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terça-feira, 10 de junho de 2025

Eles nunca subiram em árvores (crônica)

 

Eles não sobem em árvores. Bom, nem nós. Mas neles é pior, o baú da memória está nu: eles nunca subiram. Não há essa função em seus smartphones, ou app dedicado no play store. Nem game de escalada em árvores temos, embora haja até game que simule fábrica de cupcakes.

Cresci numa área periférica, miscigenada entre o puramente rural e o deficitariamente urbano. A árvore era uma amiga e uma certeza de qualquer ponto da paisagem.

Subir em árvores era manobra natural, filha primogênita da peraltice que fere toda criança. Claro, havia o subir por puro lazer, esportivo, e havia o utilitário: a coleta de frutas, ou desemaranhar uma pipa agarrada. Mangueiras, goiabeiras, jaqueiras, jambeiros e cajazeiros, e o que mais Deus propusesse de frutas nativas ou exóticas (exótica é a que veio de fora de nossa pátria, e Deus, ah, é um imenso proponente). Havia hierarquia arbórea: Dividíamos as árvores em fáceis, médias, difíceis e impossíveis de subir. Mas, as impossíveis tinham lá seus Quixotes: os moleques especializados em escalada arborescente. Aqui tínhamos quem subisse até em coqueiros e palmeiras, como a macaúba, cujo coquinho-catarro era iguaria bem disseminada e apreciada na região. No mais, o instinto gregário e de divisão laboral prevalecia: Eu, mau escalador, quantas vezes ficava no solo, só aparando as frutas que os hábeis lançavam lá de riba? Duma vez que quase morri aparando tentando aparar jacas (!) dá uma crônica daquelas hilárias. Outra hora.

Há pouco mais de uma década, fazendo uma caminhada com meus sobrinhos de então uns 13 e 10 anos, respectivamente, indaguei sobre o tema. Embora criados na mesma região que eu, o peso geracional carregou a mão sobre os moleques, e eles nunca haviam subido em sequer uma árvore na vida. Havia um pequeno pé de jamelão no caminho (caminhávamos d Tribobó a Maria Paula), e, ao incentivá-los, percebi a verdade do relatado, na imperícia desconcertante dos moleques.

Outro dia vi um texto desses que circulam em grupos de Zap ou páginas de coroas do Facebook, que despejava uma verdade no leitor: Você não vê mais crianças com gesso. How, espere aí: Isso é bom, isso é ótimo. Certo? E isso é bastante ruim. Gesso remedia fraturas, fraturas demandam tombos, tombos demandam movimento, risco. Vivência fora da(s) ilha(s) de conforto e eletrotecnia.

Posso subir sobre uma de minhas árvores diletas, sempre ele, o pé de jamelão, e apregoar sobre a necessidade urgente de reconectar nossas crianças com a natureza crua (leia-se: não mediada), mas isso é chover no molhado.

E como subir numa árvore que não existe? A suburbana cultura da árvore no quintal deixou de existir, substituída por funcional concreto, palmeiras e coqueiros interditados à escalada, a piscina ou a área de churrasqueira – vendida pelas empreiteiras de forma padronizada, pouco importa se o cliente aprecie – ou vá fazer uso – da tal churrasqueira. As empreiteiras vendem suas casas conjugadas/geminadas dentro do padrão de máxima utilitariedade e mínima espacialidade. Tal cultura não-arborizada meio que se espalhou pela mentalidade geral, nos subúrbios de algumas de nossas principais cidades e metrópoles. Você pode andar por lugares como o distrito maricasense de Itaipuaçu, com casas instaladas em terrenos de tamanho regular, numa configuração ideal para suportar de um ipê a uma mangueira, passando por toda a inumerável família de árvores e arbustos menores. Mas é possível caminhar por quarteirões sem ver quase copa alguma. Somente telhados coloniais e concreto. Quintais perfeitamente mortos – e funcionais. A Terra paga o preço, e o homem. E as crianças.

Há toda essa coisa das gerações e suas peculiaridades. Baby Boomers, Z, X, Alpha etc. Por sinal, neste 2025 nasce justamente uma nova: a geração Beta. Sim, delimitações úteis – mas até certo ponto: isso tem muito de simples presepada (ah, você já imaginava, hum?), muita coisa conceituada a nível “beta” (provisório/experimental). Assim como – fruto, reflexo? – as incansáveis delimitações e segmentações de problemas mentais que pululam e fazem explodir de páginas os manuais de psiquiatria, e de grana os editores, psicólogos e expedidores-de-laudos em geral. Saiu uma nova atualização há pouco, também.

Voltemos ao tema, vamos de uma polêmica por vez. Precisamos de árvores e de trepadores.

