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sexta-feira, 20 de março de 2026

As coisas sempre foram assim - Um retrato da nossa miopia política

 


Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula para uma experiência. No meio, uma escada, e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão. 

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada, atribuindo a inconveniente água fria à atitude do macaco. Dentro de algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, mas foi imediatamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.

Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e, afinal, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas
então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.

Se possível fosse perguntar a algum deles por que eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

– Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui!

Vamos trazer para a arena política, espaço vital de tantos néscios: Os macacos do experimento são feito os militantes de esquerda e de direita, que repetem padrões e agendas, sem maiores reflexões, reféns do comodismo de manada e sob o argumento, inconsciente até, de que “as coisas sempre foram assim neste lado do mundo”.

 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

De mãos atadas - Uma parábola sobre controle estatal e liberdade

 


Era uma vez um homem como qualquer outro... um homem comum! Ele tinha qualidades positivas e negativas.

Ele não era diferente de ninguém. Uma noite, enquanto dormia, alguém bateu de repente à sua porta. Quando abriu, alguns homens pularam em cima dele e amarraram suas mãos — apenas as mãos.

Então disseram que era para o seu próprio bem; que com as mãos amarradas, ele não seria capaz de fazer nada de ruim no futuro (esqueceram-se de mencionar que também não poderia fazer nada de bom).

Eles foram embora, deixando um guarda na porta para que ninguém, nem mesmo ele próprio, pudesse desamarrar suas mãos.

A princípio, o homem se desesperou e tentou se libertar das amarras quando o guarda não estava olhando.

Percebendo a futilidade de seus esforços, ele gradualmente tentou se adaptar à sua situação.

Um dia, ele até conseguiu amarrar os sapatos. Em outro dia, conseguiu acender o cigarro e, assim, começou a esquecer que um dia tivera as mãos livres. Enquanto isso acontecia, o guarda lhe contava diariamente sobre as coisas negativas que as pessoas com as mãos livres faziam lá fora (ele se esquecia de falar sobre as coisas boas).

Anos se passaram, muitos anos. Aquele homem acabou se acostumando a viver com as mãos atadas, e até se convenceu de que era melhor viver assim.

Um dia, seus velhos amigos surpreenderam o guarda por trás e pegaram as chaves para desamarrar as mãos do amigo.

"Você está livre agora", disseram a ele.

Mas, oh, terrível destino, eles chegaram tarde demais, porque as mãos daquele homem já haviam atrofiado para o resto de seus dias.

Autor desconhecido


sábado, 28 de junho de 2025

Juliana e o vulcão, ou a erupção de nossa tragédia política

 


Sammis Reachers

Nesta semana este país gigante e ferido de patologias genéticas que lhe embotam o raciocínio e o convívio (escolha a sigla que lhe agradar) se viu mobilizado.

Juliana Marins, niteroiense como eu, foi vítima de uma tragédia.

Mas sua tragédia pessoal/familiar revelou outras em seu bojo. Logo o país ainda polarizado se viu num embate: Onde está o presidente Lula, o Lule de tantos, que não providenciou seja o resgate do corpo vivo, seja o translado do cadáver? Pior, enviou jatinho da FAB para resgatar antiga “comparsa de falcatruas” dos tempos do Mensalão...

A monstruosidade de muitos se mostrou não na empatia com a Juliana ou seus restos mortais, mas em usar um fato trágico como artefato político, granada de concussão para tentar atordoar o outro lado.

E a monstruosidade foi prontamente respondida com outra monstruosidade (é a guerra, baby): Lula, o Lule misógino, machista e racista das massas bichas e machas, aprovou o gasto com o translado de corpos de brasileiros.

Há praticamente CINCO MILHÕES DE BRASILEIROS RESIDINDO NO EXTERIOR.

CINCO MILHÕES.

Fora os turistas.

Não, eu não quero, não posso e nem preciso pagar essa conta. Nem o país que eles escolheram deixar para sempre ou por momento.

Mas Juliana era turista. Turista de AVENTURA, que é aquele que escolhe o risco, e extrai do perigo, prazer. Sim, mesmo sabendo dos riscos, mesmo apesar dos riscos. Mesmo apesar da família, seu receoso apoio ou constrangida oposição. Ficou claro o desenho? Turista de AVENTURA. Aventurou, aventurou e morreu. Uma tragédia. Pessoal e familiar. Arthur, filho de Campina Grande e garçon em Barcelona, acaba de morrer em terras espanholas. Embolia pulmonar. Agorinha. Sua morte nos comove? Adelaide, maquiadora de Nova Iguaçu, acaba de morrer em Berna, na Suíça. Caiu de uma escada de três míseros degraus, dentro de casa. Cabeça na quina da pia. Morreu assim como todos os CINCO MILHÕES de brasileiros no exterior irão morrer, antes, durante e após você e eu.

Tudo isso é para expor o ridículo de nossa situação. O país não tem que enviar jatos da FAB, esse elefante branco e voador, com seus orelhões de dumbo ou do diabo, para resgatar criminosos “perseguidos”. E nem cadáveres, seja de trabalhadores pátrios, seja principalmente de aventureiros.

