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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Uma Igreja que casou-se com o Sistema


 Pastor João A. de Souza Filho


Eu tinha apenas sete anos de idade quando minha mãe aceitou a Cristo numa denominação pentecostal. Lá se vão quase cinqüenta anos! A exigência de se viver um padrão cristão e a disciplina rígida a que nos submetemos desde os primeiros dias da Escola Dominical marcaram nossas vidas.

Hoje consigo perceber os resultados no seio da família: Cansada e numa cadeira de rodas, mamãe não consegue dimensionar o rastro de seu testemunho: 1 filho pastor e escritor, uma filha esposa de pastor e pregadora, seis netos no ministério em tempo integral, afora tantos outros filhos, noras, genros, netos e bisnetos comprometidos em suas congregações com o evangelho de Cristo Jesus!

No decorrer dos anos entendi que o mundo olha para a igreja esperando nela ver um diferencial, um estilo de vida que contraste com o estilo de vida da sociedade.

O mundo costumava ver a igreja sob a ótica do respeito, de vida transformada, de gente diferente, de pessoas de bens - de cujo seio saiam empregados submissos, donde empregadas domésticas eram requisitadas, de gente que pagava em dia suas contas - em que o dono do armazém vendia fiado na caderneta sabendo que receberia seu dinheiro.

No dizer de Pedro, sem amoldar-se às paixões da vida mundana que tínhamos antes de receber a Cristo (1 Pe 1.14). No dizer de Paulo, viver sem conformar-se com esse mundo (Rm 12.2) mostrando ao mundo "como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade" (1 Tm 3.15).

Recordo-me que em 1962 quando a igreja pentecostal foi grandemente perseguida em Porto Alegre pelos meios de comunicação contrários à realização de uma campanha evangelística, um cidadão foi para o rádio defender os crentes. Sua defesa: os crentes eram seus melhores funcionários!

No entanto, no decorrer dos anos a igreja incorporou em seu seio os valores mundanos, a filosofia do mundo, seus modismos, deixando-se levar ao sabor do sistema. Confundiu contextualização com contemporização - não soube trabalhar no contexto da sociedade e acomodou-se à sociedade que ela tanto insiste em mudar.

Ainda hoje o mundo espera ver na igreja o diferencial entre aquilo que frustradamente vive e o que espera encontrar na igreja - e quase não o encontra! Os pastores, antes serviçais, em cujas casas os pobres do bairro encontravam lenitivo e alimento, escassearam!

No lugar desses surgiram pastores sonhadores de riquezas, profetas balaônicos de olho nos presentes de Balaque; ricos, abastados, vivendo em condomínios fechados, alienados da própria membrezia, vivendo na opulência e no fausto. Alguns optaram por uma teologia de prosperidade que contrasta com a simplicidade de se viver o evangelho.

Vivem longe de suas paróquias, enquanto no passado o certo era viver entre os paroquianos, entre as pessoas do mesmo bairro. O pastor outrora tão presente no lar dos fiéis, são vistos de longe, e na imensidão de seus templos parecem figuras minúsculas gesticulando no púlpito, a menos que sejam projetados no telão ou vistos na tela da tevê.

A nova geração de crentes - cujos avós eram tão pobres, mas fiéis - melhorou de vida, subiu socialmente para a classe média e, até mesmo alguns ricos despontaram no cenário evangélico. Membros de igrejas, antes considerados proletariados, prosperaram, e hoje fazem parte da nata industrial e comercial da nação, no entanto, muitos deles se esqueceram dos exigentes padrões bíblicos: tratam seus funcionários da mesma maneira - quando não pior - que os patrões mundanos.

Aliás, alguns empresários que não se confessam cristãos têm ótima reputação dos seus funcionários; por outro lado, alguns crentes sequer querem trabalhar para empregadores evangélicos. Da mesma forma, os empregados evangélicos perderam o respeito e já não se submetem aos patrões como é ensinado no Novo Testamento. Costumam ser piores do que os descrentes.

Para encobrir o que somos, criamos a moda gospel, buscando parecer que o estilo de vida cristã, sua música e mensagem tenham adquirido nova roupagem. Pelo menos existe o charme glamouroso (desculpe-me o pleonasmo) na substituição do termo em português pelo inglês! E a geração gospel vai para a televisão falar de Cristo e do novo nascimento, literalmente sem roupagem alguma!

Mulheres sensuais e seminuas com um palavreado profano - não que queiramos que todos aprendam o evangeliquês - afirmam ser membros dessa ou daquela igreja. Não apenas as mulheres, mas também os homens confundem pelo visual e palavreado a mensagem do evangelho!

Apesar da obscenidade e do mundanismo que repugna o mais vil pecador, seus pastores sorriem e caladamente consentem, afinal o nome de sua igreja e seus nomes podem ser ouvidos pela mídia nacional. Outros, vestindo a roupagem tradicional dos evangélicos, sugam dos pobres o dinheiro e os bens em troca de um compromisso com Deus!

