Mostrando postagens com marcador apoio a deficientes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador apoio a deficientes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

INCLUSÃO: DEFICIENTES NA IGREJA



Quantas pessoas deficientes temos alcançado em nossas ações? 

Muito se tem falado sobre a inclusão social, sobre a inclusão de pessoas com deficiências na sociedade. Mas, e a Igreja, está atenta para esta necessidade?

Temos que propiciar condições para que estes se acheguem. Temos que amá-los, entendê-los e servi-los.
Para abordar este tema, o Instituto Jetro entrevistou o Pr. Fabio Luiz Vedoato. Sua experiência como pastor, deficiente auditivo e coordenador do Ministério Lição de Amor da IPI de Londrina, remete-nos para a reflexão sobre o quanto nossas ações e igrejas são inclusivas.  
No Brasil existem mais de três milhões de surdos que devem ser alcançados pela graça de Deus e, atualmente, existem nove pastores surdos de outras denominações. O Rev. Fabio é o segundo pastor surdo do Brasil, sendo o primeiro da IPIB.
Graduado em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana e Seminário Teológico Rev. Antônio de Godoy Sobrinho. Foi ordenado para o ministério pastoral em dezembro de 2003 . É coordenador do Ministério Lição de Amor e casado com Sandra Cristina Malzinoti Vedoato.

Foto do Pr. Fabio Vedoato 

Qual a importância de um ministério/projeto que trabalha com os portadores de deficiências física e mental na Igreja?

Fabio Luiz - A importância está em "assumir" o caráter de Jesus, pois Ele foi "inclusivo" o tempo todo, isso é uma constatação ao lermos os evangelhos.
Imagino que se Jesus fundasse uma igreja denominacional seus membros seriam os cegos, os surdos, os paralíticos, os órfãos, as viúvas, os enfermos e os ditos "normais"  é que seriam os "incluídos", não é mesmo! Jesus amou a todos sem fazer distinção por causa da condição física ou intelectual.

Em sua opinião, a maioria das igrejas não têm muitos cegos, surdos, e tantos outros deficientes por não conseguir se comunicar ou até mesmo expressar o amor de Deus por eles?

Fabio Luiz - Não acredito que a dificuldade seja por não saber se comunicar, pois o deficiente físico, mental e o cego não necessitam de um meio de comunicação diferenciada, porém de adaptações arquitetônicas aos deficientes físicos, material didático adequado aos deficientes mentais e Braille aos cegos. Somente em relação aos surdos que há a necessidade da comunicação em língua de sinais que em contrapartida é o ministério mais comum desenvolvido nas igrejas.

Como surgiu, por que e quais as atividades que são desenvolvidas pelo Ministério Lição de Amor?

Fabio Luiz - Comemoramos este ano 20 anos de ministério. O ministério Lição de amor surgiu em 1992 tendo como precursor uma revelação de Deus ao Rev. Messias Anacleto Rosa em um culto dominical do texto de Isaias 35:6 posteriormente a revelação foi cumprida através do chamado e disposição da Maria Aparecida Silveira "Cidinha" e do Presb. Aldo Costa Do´livier com o objetivo de evangelizar portadores de necessidades especiais nas diversas áreas e oferecendo também suporte nos diversos níveis (educacional, profissional e assistência social) aqueles que necessitavam.
Atualmente o ministério atende deficientes mentais e surdos, embora permaneça o desejo de atendimento as demais áreas - deficientes físicos e cegos. As atividades desenvolvidas são evangelismo, discipulado, participação nos cursos de educação cristã, eventos de evangelismo, palestras temáticas, acampamento anual voltado aos surdos e ouvintes tendo a participação de pessoas de diversas regiões do país, reuniões de célula semanalmente, culto em LIBRAS aos sábados, interpretação dos cultos de celebração, curso de LIBRAS, encaminhamento ao mercado de trabalho, acompanhamento externo de intérpretes da LIBRAS de acordo com a demanda.

