?

Os vírus são frequentemente chamados de parasitas, porque invadem as células e emprestam sorrateiramente a bioquímica das células para fazer cópias de si mesmos. Eles então escapam da célula, muitas vezes até matando a célula "hospedeira". 

O que a Bíblia diz sobre vírus e de onde eles vêm na criação de Deus? 

Embora os vírus não sejam mencionados na Bíblia, o mundo microbiano em que os vírus estão ativos é mencionado. Por exemplo, micróbios como leveduras e bactérias são usados ​​em muitos produtos alimentícios fermentados, e bebidas e pão fermentados também são mencionados. O fermento e as bactérias têm vírus, que podem realmente promover esses processos de fermentação. Recentemente, genes de fermentação foram descobertos em um vírus.[1] E bons vírus que ajudam a eliminar más bactérias em fermentação de produtos também estão sendo exploradas.[2]

O fermento é mencionado nas ilustrações da Bíblia que demonstram princípios espirituais (Lucas 13:20, 21). Essa é provavelmente uma referência ao fermento que usamos na fabricação de pão. Novamente, em nosso mundo, encontramos muitos micróbios envolvidos em atividades benéficas, até vírus.

O relato bíblico das origens indica que a criação foi muito boa. A origem dos patógenos que causam sofrimento, doença e morte é uma questão desafiadora. Uma série de possibilidades foi sugerida da seguinte forma:

  1. Micro-organismos (incluindo vírus) não causavam doença inicialmente. Eles se desenvolveram após a criação, como resultado de mutações e embaralhamento de genes entre si. Como consequência, surgiu um pequeno número de variantes patogênicas.
  2. Deus pode ter criado patógenos nas classes mais baixas da vida para garantir o controle da população, mas isso não se estendeu aos micróbios que habitavam os seres humanos. Em vez disso, mutações deram origem a patógenos entre populações de micróbios geralmente benéficos que habitam o corpo humano, e mutações semelhantes em patógenos animais lhes permitiram pular a barreira da espécie e infectar seres humanos.
  3. Os genomas de todas as criaturas foram projetados para que pudessem se adaptar rapidamente ao meio ambiente. Esses segmentos de DNA produtores de variantes ficaram comprometidos, dando origem a vírus de RNA e talvez a retrovírus, ostensivamente em razão da remoção do "poder regenerador de cura" de Deus.
  4. A diversidade pode ser explicada postulando que os elementos transponíveis eram originalmente projetados para produzir resultados altruístas positivos, mas subsequentemente causaram mutações quase neutras ou mesmo deletérias.
  5. Os micróbios não causavam inicialmente doenças em criaturas com sensações de dor, mas como consequência de várias mudanças que apareceram, talvez auxiliadas por agências externas.
As mudanças após a queda envolveram alterações no equilíbrio do ecossistema, de modo que a natureza e o comportamento dos organismos foram alterados. Em uma extensão da sugestão sobre agências, alguns postularam que um agente maligno alterou ou adicionou novas informações genéticas ao genoma de organismos existentes ou uma linha de micróbios inteiramente nova foi permitida emergir (Maldição de Deus).

Se os vírus não são todos ruins, o que eles foram projetados para fazer na criação?

O surgimento de bactérias patogênicas interessa aos criacionistas porque afeta os conceitos do caráter de Deus. O pecado trouxe uma mudança nas características do reparo do DNA e da regulação dos genes nos sistemas vivos, e o estresse foi introduzido na equação. Isso resultou em mutações e outros erros, dando origem a defeitos celulares. Os vírus, apesar de pequenos e mais simples que a maioria das células, possuem designs tremendos. Proponho que alguns vírus foram criados para bons usos na criação e outros foram alterados pela queda de Adão no pecado e surgiram em lugares onde não deveriam estar. Chamo isso de teoria do deslocamento na biologia da criação.[3] No genoma humano, por exemplo, temos mais sequências de DNA que se alinham com vírus do que sequências que codificam nossas próprias proteínas! Algumas dessas sequências de vírus no corpo humano produzem proteínas que silenciam nosso sistema imunológico, por exemplo, próximo ao embrião em crescimento. Alguns vírus ruins poderiam se originar de animais e de nós? Nesse caso, isso apoia a teoria da criação de deslocamento e, como dissemos acima, muitos vírus infecciosos em humanos têm uma origem zoonótica. Por exemplo, ouvimos falar dos suínos e da gripe aviária. Nesses casos, os vírus da influenza humana e gripe aviária se misturam nos porcos, e novos vírus da gripe são criados a partir de uma mistura das partes virais. Esses tipos de gripe são geralmente os mais infecciosos e mortais.

Vamos explorar outro exemplo: as mais numerosas criaturas biológicas da Terra são um grupo de vírus chamado bacteriófagos. Os bacteriófagos são vírus que vivem dentro e sobre todas as bactérias conhecidas. Pode haver até centenas de vírus em cada bactéria na terra. Prevê-se que as cianobactérias sejam as bactérias mais abundantes da Terra. Podemos ver "flores" de cianobactérias nos oceanos, mesmo do espaço, porque são de cor verde brilhante. Estima-se que as cianobactérias, que podem realizar a fotossíntese, capturem tanto carbono da atmosfera quanto todas as plantas da terra. Todo ser vivo na Terra precisa de carbono, e a maior parte vem da fotossíntese. Somos formas de vida baseadas em carbono. Assim, as cianobactérias ajudam a sustentar toda a vida nos oceanos.

Cada cianobactéria vive com cianófagos, que são vírus existentes nas cianobactérias. Os vírus cianófagos fazem duas coisas importantes para ajudar o ciclo do carbono na Terra. Eles abrem as cianobactérias que liberam carbono no oceano para sumidouros de carbono: formas de armazenamento de carbono que ajudam a reduzir o carbono na atmosfera e a integrar os seres vivos. E as cianobactérias podem morrer de queimaduras solares. Assim, descobrimos que os vírus cianófagos podem injetar genes em cianobactérias, restaurando os genes de suas proteínas queimadas pelo sol.[4]

Podemos realmente dizer então que a maioria dos vírus está sustentando a vida na Terra. Servimos um Criador incrível que estabeleceu uma biomatriz microbiana baseada em suporte à vida que suporta a vida na Terra.[5] Portanto, não deve surpreender que nosso Criador use a menor, mas mais abundante criatura do planeta, o vírus do bacteriófago, para sustentar a vida.