Além destes, surgiram pastores, pregadores e cantores, em todas as denominações, que mesmo sem aquela extravagante aparência, sem as requebradas coreografias e palavreado mundano - mantendo a antiga forma de vestir e o visual tradicional dos crentes - mas que em nada diferem em seu comportamento e moral daqueles que não conhecem a Jesus, nem por ele foram transformados, agregam-se à classe vil protagonizada por Jezabel e Balaão.

Seus cachês são os mais altos e seu comportamento, pior! São pessoas que, mesmo mantendo a postura evangelical, a aparência tradicional, repito, encaixam-se perfeitamente no perfil traçado por Pedro e Judas (2 Pe 2.10-22 e Jd 8-16).

A opção de ser crente, de ser um fiel discípulo de Jesus - às vezes uma decisão difícil sabendo-se que há um preço a ser pago em seguir a Jesus - já não é levado em conta por boa parte dos que se dizem cristãos, por pessoas que dão péssimo testemunho, pois seu comportamento no campo de sua atividade profissional contradiz seu palavreado e suas afirmações de fé. E isso vai do carpinteiro ao artista, da empregada doméstica ao famoso atleta, do estudante ao político.

Algumas igrejas parecem ter perdido o rumo. A quantidade de divórcios entre seus membros é testemunha gritante de como o evangelho diluiu-se no meio de uma sociedade paganizada. A santidade de alguns jovens que se propõem viver castos até o casamento é motivo de chacota no seio da própria congregação.

À essas igrejas, aos seus pastores, cantores, líderes e políticos cristãos, o profeta ergue a voz em protesto!

A mensagem de Amós precisa ecoar novamente na igreja, pois tem uma palavra de alerta aos membros da comunidade da fé. Ele não apenas diria "afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias da tua lira" (Am 5.23), acrescentaria:

"Afaste de mim o palavreado das mensagens que você prega, pois fecho os ouvidos quando você sobe no púlpito; cerro os olhos para não ler o que você escreve; detesto quando você menciona o meu nome; sua música é muito linda, sua banda é perfeita, sua voz belíssima, mas o som de sua melodia chega aos meus ouvidos desafinado pelo estilo de vida perverso que você tem; o cheiro que você exala provoca-me náuseas...".

Amós clama pelas ruas:

"Vocês oprimem o pobre e o forçam a dar-lhes trigo" - (Am 4.11), isto é, sugam dos pobres todo o dinheiro que eles têm para satisfazer os desejos pessoais de vocês, para construir suntuosas catedrais e comprar aptos. e terras. "Vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais" (4.12b), isto é, vocês os mantêm sob o jugo da autoridade, ameaçando-os e intimidando-os com a possibilidade de exclusão pública do rol de membros. A opressão da vara do pastor, de todas, é a pior!

Amós clama na igreja:

"Vocês se deitam em camas de marfim e se espreguiçam em seus sofás" (6.4), enquanto os pobres da igreja dão duro e trabalham; enquanto seus obreiros andam em ônibus lotados, à pé, suando para fazer a obra de Deus, vocês como líderes, do alto de sua autoridade, descansam no sofá repassando um a um as centenas de canais de tevê, deleitando-se em viagens, dormindo nos mais caros hotéis e freqüentando os shoppings da moda.

Ele diz aos cantores e grupos que cobram altos cachês para se apresentarem nas igrejas:

Vocês "dedilham suas liras como Davi e improvisam em instrumentos musicais" (Am 6.5), mas não têm o coração de Davi; buscam, isso sim, seu próprio bem-estar e, depois de cantarem e louvarem nos cultos das igrejas ou nos festivais, fecham atrás de si as portas do quarto de hotel e deleitam-se na fartura da melhor comida e das bebidas mais caras, quando não em orgias sexuais!

"Vocês bebem vinho em grandes taças - não apenas vinho mas toda sorte de bebidas caras e finas nas festas de gente ímpia que detesta o nome de Cristo - e se ungem com os mais finos óleos - têm aparência de possuir grande unção e poder, confundem poder e unção com habilidade e profissionalismo; fazem do ministério seu ganha-pão - mas não se entristecem com a ruína de José - isto é, vocês não choram, nem clamam, nem jejuam, nem se importam com a ruína da igreja e do mundo! Pensam apenas em vocês mesmos!" (Am 6.6).

A bússola da verdade deve urgentemente ser consultada para que a igreja ande na rota traçada por Deus! Quando isso acontecer, o mundo voltará a olhar a igreja como uma sociedade séria, diferenciada; como sociedade que tem rumo próprio.

Políticos evangélicos, firmem-se na verdade, pois o mesmo Deus que vocês alegam que servem, haverá de sacudir os fundamentos da estrutura política, como tantas vezes o fez, expondo-lhes à ignomínia. A mídia que vocês tanto amam é laço que lhes prenderá os pés; mordaça que lhes impedirá de falar; espinho que lhes cegará os olhos - essa mesma mídia impedir-lhes-á a caminhada, mas por certo, se vocês tiverem temor de Deus, haverão de se firmar no Senhor, servindo-lhe e apenas a ele de todo o seu coração!

