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sábado, 17 de agosto de 2019

Rachel Carson, urgente

Dorrit Harazim - O Globo
O fazendeiro americano Ezra Taft Benson serviu ao presidente Dwight Eisenhower como secretário da Agricultura ao longo de oito anos (1953-61), antes de tornar-se influente profeta da Igreja Mórmon. É dele uma pergunta que encapsula os preconceitos culturais, a ignorância científica e os interesses que predominavam no pós-Segunda Guerra Mundial: “Por que uma mulher solteira, sem filhos, está tão preocupada com a genética?”, quis saber. Ou melhor, nem quis saber, pois ele mesmo forneceu a resposta: essa mulher era comunista. Teria dito mais se soubesse, à época, que a personagem, mesmo não sendo comunista, manteve até o final da vida uma extraordinária amizade amorosa com outra mulher.
Taft Benson referia-se a Rachel Carson, autora de “Primavera silenciosa”, o seminal livro que desarrumou para melhor as até então inexistentes políticas ambientais nos Estados Unidos e obrigou o mundo a despertar para a frágil interconectividade da vida no planeta. Obra-libelo para que se investigue e regulamente o uso de pesticidas, o livro serviu de referência para a criação da primeira agencia federal de proteção do meio ambiente (EPA, na sigla em inglês), da aprovação da Lei do Ar Puro (1963), Áreas Selvagens (1964), Água Limpa (1972), Espécies em Extinção (1973), e despertou a consciência ambiental moderna.

Nascida em família rural da Pensilvânia e bolsista na universidade Johns Hopkins, a bióloga Carson não teve recursos para concluir seu doutorado em Zoologia e Genética. Mesmo assim, com “Primavera silenciosa”, produziu a reportagem investigativa de maior relevância (e clareza) do século 20. Publicado mais de meio século atrás, o clássico demonstra com rigor científico e prosa emocionante que pesticidas não apenas envenenam insetos e ervas daninhas, como desencadeiam uma cascata de mutações destruidoras da vida no planeta.
Carson não era radical, não pregava a proibição pura e simples de pesticidas químicos, apenas apontou para a necessidade de aprofundar o conhecimento de seus elementos e para as consequências de uma ciência não assentada em moralidade.
Ainda assim, a autora foi alvo de brutal campanha de descrédito por parte de setores do governo, da indústria química e do agronegócio da época. Até mesmo a editora Houghton Mifflin, responsável pela publicação do livro em 1962, recebeu intimidações jurídicas de peso.
Por que lembrar agora dessa luminosa personagem que morreu com o corpo em metástase pouco depois de concluir sua obra? Porque seus detratores de outrora pipocam em estranhas reencarnações. Vem à mente, de imediato, a recente foto de Carlos Bolsonaro, filho do presidente do Brasil, empunhando um exemplar de “Psicose ambientalista: Os bastidores do ecoterrorismo para implantar uma religião igualitária e anticristã”, de Dom Bertrand de Orléans e Bragança. O título- spoiler, que torna desnecessário descrever o conteúdo da obra, parece ter inspirado também o pai de Carlos a denunciar a existência de uma “psicose ambientalista” contra o Brasil por parte de países como Alemanha e França.
Vem à mente também o jornalista alemão Henrik Böhme, da Deutsche Welle, que considera o Gabinete do Clima criado pela chanceler Angela Merkel como um “gabinete de horrores”, e vê por trás da política de defesa ambiental um ataque subterrâneo ao sistema econômico capitalista. Na mesma linha está o site americano Fabius Maximus, onde se lê que “a esquerda incita à histeria climática para obter ganho político” e que a adolescente sueca Greta Thunberg, “ícone do apocalipse climático”, só existe como resultado de cuidadoso trabalho de mídia alimentado por grupos de interesse. Vem à mente, é claro, nosso ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para quem a Amazônia surfa em “desmatamento zero”. E também o general da reserva Augusto Heleno, que do seu gabinete brasiliense de Segurança Institucional descarta como “manipulados” dados computados pela tecnologia de ponta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Por tudo isso, mesmo para quem já leu “O fim da natureza”, de Bill McKibben, assistiu a “Uma verdade inconveniente”, de Al Gore, aguarda a vinda à Flip do jornalista David Wallace-Wells, autor de “A Terra inabitável”, e gostou do alerta sobre biocídio em “A sexta extinção: Uma história não natural”, de Elizabeth Kolbert, vale empreender um retorno ao futuro com Rachel Carson.
Ela merece. Nós também. Até para lembrar que conhecimento consiste na procura da verdade, não na busca da certeza.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Congresso Arte, Meio Ambiente e Fé Cristã - Belo Horizonte e Brasília



O que a fé cristã tem a dizer sobre o meio ambiente?