A evolução de vírus e bactérias contraria o criacionismo?

Segue um trecho tirado de outro artigo deste site: bactérias que adquirem resistência a antibióticos são praticamente o único exemplo que os evolucionistas podem usar como evidência de “evolução” (na verdade, trata-se de “microevolução”, já que, depois de tanto tempo, inúmeras gerações e muitas mutações, as bactérias continuam sendo bactérias). Os mais otimistas (e irrealistas) achavam que o século 21 assistiria à erradicação de todas as doenças, mas a realidade se mostra bem mais sombria. Vivemos à sombra de uma mortandade causada por doenças cada vez mais difíceis de ser tratadas. Esse tipo de situação (aliada às crescentes catástrofes naturais) nos mostra duas coisas: (1) não há segurança para nós neste mundo no qual estamos de passagem, e (2) as profecias, a despeito do que gostariam os otimistas secularizados, não nos apresentam um futuro promissor antes de chegarmos à vida de paz e segurança prometida por Deus. Há dois mil anos, Jesus previu que a proliferação de doenças seria, também, um dos sinais indicativos da proximidade de Sua segunda vinda à Terra (Lucas 21:11).[6]

Acredito que o vírus foi criado para fins benéficos na Terra, e os cientistas da criação podem ajudar a resolver o quebra-cabeça dos vírus causadores de doenças, procurando seu bom propósito original. Isso nos ajudará a saber mais sobre como esse vírus opera na natureza. Que possamos orar para que o Senhor ajude todos os pesquisadores a encontrar uma cura para o Covid-19, e que possamos alcançar nossos vizinhos com a esperança de Cristo!

Alexandre Kretzschmar

Referências:
[1] Vincent Racaniello, “Genes de fermentação em um vírus gigante de algas”, Blog de Virologia, 12 de abril de 2018, http://www.virology.ws/2018/04/12/fermentation-genes-in-a-giant-algal-virus/
[2] Benjamin Wolfe, “Os bons vírus podem manter as bactérias ruins fora dos alimentos fermentados?” MicrobialFoods.org, 27 de junho de 2015, http://microbialfoods.org/can-good-viruses-help-make-safer-fermented-foods/
[3] Joe Francis, “Bons projetos foram ruins” Respostas 4, n 3 (2009), https://answersingenesis.org/evidence-for-creation/design-in-nature/good-designs-gone-bad/
[4] Debbie Lindell et al., "Transferência de genes da fotossíntese para e de vírus de Prochlorococcus", PNAS 101, no. 30 (2004): 11013-11018; https://doi.org/10.1073/pnas.0401526101
[5] Joe Francis, “The Matrix - Life's Support System”, Respostas 3, n 3 (2008), https://answersingenesis.org/biology/microbiology/the-matrix/

sexta-feira, setembro 20, 2019

A Pré-História em filmes: "O Bom Dinossauro"

Em diversas áreas do conhecimento existe uma espécie de círculo viciante que nos empurra a pré-definir algumas coisas. Quando eu falo de dinossauros, a agressividade e a violência desses animais já me vêm a mente. E, assim, o cinema deu aquele "empurrãozinho" para nos viciar em certas ideias que muitas vezes são visões opostas do que de fato ocorreu. No exemplo dos dinossauros, os animais selvagens atualmente não se comportam da forma que vemos nos filmes. Grande parte deles nem carnívora era. Desconstruir a ideia de "dinossauros são do mal" dá muito trabalho. Existem vários conceitos pré-formados que insistem em estampar a capa dos livros. A "evolução do homem" é um dos grandes exemplos. A tentativa constante de "macaquizar" o homem e humanizar os macacos está sempre na mídia.

Decidimos comentar alguns filmes que retratam a Pré-História e falar sobre alguns pontos desses círculos viciantes. Segundo Kindersley:[1]

"A Pré-História corresponde ao período da História que antecede a invenção da escrita, desde o começo dos tempos históricos registrados até aproximadamente 3500 a.C. É estudada pela antropologia, arqueologia e paleontologia."

Assim, podemos entender que a Pré-História se deu em momentos diferentes nos continentes. Quando os portugueses chegaram a nossas praias, encontraram o continente vivendo uma pré-história. Porém, na Europa e Ásia a pré-história já tinha ficado para trás dezenas de séculos antes.

Nas palestras do Onze de Gênesis, fizemos uma sequência de seis semanas, comentando filmes da Pré-História sob a ótica criacionista. Os detalhes que separei flertam com a cosmovisão criacionista e por isso achei interessante colocar essas cartas sobre a mesa para debate. Separei os seguintes filmes:

A Era do Gelo (2002) 
Apocalypto (2006) 
10.000 a.C. (2008) 
Os Croods (2013) 
O Bom Dinossauro (2015) 
Alfa (2018)

Claro que existem muitos outros bons, como o "Ao: The Last Hunter", ou a série "Elo Perdido", mas focamos em filmes mais populares. O primeiro dessa série é o filme "O Bom Dinossauro".

Numa linha do tempo alternativa, os dinossauros escaparam da extinção quando o asteroide passou diretamente pela Terra, sem atingi-la. Milhões de anos mais tarde, numa fazenda, um casal de Apatossauros agricultores, Henry e Ida, tem três filhos de 11 anos: Buck, Libby, e o último a chocar, Arlo. As crianças têm que deixar sua marca no silo da fazenda por algo grande que fizeram.