Além das questões sociais de integração, educação, há a preocupação de como incluir a fé, como colocar a espiritualidade de uma forma que esta possa ser desenvolvida levando em conta capacidades e limitações de uma pessoa deficiente. Como podemos fazer isto? Como promover laços de amizade na comunidade inserida? E numa Igreja pequena?

Fabio Luiz - Jesus ensinou e só depois multiplicou os pães e os peixes para alimentar a multidão - Marcos 6:34 a 44, acredito que em primeiro lugar está o ensino dos princípios bíblicos e depois a assistência social, este é um fator importante para que não haja um sentimento de "barganha". Outro ponto essencial está relacionado ao desenvolvimento do comportamento que Jesus teve em relação a Pedro em Lucas 5:1 a 11 Jesus não deu a Pedro os peixes, mas lhe deu a dica de como consegui-los, é necessário oferecer as "redes" não os peixes. A espiritualidade se desenvolve com o ensino e o modelo de vida nos princípios bíblicos, pode diferenciar no método (língua ou material didático de apoio), no entanto a fonte é a mesma, a "Bíblia Sagrada". Os laços de amizade devem ser desenvolvidos por meio do relacionamento na vida diária da igreja, seja ela de grande ou pequeno porte.

O preconceito para com os deficientes vai desde alguns acreditarem que os deficientes necessitam ser dependentes dos outros, são maus ajustados e infelizes; são "marcados" e menos inteligentes; são improdutivos; não têm os mesmos relacionamentos das pessoas ditas "normais"; merecem compaixão e piedade; devem estar em instituições especializadas ou ainda, ao fato de acharem que estes estão sendo "punidos" por algum pecado. Você acredita que diminuiu o preconceito das mais variadas formas na sociedade e na Igreja?

Fabio Luiz - Preconceito é um juízo preconcebido, um desconhecimento pejorativo de uma pessoa ou grupo social e a discriminação é um comportamento de não aceitação. Ambos ainda existem quer seja velado ou manifesto, como em empresas que atribui remuneração desigual pela mesma função desenvolvida devido à deficiência, falta de acessibilidade nos lugares públicos e privado, embora a legislação cada vez mais tenha apoiado e assegurado modificações. Agora um lugar que não deve existir preconceito e discriminação é na igreja por dois fortes motivos. Primeiro, a igreja deve ser o lugar da real prática dos princípios bíblicos como um deles " Amar a Deus de todo coração...amar ao próximo como a si mesmo..." Marcos 12:33 e o segundo, a igreja não deve estar alienada da sociedade, ou seja, a igreja é chamada para "fora", ao contrário disso é religiosidade.

Qual a visão de um deficiente para com a Igreja e quais são as suas maiores queixas e alegrias?

Fabio Luiz - A igreja é o lugar onde a pessoa recebe o alimento espiritual que fortalece para distribuir aos outros, a alegria está em fazer parte da família e do corpo de Cristo por meio da comunhão vertical e horizontal. A queixa está no comportamento de alguns líderes que impõe a cura física, são pessoas que olham para a "falta" da audição, visão, membro do corpo e não para o coração. A vontade de Deus é soberana e inquestionável, Jesus ao referir sobre o cego de nascença disse "Isto aconteceu para que se manifestem nele as obras de Deus - João 9:1 a 3. 

A deficiência é uma condição não é uma doença, é incomum encontrar um deficiente se lamentando por causa da sua condição física. A limitação física, o estigma, a discriminação ao longo do tempo nos tornam resilientes. A necessidade espiritual, emocional e física em Cristo são supridas. Ouvimos, locomovemos e enxergamos com o coração buscando alcançar a mente de Cristo.


Levando em conta sua experiência como pastor e deficiente auditivo, quais os conselhos para pastores e líderes para uma verdadeira inclusão dos deficientes em suas igrejas ?

