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domingo, 22 de dezembro de 2019

Natal, imigrantes, Santa Claus e a matrix, por Sammis Reachers



Há algumas semanas uma instalação artística chamou a atenção do mundo. Em Claremont, na Califórnia, uma Igreja Metodista apresentou um presépio onde estavam colocados o menino Jesus, Maria e José, cada qual isolado em gaiolas individuais, como as que são usadas nos EUA para a detenção de imigrantes ilegais. A mensagem é clara: a forma rude com que os imigrantes são tratados ali, numa nação de imigrantes, fere na raiz a qualquer direito humano e princípio cristão. A denúncia atinge em cheio o falso moralismo de parte daquela (e da nossa ocidental) sociedade, ao chocar-se com a observância bíblica que não recomenda, mas ordena: “E quando o estrangeiro peregrinar convosco na vossa terra, não o oprimireis. Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrinar convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito” (Levítico 19.33,34).
Que bom que o Natal serviu de veículo para uma crítica de tal pertinência. Por sinal, a essencialidade do Natal vem se perdendo já há quase dois séculos. O São Nicolau turco, depois um sincrético senhor de elfos finlandês, foi apropriado, remixado e exportado pela indústria e mainstream norte americanos, e o Papai Noel tornou-se a figura central de uma festa que deveria celebrar o deus-migrante e sem posses que vagou (“o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”, Mateus 8.20b) entre nós.
O capitalismo tem isso de matrix: fiel tributário da Lei de Lavoisier, o químico francês que postulou que (na natureza) nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, ele devora, adapta, rearranja do que há do mais sujo ao mais sagrado e põe a vender na lojinha da esquina, no site da Amazon ou num leilão da Sotheby’s.
Ainda que nos esqueçamos do motivo singelo do Natal, ainda que ele seja prostituído, dessacralizado numa ritualística de consumismo e hipocrisia, glutonaria e bebedeira (sem falso moralismo aqui; apenas que todo excesso é pernicioso), o motivo ainda está lá, num berço improvisado num curral palestino ou numa gaiola californiana: a criança de Belém continua a nascer a cada ano e a cada dia de cada ano, continua a resistir e a estender seus improváveis e ternos braços para os que precisam de seu tesouro, seu abraço: veículo de concórdia, fraternidade e conciliação entre os homens.


Sammis Reachers

Artigo publicado originalmente no Jornal Daki

sábado, 18 de julho de 2015

Acolherei o Estrangeiro!