1. Extinção dos dinossauros

Cena do filme que mostra o meteoro que extinguiu os dinossauros errando a rota de colisão com a Terra

Na narrativa do filme, a extinção dos dinossauros dada por um impacto de asteroide não acontece. O comentário que quero destacar aqui neste trecho é o fato de a maioria dos paleontólogos concordar que houve uma extinção em massa no fim do período Cretáceo.  A teoria que é mais aceita pela comunidade científica é a de que um asteroide com aproximadamente 10 km de diâmetro tenha atingido a superfície da Terra, gerando uma explosão semelhante a 100 trilhões de toneladas de TNT.[2] Outra teoria é a de que certos movimentos sofridos pelos continentes provocaram mudanças nas correntes marítimas e também no clima do planeta. Isso fez a temperatura baixar, o que causou invernos mais rigorosos, consequentemente levando ao desaparecimento dos seres vivos que habitavam a Terra.[3]

Sob o ponto de vista criacionista, dinossauros existiram, foram criados por Deus e desapareceram da face da Terra. Um dos motivos do desaparecimento dos dinossauros pode ter sido o dilúvio bíblico, como é defendido por alguns criacionistas. O dilúvio bíblico e o grande asteroide que atingiu a Terra no fim do Cretáceo parecem ser eventos diferentes, mas podemos traçar uma convergência de dados. O evento pode ter sido o mesmo, narrado sob óticas diferentes.

Sobre o modelo da extinção dos dinossauros, Everton Alves escreveu:[4]
O modelo criacionista prevê que apenas um meteorito provavelmente não seria capaz disso nem responderia pela existência de tantos fósseis no mundo inteiro. Mas pense numa enxurrada de meteoritos caindo em terra e mar há bem menos tempo do que supõe a esticada cronologia evolutiva. Os que caíram na terra acabaram rachando a crosta, dando origem aos deslocamentos de placas tectônicas, aos terremotos e aos derrames de lavas. Os que caíram em mar poderiam gerar tsunamis de centenas de metros de altura, varrendo os continentes e destruindo tudo pela frente, sepultando quantidades incríveis de rochas, plantas e animais.
Então, tanto criacionistas quanto evolucionistas podem estar narrando o mesmo evento no caso da extinção dos dinossauros.

2. Montanhas e gelo

Cena do filme que mostra altas montanhas com gelo

O filme retrata a Terra antes do dilúvio, e no modelo criacionista a geologia do planeta é bem diferente dessa cena. Não há altas montanhas e existe um clima ameno. A Terra era uma grande estufa, havia um só continente com pequenas elevações. As grandes montanhas e formações com gelo são previstas apenas após o dilúvio.

Cena do filme que mostra altas montanhas com gelo

O dilúvio realizou um grande trabalho geológico. Corroer sedimentos aqui, reposicioná-los ali, elevar continentes, elevar planaltos, desnudar terrenos, etc., para que a Terra hoje fosse bem diferente de antes. Hoje, mesmo as cadeias de montanhas se elevam acima do mar.[5] A Bíblia relata que todas as montanhas foram cobertas; montanhas que existiam no momento do dilúvio, pois as montanhas atuais não existiam. Na geologia atual, algumas montanhas perderam altitude nos últimos anos e outras ganham a cada ano. Então, comparando a cena do filme com o cenário criacionista, vale a pena entender que de fato isso não ocorreu nesse período.

3. Dieta vegetariana

Cena do filme que mostra o humano caçando insetos para alimentar o dinossauro.


Cena do filme que mostra o humano caçando animais para alimentar o dinossauro

Cena do filme que mostra o dinossauro aceitando a dieta vegetariana

No filme, o personagem principal é um apatossauro. O apatossauro (do grego "lagarto enganoso") viveu na América do Norte durante o período Jurássico, e esse dinossauro saurópode chegava, em média, a mais de 23 metros de comprimento e 30 toneladas. O apatossauro se alimentava de plantas como samambaias, cavalinhas e gimnospermas, e devia comer em torno de 400 kg de vegetação por dia, engolindo junto pequenas pedras para ajudar a moer o alimento (gastrólitos).

Logicamente que o personagem do filme não comeria nada diferente da sua dieta. Mas o curioso é que, quando vemos os filmes de dinossauros, os ditos carnívoros é que chamam mais atenção. Eles são indômitos e saem devorando tudo o que está na frente deles. Será mesmo que os animais na natureza expressam esse comportamento?

Grande parte dos dinossauros era herbívora. Até alguns terópodes (família dos tiranossauros) eram herbívoros. Um estudo de paleontólogos americanos do Museu Field, em Chicago, indica que a maior parte dos dinossauros terópodes, exceto pelo Tiranossauro Rex e pelo Velociraptor, era herbívora e não carnívora, como se acreditava.[6]

Lindsay Zanno e Peter Makovicky concluíram com base em análises estatísticas que o regime alimentar de 90 espécies de dinossauros terópodes era constituído por plantas. Esses resultados contradizem a visão comum entre os paleontólogos de que quase todos os dinossauros terópodes caçavam para se alimentar, especialmente os antepassados mais próximos das aves.

"Grande parte dos terópodes estava claramente adaptada a uma vida de predador mas, em certo momento da evolução até as aves, esses dinossauros se tornaram herbívoros", explicou Lindsay Zanno. Os dois pesquisadores encontraram cerca de meia-dúzia de traços anatômicos que, estatisticamente, ligam a maior parte dos terópodes ao comportamento herbívoro, incluindo um bico desprovido de dentes.

Aplicando essa análise, os pesquisadores determinaram que 44% dos terópodes, distribuídos em seis grandes linhagens, eram herbívoros. Já que o número de terópodes herbívoros era tão importante, super-carnívoros como o Tiranossauro rex e o Velociraptor deveriam ser vistos "mais como uma exceção do que como uma regra", concluem os pesquisadores.

4. Serpente com patas

Cena do filme que mostra a serpente com patas



Logo nos vem a mente a narrativa bíblica, onde a punição da serpente foi de rastejar sobre o próprio ventre. Em Gênesis 3:14, 15 lemos:
“Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”
A maioria dos cristãos tenta imaginar o que era esse animal chamado de serpente. Alguns tentam especular o fato de as serpentes terem pernas e as perdido após a punição de Deus.

O fato é que temos evidências de serpentes com patas no registro fóssil. O fóssil, encontrado na Formação Crato, na Bacia do Araripe, interior do Ceará, está circundado por fezes de peixes igualmente fossilizadas, o que sugere que o animal morreu soterrado por água e lama. Segundo os pesquisadores, essa cobra de quatro patas vivia no supercontinente Gondwana, integrante da parte sul da Pangea. Leia mais sobre isso aqui.

