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sábado, 28 de junho de 2025

Juliana e o vulcão, ou a erupção de nossa tragédia política

 


Sammis Reachers

Nesta semana este país gigante e ferido de patologias genéticas que lhe embotam o raciocínio e o convívio (escolha a sigla que lhe agradar) se viu mobilizado.

Juliana Marins, niteroiense como eu, foi vítima de uma tragédia.

Mas sua tragédia pessoal/familiar revelou outras em seu bojo. Logo o país ainda polarizado se viu num embate: Onde está o presidente Lula, o Lule de tantos, que não providenciou seja o resgate do corpo vivo, seja o translado do cadáver? Pior, enviou jatinho da FAB para resgatar antiga “comparsa de falcatruas” dos tempos do Mensalão...

A monstruosidade de muitos se mostrou não na empatia com a Juliana ou seus restos mortais, mas em usar um fato trágico como artefato político, granada de concussão para tentar atordoar o outro lado.

E a monstruosidade foi prontamente respondida com outra monstruosidade (é a guerra, baby): Lula, o Lule misógino, machista e racista das massas bichas e machas, aprovou o gasto com o translado de corpos de brasileiros.

Há praticamente CINCO MILHÕES DE BRASILEIROS RESIDINDO NO EXTERIOR.

CINCO MILHÕES.

Fora os turistas.

Não, eu não quero, não posso e nem preciso pagar essa conta. Nem o país que eles escolheram deixar para sempre ou por momento.

Mas Juliana era turista. Turista de AVENTURA, que é aquele que escolhe o risco, e extrai do perigo, prazer. Sim, mesmo sabendo dos riscos, mesmo apesar dos riscos. Mesmo apesar da família, seu receoso apoio ou constrangida oposição. Ficou claro o desenho? Turista de AVENTURA. Aventurou, aventurou e morreu. Uma tragédia. Pessoal e familiar. Arthur, filho de Campina Grande e garçon em Barcelona, acaba de morrer em terras espanholas. Embolia pulmonar. Agorinha. Sua morte nos comove? Adelaide, maquiadora de Nova Iguaçu, acaba de morrer em Berna, na Suíça. Caiu de uma escada de três míseros degraus, dentro de casa. Cabeça na quina da pia. Morreu assim como todos os CINCO MILHÕES de brasileiros no exterior irão morrer, antes, durante e após você e eu.

Tudo isso é para expor o ridículo de nossa situação. O país não tem que enviar jatos da FAB, esse elefante branco e voador, com seus orelhões de dumbo ou do diabo, para resgatar criminosos “perseguidos”. E nem cadáveres, seja de trabalhadores pátrios, seja principalmente de aventureiros.

Mas bom senso desertou de nós há uma década ou quase duas, e a situação da inocente Juliana só serve para expor com toques de filme splatter o horror de nossa película. Por sinal, já ouviu nossa trilha sonora? Somos o país de Poze e Oruam, de Gusttavo Lima e de Enrique & Juliano...

Além da guerra, a política é a única ocupação onde um porco pode entregar o máximo de sua porquidão. Uma arena onde ele pode ofertar o seu pior para o cosmos.

Lula, como antes fez Bolsonaro, se mostra fraco ou porco demais: Os ventos do populismo – leia-se, desejo de reeleição, essa monstruosidade que não deveria existir – o faz lançar âncora onde quer que possa conseguir mais votos, de um bolsa-luz (na verdade, luz elétrica de graça para quem consome pouco), CNH gratuita para o pobre que pode comprar carro, mas não pagar por uma carteira (?), ao translado de corpos de aventureiros. Amanhã tem Flamengo, time de meu coração e de um terço da pátria aurirrubra: Eu e você pagamos a conta para que um fique deitado em sua casa ou casebre assistindo a Copa do Mundo de Clubes, luz e bolsas em dia, enquanto eu não posso, pois estou dando expediente no trabalho. E do trabalho, na hora apertada do almoço, assisto à comoção sobre outro aventureiro que curte a vida adoidado, não compartilhando seu prazer (justo, pois é particular), mas compartilhando sua desdita, pois pago os custos finais de sua aventura.

Esse desejo lulista de perpetuar-se no poder, pondo em risco a economia do país, é tão deletério quanto os arroubos golpistas e provincianos do idiota da aldeia Bolsonaro, outro que se revelou populista, mas tarde e sem talento, que talento no que seja sempre lhe faltou na vida.

Contra essa dualidade demoníaca de Lule x Bozo, quem se apresenta? A direita como a tupiniquim carrega em si o vírus totalitário; a esquerda outra que não a lulista é ainda mais perniciosa; os liberalóides passam do ponto: propondo Estado mínimo, querem mesmo é Estado nenhum. Marina se aquietou e aniquilou, conformada, um dos casos mais sinistros de implosão-política-sem-escândalos da história pátria. Ciro Gomes, o eterno injustiçado, não consegue falar a língua de nosso povo e até de nossas "elites", feridos todos de analfabetismo funcional (o "mal do século" brasileiro).

Primeira, segunda e terceira vias assoreadas, interditadas por lama perfumada. Precisamos de uma quarta, quinta, sexta vias. Mas de que bueiro emergiriam?

Estamos todos futricados, como diria meu pai.


*****


Sammis Reachers é escritor e editor. Paga suas contas como professor de Geografia. É licenciado também em História e em Artes Plásticas, e graduado em Biblioteconomia.


sábado, 3 de fevereiro de 2024

IBGE revela: Brasil tem mais pessoas morando em residências do que nas ruas


 O título deste post é um chamariz. Utiliza a burla do ridículo e do óbvio para atrair.

Outra burla, igualmente obscena, tem sido utilizada pelo órgão oficial, e reproduzida por entes de imprensa e pessoas por todo o pais, na última semana. Ela, a burla, soa literalmente assim:

Brasil possui mais templos religiosos do que escolas e hospitais somados.

Você eventualmente deve ter visto essa "notícia", em suas redes sociais ou sites noticiosos.

O preconceito aqui é axiológico, nasce com a expressão, o próprio "raciocínio" que ela promove.

Religião é coisa de foro íntimo, particular. Templos religiosos, do terreiro de candomblé ao templo budista, passando pelo motivo velado fundamental do ódio, os templos evangélicos, são erigidos com o dinheiro dos fiéis, ou de seus idealizadores. Sim, muitos templos sequer "se pagam", e aquele que os mantém o faz por fé. Outros sim, excedem-se no lucro, e malversam algo que deveria ser sagrado. Mas em ambos, em todos esses âmbitos, eu e você, que dirá o poder público, temos pouco ou nada a ver com isso. 

Já escolas e hospitais dizem respeito a todos, pois são pagos com impostos. Seus gestores, funcionários públicos em sua maioria, estão a serviço da sociedade e por esta remunerados. Perdão, sei que essa pedagogia chega a ser ultrajante. Mas é para dar a dimensão da situação a que chegamos.