A internet trouxe luz, com perfis de amantes de árvores e frutas, nativas ou exóticas, que trocam informações e vendem mudas, via SEDEX, para todo o Brasil. Sim, quase toda fruta que você (não) conhece pode ser adquirida em muda, chegando embalada no seu portão. Outro dia vi um colecionador brasileiro de frutas (bem, para brincar disso você precisa ter um sítio ou fazenda) que foi à Indonésia em busca de conhecer novas espécies (sul e o sudeste asiático são um dos hotspots fruteiros da Terra). Há empresas como a Safari Garden (@safarigardenplantas) e a Colecionando Frutas (https://www.colecionandofrutas.com.br/), que vendem fruteiras sortidas pelo correio. E há perfis como o do botânico e paisagista Ricardo Cardim (@ricardo_cardim), atualmente badalado, e que ensina, em curtos vídeos no Instagram ou Tik Tok, noções de arborização, paisagismo e botânica aplicada aos temas citados.

Iniciativas fundamentais para resgatarmos a cultura da árvore, e isso, os manuais não vão lhe ensinar, passa pelo moleque e pela moleca, pela construção, neles, da familiaridade que demanda experiências. Leve-os ao parque da cidade, àquele sítio que cobra por diária. Uma trilha, uma caminhada na mata. A árvore na pracinha.

No mais, é restituir o que o progresso dinamitou, a árvore ou arbusto em seu quintal, na calçada, no terreno baldio em frente. Compre. Plante. Eles entregam embalado, em seu portão. Muitas prefeituras distribuem mudas gratuitamente.

Como escrevi num poema, as árvores são “playgrounds patamarizados”. Mas eles, os alfas e betas, precisam descobrir, transitar entre os patamares, arriscar o tombo. E ela, a árvore, precisa ser re-introduzida na sociedade, em seus solos e convívios, feito um parente que passou tempo demais no exílio. Fazer as pazes conosco e ser apresentada a nossos rebentos.

Estou pensando em inaugurar uma “oficina de escalada de árvores”. A cada quinzena, numa APA ou Horto Botânico. Para horror de algumas mães e avós, médicos e autoridades. Bem, é preciso empreender e isso acontece – e prospera – no solo do risco.

Falando em risco, este sim protuberante, o geoterror climático, assevera: É urgente nos reconciliarmos com as árvores, e salvar o(s) que pudermos.

 

Sammis Reachers


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Água da Vida, poema de Lothar Carlos Hoch

Água da Vida

Água, fonte da vida,
Sobre ti já pairava
O Espírito de Deus
No ato da criação
Em teu seio
Fomos tecidos
De forma maravilhosa
No ventre de nossa mãe
A cada dia nós, viventes,
Saciamos nossa sede
Nos mananciais de água viva
Que continuam a jorrar do chão
Por isso, Senhor, como teus cúmplices
No cuidado da criação,
Dá que cumpramos fielmente
Essa sagrada vocação
Afim de que todos juntos
Em alegria e gratidão
Entoemos a sinfonia da vida
Em palavra e ação
Por fim, Senhor, em tua graça,
Conduze-nos às fontes da água viva
Para que, imersos em teu Espírito,
Jamais voltemos a ter sede!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Ministério do Meio Ambiente lança oito cursos a distância para formar 10 mil pessoas

Créditos: Martim Garcia/MMA
Clique na imagem para vê-la no seu tamanho original.
Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai promover, em 2014, oito cursos a distância sobre cidadania e sustentabilidade socioambiental. A previsão é formar 10 mil pessoas até dezembro deste ano. Os cursos serão realizados por meio da plataforma Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). O objetivo é ampliar o acesso de diversos públicos interessados nos processos de formação e capacitação desenvolvidos pelo MMA.
O diretor de Educação Ambiental, Nilo Diniz, explica que o MMA e suas entidades vinculadas procuram, na atualidade, articular e potencializar a capacidade institucional de formação e capacitação, ampliando a base social da política ambiental no país. "Este é o propósito desses cursos, que, por meio de uma nova plataforma virtual e de metodologias específicas, se somam a outras formações presenciais em andamento, bem como a processos participativos, como os conselhos e as conferências nacionais de meio ambiente, tanto a versão adulto, quanto a versão infanto-juvenil", enfatiza.

Em julho, serão realizados dois cursos. O primeiro aborda questões que visam qualificar e reduzir o consumo infantil. O curso "Criança e Consumo Sustentável" tem como público-alvo as mães e os pais. Serão 20 horas de curso para duas mil vagas. O curso "Estilo de Vida Sustentável" tem como objetivo trabalhar uma nova perspectiva de qualidade de vida com base em padrões sustentáveis. São duas mil vagas para qualquer pessoa interessada no tema. O curso tem carga de 20 horas.

Temas prioritários

De agosto a dezembro, será realizado o curso "Formação de agentes populares de educação ambiental na agricultura familiar", com duas mil vagas. O objetivo é colaborar com a formação de lideranças do campo e técnicos de instituições que atuam com educação ambiental e agricultura familiar. O curso visa auxiliar no desenvolvimento de processos formativos e de mobilização nos territórios em favor da regularização ambiental, da adoção de práticas agroecológicas e sustentáveis e do enfrentamento de questões e conflitos socioambientais.