Fabio Luiz - A inclusão tem sido tão propagada atualmente, porém há mais de dois mil anos Jesus já fazia inclusão. Minha palavra aos pastores e líderes é que estimulem seus membros a praticar o "ide" do Senhor - Marcos 16:15 aqueles que estão tão próximo, na faculdade, no trabalho, na vizinhança e aos pastores especificamente a orientação é que não deleguem todas as funções de cuidado ao líder do ministério, vocês devem pastorear suas ovelhas, elas estarão sob seu cuidado pastoral. João 10: 11, 14 e 16 diz que o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas, as conhece e é conhecido por elas e sua função é agregar aquelas que ainda não são do seu aprisco para que tenham um rebanho e um pastor.

Texto originalmente publicado em 2012. Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

No mesmo tema, um ministério voltado para a inclusão na igreja: Ministério Eficiente, da Primeira Igreja Batista de Curitiba: http://www.pibcuritiba.org.br/project/ministerio-com-especiais/

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Assista ao documentário sobre História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil




A Secretaria de Direitos Humanos a Presidência da República (SDH/PR), por intermédio da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (SNPD) lançou em dezembro de 2011, o Filme-documentário sobre “História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência”.
A partir de uma pesquisa e levantamento em âmbito nacional, foram escolhidas lideranças que participaram tanto do surgimento quanto da consolidação do movimento – pessoas com deficiência física, intelectual, visual, auditiva, múltipla e especialistas. Entrevistas, fotos, atas, convites, selos comemorativos, encartes, reportagens, tudo está registrado no livro e no filme-documentário, a partir de várias referências históricas a iniciativas, desde o Império até os dias atuais.
Tanto o filme-documentário, quanto a publicação de mesmo nome, integram o projeto de cooperação técnica intitulado  “Fortalecimento da Organização do Movimento Social das Pessoas com Deficiência no Brasil e Divulgação de suas Conquistas”, que tem por objetivo contar a história das pessoas com deficiência, com ênfase no aspecto político, particularmente no contexto da abertura política no final da década de 1970 e da organização dos novos movimentos sociais no Brasil.
Assista o documentário e faça uma viagem histórica sobre a construção do ideal de inclusão e cidadania das pessoas com deficiência. Veja também o Livro “História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência”.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Vídeo-protesto: Parkour praticado com cadeira de rodas


http://colunas.revistaepoca.globo.com

Não, isso não é uma piada de humor negro. É apenas um protesto muito inteligente contra a total falta de acessibilidade nas grandes cidades.
Como você deve saber, o parkour, ou Le Parkour, é um esporte, quase uma corrida de obstáculos, enfrentada apenas com o corpo humano. Pular, dar mortais, subir paredes… Lindo.
Mas imagine que cadeirantes tenham que praticar esse esporte SEM ESCOLHA, todos os dias. Os desafios estão no vídeo a seguir, feito no Brasil:


Agora é só andar pela sua cidade e imaginar… Será que seria preciso fazer acrobacias sobrehumanas para simplesmente passear por aqui com uma cadeira de rodas? A resposta é SIM, quase sem variáveis, infelizmente.

Rafael Pereira

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Liane: Software que ajuda na inclusão digital de pessoas cegas



