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04/04/2012

Meta

Dispenso o emaranhado de tristeza.
Jogo a saudade sobre a mesa,
grudo os desapontos no teto.
Passo reto, abro alas.

Arrombo portas, devasso salas,
empurro mágoas pendentes no corredor.
Recolho um favor que, desprezado,
jaz no canto, roto e desbotado,
encosto de um lado um desafeto.
Abro alas, passo reto.

Banho-me lá fora
com a gota de lua caída da aurora,
e lavo minha história.

Quando enxuta,
divisam-se glórias impolutas.
Descubro-me mulher, guerreira, artista
e bato palma.

Abro meus braços, lavo a alma;
percebo logo ali um sol nascente.
Meu passo é reto,
abro alas.
Sigo em frente.


Flora Figueiredo

12/11/2010

Reverência


Se não fosse você, eu andaria


a caminho do nada,


pra lugar nenhum.


Eu erraria por entre vagas abertas,


sobre páginas incertas


de um pobre verso comum.


Se não fosse você, eu perderia


a noção do sol e do vento,


de todo e qualquer elemento


que me induzisse à beleza.


Se não fosse você, eu ficaria presa


na trama dos desafetos,


dos amores incompletos


que o mundo encaixa nos cantos.


Se não fosse você, triste seria


e a memória por certo contaria


minha historia na pobreza de um clichê.


.....e eu certamente me demitiria


dos ternos devaneios da poesia.


Que seria de mim, se não fosse você?




Flora Figueiredo