old woman
José Roberto M. Prado - www.teleios.com.br
Conforme atestou a ACNUR em sua nova edição do relatório Tendências Globais (Global Trends), divulgado em 18 de junho de 2015, vivemos uma crise humanitária mundial sem precedentes, com cerca de 60 milhões de pessoas deslocadas à força, sendo que destes, 20 milhões são refugiados e 40 milhões deslocados internos (IDPs).
Seja nos países de origem, de refúgio, de trânsito ou de reassentamento, a igreja tem um papel essencial e único a desempenhar na promoção da tolerância, da cultura de paz, para que os deslocados à força possam recuperar-se do trauma causado pelo desastre humanitário que sofreram e sejam inseridos efetivamente na nova sociedade.
Reconhecendo esta realidade, em dezembro de 2012, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados organizou um Diálogo com líderes religiosos de diferentes credos, organizações humanitárias confessionais, acadêmicos e representantes governamentais de vários países ao redor do mundo sobre o tema “Fé e Proteção”. Em resposta a esta convocação, de fevereiro a abril de 2013, uma coalizão de organizações humanitárias confessionais e instituições acadêmicas, entre elas a Aliança Evangélica Mundial (WEA) e a Visão Mundial (World Vision International), ambas de corte evangélico e com expressiva presença mundial, participaram na elaboração do documento “Acolher o Estrangeiro: Afirmações para líderes de comunidades de fé”.
As afirmações (transcritas abaixo) têm como alvo inspirar líderes de todos os credos a “acolher o estrangeiro” com dignidade, respeito e amor. Como observou Antonio Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados:
“…para a vasta maioria das pessoas desarraigadas, poucas coisas são tão poderosas em ajudá-las a superar o medo, a perda, a separação e a destituição, como a sua fé. A fé é central também para a esperança e a resiliência … em muitas circunstâncias, os deslocados se voltam primeiramente às comunidades religiosas locais em busca de proteção, assistência e aconselhamento. As organizações de fé frequentemente desfrutam de altos níveis de confiança na comunidade, têm um melhor acesso e conhecimento local mais amplo, todos os quais são importantes fatores na elaboração e execução de programas, inclusive em ambientes complexos e inseguros.”
Confira as afirmações. Reflita. Você está pronto a acolher o estrangeiro? Então, que tal envolver outras pessoas? O Mestre da Galiléia já disse: “fui estrangeiro, e me acolheste..”.
Um valor central da minha fé é acolher o estrangeiro, o refugiado, o deslocado interno, o outro. Eu lhes tratarei como eu mesmo gostaria de ser tratado. Eu convidarei os demais, inclusive os líderes da minha comunidade de fé, a fazer o mesmo. Junto com os líderes de fé, as organizações religiosas e as comunidades de consciência ao redor do mundo, eu afirmo:
Acolherei o estrangeiro.
Minha fé ensina que a compaixão, a misericórdia, o amor e a hospitalidade são para todos: o nascido no país e o nascido no estrangeiro, o membro da minha comunidade e o recém-chegado.
Recordarei e farei recordar aos membros da minha comunidade que todos somos considerados “estrangeiros” em algum lugar, que devemos tratar o estrangeiro em nossa comunidade como nós gostaríamos de ser tratados, e que devemos desafiar a intolerância.
Recordarei e farei recordar a outros em minha comunidade que ninguém deixa sua terra natal sem uma razão: alguns fogem da perseguição, violência e exploração; outros devido a desastres naturais; e outros motivados pelo amor desejam prover uma vida melhor para sua família.
Reconheço que todas as pessoas têm direito à dignidade e ao respeito devido a sua condição de ser humano. Todos em meu país, inclusive os estrangeiros, estão sujeitos às leis do país e ninguém deve ser submetido à hostilidade ou discriminação.
Reconheço que acolher ao estrangeiro às vezes requer coragem, mas as alegrias e esperanças de fazê-lo sobrepassam grandemente os riscos e desafios. Apoiarei aqueles que corajosamente acolherem o estrangeiro.
Oferecerei hospitalidade ao estrangeiro, pois isso traz bênçãos sobre a comunidade, sobre minha família, sobre o estrangeiro e sobre mim.
Respeitarei e honrarei o fato de que o estrangeiro possa ter uma fé diferente ou manter crenças diferentes das minhas ou de outros membros da comunidade.
Respeitarei o direito do estrangeiro de praticar sua fé com liberdade. Buscarei criar espaços onde ele possa prestar seu culto livremente.
Falarei de minha própria fé sem menosprezar ou ridicularizar a fé de outros.
Construirei pontes entre o estrangeiro e eu. Através de meu exemplo, animarei a outros a fazerem o mesmo.
Farei um esforço não só para acolher ao estrangeiro, mas também para ouvi-lo em profundidade, e para promover o entendimento e acolhimento na comunidade.
Manifestarei-me pela justiça social para o estrangeiro, assim como faço para os outros membros da minha comunidade.
Quando eu vir hostilidade para com o estrangeiro em minha comunidade, seja em palavras ou em atos, não ignorarei, mas me empenharei em estabelecer o diálogo e facilitar a paz.
Não me manterei calado quando vir outros, mesmo que sejam líderes da minha comunidade de fé, falar mal dos estrangeiros, julgando-os sem conhecê-los ou quando vir que estão sendo excluídos, maltratados ou oprimidos.
Encorajarei minha comunidade de fé a trabalhar com outras comunidades de fé e organizações religiosas para encontrar melhores maneiras de assistir ao estrangeiro.
Acolherei o estrangeiro.

domingo, 16 de junho de 2013

20 DE JUNHO - DIA DO REFUGIADO: O Brasil e os refugiados


“O Brasil é um país de asilo e exemplo de comportamento generoso e solidário”
António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, durante sua visita ao Brasil em novembro de 2005
O Brasil sempre teve um papel pioneiro e de liderança na proteção internacional dos refugiados. Foi o primeiro país do Cone Sul a ratificar a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, no ano de 1960.  Foi ainda um dos primeiros países integrantes do Comitê Executivo do ACNUR, responsável pela aprovação dos programas e orçamentos anuais da agência.
O trabalho do ACNUR no Brasil é pautado pelos mesmos princípios e funções que em qualquer outro país: proteger os refugiados e promover soluções duradouras para seus problemas.