No entanto, algo mais real pode estar por trás disso. A serpente do Éden poderia ter patas ou poderia ter asas. Praticamente todas as culturas do mundo referenciaram monstros sobrenaturais em seus contos folclóricos - e alguns desses monstros assumem a forma de répteis escamosos, alados e que cospem fogo. "Dragões", como são conhecidos no oeste, geralmente são retratados como enormes, perigosos e ferozmente antissociais, e quase sempre acabam sendo mortos pelo proverbial "cavaleiro de armadura brilhante" ao fim de um ataque violento. 

Antes de explorarmos o vínculo entre dragões e dinossauros, é importante estabelecer exatamente o que é um dragão. A palavra "dragão" vem do grego dracon, que significa "serpente" ou "cobra d'água" - e, de fato, os primeiros dragões mitológicos se parecem mais com cobras do que com dinossauros ou pterossauros (répteis voadores). Também é importante reconhecer que os dragões não são exclusivos da tradição ocidental; esses monstros aparecem fortemente na mitologia asiática, onde recebem o nome chinês de "longo".

A serpente do Éden era um dragão? Um dinossauro? Ou uma espécie de serpente extinta? Leia mais sobre isso em nosso texto sobre o dragão de Da Vinci.

5. Pterossauros

Cena do filme que mostra os pterossauros caçadores

Nessa parte do bate-papo abordamos a grande verdade que a maioria dos espectadores não sabe: pterossauros não eram dinossauros. Eram répteis voadores. E sempre trago algumas curiosidades sobre esses animais lindos. Uma delas é que a região onde eu moro (Sul do Brasil) é rica em fósseis de pterossauros.

O pterossauro Keresdrakon vilsoni, o mais recente deles, foi apresentado em um artigo publicado em agosto de 2019 na revista da Academia Brasileira de Ciências. Segundo os paleontólogos, o pterossauro viveu "em um ambiente desértico periférico, onde existiam oásis com água e certa vegetação".

Keresdrakon é a junção de "keres", que, segundo a mitologia Grega, são espíritos que personificaram a morte violenta e estão associados à fatalidade; e "drakon", palavra para dragão no grego antigo. Já vilsoni foi uma homenagem a Vilson Greinert, um voluntário que dedicou centenas de horas preparando a maioria dos espécimes do "cemitério dos pterossauros" que fazem parte do acervo do Cenpaleo.

6. Tiranossauros bonzinhos

Cena do filme que mostra os tiranossauros bonzinhos

Nesta parte do filme vemos a interação do personagem principal com os tiranossauros. E para minha surpresa, não contribuíram com a má fama dos tiranossauros. No filme, eles são bonzinhos e ajudam o apatossauro a voltar para casa. Claro que eles cuidam da "comida", que é o "gado". São carnívoros, mas não demonstram aquele comportamento voraz, destruidor a que estamos acostumados.

Temos que desconstruir a imagem da agressividade extrema desses animais. Deus criou tudo bom e perfeito, e após o pecado muitas deformidades vieram a acontecer na criação. Não conseguimos ainda determinar direito como isso ocorreu, mas, comparando com os animais selvagens atuais, é fato que o cinema ás vezes exagera.

Cena do filme que mostra o "gado" cuidado pelos tiranossauros

8. Raptores emplumados

Raptores emplumados

Nessa cena representaram os raptores com algumas plumas saindo da cauda. E, de fato,  encontramos isso no registro fóssil. Existiram dinossauros com penas.

Para a cosmovisão criacionista, existe um fator que é discutido com polêmica. O fato de se admitir que dinossauros tinham penas pode corroborar com a evolução de dinossauros para aves. No entanto, isso é uma falsa premissa. Existiam répteis emplumados, e as aves fazem parte de outra categoria. É comum os seres vivos compartilharem características. E isso não comprova a macroevolução, mas comprova o design comum.

Cena do filme que mostra aves vivendo com dinossauros

Encontramos no registro fóssil aves vivendo com os dinossauros, e até antes de alguns deles.[7] Não encontramos de forma contundente no registro fóssil essa transição de dinossauros para aves. Não temos muitos fósseis dessa época na América do Norte, e menos ainda apresentam características que nos dão uma boa ideia de como eram na vida, mas sabemos que eles definitivamente existiam de alguma forma. O oxpickers, nativos da África, são especializados em comer parasitas sugadores de sangue de animais grandes, é um exemplo de ave que se acredita habitou com os dinossauros.

Na cosmovisão criacionista, cremos que Deus criou todos os seres vivos com aporte necessário para sofrer mutações. No entanto, dentro da mesma família. Sem saltos evolutivos que mudariam a espécie/família. Então, as aves variam e continuam aves. Dinossauros variam e continuam dinossauros. Algumas estruturas (como escamas, garras e penas) são compartilhadas.

Alex Kretzschmar

Referência:

[1] Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 15 

[2] Hildebrand AR, Pilkington M, Connors M, Ortiz-Aleman C, Chavez RE. Size and structure of the Chicxulub crater revealed by horizontal gravity gradients and cenotes. Nature. 2002; 376:415-417. 

[3] Price GD, Nunn EV. Valanginianisotopevariation in glendonitesandbelemnitesfromArctic Svalbard: Transient glacial temperaturesduringtheCretaceousgreenhouse. Geology. 2010;38(3):251-254. 

[4] ALVES, Everton Fernando; BORGES, Michelson. A extinção dos dinossauros: semelhanças entre as propostas evolucionista e criacionista. In:________. Revisitando as Origens. Maringá: Editorial NumarSCB, 2018, p.79-87. 

[5] Batten, D. (Ed.), Catchpoole, D. , Sarfati, J. e Wieland, C., Capítulo 11, E a deriva continental? O Livro de Respostas da Criação , Publicadores de Livros da Criação, 2006. 