A iniciativa é destinada aos agentes de assistência técnica e extensão rural (Ater), lideranças de movimentos, sindicatos, associações, técnicos de organizações não governamentais (ONG), pastorais, prefeituras, órgãos públicos, empresas, professores, jovens, ambientalistas, animadores culturais. O curso compreende 120 horas de aula.

"Apoio à implantação do Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar (PEAAF) nos Territórios" é o tema da quarta capacitação, que busca refletir sobre questões relacionadas à temática socioambiental no campo. Podem participar gestores públicos estaduais e municipais e representantes de instituições que atuam com educação ambiental e agricultura familiar. Será ministrado de setembro a novembro, com 60 horas de duração e 300 vagas disponíveis.

Ampliação de conhecimentos

O curso que aborda as estratégias de implantação do programa Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), destinado aos gestores de órgãos governamentais, acontecerá de agosto a setembro. Serão disponibilizadas duas mil vagas e o curso durará 20 horas. Igualdade de Gênero e Sustentabilidade" é o tema da sexta capacitação, aberta a todos os interessados. Ocorrerá de setembro a outubro, com mil vagas e 20 horas de duração.

Também será realizado um curso de formação de conteúdistas em educação a distância. A proposta é realizar a formação técnica sobre estratégias e metodologias de desenvolvimento de conteúdos na linguagem à distância. O curso é destinado aos servidores do MMA e das unidades vinculadas, além de representantes de instituições que atuam com ensino a distância. Será ministrado de outubro a novembro, com 20 horas de duração e 500 vagas disponíveis.

O último curso tem o intuito de apresentar as etapas necessárias para elaboração dos Planos Municipais de Resíduos Sólidos para os gestores públicos municipais. Será realizado em novembro, com 200 vagas e 20 horas de duração.

Confira a lista dos cursos até dezembro:

1. Criança e Consumo Sustentável: julho, 20 horas, 2 mil vagas.

2. Estilo de Vida Sustentáveis: julho, 20 horas, 2 mil vagas.

3. Formação de agentes populares de educação ambiental na agricultura familiar: agosto a dezembro, 120 horas, 2 mil vagas.

4. Apoio à implantação do Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar nos Territórios: setembro a novembro, 60 horas, 300 vagas.

5. Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P): agosto a setembro, 20 horas, 2 mil vagas.

6. Igualdade de Gênero e Sustentabilidade: setembro a outubro, 20 horas, mil vagas.

7. Formação de conteudistas em EaD: outubro a novembro, 20 horas, 500 vagas.

8. Planos Municipais de Resíduos Sólidos: novembro, 20 horas, 200 vagas. 

FONTE

Tinna Oliveira - Jornalista

sábado, 10 de maio de 2014

LIBERDADE ENGAIOLADA, um poema sobre pássaros

                     Imagem: David Siqueira-Teresópolis-RJ
                            http://www.designup.pro.br/pro/dleafy

Roberto Celestino

Eu vivo pensando, o que possa eu ter feito
Pois vivo do jeito que vive um bandido,
Embora inocente eu fui condenado
Viver afastado do campo querido.

Desejam ouvir o meu canto de açoites
De dia ou de noite na minha gaiola,
Meu canto é tristeza é de puro lamento
Sem contentamento ele não me consola.

Olho a portinhola da minha prisão
Lamento por não saber como a abrir,
Me vejo fadado a uma prisão eterna
Aqui se encerra o sonho de partir.

Eu posso sentir no meu sonho saudoso,
Quanto era gostoso eu poder voar,
Vivia a explorar esse mundo inteiro
Sem ser prisioneiro de tempo ou lugar.

Sementes eu tinha para me fartar
Matar minha sede sempre consegui,
Banhava-me em poças de águas tão claras
Nada se compara com isso daqui.

Aqui nunca mudam a minha ração
Pois sempre me dão uma porção de alpiste
A água que eu bebo quase sempre é morna
Tudo aqui se torna em vida tão triste.

Será que existe maior injustiça?
Pois isso atiça o meu lamentar,
Minha liberdade tão morta eu vejo
Mas vive o desejo de ainda voar.

Sou como criança sem suas perninhas
Ao ver coleguinhas em volta andando,
Pois que me adianta ter duas asinhas
Se o resto da vida vou viver pulando.

Fico aqui pensando em como será
Quando então chegar a idade avançada,
Já mudo e doente irão me soltar
Dizendo que eu já não sirvo pra nada.

Em algum telhado eu vou ser liberto
E ver de tão perto o que sempre sonhei,
Percebo que o tempo na minha gaiola
Foi minha degola e voar já não sei.

Sem rumo e com fome enfim morrerei
Por fim cumprirei  minha triste sentença,
Mas no céu das aves, eu sei voarei
Pois fui condenado na minha inocência.