O refugiado dispõe da proteção do governo brasileiro e pode, portanto, obter documentos, trabalhar, estudar e exercer os mesmos direitos que qualquer cidadão estrangeiro legalizado no Brasil que possui uma das legislações mais modernas sobre o tema (lei 9474/97).
No Brasil, há atualmente cerca de 4.600 refugiados reconhecidos pelo governo (2012), de mais de 70 nacionalidades diferentes. As mulheres constituem o 30% dessa população. A maioria dos refugiados está concentrada nos grandes centros urbanos do país.
O Brasil é internacionalmente reconhecido como um país acolhedor. Mas aqui também o refugiado encontra dificuldades para se integrar à sociedade brasileira. Os primeiros obstáculos são a língua e a cultura. Os principais problemas são comuns aos brasileiros: dificuldade em conseguir emprego, acesso à educação superior e aos serviços públicos de saúde e moradia, por exemplo.
O escritório do ACNUR no Brasil localiza-se em Brasília. A agência atua em cooperação com o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), ligado ao Ministério da Justiça. Além disso, para garantir a assistência humanitária e a integração dos refugiados, o ACNUR atua também em parceria com diversas organizações não-governamentais (ONGs) em todo o país. São elas a Associação Antônio Vieira (ASAV), a Cáritas Arquidiocesana de Manaus, a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) e o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH).
O CONARE
Lei 9474/97  criou o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), encarregado de tomar decisões em matéria de refúgio. É o CONARE que reconhece a condição de refugiado no país.
O CONARE é um órgão multi-ministerial com representantes nos seguintes órgãos:
- Ministério da Justiça, que o preside;
- Ministério das Relações Exteriores;
- Ministério do Trabalho e Emprego;
- Ministério da Saúde;
- Ministério da Educação;
- Departamento da Polícia Federal;
- Organização não-governamental (ONG), representada pela Cáritas Arquidiocesana de São Paulo;
- Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que tem direito a voz, sem voto.
Hoje, as Redes de Proteção são formadas por mais de 30 organizações, presentes em praticamente todos os Estados brasileiros. Também são parte das Redes de Proteção indivíduos dispostos a compartilhar sua solidariedade com os refugiados.
Plano de Ação do México
Em 2004, na cidade do México, para celebrar o Vigésimo Aniversário da Declaração de Cartagena sobre Refugiados , foi realizada uma ampla reflexão sobre a situação dos refugiados no mundo e particularmente na América Latina, em virtude das crises humanitárias da região e dos desafios da integração econômica dos refugiados.
Neste contexto foi assinado o Plano de Ação do México  (PAM), que define um conjunto de medidas voltadas para encontrar soluções duradouras e inovadoras para o refúgio na América Latina. O documento foi assinado em novembro de 2004 por vinte países latino-americanos, inclusive o Brasil.
O PAM consolida a estratégia dos governos, do ACNUR e da sociedade civil para fazer avançar a proteção dos refugiados no sub-continente pelos próximos anos. Inovando ao inserir formalmente o conceito desolidariedade na agenda internacional, o PAM tem cinco objetivos bem definidos.

Desenvolvimento Teórico: promover estudos e pesquisas acadêmicas sobre a proteção dos direitos humanos e dos refugiados no contexto latino-americano.
Fortalecimento Institucional: capacitação e sensibilização de funcionários públicos para garantir o acesso à proteção internacional de todos aqueles que dela necessitem. Ampliar relações com a sociedade civil, melhorando a recepção e assistência aos refugiados, especialmente nas zonas de fronteiras.
Cidades Solidárias: buscam alternativas de integração auto-suficiente dos refugiados na sociedade.