Mas bom senso desertou de nós há uma década ou quase duas, e a situação da inocente Juliana só serve para expor com toques de filme splatter o horror de nossa película. Por sinal, já ouviu nossa trilha sonora? Somos o país de Poze e Oruam, de Gusttavo Lima e de Enrique & Juliano...

Além da guerra, a política é a única ocupação onde um porco pode entregar o máximo de sua porquidão. Uma arena onde ele pode ofertar o seu pior para o cosmos.

Lula, como antes fez Bolsonaro, se mostra fraco ou porco demais: Os ventos do populismo – leia-se, desejo de reeleição, essa monstruosidade que não deveria existir – o faz lançar âncora onde quer que possa conseguir mais votos, de um bolsa-luz (na verdade, luz elétrica de graça para quem consome pouco), CNH gratuita para o pobre que pode comprar carro, mas não pagar por uma carteira (?), ao translado de corpos de aventureiros. Amanhã tem Flamengo, time de meu coração e de um terço da pátria aurirrubra: Eu e você pagamos a conta para que um fique deitado em sua casa ou casebre assistindo a Copa do Mundo de Clubes, luz e bolsas em dia, enquanto eu não posso, pois estou dando expediente no trabalho. E do trabalho, na hora apertada do almoço, assisto à comoção sobre outro aventureiro que curte a vida adoidado, não compartilhando seu prazer (justo, pois é particular), mas compartilhando sua desdita, pois pago os custos finais de sua aventura.

Esse desejo lulista de perpetuar-se no poder, pondo em risco a economia do país, é tão deletério quanto os arroubos golpistas e provincianos do idiota da aldeia Bolsonaro, outro que se revelou populista, mas tarde e sem talento, que talento no que seja sempre lhe faltou na vida.

Contra essa dualidade demoníaca de Lule x Bozo, quem se apresenta? A direita como a tupiniquim carrega em si o vírus totalitário; a esquerda outra que não a lulista é ainda mais perniciosa; os liberalóides passam do ponto: propondo Estado mínimo, querem mesmo é Estado nenhum. Marina se aquietou e aniquilou, conformada, um dos casos mais sinistros de implosão-política-sem-escândalos da história pátria. Ciro Gomes, o eterno injustiçado, não consegue falar a língua de nosso povo e até de nossas "elites", feridos todos de analfabetismo funcional (o "mal do século" brasileiro).

Primeira, segunda e terceira vias assoreadas, interditadas por lama perfumada. Precisamos de uma quarta, quinta, sexta vias. Mas de que bueiro emergiriam?

Estamos todos futricados, como diria meu pai.


*****


Sammis Reachers é escritor e editor. Paga suas contas como professor de Geografia. É licenciado também em História e em Artes Plásticas, e graduado em Biblioteconomia.


sábado, 3 de fevereiro de 2024

IBGE revela: Brasil tem mais pessoas morando em residências do que nas ruas


 O título deste post é um chamariz. Utiliza a burla do ridículo e do óbvio para atrair.

Outra burla, igualmente obscena, tem sido utilizada pelo órgão oficial, e reproduzida por entes de imprensa e pessoas por todo o pais, na última semana. Ela, a burla, soa literalmente assim:

Brasil possui mais templos religiosos do que escolas e hospitais somados.

Você eventualmente deve ter visto essa "notícia", em suas redes sociais ou sites noticiosos.

O preconceito aqui é axiológico, nasce com a expressão, o próprio "raciocínio" que ela promove.

Religião é coisa de foro íntimo, particular. Templos religiosos, do terreiro de candomblé ao templo budista, passando pelo motivo velado fundamental do ódio, os templos evangélicos, são erigidos com o dinheiro dos fiéis, ou de seus idealizadores. Sim, muitos templos sequer "se pagam", e aquele que os mantém o faz por fé. Outros sim, excedem-se no lucro, e malversam algo que deveria ser sagrado. Mas em ambos, em todos esses âmbitos, eu e você, que dirá o poder público, temos pouco ou nada a ver com isso. 

Já escolas e hospitais dizem respeito a todos, pois são pagos com impostos. Seus gestores, funcionários públicos em sua maioria, estão a serviço da sociedade e por esta remunerados. Perdão, sei que essa pedagogia chega a ser ultrajante. Mas é para dar a dimensão da situação a que chegamos.

Como comparar a esfera particular com a esfera pública? Qual a relação que se busca promover ao comparar a existência de templos religiosos com a de escolas e hospitais? Fica implícito o caráter maniqueísta, de contrapor algo "positivo" a algo "negativo"; ou necessário/desnecessário, ou qualquer outra maniqueismada que se queira.

Vamos deitar um outro vestido ao raciocínio. Você viu alguma postagem ou reportagem (já não são a mesma coisa, diluídas na sopa de ideologias espúrias de seus veiculadores, uns pagos e diplomados, outros entusiastas de sofá?), sim, você viu por acaso reportagem ou postagem (que dirá recenseamento), seja do próprio IBGE, da Folha, de seu primo ateu, de seu professor marxista, nesta linha:


BRASIL TEM MAIS BARES DO QUE ECOLAS E HOSPITAIS


Viu?