Agora os deficientes visuais já podem utilizar o sistema operacional Linux. O Núcleo de Computação Electrónica (NCE-UFRJ), em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados do Ministério da Fazenda (Serpro), desenvolveu umprograma leitor de ecrãs de computador de qualidade profissional para o sistema. Chamado de Liane TTS, o software será utilizado nos telecentros do programa de inclusão digital do Serpro.
O programa analisa a sequência de palavras de texto e remonta a pronúncia a partir de uma base de sons já pré-gravada. “Nós utilizamos gravações feitas pela locutora Liane Borges, do SBT, que contêm todos os sons utilizados na nossa língua. Esses sons foram processados digitalmente pela Universidade Politécnica de Mons – Bélgica. Com a união dos fonemas básicos e a sua correcção em tempo real, conseguimos uma fala muito próxima da humana”, explicou o professor José Antônio Borges, coordenador do projecto e analista de sistemas do NCE.
Segundo José Borges, o software é o resultado de anos de pesquisa na área de acessibilidade dos computadores para deficientes visuais. Desde 1993, o NCE pesquisa sintetizadores de voz para computadores. “Naquela época, nós desenvolvemos a primeira ferramenta de leitura de ecrãs profissional do país. Comparando com as soluções de acessibilidade que existem hoje, percebe-se que a ferramenta era muito rudimentar. Mas, mesmo assim, foi a primeira a ser desenvolvida no país”, afirmou.
O professor espera que o Liane TTS ajude o usuário com deficiência visual a interagir melhor com o computador. “Até há pouco tempo atrás, o sistema Linux tinha poucas e ineficientes ferramentas de leitura de ecrãs. No sistema Windows, esse tipo de tecnologia já existe com boa qualidade. O que estamos a fazer é trazer ao consumidor do sistema operacional Linux um programa de melhor resultado”, disse.
O Liane TTS já está a ser distribuído aos telecentros do Serpro espalhados por todo o Rio de Janeiro. A cerimônia de apresentação foi feita na unidade do Circo Voador. “Todos os telecentros do Serpro receberão uma unidade do programa. Agora é preciso que os instrutores sejam treinados pelo Serpro, no sentido de transmitirem o modo de utilização do programa aos seus usuários. Além disso, também será disponibilizado para download gratuito no site do órgão”.


Muitas polêmicas existem com relação a este software, eu sinceramente não gostei dessa voz, assim como outras opiniões de outros bloggerios comohttp://www.blogtecnovisao.com/2011/10/liane-tts-um-parasita-de-voz-rouca/. A equipe do site megaTTS fez suas considerações em seu blog vejahttp://www.megatts.com/2011/10/02/liane-tts-apenas-mais-um-sintetizador-de-voz/.

Abraços a todos ficam com Deus....A Paz...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Luva-sonar para cegos tem projeto aberto




O projeto é totalmente aberto, baseando-se no bem-conhecido microcontrolador Arduino. [Imagem: Steve Hoefer]

Projeto com Arduino
Próteses robóticas, dispositivos biomecatrônicos e aparelhos controlados pelo pensamento costumam reunir o que há de mais avançado na tecnologia.
Mas isso não significa que eles precisem necessariamente custar dezenas ou até centenas de milhares de reais.
Esta é a proposta de Steve Hoefer, que acaba de apresentar sua mais nova invenção: uma luva-sonar capaz de guiar pessoas cegas, eventualmente substituindo os caros cães-guia.
O projeto é totalmente aberto, baseando-se no bem-conhecido microcontrolador Arduino.
Segundo Hoefer, a luva-sonar pode ser construída pelo equivalente a US$65,00, e todos os componentes podem ser encontrados no comércio.
Sonar para deficientes visuais
A luva possui sensores ultrassônicos, que emitem ondas sônicas inaudíveis. Microfones especiais captam o reflexo dessas ondas e o microcontrolador calcula o tempo decorrido entre sua emissão e seu retorno.
O microcontrolador então usa essa informação para controlar pequenos servo-motores, que giram para variar a pressão exercida sobre as costas da mão.
A pressão é pequena quando os objetos estão muito longe, e vai aumentando conforme eles vão ficando mais próximos.
Luva-sonar para cegos tem projeto aberto
O inventor pretende testar outras opções técnicas, com sensores infravermelhos e laser. [Imagem: Steve Hoefer]
O usuário usa essa pressão como um sentido de aproximação, podendo contornar os objetos, caminhando pelos ambientes de forma autônoma, sem necessidade de auxílio.
Segundo Hoefer, o equipamento tem um tempo de resposta muito pequeno, na faixa dos milissegundos, um alcance de 2 centímetros a 3,5 metros, e não exige treinamento: "Todos que a colocaram começaram a usá-la imediatamente," garante ele.
Infravermelho e laser
"Este é o primeiro protótipo público. Ele não é perfeito, mas funciona, e pode ser melhorado. Por exemplo, ele pode ser facilmente construído com a metade do tamanho, e as baterias comuns podem ser substituídas por baterias recarregáveis com um método de recarga amigável para os deficientes visuais, seja sem fios ou por um plugue com conexão magnética," disse o inventor.
Hoefer afirma que agora pretende desenvolver uma versão com sensores infravermelhos e filtros polarizadores. Uma versão high-tech poderia ser feita com lasers, segundo ele, com uma precisão muito maior, mas também a um custo muito mais elevado.
Uma outra possibilidade seria testar outros posicionamentos, uma vez que ficar com a mão sempre estendida não parece ser muito cômodo: eventualmente montar o dispositivo em um cinto ou em uma faixa peitoral possa dar melhores resultados.
O inventor disponibilizou instruções para quem quiser montar sua própria luva-sonar no endereço grathio.com - as instruções estão em inglês e são voltadas para pessoas com experiência em montagens eletrônicas.
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Novo Governo Eletrônico facilitará vida de portadores de deficiência