Encontro reúne artistas e especialistas para um debate sobre arte, meio ambiente e fé cristã
Por Carlinhos Veiga

Nosso mundo sofre as consequências graves da má utilização dos recursos naturais por parte dos seres humanos. Na busca por lucros e riquezas, como se fossem sinônimos de “progresso”, a humanidade age agressivamente contra a Criação de Deus, explorando os recursos naturais de modo irresponsável, como se fossem infinitos. Recentemente acompanhamos as tragédias que se deram em Mariana e Brumadinho, onde um mar de lama tóxica ceifou milhares de vidas humanas, animais, agindo agressivamente contra o meio ambiente e mudando por completo o cenário de rios, ecossistemas, cidades etc.
Quando olhamos para tudo isso indagamos qual deveria ser a atitude dos discípulos de Cristo diante desse cenário. O que a fé cristã teria a dizer sobre as questões ambientais? É possível pensar biblicamente sobre temas como sustentabilidade? A nossa teologia suporta elaborar estratégias que nos movam a orar e a agir responsavelmente sobre as questões ambientais?
Como uma resposta à Mariana e Brumadinho, surge o evento “Arte, Meio Ambiente e Fé Cristã”, a ser realizado nos meses de junho e julho de 2019. Queremos utilizar a linguagem artística como uma das formas de abordar o tema.
Quando e onde?
Nos dias 14 e 15 de junho, em Belo Horizonte, MG, nas dependências da Igreja
Batista da Redenção – Redê.
Nos dias 19 e 20 de julho, em Brasília, DF, no auditório do Colégio Mackenzie, no Lago Sul.

Como será?
O evento terá início nas noites de sexta-feira, se estendendo até as noites de sábado com devocionais, palestras, seminários, mesas redondas, shows musicais e exposições de obras artísticas.
Além dos assuntos abordados pelos preletores convidados, haverá uma mesa redonda “Fé Cristã e o cuidado com o Meio Ambiente”, com especialistas no assunto. Em Brasília, concomitante ao Encontro haverá um Fórum de Literatura, na manhã do sábado, 20 de julho.

Preletores
Confirmaram presença Timóteo Carriker, Marcelo Gualberto, Marcelo Renan, Gladir Cabral, João Leonel, Erlon Lemos, Carlinhos Veiga, Roberto Diamanso, Expresso Luz e Rubão Lima. Destes, alguns participarão somente em Belo Horizonte ou Brasília.

Promoção
Mocidade Para Cristo do Brasil & Tearfund Brasil

Parceria
Campanha Renovar o Nosso Mundo | Colégio e Faculdade Mackenzie – Brasília | Editora Ultimato | Igreja Batista da Redenção | Igreja Presbiteriana do Lago Norte |
Instituto Marcos Daniel| Instituto Sebastião | Instituto Presbiteriano Mackenzie Brasília | Miquéias Brasil | Visão Mundial

Serviço
Igreja Batista da Redenção
Rua Itapagipe, 69 – Concórdia, Belo Horizonte, MG
Quando: 14 e 15 de junho

Colégio Mackenzie
SHIS Ql 05 Chác. 74 a 79, Lago Sul, Brasília, DF
Quando: 19 e 20 de julho

Não serão oferecidas hospedagens e refeições aos participantes. Indicaremos hotéis e restaurantes.
https://www.sympla.com.br/arte-meio-ambiente-e-fe-crista__518773

terça-feira, 10 de junho de 2014

Ministério do Meio Ambiente lança oito cursos a distância para formar 10 mil pessoas

Créditos: Martim Garcia/MMA
Clique na imagem para vê-la no seu tamanho original.
Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai promover, em 2014, oito cursos a distância sobre cidadania e sustentabilidade socioambiental. A previsão é formar 10 mil pessoas até dezembro deste ano. Os cursos serão realizados por meio da plataforma Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). O objetivo é ampliar o acesso de diversos públicos interessados nos processos de formação e capacitação desenvolvidos pelo MMA.
O diretor de Educação Ambiental, Nilo Diniz, explica que o MMA e suas entidades vinculadas procuram, na atualidade, articular e potencializar a capacidade institucional de formação e capacitação, ampliando a base social da política ambiental no país. "Este é o propósito desses cursos, que, por meio de uma nova plataforma virtual e de metodologias específicas, se somam a outras formações presenciais em andamento, bem como a processos participativos, como os conselhos e as conferências nacionais de meio ambiente, tanto a versão adulto, quanto a versão infanto-juvenil", enfatiza.