Falo agora aos evangélicos. Já é tempo de levantar do canto do ringue e combater o preconceito aberto e velado que muitos vomitam ou excretam sobre nós, dia após dia. O comentário judicioso no grupo de família, escola, trabalho; a postagem tendenciosa do amigo, dO Globo ou do IBGE; o olhar repetidamente atravessado (foco no repetitivo, é sintomático) em qualquer ambiente, da empresa aos coletivos...

Eu costumo aplicar um método desconstrutivo para explicitar o preconceito das falas, preconceito que mal conseguem esconder. O truque, quase socrático em sua rusticidade, consiste na simples substituição de palavras e expressões.

Quando ouvir: "Pastor é tudo ladrão" (vários o são, conheci alguns pessoalmente) troque o "pastor" por "preto", e pergunte à pessoa se ela concorda com a mudança. "Preto é tudo ladrão". Dá até cadeia, hum? Sim, e muito justificadamente. Mas o que muitos não sabem ou não querem fazer valer é que o primeiro comentário e congêneres também. Para o bom funcionamento (e exposição do preconceituoso) vale qualquer substituição, por opção sexual (gay, lésbica, hétero, etc.), por etnia, classe profissional, nacionalidade. A ideia é a de que, quando atingida, a pessoa reflita sobre a própria intolerância que, acredite, muitas vezes é semi-voluntária e segue o abjeto padrão mental do pre-conceito: Economia mental, esforço simplificador para não esforçar-se em raciocinar, em pensar por si mesmo. Sem desconsiderar o ódio gratuito ou pago, mas execute a manobra ao rigor da Lei: presuma inocência.

Além da antiga Lei que protege a liberdade de culto - e o respeito à fé alheia, há poucos dias se comemorou o Dia de Combate à Intolerância Religiosa, firmado pela Lei 11635/07. Tal lei ou data surgiu num contexto de proteção aos cultos de matriz africana, que têm sofrido preconceito histórico, desde sua introdução (ou criação, no caso da umbanda) em nosso país. Mas a primeira Lei não protege apenas estes, assim como a segunda não visibiliza apenas a sua causa. Toda intolerância religiosa deve ser judicializada. E judicializar, você sabe, segue o mesmo processo: Gravam-se falas, "printam-se" comentários, arregimentam-se testemunhas. 

Emitir opinião contrária não é crime. A intolerância se mostra quando os termos são agressivos, quando o ódio vaza do canto das bocas, quando o padrão se repete.

O mal se combate em campo. Tomemos a iniciativa, pois a bovinidade só interessa aos açougueiros, aos carrascos. 


Sammis Reachers

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A reprodução deste texto é liberada em qualquer meio e plataforma, desde que creditada a fonte.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A MENTIRA - Filemon Martins

 


A MENTIRA

Filemon Martins

 

Nunca no Brasil um vocábulo esteve tão em voga quanto o termo mentira. Mente-se descaradamente em todos os setores, em todos os lugares, em todos os segmentos da sociedade. Aliás, a imprensa, incluindo aí as redes sociais, não diz que são mentiras. São ¨fakes news¨, como se não soubéssemos que são mentiras mesmo ou notícias falsas, o que vem a ser a mesma coisa.

Como exemplo está ocorrendo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que se propõe a investigar possíveis omissões no combate à Covid-19. Ocorre que os responsáveis pela investigação, alguns respondem a inúmeros processos na justiça por atos ilícitos e crimes cometidos no exercício de seus mandatos, e além disso, o indivíduo convocado a depor presta seu depoimento e do outro lado alguém próximo ao depoente, afirma que suas respostas estão eivadas de mentiras. Há outros, mais suspeitos ainda, que entram para depor portando um documento outorgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe permite ficar em silêncio e nada responder. Entram calados e saem mudos. Tema que um leigo em Direito como eu não consegue entender. Parece que o que era para ser direito, está torto mesmo.

Affonso Romano de Sant’anna, em seu magnifico poema ¨A IMPLOSÃO DA MENTIRA¨, diz: ¨Mentem no passado. E no presente passam a mentira a limpo. E no futuro mentem novamente. Mentem fazendo o sol girar em torno à terra medieval/mente. Por isto, desta vez, não é galileu quem mente, mas o tribunal que o julga herege/mente. Mentem como se Colombo partindo do Ocidente para o Oriente pudesse descobrir de mentira um continente. Mentem desde Cabral, em calmaria, viajando pelo avesso, iludindo a corrente em curso, transformando a história do país num acidente de percurso¨.

A mentira tem o poder de destruir o caráter e a personalidade de qualquer pessoa, seja o cidadão comum ou o político consagrado. É muito frustrante nas eleições brasileiras quando acreditamos que este ou aquele candidato é decente e honesto. Depositamos na urna um voto de confiança. Depois de eleito, já no cargo que o elegemos, vem a decepção porque ele mentiu. Percebe-se que o objetivo do governante não é governar para o bem da coletividade e sim proteger sua família, seus amigos empresários e capitalistas que querem mais lucro, não importa a quem o chicote vai alcançar.