[6] Lindsay E. Zanno e Peter J. Makovicky. Ecomorfologia herbívora e padrões de especialização na evolução de dinossauros terópodes . Anais da Academia Nacional de Ciências , 2010; DOI: 10.1073 / pnas.1011924108 

[7] Xing, Lida, et al. “Reanálise de Wupus Agilis (início do Cretáceo) de Chongqing, China, como um grande traço aviário: diferenciando entre grandes faixas de aves e pequenas faixas de terópodes não aviárias.” Plos One, vol. 10, n. 5, 2015, doi: 10.1371 / journal.pone.0124039.

quarta-feira, junho 26, 2019

Adão e Eva iam ao banheiro?

Tenho aprendido muito acerca de criacionismo com livros, meditando e lendo a Bíblia. Tenho aprendido muito também enfrentando dilemas, corrigindo posicionamentos e, acima de tudo, tentando responder perguntas. Procurar uma resposta me traz enorme aprendizado, mesmo que após várias tentativas eu ainda não consiga conjecturar muitas questões.

No criacionismo bíblico, cremos que Deus orquestrou o início da vida em nosso planeta. E somente Deus tem a "foto" original do quebra-cabeça que estamos montando. Às vezes, temos uma peça solta aqui e lá, outras se encaixam perfeitamente, mas a verdade é que não conseguimos vislumbrar a imagem toda.

Estava palestrando para um grupo de pessoas, e o público era misto. Famílias com seus filhos, jovens e idosos. Quando abri para perguntas, no meio do público uma mãozinha pequena, branca e gordinha se ergueu. Era uma criança com seus sete a oito anos. E ele queria muito perguntar, pois acenava com as mãos de forma incansável. Quando dei o espaço para ele falar, a pergunta me surpreendeu e fez todos rirem no local. Ele queria saber se "Adão ia ao banheiro". Na verdade ele usou uma palavra bem coloquial, o que fez com que eu também desse uma boa gargalhada.

A pergunta podia entrar naquela classe das "inúteis curiosidades", como as clássicas "Adão tinha umbigo?", "Qual era a cor de Eva?", entre outras. Mas vi um grande potencial teológico na pergunta e decidi responder. Na hora prontamente respondi que sim, e sabia que viria um nova pergunta, pois já havia compreendido qual era a linha de pensamento do menino da mão gordinha. Ele queria saber se havia morte antes do pecado, pois se Adão comia, matava células dos alimentos; se havia células mortas, havia morte, então a confusão estava feita. Era um paradoxo excretor edênico. Antes de mais nada quero indicar um texto em que falei sobre esse assunto de forma resumida.

Falarmos de vida e morte com as definições biológicas ou sociais pode complicar nossa compreensão se aplicarmos esse princípio à Bíblia fora do contexto. No que se refere a seres vivos, vida e morte são bem definidas pela Bíblia. Mas, quanto à função dos alimentos, a coisa muda um pouco. As plantas são consideradas “alimento". Para a Bíblia, a planta não morre quando é ingerida. Apenas cumpre seu papel na criação, que é o de alimentar o ser humano e os animais. Em Eclesiastes 3:19, 20 vemos que o autor define a função de cada coisa, e que as plantas têm a função de alimentar os seres humanos e os animais. Logo, aqui nesse texto, ela não entra no contexto de "seres vivos", mas no contexto de "alimento".[1]

Quando comemos uma fruta, “matamos células” dessa fruta. O material ingerido deve ser devolvido à terra para reciclagem - ciclo biológico. Cada átomo que ingerimos ou é excretado ou é mantido no organismo. Nenhum átomo é desintegrado. Os átomos circulam entre o organismo e o ambiente.[2]

O fato de que as plantas tinham sido apontadas como alimento para animais faz com que seja muito óbvio que a "morte" ocorreu no Jardim do Éden, a "morte" das plantas. Cada grão, cada vegetal carnudo enraizado consumido como comida representava a vida de uma planta adulta. Aqui era a "morte" sem a sombra da morte. A morte, como é conhecida, antes da queda do homem, apenas significava que o protoplasma vivo de frutas, nozes, grãos, legumes e ervas era apropriado por algum animal para servir como uma refeição gostosa. A substância viva da planta "morre", é quebrada em substâncias mais simples, ou seja, é decomposta e, em seguida, usada na síntese de tecidos animais.

Aparentemente, não houve morte de animais no Éden. Podemos nos perguntar como Adão, em seu cuidado do jardim, poderia evitar pisar em uma formiga ou esmagar a pequena larva de um inseto, mas isso já entra na questão das curiosidades inúteis de que falamos anteriormente. Assim, a resposta à nossa primeira pergunta é "sim"; houve "morte" e decomposição de materiais de vida no Éden, mas essa "morte" foi apenas no reino vegetal.[3]

Lemos em Gênesis 2:1: “Assim os céus e a terra foram terminados.” Mais uma vez, em Hebreus 4:3b, lemos: “Embora as Suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo...” O ensinamento desses versos parece expressar o pensamento de que depois que a primeira criação original foi concluída na sexta-feira não havia segunda criação tão profunda como aquela que seria necessária para reprogramar os corpos de todos os animais, a fim de fazer a manipulação de grande volume de materiais indigestos possível e instalar um sistema para a extração e eliminação de resíduos sólidos e líquidos.

A dieta era fisicamente a mesma antes da queda, como é a mesma hoje. Portanto, parece razoável supor que o padrão básico do corpo de Adão foi o mesmo em seu equipamento de sistemas de órgãos como é com o nosso corpo.

A Bíblia também conecta a questão do sangue à vida.[4] Podemos ver isso claramente em Gênesis 9:4 e Deuteronômio 12:23. Sendo assim, as plantas não entrariam nesse contexto de "vivo ou morto", podendo sem problema ser ingeridas por Adão e Eva no Éden. Essas plantas passariam por um processo complexo de digestão e seriam excretadas pelo processo "malcheiroso" que conhecemos.

Já ouvi alguns criacionistas dizerem que não havia excreção no Éden e os seres humanos absorviam todos os nutrientes do que era ingerido. Então, não tinha nada que sobrava. Afinal de contas, "cocô e paraíso não combinam né?". 