Com o objetivo de melhorar a vida das pessoas que têm algum tipo de deficiência e facilitar o acesso às páginas de órgãos públicos federais, estaduais e municipais, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento vai lançar este mês o Portal da Pessoa com Deficiência e um novo modelo de acesso ao Programa Governo Eletrônico.
     O portal será lançado em 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, em parceria com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Por meio do recurso leitor de tela, um programa que sintetiza a voz humana e "lê" para o usuário o conteúdo da página eletrônica, o portal é totalmente acessível às pessoas cegas ou com visão limitada. Pela página será possível oferecer, por exemplo, serviços como a compra de automóvel adaptado a quem não tem os membros inferiores.
     A página eletrônica será uma referência para os órgãos governamentais sobre como devem ser usadas as normas do novo modelo de acesso ao Programa Governo Eletrônico, o e-MAG 3.0, que será lançado junto com o portal. De acordo com o diretor da SLTI, João Batista Ferri, é a tecnologia da informação (TI) sendo usada para democratizar o acesso dos brasileiros aos dados e serviços governamentais na internet. O programa contém orientações sobre como criar e desenvolver sites, portais e serviços na acessíveis aos deficientes e idosos e também a quem tem baixo grau de escolaridade e pouca intimidade com os recursos da informática.
     De acordo com a coordenadora-geral de Prestação de Serviço por Meio Eletrônico da SLTI, Fernanda Lobato, o novo modelo de acesso ao Governo Eletrônico vai permitir que mais pessoas tenham condições de entrar nas páginas dos órgãos públicos federais nainternet, inclusive portadores de qualquer tipo de deficiência. Ela explicou que a versão atual, lançada há cinco anos, está tecnologicamente desatualizada.
     Entre os destaques da nova versão está a padronização dos atalhos do teclado do computador. Não importa em que  página o internauta navegue, os atalhos de teclado que ele costuma usar vão servir para todas as outras páginas eletrônicas de órgãos públicos. Serão padronizados atalhos de busca, navegação e conteúdo, entre outros, para atender às necessidades dos deficientes visuais, auditivos e motores.

     Fernanda Lobato disse que, atualmente, apenas 5% das páginas de órgãos públicos federais na internet oferecem acesso aos deficientes. A nova tecnologia vai ampliar esse percentual. No caso dos órgãos públicos estaduais, de acordo com dados do Censo da Web de 2010, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGIBr), Lobato informou que o acesso pleno só é possível em apenas 2% dos portais públicos. Se, até agora, a grande maioria dos deficientes precisava sair de casa para resolver pendências em órgãos públicos, com o novo programa será possível resolver inúmeros problemas usando apenas um computador com acesso à internet.

via http://www.creio.com.br

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Brasil tem 24,5 milhões de pessoas deficientes