"Ouçam esta palavra, vocês (...) que estão no monte de Samaria - Os políticos. Vocês que estão em posição de autoridade, nas casas do povo - vocês que oprimem os pobres e esmagam os necessitados - cujos altos salários contrastam com o pobre salário mínimo, e com o baixo reajuste salarial dos velhos e velhas aposentados, vocês que dizem - tragam bebidas e vamos beber - isto é, que vivem em festas, no meio da fartura" (Am 4.1). Ganham altos salários para fazer pequenos discursos nas Assembléias e Câmaras do povo. Até quando suportará Deus o hálito das festas e da embriagues?

As eleições estão chegando e teremos que suportá-los novamente bafejando o odor do mundo de Maquiavel sobre os púlpitos de nossas igrejas! Será insuportável, uma vez mais, observar pastores, cantores e líderes seguindo o curso do mundo governado pelo diabo - seguindo a carreira do mundo!

Que Deus tenha misericórdia de nós e abra-nos os olhos para enxergarmos na sua bússola o Norte a seguir. Que a igreja volte a andar no caminho da santidade e se diferencie do mundo ao seu redor!


sábado, 23 de julho de 2016

Qual deve ser a atitude do cristão em relação ao dinheiro


Rachel Blackman
Deus criou-nos e supriu-nos com tudo que temos. Assim, temos a responsabilidade de cuidar dos recursos que Ele nos deu. O que temos deve ser visto como uma dádiva de Deus e não como algo a que temos direito. Uma visão de mundo comum é que ter riquezas é importante. Entretanto, as riquezas e a bênção não estão necessariamente ligadas. Na Bíblia, muitas pessoas que serviram fielmente a Deus eram pobres em termos materiais.
A maneira como lidamos com o nosso dinheiro e as nossas posses é um sinal do nosso comprometimento com Deus. Deus concentra-se nas nossas atitudes em relação ao que temos e não a quanto temos. Somente quando a nossa atitude for correta, usaremos o dinheiro da maneira que melhor serve a Deus e às pessoas à nossa volta.
Leia Mateus 6:19-34
Esta passagem faz parte do “Sermão da Montanha”, em que Jesus fala do Reino de Deus. Ela desafia as nossas atitudes em relação ao dinheiro e às posses.
  • O que significa acumular tesouros no céu?
  • De que forma as atitudes do Reino de Deus diferem das atitudes do mundo?
  • O versículo 24 diz que podemos servir a Deus ou ao dinheiro, mas não a ambos. Que medidas práticas podemos tomar, para que não nos tentemos a servir ao dinheiro?
  • O que os versículos 25-34 nos dizem sobre a segurança que encontramos em Deus? Como esta segurança se compara à segurança que encontramos no dinheiro?
  • Como esta passagem nos desafiaria a considerarmos a maneira como usamos o nosso dinheiro: individualmente? como organização?
Fonte: TEARFUND

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O cristão e as armas de fogo - para quem ainda tem alguma dúvida


ARMAS, SIM OU NÃO?

No dia 23 de junho de 2011 um jovem atirou com uma espingarda de pressão, da sacada do seu apartamento, no 14º. andar, contra três meninas que brincavam num chafariz em Santo André, SP. Ao perceber as meninas feridas, o pai de uma delas ainda viu o jovem saindo de onde ele tinha atirado, e chamou a polícia. Ao prendê-lo, a polícia encontrou em seu poder a arma utilizada e mais um revólver com a numeração raspada, várias armas de brinquedo e 15 outras armas não de fogo.
Pode um cidadão comum possuir uma arma? Esta é uma importante questão social, que afeta diretamente a nossa vida, por isso, como cristãos, precisamos assumir uma posição. E nem é tão difícil, pois a este respeito há pelo menos três ensinos claros de Jesus.
O primeiro deles está em Mateus 5:9: “Bem aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. Esta sétima bem-aventurança estabelece uma relação de interdependência entre duas qualificações: a de pacificador e a de filho de Deus. Ser pacificador é ser filho de Deus, e vice-versa. É evidente que não é pacificador aquele que, não sendo um representante da lei, carrega ou possui uma arma. Sua clara intenção é, no mínimo, revidar qualquer agressão ou ameaça, quando não ele próprio cometê-la.
O segundo ensino de Jesus sobre esta questão está em Mateus 5:38,39: “Ouviste o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra”. Trata-se do princípio da não-violência, praticado por Ghandi na sua luta vitoriosa pela independência da Índia, e pelo pastor batista Martin Luther King, na sua luta, também vitoriosa, pelos direitos dos negros na América do Norte. O princípio de Jesus é o da não-violência “porque a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tiago 1:20).
O terceiro ensino de Jesus está em Mateus 26:52: “Todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão”. Se prestarmos atenção ao texto em torno dessa afirmação, veremos que Jesus estava dizendo que vencedor é aquele morre por tentar dar a vida, e não aquele que morre por tentar tirar a vida. O apóstolo Paulo disse que “a autoridade traz a espada” por ser “ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal” (Romanos 13:4). Portanto, somente a autoridade pode usar armas, e com o fim exclusivo de defender a sociedade contra os malfeitores.
Por esses e por outros ensinos da Palavra de Deus, é que a nossa posição é pela proibição de posse de armas aos cidadãos comuns.

Pr. Sylvio Macri
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