A comida de ser humano e dos animais é constituída por hidratos de carbono, gorduras, proteínas, vitaminas, minerais e água. Uma vez que esses produtos alimentares são os mesmos para o homem e os animais, as enzimas em seus corpos, as quais provocam a digestão, assimilação e oxidação dos materiais, são idênticas. Os hormônios ou mensageiros químicos do homem são os mesmos que os dos animais.

Encontramos ciclos importantes de substâncias químicas intimamente associados com a vida de plantas e animais. Ciclos como o do oxigênio, do carbono, ou o ciclo do azoto. No ciclo do azoto, por exemplo, a planta verde leva a água a partir do dióxido de carbono do solo e do ar, e por meio de energia de luz e a ação catalítica de clorofila, fabrica açúcar simples. Esse açúcar é então combinado com nitratos do solo e a planta forma aminoácidos. Esses aminoácidos são utilizados pela planta para a construção de novas protoplasmas e para a substituição de porções da substância viva que tenham sido oxidadas.

Alguns desses ácidos também são construídos em proteínas, por exemplo, nas sementes de leguminosas em amadurecimento. O animal come essas proteínas, digere em aminoácidos, e, em seguida, reconstitui para o protoplasma de seus próprios tecidos. Resíduos azotados do corpo do animal, bem como resíduos de plantas, são decompostos por bactérias e fungos.

Em seguida, as bactérias nitrificantes começam a construir essas substâncias simplificadas em nitritos e, eventualmente, em nitratos que estão prontos para ir ao redor do ciclo novamente. A extrema importância desse ciclo está no fato de que ele é a fonte de todos os materiais de crescimento e reparação para os seres vivos. 

Esses organismos de deterioração e as bactérias nitrificantes, em cooperação com bactérias fixadoras de azoto no solo e sobre as raízes das leguminosas, são responsáveis pela renovação constante da fertilidade do solo, ou seja, sua fertilidade no que respeita aos nitratos todo-importantes. Sem eles as plantas não seriam capazes de crescer. À luz desses fatos, parece razoável supor que o ciclo do nitrogênio foi instituído pelo Criador no início.

Se não fosse o caso, teria sido necessário que o Criador desenvolvesse uma espécie de barril de nitrato para reconstituir, através de um processo sobrenatural, o fornecimento constante de encolhimento desse componente. Em um mundo projetado para durar para sempre, a instituição de um ciclo de nitrogênio seria ainda mais importante no contexto do cuidado de Deus com Sua criação.

O fato é que existe a necessidade de organismos de deterioração, tais como leveduras, fungos e bactérias, para quebrar esses materiais em substâncias mais simples para que eles pudessem voltar ao ciclo novamente. Parece muito necessário concluir que, a fim de manter a terra organizada a partir dos produtos de suas próprias formas orgânicas imortais, o Criador deva ter instituído o ciclo do nitrogênio na criação. 

Alguém pode questionar que os animais e o homem não produziam resíduos no estado original, porque tal ideia exigiria um sistema de esgoto no Paraíso, aparentemente uma ideia repugnante. Mesmo se há alguma conexão aqui, eu não gostaria de fazer muitas suposições sobre os tipos de corpos ou como será a mudança para um estado imortal. Podemos imaginar com bastante precisão o estado original, porque esta é a mesma Terra, e mortal, em que Adão estava inserido. O corpo humano na nova Terra pode diferir do seu estado atual, e até mesmo a partir de seu estado original, de muitas maneiras. No entanto, parece razoável supor que o estado restaurado do homem e dos animais será análogo ao que foi originalmente criado. Pelo menos esse parece ser o caso em matéria de alimentos.

A eliminação de resíduos não precisa estragar um Éden. Vemos muitos animais hoje com hábitos curiosos de eliminação de resíduos. Possivelmente essa seja uma sombra de um instinto bem desenvolvido que foi usado por animais no Éden. A simplicidade do cotidiano de Adão e Eva e sua proximidade com a terra e seus produtos são difíceis para entendermos sem criar uma grande complexidade e artificialidade. Muitas vezes encontramos indivíduos que pensam que os remidos passarão a eternidade sentados numa nuvem tocando harpa. Mas será que os santos farão somente isso no Céu?

Da mesma forma, alguns são propensos a assumir que o estado original era uma existência etérea, longe das realidades da vida. Mas vemos o contrário. Foi extremamente a existência real e muito perto da natureza que suas vidas foram vividas na mesma terra sobre a qual caminhamos, uma terra cujos processos foram, se julgado à luz da situação atual, inteiramente exercidos por leis naturais, que são os instrumentos de Deus. Parece muito razoável, de fato, bastante necessário assumir que o poder de sustentação do Criador foi manifestado nos mesmos ciclos vitais que em nossos dias e ainda mantém as substâncias químicas essenciais sempre renovadas para que a vida possa continuar.

E suponhamos que os seres humanos possuíssem originalmente trato digestivo, de tal modo constituído para digerir completamente todas as partes dos grãos, frutas, nozes, vegetais e ervas que compunham sua dieta. Isso exigiria mais enzimas digestivas do que aquelas que o homem agora possui. Ao considerar essa questão, é muito necessário que tenhamos em mente as profundas mudanças corporais que seriam necessárias para mudar um sistema construído tal como os animais possuem hoje.

No caso do homem, o cólon com sua abertura, os rins, os ureteres e a bexiga teriam de ser adicionados, para não listar estruturas como vasos sanguíneos e nervos que teriam que ser fornecidos. O tubo digestivo moderno em si é construído com todos os recursos para lidar com matéria indigesta, isto é, trabalhá-la e passá-la adiante. De fato, a maior parte de tais partes indigestas de nossa comida, como a celulose, é quase tão importante para a saúde quanto os próprios alimentos. O significado de nosso atual sistema digestivo e excretor é que se ele não foi originalmente criado com a presente estrutura, uma segunda criação algum tempo depois que o pecado entrou teria sido necessária.