Como comparar a esfera particular com a esfera pública? Qual a relação que se busca promover ao comparar a existência de templos religiosos com a de escolas e hospitais? Fica implícito o caráter maniqueísta, de contrapor algo "positivo" a algo "negativo"; ou necessário/desnecessário, ou qualquer outra maniqueismada que se queira.

Vamos deitar um outro vestido ao raciocínio. Você viu alguma postagem ou reportagem (já não são a mesma coisa, diluídas na sopa de ideologias espúrias de seus veiculadores, uns pagos e diplomados, outros entusiastas de sofá?), sim, você viu por acaso reportagem ou postagem (que dirá recenseamento), seja do próprio IBGE, da Folha, de seu primo ateu, de seu professor marxista, nesta linha:


BRASIL TEM MAIS BARES DO QUE ECOLAS E HOSPITAIS


Viu?

Falo agora aos evangélicos. Já é tempo de levantar do canto do ringue e combater o preconceito aberto e velado que muitos vomitam ou excretam sobre nós, dia após dia. O comentário judicioso no grupo de família, escola, trabalho; a postagem tendenciosa do amigo, dO Globo ou do IBGE; o olhar repetidamente atravessado (foco no repetitivo, é sintomático) em qualquer ambiente, da empresa aos coletivos...

Eu costumo aplicar um método desconstrutivo para explicitar o preconceito das falas, preconceito que mal conseguem esconder. O truque, quase socrático em sua rusticidade, consiste na simples substituição de palavras e expressões.

Quando ouvir: "Pastor é tudo ladrão" (vários o são, conheci alguns pessoalmente) troque o "pastor" por "preto", e pergunte à pessoa se ela concorda com a mudança. "Preto é tudo ladrão". Dá até cadeia, hum? Sim, e muito justificadamente. Mas o que muitos não sabem ou não querem fazer valer é que o primeiro comentário e congêneres também. Para o bom funcionamento (e exposição do preconceituoso) vale qualquer substituição, por opção sexual (gay, lésbica, hétero, etc.), por etnia, classe profissional, nacionalidade. A ideia é a de que, quando atingida, a pessoa reflita sobre a própria intolerância que, acredite, muitas vezes é semi-voluntária e segue o abjeto padrão mental do pre-conceito: Economia mental, esforço simplificador para não esforçar-se em raciocinar, em pensar por si mesmo. Sem desconsiderar o ódio gratuito ou pago, mas execute a manobra ao rigor da Lei: presuma inocência.

Além da antiga Lei que protege a liberdade de culto - e o respeito à fé alheia, há poucos dias se comemorou o Dia de Combate à Intolerância Religiosa, firmado pela Lei 11635/07. Tal lei ou data surgiu num contexto de proteção aos cultos de matriz africana, que têm sofrido preconceito histórico, desde sua introdução (ou criação, no caso da umbanda) em nosso país. Mas a primeira Lei não protege apenas estes, assim como a segunda não visibiliza apenas a sua causa. Toda intolerância religiosa deve ser judicializada. E judicializar, você sabe, segue o mesmo processo: Gravam-se falas, "printam-se" comentários, arregimentam-se testemunhas. 

Emitir opinião contrária não é crime. A intolerância se mostra quando os termos são agressivos, quando o ódio vaza do canto das bocas, quando o padrão se repete.

O mal se combate em campo. Tomemos a iniciativa, pois a bovinidade só interessa aos açougueiros, aos carrascos. 


Sammis Reachers

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A reprodução deste texto é liberada em qualquer meio e plataforma, desde que creditada a fonte.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A MENTIRA - Filemon Martins

 


A MENTIRA

Filemon Martins

 

Nunca no Brasil um vocábulo esteve tão em voga quanto o termo mentira. Mente-se descaradamente em todos os setores, em todos os lugares, em todos os segmentos da sociedade. Aliás, a imprensa, incluindo aí as redes sociais, não diz que são mentiras. São ¨fakes news¨, como se não soubéssemos que são mentiras mesmo ou notícias falsas, o que vem a ser a mesma coisa.

Como exemplo está ocorrendo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que se propõe a investigar possíveis omissões no combate à Covid-19. Ocorre que os responsáveis pela investigação, alguns respondem a inúmeros processos na justiça por atos ilícitos e crimes cometidos no exercício de seus mandatos, e além disso, o indivíduo convocado a depor presta seu depoimento e do outro lado alguém próximo ao depoente, afirma que suas respostas estão eivadas de mentiras. Há outros, mais suspeitos ainda, que entram para depor portando um documento outorgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe permite ficar em silêncio e nada responder. Entram calados e saem mudos. Tema que um leigo em Direito como eu não consegue entender. Parece que o que era para ser direito, está torto mesmo.

Affonso Romano de Sant’anna, em seu magnifico poema ¨A IMPLOSÃO DA MENTIRA¨, diz: ¨Mentem no passado. E no presente passam a mentira a limpo. E no futuro mentem novamente. Mentem fazendo o sol girar em torno à terra medieval/mente. Por isto, desta vez, não é galileu quem mente, mas o tribunal que o julga herege/mente. Mentem como se Colombo partindo do Ocidente para o Oriente pudesse descobrir de mentira um continente. Mentem desde Cabral, em calmaria, viajando pelo avesso, iludindo a corrente em curso, transformando a história do país num acidente de percurso¨.

A mentira tem o poder de destruir o caráter e a personalidade de qualquer pessoa, seja o cidadão comum ou o político consagrado. É muito frustrante nas eleições brasileiras quando acreditamos que este ou aquele candidato é decente e honesto. Depositamos na urna um voto de confiança. Depois de eleito, já no cargo que o elegemos, vem a decepção porque ele mentiu. Percebe-se que o objetivo do governante não é governar para o bem da coletividade e sim proteger sua família, seus amigos empresários e capitalistas que querem mais lucro, não importa a quem o chicote vai alcançar.

A mentira inferniza e destrói lares, porque um dos parceiros mentiu. Há pessoas que fazem da mentira uma prática diária. Mentem aqui e acolá e vão mentindo pela vida afora, querendo transformar a mentira que apregoam em verdade cristalina e pura. Não é sempre que conseguem. Geralmente são desmascarados pelos fatos.

A sociedade não prospera quando a mentira alimenta a corrupção que medra em todos os terrenos, especialmente onde há dinheiro. O grande jurista e advogado Rui Barbosa, em campanha presidencial contra Epitácio Pessoa, pronunciou um discurso no Rio de Janeiro, em março de 1919, ¨O REINO DA MENTIRA¨ – ¨Mentira toda ela. Mentira de tudo, em tudo e por tudo. Mentira na terra, no ar, até no céu, onde, segundo o padre Vieira, o próprio sol mentia ao Maranhão, e direis que hoje mente ao Brasil inteiro. Mentira nos protestos. Mentira nas promessas. Mentira nos programas. Mentira nos projetos. Mentira nas reformas. Mentira nas convicções. Mentira nas soluções. Mentira nos homens, nos atos e nas coisas. Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na escrita. Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. Mentira nas instituições. Mentira nas eleições. Mentira nas apurações. Mentira nas mensagens, nos relatórios, nos inquéritos, nas candidaturas, nas garantias, nas responsabilidades, nos desmentidos. A mentira é geral. Uma impregnação total das consciências pela mentira, que se acaba por se não discernir a mentira da verdade, que os contaminados acabam por mentir a si mesmos e muitas vezes não sabem se estão, ou não mentindo¨.