A mentira inferniza e destrói lares, porque um dos parceiros mentiu. Há pessoas que fazem da mentira uma prática diária. Mentem aqui e acolá e vão mentindo pela vida afora, querendo transformar a mentira que apregoam em verdade cristalina e pura. Não é sempre que conseguem. Geralmente são desmascarados pelos fatos.

A sociedade não prospera quando a mentira alimenta a corrupção que medra em todos os terrenos, especialmente onde há dinheiro. O grande jurista e advogado Rui Barbosa, em campanha presidencial contra Epitácio Pessoa, pronunciou um discurso no Rio de Janeiro, em março de 1919, ¨O REINO DA MENTIRA¨ – ¨Mentira toda ela. Mentira de tudo, em tudo e por tudo. Mentira na terra, no ar, até no céu, onde, segundo o padre Vieira, o próprio sol mentia ao Maranhão, e direis que hoje mente ao Brasil inteiro. Mentira nos protestos. Mentira nas promessas. Mentira nos programas. Mentira nos projetos. Mentira nas reformas. Mentira nas convicções. Mentira nas soluções. Mentira nos homens, nos atos e nas coisas. Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na escrita. Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. Mentira nas instituições. Mentira nas eleições. Mentira nas apurações. Mentira nas mensagens, nos relatórios, nos inquéritos, nas candidaturas, nas garantias, nas responsabilidades, nos desmentidos. A mentira é geral. Uma impregnação total das consciências pela mentira, que se acaba por se não discernir a mentira da verdade, que os contaminados acabam por mentir a si mesmos e muitas vezes não sabem se estão, ou não mentindo¨.

Jesus afirmou que o pai da mentira é o diabo. Portanto, aqueles que mentem e não se arrependem se tornam filhos do diabo. No episódio da crucificação de Cristo, Pedro, o grande Pedro mentiu três (3) vezes antes que o galo cantasse. Mas as Escrituras Sagradas também informam que Pedro se arrependeu e chorou amargamente. E a Bíblia é muito clara sobre a mentira: ¨Não darás falso testemunho contra o teu próximo¨. Êxodo 20:16 - ¨A testemunha sincera não engana, mas a falsa transborda em mentiras¨. Provérbios 14:5 - ¨Não furtem. Não mintam. Não enganem uns aos outros¨. Levítico 19:11 - ¨Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo¨. Efésios 4:25 - ¨E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará¨. João 8:32 - ¨Quem pratica a fraude não habitará no meu santuário; o mentiroso não permanecerá na minha presença¨. Salmos 101:7 - ¨Que a sua palavra seja sim, sim e não, não¨. Mateus 5:37.

Diante de tudo isto, o quadro é desanimador, porque infelizmente no Brasil a mentira foi banalizada e se transformou em arma para destruir pessoas, relacionamentos, mina a confiança e quase sempre machuca tanto que é impossível o conserto.

Do livro Caminhos do Jordão da Bahia (RG Editores, 2022).

Blog do autor: http://filemon-martins.blogspot.com/



sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

FNW – Fake News Wars e o Bolsolulismo

 



FNW – Fake News Wars. No futuro, quem sabe este período histórico que sofremos seja assim conhecido e estudado?

Nos EUA, poucos anos atrás, a ajuda russa ao alaranjado Trump e sua equipe redundou na derrota da Hilary. O exemplo estava dado. Aqui, o turbilhão em que o país se encontrava em virtude do desmonte do maquinário Petista/Peemedebista e associados, pegos de certa forma com as calças arriadas em seu processo de vampirização do maquinário estatal para fins e$cuso$, criou a condição ideal para, seguindo uma maré que se levantava em outros países, a ascensão de forças de direita - ou qualquer um que gritasse alto. Moro excedeu-se? Muito provavelmente. Americanos lucraram no lombo mirrado de seus primos morenos, mas precisaram trabalhar (no pain no gain) nas sombras para isso? Claro! Para isso vivem, como a Pérfida Álbion (você deve conhecê-la como Inglaterra) os ensinou um dia. Mas, para fúria e lágrimas de muitos, nada disso muda o fato de que as treta$ eram realmente de enfartar o coração de qualquer pátria. Porta destrancada, até bêbado chuta e diz que arrombou...

Mas nossa direita era capitaneada por gente que chama o defunto astrólogo/ex-muçulmano-reprodutor Olavo de Carvalho de filósofo e de patriota um empresário que tem a Estátua da Liberdade como símbolo de seu negócio: à primeira vista, ainda que o edifício petista apodrecesse e ruísse, o braço mirrado dessa gente seria impotente para assumir o poder.

Aqui entraram as fake news. Capitaneado por seus filhos, numa sinistra inversão hierárquica, o capitão casamenteiro arrebanhou ofendidos de primeira hora e viu serem fabricados os que faltavam pelo maquinário das fake news. Um recurso que sempre existiu, a chamada contrainformação usada por Estados e direitistas e esquerdistas, foi elevado em ambientes virtuais ao status de arte sombria.