A maioria dos portadores de deficiência no País mora em área urbanizada, tem até três anos de escolaridade, é mulher e quase a metade deles (48%) ocupa a posição de chefe de família. No Brasil, 24,5 milhões de pessoas são portadoras de algum tipo de deficiência, incluindo física e mental, o que representa 14,5% da população em 2000. Esse dado inclui também as pessoas que se declaram incapazes de ouvir, enxergar e andar.
O município cearense de Irapuan Pinheiro, localizado na região Centro-Sul do Estado, a 335 km de Fortaleza, está entre os cinco municípios brasileiros com mais portadores de deficiência física (28,84% da população). Os demais são: Frei Martinho (PB), Várzea Grande (PI), Bom Jardim da Serra (SC) e Jericó (PB).

Esses dados fazem parte do livro Retratos da Deficiência no Brasil, lançado ontem em Brasília. Pela primeira vez, uma publicação reúne informações de vários setores - saúde, educação, trabalho - relacionadas aos portadores de deficiência.

"A principal característica da pesquisa é abordar tipos e graus de deficiência combinados com uma variedade de atributos sociodemográficos e políticas associadas ao setor", diz Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas e responsável pelo trabalho.

Produzida em parceria com a Fundação Banco do Brasil, a publicação utilizou números do IBGE e de vários ministérios.

Se comparado à média da população brasileira, o portador de deficiência tem desvantagem principalmente em dois setores: renda e escolaridade. A renda do trabalho dessas pessoas é R$ 100 menor que a média geral - R$ 529 contra R$ 628 -, mesmo tendo jornada semelhante. O agravante é que o portador de deficiência tem mais dificuldade para obter uma vaga.

"As políticas existentes para inclusão das pessoas com deficiência atacam conseqüências, e não as causas da insuficiência de renda. É importante pensar em ações complementares que dêem motivações para que esse grupo possa avançar de maneira mais autônoma e independente", diz o livro.

A legislação em vigor garante um salário mínimo mensal às pessoas com deficiências que tenham renda familiar per capita inferior a R$ 60 (o que representa um quarto do mínimo).

Isso é um dos pontos que explica o fato de 52,46% dessas pessoas se declararem inativas. Apenas 19,12% são empregados (com ou sem carteira assinada) e 12,14% trabalham por conta própria ou empregam alguém.

O Povo http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI162008-EI306,00.html

sábado, 6 de novembro de 2010

Inclusão de deficientes visuais em escolas ainda é desafio


Luzia Gomes (óculos) e Sara Arruda estudam em classes comuns em Brasília.                                                                             

Utilizam a máquina de datilografia em braille para escrever o que escuta nas aulas

Apesar de o número de alunos ter triplicado, ainda é preciso superar dificuldades de acesso para garantir frequência no ensino