Jesus afirmou que o pai da mentira é o diabo. Portanto, aqueles que mentem e não se arrependem se tornam filhos do diabo. No episódio da crucificação de Cristo, Pedro, o grande Pedro mentiu três (3) vezes antes que o galo cantasse. Mas as Escrituras Sagradas também informam que Pedro se arrependeu e chorou amargamente. E a Bíblia é muito clara sobre a mentira: ¨Não darás falso testemunho contra o teu próximo¨. Êxodo 20:16 - ¨A testemunha sincera não engana, mas a falsa transborda em mentiras¨. Provérbios 14:5 - ¨Não furtem. Não mintam. Não enganem uns aos outros¨. Levítico 19:11 - ¨Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo¨. Efésios 4:25 - ¨E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará¨. João 8:32 - ¨Quem pratica a fraude não habitará no meu santuário; o mentiroso não permanecerá na minha presença¨. Salmos 101:7 - ¨Que a sua palavra seja sim, sim e não, não¨. Mateus 5:37.

Diante de tudo isto, o quadro é desanimador, porque infelizmente no Brasil a mentira foi banalizada e se transformou em arma para destruir pessoas, relacionamentos, mina a confiança e quase sempre machuca tanto que é impossível o conserto.

Do livro Caminhos do Jordão da Bahia (RG Editores, 2022).

Blog do autor: http://filemon-martins.blogspot.com/



sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

FNW – Fake News Wars e o Bolsolulismo

 



FNW – Fake News Wars. No futuro, quem sabe este período histórico que sofremos seja assim conhecido e estudado?

Nos EUA, poucos anos atrás, a ajuda russa ao alaranjado Trump e sua equipe redundou na derrota da Hilary. O exemplo estava dado. Aqui, o turbilhão em que o país se encontrava em virtude do desmonte do maquinário Petista/Peemedebista e associados, pegos de certa forma com as calças arriadas em seu processo de vampirização do maquinário estatal para fins e$cuso$, criou a condição ideal para, seguindo uma maré que se levantava em outros países, a ascensão de forças de direita - ou qualquer um que gritasse alto. Moro excedeu-se? Muito provavelmente. Americanos lucraram no lombo mirrado de seus primos morenos, mas precisaram trabalhar (no pain no gain) nas sombras para isso? Claro! Para isso vivem, como a Pérfida Álbion (você deve conhecê-la como Inglaterra) os ensinou um dia. Mas, para fúria e lágrimas de muitos, nada disso muda o fato de que as treta$ eram realmente de enfartar o coração de qualquer pátria. Porta destrancada, até bêbado chuta e diz que arrombou...

Mas nossa direita era capitaneada por gente que chama o defunto astrólogo/ex-muçulmano-reprodutor Olavo de Carvalho de filósofo e de patriota um empresário que tem a Estátua da Liberdade como símbolo de seu negócio: à primeira vista, ainda que o edifício petista apodrecesse e ruísse, o braço mirrado dessa gente seria impotente para assumir o poder.

Aqui entraram as fake news. Capitaneado por seus filhos, numa sinistra inversão hierárquica, o capitão casamenteiro arrebanhou ofendidos de primeira hora e viu serem fabricados os que faltavam pelo maquinário das fake news. Um recurso que sempre existiu, a chamada contrainformação usada por Estados e direitistas e esquerdistas, foi elevado em ambientes virtuais ao status de arte sombria.

A questão é que as eleições foram vencidas; inocentes úteis, pessoas com razão em sua revolta e indecisos cooptados pela manada e até uma inesperada (?) malta de maus-caráteres uniram-se e instalaram no poder uma colcha de retalhos marotos composta de meia dúzia (oi? Tantos?) de elementos sérios (logo logo despachados) e um panteão galáctico de caricatos personagens, aloprados sob a (in)gerência de um sargentão em ceroulas, mamador de leite condensado, vício herdado das frias madrugadas na caserna (deixe logo esclarecer que sobrei por excesso de contingente).

As fake news não se resumem a detonar as biografias dos adversários, inflar a relevância de eventos, esvaziar a de outros, e atribuir a A o feito por B. Elas se manifestam, por exemplo, a nível de ideário na apropriação indébita da mensagem cristã (e idealizadamente da correção ética) feita por indivíduos defensores da tortura e do extermínio. Até hoje muita gente acha que o católico nominal (ou seja: não-praticante) Bolsonaro é um evangélico de facto. Um case de fake news de sucesso, hum? Cristãos sinceros, goste você ou não, foram cooptados pela mensagem viralizada, afogados no imenso ruído comunicativo deflagrado pela realidade da corrupção + fake news. Vencidos foram muitos incautos por esta prática vil, mas fundamental nos procederes dos agentes das FNW, e que podemos chamar de sequestro de capitais simbólicos: Nossa bandeira e suas cores, a defesa de valores basilares (comuns à maioria das pessoas, seja qual for sua inclinação política/religiosa), a pátria, o cristianismo: Tudo isso é deles e de mais ninguém.

A incapacidade do PT de realmente governar para todos, subestimando a imensa população evangélica, força proativa e ordeira a serviço da nação, vista então como reles minoria inoportuna ou manobrável, “cidadãos de segunda categoria”, finalmente cobrava seu preço. E um teatro do absurdo se instalou em Pindorama, polarizada a níveis jamais vistos. Pois o golpe de mestre dessas FNW foi esse: pessoas real ou pretensamente “de bem” se alistaram numa guerra que lhes foi vendida como ética, mas era tão-somente uma guerra ideológica e uma manobra da plutocracia da casa grande em busca de retomar o trono, com uma ajudinha do diabo ianque. E muitos não podem voltar atrás: a narrativa odienta de seus captores-cooptores os contaminou e às suas biografias. Não muito "bem" restou.

Falando na polarização, um fenômeno que já é tema de estudos e seguirá, se não apresentou-se com o vestido do ineditismo - pois os partidários aloucados (hoje mesmo há um aí perto de você!) de Hitler ou Stálin provam que ele sempre existiu - ao menos ficou nu como o rei da legenda: O Bolsolulismo, a conflagração desses dois extremos odiosos e odiosamente siameses. Para os poucos ainda afeitos ao somatório das ideias, livre de dogmatismos e cartilhas ideologicamente pré-concebidas, ficou explícita a periculosidade para o bem público de qualquer extremismo. Mas infelizmente somos tropa assimétrica e acuada, engolfados de roldão no turbilhão putrefato desta guerra que não pudemos impedir.