A questão é que as eleições foram vencidas; inocentes úteis, pessoas com razão em sua revolta e indecisos cooptados pela manada e até uma inesperada (?) malta de maus-caráteres uniram-se e instalaram no poder uma colcha de retalhos marotos composta de meia dúzia (oi? Tantos?) de elementos sérios (logo logo despachados) e um panteão galáctico de caricatos personagens, aloprados sob a (in)gerência de um sargentão em ceroulas, mamador de leite condensado, vício herdado das frias madrugadas na caserna (deixe logo esclarecer que sobrei por excesso de contingente).

As fake news não se resumem a detonar as biografias dos adversários, inflar a relevância de eventos, esvaziar a de outros, e atribuir a A o feito por B. Elas se manifestam, por exemplo, a nível de ideário na apropriação indébita da mensagem cristã (e idealizadamente da correção ética) feita por indivíduos defensores da tortura e do extermínio. Até hoje muita gente acha que o católico nominal (ou seja: não-praticante) Bolsonaro é um evangélico de facto. Um case de fake news de sucesso, hum? Cristãos sinceros, goste você ou não, foram cooptados pela mensagem viralizada, afogados no imenso ruído comunicativo deflagrado pela realidade da corrupção + fake news. Vencidos foram muitos incautos por esta prática vil, mas fundamental nos procederes dos agentes das FNW, e que podemos chamar de sequestro de capitais simbólicos: Nossa bandeira e suas cores, a defesa de valores basilares (comuns à maioria das pessoas, seja qual for sua inclinação política/religiosa), a pátria, o cristianismo: Tudo isso é deles e de mais ninguém.

A incapacidade do PT de realmente governar para todos, subestimando a imensa população evangélica, força proativa e ordeira a serviço da nação, vista então como reles minoria inoportuna ou manobrável, “cidadãos de segunda categoria”, finalmente cobrava seu preço. E um teatro do absurdo se instalou em Pindorama, polarizada a níveis jamais vistos. Pois o golpe de mestre dessas FNW foi esse: pessoas real ou pretensamente “de bem” se alistaram numa guerra que lhes foi vendida como ética, mas era tão-somente uma guerra ideológica e uma manobra da plutocracia da casa grande em busca de retomar o trono, com uma ajudinha do diabo ianque. E muitos não podem voltar atrás: a narrativa odienta de seus captores-cooptores os contaminou e às suas biografias. Não muito "bem" restou.

Falando na polarização, um fenômeno que já é tema de estudos e seguirá, se não apresentou-se com o vestido do ineditismo - pois os partidários aloucados (hoje mesmo há um aí perto de você!) de Hitler ou Stálin provam que ele sempre existiu - ao menos ficou nu como o rei da legenda: O Bolsolulismo, a conflagração desses dois extremos odiosos e odiosamente siameses. Para os poucos ainda afeitos ao somatório das ideias, livre de dogmatismos e cartilhas ideologicamente pré-concebidas, ficou explícita a periculosidade para o bem público de qualquer extremismo. Mas infelizmente somos tropa assimétrica e acuada, engolfados de roldão no turbilhão putrefato desta guerra que não pudemos impedir.

A alternância de poder é benéfica à democracia. A derrota de forças superiores por players aparentemente impotentes dá uma lição de fogo a gregos e troianos, obesos de fartar-se do poder. Mas a assimilação e reprodução cultural da mentira, sua industrialização midiática, o envenenamento da opinião pública, isso precisa ser combatido antes que solape o que nos restou de democracia.

2022 chegou com a pandemia, multifacetária, estendendo-se por aí, embaralhando as coisas, expondo-encobrindo os desmandos do atual governo. Tudo leva a crer que a aventura bolsonarista cairá por terra, mas não sem um duríssimo combate, que jamais cessou desde 2018 e atualmente está em pleno vigor – de lado a lado, é bom frisar – como a CPI da Covid e a CPI fail do voto impresso, ambas inócuas, deixaram claro.

Mesmo findo este primeiro ciclo das fake news wars, suas lições e as máculas que deitou no couro da nação arderão por bom tempo ainda – e será lento nosso processo de desintoxicação cultural, se é que nos desintoxicaremos algum dia.


Sammis Reachers


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Crônica: Vossa Excelência, o Lembrador-Geral da Nação

Cartaz do "filme" sobre a CPI instalada e depois desinstalada na Câmara durante o governo Nanci/Arte: Helcio Albano, inspirado em película de José Mujica Martins, o Zé do Caixão

Somos um país sem memória.” A frase, já quase um chavão, deu início a inúmeras crônicas, artigos e notícias ao longo de nossa malbaratada história.


Pindorama, nome que os nativos tupis davam ao Brasil, sofre desse mal que, sim, não é apenas nosso.


Mas aqui em nosso Brasil continental há uma espécie de celebração do olvido, do lapso de memória. Como se estivéssemos sempre – sejamos do time dos foliões ou dos anti-carnavalescos – em pós-carnaval, ávidos por esquecer nossos pecadilhos.


Os esquecimentos ocorrem, por um lado, ao sabor do acaso, quando o ante-ontem é engolido pelo ontem, e este pelo hoje; os acontecidos de agora há pouco são atropelados pelas subsequentes lides do dia-a-dia, os fatos e dores que se avolumam a cada nascer do astro-rei. E essa naturalidade dos esquecimentos foi dinamizada por mil com as redes sociais, a web-aldeia eletrônica e seu tsunami de informações que não passam pelo filtro do limite ou pela peneira da verdade.