Visite o blog do autor: http://poesiaecordeis.blogspot.com.br/

domingo, 14 de outubro de 2012

Um poema de Francisco Carlos Machado



XXIV

O fim da tarde chega.
As crianças jamais se cansam.
- Ei poeta, vamos nos despedir do sol?
Hoje não, sem motivação.

Uma carinha suja insiste;
outras mais, depois.
E lembrando-se dos ambientalistas que serão,
de mostrar Deus na criação, grita-se:
- Crianças, vamos então!

E sobe-se o monte cantando:
“Seu Lombato tinha um sítio, iá iá, oh!
E no seu sítio tinha um pintinho, iá, iá, oh!
Era piu, piu, piu pra lá. Era piu, piu, piu pra cá.
Era piu, piu, piu pra todo lado. Iá, iá, oh...”

No alto, os chamados e assobios.
Os olhares despreocupantes de suas mães.
Chegando o momento, silenciam-se todos.
O sol foi embora para o outro lado do mundo.

Do livro Na Escuridão e No Dia Claro (2010)

*Francisco Carlos Machado é poeta, escritor, ativista cultural e ambientalista.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

VI Seminário sobre Direito e Ética Animal na USP - 20 e 21 de Setembro




VI Seminário sobre Direito e Ética Animal na USP, organizado pelo DIVERSITAS vai ocorrer nos próximos dias 20 e 21 de setembro. Participações de Artur Matuck, Carlos Naconecy, Christian Nucker, Daniel Lourenço, Juliana Prado, Laerte Levai, Renata Zancan, Renato Queiroz, Sara Albieri e Vanice Orlandi. INSCRIÇÕES ABERTAS, É GRATUITO

Como evento paralelo a exposição PASSARINHO NA GAIOLA NÃO CANTA, LAMENTA, com ilustrações em grandes painéis de vários ilustradores que acreditam na importância da liberdade das aves, a favor da desarticulação do comércio legal ou ilegal de pássaros e contra o tráfico de animais silvestres, que é o terceiro comércio ilícito no mundo a movimentar grandes fortunas, depois do tráfico de drogas e de armas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Conheça as árvores ideais para plantar na calçada

Aprenda escolher a espécie de árvore adequada para a calçada da sua casa e evite cometer erros dos quais você pode ser arrepender amargamente.  
 Fonte: Veja.com 
Via www.agrosoft.org.br 




quinta-feira, 10 de maio de 2012

Entrevista com Marina Silva sobre Rio +20 e futuro político


http://viajeaqui.abril.com.br

As vésperas da Rio +20, a ex-senadora fala de como pretende promover uma mudança de paradigma em favor de um novo modelo de desenvolvimento econômico