A alternância de poder é benéfica à democracia. A derrota de forças superiores por players aparentemente impotentes dá uma lição de fogo a gregos e troianos, obesos de fartar-se do poder. Mas a assimilação e reprodução cultural da mentira, sua industrialização midiática, o envenenamento da opinião pública, isso precisa ser combatido antes que solape o que nos restou de democracia.

2022 chegou com a pandemia, multifacetária, estendendo-se por aí, embaralhando as coisas, expondo-encobrindo os desmandos do atual governo. Tudo leva a crer que a aventura bolsonarista cairá por terra, mas não sem um duríssimo combate, que jamais cessou desde 2018 e atualmente está em pleno vigor – de lado a lado, é bom frisar – como a CPI da Covid e a CPI fail do voto impresso, ambas inócuas, deixaram claro.

Mesmo findo este primeiro ciclo das fake news wars, suas lições e as máculas que deitou no couro da nação arderão por bom tempo ainda – e será lento nosso processo de desintoxicação cultural, se é que nos desintoxicaremos algum dia.


Sammis Reachers


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Cada vez menos cristãos apoiam Bolsonaro



Há dois fatos que não podemos tolerar: 


1. A associação da fé que professamos ao Bolsonarismo, que consideramos contrário aos valores do cristianismo.
Lamentamos o apoio acrítico, efusivo e institucional que setores inteiros do movimento evangélico brasileiro têm dado ao presidente da República. Movidos pela fidelidade ao evangelho de Cristo, assinamos esse manifesto a fim de dizer que estamos entre aqueles que repudiam essa aliança política. 

2. A ameaça que o Bolsonarismo representa à democracia brasileira
No dia 19 de abril, o Brasil testemunhou o presidente da República participar de um ato antidemocrático no qual manifestantes portavam faixas pedindo pela restauração do AI-5 e fechamento do STF e do Congresso Nacional. 
No dia 22 de maio, o general Augusto Heleno, chefe do GSI, divulgou uma “nota à nação brasileira” na qual declarou que uma decisão favorável à apreensão do celular do presidente poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional. 
Em seguida, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, manifestou apoio ao general Heleno, e 89 oficiais da reserva ameaçaram o STF aventando a possibilidade de uma guerra civil. 
Um dos filhos de Bolsonaro declarou no dia 27 de maio que é inevitável que o país tenha uma ruptura institucional. Silêncio por parte do pai. 
Não dá mais para viver sob a tensão desse impasse, jamais sabendo, por exemplo, se amanheceremos amanhã privados do direito de livre expressão do pensamento.
É insurportável a ideia de que as instituições do Estado democrático de direito entrarão em colapso, pelos simples fato de o poder das armas ter prevalecido sobre o poder da justiça e do direito.
Trememos de pensar nos nossos compatriotas morrendo nas ruas por causa da irresponsabilidade e espírito anti-republicano de uns poucos, uma vez que milhões não estarão dispostos a se tornar gado dos usurpadores do poder.
Nós cristãos estamos unidos no propósito de oferecer resistência pacífica e democrática ao bolsonarismo. 
Com a Constituição Federal nas mãos, usando as armas da razão, tomando a vereda das instituições democráticas -arena para o debate racional entre seres que, embora vejam a vida de modos diferentes, sabem que nasceram para viver harmoniosamente em sociedade-, resistiremos a toda e qualquer tentativa de supressão de direitos e garantias constitucionais. 
Não se trata de uma batalha entre esquerda e direita. Estamos diante de ameaça a valores compartilhados pelo que de melhor existe em ambas as ideologias.
Admitimos que há diferenças político-ideológicas entre nós cristãos. Contudo, num ponto estamos de acordo: os problemas da democracia devem ser tratados de modo democrático. Buscar governar sem o consentimento dos governados é grave violação de direitos inegociáveis de seres criados à imagem de Deus. 

Pr. Antônio Carlos Costa


Assine o manifesto no site Avaaz: 

terça-feira, 17 de março de 2020

Reflexão: O Coronavírus e seu poder de nos despir



Uma nova epidemia, seja de doença rediviva ou “inédita” tem o benefício, se é que esse termo pode ser utilizado sem dolo, de redimensionar o homem à sua estatura de apenas criatura: reles (embora solar), mortal (embora com a ânsia de eternidade ardendo em seu peito). Essa pausa para o recesso existencial, essa reflexão forçada sobre nossa fragilidade em tempos de corona vírus assume tons diferentes em cada coração: a uns causa angústia; noutros, revolta; noutros, um inescapável esforço de alheamento, de não pensar nisso, de refugiar-se numa fantasia qualquer. A maioria fica mesmo com sua dose, sua raçãozinha de medo.

A Bíblia, dentre seus muitos livros, possui um que, pelo caráter límpido de suas assertivas, poderia ser distribuído sem dolo ou ofensa entre os maiores céticos da Terra: o livro de Provérbios. Ao lado deste e na mesma linha, há um outro livro cuja sabedoria é mais elaborada, um livro “existencialista” que prenuncia, com quase 2.500 anos de antecedência, muitos dos temas filosóficos dos sécs. XX/XXI: O Eclesiastes. Dos seus muitos conselhos, um cabal é o que diz que “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração” (Ec 7.2). Pensar na morte, vejam só!, faz bem à vida. Esse é mesmo um dos princípios do pensamento filosófico.

A doença equaliza as coisas: reduz o rico, que é vítima e também transmissor preferencial nesses inícios de epidemia, a seu desconfortável lugar de apenas mais um, a seu insuportável-para-ele lugar de ser um qualquer, “agraciado” pela sorte ou meritocracia com a única especialidade de... poder morrer primeiro. Ela põe cada centavo que ele amealhou, por vezes à custa de sangue e suor alheio, em xeque.

E mais: a doença global, totalitária em seu ímpeto globalista, expõe a fragilidade do global sistema: As duas maiores potências mundiais prostram-se em quarentenas e bilionários protocolos emergenciais em sujeição a um vírus. A Europa, pretensa/ruinosa trincheira do que é humano, para e contempla a limpidez do vácuo que a epidemia inoculou. A ONU é figura da paisagem; os grandes laboratórios farmacêuticos, cuja receita supera o PIB de muitos países, por ora são apenas amontoados de maquinários e cérebros curtidos em formol; os líderes políticos, ah, esses são um capítulo à parte.

Nosso espaço é curto; foquemos então em nosso mestre de fanfarras, nosso tocador e fabricante de berrantes, nosso “mito”: Num dia, bestificado pelas cansativas falácias da extrema-direita norte-americana (leia-se também e sempre: olavete) contra a imprensa, as vacinas e outras pautas alucinadas, vocifera que “o vírus é uma fantasia da grande mídia”. Horas depois, aparece em rede nacional vestindo uma máscara, e tendo um de seus homens próximos infectado com esse vírus.  Nesse episódio tétrico, podemos ouvir a própria deusa Realidade arrotando nos ouvidos dos celerados: “Ei, moleques, então quer dizer que eu não existo?!! Pois desculpem-me pelo improviso.”