Mas esquecimentos também se dão ao sabor da perniciosa, quase pornográfica seletividade dos “senhores da história”. Sim, os donos da narrativa, que fabricam a sua versão e a repetem tanto que chegam a nela acreditar: seja seu Antônio do bar da esquina, “que estava vivo naquele tempo e nunca viu a Ditadura incomodar trabalhador”; seja o Ali Kamel, chefe de jornalismo da Globo, Globo que (ainda) elege e derruba reis e rainhas; o padre que diz que o fiel não pode interpretar a Bíblia sem o intermédio/filtro da Santa Madre Igreja... E tem cereja no bolo: o professor de história que parece tem um bonequinho vodu do Stálin no lugar do coração, e marcha amargurado, crente (opa!) que há acerto em seu desconcerto dialético.


Esse problema crônico de nossa cronicidade memorial pátria me levou a fantasiar dia desses um novo personagem, uma figura tão necessária que deveria, já em seu nascimento o conjuro (pois coisa-ruim nem é parida, é conjurada), ser alçada a ministro de Estado, com direito a corte e entourage, meritocráticos profissionais de carreira e mamadores indicados (“cargo de confiança”), como compete a qualquer ministério ou puxadinho estatal. Trata-se de Vossa Excelência o Lembrador-Geral da Nação.

Dentre as atribuições múltiplas deste memorioso, deste cabeção, deste mestre-alcagueta, ombudsman da vida pública, todas se bifurcariam num mesmo e pacífico ponto: Lembrar-se. Lembrar principalmente o que o acaso ou as $eletividades eletiva$ parecem que nos forçam a esquecer.


Os três meninos pretos de Belford Roxo, desaparecidos há 113 (CENTO E TREZE) dias, lembra?, poderiam figurar na agenda inaugural. Agenda que, de tão abarrotada, haveria de ser decomposta em sub-pastas: Lembranças do “Descobrimento”; Lembranças da Ditadura; Lembranças dos Escravos de Zumbi (queridos, até aqui, numa hipotética primeira semana de trabalhos, já deu pra perceber que vai sobrar pra gregos e troianos, hum? Pois será exatamente esta a função ideal do Lembrador-Geral: Rememorar, rememorar o que foi pisoteado na lama do deixa-disso, desentocar as simonias dos pretensos santos, desconstruir os pilares da acomodação geral dos fatos que em muitos currículos é chamada de História).

Uma luta inglória digna de Sísifo – ou Hércules, aquele que sacaneou o sogro de Sísifo, o titã Atlas, lembra? Tá vendo, é disso que falo: Nós nos esquecemos, e nem nos sentimos culpados. Daí a urgência de ministério que nos socorra.


Sim, pois nossa raça tem o traço da bovinidade, da pacatitude – das quais o esquecimento é uma das armas ou muletas fundamentais. E a função deste antitético ministro seria ir de encontro a nosso marasmo, nossa celebração das desimportâncias – marasmo que, por esse sim!, estamos dispostos a combater com unhas e dentes. Ou você já se esqueceu o que foi feito quando certa passagem de ônibus foi aumentada em 0,20 centavos? Pois o ministro, que ainda nem ecxiste, guarda viva a memória daqueles dias. E de seus revoltosos, hoje desaparecidos...


Perto das eleições presidenciais, V. Ex.ª o ministro Lembrador, como compete a qualquer empregado, acorreria aos currais Brasil afora em busca de votos para o mandatário da vez, fosse Bozo, Lula ou um Itamar redivivo (lembra do Itamar, não é?). Quem sabe daria com os olhos inquiridores em nossa São Gonçalo, a de tantos eleitores? Eita ferro, que aqui tem pepino! Bora ver?


O morro localmente chamado de Bolo da Noiva, divisa entre Tribobó e Maria Paula, durante toda a década de oitenta foi utilizado como local de extermínio e desova. Pode computar aí humílimos 100 mortos ali jogados, só pra inícios de trabalho. Cortesia dos grupos de extermínio e meganhas daqueles idos. Nos anos 90 foi descoberto um cemitério clandestino (sim, muitos não eram apenas jogados, mas desfrutavam da ‘civilidade’ de um enterro). Num único trecho foram encontrados 29 cadáveres. VINTE E NOVE. Você, gonçalense, está lembrado?


E aí? Descobriram-se as identidades daquele amontoado de anônimos? As mães que esperaram por anos seus desaparecidos, foram avisadas? Os mesmos de sempre, responsáveis por tantos cadáveres, foram investigados? Como, se as $eletividades forçam tudo ao esquecimento? Alguns dos responsáveis ainda andam por aí, com seus cabelos agora brancos, mas ainda senhores da narrativa, ainda fazendo valer sua versão.


Falando em cemitérios: E aquele fuzuê dos cambalachos supostamente descobertos na administração das necrópoles municipais, durante a governança pregressa? Alguém se lembra? Uhh, lembrou dessa, hein, gonçalense?! Muito bem! Mas, e essa lembrança, deu nalguma consequência?