“Ainda vou decidir se me candidato a algum cargo político neste ano. Mas minha luta ecológica continua”, diz a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva logo ao fim da entrevista que concedeu a NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL em uma livraria de Brasília. Antes ela havia participado, durante duas horas, das gravações de um documentário sobre a nova classe média brasileira. Marina está habituada a trabalhar muito; quando adolescente, sua jornada começava de madrugada em uma comunidade do seringal Bagaço, no Acre. Hoje é ainda mais atarefada. Incansável, vive uma maratona de viagens, palestras e entrevistas mundo afora – à noite, ainda sobra fôlego para ler e escrever na cama. A seguir, Marina nos conta como pretende promover uma mudança de paradigma em favor de um novo modelo de desenvolvimento econômico. “A sustentabilidade deve ser entendida como um ideal de vida”, diz ela.
O que a senhora espera da Rio+20?
Aguardo uma avaliação séria do que foi feito nos últimos 20 anos. É óbvio que chegaremos à conclusão de que foi menos que o necessário. Meu desejo é de que venham novos compromissos para que o encontro não seja uma pá de cal na memória da Rio 92. A Rio+20 é um processo dinâmico que envolve centenas de países. Cada um precisa fazer seu dever de casa. No Brasil, está acontecendo um grande retrocesso com a mudança da legislação ambiental para retomada do aumento de áreas de cultivo. É uma contradição. A prova de que o país não precisa disso é que estamos há quase oito anos com crescimento econômico, diminuição da pobreza e do desmatamento. De um modo geral, é preciso não subtrair a questão ambiental desse encontro mundial.
A senhora concorda com o alerta de um grupo de cientistas de que o encontro pode ser desvirtuado por outros temas, deixando a sustentabilidade e as mudanças climáticas em segundo plano?
Sim. Estão fazendo uma assepsia do tema ambiental, da perda de biodiversidade, do aumento da desertificação e das mudanças no clima para discutir apenas desenvolvimento. Na conferência climática de Durban, chegamos à conclusão de que o planeta está na UTI, mas a intervenção médica só vai acontecer daqui a dez anos. Iremos para a Rio+20 sabendo que estamos vivendo uma crise civilizatória caracterizada por múltiplas crises, e já estão querendo praticar a política do avestruz: fazer vista grossa aos problemas ambientais para falar apenas de desenvolvimento e pobreza, como se os dois temas não tivessem como pano de fundo a crise ambiental global. Embora as outras questões sejam relevantes, elas não têm como ser resolvidas pelos mesmos paradigmas dos séculos 19 e 20. É fundamental o protagonismo do Brasil no encontro, descolando-se das posições atrasadas do G77 (grupo de países em desenvolvimento) e abrindo maior liderança dentro do G20 (nações desenvolvidas e emergentes), porque esse grupo representa 80% do PIB da população mundial e das emissões de gases de efeito estufa. Se o G20 se movimentar para a redução das emissões e a mudança do modelo de desenvolvimento, será possível fazer a diferença. Inclusive, alavancar recursos para que as nações pobres se desenvolvam sem repetir o exemplo predatório dos países ricos.
Quais contribuições a senhora levará ao encontro no Rio?
Estarei lá como um dos “advogados do milênio”. O Millennium Development Goals (MDG) Advocacy Group é uma organização que trabalha com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para fazer articulação política em benefício dos países pobres e vulneráveis. Para a Rio+20, sugeri uma autoconvocação dos líderes morais do planeta, aqueles que, nos mais diferentes espaços da vida econômica, social, científica e política, estão envolvidos com a causa, não sob a perspectiva imediatista, que nos torna reféns dos interesses das corporações ou da conjuntura política. A ideia é de que, antes da chegada dos chefes de Estado ao encontro, os líderes morais apresentem os pontos necessários para enfrentar o problema. Assim, criamos um espaço de mobilização independente, em que a sociedade possa ouvir da boca dos cientistas qual o tamanho do desafio que temos pela frente.
O que a senhora acha que mudou no Brasil quanto às questões socioambientais desde a Rio 92? Avançamos nesse quesito?
Evoluiu a consciência das pessoas. Basta considerar que mais de 20 anos atrás Chico Mendes foi assassinado e apenas meia dúzia de pessoas estavam envolvidas com a causa da Amazônia. Hoje há toda a polêmica em torno do Código Florestal e pesquisas de opinião mostram que 80% dos brasileiros preferem pagar mais pelos alimentos para proteger a floresta. Creio que são os maiores indicadores de que a consciência é outra. Isso ainda não se traduz em mudança de atitude, mas há muitos passos nessa direção. Nas duas décadas passadas, evoluiu também a base legal para a proteção de nossos ativos ambientais. Temos agora uma lei de crimes contra a natureza, o mapa dos biomas brasileiros e das zonas prioritárias para conservação da biodiversidade, uma lei nacional das águas e um sistema nacional de unidades de conservação, com 70 milhões de hectares de áreas preservadas. Orgulho-me de saber que, desse total, 24 milhões de hectares foram criados durante a minha gestão como ministra do Meio Ambiente, de 2003 a 2008. Se não houvesse essa evolução de consciência, sequer teria sido possível implementar o Plano de Combate ao Desmatamento, que levou à redução de 80% da derrubada da floresta graças à inibição de 1,5 mil propriedades ilegais e à aplicação de 4 bilhões de reais em multas.
Tal consciência despontou nos políticos ou nos cidadãos?
Sobretudo nos cidadãos. Apesar disso existe um retrocesso, em que a maioria dos políticos quer alterar o Código Florestal e a legislação de criação de terras indígenas no Brasil. Também removeram as competências do Ibama para fiscalizar o desmatamento e no primeiro ano da presidente Dilma nenhum hectare de unidade de conservação sequer foi criado. Vejo, então, um paradoxo: enquanto aumenta a consciência ambiental das pessoas, notamos um recuo da representação política, pautada por grupos – ainda que minoritários – mais conservadores, na questão socioambiental. É um fenômeno que acontece no mundo inteiro. Há um lobby pesado contra qualquer medida nos Estados Unidos em relação à Convenção do Clima. Mas em boa parte da sociedade mundial cresceu a consciência socioambiental.
Em São Paulo, as sacolas plásticas descartáveis foram abolidas nos supermercados, e criou-se uma polêmica. Como mudar hábitos mais complexos se os mais simples ainda são difíceis?