Ecumênico, o vírus Covid 19 é como um tarado que encontrou nosso fanfarrão já com as calças arriadas. Assim, fica fácil para o vírus. E terrível para nós.


Sammis Reachers

domingo, 22 de dezembro de 2019

Natal, imigrantes, Santa Claus e a matrix, por Sammis Reachers



Há algumas semanas uma instalação artística chamou a atenção do mundo. Em Claremont, na Califórnia, uma Igreja Metodista apresentou um presépio onde estavam colocados o menino Jesus, Maria e José, cada qual isolado em gaiolas individuais, como as que são usadas nos EUA para a detenção de imigrantes ilegais. A mensagem é clara: a forma rude com que os imigrantes são tratados ali, numa nação de imigrantes, fere na raiz a qualquer direito humano e princípio cristão. A denúncia atinge em cheio o falso moralismo de parte daquela (e da nossa ocidental) sociedade, ao chocar-se com a observância bíblica que não recomenda, mas ordena: “E quando o estrangeiro peregrinar convosco na vossa terra, não o oprimireis. Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrinar convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito” (Levítico 19.33,34).
Que bom que o Natal serviu de veículo para uma crítica de tal pertinência. Por sinal, a essencialidade do Natal vem se perdendo já há quase dois séculos. O São Nicolau turco, depois um sincrético senhor de elfos finlandês, foi apropriado, remixado e exportado pela indústria e mainstream norte americanos, e o Papai Noel tornou-se a figura central de uma festa que deveria celebrar o deus-migrante e sem posses que vagou (“o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”, Mateus 8.20b) entre nós.
O capitalismo tem isso de matrix: fiel tributário da Lei de Lavoisier, o químico francês que postulou que (na natureza) nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, ele devora, adapta, rearranja do que há do mais sujo ao mais sagrado e põe a vender na lojinha da esquina, no site da Amazon ou num leilão da Sotheby’s.
Ainda que nos esqueçamos do motivo singelo do Natal, ainda que ele seja prostituído, dessacralizado numa ritualística de consumismo e hipocrisia, glutonaria e bebedeira (sem falso moralismo aqui; apenas que todo excesso é pernicioso), o motivo ainda está lá, num berço improvisado num curral palestino ou numa gaiola californiana: a criança de Belém continua a nascer a cada ano e a cada dia de cada ano, continua a resistir e a estender seus improváveis e ternos braços para os que precisam de seu tesouro, seu abraço: veículo de concórdia, fraternidade e conciliação entre os homens.


Sammis Reachers

Artigo publicado originalmente no Jornal Daki

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Temos fome, fome de Esperança - Sammis Reachers



Uma pintura do inglês George Frederic Watts, atualmente exibida na famosa Tate Galery de Londres, apresenta uma significativa alegoria: uma mulher com os olhos vendados, sentada sobre o globo terrestre, tendo em suas mãos um alaúde. Todas as cordas do instrumento musical estão arrebentadas, menos uma. A mulher aparenta estar atenta à música tirada desta única corda – essa corda é a Esperança.
Vivemos tempos sombrios. A desesperança, seja ela em utopias materialistas ou religiosas campeia, alimentada pelas brasas do ódio que insiste em bradar de sarjetas a tronos, passando por (quase) todas as tribunas. No Brasil, o espectro político hiperpolarizado, com as vozes da concórdia e do sapiente “caminho do meio” sufocadas, ou pior, acusadas de mascararem “isentões”, é ferramenta para as hostilidades das extremas direita e esquerda. O diagnóstico é triste e a pílula, difícil de engolir: nossa sociedade está doente. Doente da alma, ferida em seu humanismo no que ele tem de mais nobre e fraternal; doente de suas fés religiosas, com o uso distorcido de suas mensagens de paz para fins eleitoreiros, interesseiros e intolerantes. Nossa situação calamitosa de desigualdade social, que volta a crescer com o neoliberalismo covarde (perdoe a redundância, amigo leitor) do milionário (sintomático, hum?) Paulo Guedes, trabalha furiosamente para dinamitar as esperanças que nos restam e resistem.
O que vemos por aí é maniqueísmo que se chama: a crença de que o bem puro e o mal puro se digladiam. Mas quem é o mal? O mal é o próximo, o outro, nunca eu. Nunca você. O mal é o coxinha que quer proibir os livros de Marx na escola. Ou o vermelho que quer dinamitar igrejas. Fácil, não? Mas somos humanos, e pelo entendimento bíblico, seres transidos de fios de mal e bem, acertos e erros – sim, a Bíblia e a maioria das grandes religiões mundiais nos referem como seres em processo, cuja jornada é a própria formação. Livres em nossas circunstâncias, que nos limitam em parte e em parte condicionam, mas são impotentes para aniquilar o que temos de divino. E esse toque “divino”, fino fio que nos mantém de pé, frágil filamento que nos une uns aos outros, que conduz (para nós, através de nós e a partir de nós) uma certa pulsante corrente elétrica, é a Esperança.
É preciso esperançar. Acreditar contra nossas diferenças, resistir contra os flagelos e os flageladores, os verdugos à serviço da exclusão e do maniqueísmo. Suas agendas não são as nossas; sua estreiteza não no diz respeito. Martin Luther King, o grande pastor e líder civil da mais singular expressão, assevera: “Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita”. E conclui: “Se eu ajudar uma pessoa a ter esperança, não terei vivido em vão”.
Aquela única corda da alegoria de Watts, citada no início deste texto, fio solitário, é na verdade uma ponte. Sim, é uma ponte a Esperança, fio a co-ligar e conduzir o homem (indivíduo e sociedade), e cabe a cada um de nós o papel de seus arautos, de pontífices (construtores de pontes) para nosso próximo.

*      *      *      *

Há algum tempo, organizei e editei uma antologia de citações reunindo frases sobre a Esperança e ainda as outras duas das chamadas virtudes teologais (principais) cristãs, o Amor e a . São ao todo 750 citações, e o livro, gratuito, pode ser baixado aqui:  https://drive.google.com/file/d/0B0F-wUwMTQUDTTJ6THJXSmUzNUE/view

Sammis Reachers


ARTIGO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO JORNAL DAKI (São Gonçalo - RJ).



sábado, 17 de agosto de 2019

Rachel Carson, urgente

Dorrit Harazim - O Globo
O fazendeiro americano Ezra Taft Benson serviu ao presidente Dwight Eisenhower como secretário da Agricultura ao longo de oito anos (1953-61), antes de tornar-se influente profeta da Igreja Mórmon. É dele uma pergunta que encapsula os preconceitos culturais, a ignorância científica e os interesses que predominavam no pós-Segunda Guerra Mundial: “Por que uma mulher solteira, sem filhos, está tão preocupada com a genética?”, quis saber. Ou melhor, nem quis saber, pois ele mesmo forneceu a resposta: essa mulher era comunista. Teria dito mais se soubesse, à época, que a personagem, mesmo não sendo comunista, manteve até o final da vida uma extraordinária amizade amorosa com outra mulher.
Taft Benson referia-se a Rachel Carson, autora de “Primavera silenciosa”, o seminal livro que desarrumou para melhor as até então inexistentes políticas ambientais nos Estados Unidos e obrigou o mundo a despertar para a frágil interconectividade da vida no planeta. Obra-libelo para que se investigue e regulamente o uso de pesticidas, o livro serviu de referência para a criação da primeira agencia federal de proteção do meio ambiente (EPA, na sigla em inglês), da aprovação da Lei do Ar Puro (1963), Áreas Selvagens (1964), Água Limpa (1972), Espécies em Extinção (1973), e despertou a consciência ambiental moderna.