Em julho, serão realizados dois cursos. O primeiro aborda questões que visam qualificar e reduzir o consumo infantil. O curso "Criança e Consumo Sustentável" tem como público-alvo as mães e os pais. Serão 20 horas de curso para duas mil vagas. O curso "Estilo de Vida Sustentável" tem como objetivo trabalhar uma nova perspectiva de qualidade de vida com base em padrões sustentáveis. São duas mil vagas para qualquer pessoa interessada no tema. O curso tem carga de 20 horas.

Temas prioritários

De agosto a dezembro, será realizado o curso "Formação de agentes populares de educação ambiental na agricultura familiar", com duas mil vagas. O objetivo é colaborar com a formação de lideranças do campo e técnicos de instituições que atuam com educação ambiental e agricultura familiar. O curso visa auxiliar no desenvolvimento de processos formativos e de mobilização nos territórios em favor da regularização ambiental, da adoção de práticas agroecológicas e sustentáveis e do enfrentamento de questões e conflitos socioambientais.

A iniciativa é destinada aos agentes de assistência técnica e extensão rural (Ater), lideranças de movimentos, sindicatos, associações, técnicos de organizações não governamentais (ONG), pastorais, prefeituras, órgãos públicos, empresas, professores, jovens, ambientalistas, animadores culturais. O curso compreende 120 horas de aula.

"Apoio à implantação do Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar (PEAAF) nos Territórios" é o tema da quarta capacitação, que busca refletir sobre questões relacionadas à temática socioambiental no campo. Podem participar gestores públicos estaduais e municipais e representantes de instituições que atuam com educação ambiental e agricultura familiar. Será ministrado de setembro a novembro, com 60 horas de duração e 300 vagas disponíveis.

Ampliação de conhecimentos

O curso que aborda as estratégias de implantação do programa Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), destinado aos gestores de órgãos governamentais, acontecerá de agosto a setembro. Serão disponibilizadas duas mil vagas e o curso durará 20 horas. Igualdade de Gênero e Sustentabilidade" é o tema da sexta capacitação, aberta a todos os interessados. Ocorrerá de setembro a outubro, com mil vagas e 20 horas de duração.

Também será realizado um curso de formação de conteúdistas em educação a distância. A proposta é realizar a formação técnica sobre estratégias e metodologias de desenvolvimento de conteúdos na linguagem à distância. O curso é destinado aos servidores do MMA e das unidades vinculadas, além de representantes de instituições que atuam com ensino a distância. Será ministrado de outubro a novembro, com 20 horas de duração e 500 vagas disponíveis.

O último curso tem o intuito de apresentar as etapas necessárias para elaboração dos Planos Municipais de Resíduos Sólidos para os gestores públicos municipais. Será realizado em novembro, com 200 vagas e 20 horas de duração.

Confira a lista dos cursos até dezembro:

1. Criança e Consumo Sustentável: julho, 20 horas, 2 mil vagas.

2. Estilo de Vida Sustentáveis: julho, 20 horas, 2 mil vagas.

3. Formação de agentes populares de educação ambiental na agricultura familiar: agosto a dezembro, 120 horas, 2 mil vagas.

4. Apoio à implantação do Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar nos Territórios: setembro a novembro, 60 horas, 300 vagas.

5. Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P): agosto a setembro, 20 horas, 2 mil vagas.

6. Igualdade de Gênero e Sustentabilidade: setembro a outubro, 20 horas, mil vagas.

7. Formação de conteudistas em EaD: outubro a novembro, 20 horas, 500 vagas.

8. Planos Municipais de Resíduos Sólidos: novembro, 20 horas, 200 vagas. 

FONTE

Tinna Oliveira - Jornalista
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