A conclusão desse problema é bem simples: Adão e Eva iam ao banheiro. Comiam plantas e processavam essas plantas em seus sistemas complexos digestivos. A "morte" dessas plantas/células não era problema e esse ciclo perfeito para manter a criação foi feito pelo próprio Deus. Assim, pode-se concluir, com razão, que as plantas não possuem vida bíblica. Se elas não estão "vivas", os animais que comem plantas na criação original não causariam a morte. Então, o que possui "vida", de acordo com a Bíblia, parece ter certos parâmetros. Eles são: consciência, carne, respiração e sangue.

(Alex Kretzschmar, baseado no texto "Studies in Creationism", de Frank Lewis Marsh)

Referências:

[1] Stambaugh, James, Creation’s original diet and the changes at the Fall, TJ 5(2):130–138, 1991.

[2] Rubim, M. A. L. 1995 Ciclo de vida, biomassa, e composição química de duas espécies de arroz silvestre da Amazônia Central. Dissertação de mestrado, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/ Fundação Universidade do Amazonas. Manaus, Amazonas. 126 p.

[3] Ross, Hugh, The Fingerprint of God, Promise Publishing Company, Orange, CA, p. 154, 1989.

[4] Hamilton, ref. 37, vol. 1, p. 190, sv Dam . 

terça-feira, maio 07, 2019

O dragão de Leonardo da Vinci

O mês de maio de 2019 marca o 500º aniversário da morte de Leonardo da Vinci (15 de abril de 1452 - 2 de maio de 1519). O polímata era bem conhecido por suas contribuições para a ciência, história, engenharia, arquitetura, o desenho e especialmente a pintura, com sua pintura mais famosa sendo a Mona Lisa. Para este aniversário, a Royal Collection Trust do Reino Unido está exibindo algumas das coleções de desenhos de Leonardo em 12 locais diferentes. Um desenho em particular está causando agitação. Intitulado "Gatos, leões e um dragão", desenhado por volta de 1517 a 18, você pode começar a adivinhar o motivo da agitação. A imagem da caneta e da tinta mostra vividamente gatos e leões em várias poses realistas. A nota na parte inferior do desenho diz: “De flexão e extensão. Essa espécie animal, da qual o leão é o príncipe, por causa de sua coluna espinhal é flexível.” Isso sugere que o desenho está relacionado com a gama de movimentos alcançáveis ​​pelos gatos. Alguns relacionaram isso a uma nota de Leonardo indicando que ela pode ter sido usada em um estudo maior sobre animais que andam sobre os quatro pés.[1] Leonardo teria sido capaz de observar gatos comuns com facilidade, e “os leões eram bem conhecidos na Itália na época - eles eram, por exemplo, mantidos em uma gaiola atrás do Palazzo della Signoria, em Florença, como um dos símbolos da cidade.”[2] Leonardo ainda teria construído um leão robô para entreter o rei Francisco I da França.[3] 
Royal Collection Trust / © Sua Majestade a Rainha Elizabeth II 2019

As descrições dos desenhos de gatos e leões chegam à mesma conclusão - que foram extraídas de observações diretas. No entanto, quando se trata do dragão na imagem, o Royal Collection Trust afirma que “o dragão foi adicionado simplesmente como um caso ainda mais extremo (limitado apenas pela imaginação do artista e não pela anatomia real)”. Mas seria esse o caso? Certamente essa é apenas uma enorme suposição. Parece basear-se unicamente em uma compreensão evolucionista da história que alega que os dinossauros (dragões) morreram há 65 milhões de anos, nunca vivendo com a humanidade. Faria muito mais sentido ser consistente e também atribuir o desenho do dragão à observação direta, em vez do desenho de um animal imaginário entre os reais. Além disso, a pergunta fica: Sem Leonardo literalmente olhando para o "dragão", como ele seria capaz de desenhar um animal extinto com tanta exatidão?

Livro de Derek Isaacs que especula sobre os relatos de
dragões serem avistamentos reais de dinossauros 

A palavra "dinossauro" foi inventada por Sir Richard Owen em 1841. Antes disso, a palavra "dragão" cobria grande variedade de animais cujas descrições frequentemente coincidem muito com os dinossauros e outros répteis extintos. Se esse é o caso, o desenho do dragão de Leonardo corresponde a algum dos dinossauros conhecidos hoje? O especialista em dinoartefato Vance Nelson [4] fala sobre isso: "Esta era uma representação típica na Europa, do que costumavam ser classificados como 'prossaurópodes'. Eles agora são classificados em vários grupos dentro de um grupo maior, os sauropodomorfos basais. Embora a cabeça tenha a estilização típica do século 16, a morfologia, no entanto, facilita a identificação dentro desse grupo."

O dragão de Leonardo mostra que as suposições evolucionistas modernas sobre o passado podem estar completamente erradas.

O que é interessante sobre os dinossauros que se enquadram nesse grupo, como os Lessemsauridae, é que suas patas dianteiras e traseiras tinham uma curvatura distinta, em oposição a membros colunares de cima para baixo. Eles também tinham cinco garras, tal como descrito por Leonardo (veja o pé traseiro direito). Poderiam tais detalhes específicos ser fabricados apenas a partir da mente?

A interpretação de Leonardo do dragão com uma cauda enrolada não é incomum ao longo da história, e pode ter sido um artifício artístico. No entanto, observando que a primeira parte da cauda ligada ao corpo é relativamente rígida, assim como ocorre em outros dinossauros saurópodes, existem outras opções. Pode ser que alguns dinossauros tenham uma cauda preênsil, como alguns lagartos hoje, facilmente capazes de assumir a mesma forma que no desenho. O dinossauro também está notavelmente no que parece ser uma postura defensiva, de modo que a cauda poderia ter sido desenhada capturando-o "meio chicote".[5] A capacidade de enrolar uma cauda seria útil, como quando se está dormindo, se movendo em espaços apertados ou até mesmo desenhando-a defensivamente. Nós não podemos mais observar os dinossauros hoje, então há algum grau de especulação sobre a amplitude total de movimento das caudas de sauropodomorpha.