Nascida em família rural da Pensilvânia e bolsista na universidade Johns Hopkins, a bióloga Carson não teve recursos para concluir seu doutorado em Zoologia e Genética. Mesmo assim, com “Primavera silenciosa”, produziu a reportagem investigativa de maior relevância (e clareza) do século 20. Publicado mais de meio século atrás, o clássico demonstra com rigor científico e prosa emocionante que pesticidas não apenas envenenam insetos e ervas daninhas, como desencadeiam uma cascata de mutações destruidoras da vida no planeta.
Carson não era radical, não pregava a proibição pura e simples de pesticidas químicos, apenas apontou para a necessidade de aprofundar o conhecimento de seus elementos e para as consequências de uma ciência não assentada em moralidade.
Ainda assim, a autora foi alvo de brutal campanha de descrédito por parte de setores do governo, da indústria química e do agronegócio da época. Até mesmo a editora Houghton Mifflin, responsável pela publicação do livro em 1962, recebeu intimidações jurídicas de peso.
Por que lembrar agora dessa luminosa personagem que morreu com o corpo em metástase pouco depois de concluir sua obra? Porque seus detratores de outrora pipocam em estranhas reencarnações. Vem à mente, de imediato, a recente foto de Carlos Bolsonaro, filho do presidente do Brasil, empunhando um exemplar de “Psicose ambientalista: Os bastidores do ecoterrorismo para implantar uma religião igualitária e anticristã”, de Dom Bertrand de Orléans e Bragança. O título- spoiler, que torna desnecessário descrever o conteúdo da obra, parece ter inspirado também o pai de Carlos a denunciar a existência de uma “psicose ambientalista” contra o Brasil por parte de países como Alemanha e França.
Vem à mente também o jornalista alemão Henrik Böhme, da Deutsche Welle, que considera o Gabinete do Clima criado pela chanceler Angela Merkel como um “gabinete de horrores”, e vê por trás da política de defesa ambiental um ataque subterrâneo ao sistema econômico capitalista. Na mesma linha está o site americano Fabius Maximus, onde se lê que “a esquerda incita à histeria climática para obter ganho político” e que a adolescente sueca Greta Thunberg, “ícone do apocalipse climático”, só existe como resultado de cuidadoso trabalho de mídia alimentado por grupos de interesse. Vem à mente, é claro, nosso ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para quem a Amazônia surfa em “desmatamento zero”. E também o general da reserva Augusto Heleno, que do seu gabinete brasiliense de Segurança Institucional descarta como “manipulados” dados computados pela tecnologia de ponta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Por tudo isso, mesmo para quem já leu “O fim da natureza”, de Bill McKibben, assistiu a “Uma verdade inconveniente”, de Al Gore, aguarda a vinda à Flip do jornalista David Wallace-Wells, autor de “A Terra inabitável”, e gostou do alerta sobre biocídio em “A sexta extinção: Uma história não natural”, de Elizabeth Kolbert, vale empreender um retorno ao futuro com Rachel Carson.
Ela merece. Nós também. Até para lembrar que conhecimento consiste na procura da verdade, não na busca da certeza.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Eleições 2018, cenário sombrio para a Igreja: Daciolo nos representa?


Agosto de 2018: As eleições estão já às portas, e o cenário que se vislumbra é deveras sombrio, embora muitos pensem o contrário.
Comecemos pelos da "casa" de "Deus": Marina, vítima de alianças, vítima do tempo, vítima do PT, a quem ela permitiu desconstruí-la nas últimas eleições - permitiu, sem falar um "ai" sobre a corrupção do PT, que ela como ex-ministra deveria saber - e o pior, talvez não tenha se omitido por rabo preso, pois ela realmente aparenta inocência(s), mas POR RESPEITO ao Lula. O tempo, como dito, e o convívio com a nata da liberalidade (moral) acabaram por fragmentar seu discurso cristão, e hoje ela é apontada como favorável aos LGTBs, e propõe um plebiscito para a questão do aborto, que deveria ser tema intocável para um cristão, seja de qualquer vertente.
Temos o louco do Boulos, que tinha muito para apresentar-se mais inteligentemente, mas excede no radicalismo e sabota suas próprias perspectivas de (alguns) votos. Ainda na esquerda, Ciro, ás das palavras, mas que, contraditória ou paradoxalmente, costuma dizer uma asneira num vídeo e, ao contrário de Bolsonaro, que tenta mal e porcamente explicar-se, simplesmente desmente o registrado, e diz que jamais falou tal coisa. Assim, com a maior das caras lavadas. Assim fica fácil prometer mundos e fundos, como ele logra fazer. Isso não é papel de homem, e ele próprio já se desqualifica a priori como homem para chefiar uma nação.
Os demais são mais do mesmo: Alckmin, Meireles, Amoedo, raposas purpurinadas do neoliberalismo. Nada temos a dizer: suas biografias falam ou arrotam por si.
E temos Bolsonaro. De quem não vou citar os pontos positivos, alguns, pois há milhões que, sinistramente zumbificados, o fazem pela segurança das redes sociais. Bolsonaro é o que a Bíblia chama fundamentalmente de levantador de contendas. Um Ninrod, um valente que, dizendo trazer  solução e a reforma moral, é apenas mais do mesmo, o que se vê em seus muitos anos de vida pública e suas nulas realizações. É a opção cristã mais razoável - sim - mais razoável PARA O SEGUNDO TURNO. Suas continências à bandeira americana e durante eventos maçônicos dizem mais sobre ele do que seus defensores estão dispostos a engolir - e no entanto engolem. Mas, concordo com eles, há males piores.
Para o primeiro turno, acreditamos num elemento já um tanto folclórico - um homem que fala sobre a algo fantasiosa Nova Ordem Mundial, mas também sobre a muito real e operante Maçonaria - isso em cadeia nacional. E, ainda em cadeia nacional, abre uma Bíblia (alô Marina, alô Bolsonaro, alô Mangueira, aquele abraço!), e lê um versículo para a nação. Se sua pouca experiência depõe contra ele, ela mesma deixa transparecer que o nosso homem possui algum talento, muita coragem, e apresenta-se como cristão que não se envergonha da Palavra da Verdade, colocando-a (ao menos em tese, e isso é muito mais do que os demais) acima de tudo. Estamos falando, claro, de Daciolo.
Claro está que ele não representa perigo para os principais concorrentes - e por isso mesmo merece nosso voto. Nosso voto de protesto, nosso voto de cristãos, nosso voto de demonstração de força. Ele precisa de força para conquistar visibilidade, palanque, projeção - para que continue a voar e a bradar, com a coragem que falta a todos os demais. Cientes estamos de suas incongruências, algumas divertidas: mania de perseguição, algum exagero nas citações e apelos de seu incansável jargão evangélico, confissão (exageradamente?) positiva - mas isso, o tempo apaziguará. Precisamos dele como precisamos um dia de Enéas, que deixou este país antes do tempo, com funestas consequências para a nação.
Para o segundo turno, decidamos entre Bolsonaro e um outro - mas neste primeiro turno eu lhe convido a votar com ousadia, com coragem, com protesto contra o marasmo de lama em que estes que aí estão nadam há décadas, sem cansarem-se ou se afogarem. 