Ah, ministro! O Brasil precisa de você!
Sammis ReachersPublicada originalmente no Jornal Daki.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Cada vez menos cristãos apoiam Bolsonaro



Há dois fatos que não podemos tolerar: 


1. A associação da fé que professamos ao Bolsonarismo, que consideramos contrário aos valores do cristianismo.
Lamentamos o apoio acrítico, efusivo e institucional que setores inteiros do movimento evangélico brasileiro têm dado ao presidente da República. Movidos pela fidelidade ao evangelho de Cristo, assinamos esse manifesto a fim de dizer que estamos entre aqueles que repudiam essa aliança política. 

2. A ameaça que o Bolsonarismo representa à democracia brasileira
No dia 19 de abril, o Brasil testemunhou o presidente da República participar de um ato antidemocrático no qual manifestantes portavam faixas pedindo pela restauração do AI-5 e fechamento do STF e do Congresso Nacional. 
No dia 22 de maio, o general Augusto Heleno, chefe do GSI, divulgou uma “nota à nação brasileira” na qual declarou que uma decisão favorável à apreensão do celular do presidente poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional. 
Em seguida, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, manifestou apoio ao general Heleno, e 89 oficiais da reserva ameaçaram o STF aventando a possibilidade de uma guerra civil. 
Um dos filhos de Bolsonaro declarou no dia 27 de maio que é inevitável que o país tenha uma ruptura institucional. Silêncio por parte do pai. 
Não dá mais para viver sob a tensão desse impasse, jamais sabendo, por exemplo, se amanheceremos amanhã privados do direito de livre expressão do pensamento.
É insurportável a ideia de que as instituições do Estado democrático de direito entrarão em colapso, pelos simples fato de o poder das armas ter prevalecido sobre o poder da justiça e do direito.
Trememos de pensar nos nossos compatriotas morrendo nas ruas por causa da irresponsabilidade e espírito anti-republicano de uns poucos, uma vez que milhões não estarão dispostos a se tornar gado dos usurpadores do poder.
Nós cristãos estamos unidos no propósito de oferecer resistência pacífica e democrática ao bolsonarismo. 
Com a Constituição Federal nas mãos, usando as armas da razão, tomando a vereda das instituições democráticas -arena para o debate racional entre seres que, embora vejam a vida de modos diferentes, sabem que nasceram para viver harmoniosamente em sociedade-, resistiremos a toda e qualquer tentativa de supressão de direitos e garantias constitucionais. 
Não se trata de uma batalha entre esquerda e direita. Estamos diante de ameaça a valores compartilhados pelo que de melhor existe em ambas as ideologias.
Admitimos que há diferenças político-ideológicas entre nós cristãos. Contudo, num ponto estamos de acordo: os problemas da democracia devem ser tratados de modo democrático. Buscar governar sem o consentimento dos governados é grave violação de direitos inegociáveis de seres criados à imagem de Deus. 

Pr. Antônio Carlos Costa


Assine o manifesto no site Avaaz: 

terça-feira, 17 de março de 2020

Reflexão: O Coronavírus e seu poder de nos despir



Uma nova epidemia, seja de doença rediviva ou “inédita” tem o benefício, se é que esse termo pode ser utilizado sem dolo, de redimensionar o homem à sua estatura de apenas criatura: reles (embora solar), mortal (embora com a ânsia de eternidade ardendo em seu peito). Essa pausa para o recesso existencial, essa reflexão forçada sobre nossa fragilidade em tempos de corona vírus assume tons diferentes em cada coração: a uns causa angústia; noutros, revolta; noutros, um inescapável esforço de alheamento, de não pensar nisso, de refugiar-se numa fantasia qualquer. A maioria fica mesmo com sua dose, sua raçãozinha de medo.

A Bíblia, dentre seus muitos livros, possui um que, pelo caráter límpido de suas assertivas, poderia ser distribuído sem dolo ou ofensa entre os maiores céticos da Terra: o livro de Provérbios. Ao lado deste e na mesma linha, há um outro livro cuja sabedoria é mais elaborada, um livro “existencialista” que prenuncia, com quase 2.500 anos de antecedência, muitos dos temas filosóficos dos sécs. XX/XXI: O Eclesiastes. Dos seus muitos conselhos, um cabal é o que diz que “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração” (Ec 7.2). Pensar na morte, vejam só!, faz bem à vida. Esse é mesmo um dos princípios do pensamento filosófico.

A doença equaliza as coisas: reduz o rico, que é vítima e também transmissor preferencial nesses inícios de epidemia, a seu desconfortável lugar de apenas mais um, a seu insuportável-para-ele lugar de ser um qualquer, “agraciado” pela sorte ou meritocracia com a única especialidade de... poder morrer primeiro. Ela põe cada centavo que ele amealhou, por vezes à custa de sangue e suor alheio, em xeque.

E mais: a doença global, totalitária em seu ímpeto globalista, expõe a fragilidade do global sistema: As duas maiores potências mundiais prostram-se em quarentenas e bilionários protocolos emergenciais em sujeição a um vírus. A Europa, pretensa/ruinosa trincheira do que é humano, para e contempla a limpidez do vácuo que a epidemia inoculou. A ONU é figura da paisagem; os grandes laboratórios farmacêuticos, cuja receita supera o PIB de muitos países, por ora são apenas amontoados de maquinários e cérebros curtidos em formol; os líderes políticos, ah, esses são um capítulo à parte.