Fronteiras Solidárias: tratam do desenvolvimento das comunidades nas zonas limítrofes às regiões em conflito, bem como da garantia de proteção e assistência aos refugiados, dado o caráter de porosidade das fronteiras na América Latina.
Reassentamento Solidário: mecanismo proposto pelo Brasil como resposta humanitária efetiva ao conflito na Colômbia e suas conseqüências nos países vizinhos que recebem o maior número de refugiados, especialmente Costa Rica, Equador, Panamá e Venezuela. Por meio do reassentamento, Argentina, Brasil, o Chile, Paraguai e Uruguai recebem refugiados que continuam ameaçados ou não conseguem integrar-se no primeiro país de refúgio.

terça-feira, 5 de julho de 2011

J.T.Parreira - Um Poema aos Refugiados


Os Sem Papéis

Viajam com as cabeças de fora
cortam a espuma
do vento nas ondas

cortam o rosto com sal
viajam com o corpo
uns dos outros

movem-se
nos olhos
uns dos outros

não perguntes
de onde
vêm

vêm
em direcção a ti-
terra

vêm
como
Ninguém.



Visite o blog do autor: http://papeisnagaveta.blogspot.com

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Brasil é um dos latino-americanos que mais coopera com refugiados

  .
É essencial que os governos e a sociedade tenham a sensibilidade de compreender a situação dos refugiados. A afirmação é do representante do Alto Comissariado das Nações Unidas (Acnur) no Brasil, Andres Ramirez. Em entrevista ele afirmou que o Brasil é um dos países latino-americanos que mais coopera com os refugiados.
     “O Brasil tem uma importante experiência com o tema dos refugiados, tem uma legislação muito avançada, tem muitas boas práticas, é um dos países mais importantes da América Latina, principalmente aqui no Cone Sul, no que nós chamamos de reassentamento solidário, que é um dos pilares fundamentais do Plano de Ação do México.”
     Em 2004, foi assinado o Plano de Ação do México (PAM), com o objetivo de buscar soluções duradouras e inovadoras para o refúgio na América Latina. O reassentamento solidário é um dos mecanismos do plano. Por meio do reassentamento, a Argentina, o Brasil, o Chile, o Paraguai e o Uruguai recebem refugiados que continuam ameaçados ou não conseguem se adaptar ao primeiro país de refúgio.
     “Um elemento de destaque no trabalho do Brasil é o fast track. Pessoas que estão em situação complicada nesse primeiro país de asilo têm a possibilidade de serem reassentadas de uma maneira muito rápida. O Brasil dá a possibilidade de reassentar pessoas com base na Declaração de Cartagena, o que possibilita uma compreensão mais ampliada da condição de refugiado”, explicou Ramirez.
     Quando os refugiados chegam ao Brasil são assistidos por organizações não governamentais (ONGs) que trabalham com estrangeiros. O Acnur oferece aos refugiados uma ajuda de custo de R$ 300 durante seis meses. O dinheiro, que provém de doações internacionais, é repassado a essas ONGs. Ramirez reconhece que o valor pago aos refugiados ainda é baixo e dificulta a adaptação deles no país.
     “O Brasil é um país com custo de vida alto. As possibilidades de apoio financeiro que o Acnur têm são limitadas. Estamos tentando revisar esse apoio que damos a eles para melhorar essa situação. Reconhecemos que não é muito fácil, em um país tão caro como o Brasil, sobreviver nessa situação”.
     Entretanto, ele afirma que o tema não deve ser tratado apenas do ponto de vista assistencialista. “As pessoas devem ser integradas ao mercado de trabalho e ter autossustentabilidade. Muitos chegaram sem nada, é muito complicado para eles reconstruir suas vidas em um país com uma língua e uma cultura diferentes. Isso é um apoio durante os primeiro meses que eles estão aqui.”

Fonte: Agência Brasil
via http://www.creio.com.br

domingo, 13 de setembro de 2009

A questão dos refugiados e da migração internacional: Campos missionários

*

A problemática dos refugiados é uma questão sempre atual em todo o mundo. No Brasil não é diferente. Publicamos abaixo um texto da revista Passo a Passo #78, de Tearfund. Este número da revista é totalmente dedicado ao tema da Migração. O texto aqui publicado apresenta a realidade do Reino Unido, onde o número de migrantes e refugiados é muito maior que no Brasil. Mas a partir da experiência inglesa, é possível traçar parâmetros de ação entre os refugiados e migrantes estrangeiros estabelecidos por aqui, pois eles são um campo missionário carente e eventualmente estratégico, para no futuro alcançar suas pátrias.

Ao fim do artigo, há diversos links sobe a questão dos refugiados, para aprimorar sua compreensão do tema.