Ivan Siqueira Reis, 31 anos, está reaprendendo a viver há dez anos. Apesar de já ter passado um terço da vida com problema de visão, ele se lembra bem de como o mundo é mais fácil para quem enxerga. Pegar ônibus, se locomover entre as salas de aula, ter acesso a materiais didáticos. Para o aluno do 2º semestre de letras-japonês da Universidade de Brasília (UnB), tudo o que faz parte da rotina de qualquer estudante é precário.
Na UnB, Ivan pede ajuda para circular pelo corredor em busca das salas de aula, não esbarrar nas pessoas ou não tropeçar nas calçadas. Ele ainda não tem muita mobilidade para se locomover sozinho, mesmo usando bengala. Os prédios também carecem de melhor estrutura, como rampas de acesso, sinalizadores tácteis nas portas e a numeração das salas em Braille (sistema de linguagem táctil para cegos), por exemplo. “Eu brinco com todo mundo: é melhor continuar enxergando direitinho”, diz.
O estudante conta com a ajuda de um programa que dá apoio a pessoas com necessidades especiais na universidade para driblar os problemas. O projeto oferece tutores, material impresso em Braille ou sonoro e um laboratório de apoio aos deficientes, que possui equipamentos adaptados. Aos poucos, ele conta que os professores também vão se acostumando com a presença - e as necessidades - dele em sala de aula. "Os professores mudaram a forma de ensinar a língua por minha causa", conta.
Ivan, que perdeu a visão em decorrência de um tumor no cérebro, ainda é minoria nos ambientes escolares. Na educação básica, os 68 mil deficientes visuais representam apenas 0,13% dos 52,6 milhões de alunos matriculados em escolas públicas e particulares do País. No ensino superior, o contingente de 5,2 mil deficientes visuais simboliza somente 0,09% dos 5,8 milhões de universitários, segundo o Censo da Educação Superior de 2008.
As estatísticas oficiais sobre os deficientes visuais do País mostram que muitos estão de fora desse universo. De acordo com o Censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000, último dado oficial sobre essa população no Brasil, 16,6 milhões de brasileiros possuíam algum tipo de deficiência visual e 150 mil eram cegos. Em 2003, apenas 25 mil estudavam. O número triplicou em 2009, mas ainda falta muito para garantir que todas as crianças, jovens e adultos que não enxergam estejam incluídos nas redes de ensino do País.
“Há um conjunto de ações, de políticas públicas, que têm impulsionado esse processo de inclusão. Historicamente, as pessoas com deficiência estiveram à margem da sociedade por falta de políticas para elas. O Estado se eximiu da responsabilidade e repassou dinheiro a organizações não-governamentais para que elas assumissem um papel que era do Estado”, afirma Martinha Clarete Dutra, diretora de Políticas de Educação Especial do Ministério da Educação.
Martinha, que também é deficiente visual, ressalta que as pessoas que têm esse problema só precisam de recursos materiais para aprender como os outros alunos. “O conteúdo, o currículo e o conhecimento transmitidos não são distintos. Só a forma de apresentá-los. O material que eles precisam é diferente”, diz. 

Políticas adotadas pelo MEC para garantir inclusão 
Investimento em formação docenteOferece cursos para professores que trabalham com educação inclusiva
Adequação arquitetônica dos prédios escolaresSistemas de ensino recebem o dobro de recursos do Fundeb para financiar reformas
Salas de recursosO MEC monta salas de apoio pedagógico em todas as escolas com mobiliário, materiais e equipamentos tecnológicos
Livros didáticosAs obras adquiridas no Programa Nacional do Livro Didático terão de ser produzidas para o formato Mecdaisy, um sistema desenvolvido pela UFRJ, para tornar obras acessíveis
 