Sammis Reachers

sábado, 18 de julho de 2015

Acolherei o Estrangeiro!

old woman
José Roberto M. Prado - www.teleios.com.br
Conforme atestou a ACNUR em sua nova edição do relatório Tendências Globais (Global Trends), divulgado em 18 de junho de 2015, vivemos uma crise humanitária mundial sem precedentes, com cerca de 60 milhões de pessoas deslocadas à força, sendo que destes, 20 milhões são refugiados e 40 milhões deslocados internos (IDPs).
Seja nos países de origem, de refúgio, de trânsito ou de reassentamento, a igreja tem um papel essencial e único a desempenhar na promoção da tolerância, da cultura de paz, para que os deslocados à força possam recuperar-se do trauma causado pelo desastre humanitário que sofreram e sejam inseridos efetivamente na nova sociedade.
Reconhecendo esta realidade, em dezembro de 2012, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados organizou um Diálogo com líderes religiosos de diferentes credos, organizações humanitárias confessionais, acadêmicos e representantes governamentais de vários países ao redor do mundo sobre o tema “Fé e Proteção”. Em resposta a esta convocação, de fevereiro a abril de 2013, uma coalizão de organizações humanitárias confessionais e instituições acadêmicas, entre elas a Aliança Evangélica Mundial (WEA) e a Visão Mundial (World Vision International), ambas de corte evangélico e com expressiva presença mundial, participaram na elaboração do documento “Acolher o Estrangeiro: Afirmações para líderes de comunidades de fé”.
As afirmações (transcritas abaixo) têm como alvo inspirar líderes de todos os credos a “acolher o estrangeiro” com dignidade, respeito e amor. Como observou Antonio Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados:
“…para a vasta maioria das pessoas desarraigadas, poucas coisas são tão poderosas em ajudá-las a superar o medo, a perda, a separação e a destituição, como a sua fé. A fé é central também para a esperança e a resiliência … em muitas circunstâncias, os deslocados se voltam primeiramente às comunidades religiosas locais em busca de proteção, assistência e aconselhamento. As organizações de fé frequentemente desfrutam de altos níveis de confiança na comunidade, têm um melhor acesso e conhecimento local mais amplo, todos os quais são importantes fatores na elaboração e execução de programas, inclusive em ambientes complexos e inseguros.”
Confira as afirmações. Reflita. Você está pronto a acolher o estrangeiro? Então, que tal envolver outras pessoas? O Mestre da Galiléia já disse: “fui estrangeiro, e me acolheste..”.
Um valor central da minha fé é acolher o estrangeiro, o refugiado, o deslocado interno, o outro. Eu lhes tratarei como eu mesmo gostaria de ser tratado. Eu convidarei os demais, inclusive os líderes da minha comunidade de fé, a fazer o mesmo. Junto com os líderes de fé, as organizações religiosas e as comunidades de consciência ao redor do mundo, eu afirmo:
Acolherei o estrangeiro.
Minha fé ensina que a compaixão, a misericórdia, o amor e a hospitalidade são para todos: o nascido no país e o nascido no estrangeiro, o membro da minha comunidade e o recém-chegado.
Recordarei e farei recordar aos membros da minha comunidade que todos somos considerados “estrangeiros” em algum lugar, que devemos tratar o estrangeiro em nossa comunidade como nós gostaríamos de ser tratados, e que devemos desafiar a intolerância.
Recordarei e farei recordar a outros em minha comunidade que ninguém deixa sua terra natal sem uma razão: alguns fogem da perseguição, violência e exploração; outros devido a desastres naturais; e outros motivados pelo amor desejam prover uma vida melhor para sua família.
Reconheço que todas as pessoas têm direito à dignidade e ao respeito devido a sua condição de ser humano. Todos em meu país, inclusive os estrangeiros, estão sujeitos às leis do país e ninguém deve ser submetido à hostilidade ou discriminação.
Reconheço que acolher ao estrangeiro às vezes requer coragem, mas as alegrias e esperanças de fazê-lo sobrepassam grandemente os riscos e desafios. Apoiarei aqueles que corajosamente acolherem o estrangeiro.
Oferecerei hospitalidade ao estrangeiro, pois isso traz bênçãos sobre a comunidade, sobre minha família, sobre o estrangeiro e sobre mim.
Respeitarei e honrarei o fato de que o estrangeiro possa ter uma fé diferente ou manter crenças diferentes das minhas ou de outros membros da comunidade.
Respeitarei o direito do estrangeiro de praticar sua fé com liberdade. Buscarei criar espaços onde ele possa prestar seu culto livremente.
Falarei de minha própria fé sem menosprezar ou ridicularizar a fé de outros.
Construirei pontes entre o estrangeiro e eu. Através de meu exemplo, animarei a outros a fazerem o mesmo.
Farei um esforço não só para acolher ao estrangeiro, mas também para ouvi-lo em profundidade, e para promover o entendimento e acolhimento na comunidade.
Manifestarei-me pela justiça social para o estrangeiro, assim como faço para os outros membros da minha comunidade.
Quando eu vir hostilidade para com o estrangeiro em minha comunidade, seja em palavras ou em atos, não ignorarei, mas me empenharei em estabelecer o diálogo e facilitar a paz.
Não me manterei calado quando vir outros, mesmo que sejam líderes da minha comunidade de fé, falar mal dos estrangeiros, julgando-os sem conhecê-los ou quando vir que estão sendo excluídos, maltratados ou oprimidos.
Encorajarei minha comunidade de fé a trabalhar com outras comunidades de fé e organizações religiosas para encontrar melhores maneiras de assistir ao estrangeiro.
Acolherei o estrangeiro.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A derrota do Brasil para o crack



Por Antônio Geraldo da Silva

O governo reconhece que ainda não entendeu o problema do crack. A política pública não pode ser só internação compulsória

Neste mês, o programa Crack, É Possível Vencer, do governo federal, completou dois anos. No entanto, infelizmente, a vitória não é uma realidade. Nem mesmo está próxima.