Por fim, esta postagem faz parte da Blogagem Missionária Coletiva, promovida pela União de Blogueiros Evangélicos, que visa à publicação de temas missionários, simultaneamente entre seus blogs membros.

___________________________

Fazendo amizade com os requerentes de asilo

Ros Holland

Um refugiado é uma pessoa que deixa o seu país por se sentir em perigo por motivos de raça, religião, opinião política ou por fazer parte de um determinado grupo social. Uma pessoa que quer ser reconhecida como um refugiado é um requerente de asilo.

Quando uma pessoa chega ao Reino Unido em busca de asilo, ela deve se registrar com o governo enquanto o seu pedido de asilo está sendo analisado. Se o seu pedido for aprovado, ela recebe permissão para permanecer no Reino Unido. Se o seu pedido for recusado, o governo pára de sustentar a pessoa, e ela tem de sair do país. As pessoas que não recebem asilo podem tentar encontrar novas provas e fazer o pedido novamente. Isso pode levar anos, e, durante este tempo, pode ser quase impossível encontrar um lugar para morar e outros meios de sustento.

Boaz Trust

Photo: Siphilisiwe Moyo
Photo: Siphilisiwe Moyo

Manchester é uma cidade grande do Reino Unido, com uma população de mais de 2 milhões de pessoas e cerca de 2.000 refugiados cujos pedidos de asilo foram recusados vivendo na cidade. A Boaz Trust é uma organização cristã, que foi criada para satisfazer as necessidades destes refugiados em Manchester. Ela trabalha com as igrejas locais, a Cruz Vermelha e outros grupos para oferecer este apoio.

Um dos principais objetivos da Boaz Trust é oferecer alojamento aos requerentes de asilo cujos pedidos foram recusados e que não têm onde morar. Isto é feito de três formas:

  • Um programa de alojamento em que eles podem ficar com uma família local que tenha um quarto a mais disponível.
  • Oito casas Boaz. Estas são emprestadas ou alugadas para a Boaz Trust para alojar os requerentes de asilo desabrigados.
  • Um projeto de abrigo para noites de inverno. Juntamente com uma equipe de cristãos de cinco igrejas locais, a Boaz Trust oferece transporte, uma refeição quente, uma cama para passar a noite e café-da-manhã durante os meses frios do ano.

Apoio as requerentes de asilo

Acreditamos que algumas das atividades que realizamos podem ser usadas em qualquer parte do mundo, onde quer que haja pessoas em busca de segurança.

PREOCUPAÇÃO COM A PESSOA INTEGRAL
Como organização, procuramos trabalhar de forma holística, preocupando-nos com os requerentes de asilo e servindo-os como pessoas integrais. Estamos convencidos deque todos são criados à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Por esse motivo, todas as pessoas merecem respeito e cuidados. Em resposta às necessidades expressadas pelos requerentes de asilo da nossa comunidade, a Boaz Trust criou o projeto “Vidas Significativas”, o qual consiste em:

  • Dias de passeio para usufruir a companhia uns dos outros e visitar lugares diferentes, como o campo ou museus.
  • Aulas para ajudar os requerentes de asilo a desenvolverem habilidades, como aulas de inglês ou de computador.
  • Projetos de artesanato, como cartões, pulseiras, tigelas, potes e capas de almofadas.

Estes projetos oferecem aos requerentes de asilo a oportunidade de conversar, aprender e compartilhar experiências enquanto passam algum tempo juntos.

UM LUGAR PARA FICAR E ALGO PARA COMER
Basicamente, os requerentes de asilo precisam de abrigo e alimento.

  • Alojamento Os requerentes de asilo da sua comunidade têm abrigo? Há alguma família local que tenha um quarto onde eles possam ficar? A sua igreja ou algum outro prédio comunitário poderia ser usado como abrigo para a noite?
  • Alimento Vocês poderiam compartilhar recursos para ajudar as pessoas que não têm o que comer na sua comunidade?

ALGO PARA FAZER

Photo: Siphilisiwe Moyo
Photo: Siphilisiwe Moyo
Em muitos lugares, pode não ser possível para os requerentes de asilo encontrar trabalho por causa das leis (como no Reino Unido) ou devido à discriminação. Talvez a sua igreja possa oferecer:
  • aulas de idioma, culinária ou computador
  • artesanato ou atividades esportivas
  • uma horta compartilhada para plantar frutas ou legumes
  • grupos sociais voltados para as mulheres ou homens, pais ou jovens, crianças ou pessoas mais idosas.