Inclusão
Nas universidades, a presença de estudantes cegos ou com baixa visão aumentou 475% de 2003 a 2008. Naquele ano, havia apenas 920 alunos nas instituições de ensino superior brasileiras. Agora, há 5,2 mil. Nas escolas, o crescimento do número de alunos com cegueira matriculados nas redes foi de 129% em escolas comuns e de 84% no caso dos estudantes com baixa visão. Em 2004, 2,2 mil cegos estudavam em colégios regulares e, em 2009, 5 mil. No mesmo período, o número de alunos com baixa visão nas classes comuns saltou de 30,8 mil para 56,6 mil.
Ao passo que a matrícula de deficientes visuais cresce nas escolas regulares, diminui nas especiais. Para o Ministério da Educação e as secretarias de ensino, isso é uma vitória. Para os pais, ainda uma preocupação. Os especialistas defendem que a inclusão de estudantes deficientes em escolas comuns acaba com o preconceito e ajuda essas crianças e esses adolescentes a se tornarem mais independentes e autônomos. A família teme a falta de atendimento adequado e a discriminação.
“Escola se prepara de acordo com aluno que ela recebe, com ou sem deficiência. É a presença desse aluno que impulsiona a transformação dos sistemas de ensino. Essa ideia de que pessoas com deficiência precisam de acompanhamento especializado sempre não é correta. Classe especializada é segregação”, afirma Martinha.
Para a diretora do MEC, as famílias dos deficientes se sentem inseguras porque, em geral, superprotegem os filhos. “A família é muito importante e contribui muito para que pessoa se desenvolva mais ou se infantilize. Ela tem de perceber isso e ter noção de que a escola não é ideal para todo mundo, mas ninguém deixa de ir a escola por causa disso. É nas dificuldades e nos conflitos que crescemos”, analisa.
Ivaneide Batista Dias, 33 anos, vive esse dilema atualmente. O filho caçula, Wesley Lima Dias, 7 anos, perdeu a visão há dois anos por causa de um tumor nos olhos. No Centro de Ensino Especial para Deficientes Visuais (CEEDV) em Brasília, ele recebeu atendimento para saber como lidar com a nova condição: se locomover, ler em Braille, desenvolver ainda mais os outros sentidos.
O avanço de Wesley foi tão rápido que ele será encaminhado para uma escola inclusiva em 2011. A mãe está preocupada. Teme que professores e colegas não saibam lidar com ele e o deixem “de lado”. No centro de apoio, a coordenadora, pedagogos e psicólogos contam que o trabalho com a família é bem mais intenso do que com as crianças atendidas por lá. “Eles precisam de mais apoio para entender e aceitar a vida dos filhos”, afirma Susana Silva Carvalho, supervisora pedagógica.
Os atendimentos no centro são feitos com bebês a partir do nascimento. A proposta é identificar problemas de visão o mais rapidamente possível e iniciar as atividades de estímulo, mobilidade, orientação e ensino com eficiência. Grande parte dos bebês atendidos até os três anos no programa chamado de Precoce deixa o centro em seguida. “Muitos vão direto para escolas inclusivas. Outros fazem educação infantil aqui”, conta Susana.
Crianças mais velhas também, em muitos casos, continuam tendo atendimento especializado no local em horário contrário ao das aulas. “Aulas de música, natação e datilografia, por exemplo, fazem parte das atividades oferecidas”, exemplifica. Adultos e adolescentes também são encaminhados ao local para aprender a se locomover sozinhos e desempenhar tarefas domésticas. “Hoje, essa é uma escola de passagem. Eles passam aqui o tempo suficiente para viver uma vida normal lá fora”, afirma Susana. O centro auxilia também as escolas inclusivas que vão receber os alunos.

Felizes com a diferença
Josiane dos Santos, 32 anos, conta que não teve problemas com a adaptação da filha à Escola Classe 410 Sul, em Brasília, onde foi estudar depois de sair do centro especial. Sara dos Santos Ferreira, 13 anos, tem baixa visão e uma doença nos ossos, a osteopetrose. Em geral, crianças com essa doença não vivem muito – acabam desenvolvendo outras doenças – mas Sara se mantém um desafio para medicina.
“Os médicos se surpreendem com ela. Eles me diziam que ela não viveria mais de 10 anos. Por causa disso, estou sempre com ela. Venho para a escola, fico de olho, mas nunca tivemos problemas aqui. Sara adora a escola, a professora e os colegas”, garante. A filha, que está no 4º ano do fundamental, confirma. “Gosto muito dessa escola. Nunca tive medo de vir para cá. Todos me receberam bem”, afirma.
A professora dela, Rosa Cristina da Gama, conta que nunca havia dado aulas para um deficiente visual antes. “Senti muito medo no começo, porque não tenho cursos nessa área. Mas tem sido uma experiência gratificante e não é difícil. É só ter disposição para repensar as aulas, deixar de usar só quadro e giz e buscar novas formas de ensinar”, pondera.
As amigas Carolina Dias Lima Souza, 11 anos, e Thaiz dos Anjos Ataídes, 12 anos, que são cegas, estão adaptadas na nova escola, em Santa Maria, região administrativa do Distrito Federal. Alunas do 5º ano, elas admitem que gostam mais do novo colégio do que do centro especial. “Lá a gente tem mais amigos”, resume Thaiz. A mãe de Carolina, Eunice Dias, concorda que a adaptação foi fácil. Mas reclama das condições. “Ainda falta muito. Faltam rampas, salas de aulas adaptadas e professores com formação específica“, diz.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...