O ministro da Justiça disse que o programa foi o segundo em verbas aplicadas pela pasta da qual é titular. A afirmação é assustadora, pois dos R$ 4 bilhões prometidos para o combate ao crack, apenas R$ 368 milhões foram de fato empregados.

Recente pesquisa da Universidade Federal de São Paulo estima em 2,8 milhões de usuários de crack em todo o país. Esse número dobra a cada dois anos.

Afinal, como as autoridades estão enfrentando esta que já é a mais grave epidemia da história recente do Brasil? Trata-se de uma derrota em três frentes: política, estratégica e de saúde pública.

Política porque, segundo deputados da base aliada da presidente Dilma Rousseff, apesar de o assunto ser prioritário, há resistência interna dentro do próprio governo que ela lidera.

O segundo escalão do Ministério da Saúde é contra o programa Crack, É Possível Vencer, inclusive defendendo a liberação das drogas. No Ministério da Justiça, um secretário teve que deixar suas funções depois de declarações desastrosas acerca do assunto. Uma torre de Babel: há uma corrente ideológica ligada ao governo que defende o contrário do que a presidente fala.

Se a articulação política é uma questão grave, a estratégia de proteção de fronteiras é ainda mais urgente. O Brasil não planta uma única folha de coca. Como então temos tanta droga circulando no país?

Depois que Evo Morales --pasme, presidente da confederação dos cocaleiros-- assumiu a Presidência da Bolívia, a área plantada chegou a 25 mil hectares. Sua política de liberar o plantio por lá criou um pico do consumo do crack por aqui.

Além disso, o Uruguai acaba de legalizar a maconha, sem ninguém ter certeza de como isso impactará na saúde e na segurança do país e, em última instância, do continente. A maconha não é uma droga simples. É uma bomba de aditivos e componentes químicos que causam comprovados transtornos mentais.

Outros países que fizeram movimentos semelhantes foram obrigados a recuar. A Suécia, por exemplo, é o país que mais reprime o uso de drogas e conseguiu eliminar a tempo a epidemia de crack que tomou conta do país logo após a malsucedida legalização das drogas.

O terceiro escorregão do governo ocorre no terreno da saúde pública. A educação é capenga. A Universidade de Michigan fez um estudo com a duração de 35 anos sobre o consumo de maconha nos Estados Unidos. Nesse período, notaram que quanto maior a percepção do risco, menor o consumo. Ou seja, informação é fator primordial. Quando há informação cruzada --de que a maconha não faz mal--, aumenta o consumo e os números de dependentes.

Cerca de 37% dos jovens que usam maconha ficam viciados. É uma loteria cruel, especialmente com essa faixa etária, ainda não madura o suficiente para ter a dimensão das consequências dos seus atos. E que não tem acesso às informações das verdadeiras ações deletérias dessa droga maldita.

Há uma incompreensão de que a dependência química é de altíssima complexidade. Enquanto o tratamento do vício em crack no sistema privado é digno e obtém boa resposta, o dependente pobre está entregue à própria sorte ao despreparo da maioria dos serviços disponíveis na rede pública.

O governo reconhece que ainda não entendeu o problema do crack. A política pública não pode ser só internação compulsória, pois parece apenas a preocupação em "limpar as ruas". Qual é a consequência do tratamento? O que fazer com esses dependentes depois da internação? Como reinseri-los na sociedade de forma produtiva? Quais as diretrizes de tratamento?

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) já se colocou e se coloca à disposição do governo federal para esclarecer dúvidas e colaborar nas diretrizes a serem seguidas. Até agora, nada. Devem saber o que estão fazendo.

A única constatação possível é que o Brasil enxuga gelo quando o assunto é o combate ao crack e outras drogas.

ANTONIO GERALDO DA SILVA, 50, é presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Fechamento de igrejas sem alvará

Na semana passada o jornal O Estado de SP, publicou uma matéria (leia aqui) sobre o fechamento da igreja Bola de Neve Church no bairro da Pompéia, zona oeste da capital paulista. Leia a matéria na íntegra, é importante para entender o que está acontecendo, mas vamos tentar resumir em tópicos os recentes acontecimentos: 

  • O vereador Eduardo Tuma (PSDB) é líder da frente parlamentar cristã da câmara de SP. 
  • Tuma retirou da pauta da câmara municipal a proposta do aumento do IPTU da gestão do prefeito Hadadd (PT). 
  • Eduardo Tuma discutiu com Arselino Tatto (PT) por esse e outros motivos. 
  • Duas horas depois, a subprefeitura da Lapa fechou a Bola de Neve, que também é liderada por Eduardo Tuma. 
  • A igreja em questão já estava sendo fiscalizada desde 2012. 
  • No primeiro semestre de 2013, segundo a prefeitura, Tuma já havia sido avisado que o templo poderia ser lacrado. 
  • Em contrapartida, a mesma prefeitura que já havia notificado o templo e ameaçado esse lacre, autorizou um evento que aconteceria para 3 mil famílias no local. 


A partir desse fato foram desencadeadas uma série de discussões a cerca de perseguição religiosa no Brasil. Inclusive, vi páginas no Facebook divulgando o assunto com a expressão "Isso é só o começo da perseguição". Daí levantamos a questão: Isso é perseguição? 

Aqui cabe uma citação: "O senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu astutamente. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz." - Lucas 16:8 

Casas noturnas correram aos montes por todo Brasil para regularizar sua situação perante a prefeitura depois do trágico acontecimento em Santa Maria - RS. Algumas foram fechadas. Lugares que recebem muitas pessoas devem seguir certos padrões de segurança e isso é certo, é bom e é agradável. 

Se deixarmos de lado a discussão do "fecharam a igreja pra prejudicar o irmão por questões políticas" e aquela que levanta a questão do "fiscalização no Brasil não funciona, fecham o que querem e deixam funcionando o que é conveniente", encaremos a realidade: Nós devemos ser imitadores de Cristo e Cristo cumpriu a lei enquanto a questionava. 

Podemos levantar questionamentos sim, mas não sem cumprir aquilo que nos é imposto corretamente, pois nós temos algo que todo cristão, em todos os cantos do mundo gostariam de ter, que é a liberdade de cultuar à esse Deus maravilhoso em público. Se não tivéssemos essa benção, teríamos que lutar com coragem e desafiar uma perseguição REAL. 

Quando eu vi páginas com milhares de seguidores, pedindo oração pois esse era o começo de uma perseguição fiquei pensando no tempo que seria desperdiçado com orações erradas, quando essas pessoas poderiam ser instruídas para orar pelo Egito, pelo Uzbequistão, pelo Iraque e para que a igreja do Brasil passe a ser mais consciente do que manipulada. 

A sua opinião pode ser diferente da minha, e queremos saber. Comente.

Abraços. 
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