Não são questões lineares. Essa consciência precisa se traduzir em mudança de atitude, mas com as pessoas defendendo a natureza no próprio ambiente. É fácil para os paulistas defender a Floresta Amazônica, mas eles têm dificuldade em diminuir o uso das sacolas plásticas. Contudo, é bom saber que, entre os paulistas, há muita gente reduzindo a utilização das sacolas. Assim como na Amazônia muita gente está disposta a fazer manejo sustentável, certificar sua produção, ter mais respeito com as populações locais. Aos poucos, os bons exemplos vão ganhando escala.
A senhora é contra novas hidrelétricas na Amazônia e defende um plebiscito para que decidamos pelo uso de energia nuclear. Qual a alternativa viável para atender à demanda por energia no Brasil?
Cerca de 45% de nossa matriz energética é limpa. O país tem também todos os meios e as condições para implantar uma matriz energética que seja também diversificada e segura (o que não é o caso da nuclear). Não sou contra o uso do nosso potencial hidrelétrico. Mas a maior parte dele está na Amazônia (cerca de 63%), e não é possível continuar tratando os problemas socioambientais da região como se fossem externalidades. Todos os projetos devem ser viáveis dos pontos de vista econômico, social e ambiental. No caso de Belo Monte, não há indício de que essa premissa está assegurada; por isso me manifesto contra. Se for viável sob essas perspectivas, não vejo por que não fazê-lo. Assim como não vejo por que não ter uma atitude mais aberta no processo de planejamento energético. Ele deve ser visível, democrático, com a contribuição dos diferentes segmentos da sociedade, para que não nos deixe reféns de cada projeto. Não é possível que um país com grande capacidade econômica esteja à mercê de um empreendimento desses a cada ano, sob pena de apagões. É falta de um planejamento bem feito. Temos também potencial imenso para a energia solar, eólica e da biomassa, a ponto de o ministro da Agricultura dizer que temos três Belo Monte com o que produzimos de bagaço e palha de cana-de-açúcar.
Conservação e desenvolvimento são compatíveis? O conceito de sustentabilidade pode ser aplicável em larga escala no Brasil?
Não é questão de compatibilizar, mas de integrar. O panorama é este: há a ameaça de inviabilizar a vida no planeta com um aumento de 2 graus na temperatura. Hoje se perde mil vezes mais biodiversidade do que 50 anos atrás e os territórios desertificados avançam com prejuízos incalculáveis. O grande desafio da humanidade é integrar economia e ecologia na mesma equação. E a Amazônia é a região do planeta onde o desenvolvimento sustentável pode ser mais factível. Temos 82% da floresta preservada, um adensamento de população adequado à preservação do bioma e uma quantidade imensa de recursos naturais que nos dá potencial não apenas para o seu uso diversificado mas também para uma economia diversificada. A Amazônia é o lugar no qual o Brasil pode experimentar a mudança de paradigma de desenvolvimento. Não se trata de ser pessimista ou otimista, mas persistente. Se o Brasil quer uma economia de baixo carbono, deve insistir nas prioridades, nas políticas públicas e nos projetos a serem tocados ao longo de décadas. Os países que se desenvolveram na lógica do século 20 não fizeram isso, pois mudaram de rota a cada governo.
O texto do Código Florestal, em sua última versão, está bom?
O projeto de lei aprovado no Senado é péssimo. Reduz a proteção, potencializa o desmatamento e comete uma injustiça ao perdoar os que desmataram de forma ilegal. Precisa ser vetado pela presidente Dilma. Ela assumiu um compromisso de campanha de impedir qualquer iniciativa que signifique anistia para desmatadores e aumento no desmatamento. Esse projeto parece um ensaio geral para demolir a governança ambiental brasileira, estabelecida a duras penas desde que a Constituição definiu o meio ambiente como um direito dos brasileiros.
A mulher brasileira está mais ativa na política, nas empresas, na família. Qual o papel desempenhado por ela na sociedade atual?
Em um século as mulheres aprenderam a fazer tudo o que os homens fazem, depois de milhares de anos consideradas incapazes. Hoje já nem me preocupo tanto com o que as mulheres brasileiras são capazes, mas em como fazer para que os homens aprendam com elas para que não tenhamos novos desequilíbrios no futuro. Por outro lado, nem sempre os avanços legais são reais. Se no passado as pioneiras do 8 de Março queriam diminuição na jornada de trabalho e igualdade salarial, hoje essa equiparação ainda não aconteceu para grande parte das mulheres, que recebem 25% menos nos mesmos cargos ocupados pelos homens. Muitas ainda perdem o emprego em função da maternidade. Sem falar da violência contra elas. Essa realidade não mudou. O potencial da mulher é tão grande quanto o do homem; só nos faltam as mesmas oportunidades. Considerando-se que nós, mulheres, representamos mais da metade da população brasileira, seria um desperdício se continuássemos sendo tratadas como incapazes. É possível buscar igualdade na diferença e dar atenção à contribuição feminina, com sua maneira de ver e sentir o mundo.
De onde veio a admiração por Jane Goodall, defensora dos chipanzés na Tanzânia?
Quando a conheci, em 2006, nos Estados Unidos, achei-a uma pessoa muito interessante. A iniciativa do Instituto Marina Silva foi inspirada nela. Nessa época, eu não queria me candidatar na política, mas tinha a intenção de continuar minha luta no campo socioambiental. Aí pensei: vou fazer como Jane Goodall – que defende os primatas e o desenvolvimento sustentável – e trabalhar em uma mudança no modelo de desenvolvimento econômico.
Como pretende promover essa mudança?
Com mobilização e educação para que as atitudes sustentáveis não se transformem em um peso na hora de economizar energia, separar o lixo ou decidir quem será seu representante na política. A sustentabilidade deve ser entendida como um ideal de vida que precisa estar na popa – como um motor a nos impulsionar – e não na proa, apenas como uma bandeira para exibir. Não basta conhecer o jogo, é preciso saber jogar. Mas entre o conhecimento e o saber há um longo caminho. E essa é uma mudança civilizatória, que deve ser de todo mundo ao mesmo tempo e agora. Também não é apenas uma questão de se adaptar; acho até que em alguns pontos teremos de nos desadaptar. Uma desadaptação criativa, uma descontinuidade produtiva. Mesmo que não saibamos ainda como é a mudança que desejamos, podemos descontinuar a realidade que não queremos ver prosperando.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Liderança cristã e o meio ambiente