ERGUENDO A VOZ

Algumas pessoas têm opiniões negativas sobre os que se mudam de outros países para uma determinada área. Como cristãos, somos chamados: “Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça …” (Provérbios 31:8-9).

  • Podemos confrontar os habitantes locais quando eles disserem coisas que não sejam verdadeiras sobre os requerentes de asilo.
  • Se acharmos que uma pessoa foi maltratada, é importante que ergamos a voz com ela e por ela. Podemos organizar petições para mostrar ao governo que muitas pessoas se importam com a injustiça cometida. Mesmo que alguns jornais tenham opiniões negativas, podemos tentar incentivá-los a mostrarem histórias de pessoas a quem foi negado um lugar seguro para ficar.
  • Às vezes, é muito difícil saber o que fazer quando vemos pessoas tratadas de forma injusta. Os cristãos podem orar e saber que Deus ouve as suas preces.

Ros Holland é a Gerente Administrativa e de Comunicações da Boaz Trust.

Harpurhey Community Church, Carisbrook Stree,t Manchester, M9 5UX, Reino Unido.

E-mail: admin@boaztrust.org.uk
Site:
http://www.boaztrust.org.uk/


A história de Hamed

“Eu trabalhava como pastor de gado. Em 2003, fui preso pela polícia, pois eles achavam que eu estava contra o governo. Várias vezes fui amarrado a uma árvore e espancado continuamente. Meu povoado foi atacado, e todos os meus amigos e a minha família inteira foram mortos. Eu fugi e acabei chegando a um porto.

Eu tinha algum dinheiro, e um agente colocou me num contêiner num navio. Depois de quatro semanas, o contêiner foi aberto. Eu estava em Liverpool, na Inglaterra. Eu mal podia me mexer e estava com medo. Eles me levaram para o Ministério do Interior do governo, onde fui interrogado.

Quando compareci ao tribunal de asilo, não entendi nada. Três semanas mais tarde, recebi uma carta dizendo que meu pedido de asilo havia sido recusado e eu tinha de voltar para o meu país, porque lá era seguro. Algumas pessoas do governo vieram à casa onde eu estava morando, carregaram-me para fora e deixaram-me na rua.

Eu fiquei vivendo na rua por uma semana. Um dia, um homem deu-me o endereço da Cruz Vermelha e algum dinheiro para que eu pegasse um ônibus. Lá, conheci os funcionários da Boaz Trust. Eles encontraram um lugar numa das suas casas com outros requerentes de asilo cujos pedidos haviam sido recusados. Agora eu trabalho como voluntário no centro de atendimento informal e também freqüento uma escola, onde estou aprendendo inglês.”

Recentemente, Hamed encontrou um novo advogado, e o seu pedido está sendo analisado novamente pelo governo britânico.


Idéias práticas

Faça da sua igreja uma comunidade amiga! É importante que os cristãos mostrem o amor de Jesus em tudo que fizerem ou disserem e a todos que encontrarem. Vocês poderiam abrir o prédio da sua igreja para um atendimento informal uma vez por semana? Por exemplo, um dia por semana, uma igreja local oferece um almoço simples, roupas de segunda mão, apoio e aconselhamento a qualquer pessoa necessitada.

Compartilhem alimentos e amizade. Fazer as refeições juntos pode romper barreiras. Vocês poderiam pedir a alguns dos requerentes de asilo para prepararem uma refeição tradicional? Esta é uma maneira fácil de aprender sobre outras culturas e fazer amizades.

Aprenda sobre a situação na sua região. De onde os migrantes vêm e por quê? Há algum outro grupo com quem vocês poderiam trabalhar na comunidade?

Perguntem às novas pessoas na sua comunidade como vocês podem apoiá-las. Por exemplo, elas podem querer ajuda para encontrar um médico, usar os ônibus ou abrir uma conta bancária.


Fonte: Revista Passo a Passo. Leia online a Revista neste link: http://tilz.tearfund.org/Portugues/Passo+a+Passo+71-80/Passo+a+Passo++78/

Baixe diretamente a Revista: Clique Aqui.


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Agência da ONU para os Refugiados: Dados sobre o Brasil

Programa de Reassentamento de Refugiados no Brasil
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