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01/10/2025

Que é a vida?


Brasil. Foto: A. R.



A vida cobra pedágio.
O mal feito tem seu preço
e, nem sempre, o bem feito
é recompensado.

A vida é dura,
e nem sempre são os maus e mentirosos
que pagam a conta.

Injustiça?
Não compreendo.
Mas, afinal... que sei eu
da Vida?


Alairce Rodrigues (2011)

03/10/2016

Teologia da Prosperidade: o mercado de almas

Queridos amigos: hoje, depois de muito empo ausente, estou aqui para falar de uma paixão: livros. Com muita alegria e gratidão a Deus, estou lançando o livro que escrevi (em parceria), fruto de dois anos de extensas pesquisas. Se houver interesse em adquirir um exemplar, deixe seu recadinho... Deus os abençoe infinitamente. 



17/05/2014

Um pouco de silêncio



Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.

Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam conosco nem nos interessam.

Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço da sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.

O normal é ser atualizado, produtivo e bem informado. É indispensável circular, ser bem-relacionado. Quem não corre com a manada, praticamente nem existe. Se não tomar cuidado, põem-no numa jaula: um animal estranho.

Pressionados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou por trilhos determinados – como hamsters que se alimentam da sua própria agitação.

Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo ameaça quem apanha um susto de cada vez que examina a sua alma.

Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não «se arranjou» ninguém – como se a amizade ou o amor se «arranjasse» numa loja.

Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Pensamos logo em depressão: quem sabe terapia e antidepressivos? Uma criança que não brinca ou salta ou participa de atividades frenéticas está com algum problema.

O silêncio assusta-nos por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incômodas e mal resolvidas, ou se observa outro ângulo de nós mesmos. Damo-nos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre a casa, o trabalho e o bar, a praia ou o campo.

Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo para além desse que paga contas, faz amor, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse que afinal sou eu? Quais os seus desejos e medos, os seus projetos e sonhos?

No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos a casa e ligamos a televisão antes de largarmos a carteira ou a pasta. Não é para assistirmos a um programa: é pela distração.

O silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de vermos quem – ou o que – somos, adiamos o confronto com a nossa alma sem máscaras.

Mas, se aprendermos a gostar um pouco de sossego, descobrimos – em nós e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente negativas.

Nunca esqueci a experiência de quando alguém me pôs a mão no meu ombro de criança e disse:
— Fica quietinha um momento só, escuta a chuva a chegar.

E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela nos refazemos para voltarmos mais inteiros ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.

Então, por favor, deem-me isso: um pouco de silêncio bom, para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito para além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.

LUFT, Lya. Pensar é transgredir, 2011, p. 41-43. Editora Record.

Foto: Angra dos reis RJ. Alairce Rodrigues. 2012.

09/03/2014

Liberdade


Seu amor me deu asas.

Derrubei paredes que me cercavam,

Afoguei meus medos em nossos sonhos,

Alcancei o céu e as estrelas.

 Alairce Rodrigues
(31/10/1975)

15/02/2014

Possibilidades




Amor,
alegria...
morte,

dores,

solidão.

Reconstruir sobre ruínas,

fechar os olhos,

não sentir mais...



Alairce Rodrigues (Liz  Guides)
Julho/1978

14/09/2011

Sempre



Para quem ama o mundo pára,
tempos retidos
e não divididos
na alma.
O coração não tem ponteiros
e só marca o sempre.

Ou, então, é diferente
o amor que o poeta sente.

A Terra também gira,
mas parece estática!
O rio não passa,
vão-se apenas as águas
tal como as mágoas,
mas a saudade permanece.

Só eu meu bem levarei em sonhos
quando para sempre fechar os olhos.

Noel Nascimento (poeta pontagrossense)

Foto: Torres RS
Autor: Alairce Rodrigues

30/07/2011

54. Dramaturgia


Alguém joga xadrez com minha vida,
alguém me borda do avesso,
alguém maneja os cordéis.
Alguém me inventa e desinventa
como quer:
talvez seja esta a minha condição.

Alguém dirige o teatro de sombras
no qual fui ré setenciada.
Finjo entender de tudo:
ando de um lado e outro,
faço gestos com a mãos,
cuspo as sementes do fruto
entalado na garganta
com um grito: Alguém aí pode me ouvir?

Ninguém reage, ninguém tenta aplaudir:
nesse reino todos usam disfarces,
menos a solidão.

Lya Luft

Foto: Alairce Rodrigues.






04/11/2010

De cravo e rosas

De cravo e rosas





Jardim brejeiro, quase nu:

apenas o cheiro dos cravos e das rosas

à espera de nossas mãos

que um e e outra iam colhendo

como se fosse o próprio Jardim do Éden.

Expulsa do meu paraíso,

perdi meu rumo...


Alairce Rodrigues - Jan/1977