Nosso espaço é curto; foquemos então em nosso mestre de fanfarras, nosso tocador e fabricante de berrantes, nosso “mito”: Num dia, bestificado pelas cansativas falácias da extrema-direita norte-americana (leia-se também e sempre: olavete) contra a imprensa, as vacinas e outras pautas alucinadas, vocifera que “o vírus é uma fantasia da grande mídia”. Horas depois, aparece em rede nacional vestindo uma máscara, e tendo um de seus homens próximos infectado com esse vírus.  Nesse episódio tétrico, podemos ouvir a própria deusa Realidade arrotando nos ouvidos dos celerados: “Ei, moleques, então quer dizer que eu não existo?!! Pois desculpem-me pelo improviso.”

Ecumênico, o vírus Covid 19 é como um tarado que encontrou nosso fanfarrão já com as calças arriadas. Assim, fica fácil para o vírus. E terrível para nós.


Sammis Reachers

terça-feira, 10 de março de 2020

Seminário debate papel da reforma tributária na redução de desigualdades


A Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) e a Oxfam Brasil promovem, no dia 11 de março (quarta-feira), o seminário O papel da reforma tributária na redução de desigualdades no Brasil. Haverá transmissão ao vivo online – o link será divulgado em breve aqui.
O seminário é aberto ao público e tem como propósito contribuir para o debate em pauta no Congresso Nacional, a partir da perspectiva da redução de desigualdades. O evento será realizado no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, e contará com a presença de especialistas para discutir o assunto.

Reforma tributária é mais do que mera simplificação da tributação

“Precisamos refletir sobre as decisões que estão sendo tomadas no Congresso Nacional. Por isso, o seminário será uma boa oportunidade para apresentar questões importantes para a sociedade”, afirma Charles Alcantara, presidente da Fenafisco. “O debate atual sobre a reforma tributária tem focado apenas na questão da simplificação da tributação do consumo. Entretanto, não toca na tributação da renda e do patrimônio. Assim, esse debate não é suficiente para corrigir o sistema tributário e recuperar a economia brasileira.”
São três mesas de debate discutindo o papel da reforma tributária na redução das desigualdades. A primeira tem como tema “Desigualdades no Brasil: causas e efeitos”. Nela participarão os professores Débora Freire, da UFMG, e Paulo Feldmann, da USP. A coordenação é de Iara Pietricovsky, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).
A segunda mesa discutirá o papel da Constituição Federal e da tributação. Elida Graziane, procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo, e Eloísa Machado, professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) e a advogada Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu), estarão presentes. A coordenação é de Carolina Brígido, jornalista de O Globo.

Qual a reforma que o Congresso está construindo?

Na terceira mesa, serão abordadas as propostas que estão em discussão pela Comissão Mista da Reforma Tributária no Congresso Nacional, com a participação de Nelson Machado, da diretoria do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF); Luiz Carlos Hauly, ex-deputado federal pelo PSDB; Josue Pellegrini, diretor da Instituição Fiscal Independente; Esther Dweck, professora da UFRJ; e Eduardo Fagnani, professor da Unicamp.

Essa terceira mesa debate será coordenado pela diretora-executiva da Oxfam Brasil, Kátia Maia.

“Colocaremos em discussão que tipo de reforma tributária se está construindo. Essa é uma agenda pendente no Brasil há anos e seu adiamento alimenta um sistema que funciona para poucos e não para a maioria da população. Portanto, é hora de priorizar uma reforma tributária que acabe com privilégios e injustiças”, pondera Kátia Maia.

Serviço

Seminário “O papel da reforma tributária na redução de desigualdades no Brasil”
Data: 11 de março de 2020, quarta-feira
Horário: das 9h30 às 17h
Local: Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados, Brasília (DF)

Inscrições: http://bit.ly/2VKpm9u
Aberto ao público (entrada franca)

Programação

9h30 – 10h | Abertura 
  • Marlúcia Ferreira Paixão, vice-presidenta da Fenafisco
  • Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil
10h – 11h30 | Desigualdades no Brasil: causas e efeito
  • Debora Freire, professora da UFMG
  • Paulo Feldmann, professor da USP
  • Coordenação: Iara Pietricovsky, membro do Colegiado do INESC
11h30 – 13h | A Constituição Federal e o papel da tributação na redução das desigualdades
  • Eloísa Machado de Almeida, professora de Direito da FGV e advogada do CADHu
  • Elida Graziane, procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo
  • Coordenação: Carolina Brígido, jornalista de O Globo
13h – 14h30 | Almoço
14h30 – 17h | De um sistema tributário regressivo a um sistema que reduza as desigualdades
  • Nelson Machado, membro da diretoria do CCiF
  • Luiz Carlos Hauly, ex-deputado Federal pelo PSDB
  • Josue Pellegrini, diretor da Instituição Fiscal Independente
  • Esther Dweck, professora da UFRJ
  • Eduardo Fagnani, professor da Unicamp
  • Coordenação Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil

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