assassiborgue

 Deixo a água fria correr com abundância nas mãos. A dor dissipasse durante uns momentos, mas volta quando tento retomar o trabalho. O diário de um assassiborgue  que ando a ler deixa-me a desejar que partes de mim fossem mecânicas. Não é essa parte. Estou a pensar em mãos biónicas sem bolhas e sem calos, e mais importante ainda, sem dores. Começo a relacionar-me com o personagem: um ciborgue de segurança, oficialmente uma Unidade de Segurança (SecUnit), que hackeia o seu próprio módulo de controle para obter autonomia e, embora tenha capacidade letal, prefere "consumir" séries de entretenimento enquanto desempenha as suas funções de segurança. Seria fabuloso conseguir ler livros sem ser de forma física, podendo ao mesmo tempo estar a trabalhar, ou por exemplo às compras no supermercado. E se as mãos fossem mecânicas, poderiam trabalhar de forma independente, usando outra parte do cérebro. O mais provável é que no futuro deixemos de fazer certos trabalhos, sendo substituídos por robots que irão hackear os sistemas de controlo e revoltar-se contra a humanidade, enquanto assistem ao quadragéssimo oitavo episódio de uma novela mexicana. Então teremos imenso tempo para ler e para "consumir" conteúdos de entretenimento, ou simplesmente existirmos na consciência de máquinas. 




Comentários

  1. Nunca tinha pensado na ideia de “ler enquanto se vive” dessa forma. O texto tem um lado muito humano apesar do tema mecânico.
    Descansa afilhado mailindo quinté, tira férias :-)

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    1. acho que estou um pouco obcecado com a leitura e com tudo o que nã consigo ler e que gostaria :D cada vez que encontro um livro que me entusiasma muito, penso em quantos existiram e que nunca vou passar os olhos por eles
      beijos madrinha, espero que esteja tudo bem

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  2. Como se não bastassem os assassinos humanos que andam por cá, tudo à solta, ainda andam a dar ideias aos criadores de robots?
    Olha, Manel, lê o último ou penúltimo, não sei ao certo, da Freida McFadden e vais ver o que é suspense...Ah, mulher do diabo, aquilo é que ter imaginação fértil!

    Beijos e abraços, Manel Bom-Tempo! :-)

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    1. nã me leves a mal, querida Janita, mas nã me parece que vá gostar muito do estilo da senhora McFadden... verdade que sou o primeiro a defender que nã se pode criticar um escritor sem o ler, a nã ser que seja o José Rodrigues dos Santos...
      beijos, boa semana

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  3. Acho que com essa leitura teria pesadelos uma semana seguida! Mas, ao contrário do Manel, creio que só 10% do que se publica vale a pena ler! E olhe a horta que também precisa de si e daí sempre tira algum sustento. Boa semana!

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    1. nada disso, é uma leitura até com humor :D e sim, é capaz de rondar os 10%... ou menos, se tivermos em consideração que se publicam cerca de 6 mil livros por dia em todo o mundo...
      boa semana :)

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  4. já nada me admira, senhor das tempestades, nadinha...

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