Há, sem dúvida alguma, uma relação íntima entre liderança cristã e o meio ambiente. Não é possível exercer a liderança sem cuidar do meio ambiente, pois trata-se da natureza excelentemente criada por Deus. Cuidar do meio ambiente é cuidar do ser humano, pois a qualidade de vida é essencial para a sua saúde. A Igreja deve ser o exemplo de comunidade que ensina e pratica a coleta seletiva do lixo; a economia de água e energia; o plantio de árvores; a diminuição dos poluentes. 

Ela deve ter um programa de educação ambiental, procurando mobilizar toda a sociedade para um engajamento sério neste assunto tão relevante. O líder cristão, uma vez na direção da igreja, há de ensinar o povo a administrar muito bem da natureza que Deus criou com tanto amor. Cuidar do meio ambiente é muito mais que moda, é estilo de vida saudável, agindo com responsabilidade. O cristão como cidadão deve ser o exemplo de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável. 

A destruição das florestas, a contaminação dos rios e mares, estão intimamente ligados à questão econômica e a falta de educação continuada e, principalmente, a questão do coração, do egoísmo, que é mais profunda. Motivados pela ganância e pelo egoísmo, o homem é um predador feroz da natureza. Ele busca os seus interesses econômicos em detrimento do ecossistema criado pelo Senhor. Tem-se muito pouco respeito pela fauna e pela flora. Os números do desmatamento, das erosões e poluição dos rios são simplesmente alarmantes. É uma vergonha para um país minimizar a questão ambiental. O agente vital da sustentação do ecossistema é o homem. Deus deu ao homem a condição de ecônomo, isto é, de administrador competente dos recursos naturais.

Em seu livro "Poluição e Morte do Homem" (1970), o Dr. Francis Schaeffer, filósofo cristão,  já estava alertando para o descaso do homem moderno em relação ao meio ambiente. Poucos buscam unir empreendimentos comerciais e industriais com a gestão eficiente do meio ambiente. "O homem tem o poder para dominar a natureza, porém o usa de modo errado. O cristão tem a responsabilidade de mostrar este domínio, porém corretamente: concedendo às coisas seu valor real; dominando, porém sem destruir." 

A Igreja sempre deveria ter ensinado este fato, porém, de modo geral, tem fracassado em fazê-lo, e necessitamos confessar nosso fracasso. Francis Bacon compreendeu isto, e assim outros cristãos de outros tempos o têm entendido também, mas devemos dizer que durante muito tempo os mestres cristãos, incluindo os teólogos mais ortodoxos, têm mostrado uma autêntica pobreza com respeito a este ponto" (Schaeffer, 1976, 80). Na verdade, é o chamado ‘empreendimento saudável' ou "desenvolvimento sustentado", que procura unir o útil ao agradável. 

O cristão comprometido com as Escrituras tem uma visão bem apurada do ecossistema. Ele é um participante efetivo do desenvolvimento sustentável. Ele planta e estimula a plantar árvores, trabalha na despoluição dos rios e conscientiza as pessoas acerca da coleta seletiva, usando o material reciclável  para o reaproveitamento e outros materiais para a produção de energia limpa. Usa de forma inteligente a água e a energia. Busca formas das mais variadas para eliminar a emissão de gases poluentes na atmosfera. Então, tratar o meio ambiente com responsabilidade é uma tarefa continua do líder cristão comprometido com a ética do Reino de Deus. 

As Igrejas, lideradas pelos seus pastores e demais líderes sábios, devem ser conscientizadas acerca das diversas ações eficientes com relação a questão ambiental. O líder cristão deve ser um leitor e pesquisador deste assunto tão atual e desafiador. Não há como ser diferente. A liderança cristã precisa estar sempre atenta para os movimentos ambientais ao redor do mundo. Cada um cuidando do seumicrocosmo para, então, ver os resultados no macrocosmo. Na verdade, "pensando globalmente e agindo localmente".

Todos os tratados ambientais devem ser conhecidos. Como cristãos, a nossa posição será sempre a do equilíbrio entre o meio ambiente e a produção de bens e serviços. O binômio economia-ecossistema deve definir a agenda do desenvolvimento de um país e do mundo nesta economia globalizada. Todo o mundo deve estar atento para as políticas de gerenciamento ambiental. Há vários manuais que ajudam a tratar com responsabilidade as questões ambientais. Somos,  como cristãos comprometidos com os valores do Reino de Deus, responsáveis pelo treinamento dos nossos filhos e netos no quesito ambiental. Deus será glorificado à medida que nós tratamos a Sua natureza com amor e responsabilidade.   


Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o sitehttp://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

terça-feira, 20 de março de 2012

UFSC e Fapesc lançam game gratuito sobre a Mata Atlântica



Uma equipe de pesquisadores apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) lança amanhã (20/03/12) o jogo eletrônico educativoMata Atlântica - o bioma onde eu moro. A apresentação acontece a partir de 14 horas, no auditório do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Direcionado a estudantes do ensino fundamental, o game é gratuito, com download a partir do site www.mata-atlantica.educacaocerebral.org. Ele vem acompanhado de um guia para o professor e a escola pode solicitar capacitação para uso pelo e-mail bioma@educacaocerebral.org.

O jogo teve financiamento da Fapesc, depois que o projeto doLaboratório de Educação Cerebral, ligado ao Departamento de Psicologia da UFSC, foi selecionado em uma chamada pública voltada a estimular a inovação para valorizar a biodiversidade. Teve também apoio do estúdio Casthalia, ligado ao polo de desenvolvedores de jogos eletrônicos de Santa Catarina - SC Games

De acordo com o coordenador do laboratório, o professor Emilio Takase, o desenvolvimento levou em conta a ideia de edutenimento (educação com entretenimento, diversão). Os jogadores não são adversários, mas integrantes de uma equipe e assim o game promove a relação colaborativa entre os alunos-jogadores. 

Para motivar a relação colaborativa, há uma missão a ser realizada e um personagem (avatar, papagaio-de-peito-roxo) que acompanha os jogadores, dando feedbacks motivacionais (orientando o jogar e lembrando a importância do trabalho em equipe) e construtivos (acerca do conteúdo científico do game). 

Takase explica que o jogo propicia aos estudantes conhecer 36 espécies de fauna associados aos ecossistemas do Bioma Mata Atlântica presentes em Santa Catarina. Traz também características marcantes das paisagens desses ecossistemas e sua localização no mapa do Estado. 

A tecnologia educacional foi desenvolvida para oferecer qualidade ao Ensino de Ciências, já que o conteúdo Bioma Mata Atlântica é previsto para ser trabalhado no ensino fundamental, de acordo com os Parâmetros Curriculares do Ministério da Educação (MEC). 

domingo, 4 de março de 2012

LIBERDADE PARA OS PÁSSAROS: 10 poemas contra o comércio e o encarceramento de pássaros, num e-book gratuito



Reunindo 10 poemas de Antonio Costta, com edição e arte de Sammis Reachers, este breve opúsculo é uma pequena iniciativa para, através da poesia, estimular a reflexão, denunciando e combatendo o encarceramento de aves e também seu comércio ilegal. 


O encarceramento de aves é um dos poucosabsurdos ainda de alguma maneira ‘aceitos’ por nossa sociedade. Culturalmente acostumados, ou melhor, anestesiados, muitos deixam de perceber que isto é algo terrivelmente cruel e sistematicamente desrespeitoso para com os direitos dos animais. É já a hora de proclamarmos um grande basta!

Aprisionar asas: poderia haver um crime maior?

Os poemas e as imagens, bem como esta seleta inteira, se com fins não-comerciais, podem ser livremente republicados e divulgados, sem a necessidade de prévia autorização dos autores.

Compartilhe, imprima, disponibilize a partir de seu blog ou site, presenteie crianças e adultos, utilize em sua escola, distribua para sua lista de e-mails...

Para baixar o e-book, CLIQUE AQUI.
Para ler online no Scribd, CLIQUE AQUI.

Abaixo, dois poemas da obra:


PASSARINHO TRISTE

Pássaro triste, tardo no trinado,
Sequer sem repetir seu repertório,
Por que o teu silêncio de velório,
Nessa gaiola tua, em tom dourado?


Estarás triste ou hás de estar cansado
De tanto canto por ninguém ouvido?
Ou, por tentar o vôo, estás ferido
Das grades onde estás aprisionado?


Quem das aves calou a voz mais bela?
A saudade? Só pode ser por ela,
Que vem do ninho por detrás da serra...


Mas em teus olhos a esperança é certa:
Quando esquecerem a gaiola aberta,
Hás de voar de volta à tua terra!




O HOMEM E O PÁSSARO NA MESMA GAIOLA

Coitado do homem da grande cidade,
Trancado em casa, entre a grade e o portão;
Tal qual passarinho, sem liberdade,
Quase vivendo em igual condição!

Os dois na prisão, cantando saudade,
O homem trancado na sua mansão;
Um por causa da humana crueldade,
E o outro com medo do astuto ladrão!

Coitado do homem, não se dá por conta,
Que a liberdade ele mesmo afronta,
Ao manter o pássaro na prisão...

Na realidade ele está mais preso
Do que o passarinho que vive a esmo,
Sem nunca saber o motivo, a razão!

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