Lessemsaurus

O dragão de Leonardo mostra que temos muito ainda que especular sobre o passado e a idade desses dinossauros. Acrescenta-se ao grande corpo de desenhos e representações de dinossauros desde que eles saíram da Arca de Noé, cerca de 4.500 anos atrás. Enquanto eles podem estar extintos hoje, sua existência contemporânea com os humanos parece ser relativamente bem documentada. Se Deus criou todos os animais terrestres no sexto dia, não é de se estranhar que tenhamos por certo período convivido juntos.

(Texto original de Philip Robinson, traduzido e adaptado por Alex Kretzschmar)

Referências

[1] Leonardo da Vinci, Paris Manuscrito E, XIV, Anatomia, Zoologia e Fisiologia, 825, c. 1513–14. 
[2] Royal Collection Trust., Gatos, leões e um dragão c. 1517-18, rct.uk. 
[3] Di Angelo, P., Leão mecânico de Leonardo, gingkoedizioni.it, 16 de fevereiro de 2017. 
[4] Bates, G., Desenterrando evidências empolgantes para a criação: Gary Bates entrevista o pesquisador de fósseis Vance Nelson, Criação 41 (2), 12–15, 2019. Retorne ao texto.
[5] Geggel, L., Chicotes da cauda do dinossauro poderiam ter quebrado barreira do som, livescience.com, 21 de outubro de 2015; cf. Dinossauros chicoteavam companheiros em linha? 

segunda-feira, abril 22, 2019

Amalgamação e dinossauros

Eu estava palestrando sobre o dilúvio em uma igreja do litoral de Santa Catarina, quando, no meio de minha arguição, houve um intervalo musical e me dirigi por alguns minutos até o bebedouro. Enquanto enchia o copo descartável, fui interrompido por um menino de aproximadamente seis anos de idade. Ele estava triste e perguntei se poderia ajudar em algo. Foi então que ele me relatou o real problema. Disse-se que seu pai não acreditava em dinossauros e que, na opinião dele, eles nem tinham sido criados por Deus. O garoto perguntou se eu iria falar de dinossauros na palestra. Bem, a palestra era sobre o dilúvio, e naquele momento decidi mudar alguns slides para pincelar sobre o assunto que incomodava tanto a criança.

Estamos em 2019 - falei para mim mesmo. Como em pleno século 21 encontramos pensamentos que permearam o criacionismo de duzentos anos atrás?! Na minha mente estava tudo bem resolvido, mas senti a necessidade de falar sobre o assunto. 

Esse não foi o único acontecimento motivado por essa questão. Já havia ocorrido antes, quando me questionaram se moscas eram criaturas de Deus. Outros queriam saber se Deus criou as bactérias, e uma senhora, ano passado, afirmou que as baratas certamente eram criaturas de Satanás.

Para começar a elucidar essa questão, quero estabelecer parâmetros bíblicos. Devemos saber o que a Bíblia fala sobre a criação. Em Colossenses 1:16 lemos: "Porquanto nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou dominações, sejam governos ou poderes, tudo foi criado por Ele e para Ele."

Podemos também ler Êxodo 20:11, Neemias 9:6, João 1:3, João 1:10, Romanos 11:36, Isaías 42:5 e outras passagens indiretas que nos mostram que Deus é quem criou TODAS as coisas. Não há dúvida de que foi Deus quem colocou prontamente neste planeta tudo o que existe. Toda vida emana de e tem origem em Deus.

Se Deus criou todas as coisas, o que houve com a criação? Bem, a resposta é simples e clara. O pecado embaralhou as coisas. Antes eram perfeitas, funcionais e completas e, depois do pecado, perderam esse status. Em Gênesis 3:17 lemos que o próprio planeta sofreu junto com Adão e Eva a consequência do pecado. Todas as coisas caíram junto com a humanidade. 

Aqui já podemos chegar a uma simples conclusão. Deus não criou as coisas problemáticas, elas surgiram após o pecado. Então, à medida que o pecado entrava no mundo, mais problemas surgiram. Podemos citar doenças, vírus, patógenos, relações de predação, espinhos e morte. Não é à toa que, ao coroarem Jesus Cristo na cruz, escolheram uma coroa de espinhos, pois sobre Ele estava toda a maldição que entrou com o primeiro Adão.

AMALGAMAÇÃO

Muitos criacionistas têm falado sobre amalgamação, e cabem aqui alguns esclarecimentos. Alguns defendem que o termo representa o cruzamento de homens e animais, que poderiam gerar um terceiro grupo de seres que não tinham função na criação e, portanto, foram extintos no dilúvio. Esses conceitos foram atribuídos aos escritos de Ellen White, escritora e educadora adventista do século 19.

Descrevendo um grande pecado, a Sra. White relatou: “Mas se há um pecado acima de todo outro que atraiu a destruição da raça pelo dilúvio, foi o aviltante crime de amálgama de homem e besta que deturpou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte” (Spiritual Gifts, v. 3, p. 64, 1864).

“Toda espécie de animal que Deus criou foi preservada na arca. As espécies confusas que Deus não criara, resultantes da amálgama, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio, tem havido amálgama de homem e besta como pode ser visto nas quase infindáveis variedades de espécies animais e em certas raças de homens” (Spiritual Gifts, v. 3, p. 75, 1864).

A polêmica declaração de Ellen White sobre ter ocorrido no passado "amálgama de homem e besta" dando origem à raças inferiores, tanto de homens quanto de animais, segundo a perspectiva defendida por adventistas, não existiu. A posição oficial dos principais estudantes dos escritos da Sra. White não concorda com essa ideia de amalgamação. 


A conclusão desse problema é bem simples. Dinossauros existiram e foram criados por Deus. As moscas, as baratas, as bactérias e todos os seres vivos que hoje têm uma relação conflituosa com os seres humanos sofreram efeitos deletérios do pecado e mostram o quanto o pecado deformou a criação original de Deus.

Deus promete restaurar todas essas coisas. Assim se cumprirá o que foi dito por meio do profeta Isaías no capítulo 65:17: “Pois eis que Eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas.” Isso significa que não sobrará vestígio algum de maldade e “não haverá mais maldição” sobre a Terra (Apocalipse 22:3). Jesus declarou: “Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5). A Bíblia é enfática: “todas as coisas” serão restauradas (Atos 3:21). “A própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8:21).

Alex Kretzschmar